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Mais de 90% dos pecuaristas paulistas que adotaram sistemas integrados afirmam que continuarão com a tecnologia

Dado foi revelado em pesquisa que investigou fatores que levam propriedades paulistas a adotar ou não sistemas integrados de produção

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Mais de 90% dos pecuaristas que adotam a integração lavoura-pecuária (ILP) ou pecuária-floresta (IPF) no estado de São Paulo pretendem continuar utilizando esses sistemas que diversificam a produção ao gerar grãos e carne ou madeira e carne, por exemplo, em um mesmo espaço. Esse dado foi revelado em pesquisa que investigou fatores que levam propriedades paulistas a adotar ou não sistemas integrados de produção.

Os que adotam a integração lavoura-pecuária (ILP) têm maior tempo de experiência com agricultura, participam de eventos agropecuários e de cooperativas agrícolas e recebem mais visitas da assistência técnica. Também possuem propriedades e rebanhos maiores, com estrutura robusta de máquinas agrícolas, e utilizam o crédito rural.

Já os produtores que adotam integração pecuária-floresta (IPF) caracterizam-se por propriedades e rebanhos menores, produção diversificada e menor dependência da renda agropecuária: 88% têm outra fonte de receita. Nesse grupo, o acesso ao crédito rural é menor.

O estudo foi realizado pela Embrapa Pecuária Sudeste (SP), durante a safra 2016/2017. Foram entrevistados 175 produtores rurais de várias regiões do estado de São Paulo. Pouco mais da metade dos pecuaristas ouvidos, 52%, faz integração: 38% adotam lavoura-pecuária (ILP) e 14% pecuária-floresta (IPF).

O objetivo da pesquisa foi saber o que leva um produtor rural a adotar ou não a integração. “Compreender o comportamento frente a essa inovação é relevante para se pensar em políticas públicas e em ações de transferência de tecnologias”, acredita a pesquisadora da Embrapa Marcela Vinholis, que coordenou o estudo.

O levantamento obteve informações variadas, que envolvem perfil, tipos de sistemas adotados, influência para adoção, acesso a crédito rural, intensidade da adoção, acesso à informação técnica, características da propriedade rural, etc. A pesquisadora explica que são muitas as variáveis que interferem nessa decisão de diversificar e explorar novas oportunidades.

A metodologia considerou adotantes os que integram pelo menos duas modalidades de atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotação, de forma planejada, sistematizada e continuada, com a finalidade de comercializar os produtos.

Mais de 90% dos adotantes não querem deixar integração

Foi possível detectar que quem está no sistema está satisfeito e tem expectativa de continuar nele. Entre os adotantes, tanto de ILP como IPF, mais de 90% têm a intenção de permanecer com a integração. Já entre os que não adotam, 28% pensam em fazê-lo em curto prazo.

Outro número interessante é que cerca de 70% dos que implantaram sistemas integrados ILP foram motivados por outro produtor. O segundo fator citado como influenciador da adoção foi o serviço de extensão rural (20%). Entre os adotantes de IPF, 63% citaram a observação de outro produtor rural e 29% os técnicos da extensão rural.

Os arranjos de integração encontrados foram muito diversificados. Os pesquisadores encontraram pecuária com soja, milho, mogno, eucalipto, sorgo, feijão, amendoim, abóbora e abacaxi, entre outros. O tipo de produto está atrelado ao mercado local. “O produtor adapta o conceito de acordo com seu perfil, potencial da região e mercado”, conta Vinholis.

Crédito rural favorece a adesão a tecnologias sustentáveis

Constatou-se também que o acesso ao crédito contribui para a inserção de melhorias no campo. “Novas tecnologias agrícolas podem demandar alto investimento inicial. Nesse caso, a disponibilidade de recursos financeiros é um importante determinante da decisão de adoção”, explica o economista Marcelo José Carrer, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Dos adotantes de ILP, 86% tiveram acesso ao crédito. Entre os não adotantes a porcentagem cai para 65%.

Segundo Carrer, o principal resultado da pesquisa indica que o acesso à política de crédito rural aumenta a probabilidade de adoção de ILP. “Foi constatado que esses recursos subsidiados estão sendo utilizados para financiar a adoção de tecnologias sustentáveis pelos produtores. Assim, percebe-se que a política está atingindo o objetivo de incentivar a difusão de tecnologias mitigadoras de GEE”, conta o economista.

