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Mapa cria grupo para monitorar impactos do El Niño e regulamenta coprodutos do etanol de milho
Portarias assinadas durante o lançamento do Plano Safra 2026/2027 tratam da gestão de riscos climáticos e estabelecem regras para produtos destinados à alimentação animal.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, na terça-feira (30), duas portarias voltadas à gestão de riscos climáticos e à cadeia do etanol de milho. As medidas foram assinadas durante o lançamento do Plano Safra 2026/2027, em Brasília.
Uma das portarias cria um Grupo de Trabalho (GT) para avaliar os impactos do fenômeno El Niño sobre a produção agropecuária brasileira e elaborar estratégias de mitigação e proteção aos produtores rurais.

Foto: Percio Campos/Mapa
O grupo será formado por representantes do Ministério da Agricultura, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Embrapa. Entre as atribuições estão identificar as regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno climático, com foco em culturas como soja, milho, trigo, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca.
Além do diagnóstico, o GT deverá propor medidas de adaptação e mitigação, bem como elaborar estudos técnicos para subsidiar ações de enfrentamento dos impactos climáticos sobre a agropecuária.
A segunda portaria estabelece, pela primeira vez, o padrão oficial de identidade e qualidade para produtos da biorrefinaria de milho e de outros cereais amiláceos destinados à alimentação animal, entre eles o DDG (grãos secos de destilaria), coproduto da produção de etanol de milho.
A regulamentação define os requisitos de identidade e qualidade desses produtos, além de padronizar critérios de classificação, rotulagem e fiscalização. A norma também estabelece conceitos relacionados aos produtos da biorrefinaria e às unidades industriais responsáveis pelo processamento de milho e outros cereais para a produção de etanol.
Segundo o Ministério da Agricultura, a medida busca ampliar a segurança jurídica para produtores, indústrias e compradores, além de fortalecer a cadeia do etanol de milho e ampliar as oportunidades de comercialização de seus coprodutos.

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Esmagamento recorde redesenha equilíbrio entre óleo e farelo em 2026/27
Brasil, Estados Unidos e Argentina ampliam processamento e elevam a disponibilidade dos derivados.

O segundo semestre de 2026/27 projeta um cenário de maior oferta no complexo soja e tendência de preços mais baixos para parte dos derivados, segundo dados da Consultoria Agro Itaú BBA.
Para o período, o óleo de soja deve seguir relativamente mais valorizado em relação ao farelo. O suporte vem principalmente da demanda ligada aos biocombustíveis e da correlação com o petróleo, que também adiciona volatilidade ao mercado, como observado no recuo registrado no fim de maio em meio às negociações entre Estados Unidos e Irã.

Foto: Shutterstock
Já o farelo de soja tende a enfrentar pressão maior devido ao aumento da oferta global. O esmagamento deve atingir níveis recordes nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina, ampliando a disponibilidade do derivado. Apesar disso, as exportações brasileiras de farelo já superam o ritmo do ano passado, indicando demanda firme no mercado externo.
Na Argentina, o line-up de farelo de soja para junho aponta embarques próximos de 1,8 milhão de toneladas, abaixo das 2,4 milhões de toneladas registradas em maio. No acumulado do ano, as exportações somam 6,5 milhões de toneladas, ainda 7,5% abaixo do mesmo período do ciclo anterior. A expectativa, no entanto, é de retomada do ritmo nas próximas semanas.

Foto: Divulgação
Com a redução gradual dessa diferença em relação ao ano passado, a tendência é de aumento da concorrência no mercado internacional e maior pressão sobre os prêmios brasileiros, especialmente entre junho e agosto.
A boa oferta sul-americana, combinando maior esmagamento e maior disponibilidade de farelo e óleo, deve manter o abastecimento global confortável nas próximas semanas. Ao mesmo tempo, os contratos futuros do óleo em Chicago indicam viés de queda nas cotações, refletindo a expectativa de maior oferta no segundo semestre e um mercado considerado invertido.
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Fretes rodoviários permanecem em alta impulsionados pela safra recorde
Boletim Logístico da Conab aponta demanda aquecida pelo transporte de grãos, mesmo após o pico da colheita da soja. Paraná registra pressão sobre custos em rotas específicas.

