Notícias
Mato Grosso inicia implantação do CAR Digital 2.0 em 54 municípios com análise automatizada
Nova versão do sistema traz avanços tecnológicos e promete maior agilidade na validação do Cadastro Ambiental Rural.

O Governo de Mato Grosso deu início à implantação do CAR Digital 2.0, nova versão do Cadastro Ambiental Rural que permitirá a análise automatizada dos dados declarados pelos produtores, conforme estabelece o Decreto Estadual nº 1.473, publicado em 16 de abril de 2025.
A modernização será implementada de forma gradual, começando por 54 municípios, entre eles Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sapezal, Sinop, Canarana e Primavera do Leste. A proposta é que, a partir da atualização, o sistema atribua automaticamente o status de “CAR Digital Validado”, permanecendo assim até que o próprio interessado solicite a retificação, seguindo critérios técnicos definidos no artigo 19 do decreto.
Segundo o governo estadual, a medida representa um avanço na eficiência e na transparência do processo de regularização ambiental, reduzindo a necessidade de análise manual e permitindo maior rapidez na tramitação das informações.
A Secretaria de Estado orienta os produtores rurais a manterem seus dados atualizados no SIGA (Sistema de Gestão Ambiental) e a consultarem o decreto na íntegra para entender os impactos da nova versão do CAR. Em caso de dúvidas, a recomendação é procurar o técnico responsável pelo CAR em cada localidade.
A lista completa dos municípios contemplados nesta primeira fase e todos os detalhes sobre a nova regulamentação podem ser conferidos no decreto, disponível aqui.

Notícias
SBSBL anuncia Daniel Baretta como novo presidente da comissão científica
Transição planejada marca o encerramento da gestão de Claiton André Zotti e inicia um novo ciclo técnico no Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite.

A presidência da comissão científica do Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL) passou por uma transição planejada, apresentada aos membros durante reunião realizada na noite de terça-feira (03). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o Simpósio inicia um novo ciclo com a saída do médico-veterinário, Claiton André Zotti, que esteve à frente da comissão nos últimos três anos, e a entrada do médico-veterinário Daniel Baretta, como novo presidente.
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destacou a importância do trabalho desenvolvido pelas comissões científicas e agradeceu a contribuição de Zotti. “As mudanças fazem parte do amadurecimento das entidades e dos eventos. O Claiton teve um papel fundamental na construção do Simpósio, sempre com uma visão técnica alinhada à realidade do campo. A escolha do Daniel segue o mesmo critério que adotamos em todas as comissões: competência técnica, proximidade com o setor, diálogo com a diretoria e respeito dos colegas”, afirmou.
Três anos de crescimento

Médico-veterinário, Claiton André Zotti e a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin e o médico-veterinário, Claiton André Zotti
Ao se despedir da presidência da comissão científica, Claiton André Zotti, agradeceu a oportunidade de liderar o grupo e ressaltou o caráter coletivo do trabalho desenvolvido. “Foram três anos muito prazerosos, trabalhando com uma equipe comprometida, que exerce o voluntariado com seriedade e dedicação. Cada colega conhece o esforço envolvido em organizar um evento desse porte, e isso fez toda a diferença”, comentou.
Zotti explicou que a decisão de deixar o cargo está relacionada a questões profissionais, cada vez mais frequentes em sua rotina. Ainda assim, buscou conduzir a comissão com intensidade e foco. “Sempre acreditei em um trabalho intenso e bem feito. Tentamos mostrar os desafios do setor leiteiro e representar aquilo que realmente está acontecendo no campo. Tivemos também uma participação crescente da bovinocultura de corte nos debates”, pontuou.
Entre as principais conquistas do período, Zotti destacou o crescimento do Simpósio e a resposta positiva do público. “O reconhecimento é coletivo. Crescemos muito nesses três anos, com avaliações positivas e uma trajetória ascendente. Conseguimos representar as demandas do mercado, identificar gargalos e levar esse conteúdo de forma clara para os profissionais e produtores de leite. Esse é, sem dúvida, o principal sucesso do SBSBL”, avaliou.
Novos desafios

