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Manejo adequado reduz impactos do frio na piscicultura
Temperatura do ambiente é um dos fatores decisivos no cultivo de peixes
Evitar alimentação em excesso, manter densidade adequada no viveiro e monitorar a qualidade da água são ações que podem evitar perdas na piscicultura provocadas pelo frio. Esses possíveis prejuízos são uma preocupação dos piscicultores com criações em regiões que apresentam ampla variação de temperatura, especialmente durante a chegada do inverno. A temperatura do ambiente é um dos fatores decisivos no cultivo de peixes.
Os cuidados para minimizar as perdas com temperaturas baixas e grandes variações de temperatura devem ser iniciados ainda no verão. O alerta é feito pela pesquisadora da Embrapa Agropecuária Oeste (MS) Tarcila Souza de Castro Silva. Ela explica que a temperatura do corpo dos peixes varia de acordo com a temperatura do ambiente, neste caso, da água. “Assim, fisiologicamente, o crescimento dos peixes está diretamente relacionado à temperatura do ambiente,” esclarece.
As recomendações aos produtores e técnicos estão disponíveis na publicação “Influência do Clima, Fenômenos e Mudanças Climáticas no Manejo da Piscicultura”, elaborada por Tarcila com os colegas Luís Antônio Kioshi Aoki Inoue e Carlos Ricardo Fietz, pesquisadores da mesma Unidade da Embrapa. Nesse trabalho, os especialistas explicam a influência do clima no desempenho e na sanidade dos peixes e apresentam ações para diminuir perdas na piscicultura.
O aumento das doenças na piscicultura, com a chegada do inverno, ocorre com maior intensidade em viveiros nos quais os peixes recebem mais alimentos do que o necessário durante o verão, prejudicando a qualidade ambiental. “Os peixes sofrem pela progressiva queda de qualidade de água no verão. Com a chegada do frio e as amplas variações de temperatura, começam os surtos de doenças e mortes”, explica o pesquisador Luís Antônio Inoue. Assim, manter a densidade de peixes adequada é uma das estratégias de manejo que podem contribuir com a redução dos prejuízos. “Essa densidade deve levar em consideração o tamanho do tanque e o suprimento de água e oxigênio”, destaca.
Capacitar mão de obra
O manejo alimentar deve receber atenção para que se possa evitar as perdas. “As taxas de alimentação devem estar de acordo com as recomendações para a espécie criada e a temperatura da água. É fundamental que o tratador esteja capacitado para observar se os peixes estão consumindo o alimento fornecido, para evitar perdas e deterioração da qualidade da água por excesso de ração”, acrescenta o pesquisador.
Outra estratégia importante de manejo destacada por Tarcila se refere ao monitoramento da qualidade da água e a utilização das boas práticas de manejo, com respeito contínuo aos limites recomendados de transparência, oxigênio dissolvido, pH, alcalinidade, dureza, amônia e nitrito. “Esses dados ajudam a garantir a qualidade do ambiente de criação”, afirma.
Despesca antes do inverno
Além disso, as práticas de manejo devem ser planejadas com antecedência e a previsão do tempo é uma ferramenta importante de consulta. “Sugerimos que o arrasto de rede e o transporte, por exemplo, sejam realizados antes da chegada do frio; assim, os peixes não serão submetidos a mais fatores estressantes, além dos naturais resultantes do clima frio”, salienta a pesquisadora.
“A adição de suplementos, como vitaminas (C e E), aminoácidos, pró-bióticos e pré-bióticos, antes de os animais passarem por condições estressantes, ajuda a aumentar a imunidade dos peixes”, informa Tarsila, ressaltando que a prática tem sido testada com êxito em muitos países. Esses suplementos devem ser misturados à ração comercial e fornecidos alguns dias antes de eventos críticos, como a chegada de uma frente fria. Ela acrescenta que a indicação de cada produto e seu modo de usar deve ser criteriosa e avaliada por um técnico.
O piscicultor de Laguna Carapã (MS) Edemar de Souza, que trabalha há quatro anos com criação de peixes, conta que a mudança da temperatura da água influencia diretamente o comportamento dos peixes, especialmente em relação aos hábitos de alimentação. “Quando a temperatura fica abaixo de 20ºC, os peixes comem menos, por isso reduzo a quantidade de ração para evitar problemas futuros”, revela.
Edemar acrescenta que antes de o inverno chegar, sempre que possível, ele envia alguns lotes para o frigorífico. Outra prática adotada por ele é reunir no mesmo tanque os peixes com mais de 200 gramas. “Depois do inverno, quando começa a esquentar novamente, os peixes demoram um pouco mais para crescer, e o desenvolvimento deles é mais lento”, conta Edemar. Outro cuidado adotado pelo piscicultor é evitar manejar os peixes durante o inverno. “Nessa época, a água está muito gelada e os peixes ficam mais sensíveis ao manejo. Além disso, a água fria também dificulta o meu trabalho. Evito ao máximo mudar os peixes de tanque durante o inverno”, conta.
Fonte: Embrapa

