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Javalis ampliam risco sanitário no entorno das granjas, alerta Embrapa

Pesquisadora Virginia Santiago Silva afirmou que eles alteram a dinâmica de patógenos no ambiente, podem introduzir novos agentes, amplificar os já existentes e criar uma interface sanitária mais complexa entre vida livre, produção animal e saúde pública.

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Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT

Na discussão sobre javalis, o dano visível costuma aparecer primeiro: lavoura revolvida, cerca rompida, área degradada, prejuízo econômico. Para a Embrapa, porém, há uma camada menos evidente e potencialmente mais grave nesse problema. O javali não ameaça apenas o solo, a água ou a produção. Ele altera a dinâmica sanitária dos ambientes por onde circula e amplia uma zona de contato entre vida livre, animais domésticos, seres humanos e patógenos que o Brasil ainda conhece apenas em parte. Foi essa a linha central da palestra de Virginia Santiago Silva, da Embrapa Suínos e Aves.

Virginia Santiago Silva, da Embrapa Suínos e Aves.

A pesquisadora deixou claro o tamanho do desafio. “A Embrapa Suínos e Aves, em parceria com o Ministério da Agricultura, desde 2012 vem trabalhando nesse tema. A realidade do Brasil que lamentavelmente é muito mais desafiadora do que aquilo que a gente viu acontecendo nos Estados Unidos”, disse em relação à palestra que abordou a dinâmica do problema no país norte-americano, que tem em torno de 6 milhões de javalis na natureza e um prejuízo anual estimado em US$ 3,4 bilhões. O problema brasileiro, na leitura da pesquisadora, não é menor nem mais simples. É mais difícil justamente porque combina dispersão ampla, baixa capacidade de dimensionamento completo do risco e enorme complexidade ambiental.

Espécie invasora altera a dinâmica sanitária do ambiente

Virginia enfatizou que espécies exóticas invasoras não apenas ocupam espaço novo; elas alteram a condição sanitária dos ambientes em que entram. “A partir do momento de ingresso numa área nova, introduzem novos patógenos. Podem atuar como amplificadores dos patógenos ali existentes”, disse. “Por mecanismos indiretos, também alteram a dinâmica ambiental e de patógenos, trazendo novas situações.”

Foto: Shutterstock

Ou seja: não se trata apenas de um animal fora de lugar, causando dano mecânico no território. Trata-se de uma espécie com capacidade de reorganizar as interfaces epidemiológicas fora da porteira e, a partir daí, aumentar a pressão sobre sistemas produtivos que dependem de previsibilidade sanitária, como a suinocultura.

A própria pesquisadora insistiu nessa análise. “O javali, extremamente adaptado, onívoro, em vida livre e amplamente disseminado, infelizmente no nosso país já está em todos os biomas”, afirmou. Se o animal já alcança essa distribuição, seu papel sanitário deixa de ser pontual e passa a ser nacional.

Fora da porteira o risco já está circulando

Ao longo da apresentação, Virginia construiu uma ideia que interessa diretamente à suinocultura: o problema começa antes da granja. O ambiente externo, muitas vezes tratado como pano de fundo, é parte da equação sanitária. “A gente quer lembrar como espécies exóticas invasoras podem alterar a condição sanitária de um ambiente”, reforçou. Depois, ao mostrar interações entre diferentes espécies em uma mesma área, foi ainda mais explícita: “Muitas outras espécies estão compartilhando desse ambiente, a mesma água, o mesmo alimento.”

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT

Para ilustrar, durante sua palestra ela apresentou imagens registradas em uma mesma câmera, em Minas Gerais, mostrando javali, lobo-guará, jaguatirica e cão doméstico circulando no mesmo ambiente. A pergunta levantada pela pesquisadora não foi retórica, mas epidemiológica: que patógenos esses animais podem estar compartilhando entre si, ainda que essa circulação passe despercebida? O ponto central da fala é que o javali se insere numa rede de contatos sanitários muito mais ampla do que a imagem convencional de praga é percebida pelos atores do agronegócio.

Ao comentar morcegos hematófagos, por exemplo, Virginia lembrou que a associação imediata costuma ser com raiva, mas chamou atenção para algo maior: “É um mamífero alado que é portador de uma série de outros patógenos. Alguns a gente conhece; uma grande maioria, a gente nem conhece.” A advertência serve para o conjunto da palestra. O risco sanitário trazido pelos javalis não pode ser lido apenas pelo repertório das doenças já conhecidas ou das quais já se fala com frequência. Parte importante do problema, segundo ela, ainda está naquilo que o país não conhece o suficiente.

