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Lesões de pele em carcaças de frangos de corte

Manter as condições de ambiência na etapa de apanha, em especial tranquilidade ao manipular os animais e baixa iluminação, é imprescindível para minimizar a movimentação animal durante a apanha e as perdas de qualidade da pele da carcaça.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Lesões de pele em carcaças de frango é um assunto que desperta interesse para a indústria avícola mundial moderna em função de acarretar prejuízos aos produtores e aos abatedouros-frigoríficos, os quais decorrem da condenação parcial ou total das carcaças, da redução no valor do produto final, do aumento no custo da mão-de-obra e da redução na velocidade do processamento industrial.

Os frangos de corte vêm apresentando, na atualidade, desempenho muito superior ao obtido no passado, e a prevalência de lesões de pele tem aumentado, muito provavelmente por causa das modificações efetuadas no processo de criação em escala industrial dos mesmos, tais como condições ambientais tecnificadas, tipo de galpões, uso de densidade populacional mais alta e de linhagens de alto desempenho, bem como maiores desafios no campo.

O objetivo deste artigo é abordar os principais fatores de risco associados com a incidência de lesões de pele em carcaças de frangos de corte e apontar estratégias para minimizar a manifestação de tais problemas.

Contextualização e classificação das lesões

Por ser um órgão muito extenso e que envolve todo o corpo da ave, a pele é muito atingida por injúrias, agravadas por fatores de manejo, imunodepressivos e infecciosos podendo ser virais, bacterianos ou micóticos. A maioria das lesões são inespecíficas e se caracterizam por distintas alterações macroscópicas como mudança na espessura e rompimento da pele, alterações de coloração e aspecto, erosões, úlceras ou nódulos na superfície tegumentar, aumento dos folículos das penas, danificando a estrutura do tecido e consequentemente acarretando a diminuição da qualidade visual da pele.

Apesar de a pele representar uma barreira notavelmente eficaz contra as infecções, estas podem se estabelecer caso surja uma “porta de entrada” para um agente bacteriano através de uma injúria física. Normalmente, se o animal apresenta bom status imunitário e saudabilidade, estas infecções não se estabelecem. Considerando que a suscetibilidade da ave a uma infecção é dependente da resistência (capacidade dos sistemas anatômicos e fisiológicos, incluindo o sistema imune, em excluir patógenos) e da persistência de produção (capacidade em manter a sua aptidão produtiva) é crucial a manutenção do status imunitário e da saúde animal, além de um ambiente capaz de permitir que os animais tenham condições de expressar seu potencial genético e seu comportamento natural.

O Serviço de Inspeção Oficial agrupa as doenças cutâneas, exceto a celulite, em uma única categoria, denominada anteriormente como dermatose e mais recentemente como lesões cutâneas. A condenação de carcaças de frangos de corte por lesões cutâneas representa aproximadamente 30% das condenações parciais.

Em um levantamento de dados gerados pelo Sistema de Informações Gerenciais do Serviço de Inspeção Federal (SIGSIF) nos anos de 2012 a 2015, pesquisadores registraram que as condenações parciais e totais por dermatose atingiram 1,31% e 0,44% do total de aves abatidas (Gêneros Anser, Anas e Gallus), respectivamente. A ocorrência das lesões apresenta diferenças regionais e comportamento sazonal por estar relacionada com as condições ambientais de criação. Na inspeção post mortem, as avaliações são realizadas a partir de elementos macroscópicos de acordo com o aspecto visual e da localização de acometimento da lesão no corpo das aves.

Visando classificar cada tipo de lesão, sua possível origem e grau de severidade, a Figura 1 apresenta quatro pontos a serem considerados: (A) ordem de ocorrência (tempo do surgimento da lesão), (B) tecido atingido (profundidade da lesão), (C) exposição (ao meio externo e patógenos) e (D) severidade da continuidade (comprometimento da carcaça e cronicidade da lesão).

Figura 1- Diagrama de pontos relevantes para classificação de lesões cutâneas.

A maioria das lesões cutâneas encontradas nas carcaças dos frangos de corte nos abatedouros-frigoríficos são inespecíficas e não estão vinculadas a problemas de saúde pública.

Figura 2- Tipos de lesões cutâneas segundo tempo de ocorrência e exposição do tecido. A: Lesão cutânea fechada antiga (cicatrizada). B: Lesão cutânea fechada recente. C e D: Lesão cutânea aberta.

Em contrapartida, podem ser observadas doenças da pele em aves que incluem a varíola, a Síndrome gordurosa, o carcinoma epidermóide de células escamosas, a forma cutânea da doença de Marek, doenças já diagnosticadas a campo e registradas na Ficha de Acompanhamento do Lote (FAL) e a celulite. O queratoacantoma aviário não é uma doença de importância para a saúde pública. Esta exibe lesões na pele que podem apresentar-se como áreas côncavas (superfície curva), esburacadas, com até 2 cm de largura. Já a Doença de Marek (forma cutânea) caracteriza-se por apresentar folículos de penas aumentados, geralmente com pele circundante de cor amarelada.

