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Lama: um dos principais desafios de confinar no período das águas
Confinar nas águas requer alguns cuidados e ações para superar os desafios que normalmente acontecem, tais como a lama, fornecimentos e desperdícios de dietas, armazenamentos e monitoramento dos insumos e a ronda sanitária.

Por Felipe Bortolotto e Andre Brichi*, da Cargill Nutrição Animal
O Confinamento ainda é visto como um sistema produtivo utilizado para engorda de animais no período da seca, onde normalmente ocorre escassez quantitativa e qualitativa de forragens, forçando os produtores a intensificar o sistema para evitar perdas de peso e atrasos no período de abate dos animais. Outro fator importante de confinar seria a visão de alguns produtores em obter melhores preços de venda no período de transição seca – águas. No entanto, os últimos anos mostram que o período de maior valorização das arrobas vem sendo cada vez mais incerto, anos com preços mais valorizados em janeiro e fevereiro e outros de agosto a outubro. Em 2017 os valores iniciaram mais baixos comparados com 2016, ou seja, a ciclicidade que habitualmente os pecuaristas estavam acostumados hoje se tornou mais complexa.
Período das águas: oportunidades
A oportunidade de confinar no período das águas está ligada a alguns fatores, tais como: diluir o custo fixo das estruturas do confinamento; reduzir a pressão de compra do boi magro no período; diminuir a pressão de compra de alguns insumos com boa oferta no período; otimizar animais de qualidade com peso de desmama elevado na saída da seca; e para atender mercados exigentes e que necessitam de entrega de carne de qualidade regularmente o ano todo.
Confinar nas águas requer alguns cuidados e ações para superar os desafios que normalmente acontecem, tais como a lama, fornecimentos e desperdícios de dietas, armazenamentos e monitoramento dos insumos e a ronda sanitária.
Considerando que a estação chuvosa ocorre no período do verão, quando temos temperaturas elevadas, a formação de lama além de dificultar a locomoção e os acessos dos animais aos cochos e bebedouros, pode contribuir para o aumento de moscas e prejudicar a dissipação de calor pelo animal, podendo ocasionar estresse térmico em determinadas regiões. Os desafios de confinar na estação chuvosa não são pequenos, mais podem ser contornados e minimizados com boas práticas.
O desempenho e a eficiência dos animais dependem muito das dietas consumidas, tanto qualitativamente como quantitativamente, e uma relação que sempre é preocupante nesse período é a da dieta ofertada versus dieta consumida, em outras palavras ter a certeza de que o fornecido seja o mais próximo possível do que foi efetivamente consumido pelos animais. Os desperdícios de dietas com as chuvas fortes podem ser maiores, ou seja, parte da dieta contabilizada no custo alimentar na realidade não foi ingerida e consequentemente convertida em carcaça. Para minimizar o impacto de desperdício uma importante ação é adotar o manejo de cocho limpo, onde a relação de ofertado vs. consumido é extremamente ajustada. Confinamentos que possuem o manejo de cocho bem implantado certamente estarão mais preparados para a engorda no período das chuvas.
Do ponto de vista de desempenho zootécnico podemos colocar a camada de lama como um dos principais fatores de impacto, ou seja, piquetes que apresentam grandes desafios:
Estudo realizado na Universidade do Estado da Dakota do Sul, nos Estados Unidos, determinou-se que em situações de lama com profundidade correspondente a 10,2 – 20,3 cm, o ganho de peso e a eficiência alimentar foram reduzidos em 14 e 12-13 %, respectivamente. Quando a profundidade da lama aumentou para 30,5 – 61,0 cm, a piora no ganho passou para 25 % e na conversão de 20-25 %. Existem alguns fatores de ajuste para o consumo em função da quantidade de lama presente nos currais, como por exemplo reduções de 15 e 30 % na ingestão quando a presença de lama corresponde a 10-20 cm ou 30 – 60 cm, respectivamente.
A declividade dos piquetes é um ponto importante para permitir adequado escoamento da água, sendo recomendado de 3-5 %. Essa declividade estará diretamente ligada ao espaçamento por animal no piquete, que certamente deve ser aumentada em relação ao período da seca. A recomendação é para que seja no mínimo 25m² por animal, podendo ser aumentada conforme condições de drenagem de cada confinamento. Importante também que se tenha uma faixa de concreto de aproximadamente 2,5m de largura para evitar formação de lama próximo ao cocho, calçada importante também nos bebedouros. Durante o planejamento para as águas deve-se visar a utilização das melhores instalações, ou seja, realizar investimentos em linhas/piquetes que realmente irão proporcionar melhores condições para os animais.
Outra possível ação para os piquetes que serão utilizados são as construções de “murundus”, montes de terra no meio do piquete. Estes são utilizados pelos animais principalmente para deitar, tendo assim melhora na eficiência de ruminação. A prática de limpeza dos piquetes no final do período da seca, antes das chuvas, retirando o esterco e, se necessário utilizando cascalho, também minimiza o problema de estrutura com as chuvas.
Práticas comuns no período das águas
Para o período das águas são indicados ajustes nos horários e frequência de tratos, dietas com maiores níveis nutricionais para atender a demanda animal mesmo com menores consumos e manutenções frequentes das ruas de trato para que estejam adequadas para o fluxo de veículos e fornecimento das dietas. Estas são práticas comuns mais que merecem atenção constantemente para minimizar os desafios de confinar nesta época.
É extremamente importante que durante o período das águas sejam realizadas avalições das estruturas e dos animais. Os piquetes podem ser classificados em três níveis de acordo com a camada de lama: Bom (lama < 5cm); Médio (lama de 5 – 10cm); Reprovado (lama > 10cm). Em relação aos animais podemos classificar em quatro níveis: Nível 1 (animais limpos com presença de lama nos pés e acima dos cascos); Nível 2 (lama nas patas acima do jarrete com flancos e barriga limpos); Nível 3: (barriga com presença de torrões de lama e flancos limpos; Nível 4: (barriga e flancos com torrões de lama).
As mensurações rotineiras ajudam no monitoramento do real impacto que cada lote pode sofrer, visto que as perdas de desempenho têm como um dos grandes fatores as condições dos piquetes, aliado ao tempo em que os animais ficam expostos ao desafio. Mensurações semanais irão indicar a somatória do tempo de permanência, condições das estruturas e dos animais. Em confinamentos com até 20 piquetes em uso é recomendado realizar a avaliação em 100% da estrutura, unidades de 21-50 piquetes avaliar no mínimo 40%, acima de 50 piquetes avaliar no mínimo 20%.
Certamente confinar no período das águas exige um bom planejamento e tomadas de decisões estratégicas, sempre visando proporcionar melhores condições aos animais, redução no desperdício de ração e potencializar os índices técnicos e econômicos. Importante destacar que cada estrutura de negócio tem sua realidade e habilidades para potencializar seus lucros, devendo ser analisada de forma criteriosa e assim tomar decisões precisas e mais assertivas.
A decisão de confinar no período das águas deve partir de um bom planejamento técnico e econômico, buscando os benefícios que o período pode trazer para potencializar a produção. A Cargill Nutrição Animal – tem à sua disposição técnicos capacitados e prontos para realizar atendimentos especializados e, dessa maneira, potencializar o lucro de cada confinador/investidor.
Felipe Bortolotto é coordenador Técnico Comercial da Cargill Nutrição Animal – Nutron.
Andre Brichi é assistente Técnico Comercial da Cargill Nutrição Animal – Nutron.
Fonte: Ass. de Imprensa

