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Justiça lenta e avanço do desmatamento intensificam conflitos agrários no Cerrado

Tempo prolongado nos processos e expansão da fronteira agrícola ampliam a tensão em áreas disputadas.

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Fotos: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os conflitos agrários no Cerrado são alimentados pela lentidão do Judiciário, por autorizações do Estado para desmatar áreas ainda em disputa, além da dificuldade no acesso à Justiça por parte de povos e comunidades tradicionais. Esses são alguns dos fatores apontados por agricultores familiares, especialistas e um juiz agrário do estado com mais disputas por terra no país: o Maranhão.

A Agência Brasil foi até Balsas (MA), um dos epicentros do agronegócio e segundo município que mais desmata no país, e encontrou agricultores familiares ameaçados, pulverização aérea de agrotóxico, assédio financeiro e juízes que detalham o tamanho do desafio de atuar na área. Essa é a quarta reportagem da série especial Fronteira Cerrado, que investiga como o desmatamento, atrelado ao avanço do agro, pode afetar as águas do bioma e os recursos hídricos do país.

Agricultores sem recursos para advogado

Uma das principais críticas dos posseiros de Gerais de Balsas, região a 300km do centro da cidade, é a falta de apoio para enfrentar esse tipo de situação. Sem recursos para contratar advogado, dependem da Defensoria Pública ou de advogados populares. Os locais de difícil acesso onde vivem essas comunidades contribuem para prejudicar o acesso às instituições do Estado.

Balsas (MA), 09/10/2025 – Francisca Vieira Paz, da Associação Camponesa (ACA), na comunidade do Brejão, nos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Francisca Vieira Paz viaja o sul do Maranhão para dar suporte a povos tradicionais

A presidente da Associação Camponesa do Maranhão (ACA), Francisca Vieira Paz, viaja o sul do estado prestando suporte a comunidades e povos tradicionais que enfrentam conflitos agrários na região. “O Estado é omisso. Nós temos casos extremos em que essas pessoas perdem a vida, mas a violência no campo não é combatida. Hoje, os movimentos sociais e pastorais sociais são a última barreira de proteção desses povos que defendem o pouco que ainda existe do bioma Cerrado”.

Francisca acrescenta que o Judiciário não dá resposta no tempo preciso e, enquanto isso, a soja, o milho, o algodão ou o gado avançam sobre os territórios em disputa.

O Maranhão é, ao lado do Pará, o estado com mais conflitos agrários do país, de acordo com monitoramento feito nacionalmente pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). De acordo com o governo estadual, disputas fundiárias foram elencadas como uma das prioridades do atual mandato. Os detalhes estão publicados na reportagem que conta as ameaças sofridas pelas comunidades tradicionais de Balsas.

Desmatamento autorizado de áreas em disputa

Ao procurar o Tribunal de Justiça do estado do Maranhão, a reportagem foi prontamente atendida pelo juiz Delvan Tavares, titular da Vara Agrária de Imperatriz, segunda maior comarca do estado, responsável por mediar conflitos fundiários de natureza coletiva.

Delvan contou que a Vara Agrária de Imperatriz foi criada no final de 2024 com jurisdição sobre cerca de 70 municípios no Sul e Sudeste do estado, incluindo Balsas. Antes, todos esses casos eram concentrados na comarca de São Luís.

O magistrado explicou que, geralmente, os conflitos começam porque um produtor rural compra uma área e começa a desmatar o Cerrado em áreas requeridas por comunidades tradicionais.

Balsas (MA), 09/10/2025 – Lavoura de cultivo de soja avança sobre a vegetação do cerrado na região do Vão do Uruçuí, nos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Lavoura de cultivo de soja avança sobre a vegetação do cerrado na região do Vão do Uruçuí, nos Gerais de Balsas

“Aquelas comunidades, que se dizem possuidoras também daquela área, ingressam com ações esperando um resultado. De fato, há uma certa morosidade. Muitas vezes o juiz de primeiro grau concedeu uma liminar, uma reintegração de posse. Outras vezes não. Às vezes, aquela medida que foi deferida é revogada pelo tribunal”, reconheceu.

