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Levantamento preliminar da Epagri aponta cadeias produtivas mais prejudicadas

Dificuldades de armazenamento e escoamento das produções nas regiões atingidas podem elevar as perdas financeiras nos próximos dias.

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Estradas que dão acesso ao meio rural ficaram destruídas em São Bonifácio -Fotos: Divulgação/Epagri

A Epagri iniciou o levantamento de perdas no meio rural catarinense, após as fortes chuvas que atingiram as regiões Litorânea, Planalto Norte e Vale do Itajaí, entre 26 de novembro e 1º de dezembro. Até a segunda-feira (05), muitas áreas rurais atingidas ainda permaneciam isoladas, com acessos prejudicados por terra e sem sinal de internet, celular, ou até sem luz, o que vem dificultando um trabalho mais minucioso da Epagri na apuração das perdas.

Contudo, já é possível estimar que a olericultura foi a cadeia produtiva mais atingida, com perdas concentradas principalmente na Grande Florianópolis. No Norte de Santa Catarina, além das hortaliças, a banana também sofreu prejuízos, enquanto que o arroz não foi tão prejudicado, em decorrência de seu estado vegetativo. No Alto Vale do Itajaí, a preocupação é com a cebola. Dificuldades de armazenamento e escoamento das produções nas regiões atingidas podem elevar as perdas financeiras nos próximos dias.

A previsão do tempo da Epagri/Ciram indica que, entre quarta-feira (07) e sábado (10), não há indicativo de chuva no Estado catarinense. Contudo, a orientação para a população é permanecer atenta ao site da instituição, onde será divulgado qualquer novo risco relacionado à condição de tempo no Estado.

Grande Florianópolis

Na região da Grande Florianópolis, as chuvas afetaram principalmente a produção de hortaliças, além de gado de corte e de leite. A falta de energia e a dificuldade de escoamento da produção devem elevar os prejuízos nos próximos dias, avalia a gerente regional da Epagri, Adriana Tomazi Alves. Também estão sendo apurados prejuízos na maricultura em Palhoça, Florianópolis e São José.

Ela relata que dos 20 municípios compreendidos pela regional da Epagri, pelo menos 18 registraram perdas no meio rural até esta terça-feira (06). Santo Amaro da Imperatriz, Angelina, Águas Mornas, São Pedro de Alcântara, São João Batista e Antônio Carlos estão entre os mais afetados.

Em Santo Amaro, Águas Mornas e São Pedro as lavouras de hortaliças foram prejudicadas. Marcelo Zanella, extensionista da Epagri na região, explica que os solos de lavouras inteiras foram removidos pela erosão, o que deve dificultar a retomada das atividades.

Em Angelina, a falta de luz e de acesso às áreas rurais está impactando gravemente a capacidade de armazenamento da produção em câmaras frias, bem como o escoamento dos produtos colhidos. O resultado será o crescimento das perdas financeiras nos próximos dias.

As propriedades rurais de Antônio Carlos registraram perdas significativas na produção de hortaliças folhosas. Marcelo explica que a alface é produzida prioritariamente em regiões ribeirinhas, o que fez com que a força das águas removesse lavouras inteiras. “A perda média é de R$ 30 mil com cada hectare de alface perdido”, calcula o extensionista.

Em São João Batista, os prejuízos nas áreas rurais estão concentrados em mandioca, fumo e morte de gado de corte. A colheita da cebola foi prejudica em Angelina, Rancho Queimado e um pouco em Major Gercino. A falta de energia elétrica que persiste em muitos municípios da região pode impactar também a produção de aves e o armazenamento de leite.

A cultura da cebola foi a mais afetada pelas chuvas na região do Alto Vale do Itajaí, mais especificamente no entorno de Rio do Sul. Segundo Daniel Rogério Schmitt, extensionista da Epagri, há grandes dificuldades para fazer a colheita com o tempo chuvoso. Quando ocorrem intervalos sem chuva, como no sábado, 4, por exemplo, os produtores contratam o máximo de trabalhadores que conseguem para colher ou recolher os bulbos, tendo em vista a grande procura pelo produto.

Em São João Batista a força da água causou erosão e destruiu instalações Alto Vale do Itajaí

Mesmo recolhidas, as cebolas permanecem úmidas o que dificulta a classificação e comercialização. Ele estima que cerca de 20 % da cebola da região já foi colhida e, talvez, entre 10 e 15% tenha sido comercializada. “Cebolas colhidas com solo úmido trazem terra nas raízes e nos bulbos e, como não estão secas, sofrem mais danos nas máquinas limpadoras e classificadoras”, descreve o extensionista.

