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“Leite vai ser mais uma estrela do agronegócio brasileiro”, crava Spies

Spies falou sobre os desafios do pecuarista, como está o setor leiteiro no Brasil e o que esperar para os próximos anos

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Arquivo/OP Rural

O setor lácteo brasileiro ainda tem muitos desafios para enfrentar. Atender as novas exigências da qualidade do leite, atender as demandas do consumidor, produzir a quantidade para a atividade ter a lucratividade necessária, reduzir o uso de recursos naturais e impactos ambientais. Estes são somente alguns dos pontos pelos quais os produtores deverão se atentar se quiserem continuar na atividade. Muito além disso, o setor lácteo brasileiro precisa ainda ganhar espaço, agregar valor no seu produto e começar a exportar. O engenheiro agrônomo e coordenador geral da Aliança Láctea Sul-Brasileira, doutor Airton Spies, conversou com a equipe do Jornal O Presente Rural e contou um pouco quais são os desafios do pecuarista, como está o setor leiteiro no Brasil e o que esperar para os próximos anos. Boa leitura.

O Presente Rural (OP Rural) – É um desafio para o produtor brasileiro alcançar o leite de alta qualidade que atualmente está sendo exigido?

Airton Spies (AS) – Sim, atingir os padrões de qualidade do leite ideal no Brasil, aquele que está previsto nas Instruções Normativas 76 e 77 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é um grande desafio. Aqui temos uma produção muito pulverizada em pequenas propriedades, muito heterogênea, o clima é quente e a infraestrutura é precária para resfriamento e transporte do leite até as indústrias. As novas INs são instrumentos muito positivos para conduzir a produção brasileira na direção certa: uma melhoria contínua na qualidade para nos tornarmos competitivos para exportar lácteos e competir com os melhores do mundo. Mas é um caminho longo e temos que fazer as transformações gradativamente, aplicando incentivos para o leite bom e penalidades para o leite ruim.

OP Rural – A sobrevivência na atividade está relacionada com qualidade?

AS – A produção brasileira é quase toda consumida no mercado interno, o país exporta menos de 1% do total de 35 bilhões de litros produzidos anualmente. Os consumidores brasileiros estão cada vez mais exigentes em termos de qualidade e segurança dos produtos lácteos que compram, demandando inclusive certificações para tal.  Portanto, o mercado de leite com mais qualidade é fundamental para quem quiser sobreviver no setor, que está cada vez mais orientado pela livre concorrência e regras de mercado. Para os produtores, o leite deve ser visto como uma matéria-prima industrial, cujo rendimento em derivados depende, não só de contagem de colônias formadoras de bactérias (CBT) e contagem de células somáticas (CCS), mas também de percentuais de sólidos, gordura, proteína e caseína, dos quais são fabricados a maioria dos produtos lácteos consumidos.

OP Rural – O que podemos esperar para a produção de leite para os próximos anos?

AS – O setor lácteo brasileiro está passando por uma grande revolução. Melhorias em todos os aspectos estão acontecendo rapidamente. Através da assistência técnica, os produtores de leite estão se profissionalizando, aplicando modernos princípios agronômicos para produzir mais pastagens e biomassa de boa qualidade, que forma a base da alimentação dos rebanhos de gado leiteiro. Com as melhorias zootécnicas e com a genética mais aprimorada, a produtividade está aumentando, tanto por vaca como por hectare. Os sistemas de manejo, ordenha e conservação do leite estão sendo aprimorados e mudando o setor para melhor. No entanto, o setor ainda é muito desnivelado. Já temos produtores com desempenho excelente, enquanto a maioria ainda tem muito dever de casa por fazer para ser competitivo com os padrões do leite do futuro, aquele que conseguirá competir de igual para igual com os melhores do mundo. Vai ocorrer um “nivelamento para cima” em termos de desempenho, que eliminará as ineficiências, os desperdícios e os custos ociosos da cadeia produtiva.

OP Rural – Aqueles que não alcançarem os índices de qualidade que são exigidos, o que acontecerá com eles?

AS – O mercado é seletivo e excludente. Na medida em que os padrões de desempenho, tanto de qualidade, como de custo de produção vão evoluindo para melhor, para produtores que não conseguirem acompanhar essa evolução, provavelmente, produzir leite deixará de ser uma atividade viável. O setor lácteo brasileiro já apresenta algumas tendências bem definidas. Uma delas é a redução do número de produtores de leite. Segundo o IBGE, o país conta com cerca de 1,2 milhão de produtores de leite, dos quais, 633 mil entregam leite regularmente para as indústrias. Desse total, 67% ainda produzem menos de 250 litros por dia e apenas 5% entregam mais de mil litros por dia. Os produtores com menos de 100 litros por dia deixarão de ser atrativos para a indústria, uma vez que a logística de coleta se torna excessivamente cara.

A exclusão de parte dos produtores menos eficientes não significa necessariamente uma tragédia socioeconômica. Na medida em que o setor se torna mais competitivo para exportar, o volume total produzido no Brasil aumentará e com isso a cadeia produtiva abrirá inúmeras novas oportunidades de emprego e renda ao longo de seus elos, antes e depois da propriedade rural. O número total de pessoas que vão ganhar a seu sustento na cadeia produtiva do leite será maior, quão mais competitivo for o setor. Foi exatamente isso que aconteceu com a suinocultura no Sul do Brasil. Em duas décadas, o número de produtores de suínos caiu para menos de um terço e a produção triplicou. Milhares de pessoas hoje devem o seu emprego e seu ganha-pão graças a esse aumento de eficiência e competitividade. Essa revolução das carnes resultou em setores que hoje conseguem colocar seus produtos, mesmo produzidos em pequenas propriedades de agricultores familiares, em qualquer local do mundo onde existam consumidores.

OP Rural – O consumidor está mais exigente quanto a qualidade do leite?

