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Lucro do confinamento supera R$ 1 mil por cabeça em junho

ICAP aponta redução de 9,93% no custo da arroba produzida no Centro-Oeste, mesmo com a queda no preço do boi gordo.

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Foto: Gisele Rosso

O Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) de junho de 2026 mostra que a rentabilidade dos confinamentos permaneceu acima de R$ 1 mil por cabeça, apesar da queda no preço da arroba do boi gordo nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. O indicador é calculado com base em dados de confinamentos monitorados pela tecnologia de gestão de confinamento (TGC), utilizada em propriedades que representam 62% das cabeças confinadas no Brasil, segundo o Beef Report Abiec 2025.

Em junho, o ICAP ficou em R$ 12,91 por cabeça ao dia no Centro-Oeste, alta de 0,62% em relação a maio. No Sudeste, o índice recuou 2,23%, para R$ 11,79 por cabeça ao dia, o menor valor registrado em 2026.

Segundo o levantamento, o Centro-Oeste reduziu em 9,93% o custo da arroba produzida, alcançando R$ 186,36 por arroba. A região também voltou a liderar a rentabilidade dos confinamentos, favorecida pelo menor custo alimentar e pelo perfil dos animais abatidos, com média de 99 dias de cocho e produção de 7,68 arrobas por cabeça.

No Sudeste, o custo da arroba produzida foi de R$ 199,29, alta de 2,13% em relação ao mês anterior.

A diferença no custo alimentar entre as duas regiões aumentou de R$ 0,77 para R$ 1,12 por cabeça ao dia. Ainda assim, o Sudeste registrou o quarto mês consecutivo com o menor custo alimentar entre as regiões analisadas.

Custos da alimentação

No Centro-Oeste, o custo total da dieta de terminação encerrou junho 4,16% abaixo da média do trimestre, influenciado principalmente pela redução de 37,13% nos volumosos e de 8,25% nos energéticos. Os proteicos apresentaram estabilidade, com alta de 0,50%.

Foto: Divulgação

Entre os insumos, o milho grão seco ficou 8% abaixo da média trimestral, refletindo o avanço da colheita da segunda safra. A casca de algodão registrou queda de 51,7%, enquanto as silagens de capim e de milho recuaram 20,1% e 16,8%, respectivamente.

No Sudeste, o custo da dieta ficou 1,08% abaixo da média trimestral. Os proteicos recuaram 2,83%, enquanto os energéticos apresentaram alta de 1,44%. Os volumosos registraram aumento de 15,80%, influenciados principalmente pela mudança no mix de alimentação utilizado pelos confinamentos.

Na região, o milho grão seco permaneceu 7% acima da média trimestral. Entre os proteicos, o caroço de algodão apresentou queda de 19,8%.

Arroba recua nas duas regiões

Em junho, a cotação da arroba do boi gordo caiu 5,69% no Centro-Oeste, encerrando o mês em R$ 323,50. No Sudeste, o recuo foi de 3,35%, com a arroba cotada a R$ 331,50.

Fotos: Shutterstock

Mesmo com a desvalorização, a estimativa de lucro permaneceu acima de R$ 1 mil por cabeça nas duas regiões. No Centro-Oeste, o resultado foi de R$ 1.053,25 por cabeça, alta de 1,56% em relação ao mês anterior. No Sudeste, o lucro estimado foi de R$ 1.007,41 por cabeça, queda de 10,36%.

No mercado do boi China, a estimativa de lucro foi de R$ 1.118,53 por cabeça no Centro-Oeste e de R$ 1.072,18 por cabeça no Sudeste.

De acordo com o ICAP, a redução dos custos de alimentação passou a ter maior influência sobre a rentabilidade dos confinamentos. O levantamento também mostra que a eficiência produtiva reduziu o peso da alimentação sobre a receita gerada por cada arroba produzida, contribuindo para manter as margens da atividade mesmo diante da queda nas cotações do boi gordo.

Fonte: Assessoria Ponta Agro

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Angus desenvolve base genética inédita para cruzamento industrial

Projeto em parceria com a Embrapa vai coletar seis mil amostras de bovinos meio-sangue para desenvolver modelos capazes de identificar touros Angus com maior potencial para transmitir qualidade de carne aos descendentes.