Hoje, há disponibilidade de linhas de financiamento específicas para a adoção dos sistemas de integração, como do Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). No entanto, poucos conhecem. Somente 11% dos que adotam ILP tiveram acesso a essa linha e, do IPF, apenas 8%.

O Plano ABC incentiva a implantação de sistemas agropecuários sustentáveis. Além de linhas de crédito, promove ações de capacitação de técnicos e produtores para a ampliação da integração. Para Carrer, o acesso ao crédito deve estar atrelado à política de extensão rural. “Além do acesso a recursos financeiros, é importante que os produtores recebam orientação técnica e organizacional adequada para adotar e gerenciar os sistemas ILP”, explica ele.

Extensão rural é importante para o sucesso

Os serviços de extensão rural são essenciais para a transferência de tecnologias e acesso à informação no campo. “As informações disponibilizadas pelos técnicos são importantes para criar incentivos à adoção e reduzir a probabilidade de manejo inadequado dos sistemas integrados”, afirma o economista. Ele explica que a ILP aumenta a complexidade organizacional nas fazendas em decorrência da necessidade de planejamento e coordenação de um conjunto maior de processos produtivos. O trabalho da extensão rural auxilia os produtores no manejo e gerenciamento desses processos.

A falta de orientação técnica foi uma das principais queixas dos pecuaristas entrevistados e pode ser considerada um dos fatores que limitam a utilização dos sistemas integrados como atividade produtiva. No grupo dos não adotantes ficou evidente o menor número de visitas técnicas por profissionais especializados.

Coleta de dados

A seleção da amostra para a pesquisa foi feita com ajuda de técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e da cooperativa Cocamar. Além disso, houve contato prévio com sindicatos rurais e associações do estado de São Paulo.

Foram elaboradas duas listas. Uma com produtores que adotam sistemas integrados com lavoura ou floresta e outra das fazendas que não adotam a integração. Da primeira lista, foram contatados 89 produtores – 65 adotantes de ILP e 24, IPF. A amostra de pecuaristas que não adotam sistemas de integração foi selecionada de forma não aleatória. Segundo Vinholis, para cada propriedade que trabalha com sistema de produção integrado da amostra, foi selecionada uma propriedade próxima que produza gado bovino a pasto em sistema de produção não integrado.

De acordo com a cientista da Embrapa, o resultado da pesquisa busca subsidiar políticas públicas e ações de transferência de tecnologia.

Além de pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, fazem parte da pesquisa profissionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O suporte financeiro foi da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). 

Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste

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Notícias Segundo Embrapa

Pecuária orgânica é oportunidade pós-pandemia

Na pecuária orgânica, devem ser utilizadas práticas zootécnicas que maximizem o bem-estar animal, a qualidade do produto e o retorno econômico

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Atividade ainda incipiente no País, a pecuária orgânica é viável e representa uma oportunidade de mercado no período pós-pandemia do novo coronavírus. É o que mostram os resultados de estudos apresentados pelo pesquisador João Paulo Soares, da Embrapa Cerrados, em palestra apresentada no dia 20 de julho no I Encontro On-line do Grupo de Estudo em Produção Animal Sustentável (GOPAS) “Zootecnia e Sustentabilidade: novos caminhos para a produção animal”, promovido pela Universidade Estadual do Piauí.

Segundo Soares, com o início da pandemia, em março deste ano, houve aumento no interesse e na procura por trabalhos científicos e atividades de produtores e feiras orgânicos e por produtos orgânicos nos supermercados. “Nessa perspectiva, vemos a possibilidade de uma grande oportunidade, tanto para zootecnistas, agrônomos, veterinários e empresas, de ter no mercado de produção orgânica vegetal e animal uma grande demanda no futuro”, disse, acrescentando que não será necessário abrir novas áreas agrícolas.

Apesar de ainda pouco representativo em comparação com o mercado convencional, o mercado de produtos orgânicos certificados no Brasil, que em 2013 movimentou 688 milhões de euros e atualmente conta com cerca de 21 mil produtores (a maioria agricultores familiares), cresceu anualmente 14,5% em média entre 2014 e 2017, sendo que na pecuária orgânica o crescimento anual é estimado em 20 a 30%, de acordo com o Forschungsinstitut für biologischen Landbau (FiBL – Instituto de Pesquisa em Agricultura Orgânica), da Suíça, e com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao citar dados de produção de leite, ovos e carne orgânicos no País, o pesquisador mostrou como os números, apesar do crescimento expressivo ao longo dos anos, ainda são ínfimos perto do total nacional da produção animal. “Precisamos ter soluções de inovação para o desenvolvimento da produção”, comentou.

