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Leite a R$ 1,40 expõe crise na cadeia e leva produtores a criar nova entidade no Paraná
Nova associação surge em meio a preços abaixo do custo de produção, aumento das importações e críticas ao modelo de formação de preços.

A crise na pecuária leiteira brasileira deixou de ser cíclica para se tornar estrutural. No Paraná, um dos principais estados produtores do país, a combinação entre preços abaixo do custo de produção, importações crescentes e ausência de previsibilidade comercial levou produtores a criação de uma nova entidade de representação.
A União Paranaense dos Produtores de Leite nasce, segundo seus idealizadores, como resposta à sensação de abandono. “O produtor rural não está tendo a representatividade que deveria ter. A informação do campo não está chegando aonde precisa chegar”, afirma Meysson Vetorello, engenheiro agrônomo, produtor e presidente da nova associação.
A entidade nasce com a proposta de representar institucionalmente o setor e articular medidas para enfrentar a crise que, segundo os pecuaristas, compromete a atividade há pelo menos três anos.
O movimento é estadual, embora iniciativas semelhantes estejam em formação nos estados de Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. A proposta, no entanto, é consolidar primeiro as bases estaduais para, só depois, discutir uma estrutura nacional.
Produto vendido sem preço

Entre as distorções apontadas por Vetorello está que o leite segue sendo comercializado por litro, embora sua referência técnica e industrial seja o quilo. Para ele, no entanto, essa é apenas a face mais visível de um problema maior. A questão central está no modelo de formação de preço, marcado pela ausência de previsibilidade, transparência e poder de negociação por parte do produtor. “O leite é o único produto que você entrega sem saber o preço que será pago. Além disso, o produtor vai receber o valor somente 45 dias depois. Não existe previsibilidade”, pontua.
O presidente da União detalha que o produtor assume todos os riscos do ciclo produtivo muito antes de conhecer a própria receita. Compra fertilizantes, sementes e demais insumos com antecedência, investe em estrutura, planta o milho, produz a silagem, mantém o rebanho ao longo do ano e entrega o leite diariamente. Só depois de cumprir todas essas etapas é que descobre quanto irá receber. “Recebe a nota do leite e não tem a quem questionar. Não existe preço mínimo. Eu vou reclamar para quem?”, lamenta.
Para ele, essa lógica revela uma distorção histórica na cadeia. “O leite é vendido igual há 40 anos atrás”, afirma, ao criticar um modelo que, segundo diz, não evoluiu na mesma velocidade que os custos, a tecnologia e as exigências impostas ao produtor.
Quando produzir vira prejuízo
O custo de produção, segundo Vetorello, varia hoje entre R$ 2,20 e R$ 2,40 por litro quando considerados todos os componentes, inclusive remuneração do produtor, férias, décimo terceiro, depreciação de máquinas, custo de oportunidade da terra e serviços terceirizados. “O custo não é só o diesel do trator. Inclui também quanto você pagaria para alguém fazer aquele serviço. É o salário do produtor. Tudo tem que entrar na conta”, pontua.
Em 2023, os valores pagos ao produtor recuaram para a casa de R$ 2,20 por litro, patamar que já encostava no custo médio de produção. Dois anos depois, a situação se agravou. Em 2025, segundo Vetorello, houve períodos em que o leite foi remunerado a R$ 1,60 e até R$ 1,40 no campo. “Foram nove meses de prejuízo”, frisa.
Ele direciona críticas também aos parâmetros oficiais utilizados como referência. “A Conab trabalha com custo de R$ 1,88. É um número fictício. Não inclui salário do produtor, não considera várias despesas estruturais. O governo olha esse número e acha que está tudo bem”, ressalta, destacando que a defasagem nos cálculos contribui para decisões públicas desconectadas da realidade vivida nas propriedades.
Importações intensifica risco de colapso

