Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas Em 10 anos

“Leite vai ser mais uma estrela do agronegócio brasileiro”, crava Spies

Spies falou sobre os desafios do pecuarista, como está o setor leiteiro no Brasil e o que esperar para os próximos anos

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

O setor lácteo brasileiro ainda tem muitos desafios para enfrentar. Atender as novas exigências da qualidade do leite, atender as demandas do consumidor, produzir a quantidade para a atividade ter a lucratividade necessária, reduzir o uso de recursos naturais e impactos ambientais. Estes são somente alguns dos pontos pelos quais os produtores deverão se atentar se quiserem continuar na atividade. Muito além disso, o setor lácteo brasileiro precisa ainda ganhar espaço, agregar valor no seu produto e começar a exportar. O engenheiro agrônomo e coordenador geral da Aliança Láctea Sul-Brasileira, doutor Airton Spies, conversou com a equipe do Jornal O Presente Rural e contou um pouco quais são os desafios do pecuarista, como está o setor leiteiro no Brasil e o que esperar para os próximos anos. Boa leitura.

O Presente Rural (OP Rural) – É um desafio para o produtor brasileiro alcançar o leite de alta qualidade que atualmente está sendo exigido?

Airton Spies (AS) – Sim, atingir os padrões de qualidade do leite ideal no Brasil, aquele que está previsto nas Instruções Normativas 76 e 77 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é um grande desafio. Aqui temos uma produção muito pulverizada em pequenas propriedades, muito heterogênea, o clima é quente e a infraestrutura é precária para resfriamento e transporte do leite até as indústrias. As novas INs são instrumentos muito positivos para conduzir a produção brasileira na direção certa: uma melhoria contínua na qualidade para nos tornarmos competitivos para exportar lácteos e competir com os melhores do mundo. Mas é um caminho longo e temos que fazer as transformações gradativamente, aplicando incentivos para o leite bom e penalidades para o leite ruim.

OP Rural – A sobrevivência na atividade está relacionada com qualidade?

AS – A produção brasileira é quase toda consumida no mercado interno, o país exporta menos de 1% do total de 35 bilhões de litros produzidos anualmente. Os consumidores brasileiros estão cada vez mais exigentes em termos de qualidade e segurança dos produtos lácteos que compram, demandando inclusive certificações para tal.  Portanto, o mercado de leite com mais qualidade é fundamental para quem quiser sobreviver no setor, que está cada vez mais orientado pela livre concorrência e regras de mercado. Para os produtores, o leite deve ser visto como uma matéria-prima industrial, cujo rendimento em derivados depende, não só de contagem de colônias formadoras de bactérias (CBT) e contagem de células somáticas (CCS), mas também de percentuais de sólidos, gordura, proteína e caseína, dos quais são fabricados a maioria dos produtos lácteos consumidos.

OP Rural – O que podemos esperar para a produção de leite para os próximos anos?

AS – O setor lácteo brasileiro está passando por uma grande revolução. Melhorias em todos os aspectos estão acontecendo rapidamente. Através da assistência técnica, os produtores de leite estão se profissionalizando, aplicando modernos princípios agronômicos para produzir mais pastagens e biomassa de boa qualidade, que forma a base da alimentação dos rebanhos de gado leiteiro. Com as melhorias zootécnicas e com a genética mais aprimorada, a produtividade está aumentando, tanto por vaca como por hectare. Os sistemas de manejo, ordenha e conservação do leite estão sendo aprimorados e mudando o setor para melhor. No entanto, o setor ainda é muito desnivelado. Já temos produtores com desempenho excelente, enquanto a maioria ainda tem muito dever de casa por fazer para ser competitivo com os padrões do leite do futuro, aquele que conseguirá competir de igual para igual com os melhores do mundo. Vai ocorrer um “nivelamento para cima” em termos de desempenho, que eliminará as ineficiências, os desperdícios e os custos ociosos da cadeia produtiva.

OP Rural – Aqueles que não alcançarem os índices de qualidade que são exigidos, o que acontecerá com eles?

