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Suínos / Peixes Bem-estar

Levedura probiótica como meio de controle ao estresse calórico em suínos

Estresse calórico é uma condição que leva a redução de fertilidade e redução da produção de leite nas matrizes

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Divulgação/Jairo Backes

Artigo escrito por Fabio Catunda, zootecnista e gerente Global Suínos da Phileo by Lesaffre

O estresse calórico, é causado por uma combinação de altas temperaturas e umidade relativa do ar; é uma condição que traz grandes danos aos animais, levando a redução de fertilidade, e redução da produção de leite nas matrizes, e danificando a integridade e saúde intestinal tanto nos leitões quanto nas porcas.

Resultados de 4 diferentes ensaios independentes mostraram que houve um declínio de até 30% na produção de leite das porcas quando as temperaturas ultrapassaram 29o C. Até as matrizes que estavam no grupo de melhor resultado no ensaio obtiveram quedas de até 18% na produção de leite.

A redução da qualidade do leite também é evidenciada sob condições de estresse calórico. Em experimentos, foram observados que as porcas que foram submetidas a situações de estresse calórico tiveram a concentração de IgG no colostro diminuídas quando comparadas a porcas que não sofreram o estresse. A concentração de IgG de porcas não estressadas tinham início em 73,8mg/ml, caindo para 64,1mg/ml nas porcas estressadas. Esse efeito continuou nas 24h seguintes quando a proporção em porcas estressadas/não estressadas foi para 13,1 mg/ml / 12,2 mg/ml.

Estresse calórico em leitões

Em experimentos com leitões, verificou-se que os leitões provenientes de porcas desafiadas com estresse calórico têm concentrações mais baixas de IgG sérico, desde o primeiro dia até o 28° dia, quando comparados com leitões do grupo controle. A concentração de IgG em filhos de mães estressadas térmicamente começava em 19,6mg/ml, comparado com o controle que era de 31,5mg/ml. A diferença na concentração sérica de IgG continuou até o dia 28, quando o controle registrava 12,6mg/ml e o grupo sob estresse calórico estava em 9,7mg/ml. O baixo consumo de ração das porcas estressadas levou a menor produção de leite e consequente redução do peso médio dos leitões.

Viabilidade embrionária e taxa de fertilidade

Quando mensurada a fertilidade no período de fevereiro a novembro, incluindo o pico do verão europeu (junho a setembro), a média de concepção decaiu de mais de 80% do que no período mais frio do ano, para pouco acima de 60% nos meses mais quentes que são de julho a agosto.

Estresse calórico também reduz a sobrevivência embrionária, de acordo com resultados experimentais de um ensaio feito entre 12 e 132 horas pós-desmame. Quando medimos o tamanho do folículo, no grupo controle os embriões cresceram de apenas 5mm na 12a hora para entre 8 e 9mm na hora 132. Embriões que estavam no grupo sob estresse calórico começaram em 4,3mm e cresceram um pouco mais do que 7mm após as 132 horas.

Sensibilidade a patógenos

Olhando para os impactos causados por estresse calórico na integridade intestinal em porcas e em leitões, outros testes demonstraram que altas temperaturas causam aumento da permeabilidade intestinal em suínos e aumento da sensibilidade dos animais à patógenos.

Benefícios reconhecidos no uso de leveduras probióticas

Entre todas as maneiras estudadas para diminuir o impacto negativo do estresse calórico em suínos, o efeito da levedura probiótica Saccharomices cerevisae Sc 47 também tem feito parte desses estudos de campo com matrizes e leitões sendo expostos a temperaturas de até 30oC.

Vários estudos de campo revisados e publicados em diferentes partes do mundo mostram que a levedura Saccharomices cerevisae Sc 47 pode modular a microbiota de forma positiva, conferindo benefícios nos animais. Benefícios que incluem ajudar a reduzir o impacto de desafios patogênicos nos suínos, capacidade de diminuir o risco de problemas digestivos em leitões pós-desmame; melhorar a performance zootécnica; aumentando a eficiência alimentar e melhorando tanto a carcaça quanto a produção de carne.

Resultados

Para verificar o efeito da levedura probiótica Sc 47 em matrizes e leitões sob estresse calórico, um ensaio foi feito na Europa, com um total de 192 matrizes, com genética dinamarquesa.

Metade das porcas (96) foram suplementadas com levedura Sc47 na proporção de 1kg/ton na dieta desde o 80º dia de gestação até o desmame, e a outra metade não suplementada (grupo controle). As porcas do grupo controle foram alimentadas com a mesma dieta, porém sem a suplementação de levedura probiótica.

