Avicultura
Maior produtor nacional de carne de frango orienta produtores a redobrar cuidados com Influenza aviária
Órgão de defesa agropecuária realiza vigilância ativa nas propriedades rurais do Paraná, seja em estabelecimentos comerciais de produção, reprodução ou postura. Além disso, todas notificações recebidas de suspeitas são atendidas prioritariamente.

Depois das notificações recentes de Influenza aviária de Alta Patogenicidade na América do Sul, o serviço veterinário federal e os serviços estaduais reforçaram as orientações aos produtores e profissionais que atuam nas granjas. A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) alerta para a necessidade de redobrar a atenção às medidas de prevenção e biossegurança no estado.
O órgão de defesa agropecuária realiza vigilância ativa nas propriedades rurais do Paraná, seja em estabelecimentos comerciais de produção, reprodução ou postura. Além disso, todas notificações recebidas de suspeitas são atendidas prioritariamente. “A notificação imediata de sinais de doença nas aves é importante para que o diagnóstico e as ações de contenção sejam rápidos, e, em caso de detecção do agente, que haja o menor prejuízo possível”, ressalta o gerente de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias.
A Adapar tem promovido a capacitação e o treinamento de profissionais em todas as Unidades Regionais do Estado, bem como conta com médicos-veterinários com dedicação exclusiva e capacidade técnica elevada na área para atendimento das questões sanitárias da cadeia avícola do estado.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) desenvolveu um plano de contingência para uma eventual introdução da doença no país e mantém vigilância permanente no território nacional, incluindo portos, aeroportos internacionais, correios, postos de fronteira e estações aduaneiras do interior.
Cuidados
Nos últimos meses o Paraná, maior produtor de carne de frango do país, está em alerta máximo na prevenção da doença de alta patogenicidade. O diretor-presidente da Adapar, Otamir Martins, frisa que medidas de biosseguridade ajudam a evitar que as aves entrem em contato com algo que possa transportar o vírus. “Os produtores precisam atentar-se à desinfecção de veículos na entrada e saída da granja, restrição de acesso de pessoas alheias ao estabelecimento, impedir contato de aves de vida livre às aves da granja, uso de roupas exclusivas para manejo da granja e registros sanitários em dia”, menciona.
Notificação
Sinais respiratórios, nervosos e digestivos, bem como mortalidade nas granjas, devem ser notificados junto à Adapar de forma imediata. Responsáveis técnicos e produtores precisam notificar obrigatoriamente por meio do sistema e-Sisbravet ou diretamente nas unidades da Adapar. A Agência também pede que a iniciativa privada faça sua parte, adotando as medidas de biosseguridade e biossegurança necessárias nas granjas, fortalecendo o trabalho conjunto.
Nota técnica
A fim de alertar a cadeia produtiva sobre as ações que devem ser tomadas para intensificar a segurança sanitária do plantel paranaense e esclarecer sobre casos de Influenza aviária de Alta Patogenicidade registrados na América do Sul desde outubro, a Adapar emitiu uma Nota Técnica em dezembro de 2022. “Considerando o impacto potencial da doença para a avicultura nacional, a segurança alimentar e a saúde pública e, ressaltando as perdas diretas e indiretas para a cadeia produtiva, é necessário o fortalecimento da biosseguridade, a fim de mitigar riscos de ingresso e disseminação da Influenza aviária de Alta Patogenicidade no país”, alertam o presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, e o gerente de Defesa Animal, Rafael Gonçalves Dias, que assinam o documento.
A nota registra que, além da mortalidade massiva de aves marinhas, aquáticas e aves de rapina, há relatos de infecções em mamíferos selvagens, como raposas, lontras e focas. “Embora os surtos atuais contemplem baixo número de infecções humanas, todas as cepas de H5N1 apresentam riscos zoonóticos”, reforça a Adapar.
A intensificação das ações de vigilância no Paraná segue as estratégias delineadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, que incluem, por exemplo, a coleta de amostras de aves de subsistência criadas em locais de circulação de aves migratórias.
Orientações práticas aos produtores de aves
- Não receber nas propriedades e, especialmente nas granjas, pessoas não vinculadas ao sistema produtivo, exceto o Serviço Veterinário Oficial do Paraná, com recomendação redobrada para pessoas provenientes do exterior, estrangeiros ou brasileiros.
- Lavar as mãos e trocar roupas e sapatos sempre antes de acessar as granjas.
- Desinfetar todos os veículos que acessem a propriedade.
- Em caso de viagem ao exterior, ao voltar, higienizar bem todas as roupas e sapatos.
- Evitar o contato dos animais das granjas com outras aves, especialmente aves silvestres. Verificar as telas dos aviários, que devem estar íntegras para impedir a entrada de outros animais nos aviários.
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Avicultura
Congresso APA 2026 reúne lideranças e debate os rumos da avicultura de postura
Evento ocorre de 09 a 12 de março, em Limeira (SP), e terá programação técnica focada em mercado, sanidade, inovação, sustentabilidade e cenário político-econômico do setor de ovos.

