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Maior desempenho deve levar Brasil ao topo da produção mundial

O Presente Rural foi até a Fazenda Santa Maria, em Mato Grosso do Sul, onde produtor aposta em genética, manejo e nutrição para ampliar desempenho do rebanho

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Em cinco anos, conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Brasil deve ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior produtor de carne bovina do mundo. Para alcançar esse patamar, produtores têm investido no melhoramento do desempenho dos rebanhos, com uma produção – e lucratividade – cada vez mais crescente em relação à área utilizada. “Não importa quanto vale a minha fazenda, essa não é a questão. A questão é quanto preciso tirar de lucro dela?”, crava o pecuarista Leonidio Piornedo Lopes, dono de duas áreas dedicadas à bovinocultura de corte em Mato Grosso do Sul.

Em uma delas, no município de Paranhos, no Sul do Estado, é feita a cria. Na outra, distante 85 quilômetros, na vizinha cidade de Tacuru, fica a Fazenda Santa Maria, de recria e engorda dos animais. São 506 alqueires exclusivos à criação a pasto de 2,2 mil cabeças. Lopes abriu as porteiras da Fazenda Santa Maria para o jornal O Presente Rural no fim de julho, contou que tem buscado alternativas para ampliar a produtividade em relação à área com inseminação artificial, reforço na nutrição e controle individual dos animais.

Entre porteiras e piquetes bem estruturados, separando grupos de indivíduos de acordo com os cruzamentos e idades, devidamente marcados, o pecuarista conseguiu ter mais controle de produção, com lotes mais homogêneos em peso. Mas foi na genética que ele diz ter encontrado um bom nicho para ganhar em produtividade. “Antes a gente trabalhava só com a monta natural, o que dava muita vaca tardia. Com a monta natural, uma vaca parida levava até 60 dias para voltar ao cio. Com a IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo), a gente estimula e já pode inseminar com 30 dias”, argumenta. “A gente ganha em tempo”, justifica Lopes.

O pasto ainda seco, se recompondo aos poucos da geada que neste ano chegou mais cedo ao Mato Grosso do Sul, é um problema que o pecuarista resolve com suplementação nutricional. “A geada chegou mais cedo neste ano aqui pra nós. Com o pasto seco, fica mais difícil a digestibilidade. A gente faz a suplementação para melhorar essa digestibilidade”, diz. “Podemos perceber se está funcionando pelo estrume do animal. Se for mais cremoso, liso, está bom. Se o estrume tiver muitas fibras, o animal não vai estar conseguindo os nutrientes ideais”, amplia.

A ração nos cochos (em média 1% do peso do animal, no início da manhã) também faz parte do plano para evitar que o rebanho tenha falta de nutrientes e desempenho inferior. Em piquetes espalhados pela propriedade, sal e água à vontade. “Usamos a ração quando o pasto não está ideal, mas acaba aumentando um pouco os custos”, conta.

Pecuarista há quase 40 anos, Lopes trabalha em uma área próximo à fronteira com o Paraguai, que acaba de ser liberada para o comércio de carne in natura para a União Europeia (leia nesta edição). As 1,3 mil cabeças que ele vende para um frigorífico de Iguatemi (MS) todos os anos e atendem grandes centros no Sul, como Curitiba (PR) e Florianópolis, podem também agora chegar ao mercado Europeu, que paga mais pelo produto.

Raças

Escolher as raças certas para cada região, segundo Lopes, é fundamental para o desempenho do plantel. O rebanho nacional é formado por raças zebuínas, taurinas e asiáticas. Conforme o Mapa, com aptidão para corte, nas zebuínas considera-se predominantemente a raça nelore, seguida da guzerá, brahman, tabapuã, sindi e indubrasil. Entre as principais raças taurinas estão a aberdeen-angus, hereford & braford, brangus, simental, limousin, charolês e a raça wagyu, de origem asiática. O pecuarista Lopes faz cruzas com gir, nelore, simental, pardo suíço e charolês, entre outras. “Compro sémen de bons touros para que a fazenda alcance um bom rendimento de prenhez”, garante.

Outros Números

Com rastreabilidade, controle sanitário e uma produtividade crescente, a bovinocultura brasileira tem mesmo o que comemorar. A cadeia produtiva movimenta cerca de R$ 167,5 bilhões por ano e gera aproximadamente sete milhões de empregos. O setor produz 9,5 milhões de toneladas – 7,6 milhões destinadas ao mercado interno e 1,8 milhão exportadas para mais de 140 países, segundo o Mapa. Nos próximos cinco anos, o Brasil pode ser o maior produtor de carne bovina do mundo, superando os Estados Unidos, que atualmente ocupam o primeiro lugar no ranking.

O rebanho brasileiro é de 212 milhões de cabeças, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os cincos maiores estados produtores são Mato Grosso, com 28 milhões de cabeças; Minas Gerais, com 23 milhões; Goiás e Mato Grosso do Sul, ambos com 21 milhões; e Pará, com 19 milhões.

Para o presidente da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte, Antonio Pitangui de Salvo, “o Brasil cada vez mais se estabelece como fornecedor de alimento para o mundo e a pecuária de corte também assume importância socioeconômica cada vez maior”. “O país está localizado em uma área tropical favorável para a produção de alimentos, durante todo o ano, oferecendo oportunidade para o aumento da produção nacional em sistemas cada vez mais intensivos e integrados, evitando assim a abertura de novas áreas de pastagem”, afirma. Todo esse avanço é demonstrado nas exportações nacionais de carne bovina, que cresceram 737% em 14 anos, passando de US$ 779 milhões, em 2000, para US$ 6,4 bilhões, no ano de 2014. O Brasil é líder mundial em vendas externas do produto, com 21% do total”, cita.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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