Bovinos / Grãos / Máquinas Em 10 anos
“Leite vai ser mais uma estrela do agronegócio brasileiro”, crava Spies
Spies falou sobre os desafios do pecuarista, como está o setor leiteiro no Brasil e o que esperar para os próximos anos

O setor lácteo brasileiro ainda tem muitos desafios para enfrentar. Atender as novas exigências da qualidade do leite,
atender as demandas do consumidor, produzir a quantidade para a atividade ter a lucratividade necessária, reduzir o uso de recursos naturais e impactos ambientais. Estes são somente alguns dos pontos pelos quais os produtores deverão se atentar se quiserem continuar na atividade. Muito além disso, o setor lácteo brasileiro precisa ainda ganhar espaço, agregar valor no seu produto e começar a exportar. O engenheiro agrônomo e coordenador geral da Aliança Láctea Sul-Brasileira, doutor Airton Spies, conversou com a equipe do Jornal O Presente Rural e contou um pouco quais são os desafios do pecuarista, como está o setor leiteiro no Brasil e o que esperar para os próximos anos. Boa leitura.
O Presente Rural (OP Rural) – É um desafio para o produtor brasileiro alcançar o leite de alta qualidade que atualmente está sendo exigido?
Airton Spies (AS) – Sim, atingir os padrões de qualidade do leite ideal no Brasil, aquele que está previsto nas Instruções Normativas 76 e 77 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é um grande desafio. Aqui temos uma produção muito pulverizada em pequenas propriedades, muito heterogênea, o clima é quente e a infraestrutura é precária para resfriamento e transporte do leite até as indústrias. As novas INs são instrumentos muito positivos para conduzir a produção brasileira na direção certa: uma melhoria contínua na qualidade para nos tornarmos competitivos para exportar lácteos e competir com os melhores do mundo. Mas é um caminho longo e temos que fazer as transformações gradativamente, aplicando incentivos para o leite bom e penalidades para o leite ruim.
OP Rural – A sobrevivência na atividade está relacionada com qualidade?
AS – A produção brasileira é quase toda consumida no mercado interno, o país exporta menos de 1% do total de 35 bilhões de litros produzidos anualmente. Os consumidores brasileiros estão cada vez mais exigentes em termos de qualidade e segurança dos produtos lácteos que compram, demandando inclusive certificações para tal. Portanto, o mercado de leite com mais qualidade é fundamental para quem quiser sobreviver no setor, que está cada vez mais orientado pela livre concorrência e regras de mercado. Para os produtores, o leite deve ser visto como uma matéria-prima industrial, cujo rendimento em derivados depende, não só de contagem de colônias formadoras de bactérias (CBT) e contagem de células somáticas (CCS), mas também de percentuais de sólidos, gordura, proteína e caseína, dos quais são fabricados a maioria dos produtos lácteos consumidos.
OP Rural – O que podemos esperar para a produção de leite para os próximos anos?
AS – O setor lácteo brasileiro está passando por uma grande revolução. Melhorias em todos os aspectos estão acontecendo rapidamente. Através da assistência técnica, os produtores de leite estão se profissionalizando, aplicando modernos princípios agronômicos para produzir mais pastagens e biomassa de boa qualidade, que forma a base da alimentação dos rebanhos de gado leiteiro. Com as melhorias zootécnicas e com a genética mais aprimorada, a produtividade está aumentando, tanto por vaca como por hectare. Os sistemas de manejo, ordenha e conservação do leite estão sendo aprimorados e mudando o setor para melhor. No entanto, o setor ainda é muito desnivelado. Já temos produtores com desempenho excelente, enquanto a maioria ainda tem muito dever de casa por fazer para ser competitivo com os padrões do leite do futuro, aquele que conseguirá competir de igual para igual com os melhores do mundo. Vai ocorrer um “nivelamento para cima” em termos de desempenho, que eliminará as ineficiências, os desperdícios e os custos ociosos da cadeia produtiva.
OP Rural – Aqueles que não alcançarem os índices de qualidade que são exigidos, o que acontecerá com eles?
