Conectado com

Notícias

Mapeamento por imagens de satélite identifica viveiros de produção aquícola no Brasil

A Embrapa mapeou mais de 78 mil hectares de viveiros escavados para produção aquícola no Brasil e gerou um banco de dados inédito no país. A tecnologia está à espera de parceiros e pode gerar vários produtos, além de subsidiar projetos de desenvolvimento e licenciamento ambiental, por exemplo.

Publicado em

em

Foto: Yara Novo/Embrapa

A Embrapa mapeou, com imagens de satélite, mais de 78 mil hectares de viveiros escavados para produção aquícola no Brasil. A pesquisa gerou um banco de dados inédito no país, com a localização e os limites de 48,5 mil conjuntos de viveiros – chamados de baterias. Em cada estado, foram analisados os municípios que respondem por, aproximadamente, 75% da produção. A área de estudo abrange 513 municípios.

Durante o trabalho de mapeamento, a equipe da Embrapa encontrou diferenças de concentração espacial, bem como de estrutura de produção pelo País. No Paraná, maior estado produtor de peixes de cultivo, as baterias de viveiros estão muito concentradas na região oeste. Estão mais dispersas pelo território no Rio Grande do Sul (imagem ao lado), onde se encontrou a maior quantidade delas, 9 mil. Rondônia, que ocupa a terceira posição no ranking, teve a maior área mapeada de viveiros: 12,5 mil hectares.

De acordo com a líder dos projetos que financiaram o mapeamento de viveiros, Marta Ummus, da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), “os recursos advindos de diferentes fontes de financiamento permitiram o desenvolvimento de um produto importante e inédito para a aquicultura brasileira e, agora, os esforços devem ser direcionados ao mapeamento automático dessas feições para fins de monitoramento da atividade”.

Identificar as baterias de viveiros nos 930 mil km² dos municípios estudados não foi tarefa fácil para o grupo de geoprocessamento e sensoriamento remoto da Embrapa envolvido no projeto. Os diferentes tamanhos e formatos das estruturas exigiram uma combinação de estratégias para o mapeamento.

“Esse é o primeiro trabalho que trata de um mapeamento sistemático de viveiros escavados no Brasil. Poucas referências foram encontradas, inclusive, internacionalmente. Muitos trabalhos retratam apenas experiências em escala pontual. Um mapeamento de todo o País, com as dimensões territoriais que o Brasil tem, não existia”, relata a chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial (SP), Lucíola Magalhães.

“A aquicultura tem diferentes contextos produtivos. A produção de camarão, na costa do Rio Grande do Norte, utiliza grandes tanques e é comum encontrá-los próximos às estruturas para produção de sal. Quando você analisa a aquicultura do Paraná, encontra pequenas propriedades, com quatro ou cinco pequenos viveiros, associados muitas vezes à produção de grãos. Na região Norte, também é diferente, muitas espécies cultivadas são nativas, o método de represamento da água é outro”, observa o analista André Farias, da Embrapa Territorial. “Essa diversidade é própria da atividade aquícola e é natural porque os contextos geográficos são diferentes, assim como as espécies cultivadas, o manejo, o objetivo. Isso se expressa no território e, então, para fazer um mapeamento do Brasil todo, há um grande desafio”, completa.

Como foi feito
O trabalho utilizou como base imagens de 2018 do sensor multiespectral MSI do satélite Sentinel-2, com média resolução espacial (dez metros). Elas foram geoprocessadas para identificar os pontos no território que podem corresponder a corpos d’água, a partir do cálculo do Índice de Água de Diferença Normalizada (NDWI, na sigla em inglês). O problema é que esse processamento não consegue diferenciar da água outros objetos que absorvem luz, como regiões de sombra e telhados.

