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Maior produtor de suínos do Nordeste projeta verticalização completa da atividade

Granja Xerez planeja expandir suas operações a partir de 2024, com a construção de uma nova unidade produtora, uma nova fábrica de ração e um abatedouro próprio.

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Fotos: Divulgação/Granja Xerez

Com um plantel de três mil matrizes, a Granja Xerez, localizada na Região Metropolitana de Fortaleza, CE, é considerada a maior produtora de suínos das regiões Norte e Nordeste do Brasil, com uma produção anual de cerca de 10 mil toneladas de carne suína. Fundada em 1991 por Allan Mororó Xerez Silva, o complexo possui um sítio de produção com três mil matrizes nas cidades de Maranguape e Caridade, distribuída em três Unidades Produtoras de Leitões (UPLs) e 12 granjas para crescimento e terminação. E também atua na avicultura de corte, com abate de 105 mil frangos por semana, duas fábricas para produção própria de ração e uma extrusora de soja. “As atividades da Granja Xerez começaram há 32 anos com frango de corte e há cerca de 22 anos adentramos na suinocultura. Apesar de vários núcleos de produção, atuamos em um sistema integrado de forma independente, sendo todas as granjas de um mesmo produtor”, menciona o médico-veterinário da Granja Xerez, Tiago Silva Andrade, que também é professor na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Ceará e doutor em Zootecnia.

A Granja Xerez utiliza as mais modernas tecnologias de produção, incluindo sistemas de alimentação automatizada, tecnologia de nutrição, construção de galpões com sistemas de pressão negativa, revestimento de telhas de cerâmica, pé direito elevado, arborização, controle de temperatura e umidade, monitoramento sanitário, tratamento da água e densidade de alojamento nas baias. “Conseguimos atenuar o calor gerado pelo sol com investimentos em ambiência, por outro lado, aqui não tem uma variação muito grande de temperatura, o que para a saúde dos animais é bastante importante”, pontua Andrade, acrescentando: “Posso afirmar que as nossas granjas tecnificadas não deixam nada a desejar para as granjas do Sul do país, porque as tecnologias chegam aqui também”.

Médico-veterinário da Granja Xerez, Tiago Silva Andrade

De acordo o médico-veterinário, o Ceará oferece condições climáticas ideais para a criação de suínos, uma vez que apresenta uma temperatura estável ao longo de todo o ano, sem muitas variações térmicas. Das três UPLs, uma é totalmente climatizada com pressão negativa. Essa granja está localizada em um dos lugares mais quentes do Ceará, com temperatura média de 32ºC. “Com a pressão negativa conseguimos oferecer uma sensação térmica de 25º C para as 700 matrizes que estão alojadas, inclusive esta unidade foi reconhecida entre as 10 melhores do Brasil na categoria 501 a 1000 matrizes no Prêmio Melhores da Suinocultura Agriness, com índice de desmame fêmeas/ano superior a 35 e uma produção de mais de 235 quilos de leitões desmamados por fêmea/ano”, conta Andrade, orgulhoso.

Visando a sustentabilidade do negócio, os resíduos orgânicos são reaproveitados para produção de biofertilizantes e a geração de energia. “Atualmente usamos o biofertilizante nas propriedades da Granja Xerez, mas temos um projeto para comercializar esse produto futuramente”, adianta Andrade. “Hoje para você criar suínos tem que ser sustentável, porque é uma atividade que tem um potencial poluidor muito grande”, argumenta o profissional.

Escoamento da produção

Com uma produção média de 15.2 leitões nascidos vivos por fêmea, a granja comercializa aproximadamente 1,5 mil animais terminados por semana. Cerca de 90% desse total permanece na Região Metropolitana de Fortaleza, enquanto o restante é destinado a cidades do interior. O preço do quilo do suíno vivo, em setembro, variava entre R$ 8,50 e R$ 8,80. “Na Região Metropolitana de Fortaleza três abatedouros recebem nossos produtos. Por enquanto a Granja Xerez ainda não tem uma estrutura própria para abate”, expõe Andrade.

Atento às demandas do mercado, o médico-veterinário conta que a preferência dos consumidores cearenses é por animais com peso que varia entre 95kg e 105kg, mas a Granja Xerez identificou um nicho de mercado para trabalhar com animais mais pesados. “Em alguns mercados oferecemos animais com até 120kg, peso acima da média do Nordeste, estratégia que nos permitiu ampliar nossas vendas”, ressalta.