AS – O mercado é seletivo e excludente. Na medida em que os padrões de desempenho, tanto de qualidade, como de custo de produção vão evoluindo para melhor, para produtores que não conseguirem acompanhar essa evolução, provavelmente, produzir leite deixará de ser uma atividade viável. O setor lácteo brasileiro já apresenta algumas tendências bem definidas. Uma delas é a redução do número de produtores de leite. Segundo o IBGE, o país conta com cerca de 1,2 milhão de produtores de leite, dos quais, 633 mil entregam leite regularmente para as indústrias. Desse total, 67% ainda produzem menos de 250 litros por dia e apenas 5% entregam mais de mil litros por dia. Os produtores com menos de 100 litros por dia deixarão de ser atrativos para a indústria, uma vez que a logística de coleta se torna excessivamente cara.
A exclusão de parte dos produtores menos eficientes não significa necessariamente uma tragédia socioeconômica. Na medida em que o setor se torna mais competitivo para exportar, o volume total produzido no Brasil aumentará e com isso a cadeia produtiva abrirá inúmeras novas oportunidades de emprego e renda ao longo de seus elos, antes e depois da propriedade rural. O número total de pessoas que vão ganhar a seu sustento na cadeia produtiva do leite será maior, quão mais competitivo for o setor. Foi exatamente isso que aconteceu com a suinocultura no Sul do Brasil. Em duas décadas, o número de produtores de suínos caiu para menos de um terço e a produção triplicou. Milhares de pessoas hoje devem o seu emprego e seu ganha-pão graças a esse aumento de eficiência e competitividade. Essa revolução das carnes resultou em setores que hoje conseguem colocar seus produtos, mesmo produzidos em pequenas propriedades de agricultores familiares, em qualquer local do mundo onde existam consumidores.
OP Rural – O consumidor está mais exigente quanto a qualidade do leite?
AS – Sem dúvida. Os consumidores têm acesso a todo tipo de informação sobre os produtos que põem na mesa. A internet tornou todo processo de busca de informação mais rápido e transparente. O consumo responsável está ganhando força em todo mundo, de forma que o leite, para ter acesso ao mercado, terá que atender os princípios da sustentabilidade ambiental, social e econômica. A tolerância da sociedade para as externalidades da produção sobre o meio ambiente está cada vez menor. Além disso, os consumidores também estão cada vez mais atentos às questões de bem-estar animal. Nenhum animal pode ser submetido a qualquer tipo de sofrimento ou crueldade no processo produtivo, senão os consumidores rejeitarão os produtos.
OP Rural – É um desafio também para a indústria estes índices de alta qualidade do leite?
AS – É um desafio para toda cadeia produtiva. As novas INs 76 e 77 de 2018, que entraram em vigor no dia 30 de maio de 2019, trouxeram uma inovação em relação às INs 51 e 62, que tratavam da qualidade do leite cru anteriormente: agora estão previstas penalidades, inclusive, para o produtor de leite que pode ser suspenso se a qualidade mínima não for atingida. Como uma quantidade significativa do leite brasileiro ainda não atende aos padrões das novas INs, é natural que surjam dificuldades para superar as inconformidades e, ao mesmo tempo, abastecer o mercado com produtos lácteos. O Mapa está sensível às dificuldades e vai constituir um Conselho Técnico Consultivo, o CTC-Leite, justamente para administrar essa transição e ajudar a indústria láctea a superar os desafios da qualidade do leite. Além disso, o Plano de Competitividade do Leite Brasileiro vai criar incentivos para que a indústria desenvolva seus fornecedores, visando atingir os padrões de qualidade que o mercado global exige e assim tornar o Brasil um país exportador de lácteos.
OP Rural – O Brasil poderá, um dia, chegar a níveis de qualidade de países como Uruguai, Austrália e Nova Zelândia?
