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Matrizeiro e incubatório: Onde a magia começa!

Processo produtivo começa ainda antes da granja, em três das mais importantes e decisivas fases para o sucesso da avicultura: matrizeiro, produção de ovos férteis e incubatório

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Quando o consumidor brasileiro saboreia um bom prato a base de frango, raramente pensa de onde veio aquele produto. Uns talvez pensem que vem do supermercado, outros associam sabidamente ao produtor rural, mesmo que ainda acreditem em processos produtivos mais rústicos do que realmente são. Mas o processo produtivo começa ainda antes da granja, em três das mais importantes e decisivas fases para o sucesso da avicultura nacional. O matrizeiro, a produção de ovos férteis e o incubatório. Tudo para ter o chamado pintinho de um dia, que vai povoar as granjas avícolas carregando consigo genética destinada à produção de carne e imunidade para encarar doenças e outros desafios.

Atualmente, as grandes empresas avícolas do Brasil têm seu próprio matrizeiro e incubatório. Algumas conseguem a autossuficiência, em processos cada vez mais automatizados, sanitariamente seguros e que respeitam o bem-estar animal. Uma delas é a cooperativa Lar, que produz 300 mil pintinhos por dia, 365 dias por ano, na região Oeste do Paraná. Em linhas gerais, um dos grandes cuidados que temos que ter nas fases do matrizeiro, produção e incubatório é a biosseguridade. Essa é a palavra de ordem”, comenta o gerente de Matrizeiro e Incubatório da Lar, Sérgio Luiz Lenz. A preocupação tem sentido: se uma ave sair contaminada desses estabelecimentos, toda a cadeia produtiva pode ser afetada. No caso da cooperativa paranaense, mais 1,2 mil aviários. “É o início de toda a cadeia. Se você tiver um problema sanitário, ou você espelha o problema ou para de produzir. Por isso, aqui é tudo feito de maneira preventiva”, comenta.

Recria

Em Sub Sede, distrito de Santa Helena, PR, a empresa mantém o setor de Recria de aves. É lá que a matriz, que chega com um dia de vida, vai se tornar apta a produzir ovos que vão para os incubatório. Para se ter uma ideia do investimento, cada fêmea de um dia custa em torno de R$ 15. Já o macho, R$ 25. A título de comparação, um pintinho de um dia custa R$ 1 ou menos.

“São três fases de produção. A primeira é a recria das aves. Atualmente no Brasil, de ponta, há duas genéticas. Nós usamos 70% de uma e 30% de outra. O setor de recria recebe a matriz de um dia. Nós alocamos nesse setor até que ela chegue às 21 semanas, aproximadamente. Nesse período, o foco é deixar a matriz apta para produzir ovo, cum uma conformação corporal adequada, ou seja, peso adequado, e uniformidade do lote, com o maior percentual possível dentro da mesma faixa de peso”, comenta Lenz.

Ele explica que esses dois fatores vão influenciar, inclusive, o manejo de equipamentos lá na granja do avicultor. “Se a ave tem o mesmo tamanho, o tamanho do ovo segue essa faixa de uniformidade. Como 65% do peso do ovo deve ser o peso do pintinho, quanto maior o ovo, maior do pintinho”, acentua. “Nós buscamos isso por que quanto mais uniforme for o pintinho, mais facilita o manejo do produtor, uma vez que linha de niple e de comedouro vai subindo de acordo com o crescimento. Se eu tiver disparidade, vai ter frango maior e menor. Então, se regular o equipamento pelo grande, o pequeno não come, se regular para o pequeno, o grande não come direito”, exemplifica. “O foco principal é uniformidade e conformação corporal”, reforça.

