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Marcas-conceito para a pecuária de corte serão aplicadas no Rio Grande do Sul
Embrapa Pecuária Sul será a responsável pela adaptação dos protocolos e também a viabilização da certificação por produtores do estado gaúcho.

Pesquisadores de diferentes unidades da Embrapa estiveram reunidos em Bagé na última quinta-feira (10), para discutir a aplicação dos protocolos para a utilização das marcas-conceito Carne Baixo Carbono (CBC), Carne Carbono Neutro (CCN) e Carbono Nativo (CN) no Rio Grande do Sul. A Embrapa Pecuária Sul será a responsável pela adaptação dos protocolos e também a viabilização da certificação por produtores do estado gaúcho. Para esse trabalho já foram selecionadas três propriedades para a aplicação dos protocolos, visando verificar as adequações necessárias e a validação, para que depois o selo possa começar a ser aplicado em propriedades comerciais. Nos dias anteriores à reunião, a equipe visitou áreas de produção da região para visitar as propriedades que farão parte desse projeto e também conhecer mais os sistemas de produção.
As marcas-conceito desenvolvidas pela Embrapa são protocolos de produção que tem como objetivo principal certificar produtores que adotam práticas e manejos que garantem a mitigação ou a compensação integral da emissão de carbono pela atividade pecuária. Nesse sentido, o selo CBC é voltado para sistemas de produção pastoris ou integrados com lavouras que, com boas práticas de manejo, mitigam a emissão do carbono. Já a CCN é voltado para sistemas ILPF, que a partir da utilização de florestas plantadas conseguem neutralizar o balanço do carbono. E o selo CN, que ainda está em fase de validação no país, prevê certificar propriedades que mantêm ou reflorestam com espécies de árvores nativas.
Para o Chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, um dos méritos desses processos é o trabalho conjunto de diferentes unidades da Embrapa visando um objetivo único, que é dar maior sustentabilidade para a atividade pecuária. Já o pesquisador Roberto Giolo, da Embrapa Gado de Corte e coordenador dos trabalhos de certificação desses selos, um dos objetivos é valorizar os produtos da pecuária a partir da certificação de boas práticas de manejo e processos de produção que contribuam com maior eficiência da atividade e menor intensidade de emissão de carbono. “O selo é uma garantia de comercialização de carne bovina e seus derivados produzidos de forma mais sustentável e informando ao consumidor sobre os processos de produção”, destacou Giolo.
Para a implantação desses selos no Rio Grande do Sul, uma equipe liderada pela pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, Cristina Genro, está aplicando os protocolos em propriedades comerciais para verificar o que precisa ser adaptado para o estado, uma vez que os selos foram concebidos inicialmente para outras regiões do país. Segundo Cristina, a partir de um projeto aprovado na Fapergs, estão sendo iniciadas as aplicações dos protocolos dos selos em um projeto-piloto no estado. Para tanto, três propriedades foram escolhidas para a aplicação dos protocolos, a CCN em Cacequi, a CBC em Bagé e a CN em Nova Prata.
De acordo com a pesquisadora, a partir da aplicação dos protocolos serão avaliadas as necessidades de adequação às especificidades do estado. Durante toda a aplicação, as propriedades serão monitoradas para avaliar a emissão e o sequestro de carbono pelos animais, plantas forrageiras e árvores do sistema. Além disso, amostras da carne após o abate dos animais serão avaliadas nos laboratórios da Embrapa Pecuária Sul. “Com todos os dados medidos e avaliados poderemos ter uma visão geral da pegada de carbono em cada sistema após a aplicação desses protocolos. Esses dados obtidos também podem ser utilizados pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado para incentivar políticas públicas para uma produção mais sustentável”, destacou Cristina.
A pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo Márcia Silveira, que integrou as equipes que validaram os protocolos da CCN e CBC em uma fazenda na Bahia, ressaltou que os produtores que iniciaram o projeto perceberam que é possível, a partir desses protocolos, produzir mais e melhor. “O que observamos é que nessa parceria com propriedades, a aplicação e a validação dos protocolos fica bem mais fácil que apenas pesquisadores falarem o que tem que fazer. Assim, o pessoal da propriedade vê os resultados positivos e o exemplo é repassado para outras propriedades da região, propiciando a adoção de boas práticas em mais fazendas”.

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Mercado internacional impulsiona investimento em cruzamento industrial na pecuária de corte
Genética, inseminação artificial e qualidade de carcaça fortalecem a competitividade da carne bovina brasileira.

