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Liquidez do suíno vivo diminui no Brasil, mas exportações da carne aumentam
Liquidez diminuiu no mercado de suíno vivo entre o fim de fevereiro e o início de março

A liquidez diminuiu no mercado de suíno vivo entre o fim de fevereiro e o início de março. Colaboradores do Cepea relatam que a dificuldade em escoar a carne no mercado interno, devido aos recentes altos preços, tem travado as negociações, pressionando os valores do animal. Assim, as cotações do vivo recuaram nos últimos dias na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea.
Por outro lado, as vendas da proteína suína brasileira ao exterior aumentaram em fevereiro, depois de recuarem em novembro e dezembro de 2020 e em janeiro deste ano – a média diária de embarques no mês passado foi a mais elevada dos últimos seis meses.
Conforme dados da Secex, em fevereiro, o Brasil exportou 4 mil toneladas/dia, 40,4% acima da média registrada em janeiro. Essa recuperação já era esperada pelo setor, que teve resultado abaixo da expectativa em janeiro, por conta da retração pontual dos envios à China.
Apesar do bom ritmo dos embarques, o menor número de dias úteis em fevereiro limitou o aumento no total exportado pelo Brasil.

Notícias
Tecnologias sustentáveis já estão presentes em 3,6 milhões de propriedades rurais no Brasil
Agricultura de Baixa Emissão de Carbono alcança 65 milhões de hectares e já entregou quase 205 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em benefícios climáticos.

As tecnologias associadas à Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) já fazem parte da realidade de 3,61 milhões de estabelecimentos rurais brasileiros. Os dados são da Plataforma ABC+, ferramenta de monitoramento do Plano ABC+, que contabiliza cerca de 65 milhões de hectares sob sistemas produtivos sustentáveis em todo o país.
O número equivale a aproximadamente 71% dos 5,07 milhões de estabelecimentos agropecuários identificados pelo último Censo Agropecuário do IBGE, realizado em 2017.

Fotos: Shutterstock
Criado para estimular práticas que conciliam aumento de produtividade, adaptação às mudanças climáticas e conservação ambiental, o Plano ABC+ estabeleceu como meta expandir a adoção dessas tecnologias para 72,68 milhões de hectares até 2030. Com os atuais 65 milhões de hectares monitorados, o país já se aproxima desse objetivo.
Além da expansão da área, os resultados também aparecem na redução das emissões. Segundo a Plataforma ABC+, as tecnologias adotadas já proporcionaram benefícios climáticos equivalentes a 204,87 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, o que representa 19,65% da meta total prevista pelo programa para 2030.
O objetivo do plano é alcançar aproximadamente 1,04 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente em benefícios climáticos até o final da década.
Sustentabilidade e competitividade
Para o engenheiro agrônomo e especialista em gestão do agronegócio Hugo Centurion, a sustentabilidade passou a ocupar um papel estratégico dentro da produção agropecuária. “A sustentabilidade deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a ser um fator de competitividade para o agro brasileiro. O produtor que investe em tecnologias mais eficientes consegue produzir mais, utilizar melhor os recursos naturais e atender às demandas de mercados cada vez mais atentos à origem dos alimentos”, afirma.
Segundo ele, o crescimento da adoção dessas tecnologias demonstra que o setor tem incorporado práticas que aliam eficiência produtiva e responsabilidade ambiental. “A agricultura sustentável não é construída por uma única tecnologia, mas pela combinação de inovação, manejo adequado e conhecimento técnico. O desafio do setor é continuar evoluindo para produzir mais em áreas já consolidadas, preservando recursos naturais e contribuindo para os compromissos climáticos do país”, destaca.
Tecnologias priorizadas