Foto: Clênio Araújo

A equipe, então, fez uma varredura pelas áreas destacadas para identificar, visualmente, quais dos objetos selecionados pelo geoprocessamento realmente poderiam corresponder a baterias de viveiros escavados. Para isso, utilizou também imagens de alta resolução espacial, de diferentes satélites, em busca de elementos comumente presentes em áreas de produção aquícola, como aeradores e barracões para armazenagem de rações e equipamentos. “Aerador (foto à direita) é um elemento-chave: quando a gente consegue visualizar, e isso só é possível nas imagens de alta resolução, temos certeza de que se trata de aquicultura”, diz Farias.

Parte dos dados levantados foi validada em escritório, pelo cruzamento com outras bases de dados espaciais. Foram utilizadas informações fornecidas por órgãos estaduais de licenciamento ambiental e de agências de assistência técnica e extensão rural, além de dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), registro público eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais do País. O método utilizado está descrito na publicação técnica Mapeamento de viveiros escavados para aquicultura no Brasil por sensoriamento remoto.

Mapeamento de viveiros em Toledo (PR)

Somando forças
A identificação dos municípios responsáveis por, pelo menos, 75% da produção aquícola em cada estado foi feita a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o coordenador de estatísticas agropecuárias do instituto, Octávio Costa de Oliveira, a expectativa é que, agora, possa ser feito também o caminho contrário, com o mapeamento direcionando o trabalho dos recenseadores e da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), realizada anualmente. “Se eu consigo identificar, previamente ao trabalho do censo, onde podem existir unidades produtivas, isso pode garantir uma melhor cobertura do censo”, exemplifica.

O levantamento de informações da aquicultura pelo IBGE é recente. Os primeiros dados foram registrados no Censo Agropecuário 2006. Em 2013, a atividade passou a integrar a PPM e a contar, assim, com números anuais de volume e valor da produção. Mas apurar dados sobre uma cadeia produtiva ainda em desenvolvimento é um desafio, na avaliação de Oliveira. “Precisamos ter instrumentos para identificar os viveiros escavados anualmente, de forma mais rápida e que nos permita espacializar a produção. [O mapeamento] é um trabalho bastante relevante”, aponta.

“A aquicultura é um fenômeno espacial e dinâmico. Ao ‘colocá-la no mapa’, estamos mostrando onde esse fenômeno está ocorrendo, qual o caminho percorrido até agora e quais serão seus possíveis cenários de desenvolvimento. Dessa maneira, contribuímos para o aumento do acerto nos processos decisórios, principalmente para formulação de políticas públicas”, contextualiza Marta Ummus.

Mapeamento de viveiros em Mossoró (RN)

Em busca de parceiros
O banco de dados com o mapeamento de viveiros escavados é um ativo voltado a parcerias da Embrapa. O produto apresenta a localização e os limites vetorizados de cada bateria de viveiros, assim como informações sobre validação. “Há a oportunidade de associar outras variáveis ao mapeamento, fazer análises e gerar novos produtos. Estamos em busca de parceiros nos setores público e privado”, explica o analista Marcelo Fonseca, da Embrapa Territorial. “Se considerarmos a cadeia como um todo, esse tipo de produto pode pautar planos de desenvolvimento territorial, licenciamento ambiental, rastreabilidade, certificação, estatísticas nacionais, por exemplo”, detalha Magalhães.

O ativo já integra uma iniciativa de três instituições brasileiras com a Universidade de Cornell (Estados Unidos), para avaliar a pegada de carbono e impactos da expansão da aquicultura na Amazônia. Também já proveu informações à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU) e serviu de base para estudos solicitados pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), para definição de áreas a receberem projetos-piloto destinados ao setor. A Embrapa Territorial ainda se debruça sobre o desenvolvimento de algoritmos para automatizar o mapeamento da aquicultura por sensoriamento remoto e ampliá-lo para todo o Brasil.

Cadeia em constante crescimento
No Brasil, a aquicultura vem crescendo de maneira sólida nos últimos anos. A maior profissionalização da cadeia produtiva de valor, o acesso a tecnologias e a dados e informações organizados e, também, avanços em legislações nos níveis estaduais e nacional colaboram para esse cenário positivo.