Ele apresentou aspectos da normatização para a conversão dos sistemas convencionais em orgânicos e o sistema de certificação no Brasil, que contempla três diferentes modalidades – Certificação por Auditoria (utilizado pela maioria dos produtores), Controle Social na Venda Direta e Sistema Participativo de Garantia (em crescimento).

Para diferenciar agroecologia de sistemas orgânicos, Soares lembrou que a primeira é uma ciência que estuda práticas, processos e métodos para produção sustentável, enquanto os segundos são sistemas de produção nos quais as práticas e os processos agroecológicos podem ser utilizados. O pesquisador destacou o conceito utilizado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) sobre os sistemas orgânicos, que são holísticos e promovem e estimulam a saúde do ecossistema, estando aliados a determinadas práticas de manejo (uso de insumos da propriedade, práticas agronômicas, métodos mecânicos e biológicos em detrimento do uso de materiais sintéticos) e ao mercado justo.

Na pecuária orgânica, devem ser utilizadas práticas zootécnicas que maximizem o bem-estar animal, a qualidade do produto e o retorno econômico. Também devem ser utilizados animais cujos genótipos sejam adaptados aos sistemas não intensivos ou semi-intensivos. Nesse tipo de sistema, não são permitidos agroquímicos, hormônios sintéticos nem organismos geneticamente modificados.

Para abordar avanços e tecnologias para sistemas orgânicos de produção animal, Soares mostrou resultados de algumas pesquisas realizados nos últimos 20 anos pela Embrapa. Ele citou um estudo com biofertilizantes e condicionadores de solo no manejo de pastagens, que apresentaram desempenho semelhante ao do manejo convencional quanto à produção de matéria seca, além de comprovar o efeito positivo no uso de adubos verdes.

Outra pesquisa avaliou o uso do banco de proteína com leguminosa (Estilosantes bela), que permitiu a redução do consumo de silagem por vacas leiteiras na época seca, permitindo economia ao produtor. Em um estudo sobre controle sanitário estratégico, o uso de insumos alternativos como óleo de nim a 1% e medicamento homeopático sulphur 6H permitiu a redução do número de ectoparasitos em bovinos. Já uma avaliação do manejo orgânico em caprinos em comparação ao manejo convencional para reprodução, o controle de ecto e endoparasitas e controle sanitário e preventivo contra mastite apontou resultados semelhantes nas taxas de prenhez, na produção e na composição do leite, nos parâmetros sanguíneos das cabras no período da lactação, bem como na eficácia para controle do número de ovos de parasitos por grama de fezes.

O pesquisador também detalhou o estudo com sistema agrossilvipastoril de produção de leite orgânico na Unidade de Pesquisa Participativa em Produção Orgânica (UPPO), área de 1,1 ha instalada na Agrobrasília, no Distrito Federal. O sistema integra forrageiras, mandioca, eucalipto, árvores nativas, maracujá doce e milho para silagem. O solo recebeu correção e adubação orgânica e adubos verdes (leguminosas). Soares explicou o manejo do pastejo de novilhas leiteiras em recria e mostrou os dados de produção das forrageiras, do milho e da mandioca, do crescimento do eucalipto e do ganho médio diário em peso das novilhas, cerca de 600 g na média das raças utilizadas.

Soares reafirmou que os sistemas orgânicos de produção animal são técnica e economicamente viáveis, desde que os diversos arranjos produtivos possíveis estejam equilibrados, havendo maior preocupação com o meio ambiente, maior bem estar animal e ausência de resíduos. Por outro lado, há alguns limitantes, como a necessidade de áreas de produção de forragem na propriedade, já que o confinamento não é permitido pela legislação. Além disso, os animais podem ser suplementados com concentrado ou suplementos não orgânicos, em apenas 15% para ruminantes e 20% para monogástricos, da matéria seca total ingerida por dia adquirida fora da propriedade. Apesar de demandarem menos investimentos e custeio, esses sistemas requerem mais mão de obra.