O pano de fundo da crise é também externo. Em janeiro de 2025, o Paraná importou cerca de 100 mil quilos de leite em pó, segundo Vetorello. Em janeiro de 2026, o volume teria chegado a 156 mil quilos, aumento de mais de 50%, com preço médio pago ao produtor de R$ 1,96. “Se o preço subir até maio e depois despencar como despencou em 2025, nós vamos receber R$ 1,20, R$ 1,30. Num custo de R$ 2,40, quem aguenta?”, questiona.
O Brasil, ressalta ele, sequer alcança a autossuficiência. “Faltam 5% de produção. Então por que não criar política pública para ampliar a oferta interna e reduzir a dependência de importações?”, questiona, enfatizando que o debate não deveria se restringir ao controle das compras externas, mas avançar sobre estímulos estruturais à produção nacional.
Ele cita o Uruguai como contraponto. Segundo relata, o país vizinho renegociou dívidas do setor, concedeu período de carência aos produtores e reorganizou a cadeia para manter a atividade ativa e competitiva, inclusive ampliando exportações ao Brasil. “Eles protegeram o produtor deles. E nós?”, provoca.
Representatividade
A União Paranaense surge também como resposta à percepção de que as estruturas de representação existentes não se dedicam exclusivamente à atividade leiteira. “Existem entidades que representam a cadeia do leite, mas também trabalham com outras culturas. O leite acaba ficando em segundo plano. Pouco se faz”, afirma Vetorello, ao defender uma organização focada unicamente nos interesses do produtor de leite.

