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Colunistas Julmir Cecon

Amizade, verdade e a essência do cooperativismo

Artigo escrito por Osnei de Lima ressalta a trajetória de Julmir Cecon, parceiro de longa data em produções culturais e cooperativistas, destacando sua ética, generosidade e legado.

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Na foto Osnei de Lima e Julmir Cecon - Foto: Divulgação

Há amizades que nascem do acaso, outras da necessidade e algumas que o destino as escreve com tintas da perenidade. A amizade com Julmir Cecon é dessas que não se explicam por palavras comuns, pois vai além da lógica e do tempo, além das provações, provocações e sombras.

São mais de 20 anos de caminhada em dezenas de produções. Julmir é um ser raro, intuitivo para abrir caminhos inimagináveis. Desconheço medo nesse meu amigo, quando o assunto é desenvolver ideias e conexões textuais memoráveis e emocionantes, na velocidade de um raio. Cecon deixa pelo caminho, com sua maestria, sem dó e nem piedade, todos os que tentam enganá-lo, ou manipulá-lo. Por isso, o convidei para atuar no roteiro de Antes do Nascer do Sol, papel que o dividirá comigo, Paulo Reis (Globo), Gilberto Motta, Homero Franco e Beatriz Bodanese. Por falar nisso, Julmir nunca sentiu urticária em dividir o sucesso com outros e elevá-los a patamares superiores. Um dia me disse: “Osnei, prefiro pecar por ingenuidade, do que apodrecer pelo infame poder e pela mentira”.

Depois de 40,8 anos na Alfa, pediu demissão há 2,9 anos, preparando uma equipe de imprensa incrivelmente fantástica, competentíssima e de confiança plena. Com Aury Bodanese, Cecon trabalhou 20 anos e chama dona Zelinda de 2ª mãe.

Além de ser meu braço direito, esquerdo e às vezes, até as pernas no projeto do Longa, são décadas de respeito, boas ‘brigas’, lealdade e verdade, pilares para uma história de irmandade que jamais será abalada. A nossa marca carrega dedicação, suor e a crença inabalável de que a arte e a harmonia relacional podem vencer tudo.

Trabalhamos juntos em projetos que marcaram nossa trajetória: “Homens de Bem”, “O Gladiador da Paz”, “Frisanco” entre vários outros. Quando a Cooperalfa aportou no RS, por conta de apoio da Aurora, por volta de 2018 e com intermediação do gerente Alfa de Erechim, Eudes Biavatti e do então Supervisor de filiais, Jorge Brock, criamos por telefone, roteiro de um vídeo que marcou época, prontamente apoiado por Romeo Bet, presidente da Alfa e por Mário Lanznaster, Presidente da Aurora, este de saudosa memória. Unimos humildade, talento, honestidade, custo baixo e resultados factíveis.

Sem agenda, nem palco

Julmir nunca precisou agendar; atendia sem frescura a todos da imprensa, assessorias, diretores, colegas de trabalho e associados. Sempre correto e firme: sim é sim. Não é não. Trairagem, “nem a pau, juvenal!” – como ele sempre diz. Em momentos em que muitos se afastariam, ele esteve presente, não só comigo, mas com todos aqueles propósitos coerentes e que tinham a vivência e a história cooperativista no sangue. Nunca precisou de palco e jamais puxou o tapete de alguém. Ao contrário: elevou a estima alheia e seu legado é cristalino. Julmir pode deitar a cabeça no travesseiro e sentir paz.

Ao descobrir invejas miseráveis e sorrateiras, pediu-me: “Osnei, calma; ninguém vai destruir a sua honra, a minha, a dos apoiadores que já assinaram contrato e, especialmente, a da família Bodanese. Reze um Pai Nosso e vá dormir; sabemos quem são os malfeitores, são miseráveis de espírito, fragilizados em sua essência, e eles se autodestruirão”. Demorei pra crer. E Julmir tinha razão, afinal, onde não há caráter, não resta mais nada numa pessoa. Assim foi, assim está sendo, assim será.

