Avicultura Manejo eficaz sem antimicrobianos
Manejo de matrizes e incubatório em empresas sem utilização de antimicrobianos como melhoradores de desempenho
Adaptar-se a essa nova tendência de mercado requer informação, desprendimento das amarras do manejo convencional e ajustes técnicos para ter uma produção eficiente sem afetar a rentabilidade do produtor. Atingir patamares considerados livres de melhoradores de desempenho depende de todos que integram a cadeia produtiva, desde a produção da ração até o manejo na granja.

Produzir proteína animal sem utilizar antimicrobianos como promotores de crescimento talvez seja um dos principais desafios técnicos na avicultura brasileira e mundial. As restrições são uma tendência global, afinal, apenas 23% dos países ainda permitem uso de promotores de crescimento na produção de reprodutoras.
Adaptar-se a essa nova tendência de mercado requer informação, desprendimento das amarras do manejo convencional e ajustes técnicos para ter uma produção eficiente sem afetar a rentabilidade do produtor.

Médico veterinário Mário Sérgio Assayag: “Quando tiramos a proteção dos promotores não podemos mais trabalhar para um ambiente bom, mas precisamos trabalhar para momentos ruins” – Foto: Sandro Mesquita/OP Rural
Atingir patamares considerados livres de melhoradores de desempenho depende de todos que integram a cadeia produtiva, desde a produção da ração até o manejo na granja.
Em 2006 surgiram as primeiras preocupações e ações relacionadas ao uso de promotores de crescimento. Dezesseis anos após os primeiros passos para controlar o uso desses medicamentos, algumas ações foram consolidadas, entre elas o foco na gestão de processos; ação sobre as causas e não sobre o efeito; gestão para reduzir fatores associados às doenças; investimentos com objetivo de eliminar as causas em granjas, incubatórios e rações e equipes treinadas para o modelo AGP free e “Baixo Terapêutico” são algumas das ações desenvolvidas pela cadeia produtiva.
Com foco no manejo de matrizes e incubatório, o tema produção livre de antimicrobianos melhoradores de desempenho foi abordado pelo médico-veterinário e gerente de Suporte Técnico da Aviagen, Mário Sérgio Assayag, no Painel Simpósio Facta, evento paralelo que ocorreu durante o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs), em agosto, na cidade de São Paulo.
Para Assayag, as empresas que optam por produzir reprodutoras sem utilizar antimicrobianos precisam adaptar-se às exigências locais, dos clientes e dos mercados que seguem uma tendência de menor uso de promotores e terapêuticos. “Há cada dia fica mais restrito o uso de terapêuticos, principalmente dos produtos com aprovação em uso humano”, afirma.
Riscos
Assayag destaca alguns riscos e problemas em matrizes e incubatórios associados à retirada dos promotores de crescimento: Piora na viabilidade em recria e produção em um primeiro momento; redução na produção de ovos; contaminação de ovos; piora na qualidade de cama; aumento de desafios entéricos inespecíficos; enterite necrótica; pododermatites; lesões articulares; condronecrose bacteriana com osteomielite e osteoartrite vertebral. “O processo de retirada dos promotores de crescimento leva de dois a quatro anos e o consumo de terapêuticos após a retirada precisa ser reduzido gradativamente”, destaca Assayag.
Estrutura e investimentos
Alguns pontos de atenção na estrutura física e nos investimentos nos processos precisam ser considerados. Assayag ressalta a importância de realizar ajustes no sistema tecnológico, aplicados nos aviários e no controle ambiental, investir em fornecimento de água de qualidade e na tecnologia dos incubatórios. Além disso, é preciso investir em tecnologia na fábrica de rações, na estrutura geral de biossegurança e no treinamento e capacitação das equipes. “Não existe produção livre de antibióticos sem investimento. Talvez esse seja o grande erro”, pontua e completa: “muitas empresas migram para produção sem antibióticos em reprodutoras e poucos anos depois acabam desistindo por que não possuem um plano a longo prazo de ajustes necessários para fazer a transição”, afirma.
Gestão
Alguns fatores importantes na gestão dos aviários e incubatórios precisam ser considerados pelos produtores para alcançar o título de produção livre de antimicrobianos. Segundo Assayag, a gestão dos aviários necessita de foco na ambiência em momentos extremos, cuidados com a cama, densidade e gestão da qualidade e monitoria da água fornecida aos animais.
