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Lideranças rurais do Paraná conhecem uso de IA no agro dos Estados Unidos
Missão técnica do Sistema Faep visita empresas e fazendas no Vale do Silício para observar aplicações de robótica e análise de dados no campo.

O uso de robôs comandados por Inteligência Artificial (IA) no meio agropecuário norte-americano tem ganhado escala nos últimos tempos. A tecnologia já está presente em diversos negócios rurais nos Estados Unidos, principalmente na fruticultura, aplicação de defensivos agrícolas, combate a doenças e até manejo e análise de solo. A presença das máquinas nas lavouras tem permitido a tomada de decisão mais assertiva por parte dos produtores rurais, que utilizam a análise de dados em larga escala para reduzir custos de produção, principalmente com mão de obra, e prever a ocorrência de pragas.

Na Califórnia, lideranças rurais do PR conhecem aplicação de novas tecnologias no meio rural
Esse ambiente de IA no meio rural tem despertado interesse na adoção de novas tecnologias no grupo de 40 lideranças rurais do Paraná, durante a viagem técnica promovida pelo Sistema Faep, entre 12 e 23 de maio. Na primeira parte, a delegação formada por presidentes de sindicatos e outros líderes rurais, representantes de órgãos do setor e técnicos da entidade visitou empresas, fazendas e startups, no ecossistema de inovação do Vale do Silício, na Califórnia, que produzem alimentos com o uso da robótica nas atividades do campo.
“O objetivo desta viagem técnica é permitir que os nossos produtores rurais conheçam o uso da Inteligência Artificial e robótica aplicada ao meio rural. Essas tecnologias trazem economia ao custo de produção e ajudam num dos principais problemas atuais: a falta de mão de obra”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, que também integra o grupo. “Os norte-americanos são referências, com diversos modelos de uso e negócio. Por aqui, a Inteligência Artificial já atua como ferramenta de interpretação e apoio à tomada de decisão”, complementa.

Na Reservoir Farms, o robô chamado Emma realiza o monitoramento agrícola automatizado e a coleta de dados entre as fileiras do vinhedo, utilizando visão computacional e IA embarcada
Atualmente, o Vale do Silício tem vivido uma nova era, segundo Fernando Franco, CEO da Campfire, empresa dedicada a conectar pessoas a empresas locais. As tecnologias têm focado em serviços de uma forma geral, desde carros autônomos até desenvolvimento de robôs, inclusive para uso no meio rural. A região abriga mais de 220 unicórnios (empresas de tecnologia avaliadas em mais de US$ 1 bilhão), contra 89 em Nova Iorque.
“O que acontece no Vale do Silício ecoa em todos os setores da economia dos Estados Unidos. Para se ter uma ideia, se Califórnia fosse um país, teria um PIB que a colocaria como a quarta maior economia mundial. Esse cenário só é possível graças à cooperação entre universidades, investidores e empresas, todos com a mesma mentalidade”, afirma Franco.
Com foco em análises laboratoriais do solo, EarthOptics desenvolve soluções de inteligência de dados que atendem produtores dos Estados Unidos, Brasil e em outros países. A proposta da empresa transcende a análise laboratorial tradicional do solo ao conectar dados físicos, químicos, biológicos e genéticos do solo para direcionar decisões estratégicas por parte do produtor rural. Os mapas de alta resolução gerados revelam desde a compactação do solo até o estoque de carbono.

“É possível integrar mapas digitais, indicadores biológicos, análises preditivas e recomendações agronômicas específicas para cada ambiente dentro da propriedade rural; tudo conectado em um único sistema integrado”, explica Patrick Schwientek, CTO Chief Tecnology da empresa.
Como parte do roteiro técnico, a delegação do Sistema Faep também conheceu a plataforma BovControl, voltada para a cadeia da pecuária, com ênfase na digitalização da atividade, uso de IA, rastreabilidade via tokenização e integração com mercados de crédito de carbono. Hoje, o sistema conta com mais de 100 mil fazendas em diversas partes do mundo, sendo 60% no Brasil.
“A BovControl ajuda o produtor a monitorar o rebanho em tempo real, otimizar custos e garantir a rastreabilidade exigida por frigoríficos, laticínios e mercados internacionais”, conta Danilo Leão, fundador da empresa.

O robô consegue identificar doenças, detectar pragas, reconhecer deficiências nutricionais, realizar a contagem de plantas, monitorar falhas e análise de variabilidade dentro da área produtiva.
Duas visitas técnicas envolveram a produção de frutas. Na Orchard Robotics, a solução tecnológica chamada de Vineyard Robotics utiliza um trator, com câmera acoplada, para percorrer as linhas do vinhedo ou de outras culturas, capturando até 100 imagens por segundo, utilizando lentes com diferentes ângulos de visão para ampliar a capacidade de análise da cultura. O equipamento opera em diferentes condições, inclusive à noite, com iluminação própria, e pode ser configurado para captura unilateral ou bilateral, conforme a área monitorada.
Posteriormente, essas imagens capturadas no campo são convertidas em dados agronômicos detalhados, permitindo que o produtor acompanhe o desenvolvimento das plantas, identifique eventuais problemas e planeje as próximas etapas de forma mais assertiva.
“A plataforma realiza a contagem de brotos, cachos e frutos, identifica estágios de desenvolvimento, avalia estrutura da planta e gera estimativas produtivas antes mesmo da colheita”, destaca Sierra Eaton, diretora da empresa, criada em 2022.
Já na Reservoir Farms, o robô chamado Emma realiza o monitoramento agrícola automatizado e a coleta de dados entre as fileiras do vinhedo, utilizando visão computacional e IA embarcada.
“O robô surgiu da necessidade de tornar a coleta de dados agrícolas mais acessível, rápida e precisa, principalmente em atividades de identificação precoce de doenças e anomalias nas lavouras”, destaca Daniel Lee, CEO e cofundador da ferramenta, que já está presente em países dos cinco continentes, inclusive no Brasil.
O robô consegue identificar doenças, detectar pragas, reconhecer deficiências nutricionais, realizar a contagem de plantas, monitorar falhas e análise de variabilidade dentro da área produtiva. Emma tem autonomia de até dez horas por carga, com possibilidade de substituição rápida das baterias durante a operação. Atualmente, a solução consegue monitorar aproximadamente 16 hectares por dia, dependendo das condições do terreno e do tempo de operação.
“A análise é feita pela IA, sem necessidade de um agrônomo. Inclusive, o próprio produtor pode contribuir com fotos, arquivos ou relatos de voz. Isso otimiza a tarefa no campo”, reforça Lee, CEO.