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Agro brasileiro registra mais de 39 mil ataques cibernéticos em 2025
Levantamento aponta média superior a 3,2 mil tentativas por mês e identifica avanço de sondagens estratégicas antes de ataques como ransomware, ampliando o risco de paralisação de sistemas no campo.

Nesta quarta-feira (25) é celebrado o Dia do Agronegócio, setor que corresponde a cerca de 25% do PIB nacional. No entanto, a pujança do campo atrai um efeito colateral perigoso: o interesse crescente de grupos cibercriminosos. De acordo com o levantamento feito pela ISH Tecnologia, o setor encerrou 2025 com um total de 39.034 mil ataques cibernéticos registrados, mantendo uma média alarmante de mais de 3,2 mil tentativas de invasão por mês.
O relatório revela que os criminosos não estão apenas tentando entrar nos sistemas, mas realizando um trabalho meticuloso de inteligência. Observou-se uma concentração relevante de alertas nas fases iniciais do que a cibersegurança chama de Cyber Kill Chain, o roteiro percorrido pelo hacker desde o primeiro contato até a execução do roubo. Esse cenário evidencia uma intensa atividade de reconhecimento e tentativas de exploração, onde o atacante estuda as defesas do produtor antes de desferir o golpe final.
Cerco nas fronteiras digitais do campo

