Notícias Sistema Aurora Coop
Intercooperação que gera renda, escala e acesso a mercados
Com 14 cooperativas singulares filiadas e mais de 150 mil famílias envolvidas, a Aurora Coop é um modelo de integração produtiva com governança democrática e alcance global.

Construída sobre os princípios do cooperativismo, a Aurora Coop representa um dos modelos mais avançados e bem-sucedidos de intercooperação do agronegócio brasileiro. Com sede em Chapecó (SC), a cooperativa central é formada por 14 filiadas que operam nos estados de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, consolidando um sistema que conecta milhares de produtores, indústrias de alimentos, centros de distribuição em mais de mil municípios a mercados nacionais e internacionais.

Fazem parte do Sistema Aurora Coop as cooperativas Cooperalfa, Caslo, Coopervil, Coolacer, Copérdia, Cooperitaipu, Cooasgo, Auriverde, Cooper A1, Copercampos, Cocari, Castrolanda, Capal e Frísia. Juntas, essas cooperativas representam um universo de mais de 89 mil famílias associadas, além de 19 mil colaboradores nas filiadas e 46,9 mil colaboradores diretos na Central, totalizando um ecossistema de mais de 154 mil famílias ligadas ao sistema cooperativo.
Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, ressalta que a intercooperação tem sido essencial para tornar competitivos pequenos e médios produtores, independentemente da localização ou do porte da cooperativa à qual estão vinculados. “Temos cooperativas com mais de 20 mil associados e outras com menos de mil, que convivem em harmonia e usufruem dos bons resultados que a da Central proporciona”, afirma.
Intercooperação com identidade local
No Sistema Aurora Coop, cada cooperativa mantém sua autonomia administrativa e identidade regional, prestando assistência técnica, recebendo a produção de suínos, frangos e leite, enquanto a Central se responsabiliza pelo processamento, industrialização, comercialização e exportação dos produtos oriundos dessas bases. É uma estrutura de intercooperação verticalizada, que permite ganhos de escala sem romper com a lógica participativa e comunitária que caracteriza o cooperativismo. “Todas usufruem das mesmas informações e programas da Central. É uma estrutura de fortalecimento mútuo”, salienta Canton.
Essa união estratégica transforma a Aurora Coop em uma potência da agroindústria brasileira. Em 2024, a cooperativa central atingiu R$ 24,9 bilhões em faturamento bruto e gerou R$ 880,5 milhões em sobras, valor redistribuído no sistema e que reforça a sustentabilidade econômica das cooperativas filiadas e dos produtores na ponta.
Governança democrática e estratégica

A Aurora Coop adota um modelo de governança compartilhada, fundamentado nos princípios do cooperativismo e em práticas modernas de gestão. As cooperativas filiadas participam ativamente dos conselhos e instâncias deliberativas da Central, assegurando equilíbrio de interesses, transparência e alinhamento estratégico entre todos os elos da cadeia.
Esse modelo orienta as condutas de governança corporativa da Central, com foco na sustentabilidade da gestão e no fortalecimento institucional. Seu êxito está diretamente ligado à clareza nas ações, justiça nos critérios de distribuição e eficiência logística. “O primeiro requisito numa governança dessa natureza é o fluxo ágil de informações. Tudo é conduzido com total transparência e equilíbrio entre as filiadas, desde o volume de produção até os projetos de industrialização”, destaca Canton.
Essa forma de conduzir os negócios rege as condutas de governança corporativa da Aurora Coop, com o objetivo de garantir práticas no âmbito societário e assegurar um modelo de gestão sustentável, reforça o presidente. “O êxito deste modelo é fruto de um sistema que preza por transparência, justiça nos critérios de distribuição e logística eficiente”, enfatiza.
Canton também destaca que a estratégia da Aurora está diretamente ligada aos anseios dos 89 mil produtores rurais vinculados às cooperativas. “Esses produtores trabalham para ganhar escala, transformar suas propriedades em empresas rurais viáveis, e cabe à cooperativa processar essa produção, conhecer o mercado e projetar o crescimento, tanto no mercado interno quanto no externo”, expõe.
Escala com responsabilidade e presença global

Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton: “Nosso crescimento se sustenta na responsabilidade. Temos um compromisso com qualidade, com o bem-estar animal, com o meio ambiente e com a rastreabilidade. Tudo isso está no centro do que entregamos ao mundo”
A Aurora Coop é uma das maiores processadoras de proteína animal do Brasil. Seus produtos chegam a mais de 30 países e estão presentes em 77% dos lares brasileiros, conforme dados da consultoria Kantar. Em 2024, 36% do faturamento veio das exportações, com destaque para carne suína e de frango, segmentos nos quais a Aurora figura entre os maiores exportadores do país.
Toda essa presença se sustenta sobre relações sólidas com os produtores rurais, respeitando critérios de bem-estar animal, biosseguridade, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental. “As cooperativas filiadas seguem protocolos técnicos padronizados, e a Aurora mantém auditorias e programas de melhoria contínua para garantir qualidade em toda a cadeia. Tudo isso está no centro do que entregamos ao mundo”, afirma Canton.
Mais do que escala e mercado, o que o Sistema Aurora Coop oferece é valor coletivo, resultado compartilhado e desenvolvimento com raízes locais. Em um cenário de concentração econômica e volatilidade global, o modelo da Aurora é um exemplo de como a união entre cooperativas pode construir uma marca nacional forte sem abrir mão da essência comunitária. “O cooperativismo faz retornar à comunidade os frutos daquilo que ela mesma produz. Os recursos passam pelo processamento industrial e retornam aos produtores, que movimentam a economia local. É um modelo justo, eficiente e que beneficia também os cofres públicos”, aponta Canton, acrescentando: “Sempre digo que o cooperativismo é um aliado de primeira hora de qualquer governo bem-intencionado, porque realiza aquilo que muitas vezes se espera do poder público.”
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Notícias
Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



