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Mais digestibilidade de gordura e maior desempenho para vacas leiteiras

Como estratégia para reduzir efeitos negativos, adensamento energético das dietas fornecidas às vacas no terço inicial de lactação com utilização de lipídeos é alternativa

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Djonetan Machado, zootecnista, mestrando, e Leandro Greco, PhD – Kemin do Brasil

O incremento na produção de leite por vaca dia ocasiona em uma maior demanda energética por parte dos animais, uma vaca produzindo 45 kg de leite no pico de lactação necessita de aproximadamente 4,6 vezes mais energia para produção de leite do que a necessária para sua manutenção. Essa situação se agrava no terço inicial da lactação, quando o aumento na produção de leite não é acompanhado pela ingestão de matéria seca, acarretando em um balanço energético negativo, evidenciado pela queda no escore de condição corporal.

Como estratégia para reduzir esses efeitos negativos, o adensamento energético das dietas fornecidas às vacas no terço inicial de lactação com a utilização de lipídeos é uma alternativa bastante explorada, principalmente no que diz respeito ao uso das chamadas gorduras protegidas. Recentes revisões de trabalhos indicam que a incorporação de gordura na dieta de vacas a níveis de 1,5% da matéria seca, implica em um aumento na produção de leite em mais de 2 kg sem diminuição no consumo de matéria seca, fato que possibilita concluir que a adição de gordura aumenta a eficiência produtiva.

Entretanto, a utilização de gorduras na dieta, dependendo da fonte, pode ocasionar respostas negativas em termos de fermentação ruminal e somado a isso a digestibilidade dessas fontes no intestino normalmente fica na casa dos 78%. Neste sentido, diversas pesquisas vêm sendo desenvolvidas com intuito de encontrar métodos que possibilitem a maior inclusão de lipídeos nas dietas e que possibilitem incrementos na digestibilidade intestinal, sem alterar negativamente os parâmetros de fermentação do rúmen, com maior eficiência produtiva.

Uma das alternativas utilizadas para contornar os efeitos negativos da suplementação com gordura é a utilização de sais de cálcio, que são produzidos a partir da hidrólise de diferentes óleos vegetais e posterior associação com o cálcio, comumente chamado de gordura protegida, que permite que passem de maneira inerte pelo rúmen. Apesar dessa recomendação geral, o grau de dissociação destes sais é variável em função da fonte utilizada, quanto maior o número de insaturações, menor a estabilidade.

Trabalhos realizados na Esalq/USP registraram valores superiores para produção de leite e digestibilidade aparente da matéria seca nas vacas que receberam sais de cálcio de ácidos graxos do óleo de palma (SCOP) em comparação aos sais de cálcio com ácidos graxos com óleo de soja (SCOS). Os resultados podem ser explicados pelo fato de que os SCOS possuem grande quantidade de ácidos graxos insaturados, que em pH 6,0 encontram-se com 58% de dissociação, ou seja mais livres no rúmen. Dessa maneira, como esse valor de pH é comumente encontrado no rúmen imediatamente após a alimentação com concentrados, uma boa parte dos SCOS estão dissociados, acarretando em prejuízos no desempenho das vacas. Entretanto, os SCOP apresentam em sua constituição uma maior proporção de ácidos graxos saturados, denotando cerca de 20% de dissociação em pH 6,0, garantindo, dessa forma, maior estabilidade no rúmen.

Com o objetivo de potencializar os efeitos positivos dos lipídeos na dieta de vacas leiteiras, mais recentemente tem sido estudado o uso de emulsificantes na alimentação de ruminantes, dentre eles a lisolecitina.

A importância da utilização de lisolecitina na dieta de animais está pautada no fato de que, para que ocorra a absorção de ácidos graxos provenientes da dieta, pelo animal, é necessária a formação de micelas. Como a lisolecitina possui uma grande capacidade emulsificante, formando juntamente com os ácidos graxos, a estrutura micelar, permitindo assim absorção de ácidos graxos pelas células do epitélio intestinal para transporte na corrente sanguínea. Além, de diminuir a interação dos lipídios com outros constituintes da dieta no rúmen.

Pensando em unir a proteção ruminal com o aumento potencial na digestibilidade a Kemin em parceria com a Esalq/USP e apoio da Fapesp, avaliou a inclusão de sais de cálcio de ácidos graxos do óleo de palma, em conjunto com surfactantes, entre eles que contém lisolecitina ativada.