AS – Sem dúvida. Os consumidores têm acesso a todo tipo de informação sobre os produtos que põem na mesa. A internet tornou todo processo de busca de informação mais rápido e transparente. O consumo responsável está ganhando força em todo mundo, de forma que o leite, para ter acesso ao mercado, terá que atender os princípios da sustentabilidade ambiental, social e econômica. A tolerância da sociedade para as externalidades da produção sobre o meio ambiente está cada vez menor. Além disso, os consumidores também estão cada vez mais atentos às questões de bem-estar animal. Nenhum animal pode ser submetido a qualquer tipo de sofrimento ou crueldade no processo produtivo, senão os consumidores rejeitarão os produtos.

OP Rural – É um desafio também para a indústria estes índices de alta qualidade do leite?

AS – É um desafio para toda cadeia produtiva. As novas INs 76 e 77 de 2018, que entraram em vigor no dia 30 de maio de 2019, trouxeram uma inovação em relação às INs 51 e 62, que tratavam da qualidade do leite cru anteriormente: agora estão previstas penalidades, inclusive, para o produtor de leite que pode ser suspenso se a qualidade mínima não for atingida. Como uma quantidade significativa do leite brasileiro ainda não atende aos padrões das novas INs, é natural que surjam dificuldades para superar as inconformidades e, ao mesmo tempo, abastecer o mercado com produtos lácteos. O Mapa está sensível às dificuldades e vai constituir um Conselho Técnico Consultivo, o CTC-Leite, justamente para administrar essa transição e ajudar a indústria láctea a superar os desafios da qualidade do leite. Além disso, o Plano de Competitividade do Leite Brasileiro vai criar incentivos para que a indústria desenvolva seus fornecedores, visando atingir os padrões de qualidade que o mercado global exige e assim tornar o Brasil um país exportador de lácteos.

OP Rural – O Brasil poderá, um dia, chegar a níveis de qualidade de países como Uruguai, Austrália e Nova Zelândia?

AS – Pode, mas não é um caminho fácil. Conheço bem as condições de produção da Nova Zelândia e da Austrália, pois vivi seis anos nesses dois países, onde fiz meu mestrado e doutorado, na área de produção animal. O clima ameno ajuda na preservação da qualidade do leite, mas principalmente, a estrutura produtiva e a escala maior viabilizam uma logística eficiente e padronizada, tanto na fazenda como no transporte. As propriedades rurais têm sistemas eficientes de refrigeração e conservação do leite e em função da grande escala, chega rapidamente na indústria. Um dos diferenciais é a utilização de sistemas de pré-resfriamento, que baixam a temperatura do leite imediatamente após a ordenha, não dando chances para as bactérias se multiplicarem. O leite neozelandês sai das propriedades com 31% a mais de sólidos do que o leite brasileiro, tomando a gordura e a proteína por referência. Isso significa 31% a mais de rendimento industrial, logo, mais valor em derivados. Eles atingiram esses índices investindo em melhoramento genético, alimentação e manejo. Temos condições de resolver nossos problemas da qualidade no Brasil, mas temos dificuldades bem maiores a superar do que esses países que já são grandes exportadores. Em contrapartida, temos aqui outras vantagens comparativas que podem ser transformadas em vantagens competitivas.

OP Rural – O Brasil ainda importa leite. Esta é uma situação que pode ser mudada e o país passar a exportar?

AS – Sim, os cenários do leite brasileiro indicam claramente que em cinco anos o país passará de importador líquido para exportador de lácteos. Para continuar crescendo sua produção no ritmo que vinha aumentando até 2016, em 2027 o Brasil terá que exportar em torno de 10% dos 47 bilhões de litros de produção anual que projetamos. Aliás, sem exportação, não tem solução para o leite brasileiro. Quando formos competitivos para exportar, também seremos capazes de rechaçar as importações por competitividade e não precisaremos mais de tarifas e taxas antidumping. Esse é o futuro do leite brasileiro. A era do aumento da produção para substituir as importações de leite no Brasil está chegando ao fim. Mas nesse processo de busca da competitividade internacional, haverá choro e ranger de dentes, haverá perdedores e ganhadores, porém, o resultado final será uma cadeia produtiva geradora de muitas riquezas, empregos e desenvolvimento, principalmente para a agricultura familiar.

OP Rural – Produzir o leite de melhor qualidade que está sendo exigido acarreta aumento nos custos de produção?

AS – Não, qualidade não é custo, é investimento. Produzir leite com mais qualidade vai exigir alguns investimentos a mais nas propriedades, mas os aumentos de produtividade e a valorização da produção compensam o desembolso. O custo de produção de leite no Brasil ainda é alto se comparado com a Nova Zelândia, país que atualmente é responsável por 40% de todas as exportações de lácteos do mundo. Nosso custo é maior pois a produtividade é baixa, a escala é pequena e com isso os custos fixos por litro produzido são altos. Leite de qualidade superior também rende mais dentro das fábricas, e por isso as indústrias terão que pagar o leite por qualidade. Leite bom tem que valer mais que leite ruim, tem que mexer no bolso. Em alguns anos, o pagamento do leite ao produtor não será mais por litro, e sim, por kg de sólidos. Afinal, menos de um terço do leite que os brasileiros consomem é na forma de leite fluído. Também não vamos exportar água, e sim, os sólidos do leite.

OP Rural – Quais são os desafios para o Brasil em alcançar mais qualidade?