O juiz da Vara Agrária de Imperatriz diz que, desde que assumiu o posto, tenta diminuir o tempo dos processos por meio das inspeções judiciais nos locais em disputa, atividade que, segundo ele, é fundamental para tomada de decisão.

“De janeiro para cá, eu já fiz mais de 20 inspeções em diferentes municípios do estado, principalmente nessa região que tem um avanço considerável do cultivo de soja”, enumera.

Porém, para o magistrado, o problema maior são as autorizações de supressão de vegetação emitidas sem que esteja pacificado quem tem o direito ao uso daquela terra, se comunidades e povos tradicionais, ou os produtores rurais. “Compreendo que essa crise, esse fenômeno, está muito mais relacionado a autorizações indiscriminadas de órgãos de proteção ambiental do que propriamente da morosidade da Justiça. Porque essas pessoas, grileiras ou não, proprietários legítimos ou não, elas, para devastarem essas áreas, normalmente contam com autorização dos órgãos de proteção ambiental”.

Em entrevista à Agência Brasil, detalhada em outra reportagem da série especial Fronteira Cerrado, o secretário do Meio Ambiente do Maranhão, Pedro Chagas, sustentou que todas as autorizações são emitidas seguindo a legislação e de forma técnica.

Fragilidades cartoriais facilitam grilagem

A dificuldade para verificar a veracidade e a consistência dos documentos cartoriais também ajuda a explicar a situação de conflitos, conforme reconheceu o juiz da Vara Agrária Delvan Tavares. “Não é fácil identificar. Até porque os cartórios não têm, vamos dizer, um registro altamente confiável. Isso vai gerando inconsistências”, comenta.

Balsas (MA), 09/10/2025 – Gavião-caboclo em area de vegetação de cerrado atingida por queimada nos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Gavião-caboclo em area de vegetação de cerrado atingida por queimada nos Gerais de Balsas

Tavares citou o caso de uma área grilada que, com financiamento de banco oficial, desmatou cerca de 600 hectares de Cerrado, chegando nos quintais das residências de comunidade tradicional composta por 200 famílias. “O sujeito comprou 400 hectares de outra pessoa com três matrículas da mesma área registradas no cartório. Ele reuniu essas matrículas, unificou e transformou em outra matrícula. Ao fazer isso, o que eram 400 hectares se transformaram em 900 hectares”, relatou.

 

Ou seja, com essas ações cartoriais, uma pessoa conseguiu grilar, no papel, 500 hectares de terra. “Logo em seguida, ele consegue uma autorização de supressão de vegetação, um financiamento de um banco oficial e destrói uma parte significativa do Cerrado”, completou.

Terra mais barata

Pesquisas da Universidade Federal do Pará (UFPA) têm destacado o papel da grilagem no processo de abertura de novas áreas de desmatamento, tanto no Cerrado quanto na Amazônia.

O professor de economia política da UFPA, Danilo Araújo Fernandes, argumentou que a grilagem, ao baixar o preço da terra, torna lucrativa a abertura de novas áreas para a produção agrícola: “a grilagem facilita o processo de expansão das fronteiras porque as terras continuam sendo vendidas, mesmo griladas, a preços baratos”.

Devido a esse processo de grilagem, o especialista afirma que as ações de comando e controle que conseguiram, por algum tempo, reduzir o desmatamento do Cerrado e da Amazônia são insuficientes se a questão fundiária não for resolvida.

“Quando há uma queda no desmatamento, se atribui o sucesso à fiscalização ambiental. Mas os caras que grilaram a terra, continuaram com a terra, porque não houve um avanço sobre a questão fundiária. Você avançou de 2004 em diante na questão ambiental, mas não na questão fundiária”, destacou Danilo.

Preconceito e origens agrárias

Balsas (MA), 09/10/2025 – Trator trabalha em fazenda de cultivo de soja na região da Batavo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Agronegócio mecanizado representa a modernidade para magistrados, segundo juiz aposentado

O juiz aposentado Jorge Moreno, que atualmente dirige o Comitê de Solidariedade à Luta pela Terra (Comsulote), destaca outro obstáculo para que a Justiça seja eficiente na resolução de conflitos agrários: o preconceito com comunidades tradicionais.