O ensaio foi feito durante o verão europeu, entre julho e agosto, quando as temperaturas na região atingiam a média de 30 graus e a umidade relativa do ar estava na base de 63%.

Nesse desafio, as porcas que foram suplementadas com a levedura probiótica atingiram a taxa de nascidos vivos de 95,04% contra 89,28% do grupo controle. (Figura 1)

O Ganho de Peso Diário (GPD) mensurado do dia 0 ao dia 20 foi muito melhor com a levedura probiótica quando comparada com o grupo controle (215,5g/dia contra 201,0g/dia). Como consequência os leitões que tiveram estresse térmico e foram suplementados com levedura probiótica tiveram peso médio de 5,74kg contra 5,53kg no grupo controle. (Figura 2)

Benefícios econômicos e melhoria da produtividade

Quando falamos de retorno ao investimento (ROI) ao usar a levedura probiótica Sc 47 nesse experimento obtivemos 9:1. Isso foi calculado levando em conta o custo de suplementação contra o valor adicionado criado pela maior sobrevivência dos leitões ao nascer, e maior peso ao desmame. Ao melhorar o progresso durante a gestação, e possibilitando a melhora de leite das matrizes, a levedura viva sc 47 melhorou tanto o benefício econômico quanto a produtividade da granja.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suínos

Zearalenona: a vilã na granja de reprodução

Para alcançar as metas relacionadas à reprodução e garantir rentabilidade na atividade, o uso de um adsorvente com potente ação para zearalenona é fundamental

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Artigo escrito por Mara Costa, TSM Suínos KASA

Na busca pelo maior número de desmamados/fêmea/ano, o máximo desempenho reprodutivo das matrizes é essencial. Qual é o impacto neste parâmetro, planejamento da granja e dano econômico se em um lote de fêmeas, a taxa de parto cai ou elas apresentarem anestro? Quando esse dano é verificado?

Esses são apenas alguns dos sinais observados na contaminação por zearalenona. É importante mencionar que não é possível verificar por quanto tempo e qual o nível de contaminação ao qual as fêmeas foram submetidas, a menos que o monitoramento de micotoxinas já seja uma análise implementada na rotina da Granja.

O uso de adsorvente de micotoxinas, principalmente nas fases reprodutivas, se torna item essencial para que rentabilidade na produção seja alcançada. A adoção dessa tecnologia é uma medida preventiva para um desafio cujo diagnóstico e adoção de medidas corretivas imediatas nem sempre são possíveis.

Como evitar as micotoxinas e seus efeitos?

As micotoxinas são resultantes do metabolismo secundário de fungos, que contaminam os grãos. O crescimento fúngico depende de diversos fatores como umidade, temperatura, presença de oxigênio, contaminação por microrganismos e outros.

O controle deve ser composto pela prevenção da contaminação e crescimento fúngico e inativação dos compostos tóxicos produzidos por estes: as micotoxinas. Práticas com objetivo de melhorar a conservação dos grãos durante o armazenamento podem ser eficazes, diminuindo o risco de contaminação por fungos e, consequentemente, a formação de micotoxinas.

Os adsorventes têm o papel de evitar que as micotoxinas sejam absorvidas no sistema gastrointestinal dos animais. São inúmeros os produtos disponíveis no mercado, entretanto, nem todos têm ou apresentam os resultados que comprovam eficácia. A composição dos adsorventes atuais são as mais variadas, porém, o adsorvente deve:

  • Ser estável durante o processo de fabricação e estocagem;
  • Atuar apenas na micotoxina, sem interação com demais compostos da ração;
  • Apresentar eficiência nos diferentes pHs do sistema digestivo;
  • Ser específico para a micotoxina que causa o dano na fase ou categoria que busca prevenção do dano.

Por que ser específico para zearalenona?

Ao escolher o adsorvente, em muitos casos, o custo do produto é o único critério avaliado. Entretanto, na fase reprodutiva, é recomendável que a eficiência do produto seja avaliada, já que os danos reprodutivos têm alto impacto na rentabilidade e é para a categoria de animais de maior valor dentro do sistema de produção.

O suíno é considerado a espécie mais susceptível à zearalenona, sendo produzida por fungos do gênero Fusarium, contaminante natural do trigo e o milho em diversas regiões.

No suíno a  zearalenona causa  a síndrome do hiperestrogenismo, clinicamente conhecido como vulvovaginite. Os sinais e gravidade dependem da concentração de toxina na ração, período de ingestão e idade do animal. Os animais mais jovens, no caso, as leitoas, são os mais sensíveis.

