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Mastite em vacas leiteiras: seus desafios e entendimentos

Uma das doenças mais desafiadoras para a pecuária leiteira, causando impactos significativos na produção, saúde animal e nos custos operacionais das propriedades. Caracterizada por uma inflamação na glândula mamária, essa enfermidade pode comprometer a qualidade e quantidade do leite produzido, podendo, em casos mais graves, levar ao descarte do animal.

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Foto: Giuliano De Luca/OP Rural

Artigo escrito por Flávio Araujo Yamamura, Gerente de Produto e Thiago Rosa Martins ,Coordenador Técnico Leite da Pearson Saúde Animal

A mastite é uma das doenças mais desafiadoras para a pecuária leiteira, causando impactos significativos na produção, saúde animal e nos custos operacionais das propriedades. Caracterizada por uma inflamação na glândula mamária, essa enfermidade pode comprometer a qualidade e quantidade do leite produzido, podendo, em casos mais graves, levar ao descarte do animal.

A mastite pode se manifestar de duas formas principais: subclínica e clínica. A mastite subclínica é silenciosa e muitas vezes não detectada a tempo, afetando um grande número de vacas (20% a 50%) e reduzindo a produtividade de maneira contínua. As perdas variam conforme a gravidade do quadro e os agentes infecciosos envolvidos, podendo resultar em uma queda significativa na produção de leite de 0,07 kg a 2,9 kg por quarto mamário por ordenha.

Por outro lado, a mastite clínica apresenta sinais visíveis e pode afetar cerca de 30% das vacas leiteiras, causando inflamação, inchaço, vermelhidão e alterações no leite. Além da redução na produção, o leite das vacas acometidas precisa ser descartado durante o período de tratamento, resultando em aproximadamente 7% de descarte e aumentando os prejuízos financeiros para o produtor. Em casos graves, pode levar a uma mortalidade de até 1% dos animais acometidos.

Graus da mastite clínica

A mastite clínica pode ser classificada em três graus, conforme a gravidade dos sinais clínicos:

  • Grau 1 (Leve):Ocorre apenas alterações no leite, como presença de grumos, pus ou mudança na coloração, sem sinais sistêmicos na vaca.
  • Grau 2 (Moderado):Além das alterações no leite, há inflamação visível na glândula mamária, com sinais como inchaço, vermelhidão e dor ao toque.
  • Grau 3 (Grave):Além das alterações no leite com mais intensidade, a infecção afeta todo o organismo da vaca, todos os sintomas relatados no grau 2 e além deles causando febre, apatia, perda de apetite e, em casos mais severos, septicemia (infecção grave na corrente sanguínea causada pela presença de bactérias) e risco de morte.

Estima-se que, no Brasil, as perdas anuais devido à mastite alcancem R$ 6 bilhões, considerando a redução na produção de leite, custos com tratamentos e descarte prematuro de vacas afetadas.

Consequências na saúde animal e reprodução

Fotos: Shutterstock

No aspecto reprodutivo, vacas afetadas frequentemente apresentam dificuldades para retomar o ciclo estral, ocasionando um aumento de até 20 dias no intervalo entre partos e uma redução na taxa de concepção, afetando diretamente o sucesso da inseminação artificial.

Custos de tratamento e mão de obra

O controle da mastite exige investimentos em medicamentos, descarte de leite contaminado e aumento na demanda por mão de obra para o manejo adequado dos animais enfermos. Além disso, os custos operacionais da fazenda podem se elevar devido à necessidade de cuidados veterinários constantes (aumento de 6% com honorários) e protocolos de tratamento específicos (gastos com exames, medicamentos e mão de obra adicional: 37%).

Estratégias de preservação e tratamento

Para minimizar os impactos da mastite e garantir a sustentabilidade da produção leiteira, é fundamental adotar estratégias eficazes tanto de prevenção quanto de tratamento.

Algumas medidas de prevenção são essenciais:

  • Higiene rigorosa na ordenha e no ambiente:A limpeza adequada dos equipamentos e instalações é crucial para reduzir a incidência de agentes infecciosos.
  • Uso de pré-dipping e pós-dipping:A aplicação de soluções desinfetantes antes e depois da ordenha ajuda a eliminar microrganismos e prevenir novas infecções.
  • Monitoramento com testes específicos: Ferramentas como o CMT (California Mastitis Test) e a Contagem de Células Somáticas (CCS) são indispensáveis para detectar precocemente a doença, permitindo intervenções mais rápidas.

Para os tratamentos é essencial:

  • A escolha do antibióticodeve sempre ser baseada em testes de cultura e antibiograma, garantindo uma abordagem mais eficaz no tratamento.
  • Em casos graves de mastite (grau 3),o tratamento pode exigir a combinação de antibióticos intramamários e terapia de suporte, como o uso de anti-inflamatórios e fluidoterapia.
  • É essencial seguir as orientações de um médico veterináriopara evitar a presença de resíduos no leite e prevenir o desenvolvimento de resistência bacteriana.

Além das medidas preventivas, a escolha do tratamento adequado é fundamental. Antibióticos intramamários líquidos, pois apresentam vantagens, pois possuem rápida absorção e ação eficaz, reduzindo o tempo de recuperação do animal e os prejuízos econômicos.

Nos casos de mastite clínica de grau 3 (grave), além do tratamento intramamário, o uso de antibióticos intramusculares é recomendado para um controle sistêmico da infecção. Em situações específicas, os macrolídeos, como a Tilosina, podem ser indicados, especialmente quando há suspeita de infecção por Mycoplasma spp. ou casos crônicos que não respondem bem a outras terapias.

Essa abordagem ajuda a combater a disseminação da bactéria na corrente sanguínea, reduzindo complicações e acelerando a recuperação da vaca.

A mastite, portanto, deve ser encarada como um problema grave que exige um manejo cuidadoso e estratégias bem definidas. A adoção de boas práticas de higiene, monitoramento constante e tratamentos eficazes são essenciais para manter a saúde do rebanho e a produtividade da fazenda.

O acesso à edição digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, basta clicar aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural com Flávio Araujo Yamamura e Thiago Rosa Martins

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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

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Foto: Shutterstock

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

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Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Fundesa-RS adia início da cobrança de taxas sobre rebanhos por instabilidade em sistema

Emissão de boletos foi suspensa após identificação de problemas técnicos. Nova data para o início da arrecadação ainda não foi definida.

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Foto: Adapar/Paraná

O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS) adiou o início da arrecadação das taxas incidentes sobre a existência de animais declarados na Declaração Anual de Rebanho. A cobrança estava prevista para começar na quarta-feira (15), mas foi suspensa devido a instabilidades técnicas no novo sistema de emissão de boletos.

Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

Segundo o Fundesa-RS, os problemas identificados impedem, neste momento, a operacionalização do processo de arrecadação junto aos produtores rurais.

Em nota, o fundo informou que a equipe técnica e os responsáveis pelo processamento das informações fornecidas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) trabalham em caráter prioritário para corrigir as inconsistências do sistema.

Nova data ainda não foi definida

De acordo com o Fundesa-RS, o objetivo é restabelecer o funcionamento da plataforma de forma que a arrecadação ocorra com transparência, agilidade e segurança jurídica para os contribuintes.

Até o momento, não foi divulgada uma nova data para o início da cobrança. O fundo informou que o cronograma atualizado será comunicado pelos canais oficiais da instituição e também pelas entidades que integram o Fundesa-RS, assim que o sistema estiver plenamente operacional.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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