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Insumos do agro crescem 5,37% em 2025 com alta puxada por fertilizantes e máquinas
Setor mantém expansão apesar de queda no último trimestre, com forte desempenho nos insumos agrícolas e retração nas rações influenciada pela baixa nos preços da soja.

O segmento de insumos do agronegócio encerrou 2025 com crescimento de 5,37%, mesmo após registrar retração de 2,32% no quarto trimestre, de acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O desempenho reflete dinâmicas distintas entre as atividades que compõem o setor, com avanço consistente dos insumos agrícolas e queda relevante na base pecuária.
Os insumos de origem agrícola apresentaram recuo de 1,91% nos últimos três meses do ano, mas acumularam alta de 12,51% no consolidado anual. O resultado indica que a desaceleração no fim do período não foi suficiente para comprometer o desempenho ao longo de 2025, impulsionado principalmente pela demanda das principais culturas.

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Na direção oposta, os insumos ligados à pecuária tiveram retração de 2,87% no quarto trimestre e encerraram o ano com queda de 11,67%. O resultado negativo no acumulado reforça um cenário mais pressionado para o segmento, com impacto direto sobre o desempenho geral dos insumos.
Entre as atividades industriais, a produção de fertilizantes e corretivos de solo apresentou crescimento expressivo. O valor bruto da produção avançou 17,33% em 2025, sustentado por alta real de 8,85% nos preços e expansão de 7,79% no volume produzido.
O mercado brasileiro de fertilizantes manteve trajetória de crescimento ao longo do ano, apoiado pelo aumento da produção agrícola. A demanda foi impulsionada sobretudo pelas lavouras de soja, milho e cana-de-açúcar, que concentram grande parte do consumo desses insumos no país.
Entregas superam 45 milhões de toneladas
As entregas de fertilizantes no Brasil superaram 45 milhões de toneladas em 2025, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O volume indica recuperação da demanda após ajustes de estoques nos anos anteriores e maior necessidade de nutrientes para sustentar ganhos de produtividade nas lavouras.
Apesar do crescimento do consumo, o setor mantém forte dependência de importações, que respondem por mais de 80% do total utilizado no país. Esse quadro expõe o mercado às oscilações de preços internacionais, aos custos logísticos e às variações cambiais. Em 2025, houve leve aumento no custo de fertilização, influenciado pela valorização de matérias-primas e pelo encarecimento do transporte.
Diante desse cenário, avançaram iniciativas voltadas à ampliação da produção nacional de insumos e ao uso de tecnologias mais eficientes. Entre elas estão fertilizantes especiais, bioinsumos e corretivos de solo direcionados ao aumento da fertilidade e da produtividade agrícola.

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Mesmo com desafios logísticos, variações de custos e instabilidade climática ao longo do ano, o abastecimento foi mantido de forma regular ao produtor. Os volumes comercializados cresceram acompanhando a expansão da produção agrícola, com destaque para a soja, que atingiu nível recorde na safra 2025/26 e segue como principal vetor de demanda por fertilizantes no país.
Indústria de defensivos agrícolas
Na indústria de defensivos agrícolas, o valor bruto da produção cresceu 5,16% em 2025, sustentado principalmente pelo aumento de 14,30% no volume produzido. O avanço ocorreu mesmo com retração de 7,99% nos preços reais na comparação anual, indicando maior intensidade de uso desses insumos no campo.
Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal mostram que a área tratada com defensivos no Brasil aumentou ao longo do ano. A composição do mercado segue concentrada em herbicidas, que representam 45% das aplicações. Fungicidas e inseticidas aparecem na sequência, com 23% cada. Tratamentos de sementes respondem por 1% e outros produtos, como adjuvantes e reguladores de crescimento, somam 7%.
O comportamento do setor variou ao longo de 2025. No primeiro semestre, a seca na região Sul e a queda nos preços da safra anterior reduziram o ritmo de aplicação em parte das culturas. Esse cenário afetou decisões de manejo e contribuiu para um desempenho mais moderado no período.
A partir do segundo semestre, o mercado passou a reagir com maior intensidade. A ampliação da área cultivada, especialmente de soja e milho, elevou a demanda por defensivos. Ao mesmo tempo, o aumento da pressão de pragas e doenças fúngicas, aliado à necessidade de manejo de resistência de plantas daninhas, reforçou o uso desses produtos nas lavouras e sustentou o crescimento do setor até o fim do ano.
Produção de máquinas cresce 9,33%
Na indústria de máquinas agrícolas, o valor bruto da produção cresceu 9,33% em 2025, impulsionado pela expansão de 13,10% no volume