Figura 3- Tipos de lesões cutâneas segundo tecido atingido e grau de continuidade da lesão. A: Lesão cutânea aberta com inflamação profunda progredindo para celulite. B: Lesão cutânea em processo de cicatrização e necrose – Dermatose. C: Lesão cutânea em processo de cicatrização – Necrose. D: Escarificação amarela da camada queratinizada da epiderme (superficial).

Outra afecção relacionada a instalação de um processo inflamatório nas lesões cutâneas que é registrada separadamente na inspeção post mortem é a celulite. A celulite aviária, também conhecida como processo inflamatório ou infeccioso do tecido subcutâneo, é uma doença crônica da pele que se caracteriza pela presença de camadas de exsudato heterofílico caseoso.

A E. coli é a bactéria mais frequentemente isolada nestas lesões, embora outros agentes, como Pasteurella multocida, Pseudomonas aeruginosa, Enterobacter agglomerans, Proteus vulgaris e Streptococcus dysgalactiae e Staphylococcus também já foram isolados. A prevenção da ocorrência de celulite também está relacionada a adequação do ambiente e manejo correto, evitando assim o estresse dos animais, a exposição dos tecidos adjacentes da pele e a manutenção da qualidade da cama aviária.

Incidência e fatores associados

A manifestação das lesões cutâneas está associada a múltiplos fatores que podem agir isoladamente ou em sinergia, o que dificulta o controle da lesão.

A qualidade da cama e a proximidade das aves entre si pode ser um facilitador de lesões da pele, assim como a quebra e perda de penas das mesmas. Essas alterações são consequências de modificações empregadas no processo de criação. Desta forma, o manejo correto, o ambiente confortável e a saúde animal são o tripé para a qualidade da pele das aves e consequentemente, das carcaças.

Os fatores de manejo que prejudicam a integridade da pele estão relacionados à alta densidade populacional de maneira que propicia um maior contato entre os animais, maior competição pelo espaço, água e alimento e maior quantidade de excreta produzida, favorecendo a compactação da cama pelo aumento da umidade e o aparecimento de lesões na pele dos frangos.

A umidade da cama é um fator crítico no manejo dos galpões, já que influencia a incidência e a severidade das lesões como dermatites ulcerativas, pododermatite e calo de peito nas carcaças das aves (Figura 4). O aparecimento das lesões na carcaça também está diretamente associado à volatilização da amônia do metabolismo microbiano nas excretas, resultando em aumento de lesões cutâneas, respiratórias e oculares, e consequente perdas de desempenho e comprometimento de bem-estar.

Figura 4- Calo de peito – A: Calo de peito severo em frango de corte, visualizado na inspeção ante mortem. B: Calo de peito em carcaça de frango (dermatite de contato).

Como os frangos passam a maior parte do tempo na cama, seu material é um dos fatores mais importantes relacionados à ocorrência de lesões de pele e pododermatites. Materiais de cama com partículas grandes e pontiagudas podem resultar em uma maior incidência de ferimentos devido à sua ação abrasiva.

Além dos fatores já mencionados, a probabilidade de ocorrer dermatose é 1,7 vezes maior quando se reutiliza a cama no pinteiro; 1,4 vezes maior quando não ocorre desinfecção adequada dos equipamentos antes do alojamento; 1,9 vezes maior  quando se utiliza comedouros tubulares em comparação aos comedouros automáticos; 1,01 vezes maior a cada grau Celsius superior à temperatura de conforto térmico do aviário; 1,4 vezes maior em alojamento realizados no inverno; e 1,02 vezes maior a cada dia de redução no período de vazio sanitário.

Adicionalmente, as lesões também podem ocorrer em situações estressantes onde os animais podem manifestar alterações comportamentais e agressividade entre eles. Neste caso, é fundamental o controle ambiental e o cuidado com a movimentação no galpão durante a criação.

Outro fator a considerar é a qualidade de empenamento das aves que aumenta a possibilidade de lesões de pele principalmente nas regiões dorsal, coxa e sobrecoxa. Alguns dos principais fatores contribuintes para um mau empenamento são: mudanças drásticas de temperatura e a exigência nutricional nas diferentes fases de crescimento.

Outras causas relacionadas à ocorrência de lesões cutâneas em frangos são a utilização de rações com elevado teor de proteína, ou com presença de micotoxinas (fusarium), ou ainda dietas deficientes em aminoácidos. Existem vários estudos relacionados com os efeitos da suplementação dietética de minerais orgânicos, aminoácidos, óleos essenciais, precursores de queratina, dentre outros, sobre a melhoria da qualidade da pele e deposição de colágeno e melhora na formação das penas.