AS – Pode, mas não é um caminho fácil. Conheço bem as condições de produção da Nova Zelândia e da Austrália, pois vivi seis anos nesses dois países, onde fiz meu mestrado e doutorado, na área de produção animal. O clima ameno ajuda na preservação da qualidade do leite, mas principalmente, a estrutura produtiva e a escala maior viabilizam uma logística eficiente e padronizada, tanto na fazenda como no transporte. As propriedades rurais têm sistemas eficientes de refrigeração e conservação do leite e em função da grande escala, chega rapidamente na indústria. Um dos diferenciais é a utilização de sistemas de pré-resfriamento, que baixam a temperatura do leite imediatamente após a ordenha, não dando chances para as bactérias se multiplicarem. O leite neozelandês sai das propriedades com 31% a mais de sólidos do que o leite brasileiro, tomando a gordura e a proteína por referência. Isso significa 31% a mais de rendimento industrial, logo, mais valor em derivados. Eles atingiram esses índices investindo em melhoramento genético, alimentação e manejo. Temos condições de resolver nossos problemas da qualidade no Brasil, mas temos dificuldades bem maiores a superar do que esses países que já são grandes exportadores. Em contrapartida, temos aqui outras vantagens comparativas que podem ser transformadas em vantagens competitivas.
OP Rural – O Brasil ainda importa leite. Esta é uma situação que pode ser mudada e o país passar a exportar?
AS – Sim, os cenários do leite brasileiro indicam claramente que em cinco anos o país passará de importador líquido para exportador de lácteos. Para continuar crescendo sua produção no ritmo que vinha aumentando até 2016, em 2027 o Brasil terá que exportar em torno de 10% dos 47 bilhões de litros de produção anual que projetamos. Aliás, sem exportação, não tem solução para o leite brasileiro. Quando formos competitivos para exportar, também seremos capazes de rechaçar as importações por competitividade e não precisaremos mais de tarifas e taxas antidumping. Esse é o futuro do leite brasileiro. A era do aumento da produção para substituir as importações de leite no Brasil está chegando ao fim. Mas nesse processo de busca da competitividade internacional, haverá choro e ranger de dentes, haverá perdedores e ganhadores, porém, o resultado final será uma cadeia produtiva geradora de muitas riquezas, empregos e desenvolvimento, principalmente para a agricultura familiar.
OP Rural – Produzir o leite de melhor qualidade que está sendo exigido acarreta aumento nos custos de produção?
AS – Não, qualidade não é custo, é investimento. Produzir leite com mais qualidade vai exigir alguns investimentos a mais nas propriedades, mas os aumentos de produtividade e a valorização da produção compensam o desembolso. O custo de produção de leite no Brasil ainda é alto se comparado com a Nova Zelândia, país que atualmente é responsável por 40% de todas as exportações de lácteos do mundo. Nosso custo é maior pois a produtividade é baixa, a escala é pequena e com isso os custos fixos por litro produzido são altos. Leite de qualidade superior também rende mais dentro das fábricas, e por isso as indústrias terão que pagar o leite por qualidade. Leite bom tem que valer mais que leite ruim, tem que mexer no bolso. Em alguns anos, o pagamento do leite ao produtor não será mais por litro, e sim, por kg de sólidos. Afinal, menos de um terço do leite que os brasileiros consomem é na forma de leite fluído. Também não vamos exportar água, e sim, os sólidos do leite.
OP Rural – Quais são os desafios para o Brasil em alcançar mais qualidade?
AS – O principal desafio para melhorar a qualidade é fazer com que os agentes da cadeia produtiva entendam a importância e adotem efetivamente, mecanismos de fidelização e formalização das relações entre produtor e indústria. Uma vez que o produtor de leite estiver formalmente vinculado a uma indústria por contrato, ele receberá as garantias que precisa para investir na qualidade. A formalização das relações entre produtor e indústria nivela a qualidade para cima, de forma que, quem produz sabe para quem, quando, quanto, com que padrão deve produzir e recebe orientação técnica e insumos para isso. Por outro lado, a indústria terá a garantia da produção padronizada, com volumes e escalas definidas, e dessa forma poderá assumir contratos no mercado. Esse mecanismo cria sinergias em todos os elos da cadeia produtiva e entrega benefícios para todos os atores. Frangos, suínos e tabaco são exemplos de cadeias produtivas brasileiras de grande sucesso no mercado internacional, que têm em comum essa característica: os contratos. Quando o setor lácteo estiver operando dentro de diretrizes formais com suas características próprias, os parâmetros de qualidade como CBT, CCS, teor de sólidos, temperatura de resfriamento, ausência de zoonoses como brucelose e tuberculose, dentre outros, serão mais facilmente atingidos.
