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Manejo reprodutivo de precisão impulsiona eficiência na suinocultura brasileira

Avanço da inseminação pós-cervical e do diagnóstico precoce de gestação reduz perdas, melhora índices produtivos e amplia o aproveitamento genético dos plantéis.

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A reprodução eficiente é um dos pilares da sustentabilidade da suinocultura moderna. Em um cenário cada vez mais competitivo, a aplicação de tecnologias reprodutivas de precisão tem‑se tornado decisiva para o aumento dos índices produtivos e o melhor aproveitamento genético dos plantéis. Nesse contexto, a combinação entre o diagnóstico precoce de gestação e a inseminação artificial pós‑cervical (PCIA) representa um avanço expressivo rumo a um manejo mais racional, previsível e rentável.

“Identificar porcas vazias o quanto antes é fundamental para evitar prejuízo. Com um ultrassom de qualidade, você já consegue um diagnóstico preciso a partir do 18º dia após a inseminação. Isso permite que as fêmeas não prenhes voltem mais rápido para o manejo reprodutivo, diminuindo os dias não produtivos e consequentemente melhorando a eficiência da granja”, destaca Ricardo Zanella, consultor técnico da IMV Technologies do Brasil”.

Mais do que um instrumento diagnóstico, o ultrassom de precisão torna-se um aliado na tomada de decisão, permitindo o controle efetivo do ciclo reprodutivo e a melhoria contínua dos indicadores zootécnicos. Quando combinado a técnica de inseminação pós-cervical, (PCIA), forma-se um sistema reprodutivo de alta performance e previsibilidade.

Evolução e panorama da inseminação artificial na suinocultura brasileira

A Inseminação Artificial (IA) consolidou-se como uma das principais estratégias para ganhos genéticos e eficiência produtiva dos rebanhos. Segundo levantamento recente, o Brasil contava em 2023 com 9.763 machos em Centrais de Inseminação e 2,06 milhões de matrizes distribuídas em 1.725 granjas. A média nacional foi de 30 leitões desmamados por fêmea/ano, com o grupo de elite (top 10%) alcançando 37,2 leitões, o que reflete o avanços técnicos do setor.

Os números demonstram também a alta eficiência reprodutiva obtida por meio do melhoramento contínuo dos processos: 2,4 a 2,5 partos por fêmea/ano, 90% de taxa média de prenhez e 2,88 inseminações por ciclo. A técnica pós-cervical (PCIA) já é utilizada em mais de 70% das inseminações realizadas em porcas adultas, embora sua aplicação em leitoas ainda enfrente limitações práticas, como diferenças anatômicas e exigência de maior habilidade técnica.

IA pós-cervical: eficiência, desafios e oportunidades

A IA pós-cervical representa uma evolução em relação à técnica tradicional, com benefícios diretos à eficiência reprodutiva e ao manejo diário. O método utiliza menor volume e concentração da dose inseminante, dispensando a necessidade de macho durante o processo e reduzindo significativamente o tempo de inseminação.

Figura 1 – Comparativo entre as taxas médias de prenhez obtidas com a inseminação tradicional e a inseminação artificial pós-cervical em marrãs (PCIA). Observa-se incremento de 5 pontos percentuais em favor da PCIA, demonstrando maior eficiência do método. Fonte: Dados experimentais do Projeto Fontana/Universidade de Passo Fundo (2024, dados não publicados).

Entre as principais vantagens, destacam-se:

Maior eficiência no uso do sêmen, com redução de volume e concentração espermática por dose

Redução de custos operacionais e melhor aproveitamento genético de machos superiores

Aumento das taxas de concepção e prenhez, com menor tempo de execução da IA

Redução do estresse nas fêmeas e otimização da rotina de trabalho

Padronização dos protocolos e ganho de produtividade por operador

Figura 2 – Tempo médio de inseminação (em segundos) comparando o método tradicional e o pós-cervical em marrãs. A PCIA apresentou redução significativa, indicando maior agilidade e uniformidade no processo. Fonte: Dados experimentais do Projeto Fontana/Universidade de Passo Fundo (2024, dados não publicados).

