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Jazidas e bioinsumos minimizam falta de fertilizante estrangeiro

Guerra entre Rússia e Ucrânia causa instabilidade no fornecimento, expõe dependência nacional e aponta caminhos para reduzir impactos e perdas de produtividade.

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Fotos: Divulgação/FAEP

Os conflitos no Leste Europeu deixaram ainda mais visível a dependência do Brasil de fertilizantes estrangeiros. Com o desenrolar dos ataques russos à Ucrânia, muitos países impuseram sanções econômicas à Rússia, o que deixou a importação destes insumos na corda-bamba. Isso porque a agricultura brasileira utiliza 85% comprados do exterior, sendo que o país comandado por Vladimir Putin é responsável por 28% dos negócios.

O Paraná recebe uma fatia significativa dos insumos NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) do exterior, sendo o terceiro Estado que mais importa adubos e fertilizantes de outros países. Em 2021, cerca de 3,5 milhões de toneladas chegaram às lavouras paranaenses. A China e a Rússia foram as maiores fornecedoras de nitrogênio, com 32,7% e 22,5%, respectivamente. Já o potássio, 29,6% provêm do Canadá, 25,4% da Bielorússia e 21,3% da Rússia; e o fósforo, 45,3% da China e 29,1% do Egito.

“Com as sanções impostas pelo Ocidente à Rússia, a oferta de fertilizantes pode ser comprometida no Estado. A China é um exportador que merece atenção, visto que sua política protecionista segura matérias-primas no mercado interno, principalmente gás natural e petróleo, encarecendo os fertilizantes nitrogenados. A Bielorrússia é um aliado histórico da Rússia e sofre as mesmas sanções do Ocidente, o que compromete a importação de potássio”, destaca Bruno Vizioli, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Diante deste cenário delicado, agricultores já se preocupam com a possibilidade de faltar fertilizantes no mercado. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o estoque brasileiro é suficiente para o plantio até outubro, quando começa a safra de verão. Enquanto isso, o órgão tem se mobilizado para tentar garantir o suprimento ao setor. Uma das alternativas seria o estabelecimento de novos fornecedores e aumento das importações de potássio do Canadá, que detém 33% da produção mundial.

Para a especialista de mercado, Maísa Romanello, como a demanda brasileira para a próxima safra não coincide com a dos países do Hemisfério Norte, isso aumenta as chances da disponibilidade de potássio. “A questão mesmo é o preço, já que agora existe um monopólio por parte do Canadá”, elenca. “O potássio é importante para todas as culturas agrícolas. É um nutriente que não fica armazenado no solo, sofre lixiviação [perda de nutriente no solo] e precisa ser colocado em maiores quantidades para ter os índices de produtividade esperados”, acrescenta Maísa.

Na avaliação de César Castro, especialista em commodities da Consultoria Agro do Itaú BBA, ainda que seja uma solução parcial, é improvável que o Canadá consiga suprir a demanda mundial de potássio e compensar a saída da Rússia e da Bielorússia do mercado. Ainda, Castro não descarta a possibilidade de faltar fertilizantes para a safra de verão.

“Mesmo que a guerra termine, aparentemente as sanções seguirão. Claro que alimentos, commodities, energia e fertilizantes têm ficado de fora das sanções, mas existem várias dificuldades de operacionalizar isso, como sistemas de pagamentos e relações de confiança entre compradores e vendedores, que ficaram abaladas. Ainda há uma série de incertezas. No entanto, qualquer problema vai refletir somente em 2023”, analisa Castro.

Uso de dejetos animais

Enquanto o governo federal não estabelece novos acordos, o setor agrícola se mobiliza para avaliar opções para driblar o cenário de escassez. O uso de bioinsumos de origem animal tem sido considerado uma alternativa viável para mitigar os riscos de uma possível falta de fertilizantes NPK, principalmente em regiões polos suinícolas, avícolas e leiteiras.

Os dejetos produzidos pela suinocultura já são utilizados como biofertilizantes em diversas localidades do Paraná. No entanto, o potencial produtivo ainda está longe de ser integralmente explorado. Em 2020, de acordo com dados do Volume Bruto de Produção (VBP) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), foram comercializadas 7,2 milhões de toneladas de esterco suíno e bovino, 15,5% da produção total de 47 milhões de toneladas.

