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Lançada estratégia para ampliar o monitoramento da contaminação por agrotóxicos

Iniciativa gerará dados para subsidiar a elaboração de políticas públicas na área.

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Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Meio Ambiente (Embrapa – Meio Ambiente) lançaram, na última quinta-feira (20), a Estratégia de Monitoramento Ambiental de PFOS e Agrotóxicos.

Com o apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a iniciativa gerará dados sistematizados sobre a contaminação ambiental por agrotóxicos e PFOS (produtos derivados de agrotóxicos de difícil degradação no meio ambiente) no Brasil para subsidiar a elaboração de políticas públicas. Por três anos, será monitorado o uso de 53 ingredientes ativos no país.

Durante o ato de lançamento, em Brasília (DF), a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância da existência dessas informações. “Nosso papel é fazer o melhor uso da tecnologia e do conhecimento para proteger o meio ambiente e a saúde da população, melhorando também a qualidade dos nossos negócios e investimentos”, afirmou.

Diretor de Governança e Informação da Embrapa, Alderi Araújo pontuou que o projeto representa um avanço no monitoramento da contaminação por agrotóxicos. “É fundamental para que tenhamos condições de produzir com sustentabilidade ambiental, econômica e social”, declarou.

O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, disse que a estratégia será fundamental para fornecer alimentos seguros para a população brasileira. “Pela primeira vez, conseguiremos monitorar de forma sistemática inúmeras substâncias que foram, ao longo das últimas décadas, registradas para utilização na nossa agropecuária”, ressaltou.

Kelli Mafor, secretária-executiva da Secretaria-Geral da Presidência da República, salientou que a estratégia deve conferir maior visibilidade às vozes da sociedade civil, especialmente nos territórios mais afetados. “Muitas vezes o que vem da sociedade civil é um forte indício do que precisa ser monitorado e estudado”, indicou. “O lançamento dessa estratégia é empolgante e traz esperança de transformar uma realidade que implica muitos danos à saúde humana e ao meio ambiente e não pode ser normalizada”.

Foto: Fernando Dias

Também participaram da cerimônia os secretários nacionais de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental, Adalberto Maluf, e de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável, Edel Moraes, ambos do MMA, e o presidente do Instituto Brasil Orgânico, Rogério Dias.

Pilares da estratégia

Considerada pioneira, a estratégia também busca ampliar o monitoramento da utilização de agrotóxicos no país para controlar e mitigar os impactos de seu uso para a saúde humana e o meio ambiente. Tem ainda o objetivo de promover práticas agrícolas sustentáveis e fomentar estudos científicos na área. Apresenta três eixos principais:

  • Expansão do monitoramento do PFOS (Ácido Perfluorooctanossulfônico): serão analisadas áreas agrícolas estratégicas nos estados de Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul, incluindo também propriedades rurais.
  • Ampliação do Programa Piloto de Monitoramento de Agrotóxicos em Recursos Hídricos : durante três anos, serão monitoradas substâncias químicas prioritárias, ampliando a lista de substâncias analisadas e a base de dados nacional.
  • Estudo de processos de transporte de agrotóxicos : avaliará como os pesticidas são transportados no meio ambiente e seus impactos em mananciais de água.

A iniciativa está alinhada às metas das Convenções de Estocolmo e Roterdã, que abordam a gestão de substâncias químicas, e reforça o compromisso do Brasil com a gestão sustentável e o controle de agrotóxicos.

Fonte: Agência Gov

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Legado de pesquisadores que estruturaram a economia agrícola segue como referência no país

Morte de Gabriel Seraphico e Paulo Sendin evidencia a dimensão das contribuições deixadas à estatística do agro, às políticas públicas e ao desenvolvimento rural brasileiro.

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Com trajetórias que ajudaram a moldar o pensamento econômico aplicado ao campo no Brasil, Gabriel Luiz Seraphico Peixoto da Silva e Paulo Varela Sendin morreram no intervalo de poucos dias, entre o fim de 2025 e o início de 2026. A ausência dos dois pesquisadores representa um vazio para a ciência brasileira, especialmente nas áreas de estatística aplicada ao agronegócio, formulação de políticas públicas e desenvolvimento rural.