Os sinais de contaminação após a ingestão são os mais variados e aparecem após 1 a 4 semanas. Os mais perceptíveis na granja são a recusa de alimento, que se deve ao sabor desagradável causado pela contaminação fúngica (essa contaminação ainda pode diminuir o valor nutricional do alimento, principalmente energia, que é consumida pelo fungo). Na maternidade verifica-se hiperestrogenismo (avermelhamento e aumento de volume da vulva) em leitoas que nasceram de matrizes intoxicadas.

Entretanto, o grande prejuízo, se deve a anomalias no ciclo estral e os sinais podem ser: infertilidade, pseudogestação, sinais de estro permanente, reabsorção embrionária, diminuição na taxa de parto, redução no número de nascidos, edema de glândula mamária, prolapso retal e vaginal, canibalismo pela inquetação dos animais. Esses todos também são sinais de contaminação por zearalenona.

Como os sinais podem levar duas semanas após a ingestão da ração contaminada para aparecerem e a ração já pode ter acabado e outro lote iniciado, a análise do alimento e da matéria-prima vai auxilia no monitoramento e controle, e nem sempre na intervenção curativa. Por isso o uso de uma ação preventiva de controle é fundamental. A zearalenona, pela estrutura química complexa, é uma micotoxina que exige um adsorvente com alta capacidade de ligação para ter ação.

Para alcançar as metas relacionadas à reprodução e garantir rentabilidade na atividade, o uso de um adsorvente com potente ação para zearalenona é fundamental.

Qual escolher?

Dentre a variedade de adsorventes presentes no mercado, verificar os que tem atuação específica para zearalenona é fundamental para se utilizar na fase de reprodução. Um componente orgânico que merece destaque é a Leonardita. Extraída de uma camada específica do solo, é segura e não absorvida pelo sistema digestivo do animal. Sua composição é complexa em relação às cargas polares, promovendo potente ação na ligação com a Zearalenona, uma micotoxina complexa que nem todos os compostos presentes em adsorventes conseguem ter ação.

Esse componente, não digestível, garante ao produto:  estabilidade no processo de fabricação e armazenamento, estabilidade no sistema digestivo animal com a não absorção dos compostos e alta especificidade na desativação da zearalenona.

Em avaliação “in vitro”, um adsorvente a base de leonardita, apresentou adsorção em pH 3 e pH7, adsorção média de 94,3% e 93,9%, respectivamente para Zearalenona.

Em avaliações com leitoas, categoria mais sensível à zearalenona, foram comparado os grupos: NC – dieta controle sem contaminação por zearalenona; PC – dieta controle com contaminação de 1 ppm de zearalenona; TS1 – dieta controle com contaminação de 1 ppm de zearalenona + 0,1% de produto composto de leonardita; TS2 – dieta controle com contaminação de 1 ppm de zearalenona + 0,2% de produto composto de leonardita e TS3 – dieta controle com contaminação de 1 ppm de zearalenona + 0,3 % de produto composto de leonardita.

Aos 42 dias de avaliação foi comparada a performance dos animais através do ganho de peso diário (GPD). O grupo positivo apresentou menor GPD em relação ao grupo negativo, e o uso do produto permitiu que os animais tivessem GPD não diferente ao grupo com contaminação negativa, apesar de consumirem ração com 1 ppm de zearalenona. O uso do produto em até 3 kg/T de ração não diminui a performance das leitoas, indicando que não há interação dele com demais componentes da dieta.

Figura 1: Eficácia da ligação “in vivo” do adsorvente com leonardita à zearalenona em leitoas

Ao avaliar a excreção de zearalenona nas fezes (Figura 1), o resultado é expresso na porcentagem da quantidade de zearalenona nas fezes sobre a quantidade consumida. No grupo CP houve excreção de 35% e 36% de zearalenona, respectivamente nos dias 21 e 42 de avaliação. Nos demais grupos, o adsorvente a base de leonardita, aumentou significativamente (p<0,05) a excreção de zearalenona nas fezes, se mostrando eficaz na ligação com a micotoxina e evitando que esta seja absorvida pelo animal.