AS – O mercado é seletivo e excludente. Na medida em que os padrões de desempenho, tanto de qualidade, como de custo de produção vão evoluindo para melhor, para produtores que não conseguirem acompanhar essa evolução, provavelmente, produzir leite deixará de ser uma atividade viável. O setor lácteo brasileiro já apresenta algumas tendências bem definidas. Uma delas é a redução do número de produtores de leite. Segundo o IBGE, o país conta com cerca de 1,2 milhão de produtores de leite, dos quais, 633 mil entregam leite regularmente para as indústrias. Desse total, 67% ainda produzem menos de 250 litros por dia e apenas 5% entregam mais de mil litros por dia. Os produtores com menos de 100 litros por dia deixarão de ser atrativos para a indústria, uma vez que a logística de coleta se torna excessivamente cara.

A exclusão de parte dos produtores menos eficientes não significa necessariamente uma tragédia socioeconômica. Na medida em que o setor se torna mais competitivo para exportar, o volume total produzido no Brasil aumentará e com isso a cadeia produtiva abrirá inúmeras novas oportunidades de emprego e renda ao longo de seus elos, antes e depois da propriedade rural. O número total de pessoas que vão ganhar a seu sustento na cadeia produtiva do leite será maior, quão mais competitivo for o setor. Foi exatamente isso que aconteceu com a suinocultura no Sul do Brasil. Em duas décadas, o número de produtores de suínos caiu para menos de um terço e a produção triplicou. Milhares de pessoas hoje devem o seu emprego e seu ganha-pão graças a esse aumento de eficiência e competitividade. Essa revolução das carnes resultou em setores que hoje conseguem colocar seus produtos, mesmo produzidos em pequenas propriedades de agricultores familiares, em qualquer local do mundo onde existam consumidores.

OP Rural – O consumidor está mais exigente quanto a qualidade do leite?

AS – Sem dúvida. Os consumidores têm acesso a todo tipo de informação sobre os produtos que põem na mesa. A internet tornou todo processo de busca de informação mais rápido e transparente. O consumo responsável está ganhando força em todo mundo, de forma que o leite, para ter acesso ao mercado, terá que atender os princípios da sustentabilidade ambiental, social e econômica. A tolerância da sociedade para as externalidades da produção sobre o meio ambiente está cada vez menor. Além disso, os consumidores também estão cada vez mais atentos às questões de bem-estar animal. Nenhum animal pode ser submetido a qualquer tipo de sofrimento ou crueldade no processo produtivo, senão os consumidores rejeitarão os produtos.

OP Rural – É um desafio também para a indústria estes índices de alta qualidade do leite?

AS – É um desafio para toda cadeia produtiva. As novas INs 76 e 77 de 2018, que entraram em vigor no dia 30 de maio de 2019, trouxeram uma inovação em relação às INs 51 e 62, que tratavam da qualidade do leite cru anteriormente: agora estão previstas penalidades, inclusive, para o produtor de leite que pode ser suspenso se a qualidade mínima não for atingida. Como uma quantidade significativa do leite brasileiro ainda não atende aos padrões das novas INs, é natural que surjam dificuldades para superar as inconformidades e, ao mesmo tempo, abastecer o mercado com produtos lácteos. O Mapa está sensível às dificuldades e vai constituir um Conselho Técnico Consultivo, o CTC-Leite, justamente para administrar essa transição e ajudar a indústria láctea a superar os desafios da qualidade do leite. Além disso, o Plano de Competitividade do Leite Brasileiro vai criar incentivos para que a indústria desenvolva seus fornecedores, visando atingir os padrões de qualidade que o mercado global exige e assim tornar o Brasil um país exportador de lácteos.

OP Rural – O Brasil poderá, um dia, chegar a níveis de qualidade de países como Uruguai, Austrália e Nova Zelândia?

AS – Pode, mas não é um caminho fácil. Conheço bem as condições de produção da Nova Zelândia e da Austrália, pois vivi seis anos nesses dois países, onde fiz meu mestrado e doutorado, na área de produção animal. O clima ameno ajuda na preservação da qualidade do leite, mas principalmente, a estrutura produtiva e a escala maior viabilizam uma logística eficiente e padronizada, tanto na fazenda como no transporte. As propriedades rurais têm sistemas eficientes de refrigeração e conservação do leite e em função da grande escala, chega rapidamente na indústria. Um dos diferenciais é a utilização de sistemas de pré-resfriamento, que baixam a temperatura do leite imediatamente após a ordenha, não dando chances para as bactérias se multiplicarem. O leite neozelandês sai das propriedades com 31% a mais de sólidos do que o leite brasileiro, tomando a gordura e a proteína por referência. Isso significa 31% a mais de rendimento industrial, logo, mais valor em derivados. Eles atingiram esses índices investindo em melhoramento genético, alimentação e manejo. Temos condições de resolver nossos problemas da qualidade no Brasil, mas temos dificuldades bem maiores a superar do que esses países que já são grandes exportadores. Em contrapartida, temos aqui outras vantagens comparativas que podem ser transformadas em vantagens competitivas.