O profissional diz que um dos grandes diferenciais para os produtores cearenses está no valor de venda dos animais, que em média são comercializados entre R$ 1,50 a R$ 2 mais alto do que a média da Bolsa de Suínos do Estado de Minas Gerais (BSEMG). “Esse valor superior de venda nos permite enfrentar uma crise com maior resiliência em comparação aos produtores das regiões Sul e Sudeste do país, que enfrentaram dificuldades significativas nos últimos anos. Isso ocorre porque nossos preços de venda são mais altos, mesmo que nossos custos de produção sejam comparáveis aos de outras regiões do Brasil”, salienta.

Desafios

Entre os gargalos enfrentados pelos suinocultores cearenses, Andrade pontua que o principal deles é o custo com frete, o qual vem sendo superado com a safra expressiva de grãos na região do Matopiba – formada por regiões dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – que no ciclo 2022/23 produziu 35 milhões de toneladas, crescimento de 92% em comparação à temporada 2013/14, quando chegou a 18 milhões de toneladas.

De acordo com o estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2022/23 a 2032/33, divulgado recentemente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Matopiba deve produzir 48 milhões de toneladas, em uma área plantada de 11 milhões de hectares, nos próximos 10 anos. “Como os grãos vêm de fora do Estado, o custo com frete para os produtores do Nordeste é bem maior se comparado com o custo de produção da região Sul e Sudeste do país. Contudo, a produção em escala do Matopiba está aproximando os grãos do Ceará, fazendo com que os produtores reduzam seus custos com logística, o que está balizando um pouco nosso custo de produção”, afirma Andrade.

Por sua vez, a sanidade segue sendo um dos maiores desafios da suinocultura cearense que, com exceção da Bahia e de Sergipe, os demais estados nordestinos seguem com a Peste Suína Clássica (PSC) presente em suas criações. “Participei em 2019 do grupo de trabalho que desenvolveu o Plano Nacional de Erradicação da Peste Suína Clássica no Nordeste, cujo projeto piloto está em execução em Alagoas. Espero que essa campanha de vacinação seja viabilizada economicamente para que possa ser estendida para o restante dos estados nordestinos, de modo que daqui a oito ou dez anos possamos alcançar um status sanitário mais favorável, o que vai nos permitir competir em pé de igualdade com outras regiões do país e buscar a certificação de zona livre da PSC”, anseia.

Oportunidades

A maioria dos grãos utilizados para produção de ração são da região do Matopiba, especificamente do Maranhão e do Piauí. “O crescimento da produção de grãos nessa região, aliado à proximidade geográfica com o Ceará, nos permitiu reduzir significativamente nossos custos em comparação com o que era praticado há 15 ou 20 anos atrás”, menciona.
Andrade destaca que, em operação, a Ferrovia TransNordestina, cuja primeira fase está programada para ser concluída até 2027, ligará a nova fronteira agrícola brasileira – composta pelo Sul dos estados do Piauí e Maranhão, além do Norte do Tocantins e Oeste da Bahia –, aos portos do Pecém (Ceará) e Suape (Pernambuco), diminuindo os custos com fretes rodoviários para transportar os grãos. “Com sua operação em pleno funcionamento vamos poder transportar milho, farelo de soja e outros grãos por via férrea, o que vai resultar em uma redução adicional nos custos de frete”, afirma.

Andrade também vislumbra o mercado das exportações de carne suína nordestina em um futuro próximo, dado a proximidade do Porto do Pecém com a Europa e a África. “Mas, para isso, é necessário trabalharmos bem a sanidade nas granjas nordestinas”, salienta.

Com 54,6 milhões de habitantes, a população da região Nordeste é conhecida por sua preferência pelo consumo de produtos in natura, contudo a média de carne suína consumida pelos nordestinos varia entre oito e nove quilos, muito abaixo da média nacional, de 20,5 quilos per capita, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). “Temos um grande mercado para ser explorado. Se conseguirmos melhorar o consumo interno no Nordeste vamos impulsionar um maior crescimento do nosso setor”, frisa Andrade.

