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Notícias Domésticos e Internacionais

Ipea, Conab e Cepea mapeiam principais produtos agropecuários do Brasil e analisam impacto do conflito entre Rússia e Ucrânia nos preços

A guerra fez com que grãos e oleaginosas em geral, influenciados pelo trigo e pelo óleo de soja, tivessem altas e atingissem patamares acima dos verificados antes da guerra. Também avalia que problemas climáticos afetaram as safras de grãos na América do Sul, em especial no Brasil, na Argentina e no Paraguai.

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Arquivo/Gilson Abreu

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, na última quinta-feira (28), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), nota sobre mercados e preços agropecuários, com uma análise do comportamento dos preços domésticos e internacionais dos principais produtos brasileiros, e os respectivos balanços de oferta e demanda, além das perspectivas do setor para os próximos meses.

Segundo a publicação, o conflito entre Rússia e Ucrânia trouxe um cenário de incertezas sobre a oferta e demanda globais no mercado agrícola. Diante disso, o mercado observou oscilações nos preços internacionais das principais commodities. A nota observa que a Rússia é atualmente a maior produtora mundial de petróleo e gás, e que, nas últimas safras, o país se tornou o maior exportador de trigo do mundo e importante fornecedor de alimentos para a Europa e Ásia. A Ucrânia, por sua vez, é uma das principais fornecedoras de milho e óleo de girassol. Além disso, os dois países têm peso relevante no mercado internacional de insumos agrícolas.

De acordo com a nota, a guerra fez com que grãos e oleaginosas em geral, influenciados pelo trigo e pelo óleo de soja, tivessem altas e atingissem patamares acima dos verificados antes da guerra. Também avalia que problemas climáticos afetaram as safras de grãos na América do Sul, em especial no Brasil, na Argentina e no Paraguai. Esse choque negativo de oferta somou-se à elevação dos custos de produção – devido às altas dos insumos exportados pelos países em guerra.

Para os autores da publicação, as sanções econômicas impostas por diversos países ao mercado russo e algumas quedas na produção em decorrência dos efeitos climáticos podem fazer com que o mercado mundial de commodities agropecuárias vivencie, nos próximos meses, novas altas que podem impactar os preços domésticos.

“As commodities soft, ou seja, aquelas extraídas da natureza, mas que precisam ser cultivadas e não mineradas, como açúcar, café e até mesmo a carne bovina, interromperam a sequência de alta, e apresentaram queda, devido às consequências da guerra sobre a expectativa de crescimento econômico mundial e à sua menor essencialidade em um cenário de conflitos”, afirmou Ana Cecília Kreter, pesquisadora associada do Ipea e uma das coordenadoras da publicação. Porém, ela sinalizou que “como a Rússia e a Ucrânia não têm peso relevante nos mercados dessas commodities, os preços voltaram aos patamares pré-conflito”.

Trigo é o mais afetado pela guerra

O trigo foi o cereal mais afetado pela guerra no Leste Europeu, uma vez que a Rússia representou 19,3% das exportações mundiais na safra 2020/2021, sendo o segundo maior produtor mundial, atrás apenas da China, em que produção está voltada para atender ao mercado doméstico. A Ucrânia também está entre os principais exportadores deste grão, com participações que variam de 8% a 10% das exportações mundiais. A queda na oferta dos dois países vem impactando os preços internacionais e, mais especificamente, o setor de panificados na Europa. Os preços internacionais do grão romperam as máximas históricas em março, chegando a apresentar cotações 76% acima da média no mês de fevereiro de 2022, antes do início do conflito.

Produção de soja e arroz

De acordo com Allan Silveira, superintendente de Inteligência e Gestão da Oferta da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o primeiro trimestre de 2022 foi importante para a definição da produção de soja e arroz. “Para as duas culturas houve uma redução das estimativas de produção em relação às estimativas de dezembro. Esse fato contribuiu para o aumento da instabilidade dos preços nos mercados de arroz e de soja, dada a redução dos estoques finais esperados para as duas culturas”, analisa, complementando: “Por outro lado houve uma melhor consolidação em relação à área de milho de 2ª safra no Brasil, que deve ter um aumento de 7% em relação à safra 2020-2021. Isso é muito importante, considerando o cenário de conflito na Ucrânia e o ambiente de incerteza sobre a real oferta de milho ucraniano para a próxima safra”, relatou.