AS – O principal desafio para melhorar a qualidade é fazer com que os agentes da cadeia produtiva entendam a importância e adotem efetivamente, mecanismos de fidelização e formalização das relações entre produtor e indústria. Uma vez que o produtor de leite estiver formalmente vinculado a uma indústria por contrato, ele receberá as garantias que precisa para investir na qualidade. A formalização das relações entre produtor e indústria nivela a qualidade para cima, de forma que, quem produz sabe para quem, quando, quanto, com que padrão deve produzir e recebe orientação técnica e insumos para isso. Por outro lado, a indústria terá a garantia da produção padronizada, com volumes e escalas definidas, e dessa forma poderá assumir contratos no mercado. Esse mecanismo cria sinergias em todos os elos da cadeia produtiva e entrega benefícios para todos os atores. Frangos, suínos e tabaco são exemplos de cadeias produtivas brasileiras de grande sucesso no mercado internacional, que têm em comum essa característica: os contratos. Quando o setor lácteo estiver operando dentro de diretrizes formais com suas características próprias, os parâmetros de qualidade como CBT, CCS, teor de sólidos, temperatura de resfriamento, ausência de zoonoses como brucelose e tuberculose, dentre outros, serão mais facilmente atingidos.

OP Rural – Qual seu conselho para a cadeia leiteira brasileira evoluir e produzir o leite de maior qualidade?

AS – Meu conselho parte da seguinte premissa: Toda vaca saudável dá leite bom. Nós estragamos o leite depois que o tiramos do úbere das vacas. Portanto, vacas saudáveis, higiene na ordenha e frio eficiente e rápido para a conservação são fundamentais. O leite é uma matéria-prima industrial da qual são fabricados centenas de produtos alimentares de grande valor nutricional e econômico. Esse leite é produzido por animais ruminantes, que são magníficas “máquinas” de converter biomassa vegetal, da qual nós humanos não nos alimentamos diretamente, em produtos que apreciamos muito nas nossas dietas. Essa biomassa é resultado da fotossíntese, e nesse quesito o Brasil é campeão, por termos aqui mais luz solar o ano todo e chuvas em abundância na maior parte do nosso território. Essa é a nossa vantagem comparativa em relação aos países de clima frio: o potencial para produzir mais de 30 toneladas de matéria seca de forragens por hectare por ano, o que permite produzir mais de 20 mil litros de leite. Os demais aspectos que determinam a qualidade do leite podem ser resolvidos com tecnologia e investimentos. Por isso meu conselho é que o setor público e o setor privado se unam numa estratégia objetiva para desenvolver a qualidade e competitividade do leite, aplicando simultaneamente incentivos para o leite de qualidade superior e penalidades para o leite ruim. Pagamento pela qualidade deve ser regra. Assim, utilizando a estratégia de “cenouras e chicotes” haverá uma melhoria contínua da qualidade do leite. A profissionalização dos produtores e indústrias requer investimentos em tecnologias, máquinas, equipamentos e isso só é possível com recursos acessíveis e eliminação das assimetrias tributárias com outros países produtores. O setor público precisa investir em infraestrutura, oferecendo estradas melhores, rede elétrica trifásica, acesso à internet no meio rural e uma atenção especial para a sanidade animal, pesquisa agropecuária e assistência técnica em parceria com o setor privado. Não devemos temer a modernização do setor.

OP Rural – É necessário o Brasil começar a agregar mais valor ao seu produto?

AS – Sim, principalmente para o mercado interno. Os brasileiros já consomem cerca de 170 litros de leite por habitante por ano, sendo cerca de 60 litros em forma de leite fluído e o restante em forma de derivados. Os futuros aumentos de consumo per capita se darão em forma de produtos de valor agregado e é dessa criatividade que depende a expansão do mercado. Na outra ponta, as exportações se darão majoritariamente em forma de commodities, como leite em pó, queijos e manteiga, embora haja espaço para exportar especialidades. O leite deve ser visto como uma matéria-prima industrial, da qual se faz, “inclusive alimentos”, tamanha é a diversidade de produtos que podem ser fabricados, com alto valor agregado.

OP Rural – O leite poderá ser um destaque do agronegócio assim com outras cadeias?

AS – O setor lácteo brasileiro tem muitos “bons problemas”, pois podem ser resolvidos com investimentos, tecnologia, organização e trabalho. Por isso sou muito otimista e acredito que o leite é um sério candidato a ser, em 10 anos, mais uma “estrela” do agronegócio brasileiro. Para fazer essa revolução, nos três estados da região Sul do Brasil os governadores criaram, em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira, da qual sou o atual coordenador geral.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Artigo: O sucesso das tecnologias alternativas para redução do uso de antibióticos na pecuária

Com destaque para a nutrição animal, algumas classes de antibióticos consideradas seguras são também permitidas para serem utilizadas como melhoradores de desempenho ou promotores de crescimento

Publicado em

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Por Luis Eduardo Ferreira

 

Na pecuária, a utilização dos aditivos antibióticos vem sendo discutida por profissionais de diversas áreas científicas, envolvidas ou não com este setor produtivo, e por pecuaristas preocupados com a manutenção da saúde e da qualidade do rebanho. Entre os consumidores finais, o assunto tem ganhado cada vez mais repercussão devido a dúvidas geradas em relação a possibilidade da presença de resíduos destas substâncias deixados nos produtos derivados da criação bovina, como a carne e o leite, e também no meio ambiente. Por este motivo, o uso destas substâncias na pecuária se torna cada vez mais questionado sobre até que ponto essa prática pode comprometer ou afetar a saúde e a qualidade de vida do ser humano e dos animais, como isso pode acontecer, quais as consequências disso na sociedade e quais seriam as soluções para evitar sérios problemas às nossas futuras gerações.

Primeiramente, é importante separar as finalidades pelas quais os antibióticos são utilizados na clínica veterinária daqueles antibióticos utilizados na nutrição dos animais como aditivos zootécnicos. Além disso, antes que a utilização destas substâncias possa ser entendida como sendo uma prática abusiva ou indiscriminada, é fundamental que seja feito um breve esclarecimento que fale não apenas dos principais riscos, mas também sobre as necessidades e as vantagens do uso destas substâncias pela pecuária.