A outro item, também que é rigorosamente perseguido nesses núcleos: imunidade. Impedidos legalmente de promover processos curativos, matrizeiro e incubatório trabalham de forma preventiva. Na recria, o programa vacinal inclui dez aplicações nas matrizes. Assim, o pintinho já chega na granja comercial carregando em sua genética imunidade contra as principais doenças que acometem os planteis em cada região. “Outro item da recria é o status sanitário, a parte imunológica, parte de defesa da ave. Nas matrizes o controle é mais rigoroso, praticamente sem uso de antibióticos. O fator importante na recria é que a gente trabalha de maneira preventiva. Todo programa de autodefesa da ave vai ser feito aqui. São dez etapas de vacinações que são feitas de maneira preventiva. Essa reserva das vacinas, cepas e sorotipos ficam para a fase de produção. Isso dá imunidade para a progênie”, comenta. “Quase que unicamente, salvo uma ou outra situação, a gente trabalha de maneira preventiva, por isso essas granjas são mais isoladas que as granjas comerciais”, explica Lenz. De acordo com ele, os programas vacinais variam de região para região, dependendo dos desafios específicos. “Cada região usa um programa vacinal”, cita. Elas são aplicadas via oral (massal) e individual.

Pesando uma a uma

Mas como garantir que as matrizes cheguem às 21 semanas com a mesma faixa de peso. Nesse caso, só mesmo cuidando de uma a uma. O manejo técnico para buscar uniformidade exige que as aves sejam pesadas, uma a uma, quatro vezes durante sua estada no matrizeiro. Para se ter uma noção melhor, a Lar recria 1,3 milhão de aves por ano e cada uma delas é pesada, avaliada e segregada quatro vezes.

“Nosso sistema é em quatro seleções 100%. A matriz é pesada individualmente nas semanas quatro, oito, 12 e 16. Então segregamos entre as leves, as pesadas e aquelas que estão dentro do esperado. Nossa variação é de 10%. Acima ou abaixo disso, vai para categoria de acima da média, no caso das pesadas, ou abaixo da média, para as leves. A gente segrega os lotes, fornece nutrição diferenciada para que na próxima seleção elas já possam estar dentro da média”, destaca. Hoje são 70 mil matrizes cada um dos oito núcleos do matrizeiro.

Fêmeas e machos

Na recria, fêmeas e machos são criados em galpões separados. “Cada um fica em um galpão porque as exigências, as necessidades nutricionais, por exemplo, são diferentes entre fêmeas e machos”, destaca. De acordo com o gerente, a cooperativa compra aproximadamente 13% de machos em relação ao número de fêmeas.

Produção

Depois da recria, as matrizes vão para a fase de produção de ovos, explica Lenz. Que é, no fim das contas, quando ela começa a dar lucro, já que até agora só “gastou”. “Quando a matriz começa a produzir, está custando pelo menos R$ 40. Ela vai produzir ovos por cerca de 41 semanas”, comenta.

“Quando a ave está apta a gente faz a transferência. Tira a ave da recria e traz para a produção”, comenta. A unidade de produção de ovos fica no distrito de Vila Celeste, também em Santa Helena, ao lado do incubatório (terceira fase). “Em produção, temos aproximadamente um milhão de aves constantemente. Cada uma fica 41 semanas, ou aproximadamente dez meses. É muito menos que a poedeira, que fica 70-80 semanas, porque a genética é dedicada para produzir frango com bastante peito, coxa, que converta bem. A carga genética é para produzir carne e não para produzir ovo”, exemplifica.

Nesse período, machos e fêmeas são misturados para que os ovos possam ser fecundados. “São cerca de dez fêmeas par cada macho. Um macho cobre dez fêmeas. Para fecundar o ovo, tem que ter o macho”, cita. E o romance acontece com um clima agradável para as aves. “Nossas instalações para produção de ovos têm controle de ambiência, com exaustores, placas evaporativas, que controlam a umidade entre 65 e 70%, temperatura entre 25 a 30 graus. Trabalhamos com sistema totalmente fechado. Não há ventilação natural”.

Os animais ficam soltos e colocam os ovos em ninhos, situados em cima de pequenos poleiros que servem, também para limpar as patas antes de chegar ao ninho para fazer a postura. “Em nosso caso, temos uma espécie de grade de plástico até chegar ao ninho. Quando a matriz sobe, passa por essa gradezinha e já limpa a pata. Dentro do ninho tem um tapetinho de borracha, feito de material confortável, para não machucar. O ninho é côncavo, e o ovo desliza para uma esteira que faz a coleta automatizada. São oito esteiras, de oito núcleos, que desembocam em uma esteira principal. De lá, os ovos são postos em bandejas, também automaticamente.