Diretor de Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia, Hugo Santos: “Investimento em monitoramento de rede 24×7 e a conscientização dos colaboradores sobre esses estágios iniciais de sondagem são hoje elementos tão fundamentais”- Foto: Divulgação
Eventos relacionados a ataques de negação de serviço (DDoS) na borda dos sistemas e a execução de scripts suspeitos indicam esforços consistentes de sondagem. De acordo com o diretor de Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia, Hugo Santos, os criminosos estão testando as fechaduras digitais do agronegócio de forma persistente. “Após essas tentativas iniciais, surgem indícios de evolução para etapas de execução e descoberta, com comportamentos associados ao mapeamento das redes internas e geração de alertas de alta severidade diretamente nos computadores e dispositivos de campo”, pontua.
Santos explica que o agronegócio brasileiro se tornou uma indústria de dados a céu aberto, onde um ataque de ransomware não apenas bloqueia computadores, mas pode paralisar sistemas de irrigação inteligentes ou descalibrar sensores de plantio. “A estratégia dos invasores hoje foca na progressão silenciosa. Ao detectar o ataque ainda nos estágios iniciais de sondagem, o produtor evita que o criminoso chegue à fase de criptografia de dados ou sequestro de maquinário, o que geraria prejuízos medidos em toneladas de grãos perdidos por hora de inatividade”, alerta Santos.
Urgência da detecção precoce
Essa vulnerabilidade é acentuada pelo desafio da última milha. Embora muitos produtores invistam pesado em biotecnologia, a maturidade digital em segurança ainda é desigual. O panorama de 2026 indica a necessidade urgente de fortalecer controles preventivos e mecanismos de detecção precoce.
Santos reforça que garantir a segurança digital no campo deixou de ser um custo de TI e passou a ser uma estratégia de sobrevivência logística. “Investimento em monitoramento de rede 24×7 e a conscientização dos colaboradores sobre esses estágios iniciais de sondagem são hoje elementos tão fundamentais para a estabilidade do trabalho quanto o próprio seguro da safra”, enaltece.
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O custo bilionário da política tarifária de Trump
Decisão da Suprema Corte dos EUA desmonta a estratégia de tributação por decreto, abre passivo estimado em US$ 175 bilhões ao Tesouro e reprecifica risco fiscal, juros e fluxos globais de capital.
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Estudo revela setor de R$ 2,72 trilhões que dita tendências de consumo, cultura e estilo de vida no Brasil
Pesquisa inédita mapeia a transformação do agronegócio em fenômeno cultural que influencia moda, entretenimento, mercado imobiliário e comportamento dos brasileiros.

O agronegócio brasileiro atravessa uma revolução que transcende a produção rural e se consolida como uma das principais forças culturais, econômicas e de consumo do país. É o que revela o estudo Novo Agro, desenvolvido pela Estúdio Eixo, que traça uma fotografia inédita do setor que mais cresce no Brasil.
Com uma metodologia que combina desk research, análise semiótica, netnografia de mais de 100 mil comentários em redes sociais e

Foto: Shutterstock
entrevistas com especialistas dos setores de agro, tech, moda e música, a pesquisa revela como o agronegócio vem moldando novos estilos de vida, valores e práticas culturais pelo Brasil.
Responsável por R$ 2,72 trilhões, em torno de ⅓ do PIB brasileiro, e mais de 28 milhões de empregos, ou seja, 26% dos postos de trabalho do país, o agronegócio transformou cidades do interior em polos de desenvolvimento. Municípios como Sorriso (MT), São Desidério (BA) e Rio Verde (GO) lideram o ranking nacional de produção agrícola, enquanto Goiânia emerge como a Dubai brasileira o epicentro de luxo, com crescimento de 80% em lançamentos imobiliários de alto padrão e porta de entrada prioritária para grifes como Chanel, Tiffany e Christian Louboutin.
Por outro lado, Balneário Camboriú (SC) se consolida como a Riviera do Agro, destino preferencial da nova elite rural, com o metro quadrado mais valorizado do Brasil, em torno de R$ 14,3 mil e crescimento de 11,16% em 12 meses.
Do AgroRaiz ao AgroFuture
A pesquisa mapeia a evolução dos códigos culturais do agro a partir de três camadas complementares. Na base estão os códigos residuais, reunidos sob o conceito de AgroRaiz, que refletem valores fundadores como fé, família, centralidade do trabalho e uma masculinidade associada à rusticidade e à resistência no campo.