Os pontos-chave no incubatório são semelhantes ao aviário. A ambiência precisa estar presente em todas as salas; gestão do setup de equipamentos e máquinas; limpeza e manutenção e a gestão do transporte de ovos e pintos são fundamentais para obter resultados positivos na produção, de acordo com Assayag. “Quando falamos de transporte é desde o ovo do aviário até a portaria do núcleo, saindo dali até a granja, e da granja para o incubatório”, destaca.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Avicultura
Asgav encerra segunda etapa de campanha de biosseguridade com ampla mobilização no Rio Grande do Sul
Ação combinou rádio e mídias digitais para levar orientações técnicas a produtores, trabalhadores e à população, fortalecendo a cultura de prevenção sanitária na avicultura.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) concluiu a segunda etapa de sua campanha de conscientização sobre biosseguridade com ampla repercussão no Rio Grande do Sul. A iniciativa combinou ações em rádio e plataformas digitais para disseminar orientações técnicas e ampliar o conhecimento sobre a importância da prevenção sanitária na avicultura, alcançando milhões de pessoas em diferentes regiões do Estado.
Ao longo da campanha, foram veiculados 12 boletins comerciais em 260 emissoras de rádio gaúchas. Segundo a entidade, cada material registrou média de 3,1 milhões de reproduções, levando informações sobre biosseguridade e sobre a relevância econômica e social da atividade avícola para dezenas de municípios.
A ação teve como principal objetivo reforçar a adoção de medidas preventivas consideradas essenciais para a proteção dos plantéis e para a manutenção do status sanitário que sustenta a competitividade da avicultura brasileira nos mercados nacional e internacional.
Além de orientar produtores e trabalhadores do setor, a campanha buscou aproximar o tema da população em geral, destacando que a prevenção de enfermidades depende do comprometimento de todos os elos da cadeia produtiva.
Como complemento às ações no rádio, a Asgav ampliou sua estratégia de comunicação digital. Em parceria com a médica-veterinária Caroline Freitas, foram produzidos nove vídeos técnicos com orientações práticas sobre procedimentos e dispositivos de biosseguridade utilizados nas granjas avícolas. Os conteúdos foram publicados semanalmente durante dois meses nas redes sociais da entidade e compartilhados por agroindústrias, instituições parceiras e grupos especializados do setor.
Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, a campanha já se consolida como uma referência para a avicultura nacional. “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades” – Foto: Divulgação/Asgav
sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades nesta mesma linha que ajudam muito o setor”, afirma.
Segundo Santos, o encerramento desta etapa não representa o fim das ações de conscientização. A entidade pretende manter o tema em evidência por meio de palestras, eventos, reuniões técnicas e iniciativas de mobilização junto a agroindústrias e produtores.
A Asgav também deverá atuar em conjunto com outras iniciativas voltadas à promoção da biosseguridade, entre elas a campanha lançada recentemente pela Associação Brasileira de Proteína Animal e pelo projeto Vida de Granja. As ações têm como foco ampliar a adoção de procedimentos preventivos nas propriedades avícolas por meio de uma comunicação acessível e direcionada ao público do campo.
Em um contexto de vigilância permanente sobre a sanidade animal, a entidade avalia que o investimento contínuo em informação e conscientização permanece entre as principais ferramentas para reduzir riscos sanitários, preservar mercados e fortalecer uma cadeia produtiva estratégica para a economia gaúcha. A avicultura está entre as atividades agropecuárias de maior relevância no Estado, gerando empregos, renda e movimentando diferentes segmentos econômicos ligados à produção de proteína animal.
Avicultura
Programa Ovos RS certifica 16 empresas e reforça foco em biosseguridade após caso de Influenza aviária
Encontro da cadeia produtiva gaúcha debateu mercado, auditorias técnicas, desafios de competitividade e estratégias para fortalecer a produção de ovos no Estado.