Em especial, a piscicultura tem se destacado. Os números comprovam o bom momento da atividade. De acordo com o último anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), em 2022, a receita do setor girou em torno de 9 bilhões de reais. Foram produzidas mais de 860 mil toneladas de peixe, com o já costumeiro destaque para a tilápia, que respondeu por cerca de 64% desse volume.

Analisando-se os números divulgados pela associação nos últimos nove anos, percebe-se o crescimento da produção de peixes no País. Os números de 2014 indicavam quase 579 mil toneladas. Portanto, houve um incremento de mais de 48,5% entre 2014 e 2022. Também segundo a Peixe BR, a piscicultura gera no País, aproximadamente, 3 milhões de empregos, entre diretos e indiretos.

Projetos financiadores
O mapeamento dos viveiros escavados é resultado de dois projetos: Sistema de Inteligência Territorial Estratégica para Aquicultura no Brasil, que conta com financiamento do Fundo Amazônia e é operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em cooperação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); e BRS Aqua, financiado com recursos do Fundo Tecnológico do BNDES (Funtec/BNDES), da própria Embrapa, do Ministério da Pesca e Aquicultura, recurso executado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Também com recursos do BRS Aqua, além de outras iniciativas, a Embrapa lançou, em 2021, o geoweb do Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Aquicultura (SITE Aquicultura). Construída a partir de um sistema de informações geográficas (SIGs), a plataforma pode ser acessada na web e permite visualizar, sobre o mapa do Brasil, centenas de dados a respeito do segmento aquícola, organizados em seis quadros: aquícola, natural, agrário, agrícola, de infraestrutura e socioeconômico.

Fonte: Embrapa Territorial

Notícias

Brasil abre quase 100 novos mercados para aves e suínos e reforça posição global, diz Luis Rua no SBSA

Publicado em

em

Foto: O Presente Rural

Em meio a guerras, instabilidade logística e rearranjos no comércio global de alimentos, o Brasil segue ampliando espaço no mercado internacional de proteínas animais. A avaliação é do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, que concedeu entrevista exclusiva ao O Presente Rural durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó (SC). Segundo ele, o país vem acumulando recordes sucessivos nas exportações e consolidando uma posição rara no cenário global: a de fornecedor com escala, sanidade, competitividade e regularidade de oferta ao mesmo tempo.

“O Brasil tem batido recordes sucessivos, seja na carne bovina, seja na carne de aves, na carne suína, nos pescados”, afirmou. Na entrevista, Rua também chamou atenção para o avanço dos pescados, que, segundo ele, já despontam como “uma nova estrela nesse rol das proteínas animais”.

Articulação

O secretário atribuiu parte desse desempenho à articulação entre governo e entidades setoriais para destravar acessos comerciais e ampliar destinos para a produção brasileira. Ao tratar especificamente das cadeias de aves e suínos, ele afirmou que o trabalho inclui tanto carne quanto genética e ressaltou o alcance dos resultados mais recentes. “Nós abrimos próximo dos 100 mercados para essas duas cadeias produtivas”, disse.

No recorte mais amplo do agronegócio, Rua informou que o Brasil abriu 574 mercados nos últimos três anos e três meses. Dentro desse total, aproximadamente 100 estão ligados à proteína animal, com destaque para avicultura e suinocultura. Para ele, esse movimento não se resume a uma conquista diplomática ou comercial. Tem impacto direto na base produtiva do país. “Isso gera oportunidades, gera renda e gera emprego onde a gente mais precisa, que é no interior do nosso país”, afirmou.

Cadeias fortes

A fala dialoga diretamente com regiões como o Oeste catarinense e o Oeste paranaense, onde aves e suínos estruturam cadeias industriais, cooperativas, empregos e arrecadação. Ao participar do SBSA, Rua destacou a força econômica do segmento e a relevância estratégica da proteína animal dentro da pauta exportadora brasileira.

