Avicultura
Mais de 80% de pellet no comedouro e um resultado ruim: como isso é possível?
Pesquisadores abordam a qualidade física das dietas em frango de corte em estudos publicados.

Por volta do ano 2006, trabalhei em uma fábrica de rações que produzia alimento para diferentes espécies e para todas as fases. Naquela época, a reclamação em relação à qualidade dos pellets era sistêmica e não era injustificada. Em função da alta demanda, características de fórmulas, equipamentos e processos, os pellets raramente atingiam um Índice de durabilidade (PDI) de 78% e a média de finos era superior a 30%. O que tínhamos, então, eram níveis muito elevados de finos a nível de campo, com percentuais de pellet no comedouro abaixo de 35%. As reclamações eram totalmente fundamentadas.
Depois de muita dificuldade e de inúmeras tentativas adicionando água em diferentes pontos do misturador até o condicionador, resolvemos testar a redução do diâmetro do furo da matriz da peletizadora: de 4 mm para 3,5 mm, mantendo a taxa de compressão. Lembro-me como se fosse hoje, a equipe inteira comemorando os 95% de PDI e o pouco mais de 3% de finos na saída do resfriador e da vibração da equipe da fábrica ao iniciar a descarga do resfriador e ouvir o barulho dos pellets caindo nas chapas do fundo do silo e a vibração se repetindo quando a mesma ração foi carregada no caminhão. Por se tratar de um experimento, a carga que estava sendo carregada foi acompanhada e amostras foram tomadas durante a descarga do caminhão e em diferentes pontos do comedouro. Conseguimos fazer um pellet de qualidade com mais de 80% no último comedouro no final da linha.
No dia seguinte, a equipe de campo me ligou dizendo que as aves não consumiam o pellet e que jogavam uma quantidade absurda de pellet para fora, deixando a cama próxima às linhas de comedouros totalmente forrada de ração. Aí veio a piada de que “o frango não sabia comer pellet porque nunca tinha visto”.
O que aconteceu nesse experimento foi que o pellet ultrapassou muito a dureza ideal, chegando a atingir níveis de 10 kg/cm². O excesso de dureza acabou provocando desconforto nas aves, por isso os pellets foram imediatamente descartados.
Descrevo este fato para dizer que o pellet e suas características e impactos na nutrição são fundamentalmente eficazes e conhecidos pela grande maioria das pessoas. Os trabalhos e outros artigos escritos por mim abordaram este tema e já mencionei autores que servem como referência nacional e internacionalmente.
Pesquisadores abordam a qualidade física das dietas em frango de corte em estudos publicados. Outros demonstram que ao reduzir a quantidade de finos de 16% para 0%, obtêm-se uma melhora de 2,8% na conversão alimentar, indicando que frangos de corte gastam três vezes mais tempo para se alimentar com dietas fareladas.
Um outro estudioso comparou a ração peletizada em relação à farelada e observou melhores indicadores para rações peletizadas, como maior consumo, maior peso corporal e melhor conversão alimentar. Existem ainda os aspectos sanitários e microbiológicos estudados por diferentes autores.
Mas o que todos esses aspectos têm em comum? A importância da qualidade do pellet nos resultados zootécnicos do frango de corte.
Teoricamente um pellet como o obtido em meu experimento deverá atender todos os quesitos já citados, mas para que estes pontos sejam atingidos precisamos fazer um pellet de qualidade, produzido de forma correta, temperatura correta, atingindo umidade, temperatura e tempo de cozimento adequados.
PDI, finos, dureza, umidade, temperatura e tempo de condicionamento, resfriamento correto, contaminações e recontaminações reduzidas ao máximo, estabilidade do processo, qualidade da mistura e granulometria são alguns fatores que interferem na qualidade. Afinal, de nada adianta termos 90% de pellet no comedouro e as aves não o consumirem porque a dureza está acima do que esperamos, ou melhor dizendo, está fora do que a ave quer.
Olhando para o gráfico 1, considerando que o pellet da linha azul tem 18% a mais de pellet no comedouro que o do pellet em vermelho, qual dos dois você acredita que atendeu melhor aos parâmetros acima mencionados? Pense nisso.

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Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