Carne suína

Um dos produtos que merece destaque é a carne suína, com vendas abaixo do esperado no último trimestre de 2021, que fizeram com que o setor registrasse, no início de 2022, elevados estoques de carne e de animais e que contribuíram para a queda nos preços domésticos. Além da alta oferta, o início do ano verifica, historicamente, menor volume de vendas. Somado a isso, a queda nas exportações de carne entre janeiro e fevereiro também reforçou o aumento da oferta doméstica.

Carne bovina

No caso da carne bovina, a baixa oferta de animais para o abate e o desempenho recorde das exportações da proteína, especialmente para a China, elevaram o preço doméstico da carne. A demanda internacional segue aquecida devido ao avanço das importações chinesas.

Preços agropecuários

Segundo Nicole Rennó, pesquisadora da área de Macroeconomia do Cepea, os preços agropecuários se mantiveram em patamares expressivamente elevados no primeiro trimestre de 2022. “Um reflexo das sucessivas altas verificadas a partir de 2020, com a situação agravada recentemente pela guerra entre Rússia e Ucrânia”, expõe.

Ela traça um panorama para o setor: “Para os próximos meses, ainda há grande indefinição, mas as condições de oferta e demanda e o cenário macroeconômico, em geral, apontam para a manutenção de patamares elevados para os preços. O comportamento da taxa de câmbio, a velocidade de reação da demanda doméstica e os efeitos da guerra serão determinantes para os ajustes positivos ou negativos nos preços dos diferentes mercados nos próximos meses”, avalia.

Fonte: Assessoria

Notícias Paraná

Cooperativa Frísia amplia estrutura e mira mercado de biocombustíveis

Nova esmagadora terá foco na produção de óleo degomado e farelo para os mercados interno e externo.

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Foto: Pedro Ruta Jr.

A Frísia Cooperativa Agroindustrial, com sede em Carambeí (PR), anuncia a assinatura do contrato de aquisição de uma esmagadora de soja em Ponta Grossa (PR). A planta tem capacidade de processamento de 3,4 mil toneladas de soja por dia.

O complexo industrial pertence à multinacional Louis Dreyfus Company (LDC). Os atuais colaboradores serão mantidos na estrutura.

“A aquisição dessa unidade industrial representa um avanço significativo para o cooperativismo paranaense, agregando valor para seus cooperados e impulsionando o desenvolvimento regional. A verticalização da produção, viabilizada por essa unidade, é um pilar fundamental do nosso Planejamento Estratégico para o ciclo 2025-2030. Ao integrarmos etapas produtivas, desde o recebimento da matéria-prima até a industrialização e comercialização dos derivados, ampliamos nossa eficiência, fortalecemos a competitividade e garantimos maior autonomia para enfrentar os desafios do mercado”, destaca o superintendente da Cooperativa Frísia, Mario Dykstra.

Localizada em um terreno de 58,08 hectares, a unidade tem como estrutura: área de recepção, beneficiamento e armazenamento de grãos, com capacidade estática de 300 mil toneladas; área de preparação da soja; extração de óleo e farelo; degomagem e envase de lecitina; e refinaria.

A esmagadora terá como foco a produção de óleo de soja degomado, destinado predominantemente à fabricação de biocombustíveis, e farelo de soja voltado tanto ao mercado interno quanto à exportação, além de outros produtos como lecitina e casca de soja, utilizados em indústrias de alimentos destinados ao consumo humano e à nutrição animal.

Para que a operação passe a ser administrada pela cooperativa, ainda é necessária a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a conclusão da transferência das licenças e autorizações. A estimativa é que esse processo seja finalizado até o segundo semestre de 2026.