Esse caxambuense de palavra ‘olho no olho’ e não de “fuxicos” pelos corredores, é um dos gestores do meu projeto, assina o filme comigo, é taura em redação, é meu conselheiro, divulga as ações, vai acompanhar cada set de gravação ao meu lado e junto com Marcos Wainberg (Global), o qual tive a honra de convidar para ser meu assistente de direção. Não haveria outra pessoa no mundo a ‘me enfiar adaga na costela’ quando necessário, ou a me dar flores quando mereço, afinal, ele nunca teve e jamais terá duas caras. Isso é resultado dele ter trabalhado com Aury Bodanese.

Lado a lado, um pai

Julmir pulsa a alma de Aury, resgata cada lembrança, ensinamentos, pois testemunhou tudo lado a lado. É por isso que este filme não é apenas uma produção cinematográfica. É um ato de amor, de lealdade e de gratidão. E ter Julmir comigo nessa jornada é a maior certeza de que esse legado será contado da forma mais honesta, mais justa e mais comovente possível.

Julmir é parte da minha história, parte da minha luta. E, por isso, afirmo: ninguém jamais destruirá nossa amizade, nem as pedras no caminho, nem a maldade dos que não entendem o valor da memória de um homem que merece o respeito de toda a América Latina. Seguiremos juntos, com o apoio total do ClicRDC, Instituto Humaniza, Fernanda Moreira e Pacheco Advocacia. Essas páginas de vida, em cerca de dois anos, estarão nas telas e plataformas digitais, em quase 200 mil escolas e serão registradas na eternidade, pois temos fé como se irmãos fôssemos.

Fonte: Artigo escrito por Osnei de Lima, diretor e roteirista cinematográfico.

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A matemática do fomento para inovação no agronegócio

Da porteira para dentro, o Brasil é líder. Mas o próximo salto competitivo não está na lavoura, está no laboratório.

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Foto: Shutterstock

O agro brasileiro construiu uma potência produtiva admirada no mundo inteiro. Somos referência em produtividade, eficiência operacional e capacidade de adaptação. Da porteira para dentro, o Brasil é líder. Mas o próximo salto competitivo não está na lavoura, está no laboratório.

O lançamento de R$ 3,3 bilhões em editais de subvenção econômica pela Finep, dentro do programa Finep Mais Inovação Brasil, sinaliza que o país decidiu acelerar sua transformação industrial. Entre esses editais, há um recorte estratégico para as cadeias agroindustriais sustentáveis, com R$ 300 milhões destinados especificamente a projetos de inovação no setor. O edital, disponível no portal oficial da Finep, prevê apoio não reembolsável para o desenvolvimento de novos produtos, processos e tecnologias voltados à agroindústria.

Artigo escrito por Francisco Tripodi, executivo especializado em inovação e financiamento à pesquisa e desenvolvimento.

Esse movimento abre uma oportunidade para o agronegócio brasileiro dar um passo além da exportação de commodities e avançar na agregação de valor por meio de biotecnologia, bioinsumos, fertilizantes de nova geração, processamento industrial e biocombustíveis avançados.

O Brasil já domina a produção de grãos, proteína animal e fibras, mas a pergunta estratégica agora é: queremos continuar exportando matéria-prima ou queremos exportar tecnologia embarcada, soluções industriais e propriedade intelectual derivada daquilo que produzimos?

A matemática do fomento ajuda a dimensionar essa oportunidade e ter a resposta para o questionamento.

