Avicultura
Lar Cooperativa: protagonismo avícola com DNA paranaense

Com quatro unidades industriais de abate, presença em mais de 50 países e uma integração avícola robusta, a Lar Cooperativa Agroindustrial se destaca como uma das principais referências do setor avícola no Paraná e no Brasil. Responsável por transformar a vida de milhares de famílias no Oeste e Norte do Paraná, a cooperativa alia tecnologia, gestão e uma sólida base cooperativista para manter sua competitividade no mercado interno e internacional. Nesta entrevista exclusiva ao O Presente Rural, o presidente Irineo da Costa Rodrigues e o superintendente de Suprimentos e Alimentos, Jair Meyer, compartilham os números que impressionam, os desafios do setor e a visão estratégica que sustenta o crescimento da Lar no estado que é a terra do frango.
O Presente Rural – Quantos frigoríficos de aves a Lar Cooperativa possui atualmente no Paraná, onde ficam e qual é a capacidade de produção diária ou mensal dessas unidades?

Superintendente de Suprimentos e Alimentos, Jair Meyer
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – A Lar atualmente opera 4 Unidades Industriais de abate, sendo: no município de Matelândia, com abate de 500 mil aves, além de linhas de industrializados para empanados/cozidos e linguiças de frango, com capacidade de 3,5 mil toneladas por mês; no município de Cascavel, com abate diário de 225 mil aves; no município de Rolândia, com abate diário de 190 mil aves; além do município de Marechal Cândido Rondon, com abate diário de 190 mil aves. Perfazendo o abate diário de 1,1 milhão aves, toda a produção dessas 4 Unidades Industriais resulta em aproximadamente 80 mil toneladas de cortes de frango congelados e/ou resfriados e 3,5 mil toneladas de industrializados. Dessa produção, 40% são destinados ao mercado internacional, atendendo mensalmente mais de 50 países em mais de 100 portos, e os outros 60% ao mercado interno, com presença em todos os estados brasileiros e mais de 50 mil pontos de vendas positivados mensalmente pela atuação direta e indireta contemplada pela estratégia comercial.
O Presente Rural – Qual é o número atual de aviários integrados à cooperativa, e como a Lar tem trabalhado para expandir ou modernizar esses espaços?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – Atualmente, a Lar tem na sua integração de aves 1.360 produtores integrados, com 2.842 aviários, tendo alta tecnologia aplicada, visando sempre a melhor performance zootécnica das aves alojadas, o que permite excelentes resultados para a integradora e para o integrado.
Atualmente, a Lar tem oportunizado a construção de 100 aviários adicionais, visando melhores práticas de vazio sanitário e, com isso, permitir melhorar ainda mais os resultados.
O Presente Rural – Quais são os principais produtos avícolas exportados pela Lar a partir das suas unidades no Paraná, e quais países representam os principais mercados?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – Atualmente, a Lar exporta mensalmente para mais de 50 países, destinando em média 1.200 contêineres de cortes de frango aos clientes ao redor do mundo, abrangendo todos os continentes, os quais são acessados, em média, por 100 a 110 diferentes portos todos os meses do ano.
No que tange a mercados habilitados, a Lar tem trabalhado intensamente para obter o máximo de habilitações, que, na atualidade, somam 151 países entre as 4 Unidades Industriais de abate, com destaque para a habilitação da China em todas as unidades. Em relação aos cortes de frango exportados, temos um mix de mais de 65 diferentes especificações que são exportadas. Entre eles: filé de peito, pernas desossadas, pernas com osso, cortes da asa, pés, patas, carne mecanicamente separada, miúdos diversos, cartilagens, além de filé de peito cozido, que destinamos para a Europa.
O Presente Rural – Em termos de faturamento e volume, como está distribuída a participação dos mercados doméstico e internacional nas operações da Lar?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – A Lar, em termos de volumes, exporta 40% da produção (focada em maior parte em itens desossados e de maior valor agregado) e 60% fica no mercado interno. Quando avaliamos faturamento, o mercado interno e externo se equivalem em 50% para cada destino.
O Presente Rural – Quais são os principais pontos fortes do Paraná que favorecem o desenvolvimento das operações da Lar no setor avícola?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – O estado do Paraná tem tido papel de grande avanço na produção e exportação de carne de frango, ocupando a primeira posição no ranking da produção nacional, com 39%, e também na exportação, com 42%.
No que tange a fatores de sucesso, entendemos que a força das cooperativas alavancou fortemente esse desenvolvimento, pela característica de seus produtores, em maioria instalados em pequenas propriedades, uso de mão de obra familiar, “olho do dono” no processo, já que são associados das cooperativas, e também pelas condições de produção agrícola do estado, que favorecem os custos de transformação. Soma-se a isso a mente empreendedora, com fácil aceitação na adoção de novas tecnologias que facilitam o dia a dia e têm forte impacto na evolução e melhoria dos indicadores zootécnicos.
O Presente Rural – Na visão da Lar Cooperativa, quais são atualmente os maiores desafios ou pontos fracos enfrentados no Paraná que precisam ser superados?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – A forte expansão da pecuária, em especial avicultura e suinocultura, traz grande adensamento no campo, tanto no Oeste como no Norte do Paraná, e, com isso, naturalmente surgem maiores desafios sanitários.
