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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Mato Grosso mostra que pecuarista preserva (e não destrói) o meio ambiente

Mercados consumidores estão cada vez mais exigentes e os produtores de Mato Grosso estão prontos para atender essa demanda

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Fotos: Acrimat

O jornal O Presente Rural entrevistou o diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco de Sales Manzi, para saber como os produtores encaram a pressão externa por preservação ambiental. O Estado, que fica nos biomas Amazônia e Pantanal, tem o maior rebanho bovino do Brasil, com aproximadamente 30 milhões de cabeças. Atualmente, a Acrimat reúne em torno de três mil associados. Manzi é médico veterinário, pós-graduado em Julgamento de Zebuínos e em Reprodução Animal. Confira.

“Antes de tudo, é importante dizer que a carne de Mato Grosso é uma das melhores do mundo e conta com qualidade garantida, o que lhe confere maciez e marmoreio, além de atender todos os critérios de sanidade, certificação e rastreabilidade que fazem com que nosso produto chegue à mesa de milhões de brasileiros e de consumidores de mais de 150 países.

Os mercados consumidores estão cada vez mais exigentes e os produtores de Mato Grosso estão prontos para atender essa demanda por carne de qualidade e produzida de modo sustentável”.

O Presente Rural – Cite números de produção, frigoríficos, fazendas, exportação, empregos, etc., da pecuária de corte de Mato Grosso?

Francisco de Sales Manzi – Mato Grosso tem o maior rebanho comercial do país, com cerca de 30 milhões de cabeças. São 41 frigoríficos. São mais de 109 mil propriedades rurais.

Exportação – MT

2º maior exportador de carne bovina do país. O estado exporta hoje para mais de 150 países e disputa a liderança das exportações mês a mês com São Paulo. Os produtores mato-grossenses estão se tornando os maiores fornecedores de carne para o mundo. Hoje de toda carne bovina produzida, 20% é exportado.

As exportações de carne bovina mato-grossense registraram novo recorde histórico no mês de julho. Foram comercializadas 49,08 mil Toneladas Equivalente Carcaça-TEC, maior volume da série histórica acompanhada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) desde janeiro de 1996. O volume exportado equivale ao valor de US$ 153,70 milhões. Em toneladas, excede em 41,42% o registrado no mesmo mês do ano passado; em valores, é quase 50% maior.

Empregos

A pecuária é extremamente importante para a economia de Mato Grosso e isso é reflexo do comprometimento dos produtores rurais com o setor agropecuário e com a economia do estado.

Todas as etapas do setor produtivo, sejam elas da porteira para dentro ou da porteira para fora, geram emprego e renda. No campo, nas estradas, na indústria, no atacado e no varejo, até chegar na mesa do consumidor são milhares de pessoas trabalhando e movimentando a economia do nosso estado. São 38.900 empregos formais na pecuária de MT.

O Presente Rural – Quais os sistemas produtivos mais usados?

Francisco de Sales Manzi – Na pecuária mato-grossense ainda predomina a pecuária extensiva, que depende basicamente das pastagens. Já na pecuária intensificada é crescente a preocupação com a manutenção e melhoria das pastagens, empregando-se fertilizantes, rotação dos animais e culturas forrageiras. Além da suplementação mineral, ocorre suplementação por proteinados e rações a pasto (semiconfinamento) e em confinamento.

Cerca de 80% do nosso gado é produzido a pasto, mas com a intensificação das pastagens, semiconfinamentos, confinamentos e integração lavoura pecuária floresta, estima-se que mais de 2 milhões de cabeças já se alimentem de grãos em alguma fase da vida, quer seja em sal proteico/energético, quer seja uma suplementação via ração.

O Presente Rural – Como a produção de gado de corte se relaciona com a Amazônia? Há ainda desmatamento para a povoação de novas terras com novos rebanhos? Se sim, quanto?

Francisco de Sales Manzi – A pecuária se relaciona de forma harmoniosa com os diversos biomas onde ocorre, inclusive com a Amazônia. De fato, a atividade preserva mais que qualquer outra atividade: (Preservação em áreas rurais é 108% maior que nas áreas de conservação e terras indígenas). A pecuária evitou desmatamento de 270 milhões de hectares.