A cadeia produtiva de ovos do Rio Grande do Sul reuniu-se no último dia 28 de maio, em Garibaldi (RS), para avaliar os resultados do Programa Ovos RS, discutir os desafios do mercado e reforçar medidas de biosseguridade em um momento de atenção redobrada para a sanidade avícola.

Foto: Divulgação/Asgav
Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro anual ocorreu no Vale dos Vinhedos e reuniu representantes de granjas, empresas apoiadoras, órgãos de fiscalização e autoridades sanitárias estaduais e federais.
Entre os principais temas debatidos estiveram o desempenho do setor em 2025, os resultados das auditorias realizadas nas propriedades participantes, o cenário econômico da atividade e as ações de prevenção sanitária após o registro de casos de influenza aviária no país neste ano.
Auditorias apontam evolução das granjas
Durante o encontro, o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) e coordenador do Programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos, apresentou um panorama do mercado de ovos no Estado e no Brasil, além do balanço das atividades desenvolvidas pelo programa ao longo do último ciclo.
A coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas, detalhou os resultados das auditorias realizadas nas

Coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas – Foto: Divulgação/Asgav
granjas participantes em 2025. Segundo ela, as avaliações permitiram acompanhar a evolução dos estabelecimentos e monitorar indicadores técnicos relacionados às boas práticas de produção.
Criado há mais de uma década, o Programa Ovos RS atua na orientação técnica das empresas, no incentivo à adoção de protocolos de qualidade e no fortalecimento da conformidade sanitária das granjas gaúchas.
Biosseguridade ganha protagonismo
A biosseguridade foi um dos temas centrais da programação. O assunto ganhou relevância diante do cenário sanitário enfrentado pela avicultura brasileira em 2025 e das medidas adotadas para preservar a condição sanitária do plantel nacional. “Este encontro é fundamental para alinharmos estratégias, prestarmos contas, apresentarmos relatório de atividades e reforçarmos o compromisso do setor com a qualidade, a biosseguridade e a evolução contínua da indústria e produção de ovos no Rio Grande do Sul”, afirmou Santos.
Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcos Paulo Damaren Borges, chefe do 10º Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), destacou o papel do Programa Ovos RS no fortalecimento da cadeia produtiva e ressaltou a importância das atividades de fiscalização e inspeção para garantir a segurança dos alimentos de origem animal.

Chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Rosane Collares – Foto: Divulgação/Asgav
Já Rosane Collares, chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, abordou a atuação da pasta durante o enfrentamento do foco de influenza aviária registrado no Estado neste ano e ressaltou a importância das ações preventivas adotadas pelo setor.
Mercado e competitividade
O encontro também abriu espaço para a discussão sobre o ambiente econômico da atividade. Representando o setor produtivo, Ivandro Pianegonda, gerente comercial da Granja Faria/Stragliotto, apresentou uma análise sobre o atual momento do mercado de ovos, abordando questões relacionadas à competitividade, custos de produção, consumo e perspectivas para as empresas.
Segundo ele, a coordenação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para enfrentar os desafios do setor nos próximos anos.
Selo reconhece boas práticas
Ao final da programação, 16 estabelecimentos receberam certificação para utilizar o selo Ovos RS, reconhecimento concedido às empresas que atingiram índice superior a 80% de conformidade no checklist técnico de avaliação do programa.
Também foram homenageadas empresas apoiadoras que contribuem para a manutenção das atividades

Foto: Divulgação/Asgav
desenvolvidas pela iniciativa.
Com mais de dez anos de atuação, o Programa Ovos RS tornou-se uma das principais ferramentas de qualificação da cadeia produtiva de ovos do Estado, reunindo ações de assistência técnica, capacitação, promoção institucional e incentivo à adoção de boas práticas de produção.
Durante o encontro, a Asgav também informou que a capacitação técnica anual do Programa Ovos RS deverá ser incorporada à programação da Conbrasfran 2026, movimento que pode resultar, futuramente, na unificação dos dois eventos.
Avicultura
Ovos registram novas valorizações e alcançam até R$ 183,97 por caixa
Grande Belo Horizonte apresenta o maior preço entre as praças acompanhadas pelo Cepea.

Os preços dos ovos encerraram o mês de maio em alta na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento foi mais intenso nas principais praças produtoras e consumidoras do país, com destaque para São Paulo, onde as cotações registraram os maiores avanços do período.
Em Bastos (SP), uma das principais referências da avicultura de postura nacional, o ovo branco foi comercializado a R$ 154,29 por caixa, alta diária de 4,95%. O ovo vermelho alcançou R$ 174,29 por caixa, com valorização de 2,99%.

Na Grande São Paulo, os preços também avançaram de forma expressiva. O ovo branco foi negociado a R$ 162,14 por caixa, aumento de 3,07%, enquanto o vermelho chegou a R$ 182,62 por caixa, com alta de 4,09%.
Em Minas Gerais, a região da Grande Belo Horizonte registrou valorização de 1,44% para o ovo branco, cotado a R$ 164,84 por caixa. O ovo vermelho teve aumento ainda maior, de 1,94%, alcançando R$ 183,97 por caixa, o maior valor entre as regiões monitoradas pelo Cepea.
No Espírito Santo, em Santa Maria de Jetibá, outro importante polo de produção, os preços também subiram. O ovo branco foi negociado a R$ 150,96 por caixa, avanço de 0,67%, enquanto o vermelho atingiu R$ 180,28 por caixa, alta de 1,58%.
A única exceção entre as praças analisadas foi Recife (PE). Na capital pernambucana, o ovo branco apresentou retração de 1,30%, sendo comercializado a R$ 151,72 por caixa. O ovo vermelho foi cotado a R$ 169,68 por caixa.
Os dados do Cepea mostram um cenário de valorização predominante no mercado de ovos ao final de maio, especialmente nas regiões do Sudeste, onde se concentram importantes polos de produção e consumo do produto.



