Suínos
Manejo da leitegada é peça-chave para sucesso da suinocultura
Resultados da granja são impactados diretamente pelo manejo nas fases de maternidade e creche, onde a incidência de enfermidades como a Doença do Edema é preponderante.

Grande parte das doenças que impactam diretamente os resultados da suinocultura mundial ocorrem mais especificamente nas fases de maternidade e creche. Dentre estas doenças está a Doença do Edema (DE). Também conhecida como Colibacilose Enterotoxêmica, a doença é uma toxi-infecção associada à grande presença de cepas patogênicas da bactéria Escherichia coli no intestino delgado dos animais acometidos.
“A bactéria E. coli é habitante natural do intestino dos suínos, mas sob determinadas circunstâncias as cepas patogênicas da bactéria se multiplicam mais facilmente e produzem substâncias biologicamente ativas como a Verotoxina-2e (VT2e), uma enterotoxina. A disseminação sistêmica da VT2e acontece devido à alta vascularização do tecido intestinal e o aumento da permeabilidade decorrente da presença da toxina, promovendo o extravasamento de líquido que gera os edemas subcutâneos”, explica Pedro Filsner, médico-veterinário gerente da linha de suínos da Ceva Saúde Animal.
Os principais sinais da DE são apatia, incoordenação motora e edema de face, incluindo o inchaço das pálpebras. Em uma fase mais avançada da doença podem ocorrer tremores, paralisia, convulsões e movimentos de pedalagem. Em infecções agudas os animais podem ir a óbito antes mesmo de apresentar sintomas clínicos, o que dificulta um maior controle sobre a doença.
A doença apresenta um alto índice de letalidade, com surgimento abrupto e de rápido desenvolvimento, afetando leitões entre 4 e 15 dias de vida, sobretudo acometendo animais entre 30 e 90 dias de idade. Em alguns casos, os surtos da doença nas granjas acabam comprometendo quase 100% do plantel, gerando importantes prejuízos para toda a cadeia produtiva. A recuperação dos animais se dá de maneira muito particular, comumente tornando-se refugos.
“O suinocultor precisa estar atento, já que muitos dos sinais clínicos da DE podem ser confundidos com quadros de deficiência de vitamina E, meningite estreptocócica, intoxicação por sal ou por inseticidas à base de arsênico. O diagnóstico diferencial ajuda a dar clareza sobre quais atitudes precisam ser tomadas na granja, referente ao manejo sanitário do rebanho, para que o problema, independente de qual seja, não se prolifere e atinja outros lotes”, comenta Pedro.
Via de regra o diagnóstico diferencial da DE é realizado post mortem, por meio da observação de alterações características na face, abdômen, parede do estômago e cólon do animal. Tais achados, juntamente com o histórico clínico do leitão e diagnósticos laboratoriais como PCR para a identificação de cepas de E. Coli produtoras da Verotoxina-2e, são de grande importância para uma melhor adequação de manejo.
Granjas que tenham registrado casos de DE podem recorrer à adição de óxido de zinco na água ou alimentação dos animais, com o objetivo de inibir a produção das toxinas pela bactéria e auxiliar na manutenção da estabilidade das membranas celulares do trato gastrointestinal.
A prevenção da Doença do Edema por meio da vacinação vem ganhando espaço, mas o manejo ambiental ainda é primordial para combater o surgimento de casos novos. Ações que reduzem o impacto da mudança de ambiente no momento da desmama dos leitões, assim como promover gradualmente a mudança de dieta da leitegada, reduzem a queda de imunidade dos leitões. Pontos como reforçar a higienização de baias, respeitar o vazio sanitário na troca de lotes, evitar o estresse térmico dos leitões e promover uma adequada separação dos lotes também devem ser reforçados.
“Na suinocultura, o manejo adequado faz toda a diferença, principalmente para os leitões. Diversos estudos já apontaram que os cuidados com a saúde e o bem-estar dos leitões interferem positivamente na produtividade da granja, principalmente na qualidade da proteína suína produzida. Ciente disso, a indústria busca trazer cada vez mais soluções que promovam a saúde e o bem-estar dos animais, auxiliando o produtor no processo de construção de uma cadeia produtiva mais rentável e competitiva”, menciona.
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Suínos
Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro
Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.
Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