Fonte: Assessoria Frísia
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Notícias

Aurora Coop movimenta R$ 27 bilhões na economia regional e eleva sobras em 43,5%

Sistema reúne 87 mil famílias, abate 35 mil suínos e 1,4 milhão de aves por dia e fecha 2025 com receita de R$ 26,9 bilhões.

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Planta Industrial da Aurora em Chapecó (SC) - Fotos: Divulgação/Aurora Coop

Geração de milhares de empregos, contribuição ao desenvolvimento econômico regional de centenas de municípios brasileiros, melhoria da qualidade de vida das famílias rurais e atenção ao bem-estar animal estão entre os efeitos da atuação da Cooperativa Central Aurora Alimentos (Aurora Coop), ao lado de resultados superavitários, em 2025.

Os resultados obtidos nos ano passado foram apresentados pelo presidente Neivor Canton, pelo vice-presidente de agronegócios Marcos Antonio Zordan e pela diretora administrativa Marinei Zuffo Rocha.

Os dirigentes fizeram uma análise do Sistema Aurora Coop que une 14 cooperativas agropecuárias, 87 mil famílias rurais no campo e 50,4 mil colaboradores lotados nas fábricas e unidades comerciais, logísticas e administrativas responsáveis pela produção e processamento diário de 35 mil suínos, 1,4 milhão de aves e 1,6 milhão de litros de leite.

“Podemos afirmar que a Aurora Coop se tornou o maior paradigma brasileiro de intercooperação, pois aqui laboram mais de 150 mil famílias para fornecer alimentos de excelência para o Brasil e para mais de 80 países com um portfólio de mais de 850 produtos das marcas comerciais Aurora, Aurora Premium, Aurora Bem Leve, Nobre, Alegra e Gran Mestri, assinala Canton.

Contexto

Vice-presidente de Agronegócios Marcos Antonio Zordan, com presidente Neivor Canton e secretário Romeo Bet

Em 2025, diante de um ambiente econômico desafiador, marcado por inflação persistente de alimentos, instabilidades geopolíticas, pressões sanitárias e maior seletividade do consumo, a Aurora Coop demonstrou solidez estratégica de adaptação em suas operações comerciais. O ano exigiu decisões assertivas, disciplina operacional e leitura apurada do mercado, tanto no cenário nacional quanto internacional.

No mercado externo, a cooperativa enfrentou restrições relevantes, especialmente em função da influenza aviária, da doença de New Castle e do fechamento temporário de mercados estratégicos. Ainda assim, a Aurora Coop preservou resultados em faturamento, apoiada pela reorganização dos fluxos de exportação, pela valorização cambial e pela melhoria do mix de produtos, com destaque para suínos e processados. O avanço do processo de internacionalização ganhou um marco importante com a inauguração da primeira subsidiária internacional da cooperativa, em Xangai, fortalecendo a presença da Aurora Coop no mercado asiático e ampliando sua capacidade de relacionamento e inteligência comercial global.

No mercado interno, o ano foi caracterizado por um consumo mais racional, maior sensibilidade a preço e mudanças no comportamento do consumidor. Nesse contexto, a Aurora Coop avançou por meio do fortalecimento da segmentação de canais, da evolução dos canais digitais, da ampliação da atuação territorial e da evolução das rotinas de planejamento e atendimento. Os ganhos de participação de mercado em carnes congeladas e industrializadas refletem a consciência da estratégia comercial e o foco em rentabilidade e valor agregado.

Lançamentos em categorias estratégicas, a expansão da atuação em industrializados e a entrada em segmentos de maior valor agregado, como os queijos especiais com a incorporação da Gran Mestri, reforçaram a competitividade da Aurora Coop e ampliaram sua presença nos principais momentos de consumo.

Força para economia regional

Mais uma vez a empresa revelou-se uma grande fomentadora do mercado de trabalho. A Aurora Coop criou 3.591 novos empregos em 2025 e encerrou o ano com 50.437 colaboradores diretos. Os investimentos em remuneração e encargos somaram R$ 2,9 bilhões. Outros R$ 686,9 milhões foram investidos em benefícios, como  alimentação, vale-alimentação, transporte, plano de saúde, previdência privada, prêmio por tempo de serviço, auxílio creche e seguro de vida.

