Avicultura
Lesões de pele em carcaças de frangos de corte
Manter as condições de ambiência na etapa de apanha, em especial tranquilidade ao manipular os animais e baixa iluminação, é imprescindível para minimizar a movimentação animal durante a apanha e as perdas de qualidade da pele da carcaça.

Lesões de pele em carcaças de frango é um assunto que desperta interesse para a indústria avícola mundial moderna em função de acarretar prejuízos aos produtores e aos abatedouros-frigoríficos, os quais decorrem da condenação parcial ou total das carcaças, da redução no valor do produto final, do aumento no custo da mão-de-obra e da redução na velocidade do processamento industrial.
Os frangos de corte vêm apresentando, na atualidade, desempenho muito superior ao obtido no passado, e a prevalência de lesões de pele tem aumentado, muito provavelmente por causa das modificações efetuadas no processo de criação em escala industrial dos mesmos, tais como condições ambientais tecnificadas, tipo de galpões, uso de densidade populacional mais alta e de linhagens de alto desempenho, bem como maiores desafios no campo.
O objetivo deste artigo é abordar os principais fatores de risco associados com a incidência de lesões de pele em carcaças de frangos de corte e apontar estratégias para minimizar a manifestação de tais problemas.
Contextualização e classificação das lesões
Por ser um órgão muito extenso e que envolve todo o corpo da ave, a pele é muito atingida por injúrias, agravadas por fatores de manejo, imunodepressivos e infecciosos podendo ser virais, bacterianos ou micóticos. A maioria das lesões são inespecíficas e se caracterizam por distintas alterações macroscópicas como mudança na espessura e rompimento da pele, alterações de coloração e aspecto, erosões, úlceras ou nódulos na superfície tegumentar, aumento dos folículos das penas, danificando a estrutura do tecido e consequentemente acarretando a diminuição da qualidade visual da pele.
Apesar de a pele representar uma barreira notavelmente eficaz contra as infecções, estas podem se estabelecer caso surja uma “porta de entrada” para um agente bacteriano através de uma injúria física. Normalmente, se o animal apresenta bom status imunitário e saudabilidade, estas infecções não se estabelecem. Considerando que a suscetibilidade da ave a uma infecção é dependente da resistência (capacidade dos sistemas anatômicos e fisiológicos, incluindo o sistema imune, em excluir patógenos) e da persistência de produção (capacidade em manter a sua aptidão produtiva) é crucial a manutenção do status imunitário e da saúde animal, além de um ambiente capaz de permitir que os animais tenham condições de expressar seu potencial genético e seu comportamento natural.
O Serviço de Inspeção Oficial agrupa as doenças cutâneas, exceto a celulite, em uma única categoria, denominada anteriormente como dermatose e mais recentemente como lesões cutâneas. A condenação de carcaças de frangos de corte por lesões cutâneas representa aproximadamente 30% das condenações parciais.
Em um levantamento de dados gerados pelo Sistema de Informações Gerenciais do Serviço de Inspeção Federal (SIGSIF) nos anos de 2012 a 2015, pesquisadores registraram que as condenações parciais e totais por dermatose atingiram 1,31% e 0,44% do total de aves abatidas (Gêneros Anser, Anas e Gallus), respectivamente. A ocorrência das lesões apresenta diferenças regionais e comportamento sazonal por estar relacionada com as condições ambientais de criação. Na inspeção post mortem, as avaliações são realizadas a partir de elementos macroscópicos de acordo com o aspecto visual e da localização de acometimento da lesão no corpo das aves.
Visando classificar cada tipo de lesão, sua possível origem e grau de severidade, a Figura 1 apresenta quatro pontos a serem considerados: (A) ordem de ocorrência (tempo do surgimento da lesão), (B) tecido atingido (profundidade da lesão), (C) exposição (ao meio externo e patógenos) e (D) severidade da continuidade (comprometimento da carcaça e cronicidade da lesão).
A maioria das lesões cutâneas encontradas nas carcaças dos frangos de corte nos abatedouros-frigoríficos são inespecíficas e não estão vinculadas a problemas de saúde pública.