Mundo

Ao comentar o ambiente geopolítico, o secretário reconheceu o peso das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia sobre o humor dos mercados e as rotas comerciais. “Naturalmente é um clima de incerteza”, afirmou. Ainda assim, sustentou que o Brasil chega a esse cenário com atributos que poucos concorrentes conseguem reunir. “O Brasil tem algumas características que tornam ele, se não o único, uma das poucas geografias do mundo que podem apoiar nesse momento.”

Ele ainda enumerou os fatores que, na sua visão, explicam essa vantagem comparativa: “O Brasil pode apoiar porque tem qualidade, porque tem sanidade, porque tem quantidade, porque tem estabilidade no fornecimento, porque tem competitividade, tem sustentabilidade”. A leitura do secretário é de que, em tempos de conflito e incerteza, essa combinação pesa mais do que nunca na decisão de compra dos mercados importadores.

Frango

Rua usou o desempenho recente da carne de frango para exemplificar a capacidade de reação do setor brasileiro. Segundo ele, mesmo com o Oriente Médio entre os principais destinos da proteína avícola nacional e ao mesmo tempo no centro das tensões internacionais, o Brasil ampliou embarques em março. “O Brasil aumentou, inclusive, suas exportações”, declarou. De acordo com o secretário, a alta foi de 7% sobre março do ano passado, com volume de 490 mil toneladas.

Para ele, o dado reforça uma característica estrutural da cadeia. “Isso mostra que é um setor resiliente”, resumiu. E avançou: “É um setor que está acostumado a lidar com dificuldades, com desafios e faz isso com muita resiliência, com muito trabalho e com uma atuação coordenada entre o setor público e o setor privado.”

Mensagens

A entrevista de Luis Rua no SBSA reforça, portanto, três mensagens centrais do governo para o setor: o Brasil segue abrindo mercados em ritmo acelerado, as proteínas animais continuam entre os motores mais dinâmicos dessa expansão e, apesar das turbulências externas, o país tem conseguido transformar instabilidade global em oportunidade comercial. No caso de aves e suínos, a aposta é que essa combinação de acesso, oferta e credibilidade internacional continue sustentando a presença brasileira nos principais fluxos globais de proteína.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Notícias

Rede de monitoramento de CO₂ em áreas agrícolas no Sul do Brasil abre caminho para crédito de carbono

Projeto da UFSM mede emissões e captura em tempo real e indica potencial de monetização no campo. Dados mostram redução de gases com manejo e estimam receita de até US$ 33 milhões ao ano no Pampa.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Uma rede de monitoramento instalada em áreas agrícolas no Sul do Brasil está produzindo dados inéditos sobre a relação entre produção agropecuária e emissões de gases de efeito estufa. O sistema, coordenado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), utiliza torres de fluxo, tecnologia considerada a mais precisa para medir, de forma contínua, a troca de carbono entre o solo, as plantas e a atmosfera.

Foto: Ricardo Bonfanti

A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.

À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam que o diferencial está na consistência dos dados ao longo do tempo. “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono”, ressaltam.

Ao todo, nove torres estão distribuídas em diferentes sistemas produtivos, incluindo lavouras de soja, milho, trigo e arroz irrigado, além de áreas de pastagem natural no bioma Pampa, nos municípios gaúchos Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.

Os equipamentos realizam até 10 medições por segundo, registrando se o sistema está emitindo ou absorvendo dióxido de carbono (CO₂), além de variáveis como temperatura, radiação solar e precipitação. Na prática, o monitoramento permite calcular o chamado fluxo de carbono, o saldo entre o que é capturado pelas plantas durante a fotossíntese e o que é liberado por processos naturais. Esse acompanhamento contínuo mostra, em tempo real, quando uma área agrícola funciona como fonte ou como sumidouro de carbono.