OP Rural – O Brasil ainda importa leite. Esta é uma situação que pode ser mudada e o país passar a exportar?

AS – Sim, os cenários do leite brasileiro indicam claramente que em cinco anos o país passará de importador líquido para exportador de lácteos. Para continuar crescendo sua produção no ritmo que vinha aumentando até 2016, em 2027 o Brasil terá que exportar em torno de 10% dos 47 bilhões de litros de produção anual que projetamos. Aliás, sem exportação, não tem solução para o leite brasileiro. Quando formos competitivos para exportar, também seremos capazes de rechaçar as importações por competitividade e não precisaremos mais de tarifas e taxas antidumping. Esse é o futuro do leite brasileiro. A era do aumento da produção para substituir as importações de leite no Brasil está chegando ao fim. Mas nesse processo de busca da competitividade internacional, haverá choro e ranger de dentes, haverá perdedores e ganhadores, porém, o resultado final será uma cadeia produtiva geradora de muitas riquezas, empregos e desenvolvimento, principalmente para a agricultura familiar.

OP Rural – Produzir o leite de melhor qualidade que está sendo exigido acarreta aumento nos custos de produção?

AS – Não, qualidade não é custo, é investimento. Produzir leite com mais qualidade vai exigir alguns investimentos a mais nas propriedades, mas os aumentos de produtividade e a valorização da produção compensam o desembolso. O custo de produção de leite no Brasil ainda é alto se comparado com a Nova Zelândia, país que atualmente é responsável por 40% de todas as exportações de lácteos do mundo. Nosso custo é maior pois a produtividade é baixa, a escala é pequena e com isso os custos fixos por litro produzido são altos. Leite de qualidade superior também rende mais dentro das fábricas, e por isso as indústrias terão que pagar o leite por qualidade. Leite bom tem que valer mais que leite ruim, tem que mexer no bolso. Em alguns anos, o pagamento do leite ao produtor não será mais por litro, e sim, por kg de sólidos. Afinal, menos de um terço do leite que os brasileiros consomem é na forma de leite fluído. Também não vamos exportar água, e sim, os sólidos do leite.

OP Rural – Quais são os desafios para o Brasil em alcançar mais qualidade?

AS – O principal desafio para melhorar a qualidade é fazer com que os agentes da cadeia produtiva entendam a importância e adotem efetivamente, mecanismos de fidelização e formalização das relações entre produtor e indústria. Uma vez que o produtor de leite estiver formalmente vinculado a uma indústria por contrato, ele receberá as garantias que precisa para investir na qualidade. A formalização das relações entre produtor e indústria nivela a qualidade para cima, de forma que, quem produz sabe para quem, quando, quanto, com que padrão deve produzir e recebe orientação técnica e insumos para isso. Por outro lado, a indústria terá a garantia da produção padronizada, com volumes e escalas definidas, e dessa forma poderá assumir contratos no mercado. Esse mecanismo cria sinergias em todos os elos da cadeia produtiva e entrega benefícios para todos os atores. Frangos, suínos e tabaco são exemplos de cadeias produtivas brasileiras de grande sucesso no mercado internacional, que têm em comum essa característica: os contratos. Quando o setor lácteo estiver operando dentro de diretrizes formais com suas características próprias, os parâmetros de qualidade como CBT, CCS, teor de sólidos, temperatura de resfriamento, ausência de zoonoses como brucelose e tuberculose, dentre outros, serão mais facilmente atingidos.

OP Rural – Qual seu conselho para a cadeia leiteira brasileira evoluir e produzir o leite de maior qualidade?