Além disso, outro aspecto relevante é o alto custo financeiro, que dificulta aos produtores os investimentos necessários, seja para novos projetos ou para as melhorias contínuas, que abrangem também as evoluções tecnológicas e automações.
Em análise mais ampla, a cada ano, com o avanço da pecuária no estado do Paraná e também novos destinos para transformação do milho e soja, como etanol e biodiesel, tem havido maior necessidade de trazer grãos de outros estados e/ou países vizinhos, como o Paraguai, enfrentando questões tributárias e custos maiores com fretes, que tiram parte da competitividade do setor. Somam-se a isso os gargalos de infraestrutura e logística, que infelizmente ainda são realidade no estado, sejam em rodovias, ferrovias ou portos.
O Presente Rural – Como a Lar Cooperativa avalia a infraestrutura logística do Paraná para a exportação da carne de frango? O que poderia melhorar ainda mais esse cenário?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – O estado tem evoluído, mas não na velocidade que precisa. A visão precisa ser ampliada, e a priorização, redirecionada, visando atender com maior agilidade e ênfase áreas do estado que têm alta produção e, por anos, ficaram esquecidas.
O Presente Rural – Na visão da Lar, quais políticas públicas poderiam ser implementadas no Paraná para potencializar ainda mais o setor avícola?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – Fortalecer linhas de investimento para os produtores rurais, com linhas de crédito mais acessíveis e viáveis; atuar com celeridade na solução de problemas de energia elétrica, que no Oeste do Paraná é extremamente crítica no que tange a subestações e linhas trifásicas; atuar com maior celeridade na duplicação da BR-277; incentivar o setor da indústria com mais linhas de investimento vinculadas aos saldos de conta gráfica de ICMS; atuar com maior empenho e ênfase na questão pertinente aos projetos de ferrovias; e maximizar ainda mais os investimentos nos portos.
O Presente Rural – Que papel a cooperativa acredita que o cooperativismo desempenha para o fortalecimento econômico e social do Paraná, especialmente no setor avícola?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – Um papel fundamental, que alavanca a transformação da economia de todas as regiões em que as cooperativas estão instaladas e atuando.
No que tange à agregação de valor, as cooperativas têm atuado com papel extraordinário e impulsionado a industrialização, levando produtos do estado para todos os continentes ao redor do mundo. Têm sido geradoras de renda por meio da geração de empregos, e isso por si só gera riqueza e transformação de vidas.
Por fim, entendemos que as cooperativas do estado são um dos pilares do forte crescimento e desenvolvimento do Paraná, que vem se destacando a nível nacional.
O Presente Rural – Quais características específicas do Paraná, como clima, localização geográfica e mão de obra, mais contribuem para o sucesso das operações avícolas da Lar?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – O clima tem sido um desafio, em especial na região Oeste do estado, mais especificamente na região da beira do Lago de Itaipu, com frustrações frequentes de safras e também pelo elevado calor, que traz reflexos sobre o desempenho da pecuária, que é pujante nesta região.
No que tange à mão de obra, é de boa qualidade, porém estamos operando em regiões do estado que têm pleno emprego, ficando o desafio de atrair pessoas de outras regiões do Brasil, em especial Norte e Nordeste, para suprir a necessidade que as demandas do forte crescimento têm trazido.
O Presente Rural – Existe alguma região ou cidade paranaense que a Lar Cooperativa identifique como estratégica para futuros investimentos ou expansão do setor avícola?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – Devido ao alto custo para implantar uma nova indústria, a Lar descarta essa possibilidade, principalmente pelo aumento dos juros. A Lar poderá aumentar o abate em plantas existentes, desde que haja infraestrutura como água e residências para suprir a falta de funcionários. Existe a possibilidade de a Lar adquirir plantas de abate de frango existentes que estejam à venda ou para prestação de serviços.
O Presente Rural – Qual é o impacto socioeconômico da Lar Cooperativa nas regiões paranaenses onde atua, especialmente em termos de geração de emprego, renda e desenvolvimento local?
Irineo da Costa Rodrigues e Jair Meyer – O impacto gerado pela Lar Cooperativa em sua área de ação é extraordinário e transformador. No que tange à remuneração mensal paga aos integrados, somam-se mais de R$ 53 milhões em 82 municípios de atuação, abrangendo as regiões Oeste e Norte do estado. Por fim, em termos de geração de empregos diretos, a Lar é a maior empregadora entre as cooperativas singulares, com balanço não consolidado, somando atualmente mais de 24.300 empregos diretos.
Essa geração de riqueza e renda impulsiona e transforma a economia regional e a vida das pessoas.
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Avicultura
Escassez de mão de obra expõe falhas de liderança e gestão na avicultura
Painel no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura defendeu integração entre tecnologia, propósito e método para reduzir turnover e sustentar a produtividade nas granjas e na indústria.