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Foto: Divulgação

A pecuária de corte brasileira terá, pela primeira vez, uma população de referência genética formada exclusivamente por bovinos meio-sangue. A iniciativa, liderada pela Associação Brasileira de Angus em parceria com a Embrapa Pecuária Sul, pretende desenvolver modelos capazes de identificar quais touros Angus apresentam maior potencial para transmitir características ligadas à qualidade da carne quando utilizados no cruzamento com matrizes de outras raças, como o Nelore.

Foto: Agência Result/Feicorte

O projeto representa uma das primeiras pesquisas conduzidas pela entidade após sua certificação como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), obtida em 2026. Entre os resultados esperados está o desenvolvimento de novas Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs), incluindo uma voltada à maciez da carne, característica ainda inexistente nas avaliações genéticas brasileiras.

A fase de campo começa na terça-feira (14) e prevê a coleta de seis mil amostras genéticas de fêmeas meio-sangue certificadas pelo Programa Carne Angus Certificada. O orçamento dessa etapa já está assegurado.

Para viabilizar o estudo, pesquisadores desenvolveram um protocolo inédito de coleta utilizando a tecnologia TSU para retirar amostras de tecido muscular diretamente de carcaças resfriadas. A técnica adapta um método empregado anteriormente apenas na coleta de cartilagem da orelha para análises genéticas. “O grande diferencial dessa pesquisa é a construção da primeira população de referência nacional focada em animais meio-sangue”, explica Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da ICT da Associação.

Genética voltada ao cruzamento industrial

Hoje, as avaliações genéticas relacionadas à qualidade de carcaça, como marmoreio e área de olho de lombo, são baseadas em animais de raça pura e utilizam principalmente informações obtidas por ultrassonografia.

Foto: Gustavo Rafael

Com o novo projeto, os dados fenotípicos coletados nos frigoríficos serão integrados às informações genéticas dos animais. A partir desse banco de dados, pesquisadores da Associação Brasileira de Angus e da Embrapa desenvolverão modelos estatísticos específicos para bovinos oriundos de cruzamento industrial.

Na prática, a ferramenta permitirá identificar touros com maior capacidade de transmitir atributos ligados à qualidade da carne aos descendentes, oferecendo ao pecuarista maior segurança na escolha da genética e aumentando a eficiência dos programas de melhoramento.

Ganhos produtivos e novas etapas da pesquisa

Além dos efeitos sobre a qualidade da carne, a seleção mais precisa de reprodutores pode reduzir o tempo necessário para que os animais atinjam o peso de abate. Com melhor conversão alimentar, o sistema tende a utilizar menos recursos naturais por quilo produzido e diminuir as emissões de gases de efeito estufa por animal ao longo do ciclo produtivo.

Foto: Divulgação/Angus

Em uma segunda etapa, condicionada à captação de novos recursos, a Associação pretende ampliar a população estudada para dez mil animais e realizar análises físico-químicas em três mil amostras de carne.

Os exames irão avaliar parâmetros como teor de gordura, pH, coloração e força de cisalhamento (shear force), indicador utilizado para medir objetivamente a maciez da carne. Essas informações servirão de base para o desenvolvimento de novas predições genéticas, incluindo uma DEP específica para maciez, inédita no país.

Fonte: Assessoria Angus
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Exportações de carne bovina somam US$ 9,85 bilhões no primeiro semestre

Volume embarcado cresceu 15,5% na comparação anual e estabeleceu novo recorde para o período.

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Foto: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram recorde no primeiro semestre de 2026. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o país embarcou 1,705 milhão de toneladas entre janeiro e junho, volume 15,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Foto: Arquivo Embrapa

A receita também alcançou o maior patamar da série para o período, somando US$ 9,85 bilhões, alta de 36,2% em comparação aos US$ 7,24 bilhões obtidos no primeiro semestre do ano passado. A média mensal de embarques foi de aproximadamente 284 mil toneladas.

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira no semestre, com a compra de 794,7 mil toneladas, que renderam US$ 4,87 bilhões. Na comparação anual, houve crescimento de 24% em volume e de 49,4% em receita.