Em relação às camas de aviário, considerando 12 aves alojadas por m², em um ano são produzidos mais de 14,9 milhões de toneladas de dejetos. Deste volume, apenas 20,2% foram comercializados. “No cenário de redução da oferta de fertilizantes, o uso de dejetos para adubação pode reduzir a pressão sobre os importados”, aponta Vizioli, do DTE do Sistema FAEP/SENAR-PR.

A partir desta perspectiva que Douglas Leonardo Derengoski, gerente de uma propriedade de 1,2 mil hectares em Paulo Frontin, na região Sul do Estado, adotou o uso de camas de aviário na lavoura de soja. A primeira experiência está sento nesta safra, com resultados satisfatórios.

“Estamos usando [cama de aviário] para compor com fertilizantes químicos. A gente usa agricultura de precisão, identifica pontos que necessitam reforço e aplica a cama de aviário. Nestes talhões estamos colhendo 80 sacas por hectare”, conta Derengoski.

Apesar de o planejamento ser ampliar o uso de bioinsumos, o gerente não sabe se vai encontrar produtos no mercado. Atualmente faltam indústrias especializadas na venda de camas de aviário. “Existe uma dificuldade de abrir canais, identificar fornecedores. Mesmo assim, queremos, aos poucos, modificar o manejo na propriedade, e diminuir a dependência dos insumos químicos”, destaca.

Além dos benefícios econômicos, a possibilidade de gerar insumos por meio de resíduos da pecuária paranaense permitiria reduzir o impacto ambiental em relação à destinação dos dejetos, reduzindo emissões de carbono e metano. Essa alternativa, inclusive, vai ao encontro da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em 2010 pela Lei 12.305, que determina a destinação correta e tratamento dos resíduos gerados ao longo das cadeias produtivas.

No caso da suinocultura, muitos produtores utilizam o dejeto líquido diretamente no solo como fertilizante. Outros usam biodigestores para a produção de biogás e geração de energia, cujo processamento gera, pelo menos, 80% do volume de dejeto inicial em resíduo que pode vir a ser utilizado como fertilizante (digestrato).

Desde 2006, José Carlos Colombari, produtor e presidente do Sindicato Rural de São Miguel do Iguaçu, na região Oeste do Paraná, possui dois biodigestores instalados na propriedade. A partir dos dejetos de 5 mil suínos em fase de terminação, são produzidos 50 m³ de biofertilizantes por dia, 100% aplicados sob sistema de fertirrigação em uma área de pastagens de 42 hectares, onde é mantido um rebanho de gado de corte em semiconfinamento.

“As pastagens foram recuperadas e são adubadas apenas com os biofertilizantes. Resultado disso é que somos 10 vezes mais eficientes que a média nacional. Enquanto o Brasil coloca um animal por hectare, conseguimos trabalhar com 10 por hectare, na média do ano”, afirma Colombari.

O projeto dos biodigestores na propriedade começou a partir da preocupação em reduzir o passivo ambiental. De 1997 a 2004, a suinocultura na propriedade de Colombari cresceu de 600 para 2 mil animais, causando também um aumento no volume de dejetos produzido. “Antes do biodigestor, os dejetos costumavam ficar a céu aberto, com período de armazenamento de 60 a 90 dias para a fermentação. Mas, como o volume era grande, trazia bastante desconforto para quem vivia e trabalhava na propriedade. A qualidade de vida melhorou com o tratamento dos dejetos. Não temos mais odor e insetos”, conta o proprietário, que também é presidente da Comissão Técnica de Meio Ambiente da FAEP.

Atualmente, a economia com fertilizantes nas pastagens da propriedade de Colombari gira em torno de R$ 5 mil por mês. Com os biodigestores, também são produzidos diariamente cerca de 1,4 megawatt (MW) de energia elétrica, que gera uma economia de R$ 25 mil na conta de luz no final do mês.

