Peixes
Itaipu avalia produção de tilápia em tanques-rede com potencial estimado de até 400 mil toneladas
Missão técnica no interior paulista reuniu governos do Brasil e Paraguai, prefeitos e setor produtivo para definir modelo ambiental e operacional da piscicultura no reservatório da usina.

Um grupo formado por representantes brasileiros e paraguaios da Itaipu Binacional, autoridades dos governos de ambos os países e prefeitos de municípios lindeiros ao lago de Itaipu visitaram, na última semana, empresas de referência na produção de tilápia em tanques-rede, com escala industrial, no interior de São Paulo. O objetivo é avançar na modelagem e nos requisitos ambientais para implantar esse tipo de produção no reservatório da usina.

Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional
Conforme explicou o ministro da Pesca e Aquicultura do Brasil, Édipo Araújo Cruz, que acompanhou o primeiro dia do roteiro, ambos os governos estão atuando em parceria para promover geração de emprego e renda, e segurança alimentar a partir da produção de tilápia. “Isso dialoga diretamente com a estratégia do governo do Brasil, que é produzir alimento de qualidade e de forma sustentável. Importante destacar, inclusive, que o pescado ajudou o Brasil a, mais uma vez, sair do mapa da fome”, afirmou o ministro.
De acordo com o Anuário Peixe BR 2026, a produção brasileira de tilápia alcançou 707 mil toneladas no ano passado. Estimativas iniciais projetam um potencial de produção de até 400 mil toneladas no reservatório da Itaipu. “Se viermos a explorar 10% desse potencial, isso já representará um incremento significativo na produção nacional, demonstrando o potencial para múltiplos usos do reservatório, além da geração de energia”, afirmou o diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos

Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional
Carboni, que participou da visita.
Esta é a segunda visita técnica promovida pelo grupo. A primeira, no mês de março, possibilitou conhecer a cadeia produtiva da CVale, dona do maior frigorífico de pescados da América Latina, no interior do Paraná, e detentora de uma cadeia produtiva baseada em tanques escavados. Nesta segunda etapa, o objetivo foi visitar empresas nos municípios de Rifaina e Votuporanga, ambas em São Paulo, e que atuam em um sistema mais próximo do que se quer desenvolver no reservatório da Itaipu, no caso, com tanques-rede.

Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional
Segundo o diretor da Fider Pescados (Grupo MCassab), Juliano Kubitza, o mercado de tilápia vem apresentando um crescimento consistente, inclusive com a conquista de novos mercados para a exportação. A empresa processa cerca de 800 toneladas de peixes por mês. “Em mais 10 anos, a produção nacional de tilápia deverá atingir pelo menos 1,5 milhão de toneladas, próximo a da China, que é o maior produtor mundial. Nós temos virtudes naturais que nenhum outro país tem”, afirmou Kubitza.
Para o diretor de Pesca e Aquicultura do Ministério de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Paraguai, Adam Leguizamón, esta segunda visita permitiu aprofundar os conhecimentos sobre as questões de biossegurança e de produção em larga escala. “A gente nota um compromisso muito grande das instituições envolvidas em promover a produção sustentável de tilápia no reservatório da Itaipu. Isso nos estimula ainda mais a seguir trabalhando na modelagem e

Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional
nos requisitos ambientais para viabilizar essa produção”, comentou.
Os prefeitos de Guaíra, Gileade Osti, e de Medianeira, Antônio França Benjamin, acompanharam a visita e disseram estar animados com a perspectiva da produção de tilápia no reservatório da Itaipu, uma vez que diversas comunidades localizadas no entorno dependem da atividade pesqueira. “Guaíra é uma cidade extremamente importante nesse processo, porque é onde está o início do reservatório. Ali temos a influência ainda muito grande do Rio Paraná e a qualidade da água é diferenciada, muito boa para esse tipo de produção”, disse Gileade.
“A tilápia sem dúvida vai potencializar ainda mais a geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico da região lindeira ao lago de Itaipu, aproveitando essa riqueza que é o lago da Itaipu e que, antes, muitas vezes era simplesmente vista como uma área alagada”, completou Benjamin, que também é presidente do Conselho dos Municípios Lindeiros ao lago de Itaipu.

Peixes
Preço da tilápia varia R$ 1,67 por quilo entre as principais regiões produtoras
Norte do Paraná registra a maior cotação, com R$ 10,40/kg, enquanto Oeste do Paraná paga R$ 8,73/kg. Todas as praças monitoradas pelo Cepea tiveram queda na semana.

Os preços da tilápia pagos ao produtor independente apresentaram recuo em todas as regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta semana. Apesar do movimento generalizado de baixa, as diferenças entre as regiões chegam a R$ 1,67 por quilo.

Foto: Shutterstock
O maior preço foi registrado no Norte do Paraná, onde o produtor recebeu, em média, R$ 10,40/kg. Mesmo liderando as cotações, a região apresentou queda de 0,15% em relação à semana anterior.
Na sequência aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com média de R$ 10,14/kg e recuo semanal de 0,43%, e a região de Grandes Lagos, que compreende o noroeste paulista e a divisa com Mato Grosso do Sul, onde a cotação ficou em R$ 9,88/kg, após a maior queda entre as regiões monitoradas, de 1,02%.
Em Morada Nova de Minas (MG), o preço médio foi de R$ 9,51/kg, com variação negativa de 0,11%, a menor retração semanal observada pelo

Foto: Jefferson Christofoletti
levantamento.
O Oeste do Paraná registrou a menor cotação entre as cinco regiões pesquisadas. O produtor independente recebeu, em média, R$ 8,73/kg, valor 0,22% inferior ao da semana anterior e R$ 1,67 abaixo do praticado no Norte do Estado.
Os dados do Cepea indicam que, embora os recuos semanais tenham sido relativamente modestos, variando entre 0,11% e 1,02%, as diferenças de preços entre as principais regiões produtoras seguem relevantes. Entre a maior e a menor cotação, a variação chega a aproximadamente 19%, evidenciando a heterogeneidade do mercado da tilápia no país. Os valores correspondem ao preço à vista pago ao produtor independente.
Peixes
Nota técnica reacende debate sobre classificação da tilápia-do-Nilo
Publicação assinada por 33 pesquisadores reúne estudos sobre os riscos ecológicos da espécie e busca subsidiar decisões da Conabio.

