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Insultos de autoridades do Brasil à China causam preocupação, diz Cargill

Apesar de inquietantes, ele não vê risco imediato de interrupção do comércio bilateral em função de declarações desairosas

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REUTERS/Denis Balibouse

Insultos recorrentes de autoridades brasileiras à China, principal comprador de produtos agrícolas do Brasil, geram “grande preocupação” para empresas do setor, disse na quarta-feira (17) o presidente da Cargill no país, Paulo Sousa. Apesar de inquietantes, ele não vê risco imediato de interrupção do comércio bilateral em função de declarações desairosas de membros do ministério e da família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A postura mais agressiva com relação à China foi adotada em mais de uma ocasião por integrantes do governo, e chegou a gerar manifestações de repúdio por parte da embaixada chinesa no país. “É muito preocupante se você tem oficiais no governo brasileiro insultando o nosso maior cliente. Não é perfil ideológico. Nós temos o papel de fornecer alimentos para o mundo independentemente de cor, raça, credo ou preferência política do país”, afirmou Sousa. “Então não é cabível para oficiais do governo brasileiro fazer insultos ao nosso maior cliente. Eu diria que nem é muito inteligente,” disse ele em live promovida pelo jornal Valor Econômico.

A Cargill foi a maior exportadora de soja e milho do Brasil nos cinco primeiros meses de 2020, segundo dados de agências marítimas, que indicam que a trading norte-americana embarcou 8,1 milhões de toneladas da oleaginosa e quase 342 mil toneladas de milho no período. As exportações brasileiras de soja, que possuem a China como maior compradora, ficaram acima das expectativas nos primeiros meses do ano, disse Sousa.

Mesmo com a pandemia de coronavírus atingindo o Brasil em cheio, a crise sanitária não afetou a capacidade do país de exportar commodities agrícolas como grãos e carnes, acrescentou Sousa. “O maior risco para o agronegócio brasileiro em termos de competitividade e aceitação é o risco ambiental,” disse Sousa, acrescentado que a questão é ainda mais premente que a pandemia e a própria guerra comercial entre Estados Unidos e China, por causa do potencial de afastar compradores. “É bom parar de falar… É bom parar de ser agressivo”, disse o executivo.

Procurado, o governo federal não respondeu de imediato a pedidos de comentário sobre as declarações de Sousa.

Fonte: Reuters

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VBP do Pará aumenta 14,7% em 2025

Variação positiva amplia a participação do estado no total nacional de 3,06% para 3,15%, reforçando o avanço do agro paraense no contexto brasileiro.

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Foto: Shutterstock

O Pará encerra 2025 com crescimento relevante no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), alcançando R$ 44,5 bilhões, ante R$ 38,8 bilhões registrados em 2024, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. A variação positiva de 14,7% amplia a participação do estado no total nacional de 3,06% para 3,15%, reforçando o avanço do agro paraense no contexto brasileiro.

A leitura do histórico recente mostra uma trajetória contínua de expansão. Entre 2018 e 2025, o VBP estadual praticamente dobra, passando de cerca de R$ 21,6 bilhões para R$ 44,5 bilhões. É importante destacar que os valores estão expressos em termos correntes e não descontam a inflação acumulada do período, o que significa que parte do crescimento reflete variações de preços ao longo do tempo.

A bovinocultura de corte permanece como a principal atividade do agro paraense e responde pela maior parcela do VBP estadual. Em 2025, o segmento atinge R$ 17,38 bilhões, acima dos R$ 14,06 bilhões registrados em 2024, mantendo-se como o principal vetor de crescimento do estado. O avanço da bovinocultura contribui de forma decisiva para o resultado agregado, dada sua elevada participação na estrutura produtiva local.