Recentemente, o produtor passou a investir na avicultura de corte, sendo que o objetivo é utilizar 100% da cama de aviário nas lavouras de soja e milho da propriedade. A atividade já está no seu quarto lote, com capacidade para 180 mil aves. Com uma produção estimada em 800 toneladas de cama de aviário por ano, a expectativa é economizar R$ 250 mil no gasto com adubação por ano. “Considerando a tonelada de cama em torno de R$ 120 e o atual preço dos fertilizantes, no mês, são gastos R$ 1,5 mil usando NPK contra R$ 600 usando cama de aviário”, relata.

De acordo com o levantamento realizado pelo Sistema FAEP/SENAR-PR, considerando a oferta de nutrientes em cada dejeto e a importação pelo Paraná, o uso da cama de aviário, caso fosse utilizado na sua totalidade, poderia suprir a importação de fósforo. Já o uso de dejetos suíno e bovino na sua totalidade seria capaz de suprir as importações de todos os adubos.

 

Eficiência

Segundo Volnei Pauletti, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em produção vegetal e nutrição de plantas, é preciso considerar que, ao utilizar dejetos animais, sólidos ou líquidos, na adubação das lavouras, o tempo para liberação dos nutrientes é maior. “Esse esterco precisa ser mineralizado com atividade biológica para liberar os nutrientes na solução do solo, diferente do adubo mineral, que já passou pelo processo de solubilização”, explica.

Apesar de o processo orgânico ser mais lento, cerca de 50% do potássio e do nitrogênio são liberados no primeiro cultivo após a aplicação, enquanto a outra metade vai sendo liberada ao longo dos próximos dois a três cultivos. A concentração de nutrientes pode variar conforme o estado físico do dejeto, ou seja, quanto mais seco estiver, maior pode ser a quantidade de nutrientes. Dessa forma, a concentração no digestrato é maior do que a contida no dejeto antes da biodigestão.

Outro ponto a ser considerado é que, no uso do esterco animal, os nutrientes são aplicados de forma conjunta. Nesse sentido, a análise do solo e o acompanhamento técnico são fundamentais para fazer a aplicação dos dejetos de acordo com as necessidades do solo e, caso precise, complementar a adubação com os fertilizantes NPK.

“Toda decisão deve ser baseada em análise do solo. Hoje a gente já tem conhecimento para usar esse insumo para melhorar as áreas da propriedade de maneira uniforme”, analisa Pauletti.

Gargalos

Mesmo com um potencial de produção significativo, o uso de dejetos animais ainda esbarra, principalmente, em dificuldades logísticas para a comercialização. O custo do frete rodoviário, baseado no valor do quilômetro rodado, poderia inviabilizar a aquisição destes insumos para regiões mais distantes das granjas e aviários.

Segundo cálculos realizados por Vizioli, do Sistema FAEP/ SENAR-PR, na suinocultura, por exemplo, a distância economicamente viável para transporte seria de 11,8 quilômetros. Nessa conta, foi considerada uma tonelada de dejeto suíno com 3% de matéria seca, o custo de aplicação, o valor do frete por quilômetro e os valores do quilo de cada nutriente em fevereiro de 2022.

Uma solução logística que poderia favorecer o escoamento dos biofertilizantes é a criação de polos industriais para captação de dejetos e geração de energia. Na avaliação de Vizioli, essa alternativa tornaria viável a instalação de uma central de biodigestor, onde pequenos e médios suinocultores concentrariam os dejetos da produção.

A maior dificuldade para transporte seria com os dejetos líquidos, provenientes de suínos e bovinos. Como a concentração de nutrientes é mais baixa nesse estado, a inviabilidade aumenta conforme a distância. “Uma estratégia seria secar o material que sai do biodigestor. Nesse caso, é preciso considerar que há um custo com a energia, mas que poderia ser sanado com o uso do biogás nos secadores”, aponta Vizioli.

A comercialização de cama de aviário é realizada com mais frequência pelos produtores paranaenses, devido ao estado sólido dos dejetos, no entanto, ainda fica restrita às regiões onde estão localizados os maiores polos avícolas do Estado.