A pecuária é ainda a atividade que mais investe em preservação. Produtores investem cerca de R$ 20 bilhões por ano para preservar o meio ambiente.

A tecnologia possibilitou o aumento da produtividade sem a necessidade abertura de novas fronteiras para pastagem. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam, por meio de estudos realizados durante décadas, que a pecuária brasileira alia produtividade à preservação do meio ambiente.

De acordo com a empresa, 25,6% do território nacional dedicado a preservação da vegetação nativa está localizada em imóveis rurais, o que mostra que o papel do produtor é importantíssimo na preservação do meio ambiente.

As áreas protegidas de vegetação nativa em unidades de conservação integral e terras indígenas somam 24,2% do nosso território; isso quer dizer que o total de áreas protegidas no Brasil equivale a superfície de 15 países da União Europeia.

O código florestal aprovado em 2012 prevê que no bioma Amazônia, que em MT está localizado acima do paralelo 13, se preserve 80% da área da propriedade, antes de 2008 era de 50%. Isso faz com que mais de 63% do estado ainda possua cobertura vegetal nativa intacta. Os números do Indea da última vacinação comprovam que temos 31 milhões de cabeças de gado, de forma que se fossemos um país, Mato Grosso seria o 9° maior do mundo, portanto excelente relação.

O Presente Rural – O desmatamento é fruto de poucos produtores, mas há outros culpados, como madeireiros e mineradores. Fale sobre isso.

Francisco de Sales Manzi – Mato Grosso conta com uma das maiores reduções de desmatamento no Bioma Amazônia. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2004 foram desmatados 11.814 km² e, em 2019 esse número reduziu 86%, passando para 1.702 km². Esse número está abaixo do limite estabelecido pelo Acordo de Paris, que é de 1.788 km².

O governo estadual divulgou no início do agosto deste ano que a média da redução do desmatamento no Bioma Amazônia foi de 64% entre 2004 e 2019. Deste modo, Mato Grosso teve uma redução 34,4% superior à média nacional.

O estado possui ainda um ativo ambiental muito grande uma vez que a maioria dele é de Cerrado, onde a reserva é de 35%. Mesmo assim, as áreas de pastagem veem diminuindo consideravelmente, pois somente nos últimos anos, Mato Grosso disponibilizou mais de 3 milhões de hectares de pastagem para lavoura e, ao mesmo tempo, o rebanho cresceu e esse crescimento é vertical. Se produz cada vez mais na mesma área.

O desmatamento é fruto de poucos produtores, mas há outros culpados, como madeireiros e mineradores. É preciso separar o que é desmatamento ilegal que é em áreas de reservas indígenas ou áreas públicas e o desmatamento legal, previsto no código florestal. Portanto somente o primeiro possui culpados e que devem ser punidos com os rigores da lei, os legais estão fazendo nada mais do que exercendo seu direito previsto em lei.

O Presente Rural – Muitos países importadores atacam o agronegócio do Brasil com o pretexto de devastação da Amazônia. Como o senhor avalia isso? Como esses entraves impostos especialmente por europeus atrapalham a produção brasileira?

Francisco de Sales Manzi – Não só o Mato Grosso, mas o Brasil é os país que mais preserva o meio ambiente. Esses números foram apresentados pela Embrapa territorial e ratificados pela Nasa. 25% de toda reserva florestal brasileira está localizada dentro das propriedades privadas a um custo de 20 bilhões de reais por ano quando levamos em conta o que se deixa de produzir nessas áreas, mais o que se gasta com aceiros, vigilância e combate a incêndios.

O Presente Rural – A redução no desmatamento vem ocorrendo ano a ano. Em MT foi reduzido em 86% num intervalo de 15 anos. Como isso aconteceu?

Francisco de Sales Manzi – Através da aplicação de tecnologias que viabilizam produzir cada vez mais em cada vez menos áreas. Se utilizássemos a mesma lotação que tínhamos em 1990 que era de 9 milhões de cabeças em 15 milhões de hectares para o plantel que temos hoje de 31 milhões teríamos que ter desmatado 20 milhões de hectares a mais.