Com atuação destacada no Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), Seraphico construiu uma carreira marcada pela articulação entre pesquisa, gestão pública e produção rural. À frente da direção do Instituto entre 1987 e 1989, contribuiu para consolidar o IEA como referência nacional na análise econômica do setor agropecuário, ampliando o uso de dados estatísticos como base para decisões governamentais e privadas. Sua atuação acadêmica na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP) reforçou esse legado, ao formar profissionais que levaram o rigor analítico da economia agrícola para diferentes segmentos do mercado e do serviço público.

Seraphico também aproximou ciência e campo ao atuar como pecuarista. Na Fazenda Bacuri, em Barretos, foi pioneiro em trabalhos voltados à precocidade sexual do gado nelore, contribuindo para ganhos de eficiência produtiva e para a modernização da pecuária de corte. Essa integração entre pesquisa, prática produtiva e visão econômica tornou sua atuação particularmente relevante para o avanço do agronegócio brasileiro.

Sendin, por sua vez, teve papel fundamental na construção das bases técnicas que sustentam políticas agrícolas e programas de desenvolvimento rural. Pesquisador do IEA entre 1968 e 1974, participou de estudos estruturantes em estatística e economia agrícola, em um período decisivo para a institucionalização da pesquisa econômica no agro. Sua trajetória seguiu no Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), onde aprofundou pesquisas voltadas à agricultura familiar, segmento estratégico para a segurança alimentar, a geração de renda e a ocupação do espaço rural.

Fotos: Shutterstock

O trabalho de Sendin contribuiu para dar visibilidade científica e técnica à agricultura familiar, transformando dados e análises em subsídios concretos para políticas públicas e programas de apoio aos pequenos produtores. Sua produção ajudou a aproximar a pesquisa agropecuária das realidades regionais e sociais do campo brasileiro.

Para Celso Vegro, diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do IEA, a contribuição de ambos extrapola o ambiente institucional. “Foram pesquisadores de fundamental importância para os estudos em estatística e economia agrícola, cujos resultados se traduziram em políticas públicas mais eficientes e em melhor suporte aos produtores rurais”, afirma.

Fundado em 1942, o Instituto de Economia Agrícola teve papel central na organização do pensamento econômico aplicado à agricultura no Brasil. O legado de Gabriel Seraphico e Paulo Sendin está diretamente ligado a essa construção coletiva da ciência agropecuária nacional, que hoje dispõe de bases mais sólidas de informação, análise e planejamento graças ao trabalho de pesquisadores que transformaram conhecimento em desenvolvimento.

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China muda regras, impõe cota à carne bovina e ameaça fluxo comercial do Brasil

Tarifa extra de 55% sobre volumes excedentes pode provocar forte ajuste na produção e nos investimentos da cadeia pecuária.

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Foto: Shutterstock

A China decidiu estabelecer uma cota anual de importação de carne bovina para seus fornecedores internacionais, incluindo o Brasil, como parte de uma política de proteção aos produtores locais. Pelo modelo anunciado, volumes que ultrapassarem o limite definido estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, medida que deverá vigorar por um período inicial de três anos. Trata-se de uma mudança relevante nas regras do comércio internacional de carnes, com impactos diretos sobre os principais exportadores.

Dentro desse novo desenho, o que mais preocupa o setor brasileiro é a forma como a China pretende contabilizar essa cota. As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será apurado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos firmados anteriormente, cargas em trânsito ou produtos já embarcados.

Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).

Se essa interpretação se confirmar sem qualquer revisão, o Brasil terá de descontar da cota aproximadamente 350 mil toneladas que hoje já estão comprometidas, seja em cargas paradas em portos chineses aguardando desembaraço, em navios em trânsito ou em estoques formados nos portos brasileiros. Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço disponível para novas produções ao longo de 2026.

Feitas as contas, restariam cerca de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano. Dividido pelos 12 meses, esse volume se traduz em aproximadamente 62,5 mil toneladas mensais, um patamar totalmente desconectado da realidade atual do setor.

Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando, nos últimos meses, volumes superiores a 160 mil toneladas mensais para a China. A discrepância entre esses números evidencia, por si só, a urgência de uma ação diplomática coordenada, baseada em diálogo direto entre governos, para buscar um entendimento que leve em consideração os fluxos comerciais já estabelecidos.

O impacto dessa restrição é difícil de dimensionar com precisão, mas certamente será profundo. Considerando uma projeção anual próxima de 1,7 milhão de toneladas, a redução potencial, que inicialmente se estimava em torno de 35%, torna-se extraordinariamente preocupante quando aplicadas as novas regras de contabilização.

A pecuária brasileira avançou de forma consistente nos últimos anos, com investimentos expressivos em genética, manejo, processos produtivos e ganhos de eficiência. A indústria, por sua vez, modernizou plantas, ampliou capacidade e se estruturou para atender uma demanda crescente e estável. Uma mudança abrupta dessa magnitude obriga toda a cadeia a revisar expectativas, projeções e investimentos, tanto no curto quanto no médio prazo.

Não há culpados evidentes nem soluções simples. O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas, em busca de um entendimento equilibrado, construído de governo para governo.

É preciso reconhecer que o governo brasileiro tem feito sua parte na ampliação e diversificação de mercados, com um trabalho consistente conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo ministro Carlos Fávaro. Ainda assim, é fundamental ter clareza: os novos mercados não possuem, ao menos por ora, o mesmo potencial de absorção do mercado chinês e, além disso, já contam com fornecedores consolidados, o que demanda tempo e estratégia para sua efetiva ocupação.

Enquanto isso, a eventual redução de volumes incide sobre o setor com rapidez extrema, como uma guilhotina afiada. Não se trata do fim da atividade, mas de mais um momento em que será necessário acomodar-se, adaptar-se e reinventar-se.

Os volumes excedentes são grandes demais para uma absorção imediata. O desafio está posto e a solução não virá de uma lâmpada mágica esquecida em alguma caverna, mas de negociação, realismo e construção conjunta.

Fonte: Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).
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Exportadores de soja deixam acordo sobre desmatamento na Amazônia

Abiove anunciou saída da Moratória da Soja após vigência de lei no MT.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou nesta segunda-feira (5) a saída da Moratória da Soja, um acordo voluntário firmado em 2006 por empresas do setor, com apoio do governo federal e de organizações da sociedade civil, para não comercializar soja proveniente de áreas da Amazônia que tenham sido desmatadas a partir de 2008. 

A entidade representa grandes empresas do setor de processamento, industrialização e comércio de soja. O objetivo do pacto, que completará 20 anos, era justamente frear o desflorestamento do bioma por pressão da soja.

A saída ocorre poucos dias após a entrada em vigor de uma lei estadual do Mato Grosso que veta o acesso a benefícios fiscais em favor de empresas signatárias de acordos comerciais que estabelecem compromisso que vão além da legislação ambiental. A Moratória da Soja vem sendo alvo, há anos, de setores ruralistas contrários à ampliação das restrições ambientais.

A lei do Mato Grosso é objeto de uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) movida por partidos políticos no Supremo Tribunal Federal (STF) e teve sua validade suspensa ao longo dos últimos meses, por força de uma liminar, que perdeu a validade no último dia 31 de dezembro.

Ainda na semana passada, com a queda da liminar, organizações ambientalistas e a Advocacia Geral da União (AGU) pediram uma nova prorrogação da suspensão da norma estadual ao STF, como forma de evitar o esvaziamento da Moratória da Soja, acordo que segue válido. Ainda faz parte do acordo voluntário a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), que reúne empresas como Cargill, ADM, Cutrale, Bunge, Selecta e AMMAGI.