Técnica

Contudo, a implementação da técnica requer treinamento avançado, sêmen de alta qualidade e dispositivos adequados ao trato reprodutivo de marrãs, que apresentam maior sensibilidade anatômica. “A PCIA exige técnica e controle. Quando bem aplicada, proporciona segurança, velocidade e uniformidade nas inseminações, com resultados reprodutivos superiores”, afirma Zanella.

Evidências práticas: resultados do Projeto Fontana/UPF (RS, 2024)

A viabilidade técnica da IA pós-cervical em leitoas foi avaliada no Projeto Fontana – T1, realizado na Granja Fontana, em Charrua (RS), com 2.500 matrizes. O estudo comparou o uso da Inseminação Pós Cervical (PCIA) com a inseminação tradicional em condições de campo, totalizando 213 inseminações, sendo 112 tradicionais e 101 pós-cervicais.

Os resultados foram expressivos:

100% de taxa de passagem do cateter pós-cervical

0% de ocorrência de lesões no trato reprodutivo

Taxa de prenhez de 93% na PCIA, contra 88% na inseminação tradicional

Tempo médio de inseminação de 88,4 segundos, significativamente menor e mais uniforme que os 114 segundos observados no método convencional

Número médio de leitões nascidos vivos semelhante entre os grupos: 13,2 (PCIA) vs. 13,7 (tradicional).

Figura 3 – Número médio de leitões nascidos vivos por fêmea inseminada. O desempenho reprodutivo foi estatisticamente semelhante entre os métodos, comprovando a viabilidade da PCIA para leitoas. Fonte: Dados experimentais do Projeto Fontana/Universidade de Passo Fundo (2024, dados não publicados).

Viável

Esses dados reforçam que a técnica é plenamente viável para uso em leitoas, desde que aplicados protocolos padronizados e profissionais capacitados. A uniformidade no tempo de aplicação e o alto índice de prenhez indicam maior previsibilidade operacional e melhor eficiência de manejo, fatores determinantes para o sucesso em granjas de médio e grande porte.

Precisão e tecnologia a favor da reprodução

O avanço das biotecnologias aplicadas à reprodução suína reflete a evolução de um setor que busca reduzir perdas e maximizar resultados com base em dados. Nesse cenário, o diagnóstico precoce de gestação por ultrassonografia complementa os ganhos da inseminação pós-cervical, permitindo decisões rápidas quanto ao reagrupamento de fêmeas vazias, ajuste de coberturas e controle sanitário.

Figura 4 – Crescimento da adoção da inseminação artificial pós-cervical (PCIA) no Brasil. A técnica passou de 10% em 2015 para 70% em 2023, consolidando-se como padrão de eficiência nas granjas tecnificadas. Fonte: Estimativas de mercado e literatura técnica. Elaboração IMV Technologies do Brasil (2025).

Tomada de decisões

“Mais do que um equipamento, o ultrassom de precisão se consolida como um aliado na tomada de decisões. Ele fornece dados confiáveis que favorecem o controle do ciclo reprodutivo e o aprimoramento dos indicadores zootécnicos”, reforça Zanella.

A integração entre diagnóstico precoce e inseminação eficiente forma a base de um manejo reprodutivo inteligente, onde cada etapa é orientada por informação técnica, previsibilidade e resultados mensuráveis.

Considerações finais

A inseminação pós-cervical representa um avanço consistente na reprodutividade da suinocultura moderna, oferecendo maior eficiência, menor custo e melhor aproveitamento genético. Quando aliada a tecnologias de diagnóstico precoce, amplia-se o potencial de controle produtivo e reprodutivo das granjas, fortalecendo a sustentabilidade econômica e biológica do sistema. “O futuro da reprodução suína passa pela integração entre conhecimento técnico, inovação e precisão. O objetivo é simples: gerar mais leitões com menos recursos, de forma segura, eficiente e sustentável”, enfatiza Zanella.