As penas se renovam e se regeneram constantemente, possuindo um crescimento cíclico, alternando com períodos de repouso. De tal modo, em fases cuja pele está mais exposta, o manejo, a ambiência e o fornecimento de nutrientes visam garantir o bem estar dos animais para que minimize situações de competição.

Fatores predisponentes ao aparecimento de lesões de pele

Dentre os fatores predisponentes ao aparecimento de dermatose nas linhas de processamento, dados de 2021 da região sul do Brasil mostram que há uma sazonalidade nos índices de dermatose ou lesões cutâneas, apresentando um pico de condenações no mês de agosto, cujas condições climáticas, são de baixas temperaturas e altas umidades ambientais, e menor incidência em janeiro, período de altas temperaturas e ambiente mais seco e arejado.

A Figura 5 contém dados de plantas de processamento desta região onde se observa, conforme citado acima, aumento da condenação parcial por dermatose no período de inverno.

Figura 5 – Incidência de condenações parciais de carcaças de frango por dermatose no ano de 2021 em plantas de processamento na região sul do Brasil.

O controle dos fatores ambientais é fundamental para manter o comportamento das aves sem características de competição. Além disso, propiciar um ambiente ideal, fresco e oxigenado auxilia para que as aves possam expressar o seu potencial genético e converter alimento em peso corporal.

Alguns fatores como manter a temperatura de conforto dos animais através da oxigenação do ambiente, do uso de ventiladores e aspersores, água a disposição, uso de divisórias nos galpões para manter a densidade desejada e evitar a aglomeração de aves, controle da intensidade de luz, uso de cortinas escuras que diminuem a incidência de luz são estratégias para diminuir a incidência de lesões cutâneas.

Além disto, devem ser considerados os diferentes climas ambientais para ajuste da ventilação de um galpão. Durante períodos de clima frio, o objetivo da ventilação é fornecer troca de ar suficiente para remover o excesso de umidade e manter a qualidade do ar, mantendo, ao mesmo tempo, a temperatura do aviário no nível desejado; e nos períodos de clima quente e/ou úmido, o objetivo da ventilação é remover o excesso de calor e fornecer o resfriamento através do vento, criado pelo movimento do ar e resfriamento evaporativo. Entretanto, como as condições ambientais variam dentro de uma mesma estação, observar o comportamento das aves é o único modo efetivo para determinar se a ventilação está correta.

Em relação ao sexo, os machos são mais predispostos a adquirirem doenças cutâneas devido a traumatismos, visto que os mesmos são mais agressivos. A dermatite de contato também ocorre com maior frequência nos machos, pois eles possuem maior peso e empenamento mais tardio em relação às fêmeas, aumentando assim, seu grau de exposição à cama e sujidades.

As instalações avícolas estão cada vez mais padronizadas e tecnificadas, visando manter as condições internas de temperatura e umidade relativa do ar adequadas e satisfatórias para proporcionar conforto térmico, e manter as aves próximas à zona termoneutra. Quando o deslocamento da massa de ar é por pressão negativa, a incidência de dermatose é menor (2,64 vs. 3.16; Figura 6), provavelmente devido a este sistema associar o resfriamento evaporativo à ventilação em túnel, removendo mais eficientemente a carga térmica do ambiente com consequente arrefecimento do ar e obtenção do conforto para as aves de forma mais homogênea ao longo do galpão, principalmente nos dias com temperaturas do ar mais elevadas.

Figura 6 – Incidência de dermatose em frango de corte criados em diferentes tecnologias do galpão (pressão negativa/pressão positiva).

Uma boa distribuição dos bebedouros e comedouros na extensão do galpão é fundamental para diminuir a competição entre os animais e manter seu comportamento natural. A utilização de comedouros automáticos possui a vantagem de serem abastecidos de maneira equitativa e uniforme por todo o sistema, tornando a ração disponível para todas as aves ao mesmo tempo. A Figura 7 ilustra uma maior incidência de dermatose em criações cujo sistema de alimentação é manual. A distribuição de ração desigual pode gerar aumento de competição entre os animais e maior agressividade, oportunizando maior incidência de arranhões.

Figura 7 – Incidência de dermatose em frango de corte segundo tipo de comedouro durante a criação.

Apesar das lesões cutâneas crônicas ocorrerem durante a vida do animal na granja, as últimas 12 horas (1% da vida do animal) é responsável por muitas alterações de manejo e comportamentais. O manejo pré-abate (apanha, carregamento) e o transporte de aves até o abatedouro estão relacionados às lesões na carcaça e ao estresse fisiológico.

A etapa de apanha é um momento delicado onde ocorre alta movimentação e provoca estresse nos animais. Apanhas mal feitas ou mal supervisionadas podem gerar aglomeração destas, causando danos do tipo escoriação e arranhões, bem como contusão e quebra de asas ao colocar as aves nas caixas de transporte. Desta forma, manter as condições de ambiência na etapa de apanha, em especial tranquilidade ao manipular os animais e baixa iluminação, é imprescindível para minimizar a movimentação animal durante a apanha e as perdas de qualidade da pele da carcaça.