A soja aparece como a segunda principal cadeia do estado e também apresenta evolução significativa. O VBP da oleaginosa sobe de R$ 7,63 bilhões em 2024 para R$ 8,84 bilhões em 2025, consolidando o grão como uma das bases do crescimento agrícola no Pará. O desempenho da soja se soma ao avanço do cacau, que registra R$ 6,97 bilhões em 2025, mantendo-se entre as principais culturas do estado, ainda que com leve retração em relação ao ano anterior.

Outras cadeias agrícolas e pecuárias também contribuem para o resultado final. A mandioca alcança R$ 4,23 bilhões, o milho soma R$ 3,35 bilhões e a banana atinge R$ 1,24 bilhão. Na pecuária, além da bovinocultura, destacam-se frangos, com R$ 948,9 milhões, e leite, com R$ 458,1 milhões, ambos acima dos valores registrados em 2024.

As retrações observadas em algumas atividades, como cana-de-açúcar, arroz e ovos, ocorrem em segmentos de menor peso relativo no VBP estadual e não comprometem o desempenho geral do agro paraense. A diversidade de cadeias produtivas permite que o estado absorva essas oscilações sem perda do ritmo de crescimento.

Composição

Na composição do VBP, a pecuária responde por 57% do valor total, enquanto as lavouras representam 43%, proporção que se mantém estável em relação a 2024. O resultado de 2025 confirma o avanço consistente do Pará no cenário agropecuário nacional, com crescimento sustentado por bovinos e grãos, ampliando gradualmente sua participação no VBP brasileiro.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Safra dos Estados Unidos cresce e aumenta a oferta de milho

USDA revisou a produção para cima, elevou os estoques finais e manteve as exportações no mesmo patamar.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima a produção de milho do país e, como consequência, elevou os estoques finais. As exportações norte-americanas, por outro lado, foram mantidas no mesmo patamar. Esse movimento amplia a oferta disponível no mercado internacional e mantém pressão sobre os preços do cereal, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

No relatório de janeiro, o USDA estimou a produção de milho dos Estados Unidos em 432,4 milhões de toneladas, acima das 425,5 milhões de toneladas projetadas no mês anterior. O aumento foi impulsionado pela produtividade média recorde de 11,7 toneladas por hectare. Os estoques finais norte-americanos cresceram 9,8%, chegando a 56,6 milhões de toneladas, o terceiro maior volume da série histórica. As exportações permaneceram inalteradas em 81,3 milhões de toneladas.

Foto: Divulgação/Freepik

O órgão também revisou para cima a produção de milho da China, agora estimada em 301,2 milhões de toneladas, enquanto as importações do país para a safra 2025/26 foram mantidas em 8 milhões de toneladas. Com a elevação da produção nos Estados Unidos, o balanço global de oferta e demanda ficou mais equilibrado, resultando em aumento do estoque de passagem da safra 2025/26, ainda abaixo do registrado na temporada anterior.

No Brasil, o avanço da compra de fertilizantes para a segunda safra ocorre dentro da média em estados como Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul, indicando condições adequadas para o plantio. Em Goiás, São Paulo e Minas Gerais, porém, a aquisição dos insumos segue atrasada, o que traz incertezas para as decisões de plantio da safrinha 2026. Nessas regiões, o ritmo do cultivo da soja, a janela de plantio e as condições climáticas nas próximas semanas serão determinantes para a definição das áreas a serem semeadas.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Epagri completa 50 anos levando tecnologia do laboratório direto para o campo catarinense

Com dados climáticos em tempo real, agricultura digital e avanço dos bioinsumos, pesquisa pública ajuda produtores a enfrentar clima instável, custos altos e a busca por produção mais sustentável.

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Mudanças climáticas, custos de produção e sustentabilidade ambiental são os maiores desafios da agropecuária - Foto: Jonatas Jumes/Epagri

Em 50 anos de pesquisa, a Epagri levou avanços à eficiência da agropecuária catarinense com inovações que vão de dados climáticos mais precisos a sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis. Para o futuro, a empresa aposta na consolidação da agricultura digital e no desenvolvimento de soluções de biotecnologia.

