Notícias A partir de 31 de agosto
Maior feira da agricultura familiar do Brasil acontece em Minas Gerais
AgriMinas acontece de 31 de agosto a 03 de setembro em Belo Horizonte (MG). Evento dá destaque aos produtores rurais do setor que respondem por 70% dos alimentos que vão à mesa dos brasileiros e brasileiras

De 31 de agosto a 03 de setembro de 2023, quinta-feira a domingo, a Serraria Souza Pinto em Belo Horizonte (MG) recebe a 14ª edição da AgriMinas, a maior feira da agricultura familiar do país, que promove o contato com os agricultores familiares, degustação de comidas e bebidas típicas, além de apresentações culturais. Os ingressos custam, por dia, R$10,00 (inteira) – R$5,00 (meia entrada) e podem ser adquiridos na bilheteria da Serraria.
A AgriMinas tem como objetivo a promoção dos produtos da Agroindústria Familiar junto à sociedade, favorecer o intercâmbio e troca de experiências entre os agricultores familiares, bem como possibilitar a abertura de novos canais de comercialização para os produtos. A realização é da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg) e sua última edição aconteceu em 2019. “É evidente a importância da agricultura familiar no contexto agropecuário brasileiro, sendo esta, fundamental na capacidade de absorver mão-de-obra local, reduzindo o êxodo rural, diversificando a atividade econômica e preservando o meio ambiente. A Agriminas reflete o setor que é o principal É a grande responsável pela produção de alimentos no país”, afirma Vilson Luiz da Silva, presidente da Fetaemg e idealizador da feira.
Ao todo, cerca de 400 expositores participam do evento representando, de forma indireta, mais de 10 mil agricultores. As mulheres são maioria entre os expositores, (61% dos empreendedores presentes na feira – saiba mais sobre elas aqui) A expectativa da organização é receber 20 a 25 mil visitantes entre consumidores, agricultores, técnicos, estudantes e lideranças rurais. A movimentação econômica deve girar em torno de R$500 mil em negócios.
Ao longo de suas 14 edições, a AgriMinas já recebeu cerca de 580 mil visitantes/consumidores, gerando mais de R$40 milhões em negócios dentro e fora do estado. Por meio da feira, oportunidades de negócios foram criadas para 60 mil agricultores familiares, envolvidos de forma direta e indireta em suas cooperativas e associações.
Agriminas é plataforma de capacitação e apoio ao produtor familiar
Além da comercialização de produtos, a Agriminas é também um espaço de aprendizado, capacitação e atualização dos produtores. Durante os 4 dias, serão realizadas diversas palestras com temas importantes para o setor produtivo, como as tecnologias disponibilizadas, a instalação e uso da produção de energia solar no campo, industrialização do leite, como negociar os produtos com supermercados, entre outros assuntos.
Instituições que capacitam pessoas do setor também participam do evento. Uma importante parceria com a Emater oferece conversas e esclarece dúvidas sobre temas variados como agroecologia, hortifrutigranjeiros, cooperativismo, cafeicultura, agroindústria e boas práticas; bovinocultura de leite, avicultura caipira, entre outros. “Nosso intuito não é só vender. É levar para os expositores informações e a conscientização de que é necessário produzir conforme a demanda do mercado, com qualidade e variedade”, conta Vilson.