A escassez de mão de obra e os desafios relacionados à gestão de pessoas na cadeia produtiva pautaram o debate do painel “Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura” durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que contou com a participação dos especialistas Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski e Vilto Meurer, além da coordenação de Luciana Dalmagro, na última terça-feira (07), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Os palestrantes abordaram os impactos da carência de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura. O debate também trouxe reflexões sobre as transformações tecnológicas e a necessidade de integração entre gestão de pessoas e inovação como caminho para manter a competitividade do setor.
A executiva Joanita Maestri Karoleski, conselheira, mentora e ex-CEO da Seara, iniciou o Painel Gestão de Pessoas com uma análise estratégica sobre as transformações estruturais que impactam a disponibilidade e o perfil da mão de obra na avicultura e no agronegócio. Segundo ela, o cenário atual vai além da escassez de profissionais. “Nós estamos vivendo uma mudança estrutural. Não é um fenômeno pontual. Temos o envelhecimento da população, a queda nas taxas de natalidade e, ao mesmo tempo, uma transformação profunda na forma como as novas gerações enxergam o trabalho”, destacou.
A palestrante explicou que os profissionais mais jovens chegam ao mercado com expectativas diferentes, valorizando propósito, desenvolvimento e flexibilidade. “As novas gerações não estão apenas buscando emprego, mas sim significado no que fazem. Isso exige adaptação das empresas e, principalmente, das lideranças”, afirmou.
Nesse contexto, Joanita trouxe uma provocação central do painel: o problema pode não estar na falta de pessoas, mas na forma como as

Conselheira, mentora e investidora, com mais de 30 anos de experiência em posições de alta liderança, Joanita Maestri Karoleski: “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
organizações estão estruturadas. “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor”, pontuou.
Ela destacou ainda que um dos principais desafios está na capacidade de integrar diferentes gerações dentro das organizações. “Pela primeira vez, temos três ou até quatro gerações convivendo simultaneamente dentro das mesmas empresas, com expectativas e formas de trabalhar muito distintas entre si. Isso exige líderes preparados para lidar com essa complexidade”, explicou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de reposicionar o capital humano como elemento central da estratégia empresarial. “Ainda vemos empresas que dão mais atenção à compra de equipamentos do que ao desenvolvimento das pessoas. O capital humano precisa estar na agenda estratégica, inclusive nos conselhos administrativos, porque é ele que sustenta o crescimento no longo prazo”, afirmou.
Joanita também apresentou caminhos para enfrentar o desafio, estruturados em diferentes níveis organizacionais, desde o conselho até a operação. Segundo ela, o desenvolvimento de lideranças, especialmente na média gestão, é um dos fatores mais críticos para transformar a realidade das empresas.
A mentora também deixou uma reflexão sobre o futuro do trabalho na avicultura. “A pergunta não é mais onde estão as pessoas. A