Todos os dados são transmitidos automaticamente pela internet para o LABGEE, situado no prédio do INPE, onde são processados e analisados pelos pesquisadores e estudantes de pós-

Professora do Departamento de Física do CCNE da UFSM, Débora Roberti: “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo” – Foto: Arquivo pessoal

graduação de Física e Meteorologia, com apoio do meteorologista Murilo Lopes.

De meia em meia hora, por três anos

Como as medições são contínuas, com os dados gerados a cada 30 minutos, os pesquisadores conseguem acompanhar ao longo do ano a dinâmica de emissão e absorção de carbono em cada área monitorada. Com uma série anual completa, já é possível estimar o balanço de carbono de sistemas agrícolas, pecuários ou naturais e identificar quais práticas ampliam a captura ou intensificam as emissões.

Para aumentar a confiabilidade das análises, no entanto, o monitoramento precisa abranger períodos mais longos, já que a variabilidade climática entre safras interfere diretamente nos resultados. Por isso, os pesquisadores trabalham com um horizonte mínimo de três anos de coleta contínua de dados. “Esse é o destaque desta técnica, que está na vanguarda das metodologias de medida de gás do efeito estufa na atmosfera”, afirma Débora.

Manejo define se área emite ou captura carbono

Os resultados já apontam diferenças relevantes entre sistemas de produção. Em áreas de arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. Em lavouras com soja e trigo, a adoção de plantas de cobertura pode elevar em até três vezes a capacidade de captura de carbono por hectare.

No bioma Pampa, o manejo adequado das pastagens permite que a produção pecuária atue como captadora de carbono, compensando parte das emissões de metano dos bovinos. Por outro lado, áreas sem cobertura vegetal, como lavouras em pousio, tendem a se tornar emissoras.

Professor do Departamento de Solos do CCR da UFSM, Rodrigo Jacques: “Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono” – Foto: Arquivo pessoal

Os dados reforçam que o impacto climático da agropecuária depende diretamente das práticas adotadas no campo. Sistemas bem manejados podem inverter a lógica tradicional que associa produção rural apenas à emissão de gases de efeito estufa.

Além do aspecto ambiental, os resultados abrem espaço para monetização. Estimativas do próprio projeto indicam que, se metade das pastagens naturais do Pampa fosse direcionada à geração de créditos de carbono, o volume poderia chegar a 3,3 milhões de créditos por ano. A preços médios de US$ 10 por crédito, isso representaria cerca de US$ 33 milhões anuais.

O projeto reúne pesquisadores de diferentes áreas, como Física, Agronomia e Meteorologia, e envolve investimento de aproximadamente R$ 5 milhões. Os dados já começam a integrar bancos internacionais e são utilizados por grupos de pesquisa de outros países, ampliando a inserção do Brasil nas discussões globais sobre clima e produção de alimentos.

A expectativa é que, após três anos de monitoramento contínuo, período mínimo para consolidação dos dados, o sistema avance para novas culturas e projetos-piloto de crédito de carbono, com aplicação direta no campo.

Fonte: O Presente Rural com UFSM
Continue Lendo

Notícias

Biometano: da produção à distribuição é tema de fórum do setor

Especialistas discutem oportunidades e desafios no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR)

Publicado em

em

Assessoria

Uma abordagem integrada, que vai da produção à distribuição de biometano, será destaque no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB), realizado de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR). Com o tema Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído, o evento reunirá especialistas para discutir os principais avanços, desafios e oportunidades do setor.

 

A programação contempla painéis temáticos sobre produção, políticas públicas, mobilidade, investimentos, relação com o gás natural e perspectivas de mercado. Segundo o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz, integrante da comissão organizadora, o debate ganha relevância diante das novas oportunidades abertas pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que amplia a inserção do biometano na matriz energética brasileira. Outro ponto de destaque é o potencial do biometano na cadeia de proteína animal. “O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário, especialmente pela capacidade de geração a partir dos resíduos da produção animal. É uma oportunidade estratégica que precisa ser melhor explorada, sobretudo pelas oportunidades que se criam para substituir o óleo diesel pelo biometano em soluções de logística nestas cadeias”, afirma Kunz.