Conforme o doutor em Zootecnia, o pontapé inicial para o desenvolvimento da suinocultura no Ceará foi dado com a produção em escala na região de Matopiba, aproximando a produção de grãos dos produtores cearenses. “Agora, estamos focados em otimizar a utilização da Transnordestina para reduzir ainda mais os custos de transporte para nos tornarmos mais competitivos. Além disso, se o Plano Nacional de Erradicação da PSC for bem-sucedido no Nordeste, estou certo de que essa região se tornará a nova fronteira pecuária e agrícola do Brasil”, exalta, enfatizando: “Temos todos os ingredientes para desenvolver melhor a suinocultura no Ceará e no Nordeste: tecnologia, disponibilidade de grãos, clima favorável e, em breve, teremos a infraestrutura logística necessária para tornar o transporte de grãos mais acessível e os portos para exportação mais eficientes. Vejo com grande otimismo o futuro da suinocultura nordestina nos próximos 10 anos”.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ceará possui 1,2 milhão de suínos e 199,2 mil matrizes suínas. “Dentro do Ceará existem em torno de 70 a 80 granjas automatizadas, o restante é de subsistência, em sua grande maioria de pequenos produtores que abastecem o comércio local onde estão inseridos”, expõe.

Expansão

Vislumbrando esse potencial de mercado que a Granja Xerez planeja expandir suas operações. No início do próximo ano deve iniciar a construção de uma nova granja no município de Caridade, com capacidade para mil matrizes, ampliando seu plantel para quatro mil leitoas. “Essa nova unidade de produção será construída de acordo com as mais recentes regulamentações de bem-estar animal do Ministério da Agricultura, permitindo a implementação de gestação coletiva na granja. Temos ainda um tempo para nos adaptarmos em relação às outras granjas que ainda são em gaiola, mas já estamos estudando como vamos fazer essa transição para as baias de gestação coletiva”, frisa Andrade. “Com essa expansão acredito que vamos aumentar a nossa presença no interior do estado”, completa.

O médico-veterinário também adianta que está em fase de negociação com uma empresa de genética para que a nova unidade possa ser destinada para multiplicadores de rebanho. “Quem sabe em um futuro próximo, possivelmente de curto a médio prazo, vamos poder transformar a Granja Xerez em uma unidade de multiplicação genética. Isso vai depender do resultado das negociações, uma vez que o mercado de genética opera de forma distinta, com base na Bolsa de Minas, onde os preços diferem dos praticados no Ceará. No entanto, a perspectiva é que haja vantagens logísticas, já que a produção local será mais econômica, sendo beneficiada pelo fato de os animais já nascerem em um ambiente aclimatado. Caso a negociação para estabelecer a unidade de multiplicação no Ceará não se concretize, vamos expandir nosso plantel para quatro mil matrizes, mantendo a mesma genética que temos trabalhado por mais de duas décadas”, evidencia.

Andrade antecipa que também há planos para construir um abatedouro próprio e buscar a verticalização completa da atividade, atuando em todos os estágios da suinocultura, desde a produção na central de sêmen até a mesa do consumidor.

Fábrica própria de ração

A Granja Xerez possui duas fábricas de ração próprias, situadas a uma distância entre 30 e 40 km de suas granjas, além de contar com uma extrusora de soja. Em vista do projeto de expansão, uma nova unidade fabril de rações foi construída e a infraestrutura já está pronta, restando apenas a instalação dos maquinários para entrar em operação. “Optamos pela produção própria da ração por conta do custo, que é alto se formos comprar já pronta, sem dizer que com a nossa fábrica temos todo o processo de qualidade na nossa mão. Comprando os grãos e fazendo a nossa própria ração conseguimos fazer o controle de fabricação”, sustenta Andrade, destacando que a Xerez emprega em torno de 500 pessoas nas áreas administrativa, avicultura de corte, suinocultura, fábrica de ração, manutenção e construção civil.

Sem antibióticos

Andrade afirma que nas fases de crescimento e terminação dos animais não é usado nenhum tipo de antibiótico. “São três meses sem antibióticos na ração, só é usado em caso de necessidade via água, mas pela ração já estamos há algum tempo sem antibióticos na fase de crescimento e terminação. Para isso usamos produtos que beneficiem a saúde intestinal dos animais. Também trabalhamos muito forte a questão do vazio sanitário, em que é respeitado rigorosamente sete dias sem nenhum animal nas granjas de terminação. Conseguimos não usar antibiótico porque temos esse cuidado que vem desde a preparação das matrizes até o final do ciclo”, exalta.

“Temos todos os ingredientes para desenvolver melhor a suinocultura no Ceará e no Nordeste: tecnologia, disponibilidade de grãos, clima favorável e, em breve, teremos a infraestrutura logística necessária para tornar o transporte de grãos mais acessível e os portos para exportação mais eficientes”

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Liderança e ambiente de trabalho são apontados como diferenciais na suinocultura paranaense

Consultor Dirceu Zotti defende que retenção de mão de obra depende de postura, capacitação e organização dos processos.