Hoje os sistemas de produção são avançados. Se produz mais, em menos espaço. São vários fatores, mas os quatro principais pilares são sanidade, genética, nutrição e manejo. Mato Grosso não registra um único caso de febre aftosa há quase 25 anos e reduziu pela metade os casos de brucelose.

O melhoramento genético, tanto do nosso gado zebuíno como através de cruzamentos industriais, transformou o nosso rebanho em termos de produtividade. Os 45 anos de Embrapa e a integração lavoura pecuária e o boi verde amarelo, produzido a pasto com terminação de grãos e as boas práticas agropecuárias fazem toda a diferença na eficiência.

O Presente Rural – Hoje os sistemas de produção são avançados. Se produz mais, em menos espaço. Fale sobre isso.

Francisco de Sales Manzi – Em 1999, Mato Grosso possuía 17,6 milhões de cabeças de gado em aproximadamente 23,1 milhões de hectares, 20 anos depois o rebanho mato-grossense chegou a 30 milhões de cabeças, mas a área usada para criação se manteve praticamente igual: 23,7 milhões/ha. Isso significa um aumento de 72% no tamanho do nosso rebanho”.

Isso só é possível com a adoção de tecnologias que permitem o aumento de produtividade nas mesmas áreas. A pecuária de Mato Grosso evoluiu muito, e é um exemplo para todo o país. Estes dados mostram que o rebanho tem mostrado uma curva de crescimento ascendente, enquanto as áreas de pastagens estão diminuindo, e isso significa produtividade. Estes resultados têm origem no melhoramento genético aplicado na pecuária.

A pecuária está alicerçada em pilares como nutrição, saúde, manejo, gestão das propriedades e é claro o melhoramento genético. Recai sobre o ombro do produtor a responsabilidade de tomar boas decisões, e ele tem feito isso.

O Presente Rural – Quais são as políticas apoiadas pela Acrimat para conter o desmatamento?

Francisco de Sales Manzi – A Acrimat defende a observação irrestrita da lei, não só ambiental, mas sob todos os aspectos. Qualquer ato ilegal não tem nem o respaldo nem a defesa da entidade.

O Presente Rural – Como melhorar a imagem da pecuária, sabendo que boas práticas de produção são adotadas?

Francisco de Sales Manzi – A Acrimat entende que a melhor forma de melhorar a imagem do agronegócio como um todo é informar bem, com qualidade, mostrar para a população que não somos os vilões do meio ambiente.

O brasileiro é um povo que tem conhecimento do seu papel enquanto agente ativo na preservação do meio ambiente, devemos nos orgulhar do trabalho que fazemos na preservação de nossos recursos naturais, não só pecuaristas e agricultores, mas a nação como um todo.

Através da divulgação dos nossos números que são inquestionáveis, baseados na ciência e ratificados por empresas isentas.

O Presente Rural – O que fazer para conter as produções ou fazendas que estão fora dos padrões de cuidados com o meio ambiente?

Francisco de Sales Manzi – Que se regularizem, façam o CAR, e se tiverem passivo ambiental que façam a adesão ao PRA. Os que possuem ativos ambientais que tenham a liberdade de exercer o seu direito de desmate legal ou que negocie pagamentos por serviços ambientais.

O Presente Rural – Como o senhor avalia esse discurso de que o agro e a pecuária prejudicam o meio ambiente?

Francisco de Sales Manzi – Um discurso totalmente infundado, utilizado por quem não conhece o agronegócio brasileiro, que alimenta mais de ¼ da população mundial e que mais preserva o ambiente. O Brasil é um país agroambiental.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Produção Animal

Exposição ao calor excessivo diminui potencial reprodutivo de touros e fêmeas

Todas as vezes em que a temperatura corpórea dos bovinos de corte ou de leite aumenta, uma série de consequências negativas se desencadeia

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Gisele Rosso/Embrapa

A exposição a temperaturas elevadas e à radiação solar intensa influencia negativamente na fertilidade e no potencial reprodutivo dos bovinos. A introdução de árvores em sistemas pecuários é uma opção viável para melhorar o bem-estar animal e manter sua capacidade reprodutiva regular, mas o Presente Rural quis saber um pouco mais como isso afeta o dia a dia dos animais e os resultados da fazenda.