Também há problemas com o transporte das lavouras para os galpões e dos galpões para as unidades classificadoras por causa das estradas enlameadas. O transporte nos caminhões também exigiu mudanças nos roteiros, com a maior dificuldade de chegar aos grandes centros consumidores – como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – devido às quedas de barreiras e aos desvios necessários nas rodovias. Assim, os preços ao produtor que tinham recuado para R$ 4 a 4,5/kg no início da semana passada retornaram para R$ 6/kg devido à falta de produto seco no mercado.

Devido ao frio tardio, entre outubro e novembro, ocorreu florescimento dos bulbos em muitas lavouras (média de 15%). “Cebolas florescidas em geral são descartadas, mas nesse ano, devido à procura do produto, são comercializadas pela metade do preço normal”, informa Daniel.

Nas demais culturas vigentes no Alto Vale é possível relatar atraso nas colheitas de trigo e dificuldade na colheita de tabaco, além de atraso na semeadura de soja. “Mas, ainda são situações recuperáveis, especialmente com a melhora das condições climáticas previstas para o final dessa semana”, avalia o técnico da Epagri.

Planalto Norte

Os municípios de Rio Negrinho, São Bento Sul e Campo Alegre sofreram com perdas em áreas de olericulturas e em algumas lavouras de tabaco. Nas áreas de encostas de Corupá e Jaraguá do Sul, os bananais foram prejudicados. A cobertura de seguro nestas culturas pode diminuir um o impacto das perdas, analisa Getúlio T. Tonet, extensionista da Epagri na região. Ele calcula que os maiores prejuízos estejam no transporte das produções, dificultado pelas quedas de barreiras nas rodovias de acessos ao litoral.

De acordo com o extensionista, as condições climáticas ocorridas entre novembro e início de dezembro são favoráveis às culturas exploradas na microrregião de Canoinhas. Os primeiros 20 dias de novembro foram de poucas precipitações, o que favoreceu as colheitas das culturas de inverno (aveia e trigo). Já nos últimos 10 dias de novembro as precipitações foram mais constantes e de volumes mais expressivos, porém, benéficas para as culturas de verão (feijão-preto, milho e soja).

A região já colheu 10% das áreas de tabaco, com folhas de boa qualidade e bom peso.

Sul

Até a segunda-feira, 5, a região Sul do Estado ainda tinha áreas alagadas, principalmente na  microrregião de Tubarão, que deve concentrar as maiores perdas e onde se localizam áreas de arroz, milho, soja, feijão, fumo, batata, pastagens, etc, explica Cleverson Buratto, extensionista da Epagri.

Os acessos às áreas no interior dos municípios foram prejudicados por queda de pontes e alagamento de estradas, que impedem ou dificultam o escoamento da produção, aumentando os custos ou até mesmo ocasionado perdas em hortifrutigranjeiros e leite, por exemplo.

Levantamento preliminar da Epagri aponta que as microrregiões de Araranguá e Criciúma não enfrentaram maiores problemas com relação a alagamento das propriedades. Os prejuízos ficaram restritos ao excesso de chuvas e umidade, o que afeta as hortaliças e aumenta os custos de produção com controle fitossanitário.

Litoral Norte

O Litoral Norte do Estado enfrentou volume de chuva bastante significativo entre 26 de novembro e 5 de dezembro. As estradas do interior ficaram muito avariadas, deixando as condições de tráfego precárias e causando muitos transtornos.

Os arrozais de praticamente todos os municípios da região sofreram com inundação. As áreas inundadas variaram de 10 a 30% na maioria dos municípios, mas chegaram a 50 a 70% em Guaramirim e Schroeder, que foram atingidos por maior volume de chuva.

A boa notícia é que inundação de dois a três dias no período de desenvolvimento vegetativo não provoca muitos danos nas lavouras de arroz, informa Adriana Andréa Padilha, extensionista da Epagri na região. O arroz se recupera e as plantas continuam a se desenvolver. Não foram constatados acamamentos e amarelecimentos das plantas depois que a água baixou. As áreas atingidas ainda não estavam na fase de florescimento, o que poderia causar um dano muito maior.

Até a segunda-feira, 5, poucas áreas de arroz permaneciam inundadas. Inundações por um período mais prolongado podem resultar em prejuízo maior, com amarelecimento e apodrecimento das plantas. “Contudo, os percentuais de danos só poderão ser dimensionados com o passar do tempo”, esclarece a extensionista.

Os bananais da região foram afetados em menor extensão do que os arrozais, porém houve perdas estimadas entre 5 a 10% da produção em alguns municípios, causadas por tombamento das plantas e atraso na colheita. O transporte da produção foi prejudicado pela condição precária das estradas, o que aumenta o percurso e o custo.  O excesso de umidade também poderá provocar algum ataque de pragas nos bananais e algum atraso no desenvolvimento futuro.

