Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia
Máquinas conectadas ao mundo
Tratores têm plataformas digitais, ajudando produtor a entender o que acontece na plantação em tempo real e a intervir no local e momento corretos

Pode até não parecer, mas sim, nobre leitor, o que você está vendo na foto é um trator. Aliás, o maior trator do mundo, que pesa mais de 25 toneladas, chega aos 620 cavalos de potência, é articulado ao meio e disposto sobre quatro grandes esteiras que substituem os pneus. A robustez e a excentricidade da máquina impressionaram milhares de produtores rurais que participaram do Show Rural Coopavel, um dos maiores eventos do agronegócio da América Latina, que aconteceu no início de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná.
Mas o que chama a atenção é a forma com que essa e outras máquinas agrícolas começam a ser comercializadas. As opções incluem um pacote tecnológico completo, baseado em uma plataforma que gerencia agronomicamente a propriedade, integrando dados como fertilidade do solo, produtividade da lavoura, dados meteorológicos, imagens diárias de satélites da lavoura e dados do trator, ajudando o produtor a entender o que acontece na plantação em tempo real e a intervir no local e momento corretos, por exemplo, na hora de fazer a aplicação de um inseticida.
A opção é oferecida pela Case, que fez uma parceria com a Farmers Edge, empresa canadense disposta a promover um novo jeito de fazer agricultura, integrando dados em tempo real para as tomadas de decisões mais precisas e assertivas. Os dados coletados pelo sistema viram mapas e relatórios que permitem, com a ajuda da visualização em tempo real via satélite pelo smartphone na própria máquina, saber quais as medidas tomar e em quais zonas de manejo atuar.
A negociação funciona da seguinte forma: “O produtor rural compra um pacote tecnológico, que é o serviço da Farmers Edge oferecido por meio da Case, e paga por ano. São diferentes pacotes do Farm Command com níveis distintos de informação e serviços, dos mais simples, com imagens de satélite, até os mais completos, com equipes de técnicos que vão até a fazenda do produtor prestar consultoria”, explica o diretor de Marketing de Produto, Silvio Campos”. Além disso, a plataforma também possibilita analisar dados operacionais das máquinas, garantindo que a frota esteja em plena operação, com 40 diferentes dados disponibilizados.
O agricultor ainda pode conectar suas frotas de máquinas atuais e antigas que possuam funcionalidade de barramento CAN à plataforma Farmers Edge, o que garante ganhos nas três etapas chaves do ciclo de dados da cultura – coleta, planejamento e execução. A tecnologia também pode ser usada com frotas mistas, flexibilizando o emprego da tecnologia. Como o sistema não depende da rede de telecomunicações 3G ou 4G, esta tecnologia pode ser empregada em qualquer propriedade, mesmo nas áreas mais remotas.
No entanto, citaram profissionais da Case durante o Show Rural, é preciso que o Brasil avance na infraestrutura de telecomunicações, pois, de acordo com eles, ainda existem regiões do país em que há o cultivo de grãos, mas o smartphone não funciona.
As máquinas da marca já possuem um pacote tecnológico que fornece aos clientes uma série de dados da operação em tempo real, garantindo precisão e mais rendimento. A parceria com a Farmers Edge otimiza o uso dos dados da máquina, pois os transforma em inteligência e resultados.
Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2019 ou online.

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.