De acordo com a Embrapa Gado de Corte Sudeste, todas as vezes em que a temperatura corpórea dos bovinos de corte ou de leite aumenta, uma série de consequências negativas se desencadeia. Quando um animal sente desconforto devido ao calor, ele passa a produzir uma quantidade maior de cortisol, hormônio diretamente ligado ao estresse. O pesquisador da Embrapa, Alexandre Rossetto Garcia, explica que o aumento da concentração desse hormônio faz com que os animais se alimentem menos, o que prejudica significativamente a produção. Em um animal de corte, o crescimento é menor e consequentemente a produtividade também.

“Já o gado de leite passa a consumir uma quantidade maior de água para que aconteça a termorregulação corpórea. Como decorrência, o animal passa a apresentar maior sudorese e, com isso, perde líquidos e sais minerais fundamentais para a produção de leite. Os prejuízos financeiros aumentam porque além da água ser um insumo e gerar custos para o produtor, o leite apresenta menor qualidade e valor comercial”.

Dificuldades

De acordo com a Embrapa, do ponto de vista reprodutivo, os altos índices termocorpóreos também trazem prejuízos ao produtor. “Quando a temperatura corpórea do touro se eleva, a temperatura interna dos testículos também sobe. Isso faz com que a quantidade e a qualidade do sêmen reduzam. Na fêmea, o processo é similar. Quando a temperatura interna da fêmea aumenta, os ovócitos produzidos são de baixa qualidade, impedindo, muitas vezes, a fecundação”.

Caso ocorra essa fecundação, cita, o embrião exige condições favoráveis para seu desenvolvimento e a temperatura ideal é uma delas. O feto é altamente sensível às oscilações térmicas e pode até morrer precocemente, sem que os profissionais que acompanham a gestação percebam. Ainda assim, em situações de estresse durante a fase gestacional, o feto pode sofrer defeitos congênitos, como má formações morfológicas.

Filhotes sofrem mais

No pós-parto, o bezerro também é prejudicado pelo estresse pelo calor. O jovem animal tem, por natureza, seu metabolismo mais acelerado. A frequência cardíaca e respiratória é elevada quando comparada a de um animal adulto. Entretanto, o mecanismo de termorregulação de um filhote é menos eficiente e isso o deixa mais suscetível às oscilações de temperatura do ambiente. Por isso, ele pode apresentar hipertermia associada ao calor do ambiente de uma forma muito mais intensa do que nos animais adultos.

Sistemas integrados

Para reverter esse quadro, a Embrapa Pecuária Sudeste aposta no uso de sistemas de produção integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), para proporcionar conforto térmico e, em consequência, diminuir o estresse ao qual os animais são submetidos em sistemas convencionais. “Disponibiliza sombra e favorece a redução da temperatura corporal dos animais. Esse efeito é mais perceptível na primavera e verão, e nos períodos mais quentes do dia”.

Os sistemas integrados apresentam uma série de vantagens. Possibilitam ao produtor ter duas ou três atividades econômicas no mesmo espaço, ao mesmo tempo. Dessa forma, a monocultura é deixada para trás e as fontes de renda vindas de um mesmo espaço se multiplicam.

Ainda conforme a Embrapa, a integração também oferta benefícios para o meio ambiente, como o aumento da retenção de água pelo solo, de disponibilidade de matéria orgânica e a qualidade do capim, quando consorciado à silvicultura e lavoura.