Para gerar oportunidade de participação para pessoas da agricultura familiar, a Fetaemg disponibiliza hospedagem e alimentação gratuitamente para todos os expositores que não têm nenhum custo para expor no evento. “Oferecemos todo o suporte que o agricultor familiar precisa para participar da feira. A Agriminas tira o pequeno agricultor familiar da invisibilidade. É uma oportunidade para que ele possa ampliar a sua área de atuação, fazendo novos contatos e parcerias comerciais. Diversos expositores fecham negócios na feira e tornam-se fornecedores de mercados e sacolões”, explica Vilson Luiz da Silva, presidente da Fetaemg e idealizador da feira.
Educação para o campo
A AgriMinas abriu para as escolas de todo o Estado a possibilidade de visitas técnicas ao evento para que estudantes possam conhecer um pouco mais sobre a agricultura familiar e sua importância na economia brasileira. “O objetivo é possibilitar que estudantes e professores ampliem seus conhecimentos sobre o campo, numa troca de conhecimentos sobre o que é e o que produz a agricultura familiar”, explica Vilson.
O convite para as escolas é um chamamento público, qualquer instituição de ensino (escola de educação básica, institutos federais, faculdades particulares e universidades), pode se inscrever para participar, desde a educação infantil até o ensino superior. Para a visita, os educadores recebem um roteiro que pode ser adaptado ao nível/modalidade de ensino.
Cenário da Agricultura Familiar no Brasil em 2023
Dados do Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2023 demonstram que o total da produção do setor coloca o segmento como o 8º maior produtor de alimentos do mundo.
A agricultura familiar brasileira ocupa 23% das áreas e 3,9 milhões de estabelecimentos e é responsável por 23% do valor bruto da produção agropecuária, 67% das ocupações no campo. Além disso, é responsável por 70% dos alimentos que vão à mesa dos brasileiros e brasileiras.
Dados do Anuário demonstram ainda que, além da produção de alimentos, a Agricultura Familiar contribui com a dinamização econômica do País, pois responde por 40% da renda da população economicamente ativa e a dinamização econômica de 90% dos municípios com até 20 mil habitantes, que representam 68% do total.
A produção familiar, além de fator redutor do êxodo rural e fonte de recursos para as famílias, também contribui expressivamente para a geração de riqueza, considerando a economia não só do setor agropecuário, mas do próprio país. “Seus sistemas produtivos são voltados para o atendimento das necessidades da família, comércio local, regional e manutenção em longo prazo, das potencialidades produtivas no meio rural”, complementa o presidente da Fetaemg, Vilson Luiz da Silva.
A Agricultura Familiar brasileira é a principal responsável pelo abastecimento do mercado interno com alimentos saudáveis e sustentáveis, que busca a preservação dos recursos ambientais, a cultura rural, gera ocupações rurais e promove o desenvolvimento sustentável do país.
Fetaemg
Com 51 anos de atuação junto ao trabalhador rural, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg) conta com cerca de 600 sindicatos filiados em todo o Estado, representando mais de um milhão de trabalhadores rurais.
A Instituição atua como representante dos agricultores familiares, assentados da reforma agrária e assalariados rurais. Para a Agriminas, a Fetaemg prioriza agricultores que estejam organizados em cooperativas e/ou associações e que utilizam sistemas de produção orgânicos. A Federação é presidida por Vilson Luiz da Silva, também idealizador da AgriMinas.