Os investimentos gerais em colaboradores (incluídos salários/encargos, benefícios, segurança e saúde no trabalho, capacitação/desenvolvimento e auxílio-escola) totalizaram R$ 3,7 bilhões.

As atividades no campo, nas unidades industriais e no mercado geraram movimento econômico que irrigaram a economia dos municípios, especialmente em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. Essa contribuição foi superior a R$ 27 bilhões, assim representados: geração de ICMS (R$ 3,0 bilhões), valor adicionado na atividade agropecuária “indireto” (R$ 12,3 bilhões), valor adicionado na atividade industrial e comercial (R$ 8,3 bilhões), remuneração e encargos sobre a folha de pagamento e benefícios (R$ 3,5 bilhões).

Ativos biológicos

Por operar com imensos ativos biológicos, a Aurora Coop adotou o moderno conceito “saúde única” (one health), o qual  reconhece a interdependência entre saúde animal, humana e ambiental e assume papel central na gestão moderna, orientando práticas que garantem sustentabilidade, biosseguridade e bem-estar em todas as etapas produtivas. Nessa mesma linha, o bem-estar animal (BEA) continuou na pauta de prioridades da empresa, que se tornou referência nacional em práticas sustentáveis e éticas na produção agropecuária. A Aurora Coop consolidou seu protagonismo no  setor com investimentos que ultrapassam R$ 1,4 bilhão em melhorias nas áreas de suinocultura, avicultura e bovinocultura de leite.

A gestão ética, sustentável e humanitária dos ativos biológicos garante o suprimento das matérias-primas de origem animal para as indústrias. As 9 unidades industriais de processamento de aves têm capacidade instalada para o abate diário de 1,4 milhão de frangos. De outra parte, as 8 plantas das unidades industriais de suínos têm capacidade de abate de 35 mil suínos/dia. O planejamento do abate de suínos foi influenciado por fatores externos que exigiram adaptações estratégicas nas operações industriais.

Produção

As 8 plantas industriais de suínos da Aurora Coop abateram 8,2 milhões de cabeças em 2025, registrando crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior.

As 9 plantas frigoríficas de aves processaram 347,9 milhões de frangos, um incremento de 1,4% em relação a totalidade do ano anterior.

No exercício de 2025, a Aurora Coop consolidou o setor de lácteos como um dos pilares estratégicos. A Aurora Coop adquiriu a Gran Mestri, de Guaraciaba (SC), tradicional marca brasileira de queijos especiais, reconhecida pelo seu portfólio de alto valor agregado e pela excelência na produção de queijos tipo grana, parmesão, pecorino, mascarpone, brie, gorgonzola, entre outros. A marca é uma das poucas no país autorizadas a utilizar a nomenclatura Grana Padano, legítimo queijo grana, símbolo de tradição e nobreza da queijaria italiana.

O volume de leite captado das cooperativas do Sistema Aurora Coop em 2025 atingiu 489 milhões de litros.

Desempenho econômico

Refletindo o esforço de todo o Sistema Aurora Coop, a receita operacional bruta de 2025 atingiu R$ 26,9 bilhões (uma elevação de 8,3%) e as sobras do exercício subiram para R$ 1,2 bilhão (aumento de 43,5% em comparação a 2024). O mercado interno deu origem a 65,8% do faturamento e, o mercado externo, a 34,2%.

As vendas no mercado interno evoluíram 13,5% e totalizaram R$ 15,6 bilhões, receita obtida com os segmentos de suínos (R$ 9,4 bilhões), aves (R$ 3,3 bilhões), lácteos (R$ 1,9 bilhão), massas (R$ 310 milhões), pescado (270 milhões), vegetais (R$ 230 milhões) e bovinos (R$ 72 milhões).