O javali pode parecer saudável e ainda assim carregar risco

Outro núcleo importante da palestra foi a crítica à falsa segurança baseada na aparência do animal. Virginia chamou atenção para o fato de que muitos agentes de interesse sanitário circulam sem produzir sinais clínicos evidentes. “A maioria deles, zoonóticos ou não, muitas vezes não apresentam sinais clínicos ou lesões. Quando a gente fala que realmente acessa essas populações, a primeira coisa que se diz é: ‘mas eu nunca vi um javali doente’. E provavelmente não vai ver.” A pesquisadora reforça que o javali pode carrear uma série de patógenos de interesse para a suinocultura, para a saúde pública e para a pecuária em geral sem manifestar sinais evidentes.

O desafio humano é tão grande quanto o biológico

Foto: Shutterstock

Ao falar para uma plateia formada por médicos-veterinários especialistas em suínos, Virginia não se restringiu à ecologia dos patógenos. Ela também tocou num ponto delicado para qualquer estratégia de controle: a dificuldade de fazer as populações expostas incorporarem a dimensão real do risco. “Só nos resta convencer as populações humanas que acessam esses animais de que existe um risco inerente nessa atividade”, disse. “A coisa mais desafiadora que tem: caçador caça sem luvas.”

Do ponto de vista da Embrapa, a ameaça sanitária não se limita ao contato do javali com a produção. Ela inclui também o modo como pessoas entram em contato com carcaças, sangue, vísceras e ambientes contaminados sem protocolos mínimos de proteção.

Virginia insistiu que “essas doenças realmente podem estar circulando mais do que a gente pode dimensionar”. Não é uma formulação exagerada. É uma advertência sobre subnotificação, baixa visibilidade e acesso limitado a amostras e diagnósticos.

Consumo da carne de javali

Foto: Divulgação

Virginia alertou para o risco de normalizar o consumo da carne de javali e dos produtos artesanais derivados como se fosse solução ou aproveitamento legítimo de um problema populacional. Ao mencionar produtos artesanais e experiências de outros países, ela reforçou que a questão sanitária não desaparece quando o animal vira proteína. Pelo contrário, frisou, o processamento e o consumo podem abrir novas portas de exposição.

A pesquisadora foi enfática ao tratar da ideia de aproveitar oficialmente essa carne. “Isso não é permitido”, disse. “A partir do momento que a gente realmente admite que o animal já nasce com um produto, a gente já perdeu”, frisando que a Embrapa não olha o javali como recurso alternativo de proteína, mas como risco sanitário e ecológico que exige controle, não incorporação à cadeia formal de alimentos.

A invasão já chegou à interface com os criatórios

Virginia também trouxe exemplos concretos de detecções e interações que alteraram o status de algumas regiões em relação à vigilância. “Hoje javalis estão invadindo e nós detectamos”, afirmou, ao relacionar esse avanço a mudanças na realidade sanitária monitorada.

Ao relacionar esse avanço com a realidade dos sistemas produtivos, a pesquisadora deixou claro que a preocupação não é apenas externa. O ambiente “fora da porteira”, na formulação dela, pode alterar diretamente o risco “dentro da porteira”. Para a suinocultura, essa é talvez a mensagem mais estratégica de toda a palestra: a biosseguridade da granja já não pode ser pensada apenas da cerca para dentro.

O risco mais comentado não apaga os outros

Ao abordar doenças de notificação obrigatória e ameaças sanitárias globais, Virginia reconheceu o peso da peste suína africana no debate contemporâneo, mas fez questão de alertar que a concentração num único temor pode empobrecer a resposta. A mensagem foi clara: há outros agentes, outras interfaces e outras alterações sanitárias relevantes em curso, muitas vezes negligenciadas ou minimizadas na discussão de políticas públicas. “Esses problemas têm sido negligenciados ou minimizados na hora da discussão das políticas públicas”, afirmou. Para a Embrapa, a ameaça é permanente, ambientalmente disseminada e sanitariamente multifacetada.

Javali altera, não apenas destrói

A contribuição mais importante da palestra de Virginia Santiago Silva talvez tenha sido essa mudança de lente. O javali não é apenas o animal que rompe cerca, revolve solo ou aparece na lavoura. Ele altera interações entre espécies, mexe na circulação de patógenos, cria novas interfaces sanitárias e pressiona a biosseguridade das cadeias produtivas a partir de fora da porteira.

A pesquisadora tira o debate da superfície do dano imediato e o coloca no plano mais difícil: o da ameaça invisível, persistente e biologicamente complexa. Para a produção de suínos, o recado é direto. O javali não precisa estar doente para representar risco. Não precisa entrar na granja para mudar a pressão sanitária do entorno. Na leitura da Embrapa, ele já interfere nas conexões sanitárias do território. E, para uma cadeia como a suinícola, isso significa lidar não só com o animal que aparece, mas com o que ele pode carregar, amplificar e espalhar sem ser visto.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

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Fotos: Shutterstock

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

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Foto: Shutterstock

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais

Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

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Foto: Divulgação

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.

Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.

O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.

Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.

Fonte: O Presente Rural
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