O objetivo foi identificar se essa associação entre os sais de cálcio de ácidos graxos do óleo de palma e a lisolecitina potencializa a absorção de ácidos graxos e assim influência a resposta produtiva. No experimento foram comparados três níveis de inclusão suplementados com 280, 340 e 400g de lisolecitina ativada, comparados a um tratamento controle com a inclusão de 400g de sais de cálcio de ácidos graxos do óleo de palma puro.

Os resultados preliminares apresentados no gráfico (dados ainda não publicados) sugerem que qualquer um dos níveis de inclusão aumentou a eficiência produtiva dos animais quando comparado ao controle. Podendo reduzir em até 30% a inclusão total de gordura na dieta sem afetar a produção de leite das vacas.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo Conab

Produção de grãos cresce e chega a 246 milhões de toneladas

Área semeada mantém a expectativa positiva de crescimento superior à safra passada, alcançando 64,2 milhões de hectares

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Arquivo/OP Rural

A terceira estimativa da safra 2019/20 de grãos sinaliza para uma produção de 246,6 milhões de toneladas, com aumento de 1,9%, equivalente a 4,6 milhões de toneladas, sobre a safra 2018/19. Os números que registram novo recorde da série histórica foram divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nesta terça-feira (10).

A área semeada mantém a expectativa positiva de crescimento superior à safra passada, com variação de 1,5%, alcançando 64,2 milhões de hectares. É bom lembrar que as culturas de segunda e terceira safras, além das de inverno, terão seus indicativos atualizados mais adiante, perto do período de cultivo.

Para a soja, há tendência de crescimento de 2,6% na área plantada em relação à safra passada e a estimativa aponta também para uma produção de 121,1 milhões de toneladas. As chuvas irregulares registradas no início do ciclo, em estados da região Centro-Oeste e Sudeste, por exemplo, apresentaram melhoras a partir do mês de novembro, o que favoreceu o avanço das operações de plantio. Já no Matopiba, que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, as mudanças climáticas interferiram na evolução da semeadura, mas a perspectiva é que o plantio seja realizado dentro do calendário próprio para a região.

O milho primeira safra, que tem crescimento de área de 1,2% e totalização de 4,2 milhões de hectares, continua perdendo espaço para a soja neste período. Nesta primeira fase, a estimativa de produção é de 26,3 milhões de toneladas. Com a colheita da soja, a partir de janeiro, inicia-se a semeadura da segunda safra de milho, que representa 72% da produção total do cereal no país.

A área do algodão, que apresentou grandes aumentos nas últimas duas safras, registra agora um acréscimo de 1,6%, devendo situar-se em 1,6 milhão de hectares. A produção estimada do algodão em caroço é de 6,8 milhões de toneladas e a da pluma, de 2,7 milhões de toneladas, similares, portanto, ao da safra anterior.

Já para o feijão primeira safra, a estimativa é de redução de 1,3% na área em comparação com a temporada passada. A cultura também perde espaço para a soja e o milho que apresentam melhor rentabilidade. Também o trigo que já está com 97% da produção colhida, deve alcançar 5,2 milhões de toneladas e redução de 3,9% em relação a 2018.

Fonte: Conab
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Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado

Planejamento é essencial para ganhos na pecuária de corte em 2020

Segundo gerente executivo da Assocon, o próximo ano poderá ser de ganhos para todos da cadeia produtiva, se estiverem planejados com suas compras e vendas

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Arquivo/OP Rural

Sendo um ano de muitas incertezas em toda a economia nacional, 2019 surpreendeu de muitas formas os pecuaristas brasileiros. Apesar de altos e baixos, preços, consumo e produção foram fatores que influenciaram muito a pecuária nacional. O gerente executivo da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Bruno de Jesus Andrade, faz uma avaliação do cenário econômico nacional na pecuária e fala sobre as perspectivas para 2020.

De acordo com ele, o mercado pecuário de gado de corte iniciou 2019 com boas expectativas, com um novo governo com promessas de reformas e boas projeções para a exportação, mas os resultados positivos demoraram a aparecer. “O primeiro semestre não correspondeu às expectativas de forma plena. No segundo semestre começamos a observar uma melhora no cenário para o pecuarista, uma consolidação da melhoria das exportações e aumento da rentabilidade ao produtor”, conta.