Garcia conta que, para os animais, o fator mais relevante é o sombreamento da pastagem. “O gado procura pelas áreas sombreadas e ali fica parte do dia, quando as temperaturas estão mais elevadas”, afirma o pesquisador. As copas das árvores bloqueiam grande parte da radiação solar que incidiria diretamente no rebanho e ainda reduzem a temperatura ambiente em até cinco graus, proporcionando maior conforto aos animais.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Estresse térmico: quais os impactos causados na produção leiteira e a importância do monitoramento

O estresse térmico, seja pelo frio ou pelo calor, acarreta um impacto muito grande sobre o desempenho das vacas

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Artigo escrito por Anna Luiza Belli, médica veterinária, mestre e doutora em Produção Animal e coordenadora de Território da MSD Saúde Animal Intelligence

Dentro dos sistemas de produção da pecuária leiteira, garantir conforto para os animais é fundamental. O estresse térmico, seja pelo frio ou pelo calor, acarreta um impacto muito grande sobre o desempenho das vacas. Com o avanço das tecnologias e acesso às informações, os produtores de leite brasileiros têm dado maior atenção ao rebanho neste quesito.

A condição de estresse térmico pelo calor nas vacas ocorre devido às temperaturas altas encontradas em países tropicais, como o Brasil. Durante todo o ano, o rebanho pode ser impactado pelo clima, inclusive no inverno. Por isso, os produtores começaram a perceber que resfriar os animais é imprescindível e tem um impacto positivo na produtividade, principalmente na produção de leite.

O que é?

O estresse térmico pelo calor é uma condição de desconforto que pode ser caracterizada pelo aumento da temperatura retal e da frequência respiratória; redução do consumo de alimentos; projeção da cabeça para frente e mais tempo em pé. A temperatura retal pode passar dos 39˚C, sem que o animal apresente nenhum quadro de doença infecciosa e a frequência respiratória passa dos 60 movimentos por minuto, mesmo quando ele se encontre deitado ou parado. Essa condição pode ser gerada pela combinação de quatro principais fatores: pela elevada temperatura do ambiente, baixa velocidade do ar, alta umidade do ar e pela radiação solar direta.

Quais os efeitos negativos do estresse térmico?

Uma consequência imediata destas alterações é a queda da produção de leite. Se observarmos a curva de produção anual da maioria das fazendas, a produção de leite durante o inverno costuma ser maior do que durante o verão, com o mesmo número de animais em lactação e o mesmo manejo nutricional. Em muitos casos, essa variação pode ser atribuída totalmente ao desconforto térmico dos animais, causado pelas altas temperaturas e umidade encontradas no verão, quando a fazenda não possui um sistema de resfriamento eficiente. Porém, diferente do que se imaginava há algum tempo, essa queda da produção não se deve apenas à diminuição do consumo.

Os animais que se encontram sob estresse térmico precisam lançar mão de recursos metabólicos para debelar calor e regular a temperatura corporal. Esses mecanismos, como o aumento da frequência respiratória, por exemplo, consomem grande parte da energia que em uma situação normal seria destinada pelo organismo para a produção de leite. O sistema imune dos animais também é afetado, em especial do trato digestivo, determinando um aumento do estado inflamatório do animal. O que, por sua vez, também consome grande quantidade de energia, a qual poderia ser utilizada pela glândula mamária. Além de prejudicar a produção de leite, o sistema imune comprometido também pode determinar uma maior ocorrência de doenças, especialmente durante o período de transição. Os efeitos negativos do estresse térmico não se limitam ao animal.

Se a condição de estresse térmico ocorre em uma vaca prenha durante o período seco, por exemplo, efeitos negativos irão ocorrer sobre o feto. Como o principal momento de ganho de peso do feto é durante o terço final da gestação, o consumo e o metabolismo alterados da mãe durante esse período vão comprometer o desenvolvimento final das bezerras. A cria então apresenta menor peso ao nascimento; comprometimento da capacidade de absorver a imunidade passiva advinda do colostro; menor ganho de peso nos primeiros 30 dias de vida e mais chance de desenvolver doenças. Todos estes problemas podem determinar um menor desempenho desse animal ao longo de toda a sua vida produtiva adulta.

Mecanismos para resfriar os animais

Para ajudar os animais a estarem em conforto térmico, as fazendas têm adotado alguns mecanismos, como os sistemas de resfriamento, que podem ser direto ou indireto.

