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Integração lavoura-pecuária-floresta ainda gera dúvidas a produtores

Mesmo já ouvindo falara sobre a ILPF, muito pecuarista e agricultor ainda não conhece os benefícios que a integração pode trazer para ambas as atividades

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Produzir mais é o objetivo do pecuarista. A utilização de diferentes ferramentas, estratégias e tecnologias para alcançar este propósito não faltam. Porém, a dificuldade pode ser em escolher qual o melhor caminho seguir. Uma inovação que o pecuarista está ouvindo muito nos últimos tempos é a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Mas adequar este propósito à própria realidade pode ser um desafio. Para esclarecer algumas dúvidas sobre isso, o engenheiro agrônomo Elder Bruno falou sobre “A ILPF como aliada na inovação de produção e rentabilidade da pecuária” durante o InterCorte, que aconteceu em abril, em Cuiabá, MT.

Para o especialista, a ILPF não é moda, mas sim uma realidade e inovação que vem sendo utilizada em diversas regiões do país com sucesso. “Todas as tecnologias têm desafios e paradigmas para quebrar. Esta veio para ficar e está se consolidando como uma estratégia importante”, afirma. De acordo com ele, a grande pergunta é por que integrar? “Antes de começar a olhar a integração, é preciso entender porque eu deveria sair do momento que eu estou para poder dar mais um passo para dentro desse negócio”, comenta.

Bruno afirma que existem oportunidades nos sistemas de monocultura, como a soja e o milho. “O avanço da agricultura em regiões e áreas que eram da pecuária começou a dar uma travada. Um grande exemplo disso são as áreas de textura mais arenosa”, conta. De acordo com ele, os agricultores começaram a ver que não é somente a grande escala que traz resultados para a agricultura. O especialista afirma que o grande objetivo, tanto da pecuária quanto da agricultura, é ter mais produção. “É como ter uma cartucheira de vários canos. Você tem a oportunidade de dar vários tiros e conseguir manter a rentabilidade no seu negócio”, diz.

Um desafio enfrentado pela intensificação na pecuária, segundo Bruno, é sobre manter a rentabilidade comparada. “Sempre ouvimos que a pecuária não dá dinheiro igual a agricultura ou empreendimentos florestais. Porém, todos enfrentam problemas. Existem pessoas em várias áreas que não conseguem rentabilizar o eucalipto e vender. Todas as áreas enfrentam uma diversificação de preços”, comenta.

Segundo Bruno, existe uma disponibilidade de área muito grande no Brasil para a integração. “São 29 milhões de hectares disponíveis somente para a segunda safra. Isso mostra a nossa aptidão em utilizar áreas de segunda safra, que geralmente não se faz nada, no momento em que a pecuária mais precisa de pasto”, comenta. Ele acrescenta que é como se o pecuarista olhasse para a demanda de pasto que tem na segunda safra e a disponibilidade que ele terá com o sistema de integração para fornecer pasto.

Ele explica que a pecuária dentro do cenário agrícola tem uma grande dificuldade em permanecer, principalmente sob a ótica da justificativa e contabilização do processo. “Quando vem esse conceito da ILPF, às vezes você pode ter algumas dificuldades, mas é preciso ter uma visão empreendedora do negócio. É produzir mais e melhor em termos de sustentabilidade. Além do mais, pensar na solução de problemas quando queremos produzir mais em menos área, precisamos fazer a utilização máxima dos recursos”, afirma. De acordo com Bruno, o sistema de integração não é algo novo, mas é preciso que os envolvidos comecem a pensar onde o ciclo da integração se encaixa no ciclo da produção.

Benefícios

Um dos benefícios em fazer a integração lavoura-pecuária-floresta citado por Bruno é o melhoramento do solo, beneficiando tanto a pecuária quanto a agricultura. “Existem áreas que são todas verdes, mas nem aquilo que é verde necessariamente é pasto. Isso é um sintoma de degradação. O que geralmente acontece então é que o produtor entra com altas doses de calcário no processo. Isso é uma coisa que a agricultura consegue fazer pela pecuária, porque é raro um pecuarista que olha para a pecuária dele com demanda de gesso ou calcário, por exemplo”, comenta.

Segundo o profissional, é muito raro em uma fazenda de pecuária ter aplicação de gesso. “E isso é algo que traz benefício para a agricultura e também vai trazer para a pecuária. Esse é um momento importante que em pouco tempo aumentamos o teor orgânico dessa área”, diz.

Para ter mais sustentabilidade e rentabilidade no negócio, Bruno conta que existem três cenários. O primeiro é aquele que o produtor já estava normalmente fazendo. O segundo é o arrendamento de um pedaço da fazendo para o eucalipto, que é o tradicional. “E por que arrendar? Por que não é a aptidão desse produtor. Não necessariamente você pode fazer sozinho quando quer entrar em um cenário integrado, o produtor pode buscar ajuda”, explica. E o terceiro, que foi o melhor visto, de acordo com o profissional, é a utilização da soja. “Você entra com a soja em metade da área para empatar, somente para poder usar o benefício da reforma. Assim consigo aumentar a rentabilidade do processo. Fica menos oscilante em termos de sensibilidade de preço”, conta.

Bruno comenta ainda que a integração é um processo altamente sustentável. “É um sistema sustentável, integrado e com ele podemos buscar novos mercado e conseguir entrar com uma carne de melhor qualidade. Mas agora temos que mostrar isso para o nosso consumidor. Ele tem que olhar para a carne que estamos vendendo e perceber que está comprando de um sistema diferenciado. Se ele não tiver esse sentimento, ele vai continuar comprando carne por carne no mercado”, menciona.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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