A automação reduziu a dependência por mão de obra – vale lembrar que a produção é 365 dias por ano. “A coleta é automatizada, por esteira. Ela produz ovo no tapete e ovo rola para o fundo do ninho, onde passa a esteira. São oito galpões, todos chegam a uma cabeceira, onde são juntados em uma esteira central, tudo filmado por câmeras em vários pontos. Temos a embandejadora automática, que coloca 86 ovos na bandeja que já vai para incubar. Essa automação minimizou a dificuldade que tínhamos em encontrar mão de obra, mesmo assim ainda preciso de pessoas. Tem o profissional que controla a esteira, por exemplo, e os classificadores. O processo coleta, desinfeta e vai para estocagem”, explica. A estocagem já fica em outras estruturas, os incubatórios.

Incubatório

A Lar produz cerca de 300 mil pintinhos por dia, mas seus dois incubatórios, de Itaipulândia, inaugurado em maio do ano passado, e em Santa Helena, têm capacidade para 600 mil pintinhos/dia. “É o Terceiro processo, Quando chega no incubatório, passa por classificação, quando são retirados ovos trincados, quebrados. Também é feita a conferência do posicionamento do ovo. Ele tem que estar com a ponta fina para baixo porque quando o embrião está formado ele respira pela câmara de ar, que aquela bolha que fica quando você faz um ovo cozido”, explica Lenz. “O pintinho vai sempre para cima. Se o ovo tiver invertido, ele literalmente vai morrer na casca”, justifica. Esse processo também é feito manualmente. “Seguem no processo só ovos aptos a produzir pintinho”, pontua.

Mas antes de ir para as máquinas incubadoras, é necessário um período de descanso, já que, da produção à incubação, os ovos foram agitados pelo transporte. “Na estocagem, ideal é incubar no terceiro dia. Antes disso, por menor que seja o transporte, você agita o ovo. É preciso deixar o ovo estabilizar. Depois de três, cinco dias, você pode começar a ter perdas. Quanto mais tempo na estocagem, maiores as perdas técnicas. Você começa a ter perda de eclosão e tende a ter um pintinho com qualidade inferior, mais fraco, com menos vivacidade”, sustenta o profissional.

Imitando a choca

Totalmente automatizado, mas imitando a natureza. É assim que funcionam as máquinas que incubam os ovos fecundados. A começar pelo tempo: 21 dias. Temperatura, umidade, movimentação, tudo controlado. “Na incubadora o ovo fica por 21 dias, é o que a natureza faz. A gente tenta reproduzir o que a galinha choca faz. Ela mantém a temperatura ficando em cima do ovo. Nós mantemos essa temperatura. A choca sai do ninho para entrar umidade, então a incubadora também controla umidade. Às vezes, a choca mexe o ovo com a pata ou o bico. De hora em hora, nosso equipamento faz a viragem do ovo, inclina alguns graus. Tudo para temperatura e umidade serem distribuídos com uniformidade nesse ovo. Todo esse ciclo de formação temos que oferecer porque o embrião precisa. A temperatura na máquina gira em torno de 37,5º Celsius.

Vacinação in ovo

Dezenove dias depois de entrar na máquina, o pintinho recebe uma vacina, ainda dentro do ovo. “Aproximadamente no dia 19 a gente faz dois processos. Um é a busca pela parte imunológica. Os ovos vão para vacinação in ovo, que é defesa dele. Depois, transfere das bandejas para as caixas, que são nascedouros. Ou seja: sai da incubadora para os nascedouros, onde ficam mais dois dias. Quando eclodem, durante a janela de nascimento, a máquina seleciona, tira cascas de ovos, descarta quem tem problemas, no bico, pata, etc., faz a preparação para expedição”, comenta. “Quanto menor o intervalo entre o nascimento e a chegada na granja, melhor é, pois o pintinho vai ter aquecimento adequado, vai começar a se hidratar e a comer o mais breve possível. Caso contrário, ele demore muito para chegar à granja, além de não ganhar peso, acontece o efeito ao contrário, vai desidratando. Ele vai chegar na granja, como dizem, baqueado”, aponta. “Carregou… é campo. Assim ele consegue uma arrancada (de desempenho) maior”, garante Lenz.