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produzido. Os preços reais recuaram 3,33% na comparação com 2024, indicando que o aumento das vendas esteve mais associado à demanda por equipamentos do que à valorização de preços.
O desempenho sinaliza uma recuperação após a retração registrada no ano anterior, acompanhando a retomada gradual dos investimentos no setor agropecuário. A ampliação da área cultivada, especialmente de grãos, somada à necessidade de renovação do parque de máquinas e à busca por maior eficiência operacional nas propriedades, sustentou o crescimento das vendas ao longo do ano.
As comercializações de tratores e colheitadeiras aumentaram em relação a 2024, com predominância do mercado interno. Ainda assim, o ritmo de expansão foi moderado, refletindo restrições financeiras enfrentadas pelos produtores.
No primeiro semestre, o desempenho foi mais contido. O custo elevado do crédito rural e as taxas de juros em patamares altos levaram parte dos produtores a adiar investimentos em equipamentos novos ou a optar pelo mercado de máquinas usadas, reduzindo o ritmo de negócios no período.
Ambiente de negócios
No segundo semestre, o ambiente de negócios apresentou melhora, sustentado pelo avanço do plantio da safra 2025/26 e por perspectivas mais favoráveis para a produção agrícola. Esse cenário estimulou a retomada de investimentos em equipamentos, mesmo com a manutenção de uma política monetária restritiva ao longo do período.

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A demanda também foi impulsionada pela necessidade de modernização das operações no campo. Tecnologias ligadas à agricultura de precisão e à automação ampliaram sua presença nas propriedades, refletindo uma mudança gradual no perfil da mecanização agrícola no país. O movimento indica maior foco em eficiência operacional, redução de custos e otimização do uso de insumos.
Indústria de rações para animais
Na indústria de rações para animais, o valor bruto da produção recuou 14,93% em 2025, pressionado pela queda de 16,02% nos preços reais. O volume produzido cresceu 1,30% no período, indicando manutenção da demanda mesmo em um ambiente de preços mais baixos.
A redução dos preços acompanhou a desvalorização da soja, principal insumo das formulações, o que ampliou o poder de compra dos pecuaristas e contribuiu para aliviar os custos de produção. Ainda assim, o desempenho do setor refletiu ajustes importantes ao longo da cadeia.
A produção foi sustentada pela expansão da proteína animal e pela capacidade de resposta da pecuária brasileira. Avicultura e suinocultura concentraram a maior parte da demanda por ração, mantendo o nível de atividade mesmo diante das oscilações de preços.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Custo da alimentação animal
De forma geral, as cadeias de frango, bovinos e suínos permaneceram como base da indústria de nutrição animal, acompanhando o crescimento da produção de carnes, leite e ovos. Ao longo do ano, o setor enfrentou episódios sanitários, como registros de influenza aviária, além de restrições temporárias às exportações de carne de frango, que afetaram pontualmente a demanda no segmento avícola.
Esses impactos foram parcialmente compensados pela expansão de outras atividades, especialmente na bovinocultura e na suinocultura. A eficiência produtiva e o nível tecnológico da indústria também contribuíram para manter o abastecimento e a estabilidade da produção.
O desempenho das atividades de insumos seguiu diretamente ligado à dinâmica do setor primário. No segmento agrícola, a queda nos preços de defensivos e máquinas ajudou a reduzir custos operacionais e melhorar os termos de troca para os produtores. Em contrapartida, fertilizantes e corretivos de solo registraram valorização, elevando o custo da adubação.
Na pecuária, a retração dos preços da soja teve efeito direto na redução dos custos com alimentação animal, favorecendo a rentabilidade dos sistemas produtivos, especialmente nos segmentos mais intensivos.