PhD em Comunicação, Política, Ciência de Dados, Lucas Reis: “O Novo Agro não pode ser tratado apenas como um segmento econômico, mas como um ecossistema cultural complexo, guiado por dados, símbolos e comportamentos” – Foto: Arquivo pessoal
Na sequência aparecem os códigos dominantes, classificados como AgroStyles, que incorporam vertentes como AgroTech, AgroPop e AgroLuxo, marcadas pela combinação entre tradição produtiva, adoção intensiva de tecnologia e uma estética cada vez mais cosmopolita.
Por fim, a camada emergente, denominada AgroFuture, aponta para novos direcionamentos simbólicos e estratégicos do setor, com destaque para a sustentabilidade orientada por soluções GreenTech e para o avanço do protagonismo feminino no campo, identificado como FeminAgro. “O agro brasileiro não é mais homogêneo. Existem múltiplas identidades do produtor tech que pilota drones ao vaqueiro pop que mescla botas texanas com grifes internacionais. É um remix cultural que combina raízes locais com referências globais”, destaca o estudo.
Para o PhD em Comunicação, Política, Ciência de Dados, Lucas Reis, entender essa transformação é decisivo para marcas que desejam atuar de forma relevante nesse universo. “O Novo Agro não pode ser tratado apenas como um segmento econômico, mas como um ecossistema cultural complexo, guiado por dados, símbolos e comportamentos. Quando analisamos consumo, mídia e performance, fica claro que as marcas que prosperam são aquelas que traduzem esses códigos em estratégias consistentes de comunicação, experiência, relacionamento e não em ações pontuais”, afirma.
Cadeia multibilionária conecta lifestyle e entretenimento
O chamado Novo Agro impulsiona uma cadeia multibilionária que ultrapassa a produção rural e se consolida como força estruturante de

Foto: Divulgação/Agrishow
lifestyle e entretenimento no país. A música sertaneja é um dos principais vetores desse movimento: sete em cada 10 brasileiros consomem o gênero e nove dos 10 álbuns mais ouvidos no Brasil são sertanejos, evidenciando a centralidade cultural do universo agro na indústria fonográfica.
Os rodeios também refletem essa potência econômica e simbólica. São mais de mil eventos por ano, movimentando cerca de R$ 9 bilhões e reunindo aproximadamente nove milhões de pessoas. A Festa do Peão de Barretos, principal vitrine do setor, sozinha gerou R$ 600 milhões em 2025, se consolidando como plataforma de negócios, entretenimento e construção de marca.
No calendário técnico, a Agrishow 2025 registrou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios e recebeu 197 mil visitantes, reforçando o peso do agro como motor de investimentos e inovação.

Foto: Divulgação/Pexels
O reflexo desse posicionamento também aparece no mercado automotivo, com crescimento de 74% nas vendas de picapes premium. A RAM se consolida como símbolo do agro de luxo, associando potência, status e identidade produtiva.
Na moda, o impacto cultural é igualmente expressivo: as buscas por botas western cresceram 379%, enquanto camisas com franja
avançaram 265%, sinalizando que a estética rural se transformou em tendência urbana e elemento de distinção social.
Tendências estruturais
O estudo aponta duas tendências estruturais que reposicionam o perfil do produtor rural brasileiro. A primeira é o avanço do FeminAgro. Hoje, mais de um milhão de produtoras rurais estão à frente de propriedades no país, com crescimento de 109% no emprego formal feminino no campo e cerca de 30 milhões de hectares sob gestão de mulheres.
Esse movimento não é apenas quantitativo, mas simbólico. Perfis como a AgroPaty, herdeiras conectadas, com formação em agronomia e visão orientada por critérios ESG; e a AgroPeoa, mulheres que ocupam a arena produtiva com domínio técnico e presença operacional, traduzem a consolidação de um novo protagonismo feminino no setor.

CEO da Estúdio Eixo, Kika Brandão: “O Novo Agro representa um Brasil que produz, consome e comunica com orgulho sua identidade” – Foto: Arquivo pessoal
A segunda tendência é a sucessão jovem. A idade média do produtor está em 46 anos, e 21% já possuem ensino superior. Essa geração lidera a incorporação de tecnologias como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA) e práticas associadas à agricultura 5.0, acelerando a digitalização e a gestão orientada por dados no campo.
O resultado é um agro mais tecnificado, conectado e alinhado às dinâmicas globais de inovação. “O Novo Agro representa um Brasil que produz, consome e comunica com orgulho sua identidade. É um universo cultural potente, que influencia tendências, linguagem e comportamento muito além do campo”, aponta Kika Brandão, CEO da Eixo.
Mas não basta patrocinar eventos. “As marcas precisam entender os códigos culturais, construir passion points autênticos e entregar valor que reforce identidade e pertencimento. O Novo Agro exige estratégia, não oportunismo”, exalta Kika.