Engenheiro agrônomo, produtor e presidente da União Paranaense dos Produtores de Leite, Meysson Vetorello: “O leite é uma empresa. Para continuar, precisa ter lucro. Se nós, produtores, não nos unirmos e fizermos algo agora, a cadeia vai sendo cada vez mais comprometida” – Foto: Arquivo pessoal
Ele dirige críticas diretas ao funcionamento do Conseleite, conselho responsável por divulgar parâmetros de referência de preços no estado. “As indústrias mandam as notas que querem para a universidade. Dois professores pagos pela indústria fazem os cálculos. A gente pede auditoria e não deixam. Falta transparência”, relata.
De acordo com o produtor, o Conseleite, formalmente, não estabelece preço mínimo, mas divulga um valor de referência. “É um parâmetro. Segue quem quer, quando é conveniente”, menciona.
A nova associação se define como apartidária e formada exclusivamente por produtores pessoa física. Não admite representantes da indústria nem agentes políticos em sua estrutura. O engenheiro agrônomo explica que há resistência de setores industriais e políticos à organização independente dos produtores. “As indústrias não querem que o produtor se una”, diz.
Adesão online
Formalizada em fevereiro durante o Show Rural Coopavel, a entidade ainda finaliza estatuto e registro. A adesão será digital, via site, com expectativa de início das atividades de filiação em meados de abril. Não haverá contribuição financeira. “Eu não tenho salário. Estamos trabalhando por amor à atividade”, salienta.
O Paraná foi organizado em oito regiões dentro da estrutura da União, cada uma com um produtor responsável por articular as demandas locais e ampliar a mobilização. Nos Campos Gerais, a representação está a cargo de Mariane Carvalho de Almeida; no Norte, de Luciano Choucino; no Noroeste, de Hudson Erivalter Valezi; no Oeste, o próprio Meysson Vetorello assume a função; no Centro, o representante é Neymar Granoski; no Centro-Norte, José Geraldo; e no Sudoeste, Edemar Daniel Roos. “A proposta é que cada representante regional fortaleça o diálogo com produtores de sua área e leve as demandas à diretoria estadual, estruturando a base da associação de forma descentralizada”, expõe o presidente da associação.
A opção pelo formato online é estratégica. “Oito em cada 10 produtores são da agricultura familiar. Eles não têm tempo de sair da propriedade. Se sair, tem prejuízo”, menciona.
Êxodo silencioso
O encolhimento da base produtiva é outro sinal de alerta. Já se falou em cerca de 100 mil produtores de leite no Paraná. Hoje, segundo estimativas citadas por Vetorello em reuniões com o setor, esse número gira em torno de 35 mil, dos quais aproximadamente 80% pertencem à agricultura familiar. “Produtor que para a atividade não volta mais. Trabalha 365 dias por ano, não tem férias, não tem salário. Só cobrança”, lamenta, ressaltando que o esvaziamento é gradual, mas contínuo. “O leite está entrando em colapso”, reforça.
A sucessão familiar aparece como um dos desafios centrais. “O jovem quer qualidade de vida, quer folga no fim de semana. A atividade precisa ser conduzida como empresa, com gestão profissional e planejamento, para se tornar economicamente viável e atrativa às novas gerações”, destacou.
Diálogo com o Estado
A União já iniciou tratativas com a Secretaria de Agricultura do Paraná, o IDR-Paraná e a Adapar. Segundo Vetorello, há abertura do governo estadual para discutir desde a revisão de protocolos técnicos até a readequação de linhas de financiamento, com possibilidade de atualizar diretrizes históricas da cadeia leiteira. “Se tiver que alterar protocolo, o governo está disposto a fazer isso. Querem escutar o produtor, entender quais são as demandas e o que é necessário mudar para melhorar as condições de trabalho do produtor de leite”, afirma.
Para Vetorello, a modernização da atividade é decisiva para garantir permanência no campo. “O produtor quer barracão, quer sistema intensificado, quer compost barn, free stall. Ele quer melhorar a condição de trabalho”, afirma, reforçando que as novas gerações não aceitarão manter o modelo tradicional de manejo extensivo sem ganhos reais de eficiência, renda e qualidade de vida.
Entre mercado e a sobrevivência
Para Vetorello, a crise do leite não se resume a ciclos de baixa remuneração ao produtor. A questão central, afirma, está na fragilidade estrutural do mercado e na ausência de uma política pública consistente para a cadeia. “Quando afirmo que o Brasil carece de política pública consistente para o leite e de representatividade efetiva, faço isso com base em fatos e evidências”, declara.
Segundo ele, a cadeia láctea não dispõe de defesa institucional compatível com sua relevância econômica e social. “O setor opera, historicamente, à margem das prioridades estratégicas, sem coordenação estruturada entre produção, indústria e governo”, enfatiza.
Na avaliação de Vetorello, o leite se tornou o ‘patinho feio’ da agropecuária. “Em diversas negociações, é tratado como variável de ajuste, utilizado como instrumento de barganha em decisões mais amplas de política agrícola e comercial”, afirma, ressaltando que o reflexo direto recai sobre o produtor. “Ele permanece fragilizado. Falta voz ativa nos espaços decisórios, previsibilidade regulatória e instrumentos eficazes de proteção de renda. O resultado é um ambiente de insegurança recorrente, que compromete planejamento, investimentos e a própria sustentabilidade da atividade”, pontua.
Ele defende regulamentação mais rígida sobre comercialização e fiscalização sanitária, critica a venda informal de lácteos sem inspeção e cobra proteção semelhante à adotada por outros países. “Não prometemos soluções rápidas, mas a união dos produtores é o primeiro passo para organizarmos o setor, porque sem organização continuaremos sendo o elo mais fraco da cadeia”, reitera.
Produtor há mais de duas décadas, Vetorello intensificou o sistema da própria fazenda em 2018, adotando compost barn e ordenha robotizada. Diversificou com soja e milho, mas mantém o leite como atividade principal. “O leite é uma empresa. Para continuar, precisa ter lucro. Se nós, produtores, não nos unirmos e fizermos algo agora, a cadeia vai sendo cada vez mais comprometida”, salienta.
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Paraná conquista 44 medalhas e tem melhores queijeiros do Brasil em concurso internacional
Estado se destaca no Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo, e reforça liderança na produção de queijos finos.