Na avaliação de Castro, do Itaú BBA, o tempo de adaptação do solo também deve ser levado em conta ao considerar o uso de dejetos como alternativa aos fertilizantes minerais. No caso, produtores que já fazem uso da técnica, naturalmente terão maior eficiência devido à qualidade de solo construída ao longo dos anos.

“É uma alternativa que ajuda a mitigar os riscos nesse momento, mas, de preferência, para quem já faz e sabe como fazer. Quem nunca utilizou biofertilizantes, não está envolvido em práticas regenerativas, nunca fez uma análise de solo, provavelmente não vai ter grande eficiência agora. As respostas só virão mais à frente”, adverte.

Apesar do uso de dejetos mostrar potencial de exploração no Paraná, especialistas sinalizam que os biofertilizantes não substituem os fertilizantes minerais em larga escala e não resolvem o problema imediato a nível nacional, principalmente pelo alto custo com transporte.

“Em locais onde há produção e disponibilidade, é uma alternativa viável. Mas vai depender muito da localização. Muitas vezes o frete não compensa”, aponta Maísa, da Safras & Mercado. “Quem está em solos mais pobres, áreas recém-abertas, que ainda não foram estruturadas, aí é mais complicado. Não dá para dizer que existem alternativas para o Brasil todo”, complementa Castro.

Indústria organomineral

Neste cenário, também se abre a possibilidade da criação de indústrias que processem os dejetos animais, tornando mais fácil a aplicação no solo. Os fertilizantes organominerais são combinações de fontes orgânicas, como o esterco animal, com nutrientes minerais, fabricados industrialmente. Essa tecnologia representa uma alternativa promissora para a destinação segura dos resíduos animais e uma oportunidade de inovação no setor de fertilizantes.

De acordo com a Embrapa Suínos e Aves, comparado ao esterco, o fertilizante organomineral apresenta maior concentração de nutrientes por se tratar de um produto mais estável e uniforme. Já em comparação ao mineral, apresenta um potencial químico reativo relativamente inferior, porém sua eficiência agronômica pode se tornar maior no decorrer do período de desenvolvimento da cultura.

Contudo, o setor de fertilizantes organominerais ainda carece de informações estruturadas e organizadas para a prospecção de mercado e tecnologia no Brasil, como indica o estudo “Fertilizantes organominerais de resíduos do agronegócio: avaliação do potencial econômico brasileiro”, publicado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2017. Nas considerações dos autores, é preciso resolver gargalos tecnológicos associados à conversão da matéria orgânica e ao aproveitamento dos nutrientes disponíveis.

Uma das metas do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado pelo governo federal neste ano é aumentar em, pelo menos, 25% o número de fábricas de fertilizantes organominerais no Centro-Oeste e Centro-Norte até 2030; em 50% até 2040; e em 100% até 2050. A proposta é aumentar a oferta em até 500% para daqui a 28 anos.

Sem incentivo, indústria nacional estagnou

A corrida por fertilizantes no mercado externo reabre uma discussão: por que o Brasil se tornou tão dependente dos insumos importados? Na avaliação dos especialistas, diversos itens podem ser pontuados nessa lista, desde questões tributárias, logísticas e ambientais que travam a produção nacional, até tecnologias insuficientes para explorar as matérias-primas necessárias.

Neste mês de março, o governo federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), num esforço para fortalecer a produção interna e reduzir a dependência das importações. As ações do PNF devem balizar o setor nos próximos 28 anos. A perspectiva é que o Brasil atinja até 60% de produção própria de fertilizantes até 2050.

No entanto, os números dos últimos anos indicam que a indústria nacional vem percorrendo um caminho oposto. Enquanto em 2018 a produção brasileira de fertilizantes girava em torno de 7,4 mil toneladas, em 2021 caiu para 6,3 mil toneladas, conforme dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Em linhas gerais, o Brasil perdeu competitividade industrial. “A nossa produção agrícola só cresceu e a indústria não acompanhou, porque não houve investimento. Outra razão é que os preços de fertilizantes permaneceram baixos nos últimos anos, então manteve-se a importação, resultado de uma política de décadas que não pensou em outras alternativas”, avalia César Castro, consultor do Itaú BBA.