Na produção de hortaliças, houve perda em plantas que estavam prontas para colheita ou recém-semeadas, em áreas que ficaram alagadas. A produção em abrigo não foi afetada, pois os ventos não foram fortes. Como são culturas de ciclo curto, o prejuízo é recuperado mais rapidamente.

Na pecuária, há relatos de alguns animais arrastados pela correnteza na madrugada do dia 5, mas a Epagri ainda não tem o número exato.

Nos 34 municípios da região, os maiores prejuízos são na área de infraestrutura, com a destruição de estradas, deslizamentos e avarias em pontes. Nas propriedades rurais também foram observados pequenos deslizamentos de terra.

Fonte: Ascom Epagri

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Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional

Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

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A aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul representa um marco estratégico para o Brasil e reposiciona o país no centro das articulações do comércio internacional. A decisão, confirmada nesta sexta-feira (09) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, encerra um processo de negociação iniciado há 25 anos e cria uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo.

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil. Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).

Fotos: Divulgação

Com peso determinante dentro do Mercosul, o Brasil teve atuação central na costura política do acordo, especialmente no período em que presidiu o bloco sul-americano. O entendimento é visto como um avanço relevante para a inserção internacional da economia brasileira, ao ampliar o acesso a um mercado que reúne 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22,4 trilhões.

O acordo sinaliza fortalecimento do multilateralismo e da cooperação entre blocos econômicos em um cenário global marcado por tensões comerciais e medidas protecionistas. Para o Brasil, o tratado tende a abrir novas oportunidades para exportações, atração de investimentos e maior previsibilidade nas relações comerciais com a União Europeia, um dos principais parceiros econômicos do país.

Além dos ganhos econômicos, o entendimento tem significado político. A conclusão das negociações reforça o papel do Brasil como articulador regional e interlocutor relevante em fóruns internacionais, ao liderar consensos dentro do Mercosul e dialogar com grandes economias globais.

Brasília - 14/10/2025 -O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Em debate, o projeto de lei (PL 1.087/2025) do governo que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad: “Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico” – Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Com a aprovação pelo lado europeu, a próxima etapa prevê a ratificação formal junto aos países do Mercosul. A presidente da Comissão Europeia poderá viajar ao Paraguai, atual detentor da presidência rotativa do bloco, para a assinatura do acordo com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Nos países sul-americanos, o texto ainda será submetido aos respectivos parlamentos. A entrada em vigor, no entanto, será individual, permitindo que cada país avance conforme a conclusão de seus trâmites internos.

Em nota conjunta, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços destacaram que se trata do maior acordo comercial já negociado pelo Mercosul e um dos mais relevantes firmados pela União Europeia, ressaltando o potencial de ampliar fluxos comerciais, investimentos e a integração do Brasil às cadeias globais de valor.

Ministros destacam benefícios para o Brasil 

Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) se manifestaram nesta sexta-feira (09) para celebrar o anúncio da União Europeia pela aprovação do acordo comercial com o Mercosul. Nas redes sociais, Haddad classificou o acordo como histórico e uma sinalização para um futuro de pluralidade e oportunidade. “Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico. Uma nova avenida de cooperação se abre nesse momento conturbado, mostrando um novo caminho de pluralidade e oportunidade”, disse Haddad.

Brasília (DF), 19/08/2025 - Comissão de Assuntos EconômicosComissão de Assuntos Econômicos (CAE) promove audiência pública interativa, com a ministra do Planejamento e Orçamento, para que sejam prestadas informações sobre a avaliação da Pasta quanto à eficiência dos subsídios tributários, financeiros e creditícios concedidos pela União; e o cumprimento do disposto no Art. 4º da Emenda Constitucional nº 109, de 2021, que determina ao Governo a apresentação de plano de redução gradual de incentivos e benefícios federais de natureza tributária, até o nível de 2% do PIB. Mesa: ministra de Estado do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”  – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Por sua vez, Simone destacou que o acordo irá proporcionar a chegada de produtos brasileiros a mais consumidores, ampliação de investimentos, o que poderá ajudar a reduzir a inflação no país. “Um marco histórico para o multilateralismo! O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Mais acesso a mercados consumidores, mais investimentos, mais integração entre os países e, principalmente, mais produtos disponíveis, maior competição, ajudando a baixar ainda mais a inflação. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”, afirmou a ministra, em nota oficial.
Repercussões 

Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.

Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.

O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor

Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

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Foto: Divulgação/Copacol

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.

Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.

Na prática

Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.

Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.

Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.

Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.

Comercialização

O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.

Fonte: Assessoria Copacol
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Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA

Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

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Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos

Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.

No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.

Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.

Carne suína

Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intr­a-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.

Aves

Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.

O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intr­a-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.

Cotas do acordo

Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos

A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.

Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.

Confira a Nota Setorial na íntegra:

NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.

O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.

No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.

Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.

No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intr­a-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.

Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.

Fonte: O Presente Rural
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