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Leveduras vivas ajudam as vacas a mitigar o estresse por calor
Mais e mais novas instalações e melhorias no ambiente têm sido utilizadas para ajudar a manter a produção de leite com menores perdas nesta estação do ano tão desafiadora.

O período de verão na maior parte do Brasil traz, além das altas temperaturas, a alta umidade relativa do ar. Estas duas variáveis acabam interferindo de forma significativa na habilidade de troca de calor pelos animais com o ambiente. Sempre se menciona o impacto negativo da temperatura sobre a produção animal, notadamente na produção leiteira, mas não se deve deixar de considerar que há impacto também da alta umidade nesta produção.
Pela própria origem dos animais de produção leiteira europeias, verifica-se que vieram de regiões frias, tais como a raça Holandesa (Holstein-Friesian), a Jersey e as demais raças cuja zona de conforto térmico gira em torno de – 5 a + 20°C. Espera-se perdas econômicas quando os animais estão fora desta zona de temperatura termoneutra que podem ser: redução da ingestão de matéria seca, menores produções de leite e alteração em sua composição em sólidos, acidose ruminal, aumento do estresse oxidativo e desencadeamento de doenças, queda nos índices reprodutivos, etc. Também vale deixar claro que o estresse térmico não se restringe aos animais leiteiros, animais de corte também são afetados.
O primeiro ajuste de manejo a auxiliar os animais a combaterem o estresse térmico é fornecer água a vontade e de qualidade e com fácil acesso. Basta considerar que algumas vacas, dependendo do estádio de lactação, produção de leite e temperatura ambiental, podem consumir diariamente até 150 L de água.
Mais e mais novas instalações e melhorias no ambiente têm sido utilizadas para ajudar a manter a produção de leite com menores perdas nesta estação do ano tão desafiadora.
Há cinco maneiras pelas quais as vacas trocam calor com o ambiente: convecção, condução, radiação (estas três primeiras de são resfriamento não-evaporativo), além de transpiração e respiração (que são, por sua vez, chamadas de resfriamento evaporativo). O que é interessante destacar é que as três primeiras formas só ocorrem quando há uma boa diferença entre a temperatura ambiental e o corpo do animal. A partir de uma determinada temperatura ambiental (aprox. 20°C), a troca de calor passa a ser muito dependente do resfriamento evaporativo, ou seja, respiração e transpiração, diminuindo muito a participação percentual da troca pelos métodos não-evaporativos.
Em relação aos fatores ambientais, como mencionado, a alta temperatura, aliada à alta umidade afetam negativamente a produção de leite, tanto que pesquisadores da Universidade do Arizona, nos EUA, estabeleceram estudos que avaliaram o quanto o índice de temperatura e umidade (ITU ou THI, em inglês) afeta a produção de leite. As faixas de ITU avaliadas estão no Figura 1.

Já na Tabela 1 evidencia-se que na faixa de ITU entre 68 e 71, há perda de cerca de 280 mL de leite para cada hora em que a vaca permanecer nesta condição e isso pode chegar a algo como 320 mL de leite perdido por hora na faixa em que o ITU está entre 80 e 89.

Exemplo
Apenas para exemplificar uma avaliação feita em uma fazenda em Santa Rosa (RS), o período de verão teve a seguinte distribuição média dos ITU ao longo do dia, durante 4 meses, que gerou perdas calculadas potenciais de mais de 6 kg/vaca/dia, considerando as faixas de ITU da figura 2.

Há também aditivos sendo utilizados para mitigar o estresse térmico por meio da nutrição de bovinos. Entre eles está ranqueado a levedura viva, que atua para melhorar o rúmen, o órgão que sofre impacto direto quando o animal passa pelo estresse por calor.
Em trabalho recentemente, os pesquisadores da Universidade da Flórida liderados pelo Prof. Dr. José Santos, demonstraram que a levedura viva tem efeito benéfico sobre as vacas nestas condições desafiadoras daquele estado norte-americano e, de maneira similar, nos países em que o verão é quente e úmido, como no Brasil.
A levedura viva Saccharomyces cerevisiae de identidade CNCM I-1077 usada na dose convencional e no dobro da dose para esta condição de estresse térmico foi muito efetiva para as vacas do ensaio.
Em termos de produção de leite corrigido para energia, conforme pode ser notado na figura 3, a levedura da cepa I-1077 aumentou 1 kg de leite se usada na dose padrão e 2 kg quando usada no dobro da dose.

As doses de levedura melhoraram a eficiência alimentar em 90 e 130 g/kg de matéria seca ingerida na dose menor e maior, respectivamente. Também houve maior produção de todos os sólidos avaliados: gordura, proteína e lactose, melhoria na digestibilidade aparente dos nutrientes, melhor comportamento ingestivo, melhores parâmetros ruminais e menor resposta inflamatória das vacas suplementadas.
Em vista do exposto, além das medidas de manejo convencionais para suportar o estresse térmico, ajustes nutricionais e uso de aditivos como a levedura viva CNCM I-1077 foi muito importante para conseguir mitigar esse efeito em vacas em lactação.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: jmoro@lallemand.com.
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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.