OP Rural – Qual seu conselho para a cadeia leiteira brasileira evoluir e produzir o leite de maior qualidade?
AS – Meu conselho parte da seguinte premissa: Toda vaca saudável dá leite bom. Nós estragamos o leite depois que o tiramos do úbere das vacas. Portanto, vacas saudáveis, higiene na ordenha e frio eficiente e rápido para a conservação são fundamentais. O leite é uma matéria-prima industrial da qual são fabricados centenas de produtos alimentares de grande valor nutricional e econômico. Esse leite é produzido por animais ruminantes, que são magníficas “máquinas” de converter biomassa vegetal, da qual nós humanos não nos alimentamos diretamente, em produtos que apreciamos muito nas nossas dietas. Essa biomassa é resultado da fotossíntese, e nesse quesito o Brasil é campeão, por termos aqui mais luz solar o ano todo e chuvas em abundância na maior parte do nosso território. Essa é a nossa vantagem comparativa em relação aos países de clima frio: o potencial para produzir mais de 30 toneladas de matéria seca de forragens por hectare por ano, o que permite produzir mais de 20 mil litros de leite. Os demais aspectos que determinam a qualidade do leite podem ser resolvidos com tecnologia e investimentos. Por isso meu conselho é que o setor público e o setor privado se unam numa estratégia objetiva para desenvolver a qualidade e competitividade do leite, aplicando simultaneamente incentivos para o leite de qualidade superior e penalidades para o leite ruim. Pagamento pela qualidade deve ser regra. Assim, utilizando a estratégia de “cenouras e chicotes” haverá uma melhoria contínua da qualidade do leite. A profissionalização dos produtores e indústrias requer investimentos em tecnologias, máquinas, equipamentos e isso só é possível com recursos acessíveis e eliminação das assimetrias tributárias com outros países produtores. O setor público precisa investir em infraestrutura, oferecendo estradas melhores, rede elétrica trifásica, acesso à internet no meio rural e uma atenção especial para a sanidade animal, pesquisa agropecuária e assistência técnica em parceria com o setor privado. Não devemos temer a modernização do setor.
OP Rural – É necessário o Brasil começar a agregar mais valor ao seu produto?
AS – Sim, principalmente para o mercado interno. Os brasileiros já consomem cerca de 170 litros de leite por habitante por ano, sendo cerca de 60 litros em forma de leite fluído e o restante em forma de derivados. Os futuros aumentos de consumo per capita se darão em forma de produtos de valor agregado e é dessa criatividade que depende a expansão do mercado. Na outra ponta, as exportações se darão majoritariamente em forma de commodities, como leite em pó, queijos e manteiga, embora haja espaço para exportar especialidades. O leite deve ser visto como uma matéria-prima industrial, da qual se faz, “inclusive alimentos”, tamanha é a diversidade de produtos que podem ser fabricados, com alto valor agregado.
OP Rural – O leite poderá ser um destaque do agronegócio assim com outras cadeias?
AS – O setor lácteo brasileiro tem muitos “bons problemas”, pois podem ser resolvidos com investimentos, tecnologia, organização e trabalho. Por isso sou muito otimista e acredito que o leite é um sério candidato a ser, em 10 anos, mais uma “estrela” do agronegócio brasileiro. Para fazer essa revolução, nos três estados da região Sul do Brasil os governadores criaram, em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira, da qual sou o atual coordenador geral.
Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2019 ou online.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Santa Catarina garante segurança para os produtores e excelência para a pecuária com Fundo de Sanidade Animal
Com indenizações rápidas e apoio ao abate sanitário, Fundesa ajuda a conter doenças, preservar mercados e manter o estado entre os líderes em sanidade animal.