Conclusão

  • Micotoxina é um desafio sempre atual, o controle deve ser composto pela prevenção da contaminação e crescimento fúngico nos cereais e inativação das micotoxinas nas dietas dos animais;
  • Suínos são a espécie mais susceptível à zearalenona. Entretanto, a gravidade dos sintomas depende da concentração da toxina no alimento, período de consumo e idade dos animais, sendo as leitoas a categoria mais sensível;
  • A contaminação por zearalenona em matrizes provoca falhas reprodutivas impactando negativamente a rentabilidade no sistema de produção;
  • A diversidade dos sinais e o período em que os mesmos aparecem após o consumo do alimento contaminado dificultam o diagnóstico e a adoção de medidas curativas, sendo primordial o uso de medida preventiva na ração: os adsorventes;
  • Pela complexidade da estrutura química da zearalenona é necessário o uso de um adsorvente específico para essa toxina;
  • O adsorvente deve ser seguro na fabricação do alimento, estocagem e no sistema digestivo animal, não pode ser digerido e não deve interagir com demais compostos da ração. A ação deve ser específica à zearalenona, excretando esta via fezes no animal;
  • O composto orgânico leonardita tem alta especificidade com a zearalenona. Em avaliações “in vitro” demonstra elevado adsorção em pH 3 e pH7. Em avaliações “in vivo”, seu uso não compromete a performance animal e promove alta excreção da zearalenona nas fezes, comprovando ser eficaz no controle de zearalenona.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Mercado

Brasil terá mais oferta de peixe em 2021 mirando exportações, diz Peixe BR

Bom desempenho da piscicultura de cultivo deve se repetir em 2021, sustenta presidente da entidade, Francisco Medeiros

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A piscicultura brasileira vem crescendo ano a ano. Sendo uma das atividades que mais avança no Brasil – e no gosto do consumidor brasileiro – nem mesmo a pandemia fez com que o setor tivesse resultados ruins. Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, o ano de 2020 para a piscicultura foi de resultado bastante positivo, com recuperação de preços, principalmente para a tilápia e também para o peixe nativo no último trimestre do ano passado. “Os aspectos relacionados à pandemia não impactaram de forma negativa, mas sim de maneira positiva. Tivemos em 2020 um dos melhores anos para a produção de peixe no Brasil”, afirma.

Medeiros explica que entre os maiores desafios que o setor passou, estiveram a pandemia e a comercialização do produto. “O primeiro grande desafio foi a questão da pandemia. Havia uma preocupação com abastecimento de insumos para a produção e também de peixes para os frigoríficos. Isso foi contornado com uma ação junto ao governo federal, especialmente junto ao Ministério da Agricultura, que acabou assegurando que esse abastecimento se mantivesse”, conta.

Já a segunda preocupação, conta, é que grande parte da comercialização, principalmente do filé de tilápia, é feita via food service, e ele estava totalmente paralisado por alguns meses. “Não sabíamos como iria ocorrer a reação na comercialização, mas as vendas no supermercado cresceram de forma significativa, que acabou superando a ausência da venda para o food service”, explica.

Mesmo com alguns percalços, para Medeiros 2020 superou as expectativas. “Nós tínhamos expectativas melhores, principalmente com questão às exportações, mas diante do quadro que nós vivemos, seja da pandemia e os aspectos relacionados a economia, superou as nossas expectativas o resultado alcançado no ano passado”, diz.

O que esperar para 2021

De acordo com o presidente da Peixe BR, o setor conta em 2021 com um primeiro semestre já garantindo na questão do abastecimento, principalmente em função do grande povoamento de jovens alevinos que foram feitas no último trimestre de 2020. “Vamos atender de forma bastante significativa e no segundo semestre teremos uma maior oferta de peixes. Isso significa mais comercialização junto ao mercado consumidor”, comenta.

Além disso, Medeiros comenta que as conversas para abrir novos mercados, mesmo que foram paralisadas em 2020, continuam neste ano. “Com relação a abrir novos mercados, a Peixe BR junto com a Apex estabeleceu um planejamento para a exportação da tilápia, inicialmente. Esse projeto foi paralisado em sua maioria em função das questões relacionadas a pandemia, haja vista que existiam ações em participação em feiras, conversas em outros países para comercialização do peixe e isso acabou sendo suspenso. Há expectativa que a gente retome agora, talvez não no primeiro, mas no segundo semestre, esses contatos e essas visitas internacionais. Então nós vamos trabalhar para abrir o mercado de exportação de uma maneira bem maior do que ocorreu no ano de 2020, os preços no mercado internacional hoje são favoráveis a isso e com a maior oferta de peixes que vamos ter agora já no primeiro semestre de 2021 teremos mais folga para exportar”, conta.

