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Inteligência Artificial acelera desenvolvimento de novas cultivares de soja
Modelos preditivos e mapeamento genético integrados reduzem ciclos de lançamento e direcionam para alta produtividade e adaptação regional.

Diante do desafio de produzir mais em menos tempo, a Inteligência Artificial (IA) tem ganhado espaço no agronegócio, especialmente no melhoramento genético de cultivares. A tecnologia encurta ciclos que antes levavam até 10 anos, ao permitir simulações e cruzamentos virtuais que antecipam o desempenho das plantas em diferentes condições.
Esse movimento reflete uma tendência já consolidada no setor: segundo pesquisa da PwC, 78% dos CEOs do agronegócio planejam investir em IA nas operações, índice superior à média de outros segmentos. O avanço das ferramentas digitais no campo aponta para um uso cada vez mais estratégico da tecnologia, não só para otimizar processos, mas para aproximar a produção agrícola de metas globais de produtividade e segurança alimentar.

Foto: Divulgação/IDR
De acordo com o pesquisador Daniel Longhi, a Inteligência Artificial permite simular combinações genéticas antes mesmo do plantio, reduzindo o tempo necessário para identificar cultivares com maior produtividade e tolerância às condições ambientais adversas. “Com os modelos preditivos, conseguimos antecipar características importantes para cada região, otimizando a seleção e tornando o lançamento de novas variedades até três vezes mais ágil”, explica.
O avanço das ferramentas de genotipagem aliados às fenotipagens de alto rendimento à campo, têm sido decisivas. Segundo Longhi, hoje já é possível mapear geneticamente cada planta, desde seus estágios iniciais até seu lançamento, identificando os genes relacionados à produtividade, tolerância a pragas e adaptação climática. “Entramos no DNA da planta para selecionar com precisão os atributos que devem ser preservados, o que aumenta a eficiência no campo”, detalha.
Adaptabilidade ao clima e as diferentes regiões
Longhi salienta que a diversidade da cultura da soja no Brasil é grande. “O material que plantamos no Sul difere daqueles usados no Cerrado, e cada região tem suas particularidades, desafios e características ímpares. Com os dados estruturados, conseguimos traçar perfis regionais e direcionar o melhoramento desde fases iniciais até as etapas de produtividade, em que o material disputará mercado”, frisa.

Foto: Ilutrativa/Shutterstock
O uso de tecnologias de campo, como drones para fenotipagem, tem acelerado a avaliação da qualidade dos materiais, mesmo em condições adversas como ondas de calor ou estiagem. Isso reduz o ciclo experimental e melhora a tomada de decisão ao final da safra.
Além dos dados fenotípicos, a empresa integra essas informações a bancos genômicos robustos, aplicando inteligência artificial para modelar a complexidade do fenótipo da soja. A partir de um banco de germoplasma premium, modelos preditivos, correções estatísticas e simulações, é possível correlacionar dados genéticos com resultados de campo, tarefa impraticável sem a adoção de novas ferramentas e tecnologias de alta escalabilidade disponíveis hoje em dia.
Com essas ferramentas, o pesquisador explica que é possível predizer o desempenho de cruzamentos para os próximos três a quatro anos, o que ajuda a planejar quais combinações genéticas devem ser feitas para produzir cultivares com melhor performance. “O processo inclui simulações de milhões de cruzamentos para identificar os melhores materiais, tornando o volume gerenciável para experimentações a campo. Essa avaliação considera variáveis ambientais de clima e solo, para indicar qual cultivar se adapta melhor a cada região”, ressalta.

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Governo federal prepara decreto de salvaguardas para acordo Mercosul-UE
Texto será analisado pela Casa Civil e estabelece mecanismos para proteger produtores nacionais em caso de aumento das importações europeias.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou na quarta-feira (25) que o decreto sobre as salvaguardas do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) será enviado para a Casa Civil, onde passará por análise jurídica antes da publicação. A salvaguardas são instrumentos de proteção a produtores nacionais. 


Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
O texto prevê mecanismos para proteger produtos agrícolas, caso sejam sancionados por organismos europeus. Isso porque, no final do ano passado, o Parlamento Europeu aprovou regras mais rígidas para importações agrícolas vinculadas ao acordo com o Mercosul, cujas medidas seriam acionadas se importações em grande volume causarem ou ameaçarem prejuízo grave aos produtores europeus.
O setor do agronegócio nacional quer que essas salvaguardas sejam assumidas também pelo governo brasileiro, em caso de aumento das importações de produtos europeus concorrentes. “Sempre há uma preocupação de alguns setores. Então, nós estamos encaminhando a proposta, para passar pelos ministérios, o decreto de salvaguardas”, declarou o vice-presidente.
A fala foi feita após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator do projeto que ratifica o acordo entre o bloco europeu e o sul-americano, que vai criar uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, com produção avaliada em US$ 22 trilhões e mercado consumidor de 720 milhões habitantes.
A Casa Civil poderá consultar outros ministérios, como a Fazenda, para depois enviar o decreto para assinatura do presidente da

Bandeira do Mercosul
República, antes que o Senado Federal aprove a ratificação do acordo. O texto da ratificação foi aprovado na quarta-feira pelo plenário da Câmara dos Deputados.
Como funcionam as salvaguardas
Salvaguardas são mecanismos previstos em acordos comerciais que permitem a um país reagir a surtos de importação decorrentes da redução de tarifas negociadas. Caso fique comprovado dano grave à produção nacional, o governo pode:
- Estabelecer cotas de importação;
- Suspender a redução tarifária prevista no acordo;
- Restabelecer o nível de imposto anterior à vigência do tratado.
O decreto deverá definir prazos, procedimentos de investigação e condições para aplicação das medidas.
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Câmara autoriza uso de até R$ 500 milhões do FGO para crédito do Pronaf
Projeto visa ampliar garantias para agricultores familiares sem impactar as contas da União e segue para sanção presidencial.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (16) o Projeto de Lei 2213/25, que autoriza o uso de recursos do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para cobrir ações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O texto, de autoria do Senado, segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
Administrado pelo Banco do Brasil, o FGO facilita o acesso ao crédito por empresas e setores específicos, diminuindo os riscos para os bancos.
De acordo com o projeto, até R$ 500 milhões do FGO poderão ser utilizados para garantir as operações do Pronaf, que oferece linhas de crédito com condições especiais a agricultores familiares. O texto aprovado altera a Lei 13.999/20, que institui o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).
Um ato conjunto dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Fazenda definirá como esses recursos serão alocados, quais limites máximos de garantia poderão ser concedidos, os critérios de elegibilidade dos agricultores familiares e de suas cooperativas.
O ato deve indicar ainda quais operações do Pronaf poderão receber cobertura do FGO. As instituições financeiras autorizadas a operar

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
crédito rural no Pronaf poderão solicitar essa garantia, respeitados os limites proporcionais de suas carteiras e o montante efetivamente aportado pela União e pelos demais cotistas.
O relator do projeto, deputado Rogério Correia (PT-MG), disse que a medida não produz impacto orçamentário ou financeiro imediato sobre as contas da União. O deputado citou o Balanço Patrimonial Consolidado do próprio FGO, referente a dezembro de 2024, que mostra que o fundo detinha R$ 43 bilhões em ativos totais, o que demonstra, segundo Correia, que a eventual destinação de até R$ 500 milhões para operações do Pronaf representa uma fração modesta de sua capacidade financeira.
“A medida não afeta sua aptidão [do FGO] para dar cobertura às garantias relacionadas ao Pronampe, nem compromete a estabilidade do fundo. Diante desse cenário, conclui-se que o projeto não produz impacto orçamentário ou financeiro imediato sobre as contas da União, uma vez que apenas autoriza a utilização de recursos já existentes no FGO”, afirmou
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Argentina e Uruguai aprovam Acordo Mercosul-UE; Brasil ainda depende de aval do Senado
Após sessões extraordinárias em Montevidéu e Buenos Aires, países iniciam processo de integração comercial.