Na clínica veterinária, os antibióticos são utilizados para garantir a saúde e o controle de qualidade dos animais, evitando que sérias doenças possam se alastrar no rebanho, minimizando perdas e prejuízos financeiros ao pecuarista, além de garantir a qualidade e a segurança do produto final oferecido ao consumidor. Neste caso, os antibióticos podem ser prescritos em três tipos de terapias: farmacológica, usada para tratamento contra infecções bacterianas nos animais infectados; metafilática, usada para o tratamento contra infecções bacterianas nos animais infectados e profilaxia geral para todo rebanho; e profilática, apenas para prevenção geral de doenças bacterianas no rebanho.

Para estas condições, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estabelece que todos os animais do rebanho submetido ao tratamento com estas substâncias sejam abatidos após um período mínimo de carência pré-estabelecido para cada classe de antimicrobiano. Tal protocolo é adotado como medida de segurança para que toda substância aplicada no animal possa ser fisiologicamente excretada do organismo até atingir o limite de resíduo aceito nos produtos derivados (ANVISA 2018). Dessa forma, obedecidos os prazos de abate e ou venda de leite, são excluídos os riscos quanto a presença de resíduos tóxicos deixados nos produtos derivados da criação, garantindo o controle de qualidade, procedência e a segurança do produto destinado para o consumidor.

Com destaque para a nutrição animal, algumas classes de antibióticos consideradas seguras são também permitidas para serem utilizadas como melhoradores de desempenho ou promotores de crescimento, podendo, assim, serem classificados como aditivos zootécnicos, segundo a Instrução Normativa 13/2004 do MAPA. Neste caso, a presença dos aditivos antibióticos na dieta irá ajudar na manutenção da saúde intestinal dos animais através do melhor equilíbrio de toda dinâmica metabólica entre as espécies microbianas presentes no ecossistema ruminal.

É importante contextualizar que todo conteúdo alimentar consumido pelos ruminantes passa por um processo chamado de fermentação ruminal, que é realizado graças a presença de uma rica flora microbiana que se relaciona simbioticamente com estes animais no rúmem. Por este motivo, no rúmem, os aditivos antibióticos terão efeitos seletivos, podendo inibir o metabolismo de algumas espécies microbianas desnecessárias ou prejudiciais para o metabolismo ruminal, e favorecer o metabolismo de outras espécies microbianas mais importantes para o melhor desempenho metabólico da fermentação ruminal. Na prática, essa condição será favorável para o aumento dos níveis energéticos da dieta dos animais através do melhor aproveitamento de todo conteúdo alimentar consumido, melhorando os índices dos ganhos de peso e qualidade de acabamento na carcaça dos animais, aumentando a produtividade do rebanho em geral e, sobretudo, a rentabilidade nos lucros da propriedade.

Além disso, a presença dos aditivos na dieta dos animais pode também contribuir para tornar as práticas de manejo mais sustentáveis e vantajosas do ponto de vista ambiental, pois os efeitos seletivos dos aditivos antibióticos sobre a flora microbiota ruminal podem resultar na inibição de forma indireta de espécies microbianas secundárias no metabolismo ruminal, que são os metanogênicos. Nesta condição, os aditivos poderão também melhorar os índices de eficiência do metabolismo ruminal em relação a quantidade de gases entéricos que são produzidos e liberados para o meio ambiente, como o gás carbônico (CO2) e o gás metano (CH4), que são considerados produtos secundários da fermentação, fazendo com que os animais possam aproveitar o conteúdo da dieta com a mesma quantidade de gás produzido.

Apesar das vantagens sobre a utilização dos antibióticos na pecuária, o principal ponto que deve ficar claro para o criador e consumidor é que a inclusão destas substâncias na dieta dos animais na forma de aditivos não é uma prática indiscriminada, pois as dosagens são previamente calculadas de acordo com as recomendações dos profissionais da área. Além disso, mesmo sendo prolongado o período de consumo na dieta, estas substâncias não trazem nenhum risco para a saúde dos animais, pois são fornecidas dosagens muito baixas, e minimizam também os riscos da presença de resíduos na carne e leite. Em contrapartida, a utilização de antibióticos pela clínica veterinária acontece em dosagens maiores, mas com menor tempo de exposição e, por este motivo, caso não seja respeitado o período mínimo de carência para abate dos animais ou consumo do leite, poderá, sim, haver chances de conter resíduos na carne ou leite destes animais. No entanto, isso pode acontecer geralmente em abatedouros clandestinos, onde não há presença de fiscalização.

Na verdade, o principal risco sobre o uso dos antibióticos na forma de aditivos é que estas substâncias, quando ingeridas pelo animal na dieta, passam por todo trato gastrintestinal, exercem seus efeitos biológicos sobre a microbiota no rúmem e, posteriormente, são excretadas para o meio ambiente por meio das fezes. É neste momento que a utilização destas substâncias na nutrição dos animais pode se tornar prejudicial, pois os resíduos delas presentes nos dejetos dos animais podem contaminar o solo e a água. Sendo assim, considerando que estes compostos levam um certo período para serem degradados no meio ambiente, a permanência deles por um longo período contribui para a evolução de resistências microbianas.

Em definição, a resistência microbiana é a capacidade de os microrganismos sobreviverem e se multiplicarem mesmo após a administração in vivo dos agentes antimicrobianos nas dosagens máximas permitidas. Neste contexto, as consequências diretas causadas são a perda da eficácia terapêutica dos atuais antibióticos disponíveis no mercado, ausência de novas classes de antibióticos capazes de curar diversas doenças infecciosas, principalmente aquelas causadas pelas chamadas “superbactérias” em hospitais e, de forma indireta, trazer sérios riscos de saúde pública, podendo comprometer a qualidade de vida das nossas futuras gerações.