Já quanto ao mercado interno, Medeiros afirma que as expectativas são boas, uma vez que com a pandemia no ano passado, as pessoas passaram a consumir mais o peixe em casa, experimentando e aprendendo a prepará-lo. “Nós tivemos um fenômeno no ano de 2020 que foi as pessoas que estavam em casa experimentaram o peixe de cultivo, em especial o produto da tilápia. Então agora elas conhecem o produto e sabem prepará-lo, já viram as facilidades de ter esse produto, então no mercado interno nós acreditamos que ele continuará aquecido”, informa.

Porém, o presidente da Peixe BR comenta que o risco que o setor tem nesse momento é quanto a elevação dos preços dos insumos. “Isso vai impactar no preço final do nosso produto. Mas acredito que não haja impacto significativo. Então teremos um ano de 2021 com aumento no consumo do produto do peixe de cultivo”, avalia.

Medeiros destaca que o peixe de cultivo definitivamente ocupou um espaço nas gôndolas do supermercado e peixarias distribuídas pelo Brasil, em função da oferta irregular do pescado oriundo da pesca. “Essa maior oferta do peixe de cultivo, associada a um produto de qualidade e a oferta de preços estáveis, tem feito com que cada dia a participação do peixe de cultivo seja maior no prato do consumidor brasileiro. Isso deve continuar acontecendo nessa década de uma maneira cada vez mais intensa, porque nós estamos ganhando competitividade a cada ano e ainda temos muito o que ganhar, tornar o produtor mais acessível a todo tipo de população e manter, principalmente, os aspectos relacionados a qualidade e segurança alimentar”, sustenta.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Uma nova alternativa no controle da Salmonella e da Brachyspira

Controle de ambos os patógenos é complexo, e cada dia novas pesquisas são iniciadas na busca da redução do impacto dessas enfermidades na cadeia suinícola

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Giovani Marco Stingelin, mestre em Clínica Veterinária de Animais de Produção, doutorando em Clínica Médica de Suínos e gerente Técnico de Aves e Suínos da Farmabase Saúde Animal

As salmoneloses clínicas causam grandes prejuízos para a cadeia de suínos devido ao acréscimo nas taxas de mortalidade e queda nos índices zootécnicos. E mesmo sem a apresentação de sinais clínicos, a presença da salmonella no conteúdo intestinal dos suínos, pode gerar contaminação das carcaças e cortes dentro do frigorífico, o que é potencialmente prejudicial a conquista de mercados exigentes e principalmente pode se traduzir em um porblema de saúde pública ao consumidor.

A Brachyspira sp., outro patógeno potencialmente perigoso para rebanhos reprodutivos e suínos em creche e terminação, é uma bactéria causadora de uma enterite catarral de difícil controle quando disseminada para o plantel, apresenta altas taxas de morbidade, mortalidade e refugamento.

O controle desses patógenos envolve uma série de fatores, desde o investimento e conscientização em medidas de biosseguridade, piramidação e redução da mistura de origens, e por fim, estratégias sanitárias e nutricionais para reduzir a pressão de infecção nas granjas, ou até, eliminar o patógeno do sistema.

O controle de ambos os patógenos é complexo, e cada dia novas pesquisas são iniciadas na busca da redução do impacto dessas enfermidades na cadeia suinícola. Estudos utilizando a combinação de ativos não antibióticos vem crescendo dentro da medicina veterinária e a literatura já apresenta bons resultados com a combinação de óleos essenciais com ácidos ácidos orgânicos na manutenção da integridade intestinal dos suínos e na redução da contagem de enterobactérias no intestino. Há muitos relatos na literatura do potencial antimicrobiano dessas substâncias.

Os óleos essenciais são uma mistura de compostos complexos que podem variar em suas composições e concentrações químicas. Por exemplo, os componentes predominantes Timol e o Carvacrol encontrados no Tomilho, podem variar de 3 a 60% do total de óleos essenciais dessa planta, pois dependem da região, clima, solo, das condições de cultivo e da parte da planta que foi coletada. Por esse motivo, é importante que os ensaios in vitro e in vivo utilizem ativos como o Timol e o Carvacrol sintetizados em laboratório de forma pura, isso é o que chamamos de compostos naturais idênticos (CNI), só dessa forma é possível saber a concentração exata do ativo que está sendo usada. O uso da planta ou seu óleo essecial é impreciso, pois não sabe-se a concentração exata de timol e carvacrol encontrada.