Kennidy de Bortoli, Isabelli Maria Passos de Oliveira e Nayara Leontino Scherpinki são os melhores queijeiros do Brasil. Eles são talentos do Biopark, ecossistema de inovação de Toledo, no Oeste, e ajudam a consolidar o Estado como referência na produção nacional. Além disso, o Paraná teve 44 queijos premiados nas categorias principais, como Campeões dos Campeões e Super Ouro, e Ouro, Prata e Bronze na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo. Participaram cerca de 2 mil queijos vindos de mais de 30 países.
A equipe do Biopark apresentou três queijos com temática espacial. O primeiro, inspirado em um planeta, trouxe técnica inovadora de coloração que simula movimento e sensação térmica gelada na massa. O segundo, com formato irregular de meteoro, explorou notas minerais e de pimenta, simulando o calor da entrada na atmosfera. O terceiro, baseado no conceito do buraco negro, utilizou tecnologia de casca lavada com impacto visual e sensorial único no momento do derretimento.
“Mais do que defender um título ou conquistar medalhas, nosso objetivo é ir além do sabor e criar uma experiência completa. Desenvolvemos queijos que estimulam diferentes sentidos, com variações de textura, temperatura e impacto visual. Quando o consumidor se surpreende em cada etapa da degustação, o produto deixa de ser apenas um alimento e passa a contar uma história”, afirma o queijeiro e pesquisador do Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) em Queijos Finos do Biopark, Kennidy de Bortoli.
Três queijos do Biopark também se destacaram na competição. O Passionata — que conta com tecnologia do Projeto de Queijos Finos do Biopark, é produzido pela Queijaria Flor da Terra e foi eleito um dos nove melhores queijos do mundo no World Cheese Awards 2024, em Portugal — foi escolhido como 3º melhor queijo do Mundial do Brasil na categoria Campeão dos Campeões; o Abaporu (Flor da Terra) conquistou o Super Ouro; o Deleite (Flor da Terra) levou a Prata; e o Granatoo (Queijaria Ludwig) ficou com o Bronze.
O projeto do Biopark já tem 76 medalhas acumuladas em apenas sete anos de trajetória. E a promessa é de ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Com um investimento de R$ 3,8 milhões em parceria com o Governo do Estado, o projeto, que atualmente tem como escopo de atuação o Oeste, vai expandir para as regiões Sudoeste, Norte Pioneiro, Centro-Oriental e Metropolitana de Curitiba. O objetivo é consolidar o Paraná, segundo maior produtor de leite do País, como um dos principais polos de queijos finos da América Latina.
O modelo desenvolvido no Biopark utiliza o rigor metodológico para que famílias rurais possam fabricar produtos de alto valor agregado — queijos que podem atingir até três vezes o preço de venda de um queijo comum.
Outros campeões
O Paraná ainda teve outros campeões de outras regiões. O queijo Bacchus Josef Ferdinand Lotscher, do Ateliê Lotschental, de Palmeira, ficou com o 2° lugar na categoria Campeão dos Campeões. Outros três ganharam o Super Ouro: queijo Witmarsum tipo Gouda da Cooperativa Agroindustrial Witmarsum e os queijos Frescal Deleite e Vale do Heimtal da Queijaria Deleite, de Londrina.
O Paraná ainda recebeu 14 Ouros com representantes de Carambeí, Rio Branco do Ivaí, Verê, Marechal Cândido Rondon, Palmeira, Londrina e Guarapuava; nove Pratas com produtores de Dois Vizinhos, Curitiba, Paranavaí, Palotina, Toledo, Palmeira e Diamante do Oeste; e 15 Bronzes com talentos de Londrina, Palotina, Carambeí, Nova Esperança, Cascavel, Nova Laranjeiras, Maringá, Palmeira e Diamante do Oeste. Os vencedores estão AQUI (campeões) , AQUI (Super Ouro) , AQUI (Ouro) , AQUI (Prata) e AQUI (Bronze) .
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Mercado do leite segue abaixo do nível do ano passado
Mesmo com alta de 6,2% em fevereiro, preço pago ao produtor ainda acumula queda de 22,7% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Embrapa.