A consolidação dessas práticas depende da formação contínua de equipes, do monitoramento dos indicadores reprodutivos e do uso de tecnologias confiáveis, transformando dados em decisões e decisões em produtividade.

Fonte: O Presente Rural

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Suíno vivo varia entre R$ 6,63 e R$ 6,94 nas principais praças do país

Levantamento do Cepea mostra diferenças nas cotações entre os estados produtores.

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Os preços do suíno vivo apresentaram pequenas variações entre os principais estados produtores do país na segunda-feira (09), de acordo com dados do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Em Minas Gerais, o animal foi cotado a R$ 6,76 por quilo, sem variação no dia nem no acumulado do mês. No Paraná, o preço ficou em R$ 6,70/kg, com queda diária de 0,15% e alta de 1,67% no mês.

No Rio Grande do Sul, a cotação atingiu R$ 6,78/kg, registrando alta de 0,15% no dia e acumulado mensal de 0,74%. Já em Santa Catarina, o valor permaneceu em R$ 6,63/kg, sem alteração diária e com avanço de 1,84% em março.

Em São Paulo, o indicador apontou R$ 6,94/kg, com recuo diário de 0,14% e alta de 0,58% no acumulado do mês.

Os valores consideram o suíno vivo nas condições posto ou a retirar, conforme a praça de referência, segundo o Cepea.

Fonte: O Presentre Rural com informações Cepea
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Seminário em Minas Gerais discute uso responsável de antibióticos na suinocultura

Evento gratuito reúne produtores e técnicos para debater práticas mais seguras e eficientes na produção de suínos.

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O Seminário Técnico Uso Racional de Antimicrobianos na Suinocultura será realizado no dia 25 de março, reunindo produtores, técnicos e profissionais do setor para debater estratégias que garantam uma produção mais responsável, eficiente e alinhada às exigências sanitárias e de mercado. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas clicando aqui.

O evento é promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), em parceria com a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG) e a Cooperativa dos Granjeiros do Oeste de Minas (COGRAN), com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Associação de Suinocultores do Centro Oeste Mineiro (ASSUICOM) e Cooperativa dos Produtores Rurais do Oeste de Minas Gerais (COOPEROESTE). O objetivo é ampliar o conhecimento técnico sobre o uso prudente de antibióticos na produção animal, além de tratar de temas como bem-estar animal e desafios regulatórios na alimentação dos suínos.

O seminário acontece no Suntory Business Hotel, em Pará de Minas (MG), com início às 8 horas, com a abertura oficial e boas-vindas aos participantes.

Segundo o presidente da ASEMG, Donizetti Ferreira Couto, o evento é essencial para fortalecer a suinocultura na região. “Discutir o uso racional de antimicrobianos, compartilhar conhecimento e alinhar práticas entre produtores e técnicos contribui diretamente para uma produção mais sustentável, segura e competitiva”, afirma.

A programação inclui a palestra “Uso prudente e eficaz de antibióticos na suinocultura”, com o médico veterinário Maurício Dutra, que trará orientações práticas e atualizações técnicas. Em seguida, o Auditor Fiscal Federal Agropecuário José Anselmo, do MAPA, abordará a visão do órgão sobre a importância do uso racional de antimicrobianos, desafios regulatórios e aspectos legais relacionados à alimentação animal.

Após o coffee break, a diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke, apresentará a palestra “Bem-estar animal na suinocultura”, mostrando práticas que melhoram as condições de manejo e aumentam a produtividade nas granjas.

O seminário será encerrado com um almoço de confraternização, promovendo a troca de experiências entre os participantes e fortalecendo a rede de contatos dentro da cadeia produtiva da suinocultura.