Com 39 anos de experiência na agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel: “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
pergunta é: por que alguém escolheria trabalhar aqui e não em outro lugar? Quando conseguimos responder isso, começamos a resolver o problema de forma consistente”, salientou.
Relacionamento empresa x profissionais
Com 39 anos de experiência na agropecuária e trajetória de longa data na BRF, onde encerrou sua carreira como diretor de produção agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel, demonstrando práticas voltadas à realidade do campo e da indústria, com foco em estratégias de captação e retenção de pessoas.
Segundo o palestrante, o enfrentamento da escassez de mão de obra passa pela forma como as empresas se relacionam com seus profissionais. “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo”, afirmou.
Vilto destacou que, diante da escassez de mão de obra, o papel da liderança ganha ainda mais relevância dentro das organizações. Segundo ele, o gestor precisa ir além do conhecimento técnico e assumir uma atuação estratégica na condução das equipes. De acordo com o especialista, três pilares sustentam a atuação de um bom gestor: liderança, conhecimento técnico e método de gestão. “Não basta conhecer o processo produtivo. É preciso saber liderar pessoas, construir confiança, mobilizar equipes e estabelecer uma comunicação clara e eficiente”, enfatizou.
Entre os principais atributos da liderança, Vilto destacou a capacidade de engajar pessoas e gerar senso de pertencimento. “O profissional precisa sentir que faz parte do resultado, desenvolver o sentimento de dono e entender a importância do seu trabalho dentro do sistema produtivo”, explicou.
No campo da motivação, o especialista ressaltou que o engajamento está diretamente ligado a três fatores fundamentais: saber, poder e querer. “Para executar bem uma função, o profissional precisa ter conhecimento, condições adequadas de trabalho e, principalmente, vontade de fazer. É essa combinação que gera engajamento”, afirmou.
Retenção de talentos
Vilto também chamou atenção para a importância do propósito como elemento central na retenção de talentos. “Propósito é o significado do trabalho. Quando a pessoa entende o impacto daquilo que faz no resultado final, ela se envolve mais e permanece na atividade”, destacou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptação das estratégias de gestão ao perfil das diferentes gerações presentes nas empresas. Segundo ele, cada geração possui comportamentos, expectativas e formas de relacionamento com o trabalho distintas, o que exige uma liderança mais flexível e preparada para lidar com essa diversidade.
O palestrante enfatizou que a capacitação contínua é essencial para o desenvolvimento das equipes. Ele apresentou práticas como integração estruturada, programas de mentoria, treinamentos progressivos e trilhas de carreira como ferramentas importantes para alinhar aprendizado, produtividade e crescimento profissional.
Vilto também reforçou que a formação de adultos exige metodologia adequada. “O adulto aprende de forma diferente. É necessário utilizar métodos que conectem teoria e prática”, explicou.
O especialista sintetizou que a retenção de pessoas está diretamente ligada à combinação entre gestão eficiente e propósito. “Pessoas motivadas, com clareza de propósito e inseridas em um modelo de gestão simples e bem estruturado, geram melhores resultados e reduzem significativamente o turnover”, concluiu. Vilto também apresentou ferramentas práticas para formação e desenvolvimento de equipes, destacando metodologias utilizadas na extensão rural que podem ser aplicadas na agroindústria. “Existem métodos que funcionam muito bem para capacitação de pessoas, como o método do arco e técnicas de transferência de tecnologia. São ferramentas que ajudam a desenvolver profissionais de forma mais eficiente e que podem ser utilizadas dentro das empresas”, explicou.

