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“Investir em pessoas nos coloca à frente do nosso tempo”, diz gestor de fazenda
Comunicar-se melhor é um dos grandes desafios do setor leiteiro e do agronegócio como um todo

Como é a gestão da maior fazenda leiteira do Brasil? Sérgio Soriano, médico veterinário e gestor da Fazenda Colorado, localizada em Araras, SP, palestrou no Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite. O evento foi realizado em novembro, em Chapecó, SC. A palestra tratou dos principais desafios na gestão de propriedades leiteiras.
Ao invés de deter-se em aspectos técnicos, Soriano destacou a importância das pessoas no processo produtivo. “Se você tem um produto inovador, ganha um ano do seu concorrente, esse é o período máximo de vantagem. Mas, se investe nas pessoas, está sete anos à frente. Investir em pessoas nos coloca à frente do nosso tempo”, destaca.
Se as pessoas são importantes, a comunicação é a ponte que liga uma às outras. Para Soriano, comunicar-se melhor é um dos grandes desafios do setor leiteiro e do agronegócio como um todo. A sucessão familiar, por exemplo, precisa de uma boa comunicação para ser bem sucedida. “Sucessão familiar não é um problema apenas no Sul do Brasil. No mundo inteiro temos esse desafio na bovinocultura de leite”, afirma. Para o gestor, é importante não desprezar a importância da boa comunicação. “Se não há comunicação assertiva, surgem os focos de reclamação”, constata.
Vencer é um hábito
Para Soriano, o sucesso é construído a partir do cultivo de hábitos. “O que faz duas pessoas com as mesmas habilidades e oportunidades chegarem a lugares tão diferentes em suas vidas? Tudo depende de como cada um lida com as adversidades do dia-a-dia”, acredita. Para ele, “não podemos assumir a posição de vítimas de tudo e de todos. Você é quem cria suas próprias regras. Iniciativa é uma escolha, você não é obrigado a nada. Você pode escolher não fazer nada, apenas permanecer como está”.
As pessoas, diz Soriano, pensam que o sistema de produção é o grande diferencial. “Na verdade, importa pouco se não maximizar a produção. Eu nunca vi uma fazenda boa com agricultura ruim”, afirma. Ou ainda, não adianta ter um ótimo inseminador e um péssimo ordenhador. “As empresas não te balizam pelo seu ótimo, mas pelo seu pior”, garante.
Olhar para as possibilidades do seu sistema de produção é um ótimo parâmetro, na visão de Soriano. “Enxergue a vaca, ela te diz muito. Gaste a maior parte do seu tempo com isso, depois olhe para as pessoas e por último, para os dados”, orienta.
Além da comunicação e da atenção aos sinais que nos rodeiam, o gestor da Fazenda Colorado pontua ainda outros pontos essenciais na rotina do sistema produtivo. “invista em educação continuada, isso vai proporcionar crescimento; produza inovação, sem deixar de lado a rotina; mantenha sucessores em vários setores chaves; mantenha sua equipe engajada; crie um ambiente alegre e produtivo, onde cada um se sinta importante no todo; não deixe de administrar conflitos; sempre dê feedbacks, positivos ou negativos; comunique-se com os clientes para ter uma percepção do valor do seu negócio; atue em várias frentes (360º), comunicando-se com a equipe, coordenadores e proprietários; absorva conceitos de sustentabilidade, sem perder o foco do lucro”. Ele garante: “Temos que olhar para o futuro, de forma sustentável, mitigando riscos sanitários”.
“Entenda e aceite as individualidades da equipe, fazendo o melhor que puder com o que tem no momento. Temos profissionais de alta qualidade e responsabilidade no setor leiteiro”, diz.
Soriano também destaca alguns pontos críticos do setor leiteiro que demandam mudanças. Entre eles, a ideia de que bem-estar animal está diretamente ligado ao aumento da capacidade produtiva. Em sua opinião, é importante ainda reduzir perdas no sistema como alimentos produzidos e perdidos no plantio, na colheita e nas gôndolas, além de agregar valor ao produto. “Temos que diferenciar pequenas propriedades de pequenos produtores. Podemos e devemos incentivar as pequenas propriedades a se tornarem grandes produtoras por área. Para isso, vamos ter que intensificar a produção leite/homem e leite/hectare/ano”.
O que é tendência
Soriano apresentou ainda algumas megatendências para o setor leiteiro. Segundo ele, é preciso diminuir rapidamente o uso de antibióticos nas criações. Ele vê ainda como extremamente necessária a melhora da genética dos animais para aumentar a produção, melhor acesso a vacinas e nutrição voltada à prevenção de doenças. “Avançamos muito da porteira para dentro, mas temos a árdua tarefa de vencer nessas políticas e barreiras fora de nossas propriedades. Precisamos de mentes curiosas para o novo mundo, não temos mais espaço para mentes cristalizadas. Precisamos falar sobre essa transformação no campo”, aponta.
Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2019 ou online.

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Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil
Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.
Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA
A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.
A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA
Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.
O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.
Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping
Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA
A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.
Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”
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Exportações de carne bovina de Mato Grosso crescem mais de 50%
Resultado foi impulsionado pela demanda internacional e valorização da tonelada embarcada.

Mato Grosso voltou a se destacar no cenário internacional da carne bovina ao registrar um desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026. O estado exportou 251,83 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), volume que representa 26,72% de toda a carne bovina embarcada pelo Brasil no período — o maior já registrado para um primeiro trimestre na série histórica.
O resultado expressivo também aparece na comparação anual. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de 53,39% no volume exportado. Já a receita atingiu US$ 1,11 bilhão, alta de 74,71%, impulsionada tanto pelo aumento da demanda internacional quanto pela valorização da tonelada embarcada, que alcançou média de US$ 4,54 mil.

A China manteve-se como principal destino da carne mato-grossense no trimestre, concentrando 50,82% dos embarques, o equivalente a 127,97 mil TEC. O país asiático segue como motor da demanda global, sustentando volumes elevados de importação. No entanto, outros mercados começam a ganhar relevância. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 9,14% das compras (23,03 mil TEC), e chamam atenção pelo ritmo de crescimento: em apenas três meses, já adquiriram 57,38% de todo o volume exportado para o país ao longo de 2025.
Na avaliação do diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o resultado reflete um conjunto de fatores que vêm fortalecendo a pecuária. “Mato Grosso tem avançado na abertura de mercados e na valorização da sua carne. Esse crescimento mostra não só a força da produção, mas também a confiança dos compradores internacionais na qualidade e na regularidade do produto”.
“Além de volume, estamos ganhando valor. Isso passa por uma combinação de eficiência produtiva, melhoria genética, manejo e, cada vez mais, pela adoção de práticas sustentáveis, que são exigências dos mercados mais exigentes”, enfatiza o diretor de Projetos do Imac.
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Brasil abre mercado para exportação de miúdos bovinos ao Vietnã
Negociação amplia oportunidades para a cadeia da carne e reforça presença em um dos principais destinos do agro brasileiro.

O governo brasileiro concluiu negociações com o Vietnã que permitirão a exportação de miúdos bovinos (coração, fígado e rins) para aquele mercado.
A abertura fortalece o comércio com o quarto principal destino das exportações do agronegócio brasileiro e amplia as oportunidades para a cadeia bovina nacional, ao favorecer o aproveitamento integral do animal.
O Vietnã importou mais de US$ 3,5 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, com destaque para milho, complexo soja, fibras e produtos têxteis.
Com esse anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 592 aberturas de mercado desde o início da atual gestão.
Esse resultado decorre da atuação coordenada do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).