Dados dos dez editais da primeira edição do programa Finep Mais Inovação mostram que, a cada R$ 1 investido em projetos apoiados, 69,7% foram aportados pela Finep e apenas 30,3% corresponderam à contrapartida das empresas. Como a subvenção é um recurso não reembolsável, ela reduz diretamente o custo de capital do projeto. Quando essa contrapartida empresarial é estruturada de forma estratégica, pode ainda gerar benefícios fiscais por meio da Lei do Bem, do MOVER e da Lei das TICs, com recuperação que pode chegar a 49% sobre os dispêndios elegíveis.

Na prática, isso significa que cada R$ 1 em subvenção pode gerar aproximadamente até R$ 3 em retorno financeiro em projetos de inovação, considerando os efeitos combinados entre recurso não reembolsável e incentivos fiscais. Para um setor que convive com volatilidade de preços internacionais, pressão de custos e margens apertadas, essa engenharia financeira altera substancialmente a análise de risco.

Não se trata simplesmente de captar recurso público. Trata-se de estruturar projetos com estratégia, governança e visão de longo prazo. Equipamentos de maior risco tecnológico, plantas piloto, unidades de processamento ou soluções biotecnológicas podem ser viabilizados com subvenção. Equipes técnicas e pesquisadores podem gerar créditos fiscais relevantes. O resultado é um projeto mais robusto, com menor exposição financeira e maior capacidade de diferenciação competitiva.

Fazendo uma análise baseada em estimativas de mercado e no meu histórico de atuação no seguimento, indica que empresas que combinam fomento direto e indireto podem crescer até 20% mais rápido que a média de seus setores. Esse crescimento não vem apenas do capital acessado, mas da disciplina estratégica que a inovação exige.

Para mim, o agro brasileiro venceu a batalha da produtividade e agora precisa vencer a batalha da sofisticação tecnológica. O mundo caminha para cadeias mais exigentes em rastreabilidade, sustentabilidade, descarbonização e diferenciação de produto. Quem dominar biotecnologia, processamento avançado e ativos intangíveis terá maior poder de precificação e menor dependência de ciclos internacionais.

Os R$ 300 milhões destinados às cadeias agroindustriais sustentáveis representam uma oportunidade de reposicionamento estratégico. O capital está disponível. O ambiente regulatório está estruturado. O que ainda precisa evoluir, em muitos casos, é a gestão da inovação dentro das empresas, tratando P&D como investimento central na estratégia do negócio.

O agro brasileiro já provou que sabe produzir em escala. O próximo passo é provar que sabe inovar em escala. Dominar a porteira foi uma conquista histórica. Dominar o laboratório pode ser o movimento que garantirá as próximas décadas de liderança global.

Fonte: Artigo escrito por Francisco Tripodi, executivo especializado em inovação e financiamento à pesquisa e desenvolvimento.
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Inventário pode consumir até 40% do patrimônio familiar

Holding rural pode reduzir custos e evitar inventário na sucessão patrimonial

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Manoel Terças - Foto: Divulgação

Até 40% do patrimônio bruto de uma família pode ser consumido em um processo de inventário, somando impostos, custas judiciais e outras despesas. Além do custo elevado, o procedimento costuma se arrastar por anos: em média, cinco até a conclusão.

O advogado Manoel Terças, com 18 anos de atuação jurídica e especialista em holding rural, explica que a constituição de uma holding é hoje uma das estratégias mais utilizadas para organizar o planejamento patrimonial, sucessório e tributário no meio rural.

Segundo ele, a estrutura permite organizar a transferência de bens ainda em vida, reduzir a carga tributária, prevenir conflitos familiares e dar maior previsibilidade à sucessão, evitando a necessidade de inventário judicial.
A possibilidade de criação de holdings no Brasil existe há quase cinco décadas e tem sido amplamente utilizada como instrumento de proteção e gestão do patrimônio familiar. Em determinadas operações, a estrutura também pode oferecer vantagens fiscais, como a não incidência de ITBI.