Por trás dos índices que colocam Santa Catarina entre os estados com melhor status sanitário do país, existe uma ferramenta fundamental para garantir a saúde dos rebanhos e a continuidade da produção rural: o Fundo Estadual de Sanidade Animal (Fundesa), executado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), em conjunto com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).

Foto: Divulgação
Mais do que indenizar produtores, o fundo dá segurança para que medidas sanitárias rigorosas sejam adotadas, protegendo a pecuária catarinense, a saúde pública e os mercados que reconhecem a qualidade da produção do estado.
O Fundesa garante a indenização de produtores que precisam realizar o abate sanitário de animais acometidos por doenças previstas nos programas oficiais de controle sanitário, entre elas predominantemente brucelose e tuberculose bovina. A indenização é calculada individualmente com base no valor de mercado de abate de cada animal e os recursos são liberados de forma ágil, permitindo a recomposição do rebanho e a continuidade da atividade produtiva.
Com isso, o fundo reduz os impactos econômicos ao produtor e fortalece as ações de controle sanitário em Santa

Secretário da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina, Admir Dalla Cort: “O Fundesa é fundamental para a manutenção do elevado status sanitário de Santa Catarina” – Foto: Divulgação
Catarina. “O Fundesa é fundamental para a manutenção do elevado status sanitário de Santa Catarina. Ao mesmo tempo em que fortalece o controle de doenças e protege a saúde pública, garante ao produtor o apoio necessário para recompor sua atividade e continuar produzindo com segurança”, ressalta o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.
A importância do Fundo pode ser vista na experiência do produtor Daniel Michels, de Braço do Norte. Após a confirmação de tuberculose no rebanho há três anos, 52 animais precisaram ser sacrificados para garantir a segurança sanitária da propriedade e da cadeia produtiva.
O que poderia representar o fim da atividade leiteira se transformou em um recomeço. Com a indenização recebida por meio do Fundesa e o acompanhamento técnico da Cidasc, a família conseguiu repor os animais e seguir produzindo. “Se não tivesse esse auxílio, não estaria mais na atividade. Com esse apoio pelos animais que perdi e com o recursos do Fundesa, deu para começar a atividade de novo”, relata Daniel Michels.
Em 2025 foram indenizados 4.865 animais, totalizando cerca de R$ 20 milhões em recursos. Os produtores rurais que tiverem a confirmação ou suspeita de doenças de notificação obrigatória devem comunicar imediatamente a Cidasc. A partir desse registro, os técnicos orientam sobre os procedimentos sanitários, a documentação necessária e a abertura do processo para o abate sanitário e a indenização por meio do Fundesa.
Nota máxima em segurança
Os resultados comprovam a importância desse trabalho. Santa Catarina apresenta a menor incidência de brucelose bovina do país e está entre os estados com menor incidência de tuberculose bovina. O Estado possui nota máxima na classificação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para o grau de risco de brucelose e tuberculose bovina, resultado de uma atuação conjunta entre os produtores rurais com o trabalho em campo da Cidasc. “A redução da incidência destas duas zoonoses no rebanho catarinense é o resultado do trabalho da atual geração de profissionais

Foto: Fabiano Bastos
da Cidasc, que se soma a tantas conquistas históricas, como o pioneirismo na retirada da vacinação e no controle absoluto da febre aftosa no estado. O Fundesa é uma política pública catarinense, que todo estado brasileiro deseja disponibilizar ao produtor rural, e o Governo do Estado garante esse recurso e o mantém em dia, fazendo-o chegar às mãos do produtor rural mais rápido do que jamais chegou. Muitos estados vêm à Santa Catarina verificar como funciona esse benefício”, afirma a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.
Além disso, Santa Catarina já conta com mais de 3 mil propriedades certificadas pela Cidasc como livres de brucelose e tuberculose, reforçando a credibilidade da pecuária catarinense e a confiança dos mercados consumidores. “Todo foco de brucelose e tuberculose identificado passa por saneamento obrigatório e, nesse momento, o Fundesa é fundamental para dar suporte ao produtor. A indenização permite que as medidas sanitárias sejam adotadas com rapidez e segurança, favorecendo o controle das doenças e a continuidade da atividade produtiva nas propriedades rurais”, explica a diretora de Qualidade e Defesa Agropecuária, Daniela Carneiro do Carmo.
Bovinos / Grãos / Máquinas Em Presidente Prudente (SP)
Feicorte 2026 começa nesta terça-feira com genética, negócios e debates internacionais
Maior feira da cadeia da carne da América Latina reúne lideranças do setor, pesquisadores e investidores para discutir genética, sustentabilidade, tecnologia e oportunidades de mercado.

Começa nesta terça-feira (23) a edição 2026 da Feicorte – Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, em Presidente Prudente (SP). A feira chega a sua terceira edição consecutiva realizada na maior região pecuária do estado de São Paulo, que abriga um rebanho de 1,6 milhão de cabeças, transformando o Recinto de Exposições Jacob Tosello no principal polo de tecnologia, negócios, gastronomia e genética do setor na América Latina. O evento estende-se até o dia 26 de junho.

Foto: Divulgação
Como um aquecimento oficial para as atividades de campo e de mercado, o domingo (22) foi marcado pela realização da 1ª Feicorte Run Sportime. A corrida e a caminhada mobilizaram cerca de 700 inscritos, conectando ambiente produtivo ao cenário urbano, promovendo a saudabilidade associada ao consumo de proteína animal de qualidade. Na chegada, os participantes puderam degustar diversos tipos de churrasco.
O embaixador da corrida e ultratriatleta Alessandro Medeiros elogiou a iniciativa de alinhar a atividade física ao consumo de “comida de verdade”. “A proteína animal é o combustível essencial para quem busca alto rendimento no esporte e qualidade de vida, mostrando na prática que a carne e a atividade física andam juntas”, afirmou.