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O paradoxo da suinocultura em 2026
Produção cresce, exportações seguem em alta e os custos recuam, mas o aumento da oferta mantém as cotações pressionadas e amplia as perdas nas granjas.

Os dados definitivos do IBGE para o primeiro trimestre de 2026 confirmaram o avanço da produção de carne suína no país. Embora o número de animais abatidos tenha sido mantido em relação à divulgação anterior, o instituto revisou para cima o peso das carcaças. Com isso, a produção totalizou volume 6,93% superior ao registrado nos três primeiros meses de 2025, o equivalente a 92,4 mil toneladas adicionais de carne.
Além do aumento de 5,49% no número de suínos abatidos, cerca de 794,5 mil cabeças a mais na comparação anual, os dados mostram crescimento do peso médio das carcaças. Em março de 2026, o indicador alcançou 93,54 quilos, acima dos 90,93 quilos observados em dezembro de 2025. O movimento sugere maior permanência dos animais nas granjas antes do envio para o abate.
A análise da evolução mensal reforça a consistência da expansão da atividade. A última retração no número de cabeças abatidas ocorreu em abril de 2025, enquanto a redução no volume produzido em toneladas foi registrada pela última vez em fevereiro do mesmo ano. Entre abril de 2025 e março de 2026, o abate cresceu, em média, 5,05% ao mês em número de animais e 6,5% em toneladas de carcaça na comparação com os mesmos meses do ano anterior, evidenciando um ciclo prolongado de aumento da produção.

Parte deste aumento da produção (92,4 mil toneladas) do primeiro trimestre de 2026 foi destinada às exportações de carne suína in natura que cresceram 15,15% (+44,1 mil toneladas) no mesmo período. Ou seja, a disponibilidade interna aumentou 48,2 mil toneladas (4,63%) no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025 (Tabela 2).
Na mesma tabela, analisando cada mês, observa-se que março de 2026 foi o mês de maior incremento na disponibilidade interna, com 22,8 mil toneladas (6,6%), o que equivale a quase 1,3kg per capita ano a mais de consumo.

e variação percentual de um ano para outro. Elaborado por Iuri Machado, com dados do IBGE e Secex.
Esta sobre oferta bastante significativa explica a queda consistente de preços no início do ano, porém as cotações continuaram caindo em abril e maio e na primeira quinzena de junho (Gráficos 1 e 2).


O que explica, em grande parte, a continuidade da queda de preços no segundo trimestre/26 é a redução do ritmo de crescimento percentual das exportações de carne suína in natura em relação ao mesmo período do ano passado (Gráfico 3). Geralmente, por representar, em torno de 24% da destinação da produção, a exportação de carne suína in natura precisa crescer percentualmente em torno de quatro vezes mais que o crescimento da produção para manter a disponibilidade interna no mesmo patamar, ou seja, se, por exemplo, a produção em toneladas de carcaça crescer 6% as exportações precisam crescer 24% no mesmo período para que não haja sobreoferta no mercado doméstico.
Conforme o gráfico 3, a seguir, no acumulado do segundo trimestre de 2026, até os embarques de 12 de junho, as exportações de carne suína in natura só cresceram 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda não temos dados oficiais da produção neste segundo trimestre, mas mantido o ritmo do início do ano, dificilmente o crescimento em relação ao ano passado ficará abaixo de 5%, ou seja, certamente também fecharemos o segundo trimestre com um excedente significativo de carne suína ofertada no mercado doméstico.

Custo da atividade recua, mas prejuízo aumenta
Com o início da colheita da segunda safra de milho, mesmo com expectativa de quebra considerável em estados como Goiás e Minas Gerais, as cotações do cereal continuam em queda (Gráfico 4). O farelo de soja se apresenta estável, com pequenas oscilações para baixo.