Estratégias para diminuir a Incidência de Lesões cutâneas:

  • Higiene dos equipamentos e qualidade de cama no alojamento.
  • Manter a qualidade da cama, em especial controle da umidade e compactação.
  • Distribuição e densidade adequada das aves: uso de divisórias (25-30 metros).
  • Controle de Ventilação e oxigenação ambiental visando garantir um adequado comportamento animal e bem estar.
  • Quantidade, distribuição, altura e vazão de bebedouros.
  • Quantidade, distribuição, altura e volume de ração.
  • Respeitar o período de vazio sanitário.
  • Controle da iluminação durante a criação e na etapa de apanha.
  • Cuidados com o manejo durante a criação e na etapa de apanha, para manter a tranquilidade das aves.
  • Suprimento de nutrientes que oportunizem um bom empenamento, qualidade de pele e status imunitário do animal.

As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: liris.kindlein.ufrgs@gmail.com

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: Por Liris Kindlein, MDV e professora doutora da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Avicultura

Segurança alimentar na avicultura será tema de palestra internacional no SBSA 2026

Pesquisadora da Universidade de Auburn, Dianna Bourassa apresenta comparativo microbiológico entre países durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó.

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Foto: Shutterstock

Garantir a segurança dos alimentos e compreender os desafios microbiológicos da cadeia produtiva são pontos centrais para a sustentabilidade da avicultura moderna. O tema estará em debate durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) com a palestra Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar, apresentada pela pesquisadora Dianna V. Bourassa, no dia 08 de abril, às 9 horas, durante o Bloco Abatedouro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Dianna é professora associada do Departamento de Avicultura da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos. Possui graduação e mestrado em Avicultura pela Universidade da Geórgia e doutorado em Bioquímica e Biologia Molecular, também pela Universidade da Geórgia. Seu programa de pesquisa aplicada concentra-se em duas áreas principais: intervenções voltadas à melhoria da segurança alimentar ao longo de toda a cadeia produtiva, da criação de frangos de corte ao processamento de produtos crus, e o estudo da aplicação e do impacto de métodos de atordoamento na fisiologia das aves e na qualidade da carne.

Palestra Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar, apresentada pela pesquisadora Dianna V. Bourassa, no dia 08 de abril, às 9 horas, durante o Bloco Abatedouro

A especialista abordará as particularidades e os desafios enfrentados por diferentes países no controle microbiológico da cadeia produtiva, destacando práticas, padrões sanitários e estratégias utilizadas para garantir a segurança dos alimentos. A discussão contribui para ampliar a compreensão sobre como a ciência e a tecnologia têm sido aplicadas para reduzir riscos microbiológicos e fortalecer a qualidade dos produtos avícolas.

De acordo com a presidente do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), Aletéia Britto da Silveira Balestrin, trazer especialistas internacionais para o evento amplia o intercâmbio de conhecimento e fortalece a atualização técnica dos profissionais do setor. “O Simpósio tem como propósito reunir pesquisadores e especialistas que possam compartilhar experiências e diferentes perspectivas sobre os desafios da avicultura. A troca de informações entre países contribui para o avanço das práticas sanitárias e para o aprimoramento dos sistemas de produção e processamento”, destaca.

A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o tema é estratégico para o setor. “A segurança alimentar é um dos pilares da produção de proteína animal. Discutir métodos de controle microbiológico e comparar realidades internacionais contribui para ampliar o conhecimento técnico e fortalecer as estratégias adotadas pela cadeia produtiva”, afirma.

O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura é promovido Nucleovet e será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026, considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.

Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.

Programação geral

26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair

DIA 07/04 – TERÇA-FEIRA

13h30 – Abertura da Programação

13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Tema: Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura
Palestrantes: Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski, Vilto Meurer
Coordenadora da mesa redonda: Luciana Dalmagro

15h40 – Intervalo

16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)

17h – Solenidade de Abertura Oficial

17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC

19h15 – Coquetel de abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair

DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA

Bloco Abatedouro

  • 8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate
    Palestrante: Darwen de Araujo Rosa (15 minutos de debate)

  • 9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar
    Palestrante: Dianna V. Bourassa (15 minutos de debate)

  • 10h – Intervalo

Bloco Nutrição

  • 10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo
    Palestrante: Wilmer Pacheco (15 minutos de debate)

  • 11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte
    Palestrante: Rosalina Angel (15 minutos de debate)

  • 12h30 – Intervalo almoço

Eventos Paralelos – Painel Manejo

  • 14h – Manejo do Frango de Corte Moderno
    Palestrantes: Lucas Schneider, Rodrigo Tedesco Guimarães

  • 16h – Intervalo

Bloco Conexões que Sustentam o Futuro

  • 16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura
    Palestrantes: Kali Simioni e João Nelson Tolfo (15 minutos de debate)

  • 17h30 – Por que bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
    Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme (15 minutos de debate)

  • 18h30 – Eventos Paralelos

  • 19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair

DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA

Bloco Sanidade

  • 8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosa: métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
    Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande (15 minutos de debate)

  • 9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves
    Palestrante: Dr. Ricardo Rauber (15 minutos de debate)

  • 10h – Intervalo

  • 10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença
    Palestrante: Gonzalo Tomás (15 minutos de debate)

  • 11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real
    Palestrante: Taís Barnasque (15 minutos de debate)

Sorteios de brindes

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Avicultura

Quando vencer vira método

Disciplina, rotina e decisões diárias por trás de uma trajetória pentacampeã na avicultura brasileira.