A Lar, de acordo com Lenz, produz aproximadamente 90% de sua demanda, mas ele explica que esse 10% é uma margem que deve ser levada em consideração por conta de oscilações de mercado, como natal, feriados, carnaval e outras festas. “A gente produz aproximadamente 90% que nosso abate demanda, porque ele diminui em períodos como carnaval, natal, etc. O restante compra de fora, é comum ter esse ajuste de mercado porque têm meses em que o reduz abate. Nesses casos, nossa capacidade pode chegar a 100% da demanda”, acrescenta.

Custa caro

Lenz explica que todos os processos de biosseguridade são necessários para proteger o alto investimento nessa fase a avicultura. “Só nessa estrutura temos R$ 100 milhões investidos. São um milhão de aves a R$ 40 cada. Por isso tudo o que fazemos, como tomar banho, trocar calçados, todo o isolamento, é necessário para proteger esse investimento”, pontua. Muito do investimento está em equipamentos de ponta. “A automação chega sempre primeiro para as matrizes. Nossos níveis de automação são o que tem de top, mas também precisamos de mão de obra”, comenta. Ao todo, matrizeiro, produção e incubatório geram 620 empregos diretos.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura

Problemas respiratórios desafiam biosseguridade da avicultura brasileira

Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

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Fotos: Divulgação

Responsáveis por grandes perdas econômicas, as doenças do sistema respiratório em frango de corte podem atingir toda a cadeia produtiva da granja, levando, inclusive, a condenação do lote a nível de abate. Dado a sua importância, o médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back, foi um dos convidados do 22º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) para tratar sobre o assunto, que fez parte da programação do Bloco Nutrição e Manejo do evento realizado pelo Núcleo de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), de 05 a 07 de abril, em Chapecó, SC.

Médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back: “Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo”

Dentre as doenças respiratórias mais recorrentes em aves nas criações comerciais, citadas por Back, estão Mycoplasma gallisepticum, Pneumovírus aviário (PVA), Newcastle, Coriza Infecciosa (Gôgo), Colibacilose, além de Bronquite infecciosa e a Escherichia coli que especialmente foram tratadas pelo profissional no SBSA.

Normalmente os problemas respiratórios são resultantes de causas multifatoriais, que incluem agentes infecciosos, problemas de ambiência e falhas de manejo. “As doenças respiratórias sempre existiram em maior ou menor grau e vão continuar existindo pelas próprias condições dos modelos de criação de aves no país”, sentencia Back em entrevista ao Jornal O Presente Rural.

Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

Um bom programa de biosseguridade inclui alojamento de aves de idade única e procedentes de um mesmo estabelecimento, certificado em relação ao controle de doenças, boas práticas de conservação e uso das vacinas, boas práticas de produção e conservação da ração, tratamento da água com cloro, restrição de acesso de pessoas e veículos não relacionados ao trabalho nas propriedades, com sistema de desinfecção para calçados e veículos que necessitam acessar o local, impedir a entrada de outros animais na granja, manter um programa de controle de pragas, fazer correto manejo ambiental (temperatura, umidade, ventilação), fazer correto manejo das excretas/cama, assim como de aves mortas e de ovos descartados, ter um programa de limpeza e desinfecção, além de fazer a nebulização dos galpões.

“Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo. É muito importante fazer o monitoramento dos agentes infecciosos associados com os problemas respiratórios, tanto de ambiência quanto de nutrição e da capacidade imunitária dos animais. O trabalho deve começar na matriz, seguir para os intervalos entre lotes, na densidade de aves por metro quadrado, no manejo, na ambiência, no controle do ar que as aves respiram, na ventilação interna, nos gases produzidos pelas excreções das aves, entre outros. A palavra-chave é monitoramento”, pontua Back.