As questões tributárias são um ponto que merecem destaque. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), a indústria nacional paga alíquotas que variam entre 5% e 8,4%, enquanto o fertilizante importado tem isenção. “É uma medida contrária à produção nacional. Fica mais barato importar do que produzir internamente”, elenca Eugênio Stefanelo, especialista em políticas agrícolas e ex-secretário da Agricultura do Paraná.

Falta de políticas públicas atrasou produção e projetos

O cenário de incertezas em relação ao fornecimento externo de fertilizantes apontou para algumas necessidades, como incentivos fiscais e outras medidas para estimular o ingresso de fábricas no Brasil e a exploração de novas jazidas minerais. Além disso, é necessário dar maior celeridade a processos que acabam emperrados por questões ambientais.

As principais discussões costumam se instaurar sobre a extração do potássio, visto que uma parcela considerável das reservas está na Amazônia, com capacidade de produção de 253,4 milhões de toneladas – além de ser o nutriente com maior nível de dependência estrangeira. Porém, levantamentos geológicos recentes apontam que cerca de 894,8 milhões de toneladas de rochas potássicas estão fora da Amazônia e podem serem exploradas sem grande impacto ambiental. Apenas 11% do volume mapeado estão em territórios indígenas e de proteção ambiental, o que permitiria a exploração de 89% das áreas (veja o mapa na página 25).

“Há diversas solicitações de autorização de lavra de indústrias de fertilizantes potássicos em andamento, porém, como as importações eram suficientes, não houve incentivo à indústria nacional e exploração dessas rochas”, constata Bruno Vizioli, técnico do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Em relação ao fósforo, importado em menor quantidade, cerca de 76% das rochas são exploradas no país pela Vale. De acordo com Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil tem cerca de 3 bilhões de toneladas de rocha fosfatada lavrável. Porém a indústria de fertilizantes fosfatados é dependente da importação de matérias-primas intermediárias, como o ácido sulfúrico (82%) e o ácido fosfórico (20%), o que reduz a capacidade de processamento para menos de 40%.

Já os adubos nitrogenados, derivados do gás natural e associados ao petróleo, no Brasil, é 100% explorado pela Petrobras. O país importa como fertilizante pronto quase 66% da ureia e 86% do sulfato de amônio utilizados. No entanto, há dúvidas se o país teria tecnologia para explorar esse potencial produtivo e expandir a fabricação de nitrogênio, fósforo e potássio.

Para Reinhold Stephanes, ex-ministro da Agricultura que, de 2008 a 2010 promoveu um estudo sobre a indústria nacional de fertilizantes, na época havia tecnologia sustentável para explorar fósforo e potássio, que poderia ser comprada de empresas privadas. No caso do nitrogênio, assunto da Petrobras, também houve conversas para a construção de indústrias nos Estados.

O estudo conduzido por Stephanes indicava uma programação para que o Brasil se tornasse autossuficiente em fertilizantes, mas um conjunto de decisões políticas e econômicas não permitiu que ações fossem colocadas em prática para a ampliação da produção nacional. “Eu sempre falei que a dependência dos fertilizantes era questão de segurança nacional”, afirma. Entre as conclusões do estudo, estavam a necessidade de implantação de um órgão com autoridade para administrar e desatar nós de questões ambientais e a criação de um marco regulatório para dar celeridade à exploração de jazidas com potencial produtivo, com o mínimo impacto ambiental possível, determinando prazos para as empresas.

“O poder público deve dar segurança econômica, ambiental e jurídica para o capital privado fazer os investimentos. Se for necessário reduzir tributos, que se reduza. Na sequência, vamos ter mais geração de emprego, riqueza e tributo arrecadado”, observa Stefanelo, ex-secretário da Seab.

Ainda, é preciso considerar que a exploração mineral para a fabricação de fertilizantes apresenta resultados a longo prazo. São entre cinco e 10 anos para iniciar a produção em jazidas nunca exploradas, e de um a dois anos para minas já instaladas. Ou seja, não existe a possibilidade de o Brasil investir em produção própria com resultados para o atual cenário de escassez.