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Fotos: C.Vale

Ainda é cedo quando os aviários começam a ganhar vida. O funcionamento contínuo dos ventiladores, o controle preciso da ambiência e a observação atenta do lote fazem parte de uma rotina que se repete todos os dias, independentemente do clima ou do mercado. Na avicultura integrada, não há espaço para improviso: uma decisão fora do tempo ou um detalhe negligenciado pode custar desempenho, padronização, sanidade e, no limite, a tranquilidade de um ciclo inteiro.

É nesse território da repetição consciente que a excelência se constrói. Não como um evento isolado, mas como prática diária. Vencer uma vez pode ser resultado de um bom lote, uma combinação favorável de fatores e uma semana particularmente bem conduzida. Repetir desempenho exige outra coisa: método.

Essa lógica sustenta a trajetória de Anaí Bacci Naves, produtora integrada da C.Vale em Assis Chateaubriand (PR), vencedora por cinco vezes consecutivas da principal premiação avícola da cooperativa na categoria Promob. A conquista, porém, não se explica por um troféu, mas pelo processo que o antecede, conduzido no dia a dia por Anaí e pelo marido, Afonso Bacci, que juntos tocam a atividade. Anaí aparece como símbolo e âncora de uma forma de produzir. Afonso traduz em decisões, tecnologia e manejo o que, no papel, parece simples, mas no aviário exige atenção contínua.

Quando o resultado deixa de ser acaso

Para Anaí, a virada de chave aconteceu quando o trabalho deixou de ser apenas esforço e passou a ser guiado por método. “Percebemos que o resultado não era acaso, mas fruto de uma rotina bem-feita a partir do momento que entendemos como utilizar o Diário de Bordo, onde estão todas as informações necessárias para a boa condução do lote”, afirma.

O Diário de Bordo, no vocabulário da integração, não é um caderno simbólico. É um guia de orientação com padrões e rotinas que o produtor deve seguir dia a dia. Para cada momento do ciclo, com frangos alojados ou no vazio sanitário, há um rol de atividades a cumprir. O documento define o que precisa ser executado em cada data, com a lógica de que o aviário é um sistema vivo: o desempenho final nasce do acúmulo de ações pequenas, feitas no momento certo.

Na prática, isso significa que o trabalho não começa no alojamento. Começa antes. Há tarefas orientadas “três dias antes”, “dois dias após”, “sete dias após”, “no primeiro dia do vazio sanitário” e assim sucessivamente. É um roteiro que organiza o tempo, reduz o improviso e aumenta a previsibilidade – porque, quando se trata de produção animal em escala, previsibilidade é um tipo de segurança.

Esse nível de organização exige postura. “O que, na nossa propriedade, não pode falhar em hipótese nenhuma é ter disposição, capricho e determinação para executar o trabalho de maneira comprometida”, destaca Anaí. “É preciso estar atento a todos os detalhes”, reforça.

Um sistema que nasceu com tecnologia no DNA

Gerente de Produção da Avicultura da C.Vale, Maykon Buttini: “O Promob, na verdade, é um checklist que envolve premissas do 5S, premissas de boas práticas de produção e premissas de legislação”

Para entender o peso de uma trajetória pentacampeã dentro de um programa de biosseguridade, é preciso olhar para o ambiente em que ela se desenvolveu. O uso de tecnologia na avicultura da C.Vale tem uma marca histórica. Em 1997, a cooperativa deu início à criação comercial de frangos em ambiente climatizado, tornando-se a primeira empresa brasileira a adotar esse método. Até então, os sistemas de integração utilizavam predominantemente ventilação convencional, sem resfriamento do ar no interior dos aviários.

O controle de temperatura trouxe uma nova perspectiva para a atividade, com reflexos diretos na conversão alimentar, na uniformidade, no bem-estar das aves e na previsibilidade dos resultados. Em avicultura, ambiência não é apenas conforto, é gestão de risco. Controlar o ambiente é reduzir estresse, estabilizar consumo, proteger desempenho e diminuir variações que aparecem no fim do ciclo.

A dimensão atual do sistema ajuda a entender o nível de exigência: em 2025, a C.Vale abateu 160 milhões de frangos. Em um volume dessa magnitude, padronização deixa de ser meta e vira requisito. O produtor integrado não é um elo isolado: ele é parte de uma engrenagem em que sanidade, regularidade e cumprimento de protocolos sustentam o conjunto.