No sistema de resfriamento indireto, os animais são molhados por um aspersor de água de baixa pressão, que deve possibilitar gotas grossas que efetivamente molhem o animal. Em seguida os animais precisam receber ventilação forçada, e é por meio dessa ventilação que o animal efetivamente é resfriado a partir da evaporação da água. Esse ciclo de molhar e ventilar dura cerca de 3 a 5 minutos, totalizando de 30 a 40 minutos por momento de resfriamento. Segundo a literatura, ao longo do dia, um animal de alta produção precisa ser resfriado por pelo menos 4 horas. Esse sistema de resfriamento pode ser feito nas salas de espera da ordenha, nas linhas de cocho ou até mesmo em estruturas específicas para banho dos animais.

Já o mecanismo de resfriamento direto pode ser conseguido pelo controle da temperatura e da umidade do ar em que os animais se encontram. Esse mecanismo só pode ser obtido em galpões de resfriamento e nos chamados túneis de ventilação. Nessas estruturas, que podem ser fechadas e totalmente climatizadas, objetiva-se que o ambiente fique com a temperatura controlada em torno de 15oC, ou pelo menos mais fresca do que no ambiente externo.

Em sistemas a pasto, a sombra é um mecanismo importante para ajudar o animal a controlar o calor corporal. Isso pode ser obtido seja por meio de sombra natural proporcionada por árvores ou artificial por meio de sombrites estáticos ou móveis. Mas mesmo que o animal tenha acesso à sombra, o resfriamento pelo método indireto ainda é extremamente importante.

Por conta dos efeitos negativos do estresse térmico e do custo da adoção dos sistemas de resfriamento, é essencial estar atento e adotar medidas para garantir conforto ao rebanho. No entanto, não basta apenas adotar mecanismos de resfriamentos sem ter certeza de que a ferramenta está sendo eficiente. Um sistema de monitoramento é um importante aliado do produtor nesse sentido.

A tecnologia pode captar a frequência respiratória de cada animal e é capaz de identificar a condição térmica de um determinado grupo, mensurando para o produtor, por meio de gráficos, qual é a porcentagem de vacas sob estresse térmico daquele lote ou do rebanho. O produtor pode passar a tomar decisões assertivas e consegue saber, por exemplo, qual momento do dia os animais têm mais desconforto térmico, o melhor horário para fazer o resfriamento e se o método utilizado está sendo eficiente, sem precisar colocar um termômetro no animal. Além de monitorar o estresse térmico, a tecnologia permite ainda correlacionar a ruminação, a atividade e a ofegação com aspectos nutricionais e consequentemente de produção.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Alerta da Embrapa

Fim do inverno é período para revisar plano anual de controle do carrapato

Para pesquisadora e médica veterinária, Claudia Gulias Gomes, um bom plano deve ter como premissas a adoção de medidas de prevenção ao parasitismo, redução das infestações do campo e redução do número de tratamentos anual com acaricidas

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Arquivo/OP Rural

Queda na produtividade, doenças e até mesmo a morte do animal. Estes são alguns dos problemas que os carrapatos podem provocar no rebanho bovino, de corte e leite. Por isso, é preciso que o pecuarista tenha um bom planejamento na fazenda para garantir que esta praga não lhe cause dores de cabeça.

De acordo com a médica veterinária e pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, Claudia Gulias Gomes, a dinâmica populacional do carrapato dos bovinos na região Sul é fortemente influenciada pelo clima, já que o inverno mais rigoroso do que o observado no restante do país favorece o controle natural da infestação dos campos nesta época do ano. “Há, portanto, uma tendência de redução populacional durante o inverno e aumento ascendente das infestações na primavera, verão e outono. Quando as medidas de controle adotadas são insuficientes ou ineficazes, a infestação dos campos alcança níveis críticos no outono, acompanhado, geralmente, de maior incidência de surtos de tristeza parasitária bovina (TPB), doença transmitida pelo carrapato”, conta.

