Avicultura
Logística e mercado global de commodities desafiam a avicultura
Tema será debatido durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), com foco nos impactos sobre custos, produção e competitividade do setor.

Os desafios logísticos e as incertezas que impactam o comércio internacional de commodities agrícolas estarão em pauta na programação científica do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o tema Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro será apresentado pelo especialista, Arene Trevisan, no dia 07 de abril, às 16 horas, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
Arene é formado em Administração de Empresas e possui especialização em Gestão Estratégica pelo INSEAD, além de ter participado de programa de desenvolvimento executivo pela Washington University. Possui ampla experiência na comercialização local e global de commodities agrícolas, bem como na movimentação de cargas por diferentes modais logísticos e portos internacionais. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas do agronegócio, como Seara, Cargill, Bunge, CHS e JBS, desenvolvendo atividades ligadas ao comércio internacional, logística e mercado global de commodities. Também acompanhou de perto a evolução do mercado internacional por meio da participação em feiras, eventos e visitas técnicas a portos, centros logísticos e indústrias nas Américas, Europa e Ásia, com foco na transformação de proteína vegetal em proteína animal e sua movimentação global.

O tema Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro será apresentado pelo especialista, Arene Trevisan
O palestrante abordará fatores que influenciam diretamente a competitividade da produção agropecuária, como custos logísticos, infraestrutura de transporte, dinâmica do comércio internacional e as transformações nos fluxos globais de commodities. Em um cenário marcado por mudanças geopolíticas, variações cambiais e pressões sobre cadeias de suprimentos, compreender o comportamento dos mercados agrícolas torna-se fundamental para o planejamento estratégico das empresas e para a sustentabilidade da produção animal.
O setor precisa acompanhar com atenção crescente as movimentações do mercado global. Trevisan abordará como a produção de proteína animal está diretamente ligada à dinâmica das commodities agrícolas, especialmente dos grãos utilizados na alimentação animal. Nesse contexto, fatores como logística, oscilações de oferta e demanda e questões geopolíticas exercem influência direta sobre a competitividade da cadeia produtiva.
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, reforça que o simpósio busca integrar temas técnicos e estratégicos para a cadeia produtiva. “O SBSA tem o compromisso de reunir especialistas que tragam diferentes perspectivas sobre o setor, desde questões sanitárias e de manejo até temas ligados à economia e à logística global. Entender o comportamento das commodities é fundamental para a sustentabilidade e competitividade da avicultura brasileira”, destaca.
De acordo com a presidente da Comissão Científica do SBSA, Daiane Albuquerque, discutir o cenário das commodities é estratégico para a avicultura. “A cadeia produtiva avícola depende diretamente da disponibilidade e do custo das matérias-primas utilizadas na nutrição animal. Trazer uma análise de mercado e logística amplia a visão dos participantes sobre os desafios e oportunidades que impactam a produção, contribuindo para decisões mais estratégicas dentro do setor”, ressalta.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC). Considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana, o SBSA reúne profissionais, pesquisadores, estudantes e empresas para discutir inovação, ciência aplicada e os desafios da cadeia produtiva.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.

Avicultura Monogástricos
Produção animal entra na era da prevenção integrada no controle de microrganismos indesejáveis
Pressões do mercado internacional e novas estratégias sanitárias impulsionam mudanças na gestão microbiológica das granjas