Instituído em 2010 e reformulado em 2020, quando passou a se chamar Plano ABC+, o programa federal busca tornar a agropecuária mais resiliente às mudanças climáticas e reduzir a intensidade das emissões de gases de efeito estufa.
Entre as principais tecnologias incentivadas estão a recuperação de pastagens degradadas, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), o sistema de plantio direto, as florestas plantadas e práticas de manejo sustentável do solo e da água.
Para Centurion, o avanço dessas estratégias será cada vez mais importante diante dos efeitos climáticos observados nos últimos anos. “As mudanças climáticas estão impondo novos desafios ao campo. Por isso, práticas que melhoram a saúde do solo, a eficiência do uso da água e a resiliência das lavouras são fundamentais para garantir produtividade e segurança alimentar nas próximas décadas”, ressalta.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 05 de junho, os números mostram que a agricultura brasileira já avançou em direção às metas climáticas estabelecidas para 2030, mas ainda tem pela frente o desafio de ampliar a adoção de tecnologias sustentáveis e acelerar os ganhos ambientais previstos pelo Plano ABC+.
Notícias
Soja e cobre sustentam superávit comercial de US$ 7,8 bilhões em maio
Saldo da balança comercial cresceu 10,8% em relação a maio do ano passado e alcançou o quarto melhor resultado da série histórica para o mês.

Impulsionado principalmente pelo aumento das exportações de soja e cobre, o superávit da balança comercial brasileira alcançou US$ 7,823 bilhões em maio, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O resultado representa crescimento de 10,8% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 7,059 bilhões.
De acordo com a série histórica iniciada em 1989, trata-se do quarto maior superávit já registrado para o mês de maio, ficando atrás apenas dos resultados observados em 2023 (US$ 10,978 bilhões), 2021 (US$ 8,536 bilhões) e 2024 (US$ 8,302 bilhões).

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
No período, as exportações brasileiras somaram US$ 31,904 bilhões, avanço de 6,6% na comparação com maio do ano passado. As importações totalizaram US$ 24,081 bilhões, alta de 5,3% na mesma base de comparação.
Os valores registrados também figuram entre os maiores da série histórica para o mês de maio. As exportações alcançaram o segundo melhor resultado já registrado para o período, atrás apenas de maio de 2023. Já as importações tiveram o segundo maior valor da série para o mês, superadas somente pelo resultado de maio de 2022.
Acumulado
Nos cinco primeiros meses de 2026, a balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 32,662 bilhões, resultado 34,2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o desempenho foi favorecido pela recuperação dos preços e volumes exportados de commodities, além da ausência da importação de uma plataforma de petróleo realizada em fevereiro de 2025, operação que elevou significativamente as compras externas naquele período e não se repetiu neste ano.
Entre janeiro e maio, as exportações brasileiras somaram US$ 148,571 bilhões, crescimento de 8,7% em relação aos cinco primeiros meses de 2025. As importações alcançaram US$ 115,908

Foto: Divulgação/Porto de Santos
bilhões, alta de 3,2% na mesma comparação.
O saldo acumulado é o terceiro maior já registrado para o período na série histórica, ficando atrás apenas dos resultados observados nos cinco primeiros meses de 2024, quando o superávit atingiu US$ 35,227 bilhões, e de 2023, com US$ 34,540 bilhões.
Setores
Na análise por setores, as exportações brasileiras apresentaram comportamentos distintos em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado. A agropecuária registrou crescimento de 9,8%, resultado de um aumento de 6,1% no volume embarcado e de 2,8% nos preços médios dos produtos exportados.
Na indústria extrativa, as exportações recuaram 1,9%, desempenho influenciado principalmente pelo petróleo. O setor registrou queda de 26,6% no volume exportado, parcialmente compensada pela valorização de 33,8% nos preços médios.

Foto: Jonathan Campos
Já a indústria de transformação apresentou expansão de 9% nas vendas externas. O resultado foi sustentado por um aumento de 7,4% nos preços médios dos produtos exportados e por uma alta de 1% no volume embarcado.
Produtos
Entre os produtos que mais contribuíram para o avanço das exportações brasileiras em maio, a agropecuária foi impulsionada principalmente pelas vendas de soja, que cresceram 14,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. Também se destacaram o algodão bruto, com alta de 45,3%, e o milho não moído, exceto milho doce, cujas exportações avançaram 267,2%.
Na indústria extrativa, as exportações de óleos brutos de petróleo recuaram 9,3% e as de minério de ferro caíram 15,2%. O desempenho negativo desses produtos, porém, foi parcialmente compensado pelo forte crescimento das vendas externas de minério de cobre, que registraram alta de 149,4%.
Já na indústria de transformação, os principais destaques foram a carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com crescimento de 50,2%, os combustíveis, que avançaram 75,2%, e o ouro não monetário, com aumento de 56,7% nas exportações.
Em valores absolutos, a soja foi o produto que mais contribuiu para o crescimento das exportações brasileiras em maio. As vendas externas do grão aumentaram US$ 804,1 milhões em