A pecuária de corte mundial vive um período de mudanças, que pode ser favorável ao Brasil. Os Estados Unidos, historicamente um dos principais produtores de carne bovina no mundo, encontram-se, por diversos fatores, num momento de diminuição gradual de seu rebanho de gado de corte, que, em 2025, atingiu o menor patamar desde 1951, reduzindo assim sua disponibilidade de carne e oferta enquanto a demanda internacional por proteína animal bovina segue em crescimento. Ao mesmo tempo, o Brasil amplia sua participação no mercado internacional, avança na abertura de novos destinos para a carne bovina e se beneficia de um momento favorável do ciclo pecuário de corte.
A combinação desses fatores abre uma janela de oportunidades para a pecuária brasileira. Para aproveitá-la, é essencial produzir animais que atendam aos mercados que demandam carne com características específicas e remuneram o produto com maior valor.

Artigo escrito por Guilherme Gallerani, diretor de Marketing da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) – Foto: Divulgação
Nesse ambiente favorável, o cruzamento industrial ganha cada vez mais relevância na pecuária de corte. De maneira resumida, a técnica consiste em cruzar animais de diferentes bases genéticas. Para a situação do Brasil, cruzam-se matrizes zebuínas, como o Nelore, que constituem a base do rebanho de corte nacional, com sêmen de touros de raças taurinas, frequentemente Angus, para aproveitar o chamado vigor híbrido. O resultado são animais mais precoces, com melhor desempenho produtivo e qualidade de carcaça, características cada vez mais valorizadas pela indústria e pelos consumidores do mundo todo.
A técnica do cruzamento industrial torna-se uma ferramenta de mercado indispensável para agregar valor à produção. Ao combinar a rusticidade e a adaptação do Nelore com os atributos de qualidade de carne das raças taurinas, o produtor consegue entregar animais mais padronizados, com melhor acabamento e maior marmoreio. Essas características permitem a produção de carne que atenda aos programas de qualidade de carne de determinadas marcas nacionais e ampliam as oportunidades de acesso a mercados mais exigentes, como países do Sudeste Asiático, que recentemente vêm se abrindo para o produto brasileiro e que valorizam o padrão superior de qualidade. Historicamente, esse segmento de mercados mundiais foi abastecido principalmente por países como Estados Unidos e Austrália, mas o Brasil reúne condições cada vez mais favoráveis para aumentar sua participação nesses mercados.
No processo de melhoria da qualidade da carne, a inseminação artificial desempenha papel fundamental. Além de ampliar o acesso à genética superior, a tecnologia possibilita utilizar reprodutores de alto mérito genético em diferentes regiões do país, sem as limitações que o uso de reprodutores taurinos poderia impor em sistemas de produção com a utilização de touros a campo, além de acelerar o avanço genético da base do rebanho Zebu através de touros provados pelos programas de melhoramento genético disponíveis. Assim, o cruzamento industrial torna-se uma alternativa segura, eficiente e economicamente viável para um número cada vez maior de pecuaristas, permitindo que a genética chegue a propriedades com diferentes sistemas de produção e de diferentes portes e regiões do país.
Essa tendência já aparece nos números. A comercialização de sêmen de raças taurinas cresceu cerca de 60% neste ano, refletindo o interesse crescente dos produtores por esta alternativa para o cruzamento com as matrizes zebuínas. O movimento acompanha um período favorável da pecuária de corte, com recuperação do ciclo pecuário, valorização dos animais de reposição e perspectivas positivas para o mercado da carne. No cenário de maior confiança, cresce também o investimento em genética como estratégia econômica para agregar valor ao rebanho.
Naturalmente, a técnica exige preparo e planejamento. Para que os animais expressem todo o seu potencial produtivo, é fundamental que recebam alimentação adequada, manejo sanitário eficiente e boa gestão do sistema de produção. Diferentemente do que ocorreu em experiências realizadas décadas atrás, como nos anos 1990, o cruzamento industrial conta, hoje, com genética mais avançada, melhor manejo e, principalmente, mercado disposto a remunerar bem animais com maior qualidade de carcaça.
A pecuária brasileira construiu sua liderança mundial investindo continuamente em tecnologia, nutrição, sanidade e melhoramento genético. Agora, diante de um mercado internacional em transformação e de um cenário favorável à produção de carne bovina, o cruzamento industrial desponta como uma das principais estratégias para fortalecer a competitividade do setor. Produzir mais continuará sendo importante, mas produzir animais com maior qualidade será decisivo para consolidar o protagonismo do Brasil no mercado global.
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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho
Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.
O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).
Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.
Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa
Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.
Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.
“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas
Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.
“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.
“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.