Para Andrade, o cenário ainda não é perfeito, o consumo interno ainda está enfraquecido e a recuperação prometida, se vier, deve ser somente para 2020. “O mercado interno é o nosso principal consumidor. Dessa forma, esse ganho aparente (com as exportações) que o setor teve em 2019 é muito frágil”, analisa.

O gerente explica que embora a demanda interna esteja enfraquecida e a oferta se comportando de maneira similar ao ano anterior, as exportações estão muito interessantes. “Continuando nesse ritmo, esperamos valorização da arroba do boi gordo até o final do ano. Existem negociações acontecendo bem acima dos indicadores oficiais de mercado”, informa.

Além do mais, Andrade comenta que este foi um bom ano porque os custos se mantiveram sob controle do pecuarista e ocorreu uma valorização da arroba do boi gordo. “Ainda assim, não foi um ano de grandes investimentos ou ousadia, considerando a atual situação (econômica) do Brasil”, comenta.

Ele ainda explica que mesmo com este cenário, existem mercados que a pecuária brasileira pode conquistar. “Temos Coréia do Sul e Japão como metas para os próximos anos. Além disso, ampliar nossas exportações para lugares que hoje já exportamos, como Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e Ásia. Importante também a exportação de animais vivos, que tende a crescer muito nos próximos anos e é um mercado relativamente jovem para o Brasil”, sustenta.

E o mercado interno?

Sobre as movimentações no mercado interno, Andrade informa que o custo da arroba engordada do confinamento em São Paulo no período de janeiro a setembro de 2018 ficou em R$ 132,30 e de R$ 133,45 entre janeiro e setembro de 2019. “É um aumento de 1%”, diz. Já em Goiás, o mesmo período em 2018, o custo da arroba engordada ficou em R$ 113,84 e em 2019 R$ 116,63. “É um aumento de 2,5%”. O importante, em sua visão, é que “de forma geral, os custos da engorda parecem estar controlados”.

Quanto à reposição de plantel, ou seja, a aquisição do animal para colocar no confinamento foi o item mais preocupante para os confinamentos que necessitaram comprar animais para a engorda em 2019, conta Andrade, que prevê a mesma situação para o ano que vem. “Esperamos mercado difícil também para 2020. O sistema conjugado, recria-engorda ou ciclo completo nos parece mais atrativo atualmente e para o próximo ano”, avalia.

Sobre a produção de animais confinados, o gerente explica que a estimativa continua estável, com a previsão de um pequeno crescimento. “Porém, boa parte desses animais já foram comercializados, restando muito pouco até o final do ano. Não acreditamos que esse volume crie algum impacto no mercado para depreciar os valores da arroba do boi gordo. Muito pelo contrário, o mercado está aquecido. O crescimento estimado, de 2019 em relação a 2018 é de 5%. Nosso número se baseia em propriedades que temos mapeadas e não representa 100% dos confinamentos brasileiros. Arredondando os números, 3,4 milhões de animais confinados em 2018 e 3,5 milhões de animais em 2019”, expõe.

O que esperar para 2020

Já para a pecuária para o próximo anos, Andrade espera que no cenário macroeconômico haja o surgimento dos primeiros resultados positivos, o que poderá fortalecer o mercado interno e promover um maior consumo de carne bovina. “Nossas exportações estão consolidadas e assim esperamos que continuem em 2020. Custos de produção subirão e o pecuarista tem que estar atento para a sua reposição. Em resumo, poderá ser um ano de ganhos para todos da cadeia produtiva se estiverem planejados com suas compras e vendas”, afirma.

Outro ponto de interesse para o pecuarista em 2020 é a retirada da vacinação contra a febre aftosa que já está acontecendo em alguns estados. “O Brasil tem o maior projeto de vacinação do mundo. Isso confere a nós o melhor status sanitário frente aos demais países competidores e alcance de mercado. A campanha vitoriosa do controle da febre aftosa conseguiu agregar todos os outros protocolos sanitários. Desmontar toda essa estrutura, que foi criada para o controle da febre aftosa, sem o devido preparo, seria temerário”, analisa.

Segundo ele, até o momento o Brasil não dispõe de estudos profundos que indiquem o real ganho do país com a retirada da vacinação. “A Assocon tem muito orgulho dessa conquista do setor e trabalharemos juntos com as demais entidades e Mapa para garantir a segurança sanitária de nosso rebanho. Portanto, para abdicarmos da vacinação precisamos ter a máxima certeza de que todas as variáveis serão controladas”, comenta.