Foto: Roberto Dziura Jr
comparação com o mesmo mês de 2025, impulsionadas pelo avanço da colheita e pela valorização dos preços. Na sequência aparece o minério de cobre, que acrescentou US$ 617,9 milhões ao valor exportado pelo país no período.
No caso do petróleo bruto, as exportações recuaram US$ 390,8 milhões, com o volume recuando 42,1%, apesar da alta de 56,7% no preço médio, provocada pela guerra no Oriente Médio. A queda no volume está parcialmente relacionada à alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação de petróleo, imposta em meados de março como medida para segurar a alta dos combustíveis após o início do conflito.
Apesar do crescimento das exportações agropecuárias, as vendas de café despencaram em maio. No mês passado, o Brasil vendeu US$ 297,6 milhões a menos do que em maio de 2025 (-24,5%). A queda deveu-se à redução de 8,6% no volume e de 13,4% no preço médio.
Importações
Pelo lado das importações, o crescimento foi impulsionado principalmente pelas compras de veículos no exterior. Em maio, as importações desse segmento aumentaram US$ 833,5 milhões em relação ao mesmo mês de 2025, configurando a principal contribuição para a expansão das compras externas no período.

Foto: Claudio Neves
Na agropecuária, os destaques ficaram por conta dos pescados, cujas importações cresceram 38,1%, dos produtos hortícolas, com alta de 26,6%, e da soja, que registrou avanço de 24,4%.
Na indústria extrativa, houve forte aumento nas compras de fertilizantes brutos, exceto adubos, com crescimento de 68,4%. Também apresentaram expansão as importações de carvão não aglomerado, que avançaram 59,8%, e de linhita e turfa, com alta de 115,1%.
Já na indústria de transformação, destacaram-se as importações de automóveis de passageiros, que cresceram 80,1%, de combustíveis, com avanço de 45,2%, e de válvulas e tubos termiônicos, cujas compras externas aumentaram 49% em comparação com maio do ano passado.
Projeções
Para 2026, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) projeta um superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, valor 5,9% superior ao saldo positivo de US$ 68,1 bilhões registrado em 2025. A estimativa considera crescimento tanto das exportações quanto das importações ao longo do ano.
Segundo as projeções da pasta, as exportações brasileiras deverão atingir US$ 364,2 bilhões em 2026, avanço de 4,6% em relação ao ano anterior. As importações, por sua vez, devem somar US$

Foto: Claudio Neves
280,2 bilhões, aumento de 4,2% na mesma base de comparação.
O Mdic atualiza suas projeções para a balança comercial a cada trimestre e informou que divulgará, em julho, novas estimativas detalhadas para exportações, importações e saldo comercial deste ano. O maior superávit da série histórica foi registrado em 2023, quando a balança comercial brasileira encerrou o ano com resultado positivo de US$ 98,9 bilhões.
As previsões do governo são mais conservadoras do que as do mercado financeiro. De acordo com o boletim Focus, levantamento semanal realizado pelo Banco Central junto a instituições financeiras, a expectativa é de que o superávit comercial brasileiro alcance US$ 76,2 bilhões em 2026. A projeção foi revisada para cima após o início do conflito no Oriente Médio.
Notícias
Exportações para os EUA caem 14% e China amplia liderança nas compras do Brasil
Vendas brasileiras ao mercado norte-americano seguem em retração desde a adoção das tarifas do governo Trump, enquanto a China aumenta participação na pauta exportadora e reforça sua posição como principal parceiro comercial do país.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 14% em maio na comparação com o mesmo mês de 2025, divulgou na última quarta-feira (03) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Desde agosto do ano passado, quando começaram a vigorar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, as vendas para o mercado estadunidense vêm recuando.