Médico-veterinário, Claiton André Zotti e a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin
Ao assumir a presidência da comissão científica, o médico-veterinário Daniel Baretta destacou a satisfação em iniciar a nova missão. “É uma satisfação começar essa nova etapa como presidente da comissão científica de um Simpósio que vem se destacando como um marco, não apenas para a região oeste, mas para Santa Catarina e para o Sul do Brasil”, afirmou.
Baretta ressaltou que a partir da 16ª edição, o objetivo é fortalecer ainda mais o posicionamento do SBSBL como um evento estratégico para a cadeia produtiva do leite. “Nossa intenção é continuar o trabalho das comissões anteriores, elevando o Simpósio como um evento relevante para o setor produtivo”, explicou.
Ao comentar os próximos desafios, o presidente destacou o momento delicado vivido pelo setor leiteiro e a necessidade de eficiência. “O mercado é muito dinâmico. Passamos por um período desafiador, e manter produtividade e lucratividade exige eficiência, que passa por nutrição, sanidade, reprodução e gestão. Esses temas seguirão no centro da programação, para que técnicos e produtores saiam do Simpósio com energia renovada para enfrentar os desafios do setor”, afirmou.
Outro ponto destacado por Baretta é a valorização do debate científico. “A publicação de resumos científicos, que já acontece em algumas edições, é fundamental para elevar o SBSBL como um ambiente de discussão científica, aproximando universidades, pesquisadores e o setor produtivo”, concluiu.
SBSBL
Médicos veterinários, zootecnistas, produtores rurais, consultores, estudantes, pesquisadores e demais profissionais da agroindústria já podem garantir sua inscrição para o 15º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), que será realizado entre os dias 06 a 08 de outubro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
Notícias
Show Rural Coopavel recebe debate sobre perspectivas e desafios do Acordo Mercosul
Mesa de diálogo reúne autoridades, especialistas e lideranças do agro para discutir impactos econômicos, ambientais e estratégicos do tratado.

O 38º Show Rural Coopavel, um dos maiores eventos do agronegócio mundial, será palco de um importante debate sobre o futuro do Acordo Mercosul. Na segunda-feira (09), das 10h30 às 12 horas, o auditório principal no Prédio Paraná Cooperativo, em Cascavel, receberá a Mesa de Diálogo Acordo Mercosul – perspectivas e desafios, promovida pela Itaipu Binacional.
O evento, que promete aprofundar a discussão sobre os impactos e oportunidades do acordo para diversos setores, contará com a participação de autoridades e especialistas. A acolhida e a abertura serão realizadas pelo diretor presidente da Coopavel, Dilvo Grolli. A moderação ficará a cargo de Gisele Ricobon, da Itaipu Binacional.
A programação prevê a participação de Tatiana Prazeres, analista de comércio exterior do Ministério das Relações Exteriores, que abordará o que é o Acordo Mercosul, os setores beneficiados, os prazos de implementação, as mudanças para o consumidor, a importância geopolítica para a região, os benefícios e riscos ambientais, e o que acontece após a assinatura.
Na sequência, o diretor geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, apresentará as perspectivas do acordo para o setor elétrico e as vantagens econômicas para o Paraná. O ministro de Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, falará sobre os impactos do acordo na agricultura familiar, com foco nos ganhos esperados.
Depois, José Roberto Ricken, da Ocepar (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), abordará como o agronegócio será beneficiado com este acordo e quais são as expectativas das cooperativas diante do cenário de integração regional. A Mesa de Diálogo representa uma oportunidade para produtores rurais, empresários, acadêmicos e a comunidade compreender as nuances e o potencial do Acordo Mercosul, comenta o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.
Notícias
Estudo aponta desafios e oportunidades para ampliar o carbono no solo em sistemas agropecuários brasileiros
Levantamento científico identifica perdas históricas após conversão de áreas naturais e destaca práticas produtivas capazes de reverter esse cenário.

Um novo estudo aponta que a conversão de vegetação nativa em áreas agrícolas nos seis biomas brasileiros resultou em um déficit de 1,4 bilhão de toneladas de carbono na camada de solo de 0 a 30 centímetros de profundidade. Essa perda equivale a uma emissão de 5,2 bilhões de toneladas de CO₂ eq (dióxido de carbono equivalente). Os dados são baseados em uma pesquisa que revisou mais de 370 estudos, indicou áreas com maior potencial para recarbonização do solo e gerou informações para políticas públicas e ações privadas voltadas à adoção de práticas agrícolas sustentáveis.
O estudo, publicado na revista Nature Communications, foi desenvolvido por cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), do Centro de Estudos de Carbono na Agricultura Tropical da Universidade de São Paulo (CCarbon/USP), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da Embrapa.
Esta é a primeira vez que os estoques de carbono no Brasil foram calculados antes das intervenções antropogênicas e que o déficit causado pela conversão de áreas de vegetação nativa em lavouras e pastagens foi mensurado.
O estudo utilizou um extenso banco de dados com 4.290 amostras de solo, coletadas em diferentes profundidades (0-10 cm, 0-20 cm, 0-30 cm e 0-100 cm) em áreas de vegetação nativa e em áreas de uso agrícola em todo o Brasil. As diferenças entre as medições do estoque de carbono orgânico no solo serviram de base para o cálculo e permitiram compreender a perda de carbono em seis biomas, cinco tipos de solo e diferentes níveis de intensificação do manejo agrícola.