Consumo de carne bovina no Brasil

De acordo com Andrade, cada brasileiro consome aproximadamente 47 quilos de carne bovina por ano, entretanto, dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam um consumo de 27 kg. “Alguns outros artigos apontam valores próximos de 30 kg de consumo por habitante ao ano. De qualquer forma, sabe-se que nos últimos anos, devido à crise econômica interna, esse consumo caiu, antes era estimado entre 35 – 37,5 kg por habitante/ano”, conta.

Dessa forma, para mudar este cenário, a Assocon tem desenvolvido uma campanha chamada “Semana com Carne”. “Nossa proposta foi criar algo positivo sobre o consumo de carne. Inicialmente estamos trazendo cortes de baixo custo e que podem ser aproveitados no dia a dia da família brasileira”, explica. A campanha terá ainda outras duas fases. “Em uma próxima etapa trataremos sobre os benefícios do consumo de carne e outras informações importantes. E em uma terceira pretendemos trabalhar os mitos e fatos sobre o consumo e produção de carne bovina. Sempre no sentido de instruir, informar e conscientizar as pessoas sobre o que é fato ou fake news”, explica.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Pesquisa desenvolve primeira cultivar brasileira de amendoim forrageiro propagada por sementes

Alto rendimento de forragem de qualidade aumenta em 46% a produtividade do rebanho

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Judson Valentim

Uma nova cultivar de amendoim forrageiro, planta recomendada para o consórcio com gramíneas, pode intensificar a produção pecuária a pasto nos diversos biomas com baixo impacto ambiental. Desenvolvida pela Embrapa, a BRS Mandobi é a primeira cultivar nacional da leguminosa com propagação por sementes. Além de diversificar as pastagens, melhora a fertilidade do solo e a dieta animal e eleva a longevidade dos pastos. O alto rendimento de forragem de qualidade aumenta em 46% a produtividade do rebanho.

Segundo a pesquisadora Giselle de Assis, coordenadora da Rede Nacional de Melhoramento de Amendoim Forrageiro, a intensificação sustentável da bovinocultura a pasto é uma tendência em todas as regiões do Brasil, para assegurar a competitividade da atividade. Um dos modelos utilizados se baseia na associação de gramíneas e leguminosas forrageiras bem adaptadas, produtivas e economicamente viáveis, capazes de fornecer aos animais os nutrientes necessários para a produção de carne ou leite.

“Pastagens consorciadas com amendoim forrageiro, quando bem manejadas, apresentam maior longevidade e garantem a manutenção da produtividade da forragem, por meio da fixação biológica de nitrogênio no sistema, com redução de custos com adubação nitrogenada e aumento da produção animal. A BRS Mandobi pode ampliar o uso dessa leguminosa na atividade pecuária, mediante a oferta de sementes nacionais de qualidade a preços mais acessíveis para o produtor rural”, explica a pesquisadora.

Potencial de uso da tecnologia

Entre outros fatores, a produção de forragem de qualidade e o desempenho produtivo de rebanhos bovinos de corte e leite estão relacionados ao uso de fertilizantes nitrogenados no processo de adubação de pastagens, mas, o alto preço do produto restringe a prática entre os produtores, especialmente em localidades da Amazônia. No Acre, a tonelada de ureia chega a custar R$ 2,6 mil, devido à grande distância em relação às indústrias produtoras e problemas na logística de transporte.

De acordo com o pesquisador Judson Valentim, da Embrapa Acre, o uso de gramíneas consorciadas com amendoim forrageiro representa uma alternativa eficiente para suprir a necessidade de nitrogênio nas pastagens, a baixo custo, já que a leguminosa consegue capturar esse nutriente do ar e fixar no solo, em função da associação da planta com bactérias que vivem na terra. A planta consegue incorporar até 150 quilos de nitrogênio na pastagem, o equivalente a 330 quilos de ureia, obtidos de forma natural, resultado que gera uma economia anual de cerca de R$ 600,00 por hectare, para o produtor rural.

“Esse ganho contribui para minimizar o uso de adubação química em pastagens, fator importante para a redução da emissão de gases de efeito estufa, uma vez que o processo de produção desses insumos emite grandes quantidades de carbono na atmosfera, contribuindo para uma pecuária mais sustentável. Outra vantagem do amendoim forrageiro é o elevado teor de proteína bruta presente na planta, entre 18% e 25%, nutriente que impacta diretamente a produtividade e a qualidade do pasto. O aporte proteico na dieta animal eleva o desempenho produtivo de bovinos por área, com baixas emissões de carbono, contribuindo para a mitigação dos impactos ambientais da produção de carne e leite a pasto”, diz Valentim.