Segundo o pesquisador, os produtos orgânicos têm como mercado preferencial o de produtos frescos em âmbito local e regional. Nesse sentido, ele destacou a oportunidade para produtores de começarem a trabalhar ou fazerem a conversão para a produção orgânica, uma vez que os produtos têm maior valor agregado e, se processados, podem alcançar mercados mais distantes e rentáveis. “É uma oportunidade no pós-pandemia porque vai se buscar qualquer tipo de alimento com qualidade”, observou, explicando que a pequena propriedade é mais ajustada para os sistemas orgânicos.

Ao final da apresentação, ele apontou dois marcos recentes e importantes para a produção orgânica no País: o lançamento do Programa Nacional de Bioinsumos, que disponibilizará um catálogo com diversos bioinsumos registrados  no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e a implantação do Instituto Brasil Orgânico, que busca promover o movimento orgânico brasileiro e envolver os diversos atores e segmentos para definir estratégias e tornar acessíveis sistemas produtivos e de oferta e comercialização de produtos.

Fonte: Embrapa Cerrados
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Notícias Safra de inverno

Valor médio do trigo no Paraná fica inferior ao do Rio Grande do Sul

Colheita de trigo avança no Paraná, e as atividades devem começar no Rio Grande do Sul apenas entre outubro e novembro

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Divulgação/AENPr

A colheita de trigo avança no Paraná, e as atividades devem começar no Rio Grande do Sul apenas entre outubro e novembro. Com isso, os preços do trigo estão em queda, mas com mais força no estado paranaense, fazendo com que o valor médio nesse estado fique inferior ao observado no Rio Grande do Sul.

De acordo com pesquisadores do Cepea, esse cenário é atípico, tendo em vista que, historicamente, os preços no Paraná superam os do Rio Grande do Sul.

Na média da parcial de setembro (até o dia 21), o preço médio do trigo no mercado disponível (negociações entre empresas) no Paraná está em R$ 1.156,52/tonelada, queda de 4,5% frente à de agosto.

No Rio Grande do Sul, a média está em R$ 1.218,54/t, baixa de 1,3% na mesma comparação.

Fonte: Cepea
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Notícias Pecuária

Raça Braford consolida mercado no Estado do Maranhão

Adaptabilidade da raça ao clima quente garante investimentos e abre novas possibilidades na região Nordeste do país

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ABHB/Divulgação

A raça Braford vem ganhando cada vez mais espaço na região Nordeste do Brasil. No Estado do Maranhão, em especial, já são 168 animais registrados, conforme o Setor de Registro Genealógico da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB). Um dos investidores é o criador gaúcho Luiz Paulo Malmann Filho, proprietário da Fazenda Fernanda, localizada no município de Balsas. Faz parte dos seus objetivos fomentar e introduzir na região  o cruzamento do Braford com o Nelore, tendo, inclusive, repassado muitos touros para os seus vizinhos.

O dono da Fazenda São Manoel, de Alegrete (RS), Paulo César Fleck, que trabalha com genética e é um dos formadores da raça Braford, participante do programa de seleção da Conexão Delta G, há dois anos abriu um novo mercado no Maranhão. “Já vendemos para a Fazenda Fernanda mais de 100 touros e mais de 150 ventres. Inclusive, touros Hereford, um fato inédito para aquele Estado”, afirma Fleck.

Conforme Fleck, Malmann Filho está muito satisfeito com a resposta da raça e vem colhendo resultados. “A sua propriedade possui 7,5 mil hectares, onde planta soja e milho e cria o gado, sendo que para isto são destinados 15 mil hectares do total. Ele tem confinamento e é um entusiasta da carne de qualidade”, observa, lembrando que o criador do Maranhão também está fazendo cortes, levando o gado gordo para ser abatido e lançado no mercado maranhense com grife.

Fleck destaca que o Braford é uma raça incrível porque tanto se adapta no Sul como também em regiões mais quentes. “Como o gado responde muito bem, estamos fazendo bons negócios. Temos agora um grupo de produtores no Tocantins que está querendo levar a nossa genética. Para nós, isso é muito satisfatório por ver que a nossa seleção genética está dando resultado e ajudando outras pessoas a atingir uma excelência na criação”, ressalta.

Fonte: Assessoria
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Biochem site – lateral

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