A Associação Paulista de Avicultura (APA) apresenta a programação oficial do XXIII Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, que será realizado entre os dias 09 e 12 de março, no Zarzuela Eventos, em Limeira (SP). Reconhecido como o principal fórum técnico da avicultura de postura da América do Sul, o evento reunirá produtores, pesquisadores, lideranças setoriais, autoridades e empresas do setor.
Com uma agenda estruturada, ao longo de quatro dias, o Congresso abordará temas estratégicos para o futuro da cadeia produtiva de ovos, incluindo mercado, economia, sanidade, biosseguridade, nutrição, bem-estar animal, inovação tecnológica e sustentabilidade, por meio de painéis técnicos, palestra magna, apresentações científicas e espaços empresariais.
Entre os destaques da programação está a palestra magistral do ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, que trará uma análise aprofundada sobre as perspectivas políticas e econômicas, como também para a avicultura brasileira, contextualizando o papel do setor no desenvolvimento nacional, na segurança alimentar e no cenário geopolítico global.
Outro ponto alto do evento será a participação do economista Alexandre Mendonça de Barros (MB Agro, São Paulo/SP), referência em análises do agronegócio, que abordará as tendências globais do mercado de grãos e seus impactos diretos na produção de ovos, oferecendo uma leitura estratégica sobre custos, competitividade e tomada de decisão em um ambiente de alta volatilidade.
“O Congresso APA é um espaço de convergência entre ciência e mercado. A programação de 2026 reflete a complexidade e a relevância estratégica da avicultura de postura, trazendo nomes que ajudam o setor a compreender não apenas os desafios técnicos, mas também o contexto econômico e institucional em que estamos inseridos”, afirma José Roberto Bottura, Diretor Técnico da APA e membro da comissão organizadora.
Além da palestra magna, o evento contará com painéis dedicados à Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, uso racional de antimicrobianos, inteligência artificial aplicada à produção, cage free, micotoxinas, biosseguridade e legislação, reforçando o compromisso da APA com a atualização técnica e a construção de soluções para os desafios presentes e futuros da atividade.
O Dr. Prof. Lúcio Araújo destaca a relevância do temário do congresso: “Trabalhamos de forma intensa e estratégica para garantir que os temas estivessem diretamente conectados aos principais desafios da indústria brasileira de ovos. O crescimento consistente do consumo per capita no Brasil já posiciona o país entre os dez maiores mercados do mundo, o que exige uma abordagem integrada de toda a cadeia de produção e comercialização. A construção desse programa técnico tem como objetivo elevar, de forma estruturada e contínua, os níveis de eficiência, competitividade e sustentabilidade do setor”.
“Mais do que um congresso técnico, o APA 2026 será um ambiente de diálogo qualificado, networking estratégico e alinhamento de visões para o futuro da postura comercial brasileira”, conclui o presidente da APA Érico Pozzer.
Avicultura
Frango avança para R$ 111 bilhões em 2025, mas perde participação no VBP total do agro
Redução ocorre porque outras cadeias, especialmente soja, bovinos e milho, cresceram em ritmo mais acelerado e ampliaram sua influência no resultado geral.

O Valor Bruto da Produção (VBP) da avicultura de corte deve atingir R$ 111,2 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um aumento de R$ 4,7 bilhões frente aos R$ 106,5 bilhões registrados em 2024, uma alta aproximada de 4,4% no faturamento da cadeia.
Apesar do crescimento nominal, os frangos perderam participação no VBP total do agro brasileiro. A atividade encerrou 2024 respondendo por 8,40% do VBP nacional, mas em 2025 sua fatia caiu para 7,88%. A redução ocorre porque outras cadeias, especialmente soja, bovinos e milho, cresceram em ritmo mais acelerado e ampliaram sua influência no resultado geral.
Ainda assim, a avicultura de corte segue entre os setores mais relevantes do país, sustentada pela competitividade internacional e pelo abastecimento interno. O Brasil permanece como maior exportador global de carne de frango, o que contribui para um fluxo constante de demanda externa e fortalece a receita do setor.