Altamente produtiva, a BRS Mandobi produz três mil quilos de sementes por hectare. A tecnologia foi desenvolvida a partir de demandas do setor produtivo, gerada em função do alto custo com mão de obra no processo de implantação do consórcio com as cultivares de amendoim forrageiro disponíveis no mercado, todas propagadas por mudas. A nova cultivar é recomendada para os biomas Amazônia e Mata Atlântica e pode ser utilizada em consórcio com diferentes capins como Marandu, Xaraés, Piatã, Humidícola, Tangola, Decumbens, Mombaça, Massai e a Grama-estrela, entre outros tipos de forrageiras.

Demanda global

Estudos sobre a atividade pecuária na Amazônia indicam a existência de, aproximadamente, 46 milhões de hectares de pastagens cultivadas estabelecidas em áreas já desmatadas na região, com potencial de melhoramento a partir do uso de pastos consorciados com amendoim forrageiro. No Acre, a leguminosa já é utilizada em cerca de 80 mil hectares de pastagens, consorciadas com a cultivar Belomonte, propagada por mudas, mas a escassez de sementes e o alto custo do produto dificultam a expansão do uso da leguminosa.  Atualmente, as sementes disponíveis no mercado brasileiro são importadas da Bolívia e o quilo é comercializado a R$ 200.

A oferta de sementes nacionais de amendoim forrageiro é crucial para a adoção da tecnologia em larga escala, por produtores do Acre e de outros estados que já utilizam as cultivares propagadas por mudas, como Minas Gerais, Goiás e São Paulo, por baratear o custo do produto.

Conforme Valentim, há uma procura crescente por sementes de amendoim forrageiro de qualidade, tanto no mercado nacional como em países da América Latina, parte dos Estados Unidos e Austrália. A primeira área para produção comercial de sementes da BRS Mandobi será implantada em Campo Grande (MS), por meio de contrato firmado com uma empresa produtora de sementes de gramíneas forrageiras. “Por ser uma cultura nova, será um aprendizado para os empresários, mas acreditamos que a partir dessa primeira experiência, e com a finalização e recomendação do sistema de produção para a colheita100% mecanizada, outras empresas do ramo poderão produzir sementes da BRS Mandobi em escala comercial, para atendimento dessa demanda global”, ressalta o pesquisador.

Etapas da pesquisa

Realizadas no âmbito do Programa de Melhoramento Genético do amendoim forrageiro, coordenado pela Embrapa Acre, as pesquisas para desenvolvimento do amendoim forrageiro BRS Mandobi reuniram uma equipe multidisciplinar em diferentes frentes de trabalho, durante 20 anos, desde a seleção inicial das plantas que deram origem à cultivar. As diferentes etapas do processo investigativo envolveram análises moleculares da variabilidade genética de plantas de amendoim forrageiro para confirmação da identidade da BRS Mandobi, estudos para identificação dos teores de proteína bruta, fibra e digestibilidade da matéria seca produzida e análises da qualidade de sementes, com foco na obtenção do grau de pureza, vigor e viabilidade do produto, entre outras características genéticas da cultivar.

Em campo, os testes com a tecnologia enfatizaram aspectos como resistência a doenças, tolerância ao alagamento do solo e à seca, capacidade de persistência e compatibilidade da leguminosa no consórcio com gramíneas e eficiência no processo de semeadura das sementes. Além de propriedades rurais acreanas, a BRS Mandobi foi testada em Rondônia, Pará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. “Os resultados comprovaram que a cultivar pode ser plantada tanto em regiões quentes e úmidas como em localidades de clima frio, em níveis variados de precipitação e em solos bem drenados ou encharcados”, diz Giselle de Assis.

Para viabilizar a produção comercial de sementes da BRS Mandobi, a Embrapa tem investido no desenvolvimento de uma máquina colhedora de sementes. O equipamento a ser disponibilizado para a indústria permitirá a colheita de forma totalmente mecanizada, processo estratégico para atrair o interesse de empresas produtoras de sementes comerciais. Os testes com o primeiro protótipo confirmaram redução de 50% no preço do quilo do produto. A expectativa dos pesquisadores é diminuir ainda mais esse valor, com a versão final da máquina.