AS – Meu conselho parte da seguinte premissa: Toda vaca saudável dá leite bom. Nós estragamos o leite depois que o tiramos do úbere das vacas. Portanto, vacas saudáveis, higiene na ordenha e frio eficiente e rápido para a conservação são fundamentais. O leite é uma matéria-prima industrial da qual são fabricados centenas de produtos alimentares de grande valor nutricional e econômico. Esse leite é produzido por animais ruminantes, que são magníficas “máquinas” de converter biomassa vegetal, da qual nós humanos não nos alimentamos diretamente, em produtos que apreciamos muito nas nossas dietas. Essa biomassa é resultado da fotossíntese, e nesse quesito o Brasil é campeão, por termos aqui mais luz solar o ano todo e chuvas em abundância na maior parte do nosso território. Essa é a nossa vantagem comparativa em relação aos países de clima frio: o potencial para produzir mais de 30 toneladas de matéria seca de forragens por hectare por ano, o que permite produzir mais de 20 mil litros de leite. Os demais aspectos que determinam a qualidade do leite podem ser resolvidos com tecnologia e investimentos. Por isso meu conselho é que o setor público e o setor privado se unam numa estratégia objetiva para desenvolver a qualidade e competitividade do leite, aplicando simultaneamente incentivos para o leite de qualidade superior e penalidades para o leite ruim. Pagamento pela qualidade deve ser regra. Assim, utilizando a estratégia de “cenouras e chicotes” haverá uma melhoria contínua da qualidade do leite. A profissionalização dos produtores e indústrias requer investimentos em tecnologias, máquinas, equipamentos e isso só é possível com recursos acessíveis e eliminação das assimetrias tributárias com outros países produtores. O setor público precisa investir em infraestrutura, oferecendo estradas melhores, rede elétrica trifásica, acesso à internet no meio rural e uma atenção especial para a sanidade animal, pesquisa agropecuária e assistência técnica em parceria com o setor privado. Não devemos temer a modernização do setor.

OP Rural – É necessário o Brasil começar a agregar mais valor ao seu produto?

AS – Sim, principalmente para o mercado interno. Os brasileiros já consomem cerca de 170 litros de leite por habitante por ano, sendo cerca de 60 litros em forma de leite fluído e o restante em forma de derivados. Os futuros aumentos de consumo per capita se darão em forma de produtos de valor agregado e é dessa criatividade que depende a expansão do mercado. Na outra ponta, as exportações se darão majoritariamente em forma de commodities, como leite em pó, queijos e manteiga, embora haja espaço para exportar especialidades. O leite deve ser visto como uma matéria-prima industrial, da qual se faz, “inclusive alimentos”, tamanha é a diversidade de produtos que podem ser fabricados, com alto valor agregado.

OP Rural – O leite poderá ser um destaque do agronegócio assim com outras cadeias?

AS – O setor lácteo brasileiro tem muitos “bons problemas”, pois podem ser resolvidos com investimentos, tecnologia, organização e trabalho. Por isso sou muito otimista e acredito que o leite é um sério candidato a ser, em 10 anos, mais uma “estrela” do agronegócio brasileiro. Para fazer essa revolução, nos três estados da região Sul do Brasil os governadores criaram, em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira, da qual sou o atual coordenador geral.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezoito + 17 =

Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Suplementação de metionina: potencializando os resultados no teor de sólidos no leite

Suplementação se faz necessária para que animal, cada vez mais produtivo e com maior exigência nutricional, atinja seu total potencial de produção

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pela equipe técnica da Novus

A suplementação com metionina para ruminantes traz benefícios ao desempenho animal, melhorando produção de leite e teor de sólidos pelo adequado balanceamento de aminoácidos. Sabe-se que a metionina é o principal aminoácido limitante à produção animal. A maioria dos alimentos fornecidos aos animais no Brasil não possuem níveis adequados de metionina para atender à real exigência dos animais. Com isto, a suplementação se faz necessária para que o animal, cada vez mais produtivo e com maior exigência nutricional, atinja seu total potencial de produção. Além disso, a suplementação com metionina auxilia na redução da incidência de distúrbios metabólicos no período de transição e início de lactação de vacas de alta produção, trazendo grandes benefícios para saúde e reprodução dos animais.