Controle e tratamento 

Conforme Back, a maior parte do controle é feito antes da doença aparecer. “O controle é feito em toda cadeia, desde o material genético até o intervalo entre os lotes, atribuídos de duas a três semanas justamente para reduzir a incidência de problemas respiratórios. Quando se faz um bom manejo e oferece uma boa ambiência as chances de ter um problema respiratório diminuem”, reforça.

O tratamento é variável, existe em determinadas circunstâncias que o uso de produtos específicos para controle da Bronquite infecciosa e da Escherichia coli funcionam, no entanto apenas ajudam a contribuir para reduzir o problema, mas não são uma solução, aponta Back. “Não há um tratamento que resolva todo o problema, tem que identificar a causa para reduzir a incidência”, reforça.

Sinais clínicos e consequências 

Entre os principais sinais clínicos de doenças respiratórias nas aves estão espirro, secreção nasal e ocular, edema facial, dificuldade respiratória e estertores. E as lesões mais comuns provocadas incluem sinusite, traqueíte, bronquite, pneumonia e aerossaculite. De maneira geral, doenças no sistema respiratório em aves reflete em desempenho baixo, perda de peso e piora da conversão alimentar, o que resulta em aumento de custos com medicações e nos índices de mortalidade. “Os problemas respiratórios podem acontecer em qualquer idade, inclusive ao nascimento, se estender por toda vida da ave, gerando necessidade de medicamento, além de poder provocar mortalidade”, menciona Back.

A região Sul do país e mais especificamente o Estado do Paraná apresentou em 2021 um aumento exponencial de mortalidade em frangos de corte, com as primeiras ocorrências de doenças respiratórias identificadas em abril, com seu pico atingido entre os meses de junho a agosto.

Através de exames laboratoriais constatou-se que os casos nos planteis paranaenses tinham em comum duas características: estavam associados com a Escherichia coli – agente causador da Colibacilose aviária, identificada nas três primeiras semanas de vida dos frangos, elevando a mortalidade das aves em idade jovem; e a um quadro de Aerosaculite, não evidente durante a criação do frango, mas sendo detectado no momento do abate, gerando condenação do lote, criando uma restrição de velocidade da linha de abate e um impacto econômico muito grande para a indústria.

De acordo com Back, diversos estudos foram e continuam sendo realizados, mas ainda não se chegou à origem do agente causador que pode ter afetado os aviários paranaenses.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Uso racional

Avicultura precisa mensurar melhor quanto gasta de água

Frangos de corte, matrizes reprodutoras e poedeiras comerciais consomem, em média, dois litros para cada quilo de ração consumida. Diante disto, aves com melhor conversão alimentar vão consumir menos água para produzir o mesmo peso.

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Envolvida em muitas funções fisiológicas, a água chega a compor 85% da estrutura corporal de pintainhos e de até 75% em aves adultas. Por isso, a reposição da água corporal e a qualidade desta água ingerida é fundamental para o consumo adequado dos animais para evitar desidratação e redução no consumo da ração.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Animal Nutrition, Antônio Mário Penz Junior, destacou que diante da escassez hídrica vivenciada nos últimos anos é preciso cada vez mais buscar alternativas para o uso racional da água. Neste contexto, é fundamental rever todos os processos que envolvem a utilização de água na atividade avícola, desde as granjas reprodutoras, passando pelos incubatórios, produção de frangos, abatedouro e fábrica de ração.