Área de Cerrado conservada
“O estudo não apenas quantificou o problema, mas também apontou oportunidades para aumentar a captação de carbono por meio de mudanças nas práticas agrícolas, iniciativas de políticas públicas ou ações privadas”, explica Luis Gustavo Barioni, pesquisador da Embrapa.
Segundo João Marcos Villela, primeiro autor do artigo e pesquisador de pós-doutorado na Esalq/USP, o estudo estabelece uma base de referência sobre a perda de carbono no Brasil e, portanto, pode servir de base para outras pesquisas sobre o tema.
“Como os dados provêm de diferentes estudos, não há uniformidade metodológica. No entanto, não tínhamos informações com essa profundidade antes. O trabalho fornece um parâmetro para ações futuras”, afirma Villela, destacando que a CCarbon aprovou um projeto para expandir a coleta padronizada de dados em todo o Brasil, o que permitirá refinar os números.
O banco de dados é resultado de um esforço de sistematização baseado em mais de 370 estudos. “Foi uma avaliação muito extensa, na qual utilizamos diversos critérios; segmentamos, por exemplo, por informações geográficas, tipos de solo, bioma e práticas de manejo. Coletamos os dados e tentamos criar algo a partir deles que fizesse sentido para o nosso país em termos de mercado de carbono e mudanças climáticas”, explica Júnior Damian, pesquisador de pós-doutorado da Embrapa e um dos cientistas responsáveis pelo banco de dados. O banco de dados publicado no artigo está em formato aberto e disponível para estudos adicionais .
Influências climáticas na perda de carbono
Além de medir a perda de carbono causada pelas mudanças no uso da terra, os pesquisadores queriam encontrar alternativas para aumentar os estoques de carbono e, potencialmente, retorná-los ao seu nível inicial ou até mesmo superá-lo.
A análise de dados confirmou que o clima é um fator importante no equilíbrio entre a perda e o armazenamento de carbono orgânico no solo. Locais mais frios e úmidos, como os biomas da Pampa e da Mata Atlântica, apresentaram maiores estoques de carbono em comparação com biomas tropicais como o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga e a Floresta Amazônica.
Da mesma forma, as mudanças no uso da terra devido à introdução de práticas agrícolas causaram maior perda de carbono em locais com maiores estoques iniciais de carbono.
O papel das práticas agrícolas sustentáveis
O estudo também comparou os estoques de carbono do solo em diferentes sistemas de produção, como monocultura, rotação de culturas e sistemas agrícolas integrados, como os Sistemas Integrados de Lavoura-Pecuária (ICLS). De acordo com os dados, as perdas de carbono diminuem à medida que os sistemas agrícolas se intensificam e se diversificam.
A conversão da vegetação nativa em monocultura resultou em uma perda média de 22% de matéria orgânica, enquanto em sistemas agrícolas integrados a perda foi de 8,6%. O sistema de plantio direto também se mostrou menos suscetível à perda de carbono do que a agricultura convencional. No plantio direto, a redução foi de 11,4%, enquanto no cultivo convencional foi de 21,4%. Isso resulta em uma diferença de 47% entre as duas técnicas de plantio.
Mercado de carbono
Além de subsidiar políticas públicas para a recarbonização, a pesquisa fornece informações importantes sobre o potencial do mercado de carbono no Brasil. Daniel Potma, que atualmente é pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e estava vinculado à Universidade Estadual de Ponta Grossa na época do estudo, afirma que a definição do déficit de carbono permite estimar o tamanho que esse mercado pode atingir.
“Conhecendo a dimensão do ‘estoque’, ou seja, 1,4 bilhão de toneladas de carbono, é possível compreender seu valor em termos de financiamento, o que poderia ser um incentivo para atrair investimentos na economia da descarbonização”, destaca ele.