Foto: Gilson Abreu/AEN

Em manifestação oficial, o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, comemorou a saída da Abiove da Moratória da Soja. “A partir de agora, essas empresas, como qualquer brasileiro, deverão cumprir a legislação ambiental do nosso país. Ou seja, o Código Florestal Brasileiro será a baliza para que eles façam exigências ambientais no nosso país. Essa é uma vitória, uma conquista do Estado de Mato Grosso, pois aqui tínhamos algumas exigências que estavam trazendo prejuízos aos nossos produtores, criando uma regra muito acima daquilo que estabelece a lei brasileira”, declarou Mendes, segundo a Secretaria de Comunicação do estado. “No bioma Amazônico, o proprietário de terras pode usar apenas 20% da área, sendo obrigatório preservar os 80% restantes. A maioria dos produtores apoia a aplicação da lei, reconhecendo que o desmatamento ilegal prejudica o meio ambiente, a imagem do país e do estado, e impacta negativamente o agronegócio”, completou o governador.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) já havia divulgado uma manifestação favorável à validade da lei estadual, que inclusive foi regulamentada em decreto do governo mato-grossense. A entidade informou ter estruturado um fluxo próprio de monitoramento, análise e coleta de evidências sobre empresas que fizerem exigências com base na Moratória da Soja, para denunciar ao governo do estado e pedir o fim da concessão eventual de benefícios tributários.

Ambientalistas criticam

A decisão da Abiove foi criticada por entidades ambientalistas que fazem parte da Moratória da Soja, como o Greenpeace Brasil. “O que terminou em 1º de janeiro foram benefícios fiscais em Mato Grosso. Ao comunicar sua saída do acordo, a Abiove e suas associadas optaram por abrir mão de um compromisso que ajudou a reduzir o desmatamento na Amazônia em troca de preservar seus benefícios fiscais. É uma decisão empresarial, não uma exigência legal. Nenhuma norma, determinação legal ou imposição judicial obriga empresas a abandonar a Moratória da Soja”, argumenta o coordenador de campanhas do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista.

Desde que foi firmado, o cumprimento do acordo tem sido acompanhado de perto por entidades ambientalistas, por meio do monitoramento via satélite. Dados apresentados pelo Greenpeace Brasil, por exemplo, dão conta de um aumento de 344% na produção de soja na Amazônia entre 2009 e 2022, enquanto que no mesmo período houve uma queda de 69% no desmatamento do bioma, indicando aumento de produtividade sem expansão territorial. “Manter a Moratória significaria ser coerente com promessas feitas a investidores e mercados internacionais. Sair significa assumir o risco ambiental, reputacional e entregar para seus consumidores uma soja ligada ao desmatamento pós-2008”, acrescenta Batista.

Foto: Divulgação/OP Rural

Um estudo preliminar do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) indica que o fim da Moratória da Soja pode aumentar o desmatamento na Amazônia em até 30% até 2045, com impacto direto sobre as metas climáticas brasileiras, conhecidas como NDCs, e metas de desmatamento.

Em nota, a Abiove afirmou que a Moratória da Soja, apesar de ser um mecanismo em vigor, cumpriu um papel histórico e deixa um legado que consolidou o Brasil como referência global em produção sustentável.  “É fundamental destacar que o STF reconheceu a legalidade do pacto. Além disso, mesmo como mecanismo voluntário, a Moratória foi amplamente reconhecida pela União como parte fundamental de sua política pública de preservação ambiental no bioma amazônico e celebrada em razão de seus inequívocos resultados positivos. A Abiove confia que a legislação servirá para assegurar a continuidade das políticas públicas de preservação e controle do desmatamento, combinada com as diretrizes da recém-aprovada Resolução CONAMA nº 510/2025, que veio a estabelecer os requisitos mínimos de validade de autorizações de supressão vegetal, assim como o Código Florestal Brasileiro, dispositivos que asseguram que a soja brasileira mantenha seus altos padrões socioambientais”, declarou a entidade, em nota.

A associação alegou ainda necessidade de segurança jurídica e disse estar empenhada em continuar assegurando o acesso da soja brasileira e seus subprodutos ao mercado internacional. “O legado de monitoramento e a expertise adquirida ao longo de quase 20 anos não serão perdidos. Haverá, individualmente, o atendimento às rigorosas demandas dos mercados globais, confiando igualmente nas autoridades brasileiras para a plena implementação de um novo marco regulatório, de modo a que sejam preservados os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, bem como a segurança e credibilidade ao produto brasileiro perante os seus mercados consumidores, a exemplo do que a Moratória da Soja conseguiu alcançar nesses quase 20 anos”, concluiu a Abiove.

Fonte: Agência Brasil
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