Foto: Divulgação
Complementando a visão de busca por alta performance, a nutricionista Letícia Moreira apontou que a saúde representa o elo que faltava para conectar o campo à mesa do consumidor. “Nosso papel é desmistificar a proteína animal e mostrar que ela possui maior densidade nutricional e biodisponibilidade, sendo superior para o organismo”, explicou a profissional.
O embaixador da Feicorte 2026 e presidente da Associação de Confinadores do Brasil (Assocon), Maurício Velloso, classificou a iniciativa como uma celebração cujo propósito foi amarrar a excelência do processo produtivo rural à saúde humana. “A carne bovina confere uma disposição extraordinária ao organismo e é fundamental utilizarmos canais dinâmicos para divulgar de forma ampla o seu poder nutricional”, destacou Velloso.
A diretora da Sportime, Raiany Bagli, celebrou a oportunidade de associar a marca à grandiosidade institucional da feira: “Sabemos que a Feicorte é muito grande e bem conhecida. Por isso, foi um prazer estar aqui nessa estrutura tão bem-organizada”, enalteceu.
O fundador da B3 Eventos Esportivos, Bruno Perosso, complementou: “Essa parceria nos permitiu

Foto: Divulgação
transmitir a mensagem clara de que a alta performance na corrida depende diretamente de uma nutrição de qualidade baseada em proteínas de alto valor biológico”, frisou.
Para a CEO da Verum, organizadora da Feicorte, Carla Tuccilio, trazer a cadeia produtiva para junto de atletas e da juventude representa a realização de um objetivo institucional. “Unir a carne ao esporte e à saúde mostra que a nossa proteína é fundamental, além de ajudar a contar para a sociedade que a nossa pecuária é sustentável, rentável e repleta de projetos maravilhosos”, destacou.
Endossando o papel de conscientização da feira, o presidente do Instituto Brasileiro de Inovação, Cultura e Qualidade do Agro e Pecuária (Ibiqpec), Ailton Barbosa, também organizador da feira, reforçou o impacto de aproximar o público urbano do setor produtivo. “A Feicorte cumpre uma missão essencial ao liderar essa conexão entre a saúde e a proteína animal, abrindo as portas da

Foto: Shutterstock
cadeia da carne para que toda a sociedade compreenda de perto o valor nutricional e a qualidade do que produzimos no campo”, salientou Barbosa.
Beef Hour das Raças
A grande estrela gastronômica da Feicorte ganha uma proporção inédita nesta edição, ampliando sua vitrine de cortes para apresentar o resultado do melhoramento genético nacional. A Beef Hour das Raças, marcada para o primeiro dia de evento, reunirá nove estações de churrasco para oferecer ao público e a comitivas internacionais uma experiência sensorial completa com a degustação de cortes de 17 raças.
Viabilizada em parceria direta com associações nacionais de criadores de todo o País, a iniciativa evidenciará a excelência da proteína animal brasileira. O time que compõe as degustações contempla cortes selecionados de animais das raças Nelore, Tabapuã, Brahman, Sindi, Gir, Guzerá, Brangus, Senepol, Angus, Bonsmara, Montana, Wagyu, Caracu, Texas Longhorn e Canchim. Rompendo as fronteiras da edição passada, a grande novidade deste ano fica por conta da introdução de estações de carne de búfalo e de cordeiro da raça Suffolk, mostrando o potencial de

Foto: Divulgação
cortes especiais para atender aos paladares mais exigentes.
Cerimônia de abertura
A solenidade que marca a abertura do evento será realizada nesta terça-feira (23), às 15h10, no palco da Arena Feicorte, onde são realizadas as palestras. A cerimônia reunirá as principais lideranças setoriais, representantes de entidades e do Executivo e Legislativo.
Estão confirmadas as presenças do governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas; do secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho; do secretário executivo da pasta, Diógenes Kassaoka; e do presidente do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP), Lucas Bressanin.
A solenidade também terá a participação do senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro e do deputado federal e pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite, além de deputados, prefeitos da região e outras autoridades.