As vendas no mercado externo fecharam o ano em R$ 9,1 bilhões, contabilizando um crescimento de 2.2%. O segmento de carnes suínas contribuiu com R$ 4,3 bilhões, carnes de aves com R$ 4,8 bilhões e os lácteos com apenas R$ 5 milhões. A participação da Aurora Coop nas exportações brasileiras de carne suína é de 19,7% e, de carne de frango, 8,4%. Os principais destinos foram Oriente Médio, Japão, África, China, América Centro-Sul, Ásia, América do Norte, Hong Kong, Coreia do Sul, Cingapura, Eurásia e Europa. Destaca-se o incremento de volumes para Filipinas em contrapartida a redução de China e EUA.

Fonte: Assessoria Aurora Coop
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Colunistas

Exportações do agro aos EUA recuam até 41% após escalada tarifária

Café, carne bovina, madeira, frutas e sucos perderam espaço com o aumento das barreiras comerciais impostas por Estados Unidos.

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Foto: Claudio Neves

O ano de 2025 foi marcado pelo redimensionamento das tarifas de importação norte-americanas com relação aos seus parceiros internacionais, o que ficou conhecido como “tarifaço”, e o Brasil, claro, não ficou de fora. No início, o País apareceu na parte debaixo da tabela de taxas, com seus produtos sofrendo uma porcentagem adicional para entrada no mercado norte-americano de 10%. Mas, como a maioria dos nossos competidores nesse mercado sofreram taxação maior, os produtos brasileiros ganharam competitividade lá.

Artigo escrito por Andréia Adami, pesquisadora da área de Macroeconomia do Cepea.

No entanto, o alívio durou pouco, pois, em junho, adicionou-se às disputas comerciais também ruídos e disputas políticas, para então, o governo norte-americano anunciar a elevação dessa taxa adicional aos produtos brasileiros para 50%, um novo golpe aos exportadores brasileiros, inclusive os do agronegócio.

Como resultado desse novo cenário mais adverso da política comercial norte-americana, o valor total das exportações brasileiras para o País em outubro de 2025 ficou 40% abaixo do de julho de 2025. No caso do agronegócio, a receita em dólar caiu 35% e o volume exportado reduziu 41%, na mesma comparação. Produtos importantes da nossa pauta de exportação como café, madeira, carne bovina, frutas e sucos foram duramente atingidos.

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que as compras norte-americanas do café brasileiro caíram 50% entre agosto e novembro de 2025, quando comparadas com o mesmo período de 2024. O cenário não foi muito diferente para os exportadores de madeira, carne bovina, frutas e suco de laranja; além de pescados e produtos como mel, que, apesar de ter pequena representação em termos de valor, tinham forte dependência do mercado norte-americano.

O governo brasileiro correu para apoiar os setores afetados, principalmente na forma de disponibilização de crédito, para que estes pudessem ter tempo de armazenar seus produtos enquanto buscavam novos mercados, com o apoio das instituições brasileiras como o Ministério da Agricultura e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

Diante das ações protecionistas do governo norte-americano, não só o Brasil, mas todos os países afetados por sua nova política comercial tiveram que aplicar uma estratégia de negociação há muito utilizada nos mercados financeiros, a de que “não se deve colocar todos os ovos numa mesma cesta”, ou seja, utilizar a diversificação de destinos como estratégia de redução de riscos, agora na área comercial.

A busca por abertura de novos mercados e acordos de livre comércio com o México, Canadá, Índia, Japão e principalmente com a União Europeia passou a ser visto como mais que essencial para preencher a lacuna deixada pelo mercado norte-americano.

No caso do agronegócio, o resultado desse esforço para conquistar novos mercado pode ser verificado no crescimento das vendas externas do setor no ano de 2025, que foi de 11% para a China, 9% para a União Europeia, 7% para o México, 13% para o Reino Unido e 38% para a Argentina; enquanto caíram 6% para os Estados Unidos.

E, a despeito da “química” entre nossos governantes e da recente derrubada do tarifaço pela Suprema Corte norte-americana, o mais importante é que o aumento das relações comerciais entre os países pode ser um elemento-chave para impulsionar o crescimento das suas economias, levando a mais demanda, principalmente por alimentos.

Fonte: Artigo escrito por Andréia Adami, pesquisadora da área de Macroeconomia do Cepea.
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