Ela informa que a carga parasitária do rebanho, no entanto, é influenciada por muitos fatores. “O clima é somente um deles. Também são determinantes do grau de infestação de uma fazenda as práticas de controle adotadas, a sensibilidade genética da raça, idade dos bovinos, estado fisiológico, dieta do rebanho, práticas de manejo das pastagens e práticas de manejo do próprio rebanho. Desta forma, é possível observar propriedades lindeiras em situações de controle populacional completamente distintos”, afirma.

Para evitar ou, no mínimo, controlar a praga, a especialista comenta que o pecuarista deve elaborar, com a orientação de técnicos capacitados, um plano ou estratégia de controle anual que tenha como foco a redução da infestação do campo e do número de tratamentos com antiparasitários ao longo dos anos. “A estratégia de controle nunca será a mesma para diferentes propriedades, pois depende do grau de infestação da propriedade no momento do planejamento, sensibilidade da população de carrapato local às bases químicas disponíveis no mercado, sensibilidade do rebanho ao carrapato e à TPB, características particulares do sistema produtivo (cria, recria, terminação, ciclo completo, somente pecuária, iLP, iLPF, etc.), assim como a viabilidade na adoção de medidas de controle não químicas adequadas ao sistema produtivo. Como as infestações dos campos são dinâmicas, assim como as práticas de manejo da propriedade, é recomendado que se revise este plano anualmente”, menciona.

Se não adotadas as medidas, as perdas podem ser altas. “Os prejuízos para a saúde do rebanho incluem o estresse, anemia, redução do apetite e, consequentemente, do ganho de peso, aumento do risco de infecção pelos parasitos que causam a TPB, aumento do risco de ocorrência de bicheiras (miíases) e, em casos extremos, o óbito”, alerta.

Além do mais, as perdas podem ser também econômicas. “A redução na produção de carne/leite é a perda econômica direta. Há dados de pesquisa que estimam perda de 1,37 e 1,18 gramas de peso corporal por fêmea ingurgitada (teleógina) para Bos taurus e seus cruzamentos com Bos indicus, respectivamente. Porém, há também uma perda indireta, muito importante, associada à desvalorização do couro, gastos adicionais com medidas emergenciais de controle e eventuais mortes de animais em consequência do alto parasitismo ou pela ocorrência de surtos de TPB”, explica.

Manejos necessários

Claudia conta que além da elaboração e revisão do plano anual de intervenção baseado em premissas de prevenção e controle condizentes com as particularidades do sistema produtivo, existem outros manejos e práticas gerais de extrema importância no enfrentamento deste desafio.

Um deles é manter a oferta de alimento em quantidade e qualidade adequados à categoria animal durante todo o ano. “O estresse nutricional afeta a imunidade dos bovinos, permitindo o desenvolvimento de um maior número de carrapatos. Cada teleógina que cai no pasto pode gerar em torno de 3.000 novos carrapatos. Dieta adequada é, portanto, uma medida preventiva contra o parasitismo”, informa a pesquisadora.

Também é necessário adequar a lotação animal à capacidade das pastagens, mantendo em mente que quanto maior for o número de animais por área, maior será a probabilidade de infestação da pastagem e dos animais.

Além disso, o descarte de animais com alta sensibilidade ao carrapato do rebanho também é uma prática recomendada. “A sensibilidade/resistência do bovino ao parasitismo pelo carrapato possui um forte componente genético e é, portanto, uma característica herdável”, diz. A condução de quarentena na entrada de animais na propriedade, de forma a evitar o risco de introdução de cepas resistentes aos acaricidas comerciais, é outro manejo que deve ser priorizado pelo produtor.

Outra prática importante é o uso consciente dos antiparasitários. “Manter registro dos tratamentos, delinear estratégia de uso adequado à situação em conjunto com veterinário, monitoramento anual da sensibilidade da população aos acaricidas por meio do teste de biocarrapaticidograma, treinamento/orientação de funcionários por veterinário quanto às instruções para dosagem, via de aplicação e armazenamento correto dos acaricidas, observância aos períodos de carência para abate ou consumo de leite são importantes”, destaca.