“A longo prazo, o Brasil tem perspectiva para aumentar a produção, com investimentos em pesquisa e logística, mas os resultados virão daqui a alguns anos”, adverte Maísa Romanello, consultora da Safras & Mercado. “Muita coisa precisa ser ajustada. Criar um marco regulatório para que atraia interesse de empresas, não necessariamente nacionais”, complementa Castro, do Itaú BBA.

Recentemente, diversas empresas deixaram os negócios de fertilizantes, o que ampliou a dependência nacional. Em 2018, a Vale negociou suas minas de fosfato e fábricas de fósforo e ácido sulfúrico para a norte-americana Mosaic. A Petrobras se desfez das quatro fábricas de nitrogenados, para concentrar seus investimentos na exploração e produção de petróleo. Duas delas, em Laranjeiras (SE) e Camaçari (BA), foram arrendadas pelo grupo Unigel. As unidades retomaram a produção no ano passado, após quase um ano paradas, contribuindo para a queda da produção nacional. Em 2020, a unidade em Araucária, no Paraná, foi desativada depois de sucessivos prejuízos, que chegaram a R$ 250 milhões. A quarta unidade, de Três Lagoas (MS), foi vendida em fevereiro deste ano para o grupo russo Acron. A planta ainda está em construção, mas, diante das sanções econômicas à Rússia, há dúvidas se os compradores vão concluir o projeto.

Fonte: Sistema FAEP/SENAR-PR

Colunistas

O que a Copa do Mundo ensina sobre trabalho coletivo e cooperativismo

Além dos títulos e das grandes jogadas, o futebol revela princípios como confiança, disciplina e união de esforços que também sustentam o modelo cooperativista.

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O encerramento de mais uma Copa do Mundo de Futebol oferece muito mais do que recordações de grandes partidas, gols memoráveis e emoções compartilhadas por bilhões de pessoas. O maior espetáculo esportivo do planeta também convida à reflexão sobre os valores que sustentam as grandes conquistas coletivas. Entre eles, destacam-se princípios que dialogam diretamente com a essência do cooperativismo.

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O futebol jamais foi apenas um jogo de talentos individuais. Ainda que um atleta possa decidir uma partida com um lance extraordinário, nenhuma seleção alcança um título mundial sem organização, disciplina, estratégia, confiança mútua e absoluta convergência de esforços. A vitória pertence ao conjunto. É justamente nessa lógica que reside uma das maiores aproximações entre o esporte e o modelo cooperativista.

Toda equipe vencedora é construída sobre fundamentos sólidos: respeito às regras, treinamento constante, perseverança diante das adversidades, responsabilidade compartilhada e compromisso com objetivos comuns. Não há espaço para vaidades que se sobreponham ao interesse coletivo. Cada jogador compreende que seu desempenho somente alcança plenitude quando colocado a serviço da equipe. No cooperativismo, essa mesma compreensão orienta diariamente milhões de pessoas que unem capacidades, recursos e experiências para gerar prosperidade comum.

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Outro ensinamento precioso oferecido pelo esporte está na maneira de compreender a competição. O adversário não representa um inimigo a ser eliminado, mas um competidor legítimo, cuja existência qualifica o próprio desafio. O respeito entre adversários fortalece o esporte, assim como a convivência ética fortalece a economia e a sociedade. Competir com integridade, reconhecer méritos, aceitar resultados e buscar constante aperfeiçoamento constituem atitudes que também definem a identidade cooperativista.

O esporte igualmente demonstra que nenhuma conquista duradoura floresce onde prevalecem a violência, a fraude ou a corrupção. A credibilidade das competições depende da observância rigorosa das regras e da conduta ética de seus protagonistas. Da mesma forma, o cooperativismo construiu sua história sobre princípios de transparência, responsabilidade, democracia e confiança, valores indispensáveis para relações econômicas saudáveis e sustentáveis.

Entretanto, talvez a maior oportunidade proporcionada pelo futebol ultrapasse as quatro linhas. Poucos fenômenos

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possuem tamanho alcance cultural e capacidade de mobilização. Milhões de crianças e jovens encontram nos atletas referências para seus próprios sonhos, comportamentos e escolhas. Trata-se de uma influência que transcende o esporte e alcança a formação do caráter.