A entrada na integração e a construção da base

Foi em 2012 que Anaí e Afonso passaram a integrar o sistema avícola da C.Vale. Na comunidade de São Francisco, interior de Assis Chateaubriand, a propriedade foi estruturada com dois aviários climatizados, capazes de alojar aproximadamente 60 mil frangos por lote.

A tecnologia abre caminho, mas não garante resultado. O que sustenta a rotina é a forma como se opera a tecnologia, se observa o lote e se executa o manejo no tempo correto. Anaí explica o que, para ela, faz diferença: “Estar atento a todos os detalhes, seja de manejo, equipamentos ou dimensionamento”. A organização entra como hábito. “Temos uma rotina diária baseada no Diário de Bordo, onde fazemos com disciplina os detalhes.”

Esse “fazer com disciplina” é uma expressão que parece leve no papel, mas é dura na prática. Significa repetir procedimentos, manter padrões, cuidar de estrutura, respeitar fluxo de trabalho, manter higienização, registrar rotinas, garantir que o aviário esteja preparado para cada fase do ciclo. É uma administração do cotidiano.

O Promob: processo, organização e biosseguridade

Criado pela C.Vale, o Promob (Programa de Monitoramento e Organização de Biosseguridade) foi desenvolvido para avaliar processos. Não é uma premiação que enxerga só o resultado do fim do lote. A lógica é outra: premiar quem constrói consistência ao longo do tempo, com base em organização, biosseguridade e boas práticas. Ele é um guia de orientação de padrões que o produtor deve seguir, dia a dia. Para cada fase do ciclo – com frangos alojados ou no vazio sanitário – existe um rol de atividades que precisam ser cumpridas. O Diário de Bordo define o que fazer em cada dia: por exemplo, tarefas três dias antes do alojamento, dois dias após o alojamento e assim sucessivamente, ao longo de toda a produção. Na prática, ele organiza o tempo, reduz improviso e transforma rotina em método.

“O Promob é uma ferramenta que envolve vários pilares, entre eles produzir usando os conceitos do programa 5S nas propriedades. O programa também estabelece relação com aspectos técnicos do processo de produção do frango, bem como exigências legais”, explica o gerente de Produção da Avicultura da C.Vale, Maykon Buttini. “O Promob, na verdade, é um checklist que envolve premissas do 5S, premissas de boas práticas de produção e premissas de legislação”, destaca.

O programa, segundo ele, não é estático. “Ele sofre ajustes conforme as necessidades e as mudanças que acontecem na própria legislação ou dos conceitos de boas práticas, inclusive as melhorias que acontecem na propriedade ao longo dos anos.” No campo, isso se traduz em atualizações de rotinas, adequações e correções. “O programa também contribui e ajuda o produtor a identificar itens que ele precisa melhorar para que, corrigindo, ele possa ter uma propriedade mais organizada, com melhor desempenho, além de manter uma conservação de estrutura que possa se perpetuar ao longo dos anos.” Anaí traduz isso com simplicidade: “O Promob veio para direcionar e dar parâmetros para melhor executarmos a organização e a produção.”

O que é 5S e por que ele aparece na avicultura

O 5S é uma metodologia japonesa de gestão focada na melhoria contínua do ambiente de trabalho, baseada em cinco palavras: seiri (utilização), seiton (organização), seiso (limpeza), seiketsu (saúde/padronização) e shitsuke (disciplina). Em programas como o Promob, esses conceitos ajudam a estruturar rotina, padronização e organização da propriedade – fundamentos diretamente ligados à biosseguridade e à condução do lote.

Biosseguridade é cultura, não obrigação

Fotos: Shutterstock

Biosseguridade não é obrigação, é cultura. Na prática, define Anaí, “biosseguridade é estar sempre comprometido com os protocolos de segurança, reduzindo riscos sanitários às aves. Sempre somos rigorosos para manter todos os requisitos de biosseguridade.” Esse tipo de atitude revela uma postura típica de quem trabalha com repetição de desempenho: não há “dia em que dá para afrouxar”.

Maykon Buttini, da C.Vale, reforça essa ligação entre organização constante e resultado: “A gente tem certeza que a relação de nível de organização de biosseguridade e cuidado estão diretamente relacionados ao resultado final. Com uma propriedade organizada e bem cuidada o resultado vem”, define.

E acrescenta um ponto que amplia a leitura: organização não impede que problemas aconteçam, mas muda a capacidade de responder a eles. “Em algum momento podem acontecer problemas que são alheios, mas uma propriedade com essa organização como a da Anaí e do Afonso sempre estará mais preparada para encarar e resolver qualquer desafio.”

Tecnologia, ambiência e decisões no chão do aviário

Quando se fala em “aviários climatizados”, há um risco de imaginar uma solução automática. Afonso faz questão de desfazer essa fantasia. Para ele, tecnologia é ferramenta, mas depende de programação, ajuste e observação diária.