De acordo com Hilal-Dandan e Brunton (2015), todo ser vivo, quando sujeito a algum tipo de pressão química ou de outra etiologia que possa ameaçar sua extinção, tem a habilidade de desenvolver mecanismos capazes de se adaptarem e sobreviver a este estresse e, dessa forma, resistir às armas químicas utilizadas para destruí-los. Diante disso, podemos entender que a evolução da resistência microbiana pode ser tratada como sendo um processo natural e intrínseco de cada ser vivo, que acontece em decorrência de algumas alterações genéticas, geralmente espontâneas, causadas por mutações cromossômicas que serão bioquimicamente expressas através da resistência.

Dessa forma, estas alterações genéticas tendem a ser passadas para as gerações seguintes de modo que, ao longo do tempo, todos os indivíduos de uma determinada população possam conter em seu genoma todos os genes responsáveis por conferir a resistência microbiana. Esse processo se torna mais acelerado ainda quando é considerado o tempo necessário que uma população de microrganismos necessita para se reproduzir, pois, em torno de algumas horas, podemos ter várias gerações de microrganismos de uma determinada população, aumentando a probabilidade de acontecer mutações e variabilidade genéticas entre os indivíduos.

Portanto, é necessário ficar claro que o agente antimicrobiano não induz a resistência, mas apenas seleciona os indivíduos mais resistentes existentes no meio de uma população (TRABULSI, L. F.; ALTERTHUM, F., 2002). Neste caso, são as práticas clínicas inadequadas e indiscriminadas através de sub dosagens, periodicidade inadequada e manejo geralmente sem acompanhamento zootécnico ou veterinário, que contribuem cada vez mais para acelerar o processo de evolução das resistências microbianas.

Na história, desde a sua descoberta ao acaso pelo médico microbiologista Alexander Fleming, há quase 100 anos atrás, até a sua utilização pela medicina, os antibióticos foram responsáveis por salvar milhares de vidas, principalmente no período da Segunda Guerra Mundial. No entanto, atualmente sabemos que, se por um lado o uso de antibióticos pode contribuir para diversos efeitos benéficos para a saúde humana, clínica veterinária, nutrição animal, entre outros setores da agropecuária, por outro lado, o uso contínuo e incorreto destas substâncias pode de fato trazer ao longo do tempo os riscos para a evolução de resistências microbianas.

Preocupada com este cenário, a comunidade científica tem investido, nos últimos anos, em diferentes linhas de estudos aplicados em pesquisas por novas classes de aditivos que pudessem ser alternativos aos atuais antibióticos. Além disso, foram elaborados novos métodos de manejo que tornaram a prática pecuária mais segura e eficiente, melhorando, inclusive, a saúde dos animais, o aumento da produtividade do rebanho com qualidade e a prevenção a evolução das resistências microbianas. Neste sentido, os estudos em zootecnia, associados a modernas áreas da biotecnologia, têm contribuído para um avanço de pesquisas para o desenvolvimento de novas tecnologias de aditivos e que possuem diferentes mecanismos de ação biológica no rúmem e intestino dos animais, reduzindo os impactos ambientais e minimizando os perigos de resistência.

A utilização de extratos vegetais na forma de ácidos orgânicos, óleos essenciais, taninos, entre outros, estão sendo considerados uma opção bastante segura, favorável e vantajosa para serem aplicados na nutrição animal, podendo também ser classificados como aditivos zootécnicos melhoradores de desempenho, e potencial substitutos dos antibióticos. Na prática, por serem compostos de origem natural, são facilmente biodegradados quando lançados ao meio ambiente e, por este motivo, tendem a oferecer menores riscos de contaminação e de surgimento de resistências. Além disso, pesquisas realizadas com este tipo de bioativos têm apresentado bons resultados na produtividade e redução de emissão de gases entéricos a partir da fermentação ruminal.

Os aditivos zootécnicos classificados como “equilibradores de flora” são também uma tecnologia que há anos vem sendo avaliada para serem incluídas na nutrição dos animais. Neste caso, os probióticos são compostos por microrganismos vivos não patogênicos que, quando introduzidos no trato gastrintestinal, competem com os microrganismos indesejáveis no rúmem, promovendo o melhor equilíbrio da microbiota, favorecendo a população de espécies microbianas mais benéficas para a fermentação ruminal. Além disso, temos também os prebióticos, que são compostos não digeridos pelo organismo dos animais, mas que são fonte de substrato para serem consumidos pelos micro-organismos benéficos, responsáveis pela fermentação ruminal. Diversas pesquisas envolvendo enzimas digestivas, sequências de peptídeos microbianos e anticorpos policlonais, são também modernas tecnologias dessa nova geração de aditivos que estão sendo cada vez mais estudadas e que oferecem riscos cada vez menores de contaminação ao meio ambiente e, principalmente, minimizam os riscos de evolução para resistências microbianas.

Atualmente, novas opções de aditivos mais modernos e seguros tanto para a saúde dos animais como para o meio ambiente são oferecidas ao criador para serem aplicados no campo. No entanto, o uso destas tecnologias carece não apenas de investimento, mas também em confiar e acreditar que irá valer a pena não somente na melhoraria da produtividade e rentabilidade para o pecuarista, mas também na sustentabilidade do setor, reduzindo os impactos ambientais, tanto na liberação de gases entéricos como na evolução de resistência.

Preocupada com o agronegócio nacional, a Premix é uma empresa que investe na aplicação de novas tecnologias para este setor, seguindo sempre as tendências do mercado para uma pecuária de valor cada vez mais sustentável. É o caso do Fator Premium, produto que foi projetado e desenvolvido utilizando tecnologia 100% de origem natural e matéria prima nacional, formado por uma combinação de ácidos graxos essenciais como ômega 3 e ômega 6, probióticos, prébióticos e minerais orgânicos. Neste sentido, a aplicação desta tecnologia tende a ser uma prática cada vez mais elegante, segura e confiável para o pecuarista, associando produtividade, rentabilidade e sustentabilidade.