Foto: Shutterstock
Apesar da queda, o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, diz que os números ainda não permitem concluir que houve uma mudança estrutural na relação comercial entre os dois países. “É cedo para falar de mudança estrutural. Fluxos no comércio exterior levam tempo para se adaptar, depende muito da composição da pauta, tem bens sob encomenda que sofrem choque maior, mas commodities e alimentos não, como é o caso de grande parte do perfil da pauta com Estados Unidos, com petróleo, celulose, combustível, carne, café. Tem um momento de aumento de custo, pode ser que cause retratação do fluxo, mas pode retomar rapidamente”, afirmou Brandão.
Ele ressaltou que o ritmo de redução das exportações para os Estados Unidos tem diminuído nos últimos meses. “Tivemos a maior queda em outubro, de 35%. Em janeiro houve redução de 26%, e essa redução vem se arrefecendo ao longo dos meses: 20% em fevereiro, 10% em março, 10% em abril e 14% em maio”, declarou.

Foto: Divulgação
Comércio com EUA
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mostram uma desaceleração do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos em maio. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 3,09 bilhões no mês, uma queda de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações de produtos norte-americanos totalizaram US$ 3,21 bilhões, recuo de 11%, resultando em um déficit comercial de US$ 121 milhões para o Brasil.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidos alcançaram US$ 14,01 bilhões, redução de 16% na comparação anual. As importações somaram US$ 15,48 bilhões, queda de 12,6%, enquanto o déficit da balança comercial brasileira com os norte-americanos atingiu US$ 1,47 bilhão entre janeiro e maio.
A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também recuou, passando de 12% em maio de 2025 para 9,7% em maio deste ano.
China ganha espaço
Enquanto os embarques para os Estados Unidos diminuíram, a China ampliou sua presença como principal destino das exportações brasileiras. Em maio, as vendas para o país asiático cresceram

Foto: Beto Barata/Agência Brasil
9,5%, alcançando US$ 10,5 bilhões. As importações avançaram 24,2%, para US$ 6,8 bilhões. O resultado gerou superávit comercial de US$ 3,7 bilhões no mês.
Nos cinco primeiros meses do ano, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 43,26 bilhões, crescimento de 21,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações alcançaram US$ 30,76 bilhões, alta de 4,1%, resultando em um superávit comercial de US$ 15,5 bilhões para o Brasil. Com esse desempenho, a participação da China na pauta exportadora brasileira aumentou de 32,1% para 32,9% no período, reforçando a posição do país asiático como principal destino das exportações nacionais.
Petróleo em destaque
Brandão também atribuiu ao conflito no Oriente Médio o forte avanço das exportações de combustíveis derivados de petróleo pela indústria de transformação. Segundo ele, os choques de oferta provocados pela guerra elevaram os preços internacionais e impulsionaram o valor exportado pelo Brasil.

Foto: Shutterstock
Em maio, as exportações brasileiras de óleos combustíveis registraram forte crescimento, com avanço de 75,2% no volume embarcado e aumento de 49,8% no valor exportado em comparação com o mesmo mês do ano passado. Em sentido oposto, as vendas externas de petróleo bruto apresentaram retração, com queda de 9,3% no valor exportado e recuo de 42,1% no volume embarcado na mesma base de comparação.
De acordo com o diretor do Mdic, o movimento é pontual e não está relacionado ao imposto de exportação criado pelo governo para o produto. “O Brasil é muito competitivo. A questão do imposto de exportação não vai impactar a oferta brasileira para o exterior, ainda mais em um cenário de preços elevados. As empresas continuam produzindo petróleo e os investimentos seguem ocorrendo”, afirmou.
Como exemplo, Brandão citou a entrada em operação de uma nova plataforma de produção de petróleo em fevereiro deste ano.
Saldo comercial
Nos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil acumulou superávit comercial de US$ 32,662 bilhões, acima dos US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
O resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento das exportações para a China e pelo desempenho de produtos ligados ao setor de energia e commodities (bens primários com cotação internacional).