No recorte por estados, o Paraná continua líder absoluto, com VBP projetado de R$ 38,7 bilhões em 2025, acima dos R$ 37,3 bilhões registrados no ano anterior. Santa Catarina aparece na segunda posição, com R$ 15,0 bilhões, seguida por São Paulo (R$ 13,2 bilhões) e Rio Grande do Sul (R$ 10,5 bilhões). Goiás, com R$ 9,1 bilhões, completa o grupo das cinco principais regiões produtoras.
O histórico da série confirma a trajetória de expansão da avicultura: de R$ 75,7 bilhões em 2018 para mais de R$ 111 bilhões em 2025. A cadeia mantém o perfil altamente tecnificado, com evolução contínua em genética, biosseguridade e eficiência produtiva, fatores que sustentam sua relevância econômica mesmo diante de oscilações no mercado de carnes.
Com crescimento moderado e leve retração na participação relativa, o setor de frangos fecha 2025 consolidado, competitivo e preparado para seguir contribuindo de forma decisiva para o agronegócio brasileiro.
O Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
Avicultura
Tributação no meio da cadeia avícola eleva custos e pressiona preços do frango
Sindiavipar alerta que LC nº 224/2025 mantém desoneração do frango, mas reintroduz custos em elos estratégicos da produção, com impacto indireto no preço final.

Apesar de preservar a carne de frango na lista de produtos desonerados da cesta básica, a Lei Complementar nº 224/2025 traz efeitos econômicos relevantes para a cadeia produtiva avícola, sobretudo ao reintroduzir tributação em etapas intermediárias consideradas estruturais para o setor. A avaliação consta em comunicado divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), que aponta risco de aumento indireto de custos ao longo do sistema produtivo.

Foto: Ari Dias
Segundo a entidade, a nova legislação mantém a isenção na etapa final, mas altera o tratamento tributário de operações fundamentais, como a comercialização de ovos férteis e a venda de pintinhos de um dia destinados a incubatórios e à integração. Esses insumos estão na base da cadeia industrial e, ao serem tributados, fazem com que a carga fiscal passe a incidir antes da fase de abate e industrialização.
O principal ponto de atenção, de acordo com o Sindiavipar, está na combinação entre a oneração dessas etapas intermediárias e a ausência ou limitação do direito ao crédito nos elos seguintes. Nesse formato, o tributo pago ao longo da cadeia não é integralmente compensado, se transformando, total ou parcialmente, em custo definitivo de produção.
Esse mecanismo, destaca a entidade, compromete o princípio econômico da não cumulatividade. Na prática, cria-se um custo tributário cumulativo disfarçado, especialmente sensível em cadeias longas e altamente integradas, como a avicultura industrial brasileira.
Mudanças na sistemática de alíquotas e créditos
O comunicado também chama atenção para mudanças específicas na sistemática de alíquotas e créditos. Produtos que antes operavam

Foto: Divulgação/Copacol
com alíquota zero passam a ser tributados em 10% da alíquota padrão. Além disso, os créditos presumidos, anteriormente integrais, sofrem redução de 10%, passando a 90% do valor, o que amplia a parcela de imposto não recuperável ao longo do processo produtivo.
Sem crédito pleno, o tributo incorporado tende a se propagar por todas as etapas seguintes – incubatórios, integração, engorda, abate e industrialização – pressionando margens das empresas ou induzindo repasses ao preço final. Com isso, embora a carne de frango permaneça formalmente desonerada, o custo embutido ao longo da cadeia pode resultar em elevação de preços ao consumidor.
Na avaliação do Sindiavipar, esse efeito indireto acaba onerando produtos classificados como cesta básica, uma vez que os custos tributários acumulados nas fases anteriores não são passíveis de recuperação. O alerta reforça a necessidade de análise sistêmica da tributação, considerando não apenas o produto final, mas toda a estrutura produtiva que sustenta a oferta de alimentos essenciais.



