Avicultura EuroTier 2024
Inteligência artificial acelera transformação na avicultura
Europa tem avançado rapidamente no uso de IA no setor avícola, com foco em aumentar a eficiência e enfrentar o desafio da escassez de mão de obra qualificada.

Entre os dias 12 e 15 de novembro, Hanôver, na Alemanha, se transformou no centro da inovação agropecuária mundial durante a EuroTier 2024. Reconhecida como a maior feira global de pecuária e nutrição animal, a EuroTier reuniu mais de 2,2 mil expositores de 51 países, apresentando inovações que pretendem transformar a produção de proteína animal, entre elas a Inteligência Artificial. O evento, organizado pela Sociedade Agrícola Alemã (DLG), ocupou um espaço de 220 mil metros quadrados e ofereceu uma programação que incluiu mais de 300 conferências e painéis especializados

O jornal O Presente Rural esteve na EuroTier e visitou o World Poultry Show, um pavilhão dedicado exclusivamente para a produção de aves. Durante os dias de evento, entrevistas e novidades vistas, fica claro que a Europa está correndo contra o tempo para implementar com rapidez o uso da Ia no dia a dia das granjas e ao longo de todo o processo produtivo.
Temas sobre sustentabilidade, bem-estar animal e tecnologias diversas aplicadas ao setor de produção também fizeram parte das atrações no espaço, mas a inteligência artificial permeou diversas soluções apresentadas, como o gerenciamento de aviários por câmeras, que auxiliam na observação do comportamento dos animais e que podem ajudar o produtor no manejo, como medidas de prevenção ou ajuste para ações mais precisas.
O centro das atenções
A inteligência artificial esteve fortemente presente nas discussões e embarcada em novos equipamentos durante o evento. Em entrevista ao jornal O Presente Rural, Susanne Gäckler, gerente de Projetos de Pecuária da DLG e responsável por apresentar as tecnologias sobre a inteligência artificial na EuroTier 2024, explica que a IA está sendo usada na avicultura de diversas maneiras. “Temos, por exemplo, sistemas de monitoramento do comportamento e saúde dos animais, que observam o comportamento ou os próprios animais 24 horas por dia, gerando dados que são analisados. Se há uma ave no chão, ela está viva? Morta? Doente? A inteligência artificial pode ser treinada para saber exatamente o que está acontecendo com esse animal naquele momento. E não é apenas o comportamento do grupo, mas também o comportamento individual. Esses sistemas conseguem detectar tanto o comportamento coletivo quanto o comportamento de cada animal”, exemplifica.
De acordo com ela, existem processos específicos dentro da cadeia de produção nos quais a inteligência artificial pode ser mais eficaz. “Existem muitos ao longo da cadeia de produção. Por exemplo, a empresa Omega trabalha com sexagem de ovos. É um tema discutido cada vez mais na Europa, mas também no mundo todo. A vacinação de galinhas com robôs é outro exemplo do que você pode fazer se tiver um sistema baseado em inteligência artificial. Assim você pode economizar tempo de trabalho”, aponta, mencionando que a IA pode reduzir o problema de falta de mão de obra. “Na Europa, por exemplo, e especialmente na Alemanha, mão de obra qualificada é difícil de encontrar. As pessoas que realmente sabem observar os animais com cuidado são difíceis de encontrar. Sistemas como os de monitoramento ou um robô de vacinação economizam tempo e esforço físico necessário para realizar algumas tarefas”, diz. “A digitalização e também os processos baseados em IA são muito úteis para os agricultores, mas também para as empresas antes e depois da produção primária”, amplia.
Qualificação
Para Susanne, os trabalhadores do agronegócio vão precisar de algum tipo de preparação, com maior ou menor grau, para gerenciar todas essas ferramentas. “Depende do grau de afinidade com a tecnologia. Algumas pessoas podem ser muito ligadas à tecnologia e se divertir trabalhando com ela, enquanto outras têm dificuldade em entender o que está acontecendo, como usá-la e também em compreender quais podem ser os resultados e os benefícios disso”, sustenta.
Implementação

Em entrevista ao jornal O Presente Rural, Susanne Gäckler, gerente de Projetos de Pecuária da DLG e responsável por apresentar as tecnologias sobre a inteligência artificial na EuroTier 2024, explica que a IA está sendo usada na avicultura de diversas maneiras – Foto: O Presente Rural
A alemã explica que algumas tecnologias apresentadas durante o evento são extremamente novas e muitas delas ainda nem foram validadas. “No momento há muitos projetos em execução e tecnologias que ainda não estão realmente implementadas no mercado e nas fazendas. São produtos que estão em desenvolvimento, perto de entrar no mercado.
Segundo Susanne, a Europa tem avançado rapidamente no uso de IA na avicultura, com foco em aumentar a eficiência e enfrentar o desafio da escassez de mão de obra qualificada. Aqui, estamos trabalhando para que a tecnologia otimize processos e economize o esforço dos produtores porque é difícil encontrar pessoas qualificadas. Essa é uma grande motivação para avançar com essa tecnologia”, sustenta, ressaltando que “não é a maioria dos agricultores, mas uma pequena parte que já está usando” IA na avicultura, como sistemas de monitoramento animal, por exemplo.
Futuro
Ela finaliza destacando que nos próximos anos o objetivo é integrar todos sensores e softwares em um único modelo de IA dentro das granjas, capaz de ‘conversarem’ entre si e tomar as decisões corretas ou alertar os produtores para uma intervenção o mais rápido possível quando algo dentro da granja está errado. Existem sensores em diferentes áreas da granja, na fazenda inteira. Conectá-los é uma meta que precisamos alcançar, porque no momento é quase impossível reunir todos os dados. Seria maravilhoso um sistema integrado, onde cada sensor funciona em conjunto com os outros. É uma grande meta que precisamos alcançar. E isso não é possível no momento. Então, é algo em que temos que trabalhar no futuro”, destaca.
Com tecnologias que prometem revolucionar a avicultura, a EuroTier 2024 reforçou que o futuro da produção animal será moldado por inovação, sustentabilidade e inteligência artificial.
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Avicultura
Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos
Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.
O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.
Preço competitivo sustenta consumo
O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.
Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural
Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.
Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.
Custos seguem incertos
O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.
A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.
Avanço em programas sociais e políticas públicas
O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.
Combate à desinformação
A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.
Um setor mais organizado e unido
Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.
Avicultura
Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.
As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos
A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.
“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.
Avicultura
Exportações de ovos crescem mais de 121% e batem recorde histórico em 2025
Setor supera 1% da produção nacional exportada e amplia presença em mercados de maior valor agregado.

As exportações brasileiras de ovos, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses de 2025, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde histórico e supera em 121,4% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 18.469 toneladas.

Foto: Rodrigo Fêlix Leal
A receita também é recorde. O saldo do ano chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 39,282 milhões.
No mês de dezembro, foram exportadas 2.257 toneladas de ovos, número 9,9% maior em relação aos embarques alcançados no mesmo período de 2024, com 2.054 toneladas. Em receita, a alta é de 18,4%, com US$ 5.110 milhões em dezembro de 2025, contra US$ 4.317 milhões no mesmo mês de 2024. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, ressaltou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “As exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
(+826,7% em relação ao total de 2024), seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas (+229,1%), Chile, com 4.124 toneladas (-40%), México, com 3.195 toneladas (+495,6%) e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas (+31,5%). “Com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, afirma Santin.