Antônio Mário Penz Junior: “Sem medir a qualidade da água não podemos melhorar qualquer processo” – Fotos: Arquivo/OP Rural

Conforme Penz, em um incubatório se espera um consumo total de água de 300 ml/1000 pintainhos, enquanto que em um abatedouro, o valor médio empregado de água é de 22 litros/ave abatida. “Na propriedade rural só agora começa a discussão deste tema, uma vez que se começa a ver a coleta de água da chuva e de linhas de bebedouros para serem usadas em refrigeração de painéis evaporativos ou para outros usos, até irrigação de plantas da casa do produtor ou em suas hortas, quando não em alguma produção de grãos”, relata. Ele palestrou sobre “Qualidade de água: sustentabilidade x crise hídrica” no 22º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, promovido em abril pelo Núcleo de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), na cidade de Chapecó (SC)

Quantidade ideal de água por frango

Frangos de corte, matrizes reprodutoras e poedeiras comerciais consomem, em média, dois litros para cada quilo de ração consumida. Diante disto, aves com melhor conversão alimentar vão consumir menos água para produzir o mesmo peso. “Qualquer desvio desta proporção por dias subsequentes sugere alguma anomalia na saúde dos animais, que podem consumir mais, em um processo febril e consumir menos pelo uso de água quente, bebedouros altos, etc.”, alerta.

Outro fator a ser considerado é a mortalidade, uma vez que quanto maior a idade com que as aves morrem, maior o consumo de água e de ração que serão perdidos. Já frangos com dieta peletizada podem consumir até 20% menos água do que aves que consomem dieta farelada, além de apresentar melhor conversão alimentar, o que leva a uma redução de consumo de água.

Penz diz que é imprescindível medir o que é gasto nos diferentes processos de produção. Em incubatórios e abatedouros esta é uma medida regular, um item de controle. Mas na propriedade, além do que é gasto com as aves, tem que medir o que é gasto em outros processos na produção, como nos painéis evaporativos. “Cada produtor, com a medida de consumo total na propriedade, definirá um indicador que poderá ser por frango produzido/mês, por frango produzido por metro quadrado de galpão por ano, etc. As empresas integradoras terão importante papel nesta atividade, estimulando os produtores a começar a medir o que gastam e como podem fazer para que reduzam seus gastos. Sem medir não podemos melhorar qualquer processo”, expõe.

Para aplicar na prática o método da água sustentável, Penz afirma que é necessário começar com a medição do consumo de água que cada propriedade tem e definir valores de referência para cada segmento de produção. Para isto, as propriedades deverão ter pelo menos um hidrômetro de registro. “E se quiserem ser ainda mais eficientes que tenham hidrômetros em diferentes segmentos como tambo, pocilga, aviário, casa do proprietário etc.”, menciona, ressaltando: “Temos que medir o que é consumido e devemos fazer análises sistemáticas da água usada pelos frangos – duas vezes por ano, sendo na época de chuva e na seca -, para identificarmos se há algum cuidado que deve ser dado à água antes que seja utilizada pelos produtores e seus animais”.

Em termos de temperatura, são recomendados valores inferiores a 25ºC. Com relação ao pH, que seja entre 6 e 7. Água com pH alcalino (9) deve ser acidificada, para que atinja, pelo menos a neutralidade (pH 7,0), orienta o diretor global.

Para a concentração mineral da água, Penz sugere como indicador de referência o uso de sólidos dissolvidos totais, onde os valores devem ser de no máximo 1000 mg/L. “Acima disto e quanto maior for este valor, maior atenção o produtor deverá dar a água que está sendo usada pelas aves, em geral”, salienta.

Em relação ao que provoca nas aves a falta de consumo d’água, Penz é enfático: “O frango come por que bebe! Desta forma, se a ave toma 90% do que deveria consumir, seu consumo de ração será 10% abaixo do previsto e, com isto, o resultado de produção do lote será muito prejudicado”.

Medição de consumo de água

O profissional declara que para se pensar em soluções econômicas ao uso d’água para o futuro é preciso agir no presente, iniciando com a medição do que está de fato sendo consumido na propriedade. “A medição de consumo de água de uma propriedade rural não é um procedimento convencional, pois a água, normalmente, vem da propriedade, através de açudes, poços rasos ou profundos, porém, sem medir não podemos definir metas”, pontua.

Tecnologia e uso racional

“Com os equipamentos hoje disponibilizados já é possível identificar o consumo e a temperatura de água em tempo real e relacionar este consumo com o consumo de alimento. Qualquer alteração que ocorra no aviário será identificada imediatamente, permitindo ações mais rápidas e efetivas”, assegura Penz.