Por essa razão, jogadores, treinadores e dirigentes carregam consigo uma responsabilidade que acompanha a notoriedade conquistada. A força de seus exemplos pode estimular o gosto pelo estudo, pelo trabalho digno, pelo voluntariado, pela cidadania, pelo respeito às mulheres, pela proteção das crianças e pela valorização dos idosos. Pode inspirar atitudes de solidariedade, respeito às diferenças e convivência pacífica.

Infelizmente, o extraordinário volume de recursos financeiros que envolve o futebol profissional também expõe, em determinadas ocasiões, episódios incompatíveis com a grandeza do esporte. Condutas inadequadas dentro e fora dos

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gramados acabam repercutindo intensamente justamente porque seus protagonistas ocupam posição de destaque perante a sociedade. Quanto maior a admiração despertada, maior também é a responsabilidade pelos exemplos oferecidos.

O cooperativismo acredita que a verdadeira liderança não se mede apenas pelo êxito alcançado, mas principalmente pela capacidade de inspirar pessoas e transformar realidades. O mesmo vale para os grandes ídolos do esporte. Os títulos conquistados permanecem na história; os valores transmitidos moldam gerações.

A Copa termina, os campeões levantam suas taças e as arquibancadas silenciam. Permanecem, porém, as lições que ultrapassam o resultado de uma partida. Entre elas, talvez a mais importante seja a certeza de que as maiores vitórias sempre pertencem àqueles que compreendem que ninguém vence sozinho. Essa convicção constitui a essência do futebol em sua melhor expressão e, há mais de um século, representa também a razão de existir do cooperativismo.

Fonte: Artigo escrito por Vanir Zanatta, presidente do Sistema Ocesc.
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Notícias

Bioinsumos movimentam R$ 1,3 bilhão e área tratada cresce 15% no Brasil em 2026

Levantamento da CropLife Brasil aponta avanço para 31 milhões de hectares tratados com produtos biológicos no primeiro quadrimestre, impulsionado principalmente pelo uso de bioinseticidas no milho segunda safra.

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O mercado brasileiro de bioinsumos manteve trajetória de expansão em 2026, mesmo em um período considerado de menor comercialização para a categoria. Entre janeiro e abril, os produtos biológicos movimentaram R$ 1,3 bilhão no país e foram aplicados em 31 milhões de hectares, aumento de 15% em comparação ao mesmo intervalo de 2025, quando a área tratada alcançou 27 milhões de hectares.

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Os dados fazem parte da nota de julho do CropData, plataforma de informações da CropLife Brasil, e apresentam um panorama inicial do setor antes do início da Safra 2026/2027. O levantamento indica que o avanço está relacionado principalmente à adoção de estratégias de manejo integrado, especialmente em áreas com ocorrência de pragas resistentes e na busca por maior eficiência no uso de tecnologias agrícolas.

Segundo a entidade, o crescimento registrado no primeiro quadrimestre foi puxado pelos bioinseticidas, categoria utilizada principalmente no controle de insetos-praga em culturas como milho e soja. “Mais de 40% desse mercado está concentrado no milho segunda safra, a safrinha, principalmente no controle de cigarrinhas e lagartas. É importante lembrar que, nesse período, as vendas de insumos ainda são de repique e acompanham o calendário de plantio das culturas”, explica o gerente-executivo da CropLife

Gerente-executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides: “Mais de 40% desse mercado está concentrado no milho segunda safra, a safrinha, principalmente no controle de cigarrinhas e lagartas” – Foto: Divulgação

Brasil, Renato Gomides.

De acordo com ele, o desempenho inicial ganha relevância porque ocorre antes do principal período de comercialização de algumas categorias. “No caso da soja, por exemplo, a demanda ganha mais força a partir de junho. Crescer nesse período, portanto, já é um bom sinal. O que sustenta esse avanço é a busca do produtor por um manejo mais sustentável, que integra o biológico ao químico na lavoura”, afirma.