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Geopolítica, clima e logística entram no centro do debate da cadeia da soja
Seminário em Londrina (PR) vai reunir especialistas para discutir os desafios que podem definir a competitividade da soja brasileira nos próximos anos. As inscrições são gratuitas.

A relação comercial entre Brasil e China, os impactos das mudanças climáticas, os gargalos logísticos e a descarbonização da produção estarão entre os principais temas do 8º Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja
O evento vai reunir cerca de 150 participantes, entre pesquisadores, técnicos, representantes da indústria, produtores rurais e especialistas da cadeia da soja. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do seminário, enquanto houver vagas.
Segundo o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, a programação foi estruturada para discutir fatores que influenciam diretamente a competitividade do setor. “Vamos debater a geopolítica e a relação comercial entre Brasil e China, além dos desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira. Também teremos discussões sobre cultivares adaptadas às mudanças climáticas, logística, descarbonização e o papel do biodiesel na sustentabilidade da produção”, afirma.
Para Daniel Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, manter a liderança brasileira no mercado internacional depende não apenas do volume produzido, mas também da qualidade do produto.”Preservar nossa liderança exige um debate técnico constante sobre a qualidade da soja brasileira. Garantir um produto de alto

Foto: Shutterstock
padrão para as indústrias nacional e internacional de óleos e farelos é o que realmente define a competitividade do setor”, destaca.
O seminário é promovido pela Embrapa Soja em parceria com entidades representativas da produção, da indústria e da exportação de grãos, entre elas Abiove, Anec, Aprosoja Brasil, CNA, Sistema OCB e Sindirações.
Brasil amplia liderança
O encontro ocorre em um momento de expansão da produção brasileira. Na safra 2025/26, o país colheu 180 milhões de toneladas de soja, em uma área próxima de 48 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, os Estados Unidos produziram 116 milhões de toneladas.
Além da produção recorde, o processamento industrial também segue em crescimento. A Abiove estima que o Brasil processe 63 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,6 milhões de toneladas de farelo e 12,65 milhões de toneladas de óleo de soja.
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El Niño pode encher os silos e esvaziar as margens
Pesquisa aponta que o clima deve favorecer a produção agrícola, enquanto a maior oferta tende a pressionar as cotações das commodities.

O El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 tem potencial para se tornar um dos eventos climáticos mais intensos da última década. Para a agricultura da América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, o fenômeno pode favorecer a produção de grãos e oleaginosas, mas também trazer um efeito colateral: mais oferta no mercado e menor rentabilidade para o produtor.

Foto: Fernando Dias
A avaliação é da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, que analisou os impactos econômicos do fenômeno climático sobre diferentes regiões do mundo. Confira aqui o estudo completo.
Com base em episódios anteriores de El Niño, o estudo mostra que a produção agrícola brasileira tende a superar a média histórica. Em 2015, por exemplo, a safra de soja ficou cerca de 4% acima da tendência dos cinco anos anteriores, enquanto a produção de café arábica registrou desempenho aproximadamente 5% superior ao esperado.
Segundo os pesquisadores, o aumento das chuvas no Sul da América do Sul favorece o desenvolvimento das lavouras e amplia a oferta de alimentos. No entanto, esse crescimento da produção pode pressionar as cotações das commodities agrícolas, reduzindo a margem dos produtores.
Outro desafio apontado pelo levantamento é a capacidade de armazenagem. Em anos de safra cheia, a oferta elevada

Foto: Shutterstock
tende a ocupar rapidamente os silos, elevando os custos de estocagem tanto para produtores quanto para tradings.
Efeitos diferentes dentro do Brasil
Embora o El Niño favoreça boa parte das áreas agrícolas do Centro-Sul, seus efeitos não são uniformes. O estudo destaca que a Região Norte e a Amazônia podem enfrentar períodos de seca mais severos, com reflexos sobre a navegação fluvial, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de alimentos.
Esse cenário também pode exercer pressão sobre a inflação em países como Brasil, Colômbia e Peru, principalmente por impactos na logística e nos custos de produção.
Oferta maior e preços menores
No mercado internacional, a expectativa é que o aumento da produção de soja e milho na América Latina contribua para ampliar a oferta global de alimentos e aliviar parte das pressões inflacionárias observadas em outras regiões.
Por outro lado, exportadores brasileiros podem se beneficiar do maior volume embarcado, enquanto indústrias processadoras e empresas expostas à volatilidade das commodities agrícolas tendem a enfrentar um ambiente mais desafiador diante da possibilidade de queda nos preços.
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Frete rodoviário terá novas regras, mas sem piso nacional para caminhoneiros
Proposta amplia as penalidades para quem descumprir o piso do frete, altera as regras de fiscalização e prevê atualização semestral da tabela de preços.

O piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância ficou fora da versão final da Medida Provisória nº 1343/2026 que atualiza as regras do frete rodoviário. Aprovado pelo Senado, o texto segue para sanção presidencial com mudanças no cálculo do piso mínimo do frete, na fiscalização do transporte de cargas e nas penalidades aplicadas ao setor.

