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Inteligência Artificial entra no debate sobre futuro do crédito e seguro rural no Brasil

Evento da FGV Agro reúne representantes do sistema financeiro, seguradoras e empresas de tecnologia para discutir uso de dados, imagens de satélite e modelos preditivos na gestão de riscos do campo.

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Foto: Shutterstock

O avanço da Inteligência Artificial no agronegócio será tema de um debate promovido pelo Observatório do Crédito e Seguro Rural da FGV Agro no dia 05 de agosto, às 10 horas, em evento online. A discussão vai reunir representantes de instituições financeiras, seguradoras, empresas de tecnologia e organizações ligadas ao setor agropecuário para analisar como novas ferramentas digitais podem alterar a forma de avaliar riscos, conceder crédito e acompanhar perdas no campo.

Foto: Divulgação

O encontro ocorre em um momento em que agentes do mercado buscam ampliar a capacidade de análise das operações rurais por meio da integração de diferentes fontes de informação, como dados históricos, imagens de satélite, inteligência geoespacial, modelos preditivos e automação de processos.

Segundo a FGV Agro, essas tecnologias podem contribuir para decisões mais precisas na avaliação de riscos agrícolas, mas também levantam questões relacionadas à governança dos dados, transparência dos modelos utilizados e qualidade das informações que alimentam os sistemas de inteligência artificial.

Foto: Shutterstock

A programação será dividida em dois painéis. O primeiro será dedicado ao uso da Inteligência Artificial no seguro rural, abordando aplicações como seleção e precificação de riscos, monitoramento das lavouras durante a safra e análise de perdas.

O segundo painel terá como foco o crédito rural e discutirá como dados, ferramentas analíticas e tecnologias de monitoramento podem auxiliar instituições financeiras na avaliação das operações e na compreensão dos riscos associados a cada produtor e propriedade.

Entre os participantes estão Claudio Filgueiras, chefe do Departamento de Regulação, Fiscalização e Controle de

Foto: Divulgação/Freepik

Operações do Crédito Rural e do Proagro (DEROP) do Banco Central; Reinaldo Marques, da área de gestão de riscos atuariais e pesquisa e desenvolvimento do IRB(Re); Danilo Antonio Rinaldi, especialista em Seguros Rurais da BrasilSeg; Murilo Augusto de Oliveira, CEO da Audsat; Lucas Koren, da área de Pesquisa e Desenvolvimento da IMBR Agro; Vitor Ozaki, CEO da PICSEL; Thiago Gonçalves Rodrigues, diretor de operações da Visiona; e Rebecca Grandmaison, especialista de regulamentação agro do Sicredi.

A mediação será realizada por Fábio Guerra, head de pesquisa e conhecimento da Meridiana, e Pedro Loyola, coordenador-executivo do Observatório do Crédito e Seguro Rural da FGV Agro.

As inscrições para participação no evento estão abertas e podem ser feitas clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural

Notícias Na safra 2026/27

Super El Niño pode mudar calendário do manejo fitossanitário no Brasil

Previsões da NOAA indicam alta probabilidade de formação do fenômeno, com chuvas irregulares no Cerrado e precipitações acima da média no Sul, cenário que favorece patógenos e reduz a janela para aplicações no campo.

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A possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade volta a colocar a agricultura brasileira em estado de atenção. As projeções mais recentes da Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) apontam 82% de probabilidade de o fenômeno se estabelecer até julho deste ano e 96% de chance de permanecer ativo entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Caso as previsões se confirmem, o cenário climático poderá afetar o desenvolvimento das principais culturas do país de formas distintas. No Cerrado, a expectativa é de chuvas irregulares e possíveis atrasos na semeadura, situação que pode comprometer a implantação das lavouras e reduzir a janela para o milho safrinha. No Sul, a previsão é de precipitações mais frequentes e volumosas, aumentando a umidade nas áreas de produção.

Mestre em Agronomia Mário Drehmer: “A irregularidade no período de semeadura resulta em lavouras com fases de desenvolvimento distintas, há um aumento no período de exposição às pragas e doenças” – Foto: Divulgação

Além dos impactos sobre o calendário agrícola, essas condições tendem a elevar a pressão de doenças, exigindo mudanças nas estratégias de manejo fitossanitário.

Segundo o mestre em Agronomia Mário Drehmer, a irregularidade das chuvas pode provocar desuniformidade no desenvolvimento das lavouras, prolongando o período de exposição das plantas aos patógenos. “A irregularidade no período de semeadura resulta em lavouras com fases de desenvolvimento distintas, há um aumento no período de exposição às pragas e doenças. As áreas mais tardias geralmente são as que sofrem maior pressão”, afirma.

Soja exige atenção desde o início do ciclo
Na soja, a combinação de temperaturas elevadas com alta umidade cria um ambiente favorável para doenças como septoriose, cercosporiose e ferrugem asiática.