Foto: Divulgação
A lotação da Arena Feicorte é limitada e, por motivos de segurança, o acesso ao espaço será bloqueado quando a lotação máxima for atingida.
Palestrantes nacionais e internacionais integram fórum
O ciclo de debates deste ano será norteado pelo tema central “O Boi Brasileiro: Um Mundo de Oportunidades”, desenhado para evidenciar a eficiência, a sustentabilidade tropical e o protagonismo exportador do País. A programação traz especialistas nacionais e internacionais que analisarão cenários do pasto ao prato.
Entre os destaques internacionais estão o diretor de Serviços para a América Latina e Desenvolvimento de Negócios da TELUS Agriculture, Luis Burciaga-Robles, do Canadá; o consultor e pesquisador Conrad Coetzer, da África do Sul; o especialista em genética molecular e edição gênica da Acceligen, Tad Sonstegard, dos EUA; e o sócio diretivo da empresa ganadera Condomínio Valente Gomes, Eugênio Valente Gomes, do Paraguai.
A grade de palestrantes nacionais reúne temas estratégicos divididos entre cria, recria, engorda,

Foto: Divulgação
avaliação de carcaça por ultrassonografia, sustentabilidade e mercado. Já o painel “O DNA Feminino da Carne”, formado integralmente por palestrantes femininas no primeiro dia do evento, será voltado à valorização da carne vermelha e à inovação em toda a cadeia, conectando a tecnologia rural à percepção do consumidor final.
Shopping Seleção Feicorte eleva qualidade dos negócios
Como principal novidade comercial para a edição de 2026, a feira introduz o Shopping Seleção Feicorte. Realizada em parceria estratégica com a Central Leilões, a plataforma funciona como uma vitrine de negócios contínuos dentro do recinto, focada na comercialização direta de animais de elite, touros contratados, doadoras e pacotes genéticos de alto valor de mercado.
A iniciativa reúne associações de raça e criatórios de referência de linhagens zebuínas e europeias, servindo como ponto de encontro para investidores que buscam incremento em produtividade, fertilidade e rusticidade.

Foto: Divulgação
O espaço foi projetado para facilitar o intercâmbio técnico e comercial, permitindo que produtores avaliem dados científicos de carcaça e conformação frigorífica antes das tomadas de decisão, consolidando o papel da feira como geradora de receita para a pecuária nacional.
Espaço Origens expõe produção artesanal paulista
A diversidade cultural e a riqueza gastronômica do estado de São Paulo ocupam posição de destaque com o retorno do Espaço Origens. A área é reservada ao melhor da produção de pequenos e médios empreendedores paulistas, permitindo ao público adquirir e aproveitar degustações e harmonizações
Viabilizado em parceria com o Sebrae e a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo (SETUR), o pavilhão oferece uma imersão sensoria. Os visitantes poderão conhecer e comprar uma variedade de produtos paulistas que incluem queijos finos e artesanais, derivados de leite de búfala, embutidos premium e charcutaria especializada.
O espaço contempla ainda a exposição de cachaças de alambique pertencentes às rotas oficiais do estado, licores, doces tradicionais, mel, além de artigos utilitários como fivelas, biojoias contemporâneas, cutelaria e peças confeccionadas em couro legítimo.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Prêmio Queijos do Paraná consolida Estado como referência nacional em lácteos
Com expectativa de superar 600 produtos inscritos, iniciativa valoriza produtores, amplia o reconhecimento dos queijos paranaenses e lança concurso inédito dedicado ao tradicional queijo colonial.

O Paraná tem construído, nos últimos anos, algo que vai além da produção de leite e derivados: uma identidade queijeira própria. Parte dessa transformação passa pelo Prêmio Queijos do Paraná, iniciativa que valoriza produtores, estimula a qualidade dos produtos estaduais e consolida a presença paranaense no cenário nacional e mundial.

Foto: Divulgação
A premiação é organizada por um comitê gestor formado pelo Sistema Faep, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PR), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Paraná (Senac-PR) e Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite-PR).
O crescimento da premiação ao longo das duas primeiras edições evidencia esse movimento. Em 2023, quando o concurso ocorreu pela primeira vez, 291 queijos participaram. Já em 2025, o número saltou para 477, aumento de 64%. Para a terceira edição, a expectativa é alcançar mais de 600 queijos inscritos. “O Paraná sempre teve uma produção extremamente qualificada, mas que precisava ser mais valorizada e reconhecida. O prêmio surgiu justamente para fortalecer essa cadeia, agregando valor e mostrando ao consumidor que os nossos queijos estão entre os melhores do Brasil e do mundo”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Hoje tem produtor investindo em qualidade, identidade e aperfeiçoamento técnico porque compreende que existe um mercado cada vez mais interessado nesses produtos”, complementa.
A avaliação dos produtos lácteos é baseada em análise sensorial, metodologia científica utilizada internacionalmente para controle e avaliação de alimentos. “Os