Figura 2- Tipos de lesões cutâneas segundo tempo de ocorrência e exposição do tecido. A: Lesão cutânea fechada antiga (cicatrizada). B: Lesão cutânea fechada recente. C e D: Lesão cutânea aberta.
Em contrapartida, podem ser observadas doenças da pele em aves que incluem a varíola, a Síndrome gordurosa, o carcinoma epidermóide de células escamosas, a forma cutânea da doença de Marek, doenças já diagnosticadas a campo e registradas na Ficha de Acompanhamento do Lote (FAL) e a celulite. O queratoacantoma aviário não é uma doença de importância para a saúde pública. Esta exibe lesões na pele que podem apresentar-se como áreas côncavas (superfície curva), esburacadas, com até 2 cm de largura. Já a Doença de Marek (forma cutânea) caracteriza-se por apresentar folículos de penas aumentados, geralmente com pele circundante de cor amarelada.

Figura 3- Tipos de lesões cutâneas segundo tecido atingido e grau de continuidade da lesão. A: Lesão cutânea aberta com inflamação profunda progredindo para celulite. B: Lesão cutânea em processo de cicatrização e necrose – Dermatose. C: Lesão cutânea em processo de cicatrização – Necrose. D: Escarificação amarela da camada queratinizada da epiderme (superficial).
Outra afecção relacionada a instalação de um processo inflamatório nas lesões cutâneas que é registrada separadamente na inspeção post mortem é a celulite. A celulite aviária, também conhecida como processo inflamatório ou infeccioso do tecido subcutâneo, é uma doença crônica da pele que se caracteriza pela presença de camadas de exsudato heterofílico caseoso.
A E. coli é a bactéria mais frequentemente isolada nestas lesões, embora outros agentes, como Pasteurella multocida, Pseudomonas aeruginosa, Enterobacter agglomerans, Proteus vulgaris e Streptococcus dysgalactiae e Staphylococcus também já foram isolados. A prevenção da ocorrência de celulite também está relacionada a adequação do ambiente e manejo correto, evitando assim o estresse dos animais, a exposição dos tecidos adjacentes da pele e a manutenção da qualidade da cama aviária.
Incidência e fatores associados
A manifestação das lesões cutâneas está associada a múltiplos fatores que podem agir isoladamente ou em sinergia, o que dificulta o controle da lesão.
A qualidade da cama e a proximidade das aves entre si pode ser um facilitador de lesões da pele, assim como a quebra e perda de penas das mesmas. Essas alterações são consequências de modificações empregadas no processo de criação. Desta forma, o manejo correto, o ambiente confortável e a saúde animal são o tripé para a qualidade da pele das aves e consequentemente, das carcaças.
Os fatores de manejo que prejudicam a integridade da pele estão relacionados à alta densidade populacional de maneira que propicia um maior contato entre os animais, maior competição pelo espaço, água e alimento e maior quantidade de excreta produzida, favorecendo a compactação da cama pelo aumento da umidade e o aparecimento de lesões na pele dos frangos.
A umidade da cama é um fator crítico no manejo dos galpões, já que influencia a incidência e a severidade das lesões como dermatites ulcerativas, pododermatite e calo de peito nas carcaças das aves (Figura 4). O aparecimento das lesões na carcaça também está diretamente associado à volatilização da amônia do metabolismo microbiano nas excretas, resultando em aumento de lesões cutâneas, respiratórias e oculares, e consequente perdas de desempenho e comprometimento de bem-estar.