Ele cita que já estão disponíveis no mercado equipamentos que permitem medir o peso dos frangos, em tempo real, através do uso de câmeras, além do surgimento de equipamentos que mensuram características ambientais importantes no galpão, como concentração de CO², umidade, amônia, velocidade do ar e temperatura, além de sons distintos produzidos pelos animais. “Qualquer desvio de parâmetros ambientais e comportamentais podem comprometer o consumo de água que, por consequência, comprometerá o consumo de alimento”, reforça.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Alternativas eficientes

Especialista orienta sobre como manter a saúde das aves sem o uso de antibióticos como promotores de crescimento

Coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, Mariano Fernández Miyakawa, diz que existem muitas alternativas em uso e em outras em desenvolvimento que vão em encontro a substituição desse medicamentos.

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Fotos: Arquivo/OP Rural

Usados na avicultura, principalmente, para gerar benefícios na produção, como melhorar o ganho em peso, a conversão alimentar e reduzir a mortalidade, os antibióticos são aplicados na avicultura, porém o uso desses medicamentos vem sendo reduzido gradualmente na produção brasileira. A redução se deve às mudanças na legislação, em razão da resistência antimicrobiana que pode interferir também na saúde humana.

Coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, Mariano Fernández Miyakawa: “A recomendação é usar antibióticos com prudência e apenas medicar animais doentes ou lotes onde a percentagem de animais doentes o justifique, sempre sob a supervisão de um veterinário e com um diagnóstico preciso” – Foto: Divulgação

No entanto, os problemas causados pelo uso excessivo de antibióticos como promotores de crescimento não ser restringem aos humanos. “O desenvolvimento e disseminação da resistência antimicrobiana também terá um impacto negativo na produção animal e na economia mundial”, é o que aponta Mariano Fernández Miyakawa, coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina. O profissional fala sobre as novidades desse tema durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, que aconteceu em abril, em Chapecó (SC).

A prática, segundo Fernández, é totalmente desaconselhada, pois os antibióticos devem ser usados apenas para tratar animais doentes. “Sob essa perspectiva, cada vez mais países estão restringindo seu uso, somado à pressão dos consumidores para poder acessar a carne produzida sem antibióticos, incluindo, sobretudo, os promotores”, relata.

Portanto, reduzir seu uso é considerado fundamental para minimizar o impacto do problema e se adequar à legislação brasileira. Desta forma, a retirada dos antibióticos deu origem à alternativas para como estratégias para substituir os promotores de crescimento.

De acordo com Mariano, a retirada dos antibióticos como promotores de crescimento não causa nenhum problema às aves, “pois há conhecimento, ferramentas e aditivos (alternativas) que em seu resultado global podem até ser superiores ao uso de antibióticos”, afirma.

Para ele, saúde intestinal, como parte da saúde das aves, deve ser mantida com medidas que incluem vacinação eficaz, medidas de biossegurança, densidade adequada do lote e a escolha correta de aditivos. “Muitas vezes essas medidas são difíceis de abordar, ou devido a questões culturais, econômicas ou de gestão/conhecimento. Mas devemos dizer que a saúde intestinal das aves não foi garantida pelos antibióticos promotores”, pois segundo Fernández, há evidências de que os antibióticos poderiam agravar o aparecimento de patógenos cada vez mais virulentos e aumentar sua dispersão e manutenção dentro do sistema. “Portanto, essa mudança de paradigma no uso de alternativas deve ser vista como uma oportunidade para aumentar a eficiência do nosso sistema produtivo a médio e longo prazos”, afirma Fernández.

A saúde intestinal das aves é fundamental, pois é o que permite manter a absorção adequada de nutrientes e uma barreira contra muitos patógenos, um ponto-chave para a eficiência econômica. De acordo com Mariano, também é importante ter um ambiente saudável e manter um desenvolvimento adequado do animal. “Assim, evitamos complicações gerais de saúde, bem como alterações fisiológicas e comportamentais da ave que possam impactar negativamente nessa busca pela eficiência e bem-estar do animal”, ressalta.