Médico-veterinário Delair Bolis: “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Ele reforçou, ainda, que a combinação entre pessoas, propósito e gestão é determinante para o futuro do setor. “Pessoas motivadas, com propósito claro e inseridas em um modelo de gestão eficiente geram melhores resultados. Esse é o caminho para aumentar a produtividade e reduzir os impactos da escassez de mão de obra”, destacou.
Uso estratégico da tecnologia
O médico-veterinário Delair Bolis, presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com mais de 25 anos de atuação na indústria de saúde animal, seguiu o debate salientando que a escassez de mão de obra é uma realidade estrutural e crescente na avicultura, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. De acordo com Bolis, o setor precisa compreender que esse não é um problema temporário. “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos”, afirmou.
Bolis chamou atenção para a defasagem dos modelos de trabalho frente às transformações do mercado. “Nós ainda operamos, muitas vezes, com estruturas que não acompanharam a evolução do setor. A questão não é só falta de pessoas, mas se o modelo de trabalho ainda é competitivo e atrativo para elas”, destacou.
Diante desse cenário, o especialista reforçou que as principais ferramentas de transformação estão no uso estratégico da tecnologia e no desenvolvimento de lideranças. “O que está sob nosso controle é como tecnificar os processos e preparar pessoas com maior capacidade de utilizar essa tecnificação para melhorar sistemas, processos e a própria liderança”, pontuou.
O palestrante alertou que a tecnificação precisa ser aplicada com critério. “Não se trata de tecnificar tudo que é possível, mas sim aquilo que precisa ser modernizado. A tecnologia precisa estar conectada à estratégia e às pessoas, não apenas à automação indiscriminada”, explicou.
Outro ponto comentado foi a mudança no perfil das funções dentro da cadeia produtiva. “Com menos pessoas no campo, cada profissional passa a ser responsável por mais processos. Não é mais sobre executar tarefas isoladas, mas sobre entender e gerir o processo como um todo”, ressaltou.
Bolis também abordou a importância do fator humano na eficiência operacional. “Quem entende de pessoas melhora processos. A liderança passa a ter um papel ainda mais decisivo, porque ela conecta tecnologia, pessoas e resultados. O futuro não será definido pela disponibilidade de mão de obra, mas pela nossa capacidade de reinventar o trabalho dentro da avicultura”, evidenciou.
A mediação do painel foi conduzida pela produtora rural, empreendedora e referência em liderança e sustentabilidade no agronegócio, Luciana Dalmagro, que contribuiu para integrar diferentes visões sobre o tema. “Foram grandes ensinamentos, falando de aspectos de liderança, habilidades que as pessoas que estão iniciando no mercado precisam desenvolver e, para quem está há mais tempo, os profissionais mostraram a importância do olhar humanizado para os colaboradores”, acrescentou.
Avicultura
“Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, apontam especialistas no SBSA
Kali Simioni e João Nelson Tolfo detalharam durante o evento como diagnóstico, comunicação e liderança técnica determinam a adoção de boas práticas nas granjas.

O Bloco “Conexões que Sustentam o Futuro” colocou em pauta a conversão do conhecimento técnico em resultados práticos no campo durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura. O encontro integrou a programação do evento promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas, realizado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
A palestra “Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura”, reuniu os especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, com reflexões sobre gestão, comportamento e eficiência na produção.
Com mais de 18 anos de experiência na avicultura industrial, Tolfo destacou o papel estratégico dos profissionais que atuam diretamente no campo. “Quem leva orientação para o campo faz extensão do conhecimento. Esse trabalho exige conexão, engajamento e capacidade de gerar significado para o produtor, para que as orientações realmente se transformem em resultado”, afirmou.

