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Manejo adequado mantém produtividade de grãos em condições de forte estresse hídrico

Adoção de tecnologias voltadas à reestruturação do solo tem garantido a tranquilidade dos produtores mesmo em anos de estiagem

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Paulo Kurtz

O conceito de tecnologia na agricultura muitas vezes se confunde com o uso de máquinas modernas, lançamentos de cultivares e defensivos. Mas o uso de insumos precisa ser complementado pelo manejo correto dos recursos do ambiente para maximizar a produção de grãos. A adoção de tecnologias voltadas à reestruturação do solo tem garantido a tranquilidade dos produtores mesmo em anos de estiagem.

No Brasil, a área manejada com sistema plantio direto, mesmo que com limitações, é de 32 milhões de hectares. No Rio Grande do Sul, o cultivo com espécies anuais produtoras de grãos está presente em 7,57 milhões de hectares, com o sistema plantio direto necessitando de adequações, mas presente em 90% da área. No verão, predomina a cultura da soja, com 5,69 milhões de hectares, perfazendo mais de 75,2% da área produtora de grãos. No inverno, a produção de grãos está em 1,03 milhões de hectares, o que representa apenas 13,6% da área cultivada. Acrescendo a produção de grãos à área cultivada com adubos verdes ou plantas de cobertura, restam ainda cerca de 5,68 milhões de hectares, isto é, 75% da área sob cultivo de espécies anuais produtoras de grãos ficam em pousio invernal, com presença apenas de plantas espontâneas, como aveia e azevém.

O efeito mais danoso da adoção desta matriz produtiva ou modelo de produção, segundo o pesquisador da Embrapa Trigo, José Eloir Denardin, é a degradação da estrutura do solo, que dificulta ou impede as raízes das plantas de acessar os nutrientes, mesmo diante da aplicação das doses de corretivos e adubos indicadas tecnicamente. Esse fato, conforme o pesquisador, resulta no aumento dos custos de produção e na redução da renda, pois o investimento não se traduz em produtividade. “É importante destacar que a degradação da estrutura do solo não permite o aprofundamento das raízes, não permite os fluxos de água, de ar e de nutrientes entre as camadas do solo, tornando poucos dias sem chuva (7 a 10 dias), em deficiência, cenário de estiagem, com perda de produtividade e de rentabilidade”, afirma Denardin.

Outro problema está associado à calagem aplicada em solos com baixo teor de matéria orgânica, decorrente do baixo aporte de restos de cultura ao solo. Nessa condição, o processo de compactação do solo é acelerado. “O calcário, aplicado na superfície de solos com baixo teor de matéria orgânica, normalmente eleva o pH do solo para valores acima de 6,5. Em decorrência, a argila se separa das demais partículas do solo e é arrastada da superfície para a subsuperfície do solo, obstruindo os  poros da camada subsuperficial, reduzindo a taxa de infiltração de água, aumentando a erosão hídrica e antecipando os sintomas de déficit hídrico nas plantas”, explica Denardin.

No sul do Brasil, a compactação do solo é responsável por perda de produtividade em três a cada dez safras. Daí a importância em ampliar o uso das práticas conservacionistas capazes de reduzir ou eliminar a compactação, além de aumentar os fluxos de água, de ar, de nutrientes e de raízes no perfil do solo.

Soluções apontadas pela pesquisa

Através de processos mecânicos e vegetativo é possível reverter a degradação e a compactação do solo. É o que mostram os resultados de pesquisas conduzidas pela Embrapa na Região Sul, em parceria com instituições de pesquisa, extensão rural e assistência técnica.

Durante três anos (safras 2017/18, 2018/19 e 2019/20), foram acompanhadas unidades de referência tecnológica em mais de 100 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Alguns resultados foram expressivos: a produtividade da soja sob forte estresse hídrico foi de 3.458 kg/ha, três vezes maior que a média das lavouras no entorno; o rendimento do trigo sob forte estresse hídrico foi entre 36% e 45% maior; e a taxa de infiltração de água no solo foi de 92 mm/h na área em que foram combinadas práticas mecânicas e de diversificação de culturas, enquanto em área sem estas práticas, a taxa de infiltração foi de 13 mm/h.

O processo mecânico de descompactação de solo está fundamentado na escarificação, que consiste em romper a camada compactada através de equipamentos motomecanizados que operam em profundidade ligeiramente maior do que o limite inferior da camada compactada.