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Ajustes no dia a dia, organização dos processos e postura das lideranças podem transformar o ambiente de trabalho nas propriedades envolvidas com a suinocultura no Paraná. Esse foi o tema da primeira reunião da Comissão Técnica (CT) de Suinocultura do Sistema Faep, realizada na segunda-feira (23).

“A suinocultura é uma potência do Paraná e tem papel fundamental na geração de renda e no desenvolvimento regional. Precisamos avançar em eficiência, mas também em gestão e valorização das pessoas, garantindo que o crescimento da atividade seja sustentável para toda a cadeia”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “A discussão sobre gestão de pessoas e organização das granjas é estratégica para o fortalecimento da atividade no Estado”, complementa.

Durante a reunião, o consultor Dirceu Zotti, da DZ Consultoria, fez uma palestra sobre “Gestão de pessoas na suinocultura”. Com décadas de experiência na área do cooperativismo, Zotti abordou a realidade dos recursos humanos nas granjas brasileiras e os caminhos para fortalecer a retenção e o desenvolvimento de equipes.

“Nunca vamos ter um apagão de mão de obra nas granjas, sempre teremos pessoas disponíveis. A principal oportunidade está em mudar a abordagem e pensar no que podemos fazer dentro da granja para que as pessoas queiram ficar na equipe”, destaca o consultor.

Zotti afirma que as principais mudanças estão “da porteira para dentro”, principalmente quando envolvem projetos modernos, alinhados ao bem-estar animal e com alto nível de automação.

“Um colaborador motivado é reflexo das atitudes, das políticas, dos treinamentos e das oportunidades oferecidas pela granja. Tudo o que acontece as pessoas estão olhando, e os grandes responsáveis somos nós”, destacou. “Salário não segura pessoas. Investimentos em capacitação, reuniões de rotina, boa alimentação, estrutura adequada, remuneração justa, premiação por resultados, ambiente agradável e liderança presente são medidas essenciais”, acrescenta.

Entre os desafios na gestão de pessoas, Zotti cita a necessidade de adequar funções aos perfis, lidar com a falta de iniciativa, manter as equipes motivadas e comprometidas e compreender as características da geração Z. Ao abordar a otimização da mão de obra, o consultor explicou que o conceito envolve reduzir excessos e priorizar tarefas críticas e inegociáveis, com equipes altamente comprometidas e gestão democrática e participativa. Segundo ele, o desenho dos projetos e as condições oferecidas influenciam diretamente na retenção e no desempenho das pessoas. “Pessoas são a solução”, conclui.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Produção de carne suína avança e reforça novo ciclo de expansão no setor

Crescimento no volume abatido e o aumento no peso médio das carcaças indicam consolidação da oferta, mesmo diante da pressão recente sobre os preços pagos ao produtor.

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O IBGE publicou, no último dia 12, dados preliminares de abate do quarto trimestre de 2025, confirmando o crescimento da produção das três proteínas no ano passado em relação a 2024. No abate de suínos, com aumento de 3,39% em cabeças e 4,46% em toneladas de carcaças (tabela 1) no acumulado do ano de 2025, fica evidente a retomada do crescimento da produção de forma consistente. Mesmo em um ano em que um dos destaques foi o incremento significativo do peso médio das carcaças (93,07kg contra 92,11kg de 2024), chama a atenção, no mês dezembro/25, o menor peso do período (90,23kg), indicando haver relativa baixa retenção de animais nas granjas na virada do ano.

Tabela 1. Abate brasileiro MENSAL de suínos, 2024 e 2025, em cabeças e toneladas de carcaças (total e peso médio em kg) e diferença em relação ao mesmo mês anterior. *Dados de julho a setembro de 2024 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.

Esta presumida baixa retenção de animais nas granjas no mês de dezembro/25 não resultou em sustentação dos preços pagos ao produtor no início de 2026. Outros fatores, como a queda sazonal da demanda interna e de exportação, típica de início de ano, e os estoques remanescentes de 2025 resultaram em queda dos preços das carcaças e do animal vivo em todas as praças do Brasil (gráficos 1 e 2), o que parece ter se agravado com o “efeito manada”, quando muitos produtores tentam antecipar as vendas para fugir de preços mais baixos, mas, com maior oferta, acabam acelerando a queda das cotações. Além disso, a carne de frango também apresentou queda expressiva nas cotações desde a virada do ano, o que acaba reduzindo a competitividade da carne suína no varejo (gráfico 3).