Segundo Drehmer, algumas enfermidades que tradicionalmente

Imagem criada no Gemini

preocupavam apenas no fim do ciclo passaram a exigir monitoramento logo nas primeiras fases da cultura. “A septoriose e a cercóspora precisam ser tratadas como problemas de início de ciclo. Hoje, elas podem se estabelecer ainda no período vegetativo, provocando desfolha nas partes inferiores da planta e reduzindo a produtividade antes mesmo que o produtor perceba”, explica.

Milho e trigo também entram no radar
No milho, o aumento da umidade amplia o risco de ocorrência do complexo de doenças foliares, formado por patógenos como cercóspora, diplodia, mancha de phaeosphaeria, helmintosporiose e ferrugem.

Foto: Charles Oliveira

Para o especialista, o alto potencial produtivo dos híbridos modernos exige atenção redobrada ao manejo preventivo. “Os híbridos atuais apresentam alto potencial produtivo, mas, muitas vezes, possuem menor tolerância às doenças. Por isso, é fundamental trabalhar com fungicidas de amplo espectro de forma preventiva, ainda nos estádios vegetativos”, ressalta.

No trigo, a principal preocupação recai sobre a giberela, doença favorecida por ambientes úmidos e que, além de reduzir o rendimento das lavouras, compromete a qualidade dos grãos devido à produção da micotoxina DON. Mancha-amarela, septoriose e ferrugem também tendem a ganhar importância em períodos de maior umidade.

Excesso de chuva também dificulta o controle
Os efeitos do clima não se limitam ao aumento da pressão de doenças. O excesso de chuva pode comprometer a

Foto: Fernando Dias/Seapi

operação das máquinas nas propriedades justamente nos momentos em que o controle fitossanitário é mais necessário. “O molhamento foliar favorece a germinação dos esporos e as chuvas ajudam na dispersão dos patógenos, mas o excesso de água também pode impedir a entrada de máquinas na lavoura. Isso reduz as janelas de aplicação de fungicidas e aumenta o risco de perder o momento ideal de controle”, enfatiza.

Manejo deve considerar as condições de cada região
Drehmer observa que o comportamento das doenças resulta da interação entre o hospedeiro, o patógeno e as condições ambientais, fatores que tendem a variar de uma região para outra e de uma safra para outra. “A ocorrência das doenças é resultado da interação entre três fatores: hospedeiro, ambiente e patógeno.

Foto: Celso Seratto

Hoje, contamos com cultivares altamente produtivas e precoces, mas que, muitas vezes, apresentam maior sensibilidade a determinadas doenças. Ao mesmo tempo, as variações climáticas afetam cada região de forma distinta e podem criar condições favoráveis ao desenvolvimento de patógenos presentes no solo, na palhada e em áreas vizinhas. Com tantas variáveis em jogo, não existe mais espaço para receitas prontas. Cada região, cada safra e cada condição de cultivo exigem estratégias de manejo adaptadas à sua realidade”, explica.

Na avaliação do agrônomo, diante de um cenário de maior variabilidade climática, o planejamento antecipado, o monitoramento constante das lavouras e a adoção de estratégias preventivas ganham importância para reduzir perdas e preservar o potencial produtivo das culturas.

Fonte: O Presente Rural
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Fósforo acumulado no solo pode reduzir gastos com fertilizantes na safra 2026/27

Estoque acumulado do nutriente no solo pode reduzir gastos com adubação fosfatada sem comprometer o potencial produtivo.

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O aumento da incerteza no mercado internacional de fertilizantes faz produtores revisarem o planejamento da safra 2026/27. Em meio às restrições impostas pela China às exportações de fosfatados e aos impactos das tensões geopolíticas sobre o comércio global de insumos, especialistas defendem que parte da solução pode estar dentro da própria propriedade: o fósforo já acumulado no solo.

Engenheiro agrônomo, consultor agrícola e especialista em fisiologia vegetal Leandro Barcelos: “O problema é que, muitas vezes, a adubação continua sendo definida por tradição ou por pacotes prontos, sem considerar os resultados das análises” – Foto: Divulgação

O Brasil importa mais de 75% dos fertilizantes fosfatados que consome, o que expõe o setor às oscilações de preços e à oferta internacional. Segundo o engenheiro agrônomo, consultor agrícola e especialista em fisiologia vegetal Leandro Barcelos, esse cenário reforça a necessidade de utilizar com maior eficiência os nutrientes já presentes nas áreas cultivadas.

Estudos da Embrapa mostram que, devido à elevada capacidade de fixação dos solos tropicais, grande parte do fósforo aplicado ao longo das últimas décadas permaneceu retida em formas pouco disponíveis para as plantas, formando uma espécie de reserva no perfil do solo.

Segundo Barcelos, esse estoque pode ser considerado no planejamento da adubação, desde que a decisão seja baseada em análises químicas e no manejo adequado da área. “Em muitas propriedades, o produtor já tem no solo parte do fósforo de que a cultura precisa. O problema é que, muitas vezes, a adubação continua sendo definida por tradição ou por pacotes prontos, sem considerar os resultados das análises”, afirma.