Calendário agrícola influencia demanda por diferentes produtos
O período de janeiro a abril é tradicionalmente marcado pela entressafra das vendas de bioinsumos, já que a comercialização acompanha o calendário agrícola das principais culturas brasileiras. A concentração das vendas varia conforme o posicionamento técnico de cada tecnologia e o ciclo produtivo das lavouras.

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Os biofungicidas, bionematicidas e inoculantes apresentam maior demanda entre junho e dezembro, período associado ao plantio e desenvolvimento inicial da soja. Já os bioinseticidas têm maior participação entre novembro e fevereiro, impulsionados pela segunda safra de milho, além de uma nova aceleração a partir de setembro, com o início do ciclo da soja.

Para a diretora de Bioinsumos da CropLife Brasil, Amália Borsari, os números indicam uma expansão sustentada por investimentos em inovação. “Os dados reforçam que o crescimento dos bioinsumos é estrutural, e não conjuntural. A expansão da área tratada deverá continuar sendo impulsionada pelos investimentos da indústria em pesquisa e desenvolvimento, que vêm colocando no mercado soluções cada vez mais inovadoras, eficientes e integradas ao manejo agrícola”, ressalta.

Brasil encerra primeiro semestre com 53 produtos biológicos ativos
Além do crescimento no uso em campo, o setor também registra aumento no desenvolvimento e registro de novas

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tecnologias. No primeiro semestre de 2026, o Brasil contabilizou 53 produtos biológicos ativos registrados junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Do total, 39 são produtos à base de agentes microbiológicos, oito utilizam agentes macrobiológicos e seis são classificados como bioquímicos. Os dados foram compilados pela consultoria Move Analytics a partir da base oficial do Agrofit, sistema do Mapa que reúne informações sobre produtos registrados para uso agrícola.

A ampliação do portfólio acompanha a entrada de novas soluções destinadas ao manejo de pragas, doenças e à melhoria da eficiência nutricional das plantas, aumentando a participação dos produtos biológicos dentro dos programas de manejo adotados pelos produtores.

Fonte: O Presente Rural
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Indústria moageira do Paraná reforça liderança nacional com presença de moinhos em evento do setor

Estado concentra o maior parque de moagem de trigo do país e responde por cerca de 30% da produção brasileira de farinha.

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Foto: Divulgação/Sinditrigo-PR

O Paraná mantém a liderança da indústria moageira brasileira e concentra aproximadamente 30% da produção nacional de farinha de trigo. Com o maior parque de moagem do país, o Estado tem ampliado sua presença em mercados e investido em inovação para atender às demandas da cadeia de panificação, confeitaria e food service.

Foto: Divulgação/Sinditrigo-PR

Esse protagonismo também se reflete na atuação das empresas paranaenses em eventos voltados ao setor. Seis moinhos associados ao Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR) participaram da Fipan 2026, realizada nesta semana em São Paulo. Estão presentes Anaconda, Consolata, Moinho Globo, Moageira Irati, M. Dias Branco e Bunge.

A participação das empresas ocorre em um momento de fortalecimento da indústria moageira paranaense, que busca ampliar mercados, apresentar novos produtos, acompanhar tendências de consumo e estreitar relações com clientes e fornecedores.

A presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, acompanha a participação dos associados e destaca que a presença

Foto: Divulgação/Sinditrigo-PR

dos moinhos evidencia a capacidade de inovação do setor. “A Fipan tem uma representatividade muito ampla e recebe público do Brasil todo e de outros países. Os moinhos do Paraná estão presentes com estandes modernos e atrativos, trazendo novidades, lançamentos, cursos e técnicas. É muito importante acompanhar esse desenvolvimento e ver como os nossos associados estão evoluindo. Esse é um dos papéis do Sinditrigo-PR: contribuir para que toda a cadeia cresça e avance de forma sustentável”, afirma.

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Considerada a principal feira da América Latina para os segmentos de panificação, confeitaria e food service, a Fipan reúne fabricantes de insumos, equipamentos e fornecedores de tecnologia, além de profissionais do mercado interessados em conhecer lançamentos e tendências para a cadeia de alimentos.

Fonte: Assessoria Sinditrigo-PR
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