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Senado amplia debate sobre nova Lei do Trabalho Rural e regras para voos na Amazônia
Comissão de Infraestrutura aprovou audiências públicas para discutir propostas que tratam das relações de trabalho no campo e da operação de empresas estrangeiras na aviação regional.

A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado aprovou a realização de audiências públicas para discutir dois projetos que podem alterar as regras do trabalho rural e do transporte aéreo na Amazônia Legal. As datas dos debates ainda não foram definidas.
Um dos temas é o Projeto de Lei 4.812/2025, que propõe uma nova Lei do Trabalho Rural. A matéria estabelece normas específicas para as relações individuais e coletivas de trabalho nas atividades agropecuárias e cria a Política Nacional de Qualificação, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade no Trabalho Rural.

Foto: Freepik
O pedido para realização da audiência foi apresentado pelo senador Weverton (PDT-MA). Segundo o parlamentar, o texto foi ampliado durante a tramitação na Comissão de Agricultura (CRA), passando a incluir medidas relacionadas à qualificação profissional, inovação tecnológica, saúde e segurança dos trabalhadores rurais e sustentabilidade da produção.
Na avaliação de Weverton, as mudanças ampliaram o alcance da proposta e justificam um debate mais aprofundado na Comissão de Infraestrutura antes da continuidade da tramitação.
Aviação na Amazônia
A comissão também promoverá uma audiência pública sobre o substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei 4.715/2023, que autoriza, em determinadas situações, empresas estrangeiras a operar voos domésticos na Amazônia Legal.
O requerimento foi apresentado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), que argumenta haver preocupação do setor aéreo brasileiro com os possíveis efeitos da medida.
Segundo o senador, representantes das empresas nacionais afirmam que a abertura do mercado pode ampliar a concorrência com companhias internacionais de maior porte, além de provocar impactos sobre as relações de trabalho e a competitividade das empresas brasileiras, que estão sujeitas a custos tributários não aplicados às concorrentes estrangeiras.
Os dois projetos permanecem em análise no Senado e serão debatidos antes da votação na Comissão de Infraestrutura.
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Ritmo da colheita influencia preços do milho no mercado interno
Compradores reforçam estoques, enquanto produtores paulistas seguem retraídos à espera do avanço da segunda safra para ampliar as negociações.

Os preços do milho seguem com comportamentos diferentes entre as regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). De acordo com o centro de pesquisas, as cotações avançaram em algumas praças devido à retração de vendedores e ao ritmo ainda lento da colheita da segunda safra. Já nas regiões produtoras, os preços recuaram com o avanço dos trabalhos no campo.
O Cepea informa que parte dos compradores continua atenta às oportunidades de negociação, enquanto outros intensificaram as aquisições no início da semana passada, oferecendo preços firmes para manter os estoques abastecidos.
Apesar desse movimento, muitos consumidores aguardam o aumento da oferta de milho nas próximas semanas, com a expectativa de queda nas cotações no mercado interno. Do lado dos vendedores, produtores paulistas seguem retraídos e preferem esperar o avanço da colheita da segunda safra antes de negociar volumes maiores.
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Projeto prevê porte de arma para auditores fiscais agropecuários e reconhece atividade como de risco
Proposta em análise na Câmara estabelece novos protocolos de segurança para fiscais federais e condiciona autorização ao cumprimento de requisitos legais.

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe reconhecer como atividade de risco o trabalho dos auditores fiscais federais agropecuários e autorizar o porte de arma de fogo para esses servidores, tanto durante o expediente quanto fora do serviço.
O Projeto de Lei 1.248/2026 altera a Lei nº 10.883/2004, que trata da carreira dos auditores fiscais agropecuários, e o Estatuto do Desarmamento.

Foto: Divulgação/Anffa Sindical
Pela proposta, a autorização para o porte de arma ficará condicionada ao cumprimento dos requisitos técnicos e psicológicos previstos na legislação e em regulamentação específica.
O texto também determina que o Poder Executivo estabeleça protocolos de segurança para atividades de fiscalização consideradas de maior risco.
Autor da proposta, o deputado Capitão Alden (PL-BA) argumenta que a medida busca adequar a legislação às condições enfrentadas pelos auditores fiscais durante o exercício da função.
Segundo o parlamentar, esses profissionais atuam na fiscalização, inspeção e controle de produtos agropecuários, além de participar de ações de combate a ilícitos administrativos e econômicos.
Tramitação
O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Se aprovado nas comissões, o texto seguirá para votação na Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado Federal antes de eventual sanção presidencial.