Claudia ainda comenta que na ausência de uma forma de prevenção contra a TPB, o carrapato deve ser controlado, mas não erradicado. “Caso contrário, os animais ficarão muito sensíveis à infecção e o risco de surtos aumenta. As baixas infestações funcionam como uma imunização natural, já que o carrapato é o principal vetor dos agentes que causam a doença”, diz.

A atenção do pecuarista deve se voltar ainda para o sistema produtivo escolhido na propriedade. “Estima-se que 95% dos carrapatos de uma propriedade estejam no pasto, na forma de ovos, larvas ou fêmeas adultas que se desprenderam do bovino para postura (fases de desenvolvimento de vida livre). Somente os 5% restante estariam nos animais (larvas, ninfas e adultos – machos e fêmeas – fases de desenvolvimento de vida parasitária). As condições do ambiente junto ao solo, no local onde o rebanho é mantido, podem ser favoráveis ou desfavoráveis à sobrevivência das fases de vida livre. As escolhas de manejo feitas pelo homem interferem nestas condições”, comenta.

A pesquisadora explica que o confinamento tem particularidades distintas da criação extensiva e pode ser bastante diverso quanto às condições do campo, dieta ofertada, período e idade de exposição dos animais ao desafio do parasitismo. “Então, é esperado que haja diferença de manejo entre animais confinados e não confinados ao se pensar em estratégias de controle parasitário. As particularidades do sistema, grau de infestação da propriedade e práticas em execução serão determinantes para a escolha das medidas de intervenção. Mas, não há receita pronta”, afirma.

Planejamento é essencial

Segundo a pesquisadora da Embrapa, o fim do inverno é um bom período para o delineamento ou revisão do plano anual de controle, baseado nas premissas de adoção de medidas de prevenção ao parasitismo, redução das infestações do campo e redução do número de tratamentos anual com acaricidas. “Na revisão do plano, o técnico e o produtor poderão fazer os ajustes necessários conforme a evolução obtida no ano anterior e, avaliar a viabilidade de adoção de medidas de controle não químicas, de forma a reduzir a frequência de uso dos acaricidas”, comenta.

Claudia explica que em propriedades com alta infestação, o controle deve ser iniciado já na primavera, de forma a evitar o aumento populacional ascendente no verão e outono. “A adoção do controle estratégico é indicada em propriedades com alta ou média infestação dos campos. Porém, é preciso conhecer quais bases funcionam na propriedade para saber que produtos poderiam ser usados. O intervalo entre tratamentos será estruturado conforme o período de efeito residual do(s) produto(s) de escolha e de forma a interferir no ciclo de desenvolvimento do carrapato em suas gerações iniciais”, informa.

Já em uma fazenda com baixa infestação por carrapato, menciona a pesquisadora, onde o número de tratamentos já é reduzido, o uso do controle estratégico poderia agravar a sensibilidade do rebanho à tristeza parasitária bovina. “Portanto, não há receita pronta que se adeque a todas as propriedades. A revisão do planejamento deve ser contínua e realizada por profissionais com conhecimento técnico”, reitera.

A especialista comenta que as altas infestações por carrapato podem causar prejuízos muitos maiores do que o investimento em medidas de caráter preventivo, seja pelas perdas em produção ou pelo custeio adicional com medidas emergenciais em casos de ocorrência de resistência múltipla aos acaricidas e perda de animais em surtos de TPB. “A medicação curativa aplicada com frequência traz consigo o aumento do custo no controle e o rápido estabelecimento da resistência do carrapato às bases químicas em uso, não sendo, portanto, uma alternativa sustentável no longo prazo. O cenário atual é escassez de bases químicas no mercado e a perspectiva de surgimento de acaricidas com mecanismos de ação diferenciados é baixa. A aplicação consciente do conhecimento acumulado sobre estratégias de controle do carrapato se torna ainda mais primordial para a garantia da sustentabilidade produtiva, bem-estar animal e segurança do alimento, preceitos valorizados cada vez mais pelo consumidor”, aconselha.

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Fonte: O Presente Rural
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CONBRASUL/ASGAV

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