Levantamentos realizados pela consultoria A Raiz da Solução indicam que diversas áreas comerciais de produção de

Foto: Luiz Renato

grãos apresentam concentrações superiores a 30 ppm (partes por milhão) de fósforo disponível em resina. Nesses casos, explica o especialista, é possível reavaliar tecnicamente a dose de fertilizantes fosfatados. “O produtor precisa parar de comprar fertilizante por hábito ou pelo pacote engessado que o mercado comercial empurra na mesa. Se a sua análise de solo mostra um nível de fósforo acima de 30 ppm em resina, a planta tem o que comer. O fertilizante mais barato na crise é aquele que você já tem retido na sua terra. Se o solo está equilibrado quimicamente, reduzir a dose de adubação fosfatada na safra 2026/27 não vai derrubar sua produtividade; vai salvar a sua margem de lucro”, diz.

Perfil do solo amplia aproveitamento dos nutrientes
Barcelos ressalta, porém, que o aproveitamento desse fósforo depende das condições físicas e químicas do solo. Segundo ele, sistemas radiculares limitados por compactação ou desequilíbrios na fertilidade reduzem a capacidade das plantas de acessar os nutrientes acumulados em profundidade.

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Para ampliar essa eficiência, o agrônomo recomenda investir na construção do perfil do solo, com correção da saturação por bases, equilíbrio entre cálcio, magnésio e potássio e práticas que favoreçam o desenvolvimento das raízes.

De acordo com o engenheiro agrônomo, essa estratégia foi adotada em propriedades acompanhadas por sua consultoria, entre elas a Fazenda AgroMallon, vencedora do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), que alcançou produtividade de 135,49 sacas por hectare. “A planta só vai extrair eficiência do adubo caro se tiver raiz para buscar. O foco na safra 2026/27 tem que ser a construção de perfil de solo em profundidade e o equilíbrio químico. Quando você corrige a saturação de bases e condiciona o solo de forma racional, a planta expande o sistema radicular e acessa nutrientes que antes estavam bloqueados. É assim que a gente rompe o teto das 100

Foto: Divulgação

sacas por hectare gastando menos por saca produzida. A crise dos fertilizantes é um chamado forçado para o produtor se tornar um gestor técnico da sua própria terra”, salienta.

O que pesa no planejamento da próxima safra
As restrições chinesas às exportações de fertilizantes fosfatados e as dificuldades logísticas decorrentes das tensões geopolíticas mantêm o mercado internacional sob pressão e elevam a preocupação com os custos da próxima safra.

Nesse contexto, Barcelos avalia que o uso mais eficiente dos nutrientes já presentes no solo pode reduzir a dependência de fertilizantes importados e melhorar a rentabilidade das lavouras, desde que as decisões sejam fundamentadas em análises técnicas e manejo adequado.

Fonte: O Presente Rural
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Revisão do Zarc muda calendário do milho no Rio Grande do Sul

Revisão identificou falha no processamento dos dados de geada e corrigiu indicações de semeadura em municípios da região Noroeste.

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atualizou os dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho 1ª safra no Rio Grande do Sul. A revisão ocorreu após manifestações do setor produtivo sobre as recomendações de calendário de semeadura em municípios da região Noroeste do estado.

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As solicitações foram encaminhadas ao grupo de trabalho responsável pelo Zarc do milho, que realizou uma nova análise dos dados. Durante a revisão, a equipe técnica da Embrapa identificou um erro na programação de pós-processamento das informações referentes ao mês de agosto, período utilizado na avaliação do risco de ocorrência de geadas.

Segundo o Mapa, a configuração aplicada considerava como críticos os períodos de semeadura. No entanto, a metodologia correta prevê a avaliação dos riscos durante a fase de pós-emergência da cultura, etapa em que o milho já está estabelecido no campo. Com isso, o risco de geada havia sido superestimado em alguns municípios, reduzindo de forma indevida as janelas indicadas para plantio.

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Após a correção dos dados, as informações atualizadas já estão disponíveis no Painel de Indicação de Riscos do Zarc.

A atualização mantém a metodologia definida para o zoneamento do milho, mas apresenta diferenças em relação à safra anterior devido às mudanças incorporadas nesta nova versão.

Mudanças na metodologia

Entre as alterações implementadas no Zarc do milho está a atualização

Foto: Shutterstock

da base de dados meteorológicos utilizada nos cálculos. A nova versão considera uma série histórica de 1992 a 2022 e ampliou o número de estações meteorológicas analisadas.

Outra mudança foi a adoção de um novo modelo de classificação dos solos, baseado em seis níveis de água disponível (AD). O sistema considera características como a proporção de areia, silte e argila presentes no solo.

O modelo anterior classificava os solos em apenas três categorias: arenoso, médio e argiloso. Com a nova metodologia, o zoneamento busca representar com maior precisão a capacidade de armazenamento de água de cada tipo de solo e sua influência sobre o risco climático das lavouras.

Fonte: O Presente Rural
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