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Mapa expõe a nova geografia dos javali no Brasil

Ao revelar em primeira mão um novo retrato da presença de suídeos asselvajados no país, Lia Coswig mostrou que o desafio brasileiro já não está em autorizar o controle, mas em proteger um patrimônio sanitário diante de uma ocupação territorial mais ampla e persistente.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O Brasil chega a 2026 com um ativo sanitário que poucos países produtores de proteína animal ostentam. A suinocultura nacional avançou no controle das principais enfermidades virais, ampliou zonas livres, fortaleceu seu sistema de vigilância e consolidou um patrimônio sanitário que sustenta mercado, produção e credibilidade. O problema é que esse ativo convive, cada vez mais, com uma pressão aguda no território: a expansão dos suídeos asselvajados. Foi essa contradição que a palestra de Lia Coswig, do Departamento de Saúde Animal do MAPA. “O meu papel hoje é apresentar mais o lado desse prisma da legislação”, afirmou.

Lia Coswig, do Departamento de Saúde Animal do MAPA: “O Brasil é um país que tem se esforçado bastante, tem feito o seu dever de casa. Nós orgulhosamente podemos dizer que somos livres atualmente das principais doenças virais de maior impacto” – Fotos: Divulgação/Abraves

Mas a parte mais forte da apresentação não foi jurídica. Foi territorial. Lia revelou em primeira mão um novo mapa de percepção da presença de suídeos asselvajados no país, construído a partir de questionários aplicados ao serviço veterinário oficial. “Em 2019, o Ministério da Agricultura fez um questionário para o Serviço Veterinário Oficial de todo o Brasil responder sobre a sua percepção de presença de suídeos asselvajados”, lembrou. Naquele momento, a cobertura já era relevante. Agora, o retrato ficou mais amplo: “83% dos municípios responderam e esse ano nós conseguimos 99% das respostas.”

O impacto desse dado vai além da estatística. Ele significa que o país passou a enxergar melhor o problema e que esse problema não está parado. O mapa exposto por Lia sugere uma percepção territorial mais disseminada da presença desses animais, inclusive em áreas que, no imaginário de parte do setor, não costumavam ocupar o centro do debate. Ao comentar os resultados, ela chamou atenção para a força do fenômeno em estados como do centro-oeste e norte do país. “O Pará reforça a presença da asselvajaria dentro do bioma amazônico”, disse. Sobre Roraima, observou que o estado, antes menos destacado, agora aparece com mais força e já acumula evidências e imagens de campo.

Esse é o ponto que muda a leitura da pauta para a suinocultura. O risco sanitário não está apenas onde o setor historicamente aprendeu a olhar. Ele começa a se revelar também em novas geografias, inclusive em áreas onde a percepção anterior era mais frouxa ou incompleta.

O risco pesa mais

Foto: Shutterstock

Ao longo da apresentação, Lia insistiu num argumento que precisa ser levado a sério: a preocupação com os suídeos asselvajados cresce justamente porque o Brasil construiu um estatuto sanitário que vale muito. “O Brasil é um país que tem se esforçado bastante, tem feito o seu dever de casa. Nós orgulhosamente podemos dizer que somos livres atualmente das principais doenças virais de maior impacto”, citando o avanço sanitário alcançado pela suinocultura e o trabalho em curso para ampliar áreas livres de peste suína clássica.

A lógica é cristalina. Quanto mais robusto o patrimônio sanitário, maior o custo potencial de qualquer brecha territorial. Não se trata apenas de evitar perda imediata no campo, mas de proteger um sistema inteiro que depende de previsibilidade, barreiras sanitárias e capacidade de resposta. A palestra recoloca, assim, a discussão dos javalis no lugar certo: não como apêndice ambiental, mas como variável de risco dentro da defesa agropecuária.

O problema não é mais ausência de lei

O problema não é mais ausência de lei. Foi nesse contexto que Lia organizou o bloco legislativo da palestra. O ponto central não era provar que o controle é permitido, mas mostrar que o país já montou, há mais de uma década, a base normativa que deveria sustentar uma resposta mais ampla. “Em 2013, o Ibama fez uma legislação nacional, declarou o javali como uma espécie exótica invasora e autorizou o seu controle”, lembrou. E foi além: “Desde 2013, o controle populacional do javali não só é permitido como ele deveria ser uma questão obrigatória.”

Para ela, o Brasil não está travado porque não sabe o que fazer ou porque a norma não existe. O país já dispõe de legislação federal, comitês, grupo técnico, plano nacional, sistema de registro de avistamentos e instrumentos sanitários complementares. O que a palestrante sugere, de forma bastante clara, é que o desafio real passou a ser outro: fazer a regulação sair do papel e ganhar escala territorial compatível com o problema.