Foto: Divulgação
jurados avaliam a aparência, textura, sabor e aroma dos produtos. É uma metodologia utilizada pela indústria alimentícia para controle de qualidade, mas também serve para compreender sensorialmente aquele alimento e identificar suas características. O prêmio traz justamente essa oportunidade de reconhecer um queijo que possui excelência”, explica Luciana Matsuguma, técnica do Departamento Técnico e econômico do Sistema Faep.
O lançamento oficial da terceira edição está marcado para o dia 23 de junho, no Mercado Municipal de Curitiba. Na mesma data abre o período de inscrição para o Prêmio Queijos do Paraná e também para o inédito Concurso Queijo Colonial do Paraná.
Expectativa de recorde
A organização trabalha para a maior edição já realizada do Prêmio Queijos do Paraná. Além da expectativa de 600 queijos inscritos no prêmio principal, a terceira edição contará com o Concurso Queijo Colonial do Paraná, voltado exclusivamente ao queijo colonial tradicional paranaense com uma avaliação considerando critérios mais amplos. “Vamos trabalhar com três avaliações diferentes. A primeira é a análise sensorial in natura. A segunda será a versatilidade gastronômica, avaliando harmonização com bebidas alcoólicas e não alcoólicas e também o comportamento desse queijo em preparações gastronômicas. E a terceira avaliação será a história, origem, tradição e histórico de produção”, explica a técnica do Sistema Faep.

Foto: Divulgação
O concurso terá regras específicas para preservar a identidade tradicional do queijo colonial. Os três melhores queijos coloniais receberão destaque especial na premiação. “O queijo colonial inscrito deverá ser tradicional, sem adição de outro tipo de leite ou de condimentos. O objetivo é justamente valorizar a identidade original desse produto tão característico do Paraná”, afirma Luciana.
A programação da terceira edição também prevê palestras técnicas, minicursos, mesas-redondas, harmonizações gastronômicas e a participação estimada de cerca de 1,2 mil pessoas durante o evento técnico principal, marcado para os dias 02 e 03 de junho de 2027, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
Lançamento do livro dos queijos medalhistas da 2ª edição
O lançamento da 3ª edição do Prêmio Queijos do Paraná também marcará outro momento simbólico para o setor: a apresentação do livro oficial da segunda edição do prêmio. A publicação reúne a trajetória da premiação, informações dos queijos medalhistas e conteúdos técnicos relacionados à cadeia leiteira e à produção de lácteos no Estado. “A ideia do livro, em cada edição, é registrar essa evolução da identidade queijeira do Paraná. É uma forma concreta de eternizar essa história, mostrar como os produtos evoluíram ao longo das edições e valorizar os produtores que estão construindo essa identidade do Estado”, destaca Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.
A ideia do livro, em cada edição, é registrar a evolução da identidade queijeira do Paraná, além de reunir informações dos queijos medalhistas. A versão digital do

Foto: Carlos Barbosa
livro já está disponível gratuitamente aqui.
Premiação registra evolução ao longo dos anos
Na primeira edição, realizada em 2022 e 2023, o concurso contou com 291 queijos participantes nas 14 categorias, representando 90 competidores de 62 municípios paranaenses. Ao todo, 98 produtos foram medalhistas, sendo 10 medalhas Super Ouro, 30 medalhas Ouro, 30 Prata e 28 Bronze.
Além da competição, a edição teve 24 horas de treinamento para jurados, cinco oficinas técnicas, 452 participantes presenciais e 60 jurados selecionados.
Já na segunda edição, realizada em 2024 e 2025, a premiação ampliou o seu alcance. O evento reuniu 477 queijos participantes, representando 105 competidores de 77 municípios do Estado. O número de categorias aumentou para 21.
A estrutura técnica também cresceu. Foram 30 horas de treinamento, nove oficinas técnicas, 500 participantes no evento e 80 jurados selecionados entre 200 treinados. Ao todo, 75 produtos receberam premiações, sendo 10 medalhas Super Ouro, 15 Ouro, 20 Prata e 30 Bronze.
A edição de 2025 ainda trouxe o Concurso Excelência em Muçarela, com 33 queijos participantes e cinco premiados.