 

Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis (diesel evitado) e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.

 

Como já é tradição, o evento contará com uma programação prévia, que será realizada no dia 13, como reuniões técnicas, encontros e palestras. Já, a abertura oficial será no dia 14, seguindo com programação até dia 15, onde haverá espaço de negócios com mais de 70 empresas já confirmadas, momento startups de biogás, premiação “Melhores do Biogás”, vários painéis de debates sobre temas de interesse ao biogás. O dia 16 será dedicado a quatro roteiros de visitas técnicas.

 

A Embrapa é co-realizadora do evento e participa com especialistas na moderação e apresentação de painéis, além da organização de reuniões técnicas. Entre os destaques estão os painéis “O negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas”, com participação de Airton Kunz; “Biogás na Prática”, com moderação de Ricardo Steinmetz; e “Oportunidades e Desafios Setoriais”, com a participação de Fabiane Goldschmidt Antes.

 

O FSBBB é realizado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), pela Embrapa Suínos e Aves e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), com organização da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindústria (SBERA). Para maiores informações acesse: biogasebiometano.com.br.

 

Reunião técnica discutirá transporte no agronegócio

Como atividade pré-evento do FSBBB e com um olhar mais direcionado à distribuição, será realizada a Reunião Técnica Transporte a Biometano no Agronegócio, no dia 13 de abril, das 14 às 16 horas, no Hotel Bourbon Cataratas Resort, como atividade pré-evento. O encontro abordará temas como corredores rodoviários sustentáveis, descarbonização da cadeia agroindustrial, novas tecnologias e o uso de caminhões a gás e modelos dual fuel.

 

Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.

 

A reunião também apresentará casos práticos, incluindo uma unidade rural produtora de biometano com abastecimento de caminhões e experiências no transporte de proteína animal. A iniciativa é organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Fetranspar, Embrapa, Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN) e Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás). Gratuito, o encontro pré-evento é voltado a produtores de biogás e biometano, além de profissionais das áreas de logística, transporte e gestão de frotas. As inscrições podem ser feitas pelo link.

 

Trilha de atualização conecta especialistas e laboratórios de biogás

Outro momento que antecede a programação oficial do FSBBB é a Trilha de Atualização para Laboratórios de Biogás e Biometano, marcada também para o dia 13, das 8 às 17 horas. A trilha reunirá profissionais vinculados ao Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Biogás, participantes de ensaios de proficiência, representantes de laboratórios, pesquisadores, estudantes e demais interessados. O encontro será um espaço dedicado à troca de experiências e ao compartilhamento de informações entre os atores que atuam na área.

 

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas até o dia 10 de abril, pelo link do evento, com vagas limitadas a 50 participantes. A atividade será presencial. O encontro ocorrerá no Itaipu Parquetec (Av. Tancredo Neves, 6731, bairro Jardim Itaipu, em Foz do Iguaçu). A iniciativa é promovida pelo CIBiogás, Embrapa Suínos e Aves, Senai/SC, Inmetro e Universidade de Caxias do Sul, com fomento do NAPI Biogás.

 

A programação da manhã será marcada por apresentações voltadas à avaliação de substratos e ao uso de ensaios interlaboratoriais como ferramenta de controle de qualidade, além de discussões sobre novas rodadas de ensaios de proficiência. Também serão abordadas as principais fontes de erro na medição de biometano. O período da manhã inclui ainda uma visita técnica ao laboratório do CIBiogás.

 

À tarde, os temas se concentram em ferramentas microbiológicas para eficiência energética, relatos práticos sobre processos de acreditação de laboratórios e o uso de calculadoras científicas na otimização da digestão anaeróbia. A programação se encerra com uma mesa redonda sobre a jornada de acreditação, seguida de alinhamentos para ações futuras.

 

Fonte: Embrapa Suínos e Aves
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.