Ele lista o pacote tecnológico utilizado nas granjas: “Painel de controle, pressão negativa e estática, inlet, túnel door, equipamentos dimensionados corretamente, aquecimento a gás, lâmpadas dimerizáveis e aplicativo do painel de controle. Todas essas tecnologias que temos nos aviários nos auxiliam para desempenharmos um bom manejo”, menciona.

A palavra-chave é “auxiliam”. Tecnologia não substitui o ser humano. “Fazemos um bom uso das tecnologias sem deixar de lado a observação dos pequenos detalhes do dia a dia. A tecnologia ajuda e muito na automatização dos equipamentos. Mas ela não resolve nada sozinha se não estiver corretamente programada.” Ou seja: na propriedade dos pentacampeões, a diferença entre ter tecnologia e extrair resultado dela está na rotina, nos ajustes, no olhar e no método.

Quando fala de evolução, Afonso aponta mudanças que, na prática, traduzem gestão de ambiência: “Ao longo dos anos investir na qualidade do ar, melhorando a ventilação e também em aquecimento e resfriamento.”

Quando o método aparece nos números

O Promob está ligado a organização e biosseguridade, mas os reflexos aparecem nos indicadores zootécnicos. Processos bem conduzidos tendem a gerar estabilidade; estabilidade tende a aparecer em conversão, viabilidade, uniformidade e ganho de peso, entre outros.

Buttini coloca isso de forma clara. “A propriedade da Anaí e do Afonso, além dessas cinco premiações, desponta em itens de desempenho. Eles possuem resultados muito acima da média da integração da C.Vale, seja em conversão alimentar, mortalidade e assim por diante.” E reforça a tese: “Conseguem esse desempenho justamente por atribuir cuidados de qualidade no dia a dia.”

Para Afonso, a confirmação de que o caminho adotado foi o correto aparece de forma objetiva nos resultados da granja. “Nossos resultados obtidos com a qualidade dos frangos entregues, o ganho de peso e o resultado financeiro mostram que as decisões tomadas ao longo do tempo fizeram sentido”, afirma.

A pressão de manter o padrão

Vencer uma vez pode virar história de ocasião. Vencer cinco vezes consecutivas, dentro de um programa de monitoramento e organização, é outra coisa: é repetição com responsabilidade. Anaí traduz o sentimento com duas camadas: a primeira é a meta; a segunda, a descoberta de capacidade. “Ganhar uma vez foi resultado de dedicação e metas estipuladas.” E completa: “Ganhar cinco vezes seguidas, mais do que gerar pressão, nos mostrou que somos capazes de superar nossas próprias metas.”

A cobrança, segundo Anaí, não vem de fora. Ela nasce dentro da própria rotina. “A maior cobrança por manter o nível com certeza vem de nós mesmos. Temos a filosofia e os princípios de sempre fazer o melhor”, afirma. E, quando um novo lote entra no aviário, essa lógica se impõe de forma natural. “A ideia é sempre superar o nosso melhor resultado”.

Resultado econômico e visão de longo prazo

A rentabilidade de 52% sobre o faturamento do lote conquistado na última das cinco conquistas, em 2025, aparece como um dado objetivo, mas não como ponto de chegada isolado. Para Afonso, ela é consequência direta de escolhas feitas ao longo do tempo também no que diz respeito à atualização e à modernização da estrutura produtiva. “Atualização, modernização e implantação das novas tecnologias disponíveis no mercado”, resume.

Esse resultado aparece no fim de uma cadeia construída no dia a dia com organização, controle, previsibilidade e desempenho, sem promessas fáceis ou fórmulas prontas. É a tradução econômica de um método aplicado com constância, sustentado por decisões técnicas e pela disciplina da rotina.

O papel do sistema cooperativo

Em um sistema com escala industrial, resultados consistentes dependem de uma engrenagem alinhada. Buttini aponta dois fatores para explicar regularidade: “São dois fatores muito importantes. O primeiro é a C.Vale, pela sua seriedade, pela forma de conduta e apoio ao produtor através muitas vezes dos extensionistas. O segundo é a gestão do produtor.”

Para Buttini, a virada de chave ocorre quando o produtor entende que parceria e execução diária caminham juntas. “A regularidade de desempenho não é algo raro. Ela aparece a partir do momento em que o produtor percebe o valor da parceria com o extensionista e com a C.Vale, soma isso à sua atuação no dia a dia, mantém foco nos detalhes, na produção e passa a receber e aplicar as orientações técnicas. É nesse ponto que o cenário muda. O case da Anaí e do Afonso é de sucesso fantástico. Para mim, como funcionário da cooperativa, é motivo de orgulho.” E completa: “Eles tratam a atividade com um amor enorme, com muito cuidado, capricho e zelo. Eles são um exemplo a ser seguido por todos.”