Notícias Editorial
Mão de obra estrangeira ganha espaço estratégico nas cooperativas
Expansão das agroindústrias e menor oferta de trabalhadores locais reforçam a importância dos imigrantes no setor.

Há um dado que o agronegócio brasileiro ainda não incorporou com a gravidade necessária: em várias agroindústrias cooperativas do Sul do país, a presença de trabalhadores estrangeiros deixou de ser complementar. Em alguns casos, tornou-se condição operacional.
Essa constatação muda a forma como o tema deve ser tratado. Não se trata apenas de imigração. Tampouco de uma pauta restrita a recursos humanos. O que está em jogo é a capacidade de cooperativas manterem linhas de produção, cumprirem escalas, sustentarem abates, operarem unidades industriais, atenderem supermercados, ampliarem investimentos e preservarem a renda de milhares de famílias ligadas ao campo.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
Quando uma cooperativa informa que estrangeiros representam 30% do quadro funcional, ou que em determinada unidade nove em cada dez trabalhadores vieram de outros países, o dado não pode ser lido como curiosidade demográfica. Ele revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho. As agroindústrias cresceram, os municípios do interior mudaram, a oferta de trabalhadores locais ficou mais limitada e algumas funções passaram a encontrar menor adesão entre brasileiros. O espaço foi ocupado por haitianos, venezuelanos, paraguaios, cubanos, senegaleses, argentinos, colombianos, nigerianos e profissionais de tantas outras origens.
Esses trabalhadores não aparecem apenas nas estatísticas. Eles estão nas escalas de fim de semana, nas linhas industriais, nos setores operacionais, nos supermercados, nas fábricas, nos frigoríficos, nos turnos que garantem continuidade à produção. São parte da engrenagem que transforma grãos, proteína animal, leite, peixes, insumos, serviços e logística em atividade econômica concreta nas regiões onde as cooperativas estão instaladas.

Foto: Renan Pereira
A indústria continuou em cidades do interior, próxima da produção rural, mas parte crescente da força de trabalho passou a vir de fora do país. Essa é uma mudança profunda e ainda pouco discutida com a seriedade que merece.
Há também uma contradição evidente. O Brasil cobra competitividade das suas cooperativas, exige eficiência industrial, defende expansão das exportações e comemora recordes de produção. Mas muitas regiões que sustentam essa engrenagem não conseguem mais oferecer, sozinhas, trabalhadores em número suficiente para acompanhar o crescimento. A resposta tem vindo dos imigrantes.
Por isso, tratar essa mão de obra apenas como “alternativa” é reduzir o tamanho do fenômeno. Em muitas operações, ela já é parte da estratégia. E, se é estratégica, precisa ser tratada com planejamento: acolhimento, moradia, idioma, qualificação, integração cultural, segurança jurídica, transporte, saúde, liderança preparada e política pública. Contratar é apenas o primeiro passo. Integrar é o verdadeiro teste.
A automação será parte da resposta, mas não substituirá a discussão humana. Máquinas podem reduzir etapas manuais, aumentar produtividade e aliviar gargalos. Não resolvem, sozinhas, a necessidade de pessoas capacitadas, estáveis e integradas às equipes. O futuro das agroindústrias cooperativas dependerá menos de escolher entre tecnologia e trabalhadores, e mais de combinar ambos com inteligência.