A perspectiva de uma safra recorde de grãos segue sustentando os preços dos fretes rodoviários em importantes corredores logísticos do país. A avaliação consta no Boletim Logístico de junho, divulgado na terça-feira (30) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo o levantamento, o mercado de transporte permaneceu aquecido mesmo após o encerramento do período de maior intensidade da colheita da soja, quando normalmente seria esperada uma redução na demanda e, consequentemente, nos preços dos fretes.

Foto: Márcio Ferreira
De acordo com a Conab, a produção recorde de soja, com acréscimo de 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior, continua impulsionando a necessidade de transporte de grãos, mantendo os valores dos fretes próximos aos registrados entre fevereiro e março, período de maior movimentação da safra.
Em Mato Grosso, principal produtor de grãos do país, os preços apresentaram apenas pequenas oscilações em comparação com o mês anterior e permaneceram em níveis elevados.
Em Mato Grosso do Sul, a demanda por transporte também continuou forte em maio, sustentada pelo fluxo de escoamento da produção e pelas negociações voltadas ao mercado externo, mesmo após o fim da colheita da safra de verão.
No Distrito Federal, os fretes agrícolas registraram alta moderada ao longo de maio. O avanço foi influenciado pelo aumento do custo do diesel e pela continuidade do transporte das safras de soja e milho produzidas no Centro-Oeste.
No Maranhão, a Conab também verificou aumento nos preços dos fretes. Em maio, a colheita da soja alcançou 92% da área cultivada, enquanto a do milho chegou a 27%. O avanço das colheitas intensificou a movimentação de grãos por rodovias e ferrovias, tanto para abastecimento interno quanto para exportação pelo Porto do Itaqui. Nesse cenário, os fretes subiram cerca de 1,2% em relação a abril.

Foto: Divulgação
No Paraná, o boletim aponta variações pontuais nos fretes em comparação com abril, com pressão sobre os custos em rotas específicas. O cenário foi influenciado pelo preço médio do diesel S-10, cotado a R$ 6,38 por litro, e pela elevada demanda sobre a infraestrutura de transporte rodoviário.
Em contrapartida, Goiás e Bahia registraram redução na movimentação de fretes durante maio. A desaceleração acompanhou o calendário agrícola, marcado pelo encerramento da colheita da soja e pelo período que antecede a intensificação da colheita do milho de segunda safra.
Situação semelhante foi observada no Piauí, onde os preços dos fretes recuaram em relação a abril. Segundo a Conab, a queda está associada à redução de 22% nas exportações de soja, equivalente a 64 mil toneladas a menos embarcadas.
Em São Paulo, os fretes também apresentaram recuo após as altas registradas no início do ano. A redução foi atribuída à queda nos custos do diesel e à menor demanda da indústria, apesar da continuidade do ritmo aquecido do agronegócio.
Exportações

Foto: Cláudio Neves
Os embarques brasileiros de milho somaram 7,5 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026, acima dos 6,1 milhões registrados no mesmo período de 2025, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Do total exportado, 33,5% passaram pelos portos do Arco Norte. O Porto de Santos respondeu por 26,5% dos embarques, seguido por Paranaguá, com 9,6%, e Rio Grande, com 19,5%.
As exportações de soja alcançaram 55,1 milhões de toneladas no acumulado até maio. Os portos do Arco Norte concentraram 38,5% do volume embarcado, enquanto Santos respondeu por 36,8%. Paranaguá participou com 14,2% e São Francisco do Sul com 4,5%.
Fertilizantes