O reconhecimento institucional

O reconhecimento mais recente veio durante o Dia de Campo da C.Vale, realizado em dezembro de 2025, quando a cooperativa premiou os destaques do sistema de integração avícola. Dentro desse contexto, a repetição da vitória da Anaí no Promob ganha leitura de consistência: não é um retrato, é um filme.

Buttini amarra o conceito: “Quando temos casos assim como da Anaí e do Afonso é porque o produtor entendeu qual é a fundamentação, qual é o princípio do programa.” Ele descreve o que o programa faz no cotidiano: “Ele entende que o programa vem para ajudar, oferecendo informações sobre onde ele tem oportunidades.”

O gerente de Produção da Avicultura da C.Vale resume essa lógica de forma direta: “É a dedicação no dia a dia da granja que permite melhorar os indicadores avaliados pelo Promob. Quando o produtor corrige esses pontos e mantém foco na atividade, a performance aparece”.

Quando vencer vira método

Repetição não nasce de acaso. Ela nasce de rotina, disciplina e de um método. “Faça sempre tudo com dedicação, determinação e foco. Observe, busque conhecimento técnico em fonte confiável e tenha sempre o Diário de Bordo a mão.” Na avicultura, não há atalhos. Há método. E quando vencer vira método, o resultado deixa de ser exceção e passa a ser padrão.

versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Rio Grande do Sul intensifica vigilância após caso de gripe aviária em aves silvestres

Capacitação de agentes e intensificação de educação sanitária fortalecem prevenção na região do foco registrado no fim de fevereiro.

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Foto: Fernando Dias

Após a confirmação de um foco de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (H5N1) em aves silvestres na Reserva do Taim, no município de Santa Vitória do Palmar, no Sul do Rio Grande do Sul, o governo estadual intensificou as ações de vigilância sanitária na região. O caso foi registrado em 28 de fevereiro e mobilizou equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi).

Na segunda-feira (09), a Secretaria promoveu a capacitação de 51 agentes de endemias, saúde e controle epidemiológico de Santa Vitória do Palmar. A agenda também incluiu uma reunião com representantes da prefeitura de Chuí. O objetivo foi atualizar informações sobre a situação sanitária e alinhar estratégias de prevenção e controle do foco da doença.

Segundo a fiscal agropecuária do DDA/Seapi, Rosane Collares, a articulação com os municípios e a qualificação de profissionais que atuam diretamente nas comunidades são fundamentais para fortalecer o sistema de vigilância. “Na última sexta-feira (06) realizamos reunião com a prefeitura de Santa Vitória do Palmar. Hoje estivemos em Chuí para alinhar informações com as autoridades da região”, afirma.

O treinamento reuniu agentes de endemias, profissionais da saúde e integrantes da Estratégia Saúde da Família. “Esses profissionais atuam diretamente nas residências e serão importantes multiplicadores de informação, devido à sua ampla presença nas comunidades”, acrescenta Rosane.

Educação sanitária

O médico-veterinário Felipe Campos, coordenador de Educação Sanitária da Seapi, explica que as ações educativas são realizadas de forma contínua e estão integradas às atividades de vigilância em campo.

Segundo ele, o trabalho inclui contato direto com a comunidade e reuniões com gestores das áreas de educação, saúde, meio ambiente, agricultura e defesa civil, realizadas tanto presencialmente quanto de forma on-line. “A atuação seguirá nas comunidades por meio de orientações técnicas voltadas a esclarecer a população e reforçar a importância de utilizar nossos canais oficiais de comunicação. Paralelamente, estamos estruturando um cronograma de atividades educativas nas escolas da região”, afirma.

A educação sanitária é considerada um componente essencial da defesa agropecuária, tanto para a prevenção quanto para o enfrentamento de doenças. Em situações de foco, essa estratégia ganha ainda mais relevância, ao conscientizar a população sobre seu papel e contribuir para a eficácia das ações de resposta e controle sanitário.

Atuação integrada

O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) atua de forma integrada com equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no monitoramento da Lagoa da Mangueira, área onde foi identificado o foco da doença em aves silvestres da espécie Coscoroba, conhecida como cisne-coscoroba.

Até o momento, foram registrados 20 cisnes-coscoroba e uma garça-moura infectados. Entre as ações em andamento estão vistorias em campo, monitoramento de aves com embarcações e o uso de drones para supervisionar a lagoa e a área onde ocorreu o foco.

As amostras coletadas são encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), responsável pela confirmação da presença do vírus.

Casos suspeitos

A Secretaria da Agricultura orienta que qualquer suspeita da doença, caracterizada por sinais respiratórios ou neurológicos, além de mortalidade súbita e elevada em aves, seja comunicada imediatamente às autoridades sanitárias.

As notificações podem ser feitas nas Inspetorias ou Escritórios de Defesa Agropecuária, pelo sistema e-Sisbravet ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.

Fonte: O Presente Rural com Seapi
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