Na avaliação de Moreno, o Judiciário não resolve os conflitos porque existiria uma mentalidade, comum dentro do sistema de Justiça e dos cursos de direito, de que o agricultor familiar, sem estudo e sem capital, representaria o atraso, enquanto o agronegócio mecanizado e capitalizado seria a modernidade. “Isso acaba influenciando ideologicamente. Como a maioria dos juízes são urbanos, eles olham as comunidades tradicionais como com certo atraso cultural, atraso que não gera emprego, as pessoas vivem de subsistência, elas não têm grande produção. Então, para que vai ter terra?”.

O juiz aposentado argumenta, ainda, que a maioria dos juízes têm vínculos com produtores rurais, sendo essa uma questão de “classes sociais”. “Você coloca um caso para o juiz e na hora descobre que um parente dele é fazendeiro”, avaliou, acrescentando que, no Brasil, mais vale um documento do cartório, ainda que inconsistente, do que a posse que famílias têm daquela terra por décadas. “Como é que você vai provar que você é proprietário se você não tem acesso aos níveis de educação e você não tem acesso aos cartórios? Então, criou esses entraves”, completou.

Defensoria Pública

Procurada por causa das críticas das comunidades visitadas sobre falta de apoio do Estado nos conflitos fundiários, a Defensoria Pública do Maranhão (DPE/MA) informou, por meio de nota, que possui o Núcleo Regional de Balsas para defender comunidades vulneráveis afetadas por conflitos fundiários ou problemas socioambientais. “A unidade presta assistência jurídica integral e gratuita a famílias e povos tradicionais que dependem diretamente dos recursos naturais do Cerrado para sua subsistência, atuando tanto judicial quanto extrajudicialmente”, informou.

A entidade acrescentou que atua por meio do Núcleo de Defesa Agrária e Socioambiental (NDAS), com unidades em São Luís e Imperatriz, “garantindo cobertura especializada em todo o estado”, além das atividades na Comissão Estadual de Prevenção e Combate à Violência no Campo e Cidades e no Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos.

Fonte: Agência Brasil

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Queda da umidade do solo pode comprometer milho safrinha em várias regiões

Alta temperatura intensifica perda de água e amplia risco nas lavouras. Indicadores por satélite mostram cenário desigual entre estados, com atraso no ciclo e restrição hídrica em áreas-chave de produção.

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A atuação de uma massa de ar quente no Sul do país deve intensificar a evapotranspiração e acelerar a perda de umidade do solo em regiões que já enfrentam restrição hídrica. O cenário amplia o risco de estresse nas lavouras, especialmente na segunda safra.

Foto: Paulo Kurtz

Levantamento da EarthDaily aponta divergência entre os principais modelos climáticos para os próximos dias. O modelo europeu ECMWF indica chuvas abaixo da média em grande parte do país, enquanto o modelo americano GFS projeta precipitações acima da média em áreas do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Matopiba.

Em Mato Grosso, o milho segunda safra ainda não apresenta risco imediato de quebra, apesar de o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) indicar desenvolvimento abaixo do esperado. Como grande parte das lavouras está em estágio inicial, o desempenho dependerá das condições climáticas nas próximas semanas.

No Mato Grosso do Sul, o ciclo já está em andamento, com avanço do NDVI e início da formação de biomassa. A umidade do solo, no entanto, permanece baixa e pode elevar o risco agronômico caso o quadro persista.

Em Goiás, o plantio foi impactado pelo excesso de umidade registrado em março, que atrasou a semeadura. O NDVI confirma início de ciclo mais

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

tardio.

No Oeste do Paraná, o desenvolvimento inicial é considerado positivo, mas a umidade do solo atingiu o menor nível dos últimos quatro anos. A continuidade da seca pode comprometer o potencial produtivo.

