Avicultura
Maturação da microbiota intestinal das aves é indicador para evitar o uso de promotores de crescimento
Reduzir ou mesmo eliminar o uso de promotores de crescimento não significa um retrocesso no potencial das aves nem na lucratividade do produtor.

A crescente demanda do mercado por carne de animais criados com baixa ou nenhuma concentração de antimicrobianos usados como promotores de crescimento tem acelerado a criação de medicamentos alternativos e feito a cadeia produtiva empenhar ainda mais esforços para oferecer a proteína conforme a exigência desses consumidores.
Sob uma visão da produção de frango de corte, o assunto foi amplamente debatido por profissionais de empresas fornecedoras, agroindústrias e instituições acadêmicas no Simpósio promovido pela Fundação Apinco de Ciências e Tecnologias Avícolas (Facta), durante o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs), ocorrido no início de agosto na cidade de São Paulo.

Jean de Oliveira: “É fundamental que ocorra o manejo correto dos antibióticos para preservar o uso terapêutico que é extremamente importante para o bem-estar animal” – Foto: Sandro Mesquita/OP Rural
Em sua palestra, o pesquisador Jean de Oliveira, abordou a maturação da microbiota como indicador de aves saudáveis para evitar o uso dos melhoradores de desempenho.
Oliveira salientou a importância da microbiota intestinal na saúde das aves e o fato dos antibióticos afetarem diretamente esses microrganismos que vivem dentro do intestino. Segundo ele, 80% dos genes presentes no conteúdo intestinal podem ser classificados e dentro deles, cerca de 99% são bactérias. “No que se refere a potencial genético para essa microbiota, as bactérias realmente prevalecem”, pontuou.
Jean citou estudos que apontam a existência de desenvolvimento microbiano paralelo ao desenvolvimento da ave, ou seja, é possível ver claramente que a microbiota muda de acordo com a idade da ave. “Conforme a idade da ave aumenta, a microbiota vai mudando e esses padrões podem ser encontrados em análises microbianas”, salientou.
Jean apresentou dois exemplos de países europeus que não mais utilizam os antimicrobianos como promotores de crescimento e recentemente diminuíram bastante o uso profilático e terapêutico desses medicamentos.
O primeiro exemplo vem da França, que desde 1999 monitora com precisão os dados por meio de índices de exposição dos animais. Com a mudança na legislação relacionada ao tema em 2014, passou-se a fazer políticas pela retirada desses medicamentos não somente como promotores de crescimento, mas também como antibióticos de maneira geral. “Quando se teve essa visão integrada, o uso dos antimicrobianos caiu de maneira significativa nesse país”, salienta.
O segundo exemplo, conforme dados apresentados por Jean, aconteceu na Inglaterra, país que criou políticas semelhantes às do Reino Unido. E apesar do uso de promotores de crescimento ter diminuído 44% entre 2012 e 2015, a indústria avícola inglesa cresceu cerca de 5% nesse período. “Reduzir ou mesmo eliminar o uso de promotores de crescimento não significa um retrocesso no potencial das aves nem na lucratividade do produtor”, destacou.
Acompanhamento
O zootecnista salienta a importância do acúmulo de dados registrados em campo para entender e comparar a microbiota das aves de corte em diferentes condições, idade e genéticas na produção de frango que existem no mundo. “Independente do método utilizado é importante que se consiga observar o padrão de desenvolvimento”, destacou.
De acordo com ele, quando o padrão de desenvolvimento é identificado evidencia-se os desvios dessa sequência. Conforme Jean, isso incorre em queda de desempenho das aves e principalmente, aumento do risco de patógenos em lotes que não respondem às alterações feitas em campo, seja em relação às estratégias nutricionais ou mesmo o uso de aditivos. “Muitas vezes é preciso corrigir primeiro esse desenvolvimento para depois fazer outros tipos de intervenções”, salientou.
Segundo Jean, com o auxílio dos dados é possível ver com clareza a transição em aves mais jovens, quando existe uma predominância das bactérias produtoras de lactato. Conforme a ave vai se tornando mais velha começa a aumentar a contribuição das outras bactérias de fermentação na composição da amostra. De acordo com Oliveira, as idades recomendadas para monitorar o desenvolvimento da microbiota é aos 7, 21 e 35 dias. Durante a fase de transição, ou seja, aos 21 dias, é o período onde se pode ver mais claramente se a microbiota está atrasada, adiantada ou se está no nível normal de desenvolvimento. “Essa fase de transição é muito importante, pois vemos que quanto mais rápido esse desenvolvimento acontece é mais benéfico para a ave e quando o desenvolvimento não acontece é bastante perigoso”, sustenta.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