Gráfico 1. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, mensal, nos últimos 12 meses. Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 2. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, mensal, de março/25 a 18 de fevereiro de 2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 3. Cotação média mensal do FRANGO RESFRIADO em São Paulo (SP), em R$/kg de carcaça, nos últimos seis meses. Média de fevereiro até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

No último boletim, de janeiro/26, já havíamos demonstrado o crescimento expressivo das exportações de carne suína in natura no ano de 2025, com incremento de quase 12% em relação a 2024. Conforme a tabela 2, a seguir, as três proteínas tiveram, em 2025, crescimento na produção, exportação e disponibilidade interna.

Tabela 2. Produção brasileira, exportação (in natura) e disponibilidade interna mensal, em toneladas de carcaças, das três proteínas de janeiro a dezembro de 2025 e diferença do total acumulado em relação a 2024 *Dados de produção de outubro a dezembro de 2025 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE e da Secex.

A propósito das exportações de carne suína, o ano de 2026 começou bem, com o mês de janeiro/26 totalizando mais de 100 mil toneladas de carne suína in natura embarcada, um crescimento de 14,2% em relação a janeiro de 2025, com aumento expressivo dos embarques para Filipinas e Japão e China confirmando sua trajetória de queda (tabela 3).

Tabela 3. Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em janeiro de 2026, comparado com janeiro de 2025. Ordem dos países estabelecida sobre volumes de 2026. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Sobre a carne bovina, que dentre as 3 proteínas teve no ano passado o maior crescimento percentual de produção e exportação, o que se observou ao longo do ano de 2025 foi uma relativa estabilidade nas cotações do boi gordo (gráfico 4).

Gráfico 4. Indicador mensal do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 2 anos, com destaque para a maior cotação do período (até o momento) que foi em novembro/24 Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Porém, a tão esperada virada do ciclo pecuário, com redução de abate e alta do preço deve ocorrer em 2026 e já mostra sinais no gradativo aumento das cotações do boi gordo nas últimas semanas (gráfico 5), quando a arroba subiu mais de 20 reais em poucos dias.

Gráfico 5. Indicador DIÁRIO do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 30 dias úteis (até 18/02/26). Fonte: CEPEA

Para 2026 o mercado de carne bovina será um importante fator de equilíbrio, justamente porque é a única proteína que deve ter retração na produção, reduzindo a oferta no mercado doméstico e, consequentemente, determinando preços maiores que no ano passado, o que deve contribuir para sustentar os preços da carne suína. Entretanto, existe um alerta para as exportações de carne bovina que têm a China como destino de mais da metade dos embarques e que estabeleceu, para 2026, uma cota de 1,1 milhão de toneladas que, quando ultrapassada, terá uma sobretaxa de 55%, inviabilizando as exportações para aquele mercado que comprou em torno de 1,7 milhão de toneladas no ano passado. Esta situação pode determinar uma redução das exportações de carne bovina brasileira e, consequentemente, uma maior oferta no mercado doméstico a partir da metade do ano. Alguns analistas também apontam esta alta momentânea da cotação do boi gordo justamente por causa desta cota estabelecida pela China, o que fez com que os frigoríficos exportadores antecipassem o abate para aproveitá-la antes que se esgote.

Sobre a rentabilidade da suinocultura, mesmo com o milho e o farelo de soja com preços relativamente estáveis, fica evidente uma queda na relação de troca do suíno com estes insumos (gráfico 6), obviamente agravada pelo recuo significativo das cotações do suíno. Mesmo antes de acabar fevereiro já é possível afirmar que a relação de troca caiu pelo quinto mês consecutivo. Este quadro, na maioria dos casos, ainda não determina prejuízo na atividade, mas acende uma luz de alerta no setor.

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/24 a fevereiro/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de fevereiro de 2026 até dia 18/02/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o movimento de baixa das cotações do suíno vivo e das carcaças dá sinais de que está no fim, com preços estabilizando em meados de fevereiro. “É fato que a suinocultura brasileira retomou o crescimento da produção e o aumento das exportações já não é suficiente para enxugar o mercado. A concorrência com as outras carnes se tornam um fator muito importante neste contexto, sendo que o mercado de carne bovina, com a esperada virada de ciclo pecuário, pode ser o fiel da balança para sustentar os preços do suíno em patamar que permita manter margens financeiras positivas, mesmo com maior oferta de carne suína no mercado doméstico ao longo de 2026”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura

Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

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O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.

Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”

O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.

A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.

Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.

O ciclo da carne bovina e a sanidade

O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.

Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.

Preocupações políticas e a escala 6×1

Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.

No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.

Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.

Insegurança jurídica e a defesa do produtor

O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.

Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.

Fonte: Assessoria ACCS
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