Uma nota técnica assinada por 33 pesquisadores brasileiros aborda a classificação da tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus) como espécie exótica invasora. Publicado em 29 de junho no repositório científico EcoEvoRxiv, o documento reúne estudos da literatura científica que, segundo os autores, indicam que a espécie atende aos critérios internacionais para essa classificação. O material também foi elaborado para contribuir com as discussões em andamento na Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio).

O tema envolve uma das principais espécies da aquicultura brasileira. Em 2025, o Brasil produziu 707.495 toneladas de tilápia, volume equivalente a cerca de 70% da produção nacional de peixes cultivados. A espécie também respondeu por aproximadamente 94% das exportações da piscicultura brasileira, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial de tilápia, segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Os mesmos dados também constam na Nota Técnica nº 2/2026 da Embrapa Pesca e Aquicultura.
A nota técnica trata dos possíveis impactos da presença da tilápia em ambientes naturais fora de sua área de ocorrência original. Segundo os autores, o objetivo do documento é reunir o conhecimento científico disponível sobre os aspectos ecológicos relacionados à espécie, sem abordar sua importância econômica para a piscicultura.

De acordo com Jean R. S. Vitule, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e autor sênior da publicação, o documento busca fornecer subsídios científicos para discussões sobre políticas públicas e propostas relacionadas ao cultivo e à classificação legal de espécies exóticas.
Os autores também destacam que o Brasil reúne a maior diversidade de peixes de água doce do mundo, com milhares de espécies distribuídas em diferentes bacias hidrográficas, muitas delas endêmicas. Segundo a publicação, a introdução de espécies fora de sua distribuição natural é um dos fatores analisados pela comunidade científica em estudos sobre alterações em ecossistemas aquáticos.
A presença da tilápia no Brasil remonta à década de 1950. A tilápia-rendalli (Coptodon rendalli) foi introduzida em 1953. Já a tilápia-do-Nilo foi introduzida oficialmente em 1971 pelo então Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), com o objetivo de produzir alevinos para o peixamento de reservatórios públicos do Nordeste e ampliar a oferta de pescado.
Características como rápido crescimento, boa conversão alimentar, capacidade de adaptação a diferentes condições ambientais e elevado potencial reprodutivo favoreceram a expansão da tilápia-do-Nilo, que se tornou a principal espécie da piscicultura brasileira.
Segundo a nota técnica, quando indivíduos escapam de viveiros, açudes ou tanques-rede, conseguem sobreviver, reproduzir-se e formar populações em ambientes naturais, ocorre um processo denominado invasão biológica. Esse é o tema central discutido pelos pesquisadores no documento.
Peixes
Aplicativo digital moderniza coleta de dados da pesca artesanal no Brasil
Ferramenta PesqBR permitirá registro direto da produção pelos pescadores e deve subsidiar estatísticas e políticas públicas do setor.

A coleta e a gestão de dados da pesca artesanal no Brasil passam a contar com uma nova ferramenta digital. Em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), a Universidade Federal do Piauí (UFPI) lançou na quinta-feira (2) o protótipo do aplicativo PesqBR, durante evento realizado em Luís Correia, a 349 quilômetro de Teresina.

Foto: Divulgação
A iniciativa tem como objetivo aprimorar a geração de estatísticas sobre a atividade pesqueira no país, com registros feitos diretamente pelos próprios pescadores e pescadoras por meio de dispositivos móveis. A proposta é aproximar os dados oficiais da realidade produtiva das comunidades artesanais e fortalecer a base de informações do setor.
Além do aplicativo em fase de testes, foram disponibilizadas a versão web do sistema, computadores para apoio operacional e prevista a capacitação das colônias de pesca. A estrutura permitirá que os registros também sejam utilizados para automonitoramento e gestão local da atividade.
Durante o lançamento, o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, destacou a relevância social da categoria ao afirmar que a produção pesqueira artesanal não pode permanecer invisível, ressaltando o papel dos trabalhadores na oferta de alimentos no país.
De acordo com a secretária Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura, Carolina Dória, o sistema também deve facilitar o acesso a políticas públicas. Os registros realizados no aplicativo poderão ser utilizados como comprovação da atividade no Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira (REAP), reduzindo a burocracia e ampliando a autonomia dos profissionais.

Foto: Divulgação/MPA
Ela explica ainda que a versão destinada às colônias de pesca permitirá o uso dos dados para planejamento e negociação com diferentes esferas de governo e instituições financeiras. Com informações mais precisas, as entidades poderão embasar demandas por infraestrutura, equipamentos, crédito e melhorias na cadeia produtiva.
Nesta fase inicial, o PesqBR será testado por 14.932 pescadores e pescadoras profissionais registrados em cinco municípios piauienses: Luís Correia, Esperantina, Ilha Grande, São João do Piauí e Buriti dos Lopes. Luís Correia concentra a maior base de usuários e se destaca por possuir o principal trecho litorâneo do estado.
A expectativa é que o sistema seja ampliado gradualmente para outras regiões do país, com a perspectiva de se tornar uma ferramenta nacional de referência na coleta de dados da pesca artesanal.