No Rio Grande do Sul, houve recuperação da umidade do solo, reduzindo o estresse hídrico e favorecendo o desenvolvimento das lavouras de soja.

Fonte: Assessoria EarthDaily
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Nova geração de cultivares sustenta crescimento da soja no Brasil

Com safra projetada em 177,8 milhões de toneladas, avanço da produção depende do melhoramento genético e de ajuste preciso de manejo para converter potencial em rendimento.

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A evolução genética das cultivares de soja está diretamente associada ao aumento consistente de produtividade no Brasil nas últimas décadas. Na safra 2024/25, o país manteve a liderança global, com produção estimada em 155 milhões de toneladas. Para 2025/26, com cerca de 70% da área já colhida, a projeção é de novo recorde: 177,8 milhões de toneladas, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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Esse desempenho está ligado à incorporação de biotecnologias e ao avanço das técnicas de melhoramento genético, que ampliaram o potencial produtivo e permitiram a expansão da soja para áreas antes consideradas marginais.

Na prática, as novas cultivares oferecem maior estabilidade produtiva diante de variáveis que pressionam o sistema, como irregularidade climática, aumento na incidência de pragas e doenças e maior complexidade no manejo de plantas daninhas. Além disso, há maior exigência do mercado em relação a padrões produtivos e práticas agrícolas, o que também influencia a escolha dos materiais.

Outro ponto relevante é o manejo ambiental. A seleção de cultivares mais adaptadas a diferentes condições de solo e clima contribui para maior eficiência no uso de insumos e melhor desempenho dos sistemas produtivos.

Apesar dos avanços, a adoção de novas cultivares envolve uma fase de adaptação até que o material atinja seu máximo desempenho em campo. Esse

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processo exige ajustes em população de plantas, ambiente de cultivo e manejo, podendo demandar uma ou duas safras até a estabilização dos resultados.

No horizonte tecnológico, o melhoramento genético tende a avançar em características específicas, como maior resistência a nematoides, tolerância a estresses hídricos e ampliação das ferramentas de manejo químico, mantendo elevados tetos produtivos. Nesse contexto, a escolha adequada da cultivar, associada ao manejo técnico, segue como fator determinante para sustentar o crescimento da produção e a competitividade da soja brasileira.

Fonte: O Presente Rural
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Desperdício de alimentos pode custar US$ 540 bilhões ao mundo em 2026

No Brasil, perdas já equivalem a 32% da receita do varejo alimentício. Estudo indica que 61% das empresas não sabem onde desperdiçam, com carnes liderando as perdas e o transporte como o elo menos controlado da cadeia.

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Foto: Gustavo Porpino

O desperdício de alimentos já consome, em média, 32% da receita anual da cadeia de suprimentos do varejo alimentício no Brasil e pode custar US$ 540 bilhões ao sistema global em 2026. Os números fazem parte do relatório Tornando o invisível visível: liberando o valor oculto do desperdício de alimentos para impulsionar crescimento e rentabilidade, divulgado pela Avery Dennison.

O estudo ouviu 3,5 mil varejistas de alimentos e líderes da cadeia de suprimentos em diferentes países e aponta que, apesar do aumento da

Foto: Divulgação

conscientização sobre o tema, 61% das empresas ainda não têm visibilidade completa sobre onde ocorrem as perdas dentro de suas próprias operações. A dificuldade de identificar e atuar nos pontos críticos da cadeia limita a capacidade de reduzir o desperdício e evidencia a necessidade de soluções tecnológicas e maior integração entre os elos do sistema.

O levantamento detalha onde as perdas se concentram, sobretudo nas categorias perecíveis. Metade dos entrevistados aponta carnes como o segmento mais difícil de gerenciar em termos de desperdício; 45% citam frutas e verduras e 28%, produtos de panificação.

Principais problemas

O levantamento reforça que o problema não está concentrado apenas na ponta do varejo, mas distribuído ao longo de toda a operação logística e de abastecimento. Para 51% dos executivos ouvidos, excesso de inventário e falhas no controle de giro fazem com que alimentos ainda próprios para consumo sejam descartados antes de chegar ao consumidor.