Para o gerente da Unipasto, Marcos Roveri, a implantação de pastos consorciados com uma planta de excelentes níveis proteicos, boa palatabilidade para o gado e capacidade de proporcionar ganhos reais, em áreas potenciais do País, principalmente no bioma Amazônia, permitirá a promoção contínua da sustentabilidade na pecuária nacional. “Investimos nessa tecnologia por acreditarmos na viabilidade competitiva de sistemas diversificados com leguminosas de alto valor agregado à produção de carne e leite e ao meio ambiente. Disponibilizar sementes de qualidade a preços compatíveis com a realidade dos produtores, certamente promoverá rápida expansão do uso do amendoim forrageiro no consórcio com pastagens como estratégia de produção”, afirma.

Ganhos de produtividade

Experimentos conduzidos em pastagens consorciadas com a cultivar BRS Mandobi em fazendas comerciais do Acre mostraram que, em sistema de cria e engorda, a tecnologia proporciona ganho de peso e aumenta o desempenho produtivo do rebanho. “Em pastos formados exclusivamente com gramíneas, a produtividade potencial foi de 24 arrobas de peso vivo/hectare/ano, apenas com suplementação mineral. Em pastagens consorciadas, a produtividade chegou a 35 arrobas de peso vivo/hectare/ano. Esse resultado é fantástico se comparado à produtividade média da pecuária nacional, em sistemas completos de cria, recria e engorda, de seis arrobas de peso vivo por hectare/ano em pastos puros”, enfatiza o pesquisador da Embrapa Acre Maykel Sales.

As pesquisas evidenciaram, ainda, que no período da seca, entre abril e setembro, o ganho de peso animal aumentou 86%, passando de sete arrobas/hectare/ano, no pasto puro, para 13 arrobas/hectare/ano, em pasto consorciado, desempenho possibilitado pela quantidade e qualidade da forragem disponível para o gado durante a estiagem. Além disso, a tecnologia reduz a fase de recria – período entre o fim da desmama dos bezerros e a etapa de terminação (engorda) – pela metade, passando de 24 para 12 meses, com impacto direto no ciclo de produção bovina.

Os efeitos do consórcio de gramíneas com amendoim forrageiro foram observados também em outros aspectos da atividade pecuária. De acordo com os estudos, em pastos consorciados com o amendoim forrageiro BRS Mandobi os animais atingiram o peso ideal para abate aos 30 meses de idade, enquanto em pastagens puras esse tempo é de 42 meses. Essa redução no tempo de permanência dos animais na pastagem proporciona economia com mão de obra, alimentação e vacinas, entre outros cuidados com o rebanho, refletindo-se positivamente no custo de produção da arroba.

“Além disso, a leguminosa melhora a capacidade de suporte das pastagens. Pastos consorciados suportam 20% mais animais quando comparados a pastagens puras. O aumento da taxa de lotação permite criar mais animais em uma mesma área de pastagem, fator que concilia intensificação da produção pecuária com conservação da floresta”, avalia Sales.

Implantação do consórcio

Segundo o pesquisador da Embrapa Acre Carlos Maurício de Andrade, pastagens consorciadas com amendoim forrageiro alcançam eficiência máxima quando a presença da leguminosa no pasto representa 20% a 40% da massa de forragem.  Para chegar a esse resultado, a implantação do consórcio pode ser realizada por dois métodos: com o plantio simultâneo da leguminosa com gramíneas, durante a reforma de pastagens degradadas, ou pelo plantio da leguminosa em faixas, em pastagens puras já estabelecidas. Para formar um hectare de pastagem consorciada são necessários 10 a 15 quilos de sementes da BRS Mandobi.

“Como as gramíneas forrageiras geralmente crescem mais rápido que as leguminosas, para assegurar o pleno estabelecimento do amendoim forrageiro na pastagem recomenda-se reduzir em 30% a taxa de semeadura da gramínea. Também é importante realizar o primeiro pastejo no momento adequado, quando a forrageira cobrir totalmente o solo. Além disso, procedimentos como preparo da área com grade ou enxada-rotativa, para o plantio em faixas, e aplicação de herbicida glifosato, na dosagem recomendada, diminuem a competição da gramínea com a leguminosa por nutrientes, água, luz e espaço no solo, e ajudam a garantir os ganhos comprovados pela pesquisa”, ressalta Andrade.

Fonte: Embrapa Acre
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