Foto: Claudio Neves
O boletim também mostra que as importações brasileiras de fertilizantes somaram 15,05 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026, abaixo das 15,27 milhões registradas no mesmo período do ano anterior.
Segundo a Conab, as compras realizadas em maio foram as menores para o período desde 2022. O documento destaca que os elevados custos dos fertilizantes, as incertezas relacionadas ao cenário no Oriente Médio e os impactos esperados do fenômeno El Niño continuam sendo fatores de atenção para a produção agrícola mundial.
Além da análise do mercado logístico, o Boletim Logístico de junho reúne informações sobre a movimentação dos estoques da Conab realizada por transportadoras contratadas por meio de leilão eletrônico.
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Brasil propõe reforço ao fundo do Mercosul e defende integração para enfrentar desafios globais
Na cúpula do bloco, governo anuncia intenção de ampliar aporte ao Focem, destaca avanço do comércio regional e defende ações conjuntas em infraestrutura, clima, energia, segurança e democracia.

O fortalecimento da integração regional, a ampliação dos investimentos em infraestrutura e uma atuação conjunta diante de desafios como mudanças climáticas, transição energética, segurança pública e desinformação marcaram a posição defendida pelo Brasil na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, realizada nesta terça-feira (30), em Assunção, no Paraguai.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Durante o encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o bloco precisa ampliar sua capacidade de cooperação para responder ao cenário internacional de crescente polarização e anunciou a disposição do Brasil de reforçar os investimentos no Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). “Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica. O Mercosul permanece como o principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada”, afirmou.
A principal proposta apresentada pelo governo brasileiro foi o lançamento de uma nova etapa do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), mecanismo criado para reduzir as desigualdades entre os países do bloco por meio do financiamento de obras de infraestrutura, saneamento, habitação, energia e projetos sociais.
O Brasil manifestou disposição para elevar sua participação no fundo, com aportes de US$ 100 milhões por ano durante uma década. “O Mercosul precisa fazer diferença na vida das pessoas. Desde sua criação, o Focem já financiou mais de mil quilômetros de rodovias, 680 quilômetros de ferrovias, 750 quilômetros de linhas de transmissão elétrica, 100 quilômetros de redes de saneamento básico. Estamos prontos para lançar o Focem-II e aumentar a contribuição brasileira, com aporte de 100 milhões de dólares anuais ao longo de uma década”, mencionou.
Comércio regional amplia peso do bloco
O governo brasileiro também destacou a evolução econômica do Mercosul desde sua criação. O comércio entre os países do bloco passou de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para mais de US$ 50 bilhões

Foto: Ricardo Stuckert/PR
em 2025, enquanto o intercâmbio comercial com o restante do mundo alcançou quase US$ 760 bilhões no último ano, crescimento superior a 6% em relação a 2024.
As exportações do bloco superaram US$ 400 bilhões no período. “Desde sua criação, o comércio entre nós passou de 4,5 bilhões de dólares, em 1991, para mais de 50 bilhões em 2025. No ano passado, nosso intercâmbio com o resto do mundo cresceu mais de 6% em relação a 2024 e alcançou quase 760 bilhões de dólares, com exportações superiores a 400 bilhões. Voltamos a olhar para o mundo com ambição”, ressaltou Lula.
Cooperação para enfrentar os efeitos do clima
A preparação para novos eventos climáticos extremos foi apontada como uma das prioridades da agenda regional. A avaliação apresentada pelo Brasil considera que a previsão de um novo episódio de El Niño reforça a necessidade de ampliar a coordenação entre os países sul-americanos para reduzir impactos sobre a economia, a agricultura e a infraestrutura. “A Organização Meteorológica Mundial já alerta sobre a necessidade de preparação para um El Niño que agravará secas, provocará chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor. Nossos países sofreram as consequências nefastas desse fenômeno em 2023”, salientou.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Segundo Lula, temas como mudanças climáticas, transição energética, transformação digital, saúde e combate ao crime organizado exigem respostas coordenadas entre os governos da região. “O projeto de integração sul-americano deve estar acima de ideologias. A crise climática, a transição energética, a transformação digital, o enfrentamento ao crime organizado transnacional e a promoção da saúde exigem uma capacidade de coordenação regional sem precedentes”, frisou.
Energia renovável e minerais críticos entram na agenda
Outro eixo da estratégia brasileira é ampliar a cooperação em torno da transição energética. O governo defendeu maior integração dos sistemas elétricos e da infraestrutura de gás natural entre os países do bloco, além do desenvolvimento de cadeias produtivas ligadas ao hidrogênio verde e ao combustível sustentável de aviação (SAF). “Nosso bloco está na vanguarda da transição energética global. Somos detentores de uma matriz elétrica limpa e a geração eólica e solar cresce exponencialmente. Reunimos condições únicas para o desenvolvimento de combustível sustentável de aviação e de hidrogênio verde. Avançar na integração elétrica e gasífera é essencial para garantir complementaridade entre diferentes fontes e aprimorar nossa resiliência energética”, enfatizou Lula.
O Brasil também defendeu uma estratégia regional para o aproveitamento dos chamados minerais críticos, considerados essenciais para a indústria de baterias, equipamentos eletrônicos e