Portanto, considerando que a evolução das resistências microbianas pode ser entendida como sendo um processo natural, e tendo em vista que a utilização de antibióticos será continuamente uma prática necessária na pecuária, a principal estratégia para evitar os riscos de resistência microbiana será sempre a utilização de forma mais prudente e responsável dos antibióticos em geral. Sendo assim, esta conscientização será incessantemente uma das medidas básicas para preservar o valor terapêutico dos atuais antibióticos utilizados no mercado e, sobretudo, evitar que essa situação possa comprometer a qualidade de vida das futuras gerações.

Fonte: Por autor: Luis Eduardo Ferreira
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Bovinos / Grãos / Máquinas BEA

É quase um spa para as vacas

Fazenda Iguaçu conta com estrutura que garante total bem-estar aos animais; ao lado fica o Laticínio Star Milk que produz produtos de primeira linha e distribui para mercados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo

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Francine Trento/OP Rural

O produtor de leite vem trabalhando, ao longo dos anos, para produzir um leite de melhor qualidade. Ao encontro disso, o próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento trouxe nos últimos meses novas Instruções Normativas que detalham os procedimentos necessários para alcançar essa qualidade. Porém, existem produtores que já estão à frente nesse processo e já trazem ao consumidor produtos feitos com leite de primeira. Este é o caso da Fazenda Iguaçu, que desde 1999 se preocupa com estas questões de oferecer ao consumidor produtos de alta qualidade.

São diversos os fatores que garantem um leite de melhor qualidade produzido na Fazenda, que está localizada em Céu Azul, do Oeste do Paraná. Atualmente, o local conta com aproximadamente 600 animais em ordenha e outros quase 500 entre novilhas, vacas e bezerras. Estes animais produzem uma média de 21 mil litros de leite por dia, que são destinados ao Laticínio Star Milk. Laticínio esse que produz alimentos como queijos, requeijão e ricota, com maior valor agregado, que são distribuídos para quase todo Paraná, além de municípios de Santa Catarina e São Paulo. 

O sócio proprietário da fazenda e laticínio, Mário Sossella Filho, o Marinho, informa que desde o início foi buscado ter um produto de melhor qualidade. “Desde que a fazenda começou com um volume mais expressivo de leite, em 1999, nós sempre visamos a qualidade do produto”, diz. Ele afirma que entre os cuidados que sempre foram tomados para obter bons resultados foram o bem-estar animal, saúde das vacas, conforto e nutrição de qualidade. “Se você tem uma vaca sadia, que não usa antibióticos, e oferece todo o conforto que ela precisa, você terá bons resultados”, garante.

Marinho conta que alguns pontos são sempre buscados na fazenda, como ter animais sadios, controle de vacinas, máximo conforto, nutrição da melhor qualidade, entre outros. “A hora que você dá todos estes quesitos, principalmente conforto, você recebe isso de volta na questão de volume de leite que elas produzem e, principalmente, em qualidade”, comenta.

Ele explica que tudo depende de como uma novilha é criada no início. “Se ela fica doente nos primeiros 60 dias de vida, com alguma doença complicada como pneumonia, diarreia ou infecção, ela vai ter problemas ao longo da vida dela”, afirma. Ele lembra que logo no início, quando começaram a produção, eles sofreram bastante por questões como esta, especialmente pelo fato da fazenda estar localizada em uma região bastante quente. “Foi a partir dai que começamos a investir em túneis de vento, para estancar o calor, além dos ventiladores e chuveiros, para proporcionar aos animais o melhor conforto térmico”, conta.

Outro ponto essencial para conseguir esta alta qualidade do leite e valor agregado aos produtos é a rotina que proporcionam aos animais. “A vaca gosta de rotina. Ela não gosta que fiquem mudando-a de lugar, misturando novilha com vacas novas e velhas, que não tenha um horário fixo para a ordenha. Quanto mais rotina você der aos seus animais, mais sucesso no volume que elas expressam de leite”, garante.

Tecnologia de ponta auxilia em melhores resultados

Segundo Marinho, na fazenda é utilizado um sistema de ordenha automática. “É um ordenha muito higiênica e limpa, onde permite reduzir o número de células somáticas, de infecção por mastite e, até mesmo, auxilia na questão da reprodução”, comenta. Além do mais, são somente 10 minutos que os animais ficam na ordenha, o que facilita muito o trabalho.

Outro detalhe que ajuda bastante, de acordo com Marinho, é o fato de todas as vacas contarem com um pedômetro na pata. “Ele faz o registro de toda a vida da vaca, de quando nasceu, quantas crias teve, quando criou, quando teve mastite, se perdeu um teto, se teve problema de casco. É a ficha técnica dela”, informa. De acordo com ele, quando a vaca fica doente, é este equipamento que ajuda a detectar qual vaca está usando antibiótico e qual não está. “Até mesmo no momento da ordenha elas são separadas, sendo que de um lado ficam as vacas saudáveis e do outro ficam as que estão sendo medicadas”, conta. O sócio proprietário informa que é bastante difícil acontecer erros neste processo. Além disso, acrescenta que estas tecnologias utilizadas ajudam bastante na gestão da fazenda, mas, principalmente, na mão de obra.

Bem-estar é prioridade

Marinho explica que como a fazenda está localizada no Oeste do Paraná, uma região bastante quente, todo o necessário é feito para proporcionar aos animais total bem-estar animal. Isso é percebido nos mínimos detalhes na propriedade. Após a ordenha, por exemplo, é respeitado o tempo da vaca para sair do local e dar espaço para a próxima. Porém, se os funcionários verem a necessidade, “chamam a atenção” dos animais. Mas, isso não acontece com gritos, falação ou “pequenos tapas” na bunda dos animais, mas sim com assovio. Tudo isso, com o intuito de diminuir ao máximo o estresse dos animais. Menos estresse, segundo Marinho, significa mais leite e mais qualidade.