A produção animal vive um momento de transição no controle de microrganismos indesejáveis. Embora os antibióticos ainda tenham presença significativa nos sistemas produtivos, cresce no setor a preocupação em reduzir sua utilização e adotar estratégias mais preventivas, que envolvem biosseguridade, nutrição e diferentes tecnologias aplicadas ao manejo sanitário.
Esse movimento tem sido impulsionado principalmente por exigências do mercado internacional. Países e blocos econômicos como Europa e China têm ampliado as demandas por práticas que reduzam o uso de antimicrobianos na produção animal, estimulando mudanças ao longo de toda a cadeia produtiva.
De acordo com Juliana Arrais, Zootecnista, com mestrado e doutorado em nutrição e alimentação de monogástricos e gerente de Serviços Técnicos da Kemin, essa transformação envolve não apenas a substituição de produtos antibióticos, mas uma revisão mais ampla das estratégias sanitárias. “Os antibióticos são ferramentas conhecidas e com eficácia comprovada. Mas a realidade é que não vamos retirar um antibiótico e encontrar um único aditivo capaz de substituí-lo. O caminho passa por uma estratégia global, que começa na biosseguridade e envolve combinações de soluções ajustadas ao desafio de cada sistema produtivo”, explica.
Nesse contexto, alternativas como probióticos, óleos essenciais e ácidos orgânicos têm ganhado espaço como parte de programas integrados de controle microbiológico.
Controle começa antes do animal
Um dos pontos que vêm ganhando destaque nas estratégias sanitárias é o entendimento de que o controle de microrganismos indesejáveis não se limita ao organismo do animal. Muitas vezes, o problema se inicia em etapas anteriores da cadeia produtiva.
Entre os principais pontos críticos estão o controle sanitário nas granjas, incluindo o acesso de pessoas, animais e pragas, além da qualidade dos ingredientes utilizados nas dietas e do controle microbiológico da ração antes do consumo pelos animais.
A qualidade das matérias-primas e as boas práticas de fabricação nas fábricas de ração também têm papel determinante nesse processo. “A qualidade dos ingredientes é essencial para reduzir riscos de contaminação. As boas práticas de fabricação são um ponto inicial importante, porque muitas contaminações podem começar nessa etapa”, destaca Juliana.
Microorganismos que desafiam o setor
Entre os microrganismos que mais preocupam a indústria de proteína animal atualmente estão Clostridium, Escherichia coli e Salmonella, cada um com impactos distintos dentro do sistema produtivo.
O Clostridium, por exemplo, segue sendo um desafio importante por afetar o desempenho produtivo mesmo em situações subclínicas. Já a Salmonella traz uma preocupação adicional relacionada à saúde pública e à segurança dos alimentos.
A E. coli, por sua vez, representa um desafio relevante dentro das granjas. Presente de forma recorrente nos ambientes produtivos, ela tem demonstrado elevada resistência a antibióticos e pode causar perdas produtivas significativas. “Além de provocar infecções nos animais, pode impactar a perda de carcaças e cortes e levar a altas taxas de mortalidade em alguns lotes, especialmente em situações de desafio, como estresse por calor”, explica Juliana.
Da reação à prevenção
A mudança de mentalidade no setor também passa por uma evolução no próprio conceito de gestão sanitária. Enquanto no passado o foco estava mais voltado ao tratamento de problemas já instalados, hoje a prevenção ganha cada vez mais protagonismo.
“Falamos muito mais em prevenção do que em tratamento. Essa abordagem reduz custos, melhora o desempenho produtivo e aumenta a segurança do alimento”, afirma Juliana.
Entre os erros mais comuns ainda observados nas granjas estão falhas no controle de microrganismos indesejáveis em matérias-primas, ausência de monitoramento microbiológico da água, desafios para manutenção do manejo adequado do vazio sanitário e a falta de estratégias específicas para os desafios sanitários de cada região.
Tendências para a próxima década
Para os próximos anos, a expectativa é que a gestão sanitária da produção animal se torne ainda mais baseada em prevenção e monitoramento.
O avanço de tecnologias de diagnóstico e monitoramento deve permitir a identificação mais precoce de riscos microbiológicos, favorecendo decisões mais assertivas dentro das granjas e das fábricas de ração.
Esse movimento também está alinhado ao conceito de One Health, que integra saúde animal, humana e ambiental. A tendência é que essa abordagem contribua para reduzir o uso de antimicrobianos, tanto como promotores de crescimento quanto para tratamentos, além de melhorar o controle de patógenos ao longo de toda a cadeia produtiva.
“Essas mudanças podem impactar positivamente os resultados a campo e também a qualidade do produto final, além de ajudar a reduzir a seleção de cepas cada vez mais resistentes aos antimicrobianos”, conclui.
Avicultura
Abate de frangos cresce 3,1% e atinge maior volume já registrado no Brasil
Produção avança em 23 estados e mantém desempenho mesmo com impactos da gripe aviária.

O abate de frangos chegou a 6,69 bilhões de cabeças em 2025, crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior e novo recorde histórico, segundo o IBGE.
Houve aumento em 23 unidades da federação, com o Paraná liderando a produção nacional, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Foto: Jonathan Campos/AEN
Mesmo diante de desafios como a gripe aviária, o setor conseguiu manter o escoamento da produção. O mercado interno absorveu o excedente, enquanto o país retomou rapidamente o status sanitário para exportações, que também atingiram recorde.
No quarto trimestre, o abate foi de 1,71 bilhão de cabeças, alta de 5,7% na comparação anual e de 1,5% frente ao trimestre anterior.
A produção de ovos de galinha também registrou o maior volume da série histórica, com 4,95 bilhões de dúzias em 2025, aumento de 5,7% sobre 2024. No quarto trimestre, foram produzidas 1,26 bilhão de dúzias, crescimento de 4,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mais da metade das granjas produziu ovos para consumo, concentrando a maior parte da produção nacional, enquanto o restante foi destinado à incubação.
Avicultura
Asgav/Sipargs elege Conselho Diretivo para triênio 2026/2029
Nestor Freiberger foi reconduzido à presidência e José Eduardo dos Santos foi reeleito presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul.

A Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) realizou, nesta terça-feira (24), em sua sede em Porto Alegre (RS), a assembleia de eleição do Conselho Diretivo para o triênio 2026/2029, com a participação de associados. Na ocasião, a única chapa inscrita até o prazo estabelecido foi aprovada por aclamação, reconduzindo à presidência do Conselho Diretivo, Nestor Freiberger, diretor-presidente da Agrosul Foods, que segue à frente do conselho diretivo da entidade por mais um mandato.
A assembleia também confirmou, por unanimidade, a reeleição de José Eduardo dos Santos como presidente executivo da entidade. O cargo integra o novo modelo de governança implementado em agosto de 2020, quando Asgav e Sipargs passaram a atuar de forma integrada como Organização Avícola do Rio Grande do Sul e adotado novo sistema de gestão.
Com a nova eleição, o sistema de gestão adotado pelas entidades ingressa em sua terceira etapa, consolidando um formato dinâmico, proativo e de ampla atuação institucional. A estrutura tem como objetivo fortalecer a representatividade institucional, ampliar a competitividade do setor e garantir maior alinhamento estratégico entre as lideranças da avicultura gaúcha.
Durante sua manifestação, Santos destacou os avanços alcançados ao longo dos últimos anos e reforçou o compromisso com a continuidade do trabalho. “Seguimos com o propósito de fortalecer ainda mais o setor e as entidades avícolas, intensificando a atuação institucional e defendendo os interesses da avicultura gaúcha em todas as esferas”, afirmou.
Freiberger também ressaltou a importância da assertividade e continuidade do modelo de gestão e do alinhamento entre as lideranças. Segundo ele, a reeleição reflete a confiança no trabalho desenvolvido até aqui e reforça o compromisso com o crescimento sustentável do setor e que também abre espaço para futuras lideranças na próxima gestão.
A nominata completa dos eleitos para o Conselho Diretivo e Conselho Fiscal da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) para o triênio 2026/2029 estará disponível no site, acesse clicando aqui, e no aplicativo Avicultura RS On a partir de 06 de abril.




