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Interações entre micotoxinas e endotoxinas afetam imunidade e crescimento de suínos

As micotoxinas e as endotoxinas têm um efeito sinérgico sobre o intestino e a imunidade. Elas aumentam a produção de citocinas pro-inflamatórias, o que instaura uma inflamação local a nível do intestino

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Muitas podem ser as razões para o baixo desempenho na produção de suínos. Alguns fatores como consumo e qualidade dos alimentos, manejo e ambiente, são decisivos para o sucesso da suinocultura moderna. É sabido que para se tornar competitivo no cenário mundial, a produção de suínos precisa ser manejada de forma intensiva e com alta densidade de animais por baias. Tal fator pode contribuir para a baixa qualidade higiênica e alta exposição dos animais a microrganismos patogênicos, como as bactérias, que, quando presentes no intestino delgado, podem produzir endotoxinas. Os problemas com as endotoxinas podem ser agravados com a presença de micotoxinas provenientes dos alimentos, as quais são consideradas um dos fatores mais imunossupressores que afetam o desempenho dos animais.

Conhecendo estas informações, outras questões precisam ser avaliadas, tais como: quais são os efeitos individuais e sinergéticos das micotoxinas e das endotoxinas na resposta inflamatória e no crescimento dos suínos? Existe alguma solução para proteger os animais frente a estas ameaças?

 

Efeitos das micotoxinas na saúde intestinal

As micotoxinas são metabólitos secundários de vários tipos de fungos frequentemente encontrados nos alimentos ou insumos. A nível mundial, as fumonisinas (FB) e o deoxinivalenol (DON) são as micotoxinas mais detectadas. Os efeitos tóxicos das micotoxinas de Fusarium como FB ou DON incluem reduções no consumo de alimento e crescimento, supressão da imunidade, lesões intestinais, desordens neurológicas e reprodutivas.

O trato intestinal é a primeira barreira encontrada pelos compostos exógenos e é o órgão alvo das micotoxinas (gráfico 1). Ambos, DON e FB têm efeitos diretos na absorção de nutrientes, através de dois mecanismos. Primeiro mecanismo: prejudicam as células epiteliais, reduzindo a altura das vilosidades e assim diminuindo a superfície das mesmas, resultando em uma menor absorção de nutrientes e um aumento do risco de balanço enérgico negativo. Segundo mecanismo: o DON tem um efeito direto no transportador de glicose dependente ao sódio (SGLT1), o que conduz a uma baixa na absorção intestinal de glicose, que também pode causar balanço enérgico negativo.

A redução na absorção de nutrientes também provoca a redução da absorção intestinal de antioxidantes naturais que contribuem na resposta imune. Além disso, a exposição oral de micotoxinas prejudica a função de barreira do intestino ao ativar as MAPK, o que reduz a expressão das proteínas claudinas, que são os componentes mais importantes das junções oclusivas, reduzindo também a resistência elétrica transepitelial. A ingestão crônica de alimentos contaminados induz a redução no número de células caliciformes, o que reduz a secreção de mucina e reduz a proteção do epitélio frente à adesão de patógenos.

Estes mecanismos citados anteriormente resultam no aumento do risco de passagem transepitelial de bactérias e endotoxinas. Por último, o DON e a FB (até em concentrações baixas), causam a secreção de citocinas pro-inflamatórias como IL-1β, IL-2, IL-4, IL-5, IL-6 e TNFα. Essas citocinas pro-inflamatórias têm efeitos tanto sistêmicos como locais (inflamação, febre e redução do consumo de alimento).

 

Efeito das endotoxinas na imunidade

As endotoxinas são lipopolissacarídeos (LPS) derivados das membranas das bactérias gram-negativas. Apesar de as endotoxinas serem ligadas nas paredes celulares das bactérias, estas são continuamente liberadas no ambiente quando as bactérias morrem ou se dividem. Assim, o epitélio intestinal está sempre exposto a bactérias gram-negativas, que depositam diretamente os LPS tóxicos e pro-inflamatórios na superfície do epitélio intestinal. As endotoxinas não são diretamente tóxicas para as células ou aos órgãos, mas causam danos ao ativar o sistema imune, especialmente através dos monócitos e dos macrófagos que secretam mediadores pro-inflamatórios como as citocinas.

 

Micotoxinas e endotoxinas: uma interação perigosa

As micotoxinas e as endotoxinas têm um efeito sinérgico sobre o intestino e a imunidade. Elas aumentam a produção de citocinas pro-inflamatórias, o que instaura uma inflamação local a nível do intestino (gráfico 1). A expressão dessas citocinas é seguida por uma supraregulação de vários inibidores da sinalização de citocinas (SOCS), alguns dos quais são capazes de prejudicar a síntese do hormônio de crescimento (GH).  Esta síntese também pode ser afetada por casos de balanço energético negativo, que pode estar relacionada à baixa absorção de nutrientes causadas pelas micotoxinas mencionadas anteriormente. Os impactos negativos na produção de GH conduzem a uma redução da secreção de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1), em detrimento do desempenho e da saúde dos animais. De fato, a IGF-1 é um hormônio de crescimento que estimula a replicação, a diferenciação e a síntese celular. Assim, a IGF-1 tem impacto na produtividade (crescimento, produção de leite e reprodução). Esse efeito sinérgico entre as micotoxinas e as endotoxinas foi descrito inúmeras vezes na literatura. 

 

A matéria completa você pode ler na edição impressa do O Presente Rural de outubro, ou na versão online da edição, no site www.opresenterural.com.br 

Fonte: O Presente Rural

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Suínos

Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro

Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.

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Foto: Shutterstock

As cotações do suíno vivo apresentaram comportamento misto na última sexta-feira (09), conforme dados do Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre as principais praças acompanhadas, os preços oscilaram levemente, refletindo ajustes pontuais do mercado no curto prazo.

Em Minas Gerais, na modalidade posto, o quilo do suíno vivo foi cotado a R$ 8,35, registrando queda diária de 1,18% e recuo de 0,95% no acumulado do mês. No Paraná, o animal negociado “a retirar” foi cotado a R$ 8,25/kg, com leve alta de 0,36% no dia, embora ainda apresente variação mensal negativa de 0,24%.

No Rio Grande do Sul, o preço ficou em R$ 8,26/kg, com retração diária de 0,36% e queda de 0,48% no comparativo mensal. Santa Catarina também apresentou leve recuo, com o suíno cotado a R$ 8,31/kg, baixa de 0,12% no dia e variação negativa de 0,48% no mês.

São Paulo foi a única praça a registrar estabilidade no acumulado mensal. O preço do suíno vivo posto na indústria alcançou R$ 8,91/kg, com alta diária de 0,22% e variação mensal de 0,00%.

Os números indicam um mercado ainda ajustando preços no início de janeiro, com oscilações moderadas entre as regiões e sem movimentos expressivos de alta ou baixa.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
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Suínos

ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense

Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

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Foto: Divulgação/ACCS

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS

Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.

Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.

Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.

Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS

catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.

A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.

Fonte: Assessoria ACCS
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Suínos

Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense

Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

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Foto: Shutterstock

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.

Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação

A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.

Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.

Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.

O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.

Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

Fonte: Assessoria Sape-SC
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