Figura 4- Calo de peito – A: Calo de peito severo em frango de corte, visualizado na inspeção ante mortem. B: Calo de peito em carcaça de frango (dermatite de contato).
Como os frangos passam a maior parte do tempo na cama, seu material é um dos fatores mais importantes relacionados à ocorrência de lesões de pele e pododermatites. Materiais de cama com partículas grandes e pontiagudas podem resultar em uma maior incidência de ferimentos devido à sua ação abrasiva.
Além dos fatores já mencionados, a probabilidade de ocorrer dermatose é 1,7 vezes maior quando se reutiliza a cama no pinteiro; 1,4 vezes maior quando não ocorre desinfecção adequada dos equipamentos antes do alojamento; 1,9 vezes maior quando se utiliza comedouros tubulares em comparação aos comedouros automáticos; 1,01 vezes maior a cada grau Celsius superior à temperatura de conforto térmico do aviário; 1,4 vezes maior em alojamento realizados no inverno; e 1,02 vezes maior a cada dia de redução no período de vazio sanitário.
Adicionalmente, as lesões também podem ocorrer em situações estressantes onde os animais podem manifestar alterações comportamentais e agressividade entre eles. Neste caso, é fundamental o controle ambiental e o cuidado com a movimentação no galpão durante a criação.
Outro fator a considerar é a qualidade de empenamento das aves que aumenta a possibilidade de lesões de pele principalmente nas regiões dorsal, coxa e sobrecoxa. Alguns dos principais fatores contribuintes para um mau empenamento são: mudanças drásticas de temperatura e a exigência nutricional nas diferentes fases de crescimento.
Outras causas relacionadas à ocorrência de lesões cutâneas em frangos são a utilização de rações com elevado teor de proteína, ou com presença de micotoxinas (fusarium), ou ainda dietas deficientes em aminoácidos. Existem vários estudos relacionados com os efeitos da suplementação dietética de minerais orgânicos, aminoácidos, óleos essenciais, precursores de queratina, dentre outros, sobre a melhoria da qualidade da pele e deposição de colágeno e melhora na formação das penas.
As penas se renovam e se regeneram constantemente, possuindo um crescimento cíclico, alternando com períodos de repouso. De tal modo, em fases cuja pele está mais exposta, o manejo, a ambiência e o fornecimento de nutrientes visam garantir o bem estar dos animais para que minimize situações de competição.
Fatores predisponentes ao aparecimento de lesões de pele
Dentre os fatores predisponentes ao aparecimento de dermatose nas linhas de processamento, dados de 2021 da região sul do Brasil mostram que há uma sazonalidade nos índices de dermatose ou lesões cutâneas, apresentando um pico de condenações no mês de agosto, cujas condições climáticas, são de baixas temperaturas e altas umidades ambientais, e menor incidência em janeiro, período de altas temperaturas e ambiente mais seco e arejado.
A Figura 5 contém dados de plantas de processamento desta região onde se observa, conforme citado acima, aumento da condenação parcial por dermatose no período de inverno.

Figura 5 – Incidência de condenações parciais de carcaças de frango por dermatose no ano de 2021 em plantas de processamento na região sul do Brasil.
O controle dos fatores ambientais é fundamental para manter o comportamento das aves sem características de competição. Além disso, propiciar um ambiente ideal, fresco e oxigenado auxilia para que as aves possam expressar o seu potencial genético e converter alimento em peso corporal.
Alguns fatores como manter a temperatura de conforto dos animais através da oxigenação do ambiente, do uso de ventiladores e aspersores, água a disposição, uso de divisórias nos galpões para manter a densidade desejada e evitar a aglomeração de aves, controle da intensidade de luz, uso de cortinas escuras que diminuem a incidência de luz são estratégias para diminuir a incidência de lesões cutâneas.
Além disto, devem ser considerados os diferentes climas ambientais para ajuste da ventilação de um galpão. Durante períodos de clima frio, o objetivo da ventilação é fornecer troca de ar suficiente para remover o excesso de umidade e manter a qualidade do ar, mantendo, ao mesmo tempo, a temperatura do aviário no nível desejado; e nos períodos de clima quente e/ou úmido, o objetivo da ventilação é remover o excesso de calor e fornecer o resfriamento através do vento, criado pelo movimento do ar e resfriamento evaporativo. Entretanto, como as condições ambientais variam dentro de uma mesma estação, observar o comportamento das aves é o único modo efetivo para determinar se a ventilação está correta.
Em relação ao sexo, os machos são mais predispostos a adquirirem doenças cutâneas devido a traumatismos, visto que os mesmos são mais agressivos. A dermatite de contato também ocorre com maior frequência nos machos, pois eles possuem maior peso e empenamento mais tardio em relação às fêmeas, aumentando assim, seu grau de exposição à cama e sujidades.
As instalações avícolas estão cada vez mais padronizadas e tecnificadas, visando manter as condições internas de temperatura e umidade relativa do ar adequadas e satisfatórias para proporcionar conforto térmico, e manter as aves próximas à zona termoneutra. Quando o deslocamento da massa de ar é por pressão negativa, a incidência de dermatose é menor (2,64 vs. 3.16; Figura 6), provavelmente devido a este sistema associar o resfriamento evaporativo à ventilação em túnel, removendo mais eficientemente a carga térmica do ambiente com consequente arrefecimento do ar e obtenção do conforto para as aves de forma mais homogênea ao longo do galpão, principalmente nos dias com temperaturas do ar mais elevadas.