Alternativas

Existem muitas alternativas em uso e em outras em desenvolvimento que vão em encontro a substituição desse medicamentos e que podem ser classificados de várias maneiras, mas em geral estão associados a produtos derivados de microrganismos (probióticos, pós-bióticos, peptídeos, etc.); medicamentos, produtos químicos (prebióticos, ácidos, etc.) e enzimas; fitoquímicos (extratos vegetais, óleos essenciais, saponinas, taninos, etc.) e produtos derivados relacionados ao sistema imunológico.

Conforme Fernández, cada um possui características específicas e, embora os mecanismos de ação propostos variem, mesmo entre produtos semelhantes (por exemplo, dois fitoquímicos semelhantes), em geral estão relacionados à modulação da microbiota, efeitos diretos no trato intestinal e na fisiologia do hospedeiro, incluindo o sistema imunológico. “Em algumas alternativas, um mecanismo pode ser mais preponderante que outro, porém temos que considerar que estamos falando de um sistema complexo, que se estabelece entre a microbiota intestinal e a ave, de modo que cada efeito de um lado influenciará o outro”, explica.

Processo de transição

A transição dentro da granja pode ocorrer de maneira rápida e segura, desde que se escolher corretamente as alternativas indicadas para cada sistema produção. No entanto, de acordo com Fernández, o maior desafio muitas vezes está nas pessoas encarregadas de aplicar a mudança, pois ainda existe receio e resistência a essa substituição. “Este medo leva a crer que qualquer situação negativa que surja no sistema de produção é rapidamente associada à substituição, o que pode ameaçar a mudança realizada”, aponta Fernández.

Custo

Considerado o principal “vilão” na produção brasileira de proteína animal, o custo de produção é extremamente debatido e os processos produtivos ajustados para que sejam minimizdos, sem comprometer a produtividade.

Dentro desse atual contexto, qualquer mudança pode ser vista com preocupação pelos produtores, em razão de possíveis encarecimentos do custo de produção.

Entretanto, as alternativas aos promotores de crescimento convencionais não acarretam aumento aos avicultores, segundo Fernández. “Com a oferta de alternativas disponíveis, não deve ser mais caro se a escolha for adequada ao meu sistema”, afirma.

No entanto, conforme Mariano, devemos ter em mente que muitas vezes diferentes alternativas são adicionadas aos alimentos, por diferentes motivos, como cobrir possíveis problemas, que muitas vezes não são necessários. “Isso acaba aumentando o custo do uso dessas alternativas”, menciona.

Por outro lado, o impacto ao longo do tempo, o uso dessas alternativas nos sistemas de produção, acompanhado de outras medidas como vacinação, biossegurança e densidade, devem gerar um sistema mais estável e previsível. “E portanto, menor custo de produção associado a problemas de saúde clínicos e subclínicos”, salienta Fernández.

Alternativas futuras

O desenvolvimento de alternativas vem evoluindo desde os anos 2000, com um forte impulso de pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos.

Segundo Fernándes, no início, o foco era muito na capacidade antimicrobiana das alternativas, para depois incluir a ave como alvo de ação das alternativas e depois incluir ambas. “No futuro, talvez mais próximo do que esperamos, teremos alternativas que atuem diretamente nos principais mecanismos que nos permitem estimular o crescimento dos animais e teremos mais uma mudança de paradigma”, ressalta. Embora, conforme ele, a indústria ainda esteja tentando entender quais são esses mecanismos, muito desse conhecimento já se tem e o desafio está em juntar essas peças. “É muito provável que isso também afete a forma como prevenimos a adversidade das doenças infecciosas intestinais, favorecendo uma microbiota robusta e um sistema imunológico ativo”, salienta.

Mas para progredir ainda mais, de acordo com ele, é preciso descrever com mais detalhes a dinâmica das várias microbiotas sob diferentes condições, os metabólitos que são gerados e as vias de comunicação que se estabelecem entre a microbiota gastrointestinal e a ave. “Essas práticas começaram a entender graças ao custo cada vez mais acessível das técnicas de sequenciamento massivo, por exemplo”, sustenta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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