Engenheira agrônoma Kali Simioni: “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A engenheira agrônoma Kali, com mais de 22 anos de atuação no setor, reforçou que a chave está na conexão entre pessoas. “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade, o processo de decisão e conectar-se com o produtor para que a orientação se torne prática no dia a dia”, explicou.
Segundo os palestrantes, um dos principais gargalos da produção está na falta de conexão e comunicação assertiva, o que dificulta a adoção de tecnologias e boas práticas. Cada propriedade deve ser entendida como um sistema único. “Resultados diferentes acontecem porque as pessoas fazem de formas diferentes. Onde existe variabilidade, existem oportunidades de melhoria”, destacaram.
A palestra também trouxe uma abordagem prática sobre como transformar teoria em ação, destacando a importância de diagnósticos estruturados, identificação de gargalos e intervenções direcionadas. Métodos de extensão rural, como o arco, foram apresentados como ferramentas para acelerar a tomada de decisão e gerar mudanças efetivas no campo.
Outro ponto central foi o papel do profissional de alta performance. “Para gerar resultado, é preciso desenvolver três pilares: conhecimento técnico, domínio de método e liderança. O profissional precisa se tornar interessante e isso começa sendo interessado, ouvindo e entendendo o processo”, reforçaram.
Os especialistas também destacaram que toda decisão no campo é influenciada por fatores como experiência, cultura, histórico produtivo e percepção de risco, exigindo uma abordagem individualizada e focada na realidade de cada produtor. “Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, ressaltaram os profissionais.
Avicultura
SBSA reúne mais de 2,5 mil profissionais e reforça debate técnico sobre sanidade, nutrição e mercado avícola
Evento do Nucleovet teve público recorde, feira com mais de 70 empresas e programação focada em biosseguridade, gestão e competitividade internacional do frango brasileiro.

Chapecó, no Oeste catarinense, foi ponto de encontro de debates que movimentam a avicultura no Brasil e no mundo. Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que encerrou na quinta-feira (09), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, com um público recorde de mais de 2,5 mil participantes.

Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o Simpósio reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma programação intensa, que percorreu temas estratégicos como gestão e mercado, sanidade, nutrição, abatedouro e sustentabilidade. Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias, lançamento de soluções e troca de experiências, fortalecendo a integração entre indústria, pesquisa e campo.

Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Foram três dias de debates técnicos, painéis estratégicos e momentos de interação que aproximaram ciência, campo e indústria, promovendo um ambiente de construção coletiva do conhecimento. Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas. “Encerramos a 26ª edição do SBSA com um público recorde de mais de 2.500 pessoas. Tivemos discussões relevantes e muitas conexões importantes, tanto na feira quanto na programação científica. Isso mostra a força do setor e a importância do Simpósio como espaço de atualização e relacionamento”, afirmou.
Ela também destacou que o evento acompanha um setor em constante transformação. Ao longo da programação, temas como sanidade, inovação nutricional, gestão de pessoas e cenários globais evidenciaram que a avicultura vai além da produção, exigindo cada vez mais estratégia, tecnologia e qualificação profissional.
Programação científica

Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A programação científica percorreu os principais desafios e avanços da avicultura moderna, reunindo especialistas em debates que conectaram teoria e prática. Temas como sanidade avícola, controle de doenças emergentes, nutrição de precisão e saúde intestinal evidenciaram a importância do monitoramento constante, do uso de tecnologias e da evolução das estratégias produtivas para garantir desempenho, biosseguridade e sustentabilidade no setor.
Além dos aspectos técnicos, o Simpósio também ampliou a discussão para temas estratégicos, como gestão de pessoas, cenário global e aplicação do conhecimento no campo. As palestras reforçaram que a competitividade da avicultura passa pela qualificação profissional, pela capacidade de adaptação às transformações do mercado e, principalmente, pela conexão entre pessoas, processos e inovação. “O SBSA também mostrou o papel do Brasil no cenário internacional, como maior exportador mundial de carne de frango, com presença em mais de 150 mercados. Isso demonstra a responsabilidade do setor e a necessidade de estarmos sempre atualizados e preparados para os desafios globais”, completou Aletéia.
Ação social

Parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
O SBSA também teve espaço para ações sociais. Nesta edição, o lucro da NúcleoStore (loja de artigos personalizados que, a cada Simpósio, beneficia uma instituição de Chapecó. Os participantes puderam adquirir bótons, camisetas de diferentes estampas com uma comunicação mais lúdica sobre o setor, meias, lixocar e mousepads), será destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro), enquanto parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó. A iniciativa destaca o compromisso do Nucleovet em transformar seus eventos em plataformas de impacto social, aproximando os participantes da realidade das instituições e incentivando novas formas de contribuição. “Essas ações mostram que o nosso trabalho vai além da técnica. Queremos contribuir com a comunidade e fortalecer o papel social da entidade, conectando conhecimento com propósito”, enalteceu a presidente.