Foto: Ricardo Stuckert/PR
tecnologias de baixo carbono. A proposta inclui o desenvolvimento de cadeias produtivas de maior valor agregado e a elaboração de um diagnóstico conjunto sobre o potencial mineral da região. “Possuímos reservas abundantes de minerais críticos, ativos indispensáveis para a descarbonização e a revolução digital. Desenvolver cadeias regionais que incluam etapas de maior valor agregado é uma questão de segurança nacional e soberania. Ainda não dispomos de um mapeamento comum do nosso potencial nem de um diagnóstico sobre projetos estratégicos que podem ser desenvolvidos conjuntamente. O Mapa do Caminho para Plano de Minerais Críticos do Mercosul, apresentado pelo Paraguai, é um ponto de partida para reforçar a autonomia estratégica de nossos países”, destacou.
Democracia e segurança regional
A pauta política também ocupou espaço na reunião. O governo brasileiro defendeu o fortalecimento das instituições democráticas diante do avanço da desinformação e propôs maior cooperação para proteção de grupos vulneráveis e combate à violência contra as mulheres. “A democracia voltou a estar ameaçada no mundo todo. Em nossa região, não é diferente. Redes de desinformação continuam desvirtuando o debate público e tentando enfraquecer a confiança nas instituições”, relatou.
Na área de segurança, a avaliação foi de que o crime organizado transnacional exige uma atuação mais integrada entre os países, especialmente por meio do compartilhamento de informações e da cooperação policial, judicial e financeira. “Não há democracia forte ou desenvolvimento duradouro onde o crime organizado corrói a autoridade legítima do Estado. O crime organizado controla territórios, intimida comunidades, destrói o meio ambiente, alimenta a corrupção, desvia recursos públicos e expande sua atuação para o mundo digital.

Foto: Divulgação
Nossa cooperação policial, judicial e financeira precisa atuar na mesma escala”, expôs Lula.
Defesa da autonomia do bloco
Ao encerrar sua participação, Lula defendeu que o Mercosul preserve sua autonomia nas relações internacionais e amplie as parcerias comerciais e políticas sem alinhamentos automáticos. “Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses. Diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que a região encontre seu espaço em um mundo em transformação”, enalteceu.
O presidente também pediu que os países aproveitem o próximo semestre para consolidar as instituições do Mercosul, garantindo maior estabilidade ao funcionamento do bloco independentemente das mudanças de governo. “E é por isso que eu queria que a gente faça um esforço nestes seis meses para consolidar a instituição de apoio ao Mercosul, para que ela funcione perfeitamente bem, independentemente do presidente a ser eleito em qualquer país do nosso bloco”, frisou.