Diversas fontes de metionina estão disponíveis no mercado, sendo o HMTBa (metionina hidróxi-análoga) uma das mais estudadas por grupos de pesquisa pelo mundo. Portanto, possui comprovada eficiência, além de melhor custo:benefício para aumento de produção e sólidos do leite. O HMTBa é uma molécula que além de aumentar o teor de proteína do leite, também eleva o teor de gordura do leite ou mantém seu nível em dietas de alto risco. É o que demonstram estudos publicados recentemente no Journal of Dairy Science, em parceria com a Pennsylvania State University. No 1º estudo, foi testada a resposta de HMTBa (inclusão a 0,1% na MS) no teor de gordura do leite, mediante o fornecimento de dietas de baixo, moderado e alto risco para a queda na gordura do leite. Até os primeiros 28 dias do experimento, foi fornecida dieta de baixo risco (adequada inclusão de fibra e baixa inclusão de ácidos graxos insaturados), sendo que neste período não houve diferenças com o uso de HMTBa. No entanto, após o início do fornecimento de dietas com menor teor de fibra e maior inclusão de ácidos graxos insaturados, houve melhoras significativas na manutenção do teor de gordura do leite com o uso da molécula, chegando a aumento de 0,8 pontos percentuais. O 2º estudo realizado testou novamente níveis nutricionais arriscados para a indução da queda da gordura do leite, demonstrando resultados positivos com a utilização de HMTBa a 0,1% de inclusão na MS.

A razão para este efeito está na utilização parcial do HMTBa pela microbiota ruminal, o que aumenta a síntese de proteína microbiana. Desta maneira, os autores relatam que o aumento na microbiota ruminal auxilia a manter a via de biohidrogenação normal no rúmen, reduzindo a formação de C18 trans-10, metabólito trans intermediário indesejado relacionado com a queda da gordura do leite. Também ocorre aumento de bactérias celulolíticas, melhorando a digestibilidade da fibra principalmente, o que pode ser um mecanismo auxiliar para manter a gordura do leite por aumento na proporção de acetato e butirato ruminais, precursores da síntese de gordura no leite.

Uma série de estudos relata que parte do HMTBa já começa a ser utilizado no rúmen, sendo absorvido na parede ruminal ou utilizado pela microbiota, enquanto outra porção tem by-pass variando de 40-63% conforme a taxa de passagem de cada animal. Ou seja, 40-63% de HMTBa chega até o intestino e é absorvido como metionina, enquanto uma porção é utilizado pelas bactérias ruminais, aumentando a síntese de proteína microbiana e a digestibilidade dos componentes da dieta. Além disso, a proteína microbiana tem perfil aminoacídico similar à proteína do leite, com proporção ideal de metionina: lisina, o que promove desempenho.

Em revisão de metanálise com 64 estudos, na qual diversas fontes de metionina foram avaliadas, o uso de HMTBa demonstrou melhora em 1,73 g na proteína do leite e em 5,38 g na gordura do leite por grama de metionina metabolizável fornecida, além de aumentar a produção de leite. Em comparação com as demais fontes de metionina, HMTBa demonstrou o maior benefício para a gordura do leite, independente da dieta utilizada ou condições de cada experimento. Estes resultados concordam com os estudos já apresentados, nos quais os benefícios da fonte de HMTBa parcialmente degradável no rúmen são vantajosos.

Portanto, o uso de metionina hidróxi-análoga (HMTBa) garante resultados positivos à produção e composição do leite, além de melhorar a reprodução e saúde dos animais.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Censo Agro 2017

Soja lidera valor de produção na agricultura com R$ 104 bi

Oleaginosa é responsável por mais de um terço da produção vegetal total do país

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Soja, cana-de-açúcar e milho são as lavouras que têm o maior impacto na economia do Brasil. Segundo a última edição do Censo Agropecuário, o valor da produção vegetal do país, em 2017, foi de R$ 308 bilhões; a soja, que ocupa com folga o topo do ranking, é responsável pelo aporte de R$ 104 bilhões – ou seja, mais de um terço da produção vegetal total do país.

Em segundo lugar, a cana-de-açúcar contribuiu com R$ 49 bilhões, seguida pelo milho em grão, com R$ 34 bi, e o café arábica, com R$ 13,5 bi. O arroz, com R$ 8,6 bi, também teve um salto no valor de produção e subiu da sétima para a quinta posição entre 2006 e 2017.

A escalada da produção de soja pode ser observada na comparação com o Censo Agropecuário de 2006. Nesse intervalo, a área colhida aumentou 72%, o número de estabelecimentos aumentou 9% e a quantidade produzida aumentou 123%. Com isto, a soja assumiu a liderança no valor de produção pela primeira vez em um censo agropecuário, desbancando a cana-de-açúcar, tradicionalmente a campeã de valor de produção.