Porém, com preço do suíno ainda em queda, a relação de troca com os mix de milho e farelo de soja continua desfavorável para o suinocultor (Gráfico 5), o que tem ocasionado prejuízo considerável e crescente ao suinocultor independente (Tabela 3).


Tabela 3: Custos totais (ciclo completo – suinocultura independente), preço de venda e lucro/prejuízo estimados, mensais, nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido) de janeiro a maio/2026 e a média anual de 2024 e 2025. Destaque para os meses de abril e maio/2026 com os três estados apresentando prejuízo na atividade. Elaborado por Iuri Machado com dados: Embrapa (custos), Cepea (preço do suíno).
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, as quedas nas cotações do suíno parecem ter chegado ao seu pior momento nas últimas semanas, pois na entrada da segunda quinzena de junho, algumas praças demonstram estabilização e até reação dos preços pagos ao produtor. “Os dados definitivos de abate do IBGE referente ao primeiro trimestre, trazem a preocupação quanto ao crescimento significativo da produção, exigindo que haja um aumento também expressivo da demanda interna e externa para que determine um novo ciclo de alta nas cotações do suíno, permitindo tirar a atividade do vermelho”, ressaltou.
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De importador de tecnologia a exportador de conhecimento: a nova fronteira da agricultura tropical brasileira
Com mais de quatro décadas dedicadas ao ensino e à pesquisa, Durval Dourado Neto explica como a ciência desenvolvida nos trópicos colocou o Brasil entre os protagonistas da segurança alimentar mundial.

A liderança do Brasil na agricultura tropical não surgiu por acaso. Foi construída em laboratórios, salas de aula e campos experimentais, com a dedicação de pesquisadores que desenvolveram tecnologias capazes de adaptar cultivos às condições tropicais e ampliar a produtividade no país. Se hoje o Brasil é uma potência agrícola é graças ao investimento na ciência tropical.

Engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto: “A inclusão digital permite ao agricultor criar negócios, ter maior segurança na propriedade e ampliar o acesso à educação” – Foto: Danilo Lysei CLB
Parte dessa história pode ser contata a partir da atuação do engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto. Com uma trajetória enraizada no ensino, pesquisa e extensão pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), de docente a diretor, o pesquisador é uma das principais referências do Brasil e do mundo na área de agronomia, agricultura digital e sustentabilidade. Ao longo de mais de quatro décadas, liderou iniciativas focadas em transformar conhecimento em inovação para a sociedade.
Atualmente, ele coordena o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC), sediado na Esalq/USP, que reúne projetos voltados para temas estratégicos do agro brasileiro, como irrigação, conectividade rural, segurança alimentar e conservação dos biomas.
Entre os trabalhos conduzidos pelo grupo está o estudo que serviu de base para o Plano Nacional de Irrigação, além de um diagnóstico sobre conectividade no campo que identificou a necessidade de infraestrutura de internet nos municípios brasileiros sob a ótica da agricultura digital.
Segundo Durval, o acesso à conectividade vai além da produtividade no campo. “A inclusão digital permite ao agricultor criar negócios, ter maior segurança na propriedade e ampliar o acesso à educação. São benefícios que extrapolam a produção agrícola”, afirma.
Criado em 2023, durante a gestão do então reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, o STAC foi concebido para aproximar universidade, setor público e iniciativa privada na busca de soluções para a segurança alimentar global.
O centro atua na elaboração de diagnósticos sobre a cadeia mundial de alimentos, na formulação de políticas públicas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento

Foto: Jonathan Campos
Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU e no desenvolvimento de projetos voltados à inovação, empreendedorismo e formação de lideranças. “Basicamente, o que a gente procura fazer é utilizar todo o conhecimento científico que nós temos para resolver problemas práticos com base nas demandas da sociedade”, resume Durval.
Brasil quer liderar a ciência dos trópicos
Historicamente, a produção científica agrícola esteve concentrada em países de clima temperado, no Hemisfério Norte. Para Durval, um dos desafios do Brasil é justamente reduzir essa dependência e fortalecer a produção de conhecimento voltada às condições tropicais.
Com sede própria inaugurada em janeiro de 2026, o STAC busca se consolidar como um centro internacional de referência em agricultura tropical sustentável.
Para o pesquisador, a estrutura vinculada à Universidade de São Paulo confere credibilidade científica às tecnologias desenvolvidas no país e fortalece o papel do Brasil na chamada diplomacia científica. “Deixamos de ser vistos apenas como um grande produtor agrícola para nos firmarmos como um dos principais provedores de conhecimento agroambiental do século XXI”, destaca.

Foto: José Fernando Ogura
Na avaliação do professor, a contribuição brasileira será cada vez mais relevante diante da crescente demanda global por alimentos. A expectativa é que o país responda por uma parcela significativa da segurança alimentar mundial nas próximas décadas.
Transformar conhecimento em riqueza
Ao explicar sua visão sobre o papel da ciência, Durval recorre frequentemente à teoria tridimensional do direito, baseada nos conceitos de fato, valor e norma.
Segundo ele, a realidade gera fatos; a sociedade atribui valor a esses fatos; e, a partir dessa interpretação, surgem as normas e decisões. “Nós estamos constantemente diante desses desafios de fato, valor e norma. O grande desafio está justamente no valor. Transformar conhecimento em riqueza é, na verdade, a nossa grande missão”, enfatiza.
Para o pesquisador, a agricultura tropical brasileira chegou ao atual patamar graças à capacidade de integrar ciência, inovação e aplicação prática. E é justamente essa combinação que, na sua visão, permitirá ao país ampliar sua contribuição para a produção sustentável de alimentos no mundo.
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Nova regra amplia flexibilidade no uso de energia para irrigação no meio rural
Portaria mantém desconto tarifário e permite que produtores escolham horários de irrigação em até três faixas diárias, com mais autonomia e exigência de planejamento técnico.

A Portaria Normativa MME nº 137, de 08 de junho de 2026, estabelece novas diretrizes para a concessão de descontos especiais nas tarifas de energia elétrica aplicadas à Classe Rural, com impacto direto sobre a atividade de irrigação no país.

Foto: Juliana Caldas
O principal avanço da norma está na flexibilização do uso do benefício tarifário. O desconto permanece válido para um período diário de 08 horas e 30 minutos, mas agora o produtor rural poderá definir a forma de utilização desse tempo, optando por um intervalo contínuo ou pelo fracionamento em até três períodos ao longo do dia, sempre em múltiplos de 30 minutos.
Apesar da maior liberdade, a portaria estabelece restrições importantes. O período entre 17 horas e 21h30 não será contemplado com o desconto, por ser considerado horário de pico do sistema elétrico.
A definição da escala de uso deve ser acordada com a concessionária de energia, com preferência ao consumidor na escolha dos horários, desde que respeitadas as regras do sistema elétrico. Também é permitido ajustar as escalas conforme diferentes períodos do ano, o que abre espaço para estratégias sazonais de manejo da irrigação.
Outro ponto relevante é a obrigatoriedade de formalização contratual dos horários de operação, que passam a constar em instrumento específico entre produtor e

Foto: Divulgação
distribuidora.
Na prática, a mudança exige maior planejamento da atividade irrigada. A escolha dos horários não deve considerar apenas o custo da energia, mas também fatores agronômicos, como temperatura, vento, tempo de molhamento foliar e eficiência da aplicação de água.
Nesse contexto, ferramentas de agricultura digital e gestão de dados permitem que o produtor alinhe operação de irrigação e condições ambientais, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência hídrica e energética.
A nova regulamentação, portanto, transforma o horário reservado de irrigação em uma ferramenta de gestão mais estratégica, em que eficiência produtiva e racionalidade no uso de recursos passam a caminhar juntas.