Os Estados Unidos ocuparam a segunda posição, com 205 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 1,35 bilhão, enquanto o Chile importou 70,7 mil toneladas, movimentando US$ 420,2 milhões. A Rússia adquiriu 62,2 mil toneladas, com faturamento de US$ 284,1 milhões. Já a União Europeia importou 51,2 mil toneladas, gerando receita de US$ 452,3 milhões e figurando como o terceiro principal destino em valor no semestre.

Em junho, o Brasil exportou 317,3 mil toneladas de carne bovina, volume 16,6% superior ao do mesmo mês de 2025. A receita alcançou US$ 1,975 bilhão, avanço de 38,1% na comparação anual.

A carne bovina in natura respondeu por 279,7 mil toneladas, o equivalente a 88,1% do volume embarcado, e gerou US$ 1,83 bilhão, representando 92,6% da receita do mês. As carnes industrializadas somaram 8,5 mil toneladas e US$ 74 milhões, enquanto os miúdos alcançaram 20,1 mil toneladas e US$ 46,3 milhões. Também foram exportadas gorduras, tripas e carnes salgadas.

A China manteve a liderança entre os compradores em junho, com importações de 161,9 mil toneladas e receita de US$ 1,08 bilhão. Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 26,4 mil toneladas e US$ 192,9 milhões, seguidos pelo Chile, que importou 12,9 mil toneladas e movimentou US$ 81,7 milhões. O México apareceu em quarto lugar, com 11,8 mil toneladas e receita de US$ 74 milhões.

Também figuraram entre os principais destinos do mês Indonésia, Hong Kong, Arábia Saudita, União Europeia, Rússia e Filipinas. Em receita, a União Europeia ocupou a quarta colocação, atrás apenas de China, Estados Unidos e Chile.

Segundo a Abiec, o desempenho de junho estabeleceu um novo recorde mensal para as exportações brasileiras de carne bovina, superando os resultados registrados em maio tanto em volume quanto em receita.

Fonte: Assessoria ABIEC
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Nova plataforma utiliza mais de 200 variáveis climáticas para apoiar decisões na pecuária

Ferramenta desenvolvida para produtores monitora riscos sanitários, reprodutivos e nutricionais com base nas características de cada propriedade.

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Fotos: Shutterstock

Uma nova plataforma de inteligência climática voltada à pecuária promete ampliar a capacidade de produtores rurais de antecipar riscos e tomar decisões de manejo com base em dados ambientais. A ferramenta utiliza mais de 200 variáveis climáticas e geoespaciais para gerar alertas específicos sobre condições que podem afetar a produção animal.

CEO da VortixGeo, Renato Aboud

Desenvolvida pela VortixGeo, empresa especializada em inteligência climática e geoespacial, a plataforma reúne informações ambientais e dados de cada propriedade para produzir recomendações direcionadas aos sistemas produtivos. Segundo o CEO da empresa, Renato Aboud, o conjunto de variáveis analisadas permite identificar cenários que influenciam diretamente o desempenho dos rebanhos.

O sistema foi estruturado em cinco eixos: bem-estar animal, sanidade, nutrição, reprodução, manejo e gestão de risco. Em cada um deles, são monitorados indicadores capazes de orientar a tomada de decisão do produtor.

Na área de sanidade, por exemplo, a plataforma acompanha condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento de carrapatos, considerando fatores como a temperatura adequada para a eclosão dos ovos do parasita. Na reprodução, os alertas indicam períodos mais favoráveis para a cobertura dos animais, levando em conta as condições específicas de cada propriedade.

As análises são personalizadas a partir das informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), permitindo que os alertas sejam gerados conforme as características locais de cada fazenda, em vez de utilizar apenas dados regionais.
De acordo com o coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), professor Júlio Barcellos, a plataforma estará disponível para testes no site da instituição.

A proposta é incorporar informações climáticas ao planejamento da atividade pecuária, oferecendo suporte para decisões relacionadas à prevenção de riscos sanitários, manejo do rebanho, eficiência produtiva e gestão da propriedade.

Essa versão elimina completamente o contexto do evento e transforma a plataforma em protagonista da reportagem, com abordagem mais próxima do padrão editorial de veículos especializados em agronegócio.

Fonte: O Presente Rural
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Editora O Presente 35 anos

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