Outro fator determinante é proteger esses ativos através do microencapsulamento, de forma que sejam liberados de forma uniforme e gradativa durante todo o intestino do suíno, para que atinjam alta concentrações no ceco e colon. É importante lembrar que a Salmonella sp. e a Brachyspira sp. são bacterias que acometem a porção final do intestino, ou seja, o intestino grosso.

A mais nova e efetiva solução eubiotica contra Salmonella sp. e Brachyspira sp.

Pesquisadores da Universidade de Bologna na Itália desenvolveram um aditivo com tecnologia única de microencapsulamento por uma camada de triglicerídeos hidrolisados de origem vegetal, chamada de microesfera, permitindo que os ativos sejam liberados gradativamente até o cólon dos suínos.

Além disso, associaram à formulação o Ácido Sórbico, um ácido orgânico de alto peso molecular e pKa com alto poder antimicrobiano e menor concentração inibitória mínima (MIC) quando comparados aos demais ácidos.

Mecanismo de Ação

O Timol e o Carvacrol sensibilizam as paredes celulares bacterianas, causam danos significativos à membrana e levam ao colapso da integridade citoplasmática bacteriana, facilitando a entrada e ação do Ácido Sórbico, que por sua vez,  age reduzindo o pH intrabacteriano provocando consequente lise e morte da bactéria. O extravazamento bacteriano acontece através de danos à parede celular, danos à membrana citoplasmática, coagulação do citoplasma e destruição da proteína da membrana, bem como redução da força motriz de prótons.

Ação contra Salmonella Sp.

Nesse estudo foram utilizados 30 leitões, sete dias após o desmame foi inoculado via oral S. Typhimurium e 14 dias pós desmame, uma nova inoculação ocorreu. Ao longo dos 35 dias de creche, três protocolos foram testados, animais controle sem administração do aditivo, um grupo com administração de 300g/tonelada do aditivo e outro grupo com administração de 3Kg/tonelada do aditivo. É possível perceber no gráfico abaixo, que com a utilização desse aditivo é possível zerar a excreção de Salmonella nas fezes dos leitões.

Em outro estudo, 28 leitões desmamados SPF foram separados em quatro grupos distintos, o grupo controle sem o uso do aditivo via ração, um grupo tratado com 1Kg/tonelada via ração, um grupo tratado com 2Kg/tonelada via ração e um grupo tratado com 5Kg/tonelada via ração, todos os animais avaliados por 56 dias. Todos os grupos foram desafiados com Salmonella Typhimurium aos 21 dias do estudo. Na figura 4 é possível verificar a redução significativa da excreção de Salmonella no conteúdo intestinal dos grupos tratados, e também, foi possível zerar a prevalência de Salmonella no fígado e baço dos suínos tratados com o aditivo.

Ação contra Brachyspira hyodisenteriae

Em um estudo recente os pesquisadores buscaram entender se os ativos que sabidamente possuem ação bacteriostática ou bactericida contra a B. Hyodisenteriae teriam melhor resultado quando usados isoladamente ou quando combinados, isso é o que chamamos de Concentração Inibitória Fracionária (CIF). Nesse caso, é preciso conhecer o MIC de cada ativo separado e o MIC da combinação, após a aplicação de uma fórmula sabe-se se a combinação foi sinérgica (CIF <0,5), indiferente (CIF 0,5 até 4) ou antagônica (CIF >4). A única combinação que foi sinérgica contra B. hyodisenteriae foi o Timol com o Carvacrol como pode-se ver na tabela 1.

Em uma avaliação de bancada com o Timol presente no aditivo desenvolvido esses pesquisadores, a MIC foi de 1.87µg/mL, na prática isso significa 1,5Kg do aditivo/tonelada de ração. É preciso considerar que foi avaliado somente o Timol, sugerindo que com a combinação dos aditivos a dose por tonelada de ração possa ser menor.

Em resumo

A combinação dos ativos Timol, Carvacrol e Ácido Sórbico é sinérgica na redução da pressão de infecção e excreção nas fezes de enteropatógenos como a Salmonella sp. e a Brachyspira sp. Nesse novo aditivo citado, a concentração de Timol (9,5%), Carvacrol (2,5%) e de Ácido Sórbico (25%) não tinha sido utilizada em nem um aditivo ou tecnologia para suínos até então. É de fato, uma excelente oportunidade para uso associado com tratamentos terapêuticos ou nas rações entre os pulsos medicamentosos para redução da mortalidade dos animais e melhora dos índices zootécnicos. Para mais informações sobre esse aditivo e as referências bibliográficas, consulte o autor.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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CONBRASUL/ASGAV

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