Todos os animais são criados no sistema free stall para garantir máximo conforto. E para assegurar que os animais não passem calor, o local conta com ventiladores e pequenos “chuveiros” que servem para molhar as vacas. “Isso ajuda muito, porque a vaca que sente calor vai gastar energia para tentar manter a temperatura do corpo. Aquela energia que ela usaria para produzir leite vai ser direcionada para outra função. Assim, com todo esse aparato para auxiliar elas no combate do calor, a energia que elas possuem é utilizada somente para produzir o leite”, conta Marinho.

Além do mais, as vacas que dão mais leite, tem um conforto a mais. Aquelas que tem altas produtividades diárias contam com um espaço diferenciado para ficar. É um galpão separados, onde elas têm uma espécie de ar-condicionado, com a temperatura controlada o tempo inteiro. O local é tão bem refrigerado, que ali, os animais não têm necessidades dos “chuveirinhos” para se refrescar.

E assim como no outro local, as vacas têm um amplo espaço para caminhar, deitar e comida à vontade. Para garantir total limpeza aos animais, o momento da ordenha é utilizado para limpar e trocar alimento e serragem para elas se deitarem.

O objetivo com tudo isso, segundo Marinho, é garantir que as vacas tenham o menor nível de estresse possível. “Porque as vacas têm um efeito retardo. Se algo acontece com elas hoje ela só vai mostrar os efeitos disso depois de 30 ou 60 dias. E isso é um problema para nós, porque o que pode acontecer com elas são problemas no casco, perda da fertilidade, entre outros. E tudo isso, no longo prazo, significa também queda na produção”, afirma.

Marinho reitera que detalhes como uma dieta boa e balanceada, água limpa e saudável, chuveiro e ventilação são coisas importantes para garantir bem-estar e maior produtividade com mais qualidade. “Além disso, é preciso ter o controle sanitário perfeito para poder ter a compensação quanto aos cuidados”, diz.

O proprietário afirma que não é preciso muito para atender as necessidades de uma vaca. “Elas só precisam ter a ordenha perto, estar sempre bem alimentadas e ter água limpa e fresca”, informa. Ele conta que na fazenda as vacas são tratadas cinco vezes ao dia. “Sempre uma alimentação fresca. Nunca deixamos de um dia para o outro e tiramos as sobras em seguida. São métodos que aplicamos e que vemos que também são feitos em locais como os Estados Unidos e na Europa”, conta. Marinho reitera que o animal gosta é de ser bem tratado. “Se isso acontecer, ele te dá em retorno, em quantidade e qualidade”, assegura.

Laticínio Star Milk

O leite de alta qualidade produzido na Fazenda Iguaçu tem destino certo: o Laticínio Star Milk. Oficialmente inaugurado em junho de 2018, o local conta com maquinários trazidos de países como Itália e Alemanha. O empreendimento é considerado um dos mais modernos do Brasil. Ali, foram investidos R$ 30 milhões.

A nova unidade processa 20 mil litros de leite por dia, produzidos na própria fazenda. O empreendimento tem estrutura preparada para alcançar uma meta de processamento de 180 mil litros de leite/dia, a serem transformados principalmente em queijos especiais, com previsão de distribuição em todo o território nacional. Com cerca de quatro mil metros de área construída, o laticínio tem toda sua produção inicial de queijos frescal, muçarela, prato e asiago, além de manteiga, nata e ricota, destinada aos mercados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Como a região não tem tradição na atividade, foram trazidos gerentes de produção e queijeiros de São Paulo e Minas, mas a maioria dos empregos está reservada a trabalhadores da região. “Uma das principais novidades é a produção do queijo de origem italiana, que cai muito bem na linha gourmet, é apropriado para sanduíches e vendemos em barra e fatiado”, relata Marinho.

Outro detalhe informado pelo sócio proprietário é quanto ao laticínio estar ao lado da fazenda. “Isso garante que a qualidade do nosso leite seja maior. Porque no momento em que extrai o leite da vaca, você só piora ele sem querer. Tirou da teta o leite perde qualidade, entrou na teteira é um meio de contaminação, passa pelos canos é outro, vai para o resfriador é outro meio, vai para o tanque é mais um meio de contaminação e no caminhão é outro. Dessa forma, como não temos um caminho longo que deve ser feito, não temos que passar de um caminhão para outro, isso garante maior qualidade ao nosso leite”, assegura.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Brasil

Raça Wagyu ganha espaço na produção de carnes nobres

Há mais de 10 anos Eraldo e o irmão Ricardo Zanella investem na raça Wagyu; preço do quilo da carne pode chegar a mais de R$ 200

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Acervo Pessoal

O pecuarista vem buscando, ao longo dos anos, oferecer ao consumidor um produto de melhor qualidade. Para isso, o que muitos estão buscando é oferecer aos animais uma melhor nutrição, bem-estar e manejo, além de investir na genética para alcançar resultados superiores e oferecer o melhor produto ao mercado. Os irmãos Eraldo e Ricardo Zanella levaram essa condição a um nível superior. Os dois investem, desde 2002, na criação do boi de raça Wagyu. De origem japonesa, a raça oferece uma das carnes mais nobres e saborosas do mercado. O quilo pode chegar a custar mais de R$ 200.