O mapa da presença exige o mapa da resposta

Foto: Divulgação

Ao detalhar a arquitetura institucional, Lia lembrou a criação do comitê permanente, do grupo de assessoramento técnico e do Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali no Brasil. “Nós temos legislação, nós temos as normas que autorizam essa questão do controle. O controle do javali não é uma obrigação nem do Ibama, nem do Ministério da Agricultura. Ele é uma autorização para todos nós.”

Para Lia, esse olhar tira o tema da esfera exclusivamente estatal e o recoloca dentro de uma lógica compartilhada entre produtores, controladores, órgãos sanitários, meio ambiente e território. Ao mesmo tempo, ela expõe o tamanho do impasse brasileiro: a autorização existe, mas a execução concreta segue desigual, dependente de adesão local, estrutura, articulação e capacidade de transformar vigilância em ação.

A suinocultura já entrou na norma

Foto: Divulgação

Se o novo mapa revelou onde o problema está sendo percebido, Lia mostrou também que a resposta do MAPA já começou a entrar, de forma explícita, nas exigências de biosseguridade da cadeia. Ao comentar a revisão da norma voltada às granjas de reprodutores certificadas, ela chamou atenção para uma mudança de enfoque: “Essa não é uma norma sanitária. A norma agora para certificação de granjas de suínos reprodutores, ela é uma norma de biosseguridade.”

Significa que o tema deixou de ser tratado apenas como controle de doença declarada e passou a ser absorvido como prevenção estrutural. Lia explicou esse raciocínio ao descrever os objetivos da norma. “Dentro das medidas preconizadas nessa norma, a gente tem as medidas para impedir ou mitigar a entrada de patógenos na granja, mitigar a transmissão dentro da granja e mitigar a transmissão para fora da granja.”

Nesse ponto, o javali deixa de ser abstração e entra na cerca. “Um dos pontos dessa norma é justamente uma das exigências… termos cercas de altura adequada para tentar impedir o acesso de suídeos selvagens”, afirmou. Ela citou que asselvajados podem saltar até 1,50 metro, por isso a recomendação são de cercas de 1,80 metro. Não se trata de uma hipótese. Trata-se de uma ameaça considerada no desenho normativo da biosseguridade oficial.

Quando o animal já não está só no mato

Talvez o momento mais incômodo da palestra tenha sido quando Lia exibiu imagens de Roraima e chamou atenção para leitões com listras típicas de javali. “Esses bichinhos paradinhos aqui demonstram que em algum momento aquela fêmea teve contato com um javali”, disse. E arrematou com uma frase que sintetiza a gravidade da situação: “Isso é para mostrar que eles estão não só soltos na natureza, eles estão dentro dos criatórios também.”

O problema não é apenas a circulação do animal no ambiente. É o contato direto com a base produtiva, com tudo o que isso pode representar em termos de biosseguridade, hibridação, patógenos e fragilidade sanitária.

A amostra vale mais quando o manejo vira cooperação

Lia também trouxe um ponto operacional importante ao comentar as normas estaduais que autorizam o transporte de carcaça em troca da entrega de amostras. Na prática, ela mostrou como parte dos estados passou a usar a própria dinâmica do controle para fortalecer a vigilância sanitária. “Eu autorizo o transporte da carcaça e vocês me entregam a amostra de sangue (para análise do Serviço Veterinário Oficial)”, resumiu. Em seguida, explicou o efeito prático desse arranjo: “Hoje muitos estados têm um número maior de amostras graças às suas legislações estaduais.”

É uma informação importante porque mostra que o país começa a construir pontes mais funcionais entre controle populacional e defesa sanitária. O dado interessa diretamente à suinocultura, já que amplia a capacidade de vigilância sobre uma população animal que pode operar como elo epidemiológico fora do plantel comercial.

O alerta do MAPA é mais profundo do que parece

Lia Coswig entregou algo maior do que um resumo de normas. Ela mostrou que o Brasil já tem autorização, instrumentos e base legal para agir, mas que o problema está ganhando corpo exatamente no momento em que a suinocultura acumula conquistas sanitárias valiosas demais para serem colocadas em risco. O mapa novo apresentado pelo MAPA não é apenas uma imagem de presença. É uma advertência institucional: o território está falando mais alto, em mais lugares, e com mais nitidez.

Para a suinocultura, o recado é claro. A legislação, sozinha, não protege granjas. O que protege é a conversão dessa legislação em vigilância, cerca, coleta de amostra, resposta coordenada e percepção precoce do risco. O país já construiu a moldura normativa. Agora precisa provar que consegue fazer o mais difícil: impedir que os suídeos asselvajados avancem mais rápido do que a capacidade de defesa de um dos seus maiores ativos sanitários.

A edição digital do jornal está disponível gratuitamente para leitura online no portal de O Presente Rural, acesse clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

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Fotos: Shutterstock

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

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Foto: Shutterstock

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais

Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

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Foto: Divulgação

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.

Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.

O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.

Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.

Fonte: O Presente Rural
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