Fonte: Artigo escrito por Manoel Terças, advogado com 18 anos de atuação jurídica e especialista em holding rural.
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Eficiência, segurança e sustentabilidade: tripé tecnológico molda futuro da logística no agronegócio

Integração de dados, videotelemetria e inteligência artificial já permite reduzir acidentes em até 93% e cortar custos operacionais no transporte.

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Foto: Edilson Oliveira/Seab

A cadeia logística do agronegócio na América Latina atravessa um momento decisivo. Pressionada por margens estreitas, riscos operacionais elevados e exigências crescentes de ESG, a logística deixou de ser um elo de apoio para ocupar o centro da estratégia competitiva do setor. Nesse cenário, eficiência, segurança e sustentabilidade formam um tripé que está sendo profundamente redesenhado pela tecnologia.

Um dos principais entraves ainda é a fragmentação tecnológica. Segundo o Guia de Tendências do setor, 35% das empresas seguem na Zona Travada, com integração manual ou inexistente entre sistemas. Esse cenário compromete a eficiência operacional e amplia riscos. Ao mesmo tempo, 90% das empresas apontam a redução de custos como prioridade máxima, o que explica o movimento de 64,1% delas em retomar a frota própria para conter a inflação logística e retomar o controle da operação. No agronegócio, desafios como baixa conectividade em áreas remotas e alta incidência de acidentes agravam esse contexto.

Artigo escrito por Rony Neri, formado em Ciência da Computação, com especialização em Gestão de Negócios e Liderança, além de MBAs em Gestão Comercial e em Executive Business Management.

A modernização, porém, avança de forma desigual.  O chamado Paradoxo da IA evidencia esse descompasso: enquanto 43,5% dos profissionais usam inteligência artificial para produtividade pessoal, apenas 13,5% das empresas conseguiram integrá-la de forma profunda à operação. A diferença entre usar tecnologia como ferramenta e adotá-la como estratégia define quem ganha competitividade.

Plataformas digitais e análise de dados em tempo real vêm transformando a gestão. Soluções capazes de mapear trajetos mesmo em regiões sem conectividade garantem a continuidade dos dados ao longo da jornada do agro. A análise em tempo real reduz a ociosidade, otimiza rotas e permite o monitoramento do comportamento do motorista por meio de videotelemetria.

Na segurança, a IA permite abandonar a lógica de retrovisor, que apenas registra o evento após o fato, para adotar a prevenção preditiva. O impacto é transformador: casos reais, como o da transportadora Transpanorama, indicam reduções de até 93% na taxa de acidentes rodoviários. Além disso, tecnologias de monitoramento de cabine reduziram em 86% as ocorrências de fadiga e em 70% os excessos de velocidade. A gestão de dados também mitiga riscos de roubos e desvios, combinando tecnologia com investimento em capacitação, prioridade para 62,1% das empresas até 2026.

Essa sinergia entre dados e comportamento humano gera resultados diretos no balanço financeiro, como demonstra o case da Terra Minas: a precisão no monitoramento e a condução técnica otimizada resultaram em uma economia de 20% no consumo de combustível, além de uma redução de 25% nos custos de manutenção de pneus e molas, provando que a segurança preditiva é, também, um motor de rentabilidade.

No pilar ambiental, a tecnologia viabiliza ganhos mensuráveis. A otimização de rotas reduz a queima de combustível e a manutenção preditiva diminui emissões. A sustentabilidade, nesse contexto, é consequência direta da eficiência operacional.

O futuro da logística do agronegócio passa por plataformas abertas,  IA de profundidade e uma força de trabalho digital, impulsionada pela Geração Z, que já representa 18,5% do setor. Investir em tecnologia deixou de ser opcional. Em um mercado que não tolera mais ineficiência, somente operações orientadas por dados serão capazes de crescer com competitividade, resiliência e responsabilidade.

Fonte: Artigo escrito por Rony Neri, formado em Ciência da Computação, com especialização em Gestão de Negócios e Liderança, além de MBAs em Gestão Comercial e em Executive Business Management.
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