Foto: Geraldo Bubniak
A previsão de uma remuneração mínima mensal não fazia parte da proposta original do governo. O dispositivo foi incluído durante a tramitação na Câmara dos Deputados, mas acabou retirado pelo Senado sob o entendimento de que o tema não tinha relação direta com o conteúdo da medida provisória.
Com isso, a remuneração dos motoristas profissionais de longa distância continuará sendo definida por acordos e convenções coletivas de trabalho.
Anistia a multas
Além das mudanças nas regras do frete, a proposta concede anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias durante as manifestações de 2022. O perdão das penalidades foi incluído durante a tramitação da medida provisória no Congresso.
O texto também transforma em advertência as multas aplicadas até a publicação da futura lei por descumprimento

Foto: Divulgação
das regras do piso mínimo do frete, como o pagamento abaixo dos valores previstos na Lei nº 13.703/2018. A medida vale para processos ainda em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas que ainda não foram quitadas.
A conversão não se aplica a casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. Também não haverá devolução de valores já pagos. O direito dos transportadores de cobrar diferenças de frete e indenizações previstas em lei permanece assegurado.
Além das anistias, a proposta promove uma ampla atualização da legislação do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças estão novos critérios para o cálculo do piso mínimo do frete, atualização semestral da tabela de referência, reforço da fiscalização, endurecimento das penalidades para quem pagar abaixo do piso, novas regras para o cadastro de transportadores e alterações na fiscalização do peso dos caminhões.

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Frete mínimo
O projeto altera as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A tabela deverá considerar os custos operacionais da atividade, como os relacionados a combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar os cálculos dos pisos. O texto também atualiza conceitos da legislação e cria a definição de veículo de carga de pequeno porte (com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas) e a de carga a granel pressurizada (categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado).
A atualização da tabela de frete deverá ser semestral. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a ANTT deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.
Fiscalização
O texto aprovado também altera regras de fiscalização, cadastro e penalidades no transporte de cargas. Empresas que

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pagarem frete abaixo do piso mínimo poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado (com mais de quatro infrações em seis meses). As multas para reincidentes poderão variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e, em caso de nova reincidência, poderão ser aplicadas em dobro. Nos casos mais graves, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) poderá ser cancelado por até 24 meses.
A proposta mantém a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), estabelece prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete e prevê adiantamento mínimo de 70% para transportadores autônomos. O texto também determina a revalidação anual do RNTRC e permite que inscrição, atualização e manutenção do cadastro sejam feitas gratuitamente por plataforma digital do governo federal.

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A medida também altera as regras de fiscalização do peso dos veículos de carga. Para caminhões com peso bruto total regulamentar (definido pela regulamentação) de até 74 toneladas, a verificação deverá considerar inicialmente apenas o peso total do veículo. A medição por eixo será feita quando houver excesso acima da tolerância de 5% no peso bruto total ou em situações específicas definidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O limite de tolerância para o peso por eixo permanece em 12,5% acima do permitido.
Segundo o texto, a regra busca adequar a verificação às características das operações de transporte, preservando a segurança nas rodovias e a conservação do pavimento. A proposta também prevê inspeções periódicas dos registradores de velocidade e tempo, e permite o uso dos dados do tacógrafo como prova de infrações por excesso de velocidade.
Além disso, o texto transforma em advertência as infrações administrativas relacionadas ao excesso de peso por eixo cometidas até a publicação da lei resultante da proposta. A medida alcança processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas aplicadas que ainda não tenham sido pagas. Valores já quitados não serão devolvidos.
Outros pontos
Na área previdenciária, o transportador autônomo poderá optar por recolher diretamente sua contribuição ao

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Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que formalize a escolha. Com a adesão ao modelo, o próprio profissional passa a ser responsável pelo recolhimento, sem alteração das demais obrigações previdenciárias das empresas contratantes.
A MP amplia os objetivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que poderá apoiar iniciativas de renovação de caminhões e implementos rodoviários, capacitação de motoristas, adoção de tecnologias e ações de saúde e segurança. O texto também cria uma Política Nacional Permanente de Renovação da Frota, com prioridade para transportadores autônomos e cooperativas.
As novas regras terão período de transição. Sistemas, registros e autorizações atuais continuarão válidos até a regulamentação das mudanças, que deverá ser feita em até 180 dias. Empresas e transportadores terão prazo mínimo de 60 dias para adaptação às novas obrigações.