Atualmente, são 150 cabeças criadas na Agropecuária Zanella, que fica no município de Paim Filho, no Rio Grande do Sul. Segundo Eraldo, a história que iniciou a criação pelos irmãos é bastante curiosa. “Quando eu estava realizando um projeto de pesquisa no Mato Grosso na área de reprodução em colaboração com o professor doutor Jerry Reeves, da Washington State University de Pullman, dos EUA, ele comentou sobre a raça Wagyu e se eu não teria interesse de cria-la no Brasil”, diz. Ele conta que conheceu o professor em um congresso no início dos anos 1990, quando estava realizando a pós-graduação em Lincoln, Nebraska (EUA). “Eu sabia de sua paixão por esta raça, e mais que isso, de sua seriedade como criador”, comenta.

De acordo com o produtor, ele achou a raça bastante interessante, já que na época se falava pouco sobre o Wagyu no Brasil. “Cerca de dois meses depois recebi uma notificação que havia chegado um tanque de nitrogênio com material genético de Wagyu (sêmen) em Paranaguá, PR. Imediatamente organizei para utilizar em um grupo de fêmeas da propriedade de meu pai Ipenor Zanella, em Paim Filho”, informa. Ele explica que disso nasceram os primeiros animais cruzados. “Testamos a carne e, a partir daí, fomos investindo na raça, sempre com a parceria com o Jerry Reeves”, menciona.

Segundo Eraldo, a sociedade com o doutor Jerry, desde então, aumentou. “Meu irmão e sócio da propriedade, Ricardo Zanella, por intermédio do doutor Jerry, foi realizar pós-graduação na Washington State na área de genética. Desde então importamos material genético dos melhores touros em termos de marmoreio dos EUA, e disponíveis no mercado brasileiro, inclusive fêmeas para produção de embriões”, explica.

A diferença entre Wagyu e demais raças

Muitas são as curiosidades a cerca desta raça. Eraldo explica que o Wagyu é parecido com outras que existem no Brasil. O diferencial, segundo ele, é que os terneiros precisam de um cuidado especial, uma vez que as vacas têm pouco leite. “Além disso, os animais da raça Wagyu, diferentemente das outras raças de corte, não devem ser julgados pelo fenótipo, mas sim pelo genótipo”, alerta.

Além do mais, outras diferenças características do Wagyu são o baixo peso ao nascer. “Ou seja, facilidade de parto. Dificilmente você tem parto distócico nesta raça. Ideal para utilização em novilhas de primeira cria, inclusive no gado leiteiro. Além disso, comparado com algumas raças europeias, tem menor predisposição ao carrapato”, explica.

O produtor reitera que a genética é o principal fator para que esta raça produza uma carne de melhor qualidade. Mas isso aliado a uma nutrição adequada. Ele ainda comenta que como a produção é diferenciada, fazendo com que os valores no mercado sejam maiores, também os custos de produção da raça são diferentes. “Em comparação com animais de outras raças, gastamos mais que o dobro”, conta.

Produção e resultados

Um dos pontos essenciais em todas as raças bovinas é oferecer o melhor bem-estar animal para que a produção seja, então, de melhor qualidade. No Japão, de onde a raça é oriunda, os animais recebem pequenas regalias como massagem e até mesmo cerveja. Eraldo comenta que na propriedade isto não é praticado, porém o bem-estar é oferecido de outras formas. “Nós ofertamos aos animais qualidade de vida. No confinamento estamos alimentando-os com grãos de aveia e cevada. As vacas são criadas a campo, e deixamos os terneiros junto às mães até por volta dos 6-8 meses. O que oferecemos é o cuidado para com os animais e tratamento visando o bem-estar deles, evitamos qualquer estresse desnecessário”, informa.

Ele acrescenta que, além disso, na propriedade ainda é evitado o uso de cães no manejo com o gado e, sempre que possível, ele e o irmão caminham entre os animais para que não se assustem com pessoas. “Conseguimos assim fazer uma avaliação sem levar os animais na mangueira de forma desnecessária”, diz.

O Wagyu é abatido, em média, aos 30 meses, quando ele alcança os 650 quilos. Eraldo comenta que, ao nascer, o peso do animal é de 30 a 35 quilos, no desmame ele chega aos 200 quilos e no final da engorda fica entre os 500 e 550 quilos. “O rendimento dele chega, em média, aos 57%”, conta.

Para alcançar estes resultados eles empregam uma nutrição que permita ao animal desenvolver todo o seu potencial genético. O produtor informa que até os oito meses é oferecido Creep feeding com 24% de proteína, dos oito aos 14 meses eles ficam a pasto, dos 14 aos 22 meses recebem silagem de milho e ração 18% proteína e dos 22 aos 30 meses a alimentação é a base de aveia, cevada e pasto. “Em todas as fases é oferecido sal mineral a vontade para todas as categorias”, expõe.

Eraldo ainda comenta que ele e o irmão estão em formação de plantel. “Dessa forma, nosso maior interesse é ter uma maior variabilidade de genética. Utilizamos na maior parte do plantel protocolos de sincronização de cio IATF e TETF. Utilizamos nossas matrizes PO para produção de embriões, que são inovulados nas vacas do plantel geral”, conta.

Quilo pode chegar a mais de R$ 200

Uma característica desta carne é o valor de mercado. Segundo Eraldo, o que justifica o preço na prateleira é o sabor, uma vez que o Wagyu oferece um gosto característico devido ao marmoreio. “A gordura entremeada dos bovinos da raça Wagyu possui uma concentração de ácidos graxos insaturados (oleico e linoleico) maiores do que as de ácidos graxos saturados (Palmítico). Isto resulta em uma carne com maior concentração de HDL (Lipoproteína de alta densidade, conhecida como o bom colesterol) e uma menor concentração de LDL (lipoproteína de baixa densidade “mau colesterol”)”, explica.

Ele conta que o valor da carne de Wagyu com alto grau de marmoreio pode chegar a valores interessantes. “Na Franca, informação recente mostra que pode chegar a 240 euros o quilo”, informa. Para ele, existe um nicho de mercado interessante, mas que ainda precisa ser organizado no Rio Grande do Sul.

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Fonte: O Presente Rural
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