Fonte: Assessoria
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Vacinas autógenas ganham relevância na suinocultura, mas esbarram em limites técnicos e regulatórios

Apesar do potencial estratégico para controlar patógenos específicos, vacinas autógenas ainda enfrentam desafios de produção, custo, logística e regulamentação que limitam sua aplicação em larga escala na suinocultura.

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Em sistemas intensivos de produção de suínos, marcados por alta densidade animal e elevada pressão sanitária, o controle de enfermidades permanece como um dos principais desafios produtivos. Nesse contexto, as vacinas autógenas se mostram como uma alternativa estratégica, sobretudo em situações em que vacinas comerciais não contemplam variantes específicas dos agentes circulantes no campo.

Produzidas a partir de microrganismos isolados do próprio rebanho, essas vacinas permitem uma resposta imunológica mais direcionada. De acordo com a médica-veterinária Michelle Marques, o diferencial está justamente na especificidade. “As vacinas autógenas são desenvolvidas com base na realidade sanitária da granja, o que aumenta a chance de uma resposta mais eficaz frente aos patógenos envolvidos”, explicou durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Utilizadas globalmente há mais de um século, as vacinas autógenas possuem regulamentação consolidada em países europeus desde a segunda metade do século passado. No Brasil, seu uso começou de forma mais consistente a partir da década de 1990 e, atualmente, é normatizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com exigências quanto à produção em laboratórios credenciados, biosseguridade e rastreabilidade.

Na prática, esses imunizantes têm sido empregados no controle de agentes como Streptococcus suis, Glaesserella parasuis, Actinobacillus pleuropneumoniae e cepas específicas de Escherichia coli e Salmonella spp., especialmente quando não há vacinas comerciais eficazes. Ainda assim, a aplicação em larga escala encontra limitações. “O tempo necessário para isolamento, caracterização e produção da vacina é um fator crítico, principalmente em surtos que exigem resposta rápida”, observou Michelle.

Custo e logística

Outro desafio relevante está no custo e na logística envolvida, além da dificuldade de isolamento bacteriano em situações de infecções múltiplas ou baixa viabilidade dos agentes. Em sistemas integrados, a complexidade aumenta, já que patógenos semelhantes podem circular entre granjas, mas com variações genômicas suficientes para comprometer a eficácia vacinal. “Nem sempre é simples definir uma cepa representativa quando há múltiplas origens e circulação intensa de animais”, pontuou a veterinária.

Regulamentação

Do ponto de vista regulatório, embora o Brasil tenha avançado na definição de critérios técnicos, ainda existem entraves relacionados à agilidade na liberação das vacinas. A consulta pública da Instrução Normativa nº 31 surgiu como uma tentativa de modernizar esse marco, propondo maior flexibilidade sem comprometer a segurança sanitária. Para Michelle, esse equilíbrio é fundamental. “A regulamentação precisa garantir controle e rastreabilidade, mas também permitir respostas compatíveis com a dinâmica dos sistemas intensivos”, afirmou.

Potencial das vacinas autógenas

Médica-veterinária Michelle Marques: “As vacinas autógenas são desenvolvidas com base na realidade sanitária da granja, o que aumenta a chance de uma resposta mais eficaz frente aos patógenos envolvidos” – Foto: Divulgação/Abraves

Apesar das limitações, o potencial das vacinas autógenas é reconhecido como complementar às estratégias tradicionais de biossegurança. Sua efetividade, contudo, depende da integração com manejo, diagnóstico preciso e vigilância epidemiológica contínua. “Não se trata de uma solução isolada, mas de uma ferramenta que precisa estar inserida em um programa sanitário bem estruturado”, reforçou.

Diante da intensificação da suinocultura e da crescente variabilidade dos agentes infecciosos, o avanço tecnológico aliado a ajustes normativos tende a ampliar o papel das vacinas autógenas. “A consolidação dessa ferramenta pode representar um passo importante para a sustentabilidade sanitária e produtiva da suinocultura brasileira”, ressaltou Michelle.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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