Foto: Divulgação/Arquivo AEN
Os estrangeiros que hoje vestem uniforme nas cooperativas brasileiras também revelam que o desenvolvimento regional não depende apenas de fábricas, silos, aviários, granjas, supermercados ou caminhões. Depende de gente disposta a trabalhar, permanecer, aprender e reconstruir a própria vida longe do país de origem.
Reconhecer essa importância não é romantizar a imigração. É enxergar a realidade econômica sem filtro. Parte da agroindústria cooperativa brasileira já não seria a mesma sem esses trabalhadores. E qualquer projeto sério de crescimento precisará considerar que a força do cooperativismo, daqui para frente, também será medida pela capacidade de integrar quem chegou de fora para ajudar a manter de pé aquilo que o interior construiu.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
Notícias
Oferta restrita mantém preços do trigo em alta no mercado interno
Levantamento do Cepea mostra valorização do cereal em junho, impulsionada pela retenção de estoques por produtores.
Notícias
Estoques globais redesenham as perspectivas para o milho
Oferta elevada limita ganhos nas cotações, enquanto exportações e clima seguem no foco do mercado.

O mercado de milho deve permanecer influenciado, no curto prazo, pelo avanço da colheita da segunda safra no Brasil e pelas perspectivas de uma produção elevada nos Estados Unidos. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, esses fatores tendem a manter pressão sobre as cotações, enquanto o comportamento das exportações seguirá sendo um dos principais indicadores acompanhados pelo setor.

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural
No cenário internacional, a expectativa é de uma safra norte-americana superior a 400 milhões de toneladas, o que mantém o balanço global de oferta e demanda em uma situação considerada confortável. Apesar disso, a consultoria aponta que a menor produção dos Estados Unidos em relação ao ciclo anterior deve contribuir para uma redução dos estoques globais ao longo da safra 2026/27.
Para o mercado brasileiro, a principal atenção está voltada ao avanço da colheita da segunda safra e aos rendimentos das lavouras, especialmente diante dos relatos de perdas provocadas pela seca em áreas do Centro-Sul. O volume final da produção será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno.
As exportações também seguem no radar. Entre fevereiro e maio, os embarques brasileiros de milho somaram 3,3 milhões de toneladas, volume 29% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Os principais destinos foram Egito, Vietnã e Malásia, impulsionados pela demanda dos países asiáticos.

Foto: Divulgação
Mesmo com o bom desempenho recente, a Consultoria Agro Itaú BBA projeta desaceleração das exportações brasileiras ao longo da safra 2025/26, em razão da maior participação da Argentina no mercado internacional. A estimativa é que o Brasil exporte 40 milhões de toneladas de milho, abaixo das 41,6 milhões de toneladas embarcadas na safra 2024/25.
Outro fator acompanhado pelo mercado é a confirmação do fenômeno El Niño. Segundo a consultoria, a possibilidade de um evento de forte intensidade acende um alerta para a segunda safra de 2027, já que anos com esse padrão climático costumam registrar redução da produção nas principais regiões produtoras do país.
Apesar da pressão de curto prazo provocada pela ampla oferta e pelas condições favoráveis às lavouras norte-americanas, a expectativa de redução dos estoques mundiais pode dar sustentação aos preços em um horizonte mais longo.