O Brasil é, hoje, o segundo maior produtor mundial de soja. Segundo dados de 2018 da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a maior parte da soja produzida no Brasil tem como destino a exportação, seja como farelo, óleo ou, principalmente, o grão, gerando U$ 40,9 bilhões de valor.

O coordenador de Agropecuária do IBGE, Octávio Oliveira, explica que um dos fatores que contribuiu para o impulsionamento da produção foi o aumento da demanda por carne de frango, carne de porco e ovos. “Como tanto a soja quanto o milho são fundamentais para a ração animal, consequentemente, temos uma maior demanda por esses grãos”, explicou.

Octávio também comenta que, apesar de perder espaço para a soja, a cana tem se mantido estável, pois a demanda ainda é grande. Entre outros fatores, está a versatilidade do produto, que serve como matéria-prima para o biocombustível, o açúcar para exportação e o álcool que é adicionado à gasolina.

Fonte: IBGE
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado

Arroba e carne no atacado atingem patamares recordes reais

Cenário é resultado das aquecidas demandas externa e interna e da baixa oferta de animais prontos para abate

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

A pecuária nacional tem passado por um momento distinto. De acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, os preços da arroba negociada no mercado paulista e os da carne no atacado da Grande São Paulo alcançaram patamares recordes reais.

Nessa quarta-feira (13), o Indicador do boi gordo ESALQ/B3 fechou a R$ 190,95, bem próximo do recorde real, de R$ 191,89, registrado em abril de 2015 – todos os valores da série histórica do Cepea, iniciada em 1994, foram deflacionados pelo IGP-DI de outubro de 2019. No acumulado parcial deste mês (de 31 de outubro a 14 de novembro), o Indicador registra forte avanço de 12%. Levantamentos do Cepea, inclusive, já tem verificado que a arroba chega a ser negociada por R$ 200 em algumas regiões do estado de São Paulo.

O preço da carne (carcaça casada de boi – que, vale lembrar, é formada por 48% de traseiro, 38% de dianteiro e 14% de ponta de agulha) negociada no atacado da Grande São Paulo tem atingido sucessivos recordes reais da série do Cepea, iniciada em 2001, desde sexta-feira (08). Nessa quarta-feira (13), a média à vista da carcaça casada do boi foi de R$ 12,74/kg, 3,75% acima do recorde anterior, de R$ 12,28/kg, observado também em abril de 2015.

Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário é resultado das aquecidas demandas externa e interna e da baixa oferta de animais prontos para abate. Do lado da demanda, no mercado doméstico, é comum observar certo aquecimento nas vendas nesta época do ano, quando atacadistas se abastecem, à espera de aumento na procura por carne, devido às típicas festas e churrascos. No caso das exportações, pesquisadores do Cepea destacam que o volume embarcado pelo Brasil se mantém acima das 100 mil toneladas desde julho de 2018, resultado que tem sido influenciado especialmente pela demanda chinesa – nesta semana, inclusive, novas plantas frigoríficas brasileiras foram habilitadas para exportar carne ao país asiático.

Em outubro, vale lembrar, o volume de carne bovina exportada pelo Brasil foi recorde e, nestes primeiros seis dias úteis de novembro, o País já registrou embarque de 37 mil toneladas da proteína, com média diária de 6,2 mil toneladas, um pouco abaixo das 7 mil toneladas em outubro/19 e das 6,5 mil toneladas em novembro/18, segundo dados da Secex. Ainda assim, caso esse ritmo permaneça até o final do mês, as exportações somariam cerca de 120 mil toneladas.

Quanto à oferta de animais, segue restrita em todas regiões acompanhadas pelo Cepea. De modo geral, o crescente abate de fêmeas em anos recentes resultou em restrição de oferta de animais. Nesse sentido, a pecuária nacional vai ter que responder com aumento de produtividade para conseguir atender à crescente demanda por novos lotes para abate, tendo em vista que o abate de fêmeas atingiu volumes recordes nos primeiros meses deste ano.

Fonte: Cepea
Continue Lendo
Mais carne
Biochem site – lateral
AB VISTA Quadrado

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.