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O transporte aparece como um elo particularmente vulnerável. De acordo com o estudo, 56% das empresas admitem não ter clareza sobre quanto se perde durante o deslocamento entre centros de distribuição, lojas e pontos intermediários. A ausência de rastreabilidade detalhada dificulta identificar falhas relacionadas a tempo de trânsito, controle de temperatura e manuseio, fatores críticos especialmente para carnes, frutas, verduras e panificados.

Falta de clareza sobre  perdas

Segundo o especialista em marketing Flavio Marqués, a falta de visibilidade ao longo da cadeia de suprimentos, combinada à baixa adoção de tecnologias, tem provocado perdas relevantes que passam despercebidas pelas empresas e afetam diretamente as margens. “Para superar um desafio dessa dimensão, o primeiro passo é compreendê-lo. Hoje, 61% dos líderes do varejo sequer têm clareza sobre onde estão essas adversidades, o que impede qualquer ação efetiva”, afirma.

Ele ressalta que, com a aplicação de inovação adequada, é possível transformar desperdício em valor mensurável e reposicionar o tema

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como uma questão central de negócios, e não apenas de sustentabilidade. “No Brasil, o custo do desperdício ao longo da cadeia de suprimentos equivale, em média, a 32% da receita total das empresas, o que revela uma margem concreta de recuperação de eficiência e geração de receita”, completa.

Como reduzir perdas

Diante desse cenário, o relatório aponta três frentes operacionais como determinantes para reduzir perdas: visibilidade de inventário em nível de item, previsão de demanda mais precisa e monitoramento da vida útil em tempo real. A combinação desses recursos permitiria identificar onde o desperdício ocorre, ajustar volumes de compra e distribuição e priorizar a venda de produtos mais próximos do vencimento.

Foto: Divulgação/Pexels

Mantidas as tendências atuais, a projeção é que o custo acumulado do desperdício de alimentos entre 2025 e 2030 alcance US$ 3,4 trilhões. O período coincide com o prazo do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12.3 da Organização das Nações Unidas, que estabelece a meta de reduzir pela metade o desperdício global de alimentos até 2030. Ainda assim, 27% dos líderes entrevistados afirmam não acreditar que conseguirão atingir esse objetivo dentro do prazo.

Carnes concentram as maiores perdas

As carnes aparecem como a categoria mais complexa de administrar quando o assunto é desperdício. No Brasil, 72% dos líderes da cadeia de suprimentos indicam esse segmento como o principal ponto crítico. Por se tratar de produtos de alto valor unitário no varejo, pequenas reduções nas perdas resultam em impacto financeiro imediato.

Projeções econômicas independentes apontam que o desperdício de carnes pode alcançar US$ 94 bilhões em perdas globais em 2026, o

Foto: Divulgação/Pexels

equivalente a quase um quinto do impacto econômico total estimado para o período. Na sequência aparecem frutas, verduras e hortaliças, com US$ 88 bilhões.

O cenário é agravado por fatores macroeconômicos e por mudanças no comportamento do consumidor. Para 74% dos entrevistados, a inflação dificultou a previsão de demanda por carnes. Outros 73% relatam aumento na procura por porções menores ou alternativas à proteína animal. O resultado prático é um redesenho do perfil de compra, com consumidores optando por volumes menores e proteínas mais acessíveis, movimento que pressiona a rentabilidade e eleva o risco de perdas no varejo. “Durante muito tempo, o desperdício de alimentos foi tratado quase exclusivamente como uma questão ambiental e social. Ele também envolve negócios e representa uma grande oportunidade, tanto globalmente como no Brasil. Os US$ 540 bilhões em valor perdido devem servir como um claro chamado à ação para que a cadeia de suprimentos do varejo alimentício reduza perdas e aumente a eficiência”, ressalta Marqués.

Para saber mais sobre as ações que podem ser adotadas por líderes da cadeia de suprimentos, varejo alimentício e indústria para enfrentar o desperdício de alimentos, baixe o relatório completo aqui.

Fonte: O Presente Rural com Avery Dennison
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