O processo vegetativo de descompactação do solo está associado ao desenvolvimento de raízes de plantas, cujo sistema radicular seja suficientemente vigoroso, agressivo, intenso e espesso para penetrar e romper a camada compactada, deixando, após sua morte e decomposição, macroporos no solo. “O uso de plantas com raízes em alta densidade, espessas, finas e que se decomponham lentamente constitui complemento essencial à ação mecânica de descompactação, uma vez que as raízes ocuparão os espaços resultantes do rompimento da camada compactada”, explica o Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski. As melhores opções são as gramíneas de verão, como milho, capim sudão, milheto ou sorgo, seguidas pelas gramíneas de inverno como centeio, aveia branca, aveia preta, triticale, trigo e cevada.

Experiência do produtor

Com a vida dedicada à produção de grãos em Santo Ângelo, na região noroeste do Rio Grande do Sul, Jorge Dezen sempre priorizou a formação da palhada para o plantio direto, mesmo assim, sentia a queda progressiva no rendimento da lavoura mesmo com o aumento no investimento em insumos: “A gente sempre esteve preocupado em fazer palha em cima da terra, mas não dava importância ao que acontecia em baixo, até sentir os efeitos negativos no bolso”.

Apesar de seguir a média de produtividade do município, Jorge Dezen sempre acreditou que os resultados podiam ser melhores. Foi com apoio da filha, Márcia Dezen, extensionista da Emater/RS-Ascar, que começou a revolução na lavoura. Foram abertas várias trincheiras para avaliar o perfil do solo na propriedade de 540 hectares, verificando a severidade e a profundidade da compactação que limitava os rendimentos. Após correções com base nas análises, começou o planejamento das espécies mais eficientes agronomicamente, mas sem comprometer o resultado financeiro.  Na safra 2018/2019, a saída da soja foi seguida pelo milho, que cobriu o solo por, aproximadamente, 60 dias, quando foi dessecado para a semeadura de aveia, voltando com a soja no verão. O produtor comemora os resultados: “A média de produtividade na soja do município ficou em 24 sacos por hectare, mas teve vizinho colhendo 10 sacos. Aqui (na propriedade) eu fechei com 43 sacos de média”, conta Jorge Dezen, que investiu no capim sudão na cobertura do solo deste ano e já planeja experimentar o sorgo no próximo outono, praticando a diversificação de culturas.

A sucessão de culturas, soja no verão e trigo no inverno, também estava reduzindo o rendimento de grãos na propriedade do Alisson Padoim. “Acreditávamos que apenas manter a cobertura no inverno era suficiente para cuidar do solo, mas quando vi na trincheira na área onde eu estava plantando ficou fácil entender porque não produzia mais como antes”. O produtor investiu no milho para cobrir o solo, semeado no mesmo dia em que fez a colheita da soja, em abril de 2019: “Comprei grãos de um vizinho e minha cobertura custou 40 reais por hectare, um valor que certamente retornou na soja que veio pós trigo”, conta Alisson. Na safra passada, os rendimentos da soja ficaram entre 40 sacas por hectare na área em recuperação e 25 sacos por hectare no restante da área, mas a expectativa do produtor é expandir a melhoria do solo em toda propriedade e obter resultados ainda maiores no longo prazo: “O milho já contribuiu  bem para a descompactação de solo. Com a colheita da soja, ainda conseguimos ver resíduos de palha de milho e de trigo do ano anterior, mostrando que, mesmo com o calor deste verão, o solo não conseguiu decompor toda a palhada e as raízes, mantendo  boa cobertura e umidade na área. A tendência é que os resultados sejam ainda melhores nas próximas safras”.

Com os resultados do projeto, novos produtores já procuraram o escritório da Emater/RS-Ascar em Santo Ângelo para fazer parte do grupo de conservação de solo: “O ano de estiagem na soja ajudou a mostrar os resultados do trabalho de estruturação do solo com o uso de gramíneas de verão. A cobertura permanente, sem vazio entre a saída da soja e a entrada do trigo, já foi suficiente para controlar a erosão nas áreas trabalhadas, resultado que, somado à produção de raízes e matéria orgânica, mostrou o potencial das práticas conservacionistas para retomar a produtividade na lavoura de grãos”, avalia a engenheira agrônoma Márcia Dezen.

Fonte: Embrapa Trigo

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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