O mercado do leite iniciou 2026 com recuperação parcial nos preços pagos ao produtor, mas ainda sem reverter as perdas acumuladas no último ano, de acordo com o Centro de Inteligência do Leite (Embrapa Gado de Leite).
Em fevereiro, o litro do leite pago ao produtor no Brasil atingiu média de R$ 2,15, alta de 6,2% em relação a janeiro. Apesar do avanço mensal, o valor segue 22,7% abaixo do registrado em fevereiro de 2025.
Entre os estados acompanhados, Minas Gerais e São Paulo lideraram as cotações, com média de R$ 2,20 por litro. Santa Catarina apresentou o menor preço, de R$ 2,07.
Relação de troca melhora
No campo, a relação de troca apresentou leve melhora em fevereiro. Foram necessários 38,2 litros de leite para a compra de 60 kg de ração (milho e soja). Mesmo com o ajuste positivo no mês, o indicador ainda aponta perda de poder de compra em relação ao mesmo período do ano passado.
Leite UHT puxa alta no varejo em março

Foto: Fernando Dias
No varejo, os preços dos lácteos subiram 4,3% em março de 2026. O principal impacto veio do leite UHT, que registrou alta de 11,7%.
Entre os demais produtos, houve variações mais moderadas: o leite condensado recuou 0,9%, seguido por queijo (-0,3%), manteiga (-0,2%) e leite em pó (-0,1%). O iogurte foi o único a registrar alta além do UHT, com avanço de 1,2%.
No acumulado de 12 meses, os preços dos lácteos recuaram 3,1%, abaixo da inflação oficial do período, medida pelo IPCA, que ficou em 4,1%.
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Por que escolha do volumoso define resultado do rebanho na estiagem
Diferenças de custo e valor nutricional entre milho, sorgo, cana e capim exigem planejamento conforme a categoria animal e a meta produtiva do sistema.

A proximidade da época da estiagem faz com que o produtor trace estratégias para que, durante o período, o animal mantenha sua capacidade produtiva e ganho de peso. Uma das alternativas usadas nas fazendas é a produção de volumoso, que se torna um insumo indispensável durante a seca devido à escassez de chuvas e à limitação da capacidade das pastagens. “Investir na estratégia de entressafra é fundamental na pecuária, pois o volumoso constitui a base da dieta dos ruminantes, garantindo saúde ruminal, melhor desempenho produtivo e maior rentabilidade. O volumoso é a fonte de fibra da dieta, primordial para o bom funcionamento do rúmen”, explica o zootecnista Bruno Marson.
Para garantir um bom resultado na produtividade do gado e rentabilidade da propriedade, é preciso escolher com cuidado as opções de volumosos disponíveis. A silagem de milho é uma fonte tradicional de volumoso no Brasil. É considerada de excelente padrão pela alta energia de seus grãos e fibra digestível, que é crucial para o ganho de peso.
Já o sorgo, observa Marson, é uma boa alternativa para as regiões com menor disponibilidade hídrica e apresenta um custo de produção menor que o milho, mas com valor energético ligeiramente inferior. “A cana-de-açúcar é um excelente volumoso energético para o gado, especialmente na seca, com bom teor de nutrientes digestíveis totais, porém possui baixa proteína bruta. Ela oferece alta produtividade, baixo custo e é ideal como estratégia de manutenção de peso”, expõe o zootecnista.
A silagem de capim, por sua vez, pode fornecer bons níveis de energia e proteína. Por ser uma forrageira perene, nem sempre necessita de plantio e pode ser processada a cada safra, podendo inclusive ser usada em ocasiões em que o capim destinado ao pastejo direto esteja sobrando.

Foto: Diogo Zanata
Marson enfatiza que os volumosos suplementares podem ser usados em todas as fases produtivas do sistema pecuário, como, por exemplo, no sequestro de vacas e/ou da recria e em confinamentos. Na hora de escolher o volumoso, o produtor deve avaliar critérios como disponibilidade e custo, qualidade nutricional; finalidade (manutenção, ganhos moderados, engorda, produção de leite) e categoria animal. “Observando esses requisitos o produtor poderá fazer a melhor escolha para sua propriedade, garantindo assim bons resultados durante o ciclo de produção, mantendo a produtividade e rentabilidade do negócio”, ressalta.