Figura 6 – Incidência de dermatose em frango de corte criados em diferentes tecnologias do galpão (pressão negativa/pressão positiva).
Uma boa distribuição dos bebedouros e comedouros na extensão do galpão é fundamental para diminuir a competição entre os animais e manter seu comportamento natural. A utilização de comedouros automáticos possui a vantagem de serem abastecidos de maneira equitativa e uniforme por todo o sistema, tornando a ração disponível para todas as aves ao mesmo tempo. A Figura 7 ilustra uma maior incidência de dermatose em criações cujo sistema de alimentação é manual. A distribuição de ração desigual pode gerar aumento de competição entre os animais e maior agressividade, oportunizando maior incidência de arranhões.
Apesar das lesões cutâneas crônicas ocorrerem durante a vida do animal na granja, as últimas 12 horas (1% da vida do animal) é responsável por muitas alterações de manejo e comportamentais. O manejo pré-abate (apanha, carregamento) e o transporte de aves até o abatedouro estão relacionados às lesões na carcaça e ao estresse fisiológico.
A etapa de apanha é um momento delicado onde ocorre alta movimentação e provoca estresse nos animais. Apanhas mal feitas ou mal supervisionadas podem gerar aglomeração destas, causando danos do tipo escoriação e arranhões, bem como contusão e quebra de asas ao colocar as aves nas caixas de transporte. Desta forma, manter as condições de ambiência na etapa de apanha, em especial tranquilidade ao manipular os animais e baixa iluminação, é imprescindível para minimizar a movimentação animal durante a apanha e as perdas de qualidade da pele da carcaça.
Estratégias para diminuir a Incidência de Lesões cutâneas:
- Higiene dos equipamentos e qualidade de cama no alojamento.
- Manter a qualidade da cama, em especial controle da umidade e compactação.
- Distribuição e densidade adequada das aves: uso de divisórias (25-30 metros).
- Controle de Ventilação e oxigenação ambiental visando garantir um adequado comportamento animal e bem estar.
- Quantidade, distribuição, altura e vazão de bebedouros.
- Quantidade, distribuição, altura e volume de ração.
- Respeitar o período de vazio sanitário.
- Controle da iluminação durante a criação e na etapa de apanha.
- Cuidados com o manejo durante a criação e na etapa de apanha, para manter a tranquilidade das aves.
- Suprimento de nutrientes que oportunizem um bom empenamento, qualidade de pele e status imunitário do animal.
As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: liris.kindlein.ufrgs@gmail.com
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Avicultura
Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos
Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.
O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.
Preço competitivo sustenta consumo
O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.
Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural
Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.
Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.
Custos seguem incertos
O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.
A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.
Avanço em programas sociais e políticas públicas
O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.
Combate à desinformação
A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.
Um setor mais organizado e unido
Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.
Avicultura
Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.
As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos
A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.
“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.
Avicultura
Exportações de ovos crescem mais de 121% e batem recorde histórico em 2025
Setor supera 1% da produção nacional exportada e amplia presença em mercados de maior valor agregado.

As exportações brasileiras de ovos, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses de 2025, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde histórico e supera em 121,4% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 18.469 toneladas.

Foto: Rodrigo Fêlix Leal
A receita também é recorde. O saldo do ano chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 39,282 milhões.
No mês de dezembro, foram exportadas 2.257 toneladas de ovos, número 9,9% maior em relação aos embarques alcançados no mesmo período de 2024, com 2.054 toneladas. Em receita, a alta é de 18,4%, com US$ 5.110 milhões em dezembro de 2025, contra US$ 4.317 milhões no mesmo mês de 2024. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, ressaltou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “As exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
(+826,7% em relação ao total de 2024), seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas (+229,1%), Chile, com 4.124 toneladas (-40%), México, com 3.195 toneladas (+495,6%) e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas (+31,5%). “Com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, afirma Santin.