O objetivo é ajudar produtores rurais do estado a enfrentar os maiores desafios da agropecuária na atualidade: mudanças climáticas, custos de produção e sustentabilidade ambiental. O pesquisador Reney Dorow, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Epagri, defende a busca incessante por uma pesquisa conectada com as demandas do mercado.

“O plano estratégico da Epagri se volta para um futuro que exigirá cada vez mais da pesquisa agropecuária a entrega de soluções práticas para o campo. A agropecuária precisa aumentar a produtividade com o menor custo e impacto ambiental possível e a agricultura 4.0 e a biotecnologia são essenciais para alcançar esses resultados”, afirma Reney.

Agricultura digital

A Epagri já disponibiliza uma infinidade de dados que ajudam o produtor rural a tomar decisões com foco em produtividade e custos. Entre as ferramentas digitais disponíveis está o Agroconnect, sistema que reúne informações sobre clima, recursos hídricos, solo e meio ambiente, além de alertas fitossanitários. Os dados são capturados em tempo real a partir de uma rede de mais de 300 estações meteorológicas.

Eventos extremos estão cada vez mais comuns, tornando o monitoramento hídrico e climático em tempo real cada vez mais necessário – Foto: Divulgação/Epagri

A pesquisadora Cristina Pandolfo, gerente do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram), explica que o monitoramento em tempo real permite que produtores ajustem plantios, irrigação e colheitas de acordo com condições climáticas e hídricas. Essas variáveis se tornam ainda mais importantes num cenário de instabilidade climática.

“Recentemente, o agronegócio catarinense teve perdas de R$2,7 bilhões em decorrência de eventos extremos como chuvas fortes, granizo, vendavais e geadas. O impacto dessa instabilidade climática é direto na renda familiar e na segurança alimentar local. Por isso, o acesso à agricultura digital, com informações meteorológicas, se torna ainda mais importante”, destaca Cristina.

Entre os dados disponibilizados pelo Agroconnect está o monitoramento do frio, essencial para o cultivo de frutas de clima temperado, como a maçã. O acúmulo de horas de frio é uma variável importante no manejo de pomares de frutas de clima temperado porque ela define o momento ideal da quebra química da dormência, intervenção necessária para garantir maior produtividade e qualidade da fruta.

Monitoramento do frio

O produtor de maçã Eduardo Scapinelli, de Caçador, utiliza o monitoramento do frio da Epagri desde que iniciou seu pomar, há quase dez anos. “Normalmente, a partir de junho nós já começamos a monitorar os índices de frio com os dados que a Epagri fornece diariamente. A partir do conjunto dessas informações, nós tomamos as decisões das quebras de dormências nas macieiras”, afirma o produtor.

Produtor Eduardo Scapinelli monitora os índices de frio disponibilizados pela Epagri Ciram para saber a hora de quebrar a dormência nas macieiras – Foto: Eduardo Scapinelli

Segundo Eduardo, é uma decisão que requer gestão porque garante maior precisão na dose de químicos aplicados na quebra da dormência, protegendo o pomar e aumentando a produtividade. Além disso, há situações que podem levar à redução de custos. “Se houver mais frio, economizamos com a diminuição da dose da vitamina usada no tratamento, um dos mais caros da macieira”, explica o produtor, que colhe em torno de 120 toneladas de maçã por ano.

Para a gerente Cristina Pandolfo, o principal desafio na digitalização da agricultura catarinense é transformar os dados em informações acessíveis aos produtores. “Estamos aprimorando constantemente as ferramentas digitais para que os dados coletados sejam organizados e apresentados de uma forma que o agricultor possa se apoderar deles para otimizar a gestão da propriedade”.

A agricultura 4.0 já é consolidada em grandes empresas do agronegócio. Os dados alimentam robôs, sensores e drones, entre outras tecnologias que aprimoram o controle, o monitoramento e os sistemas de produção. Entre os benefícios, há redução de desperdício de insumos, reduzindo custos e tornando o negócio mais competitivo e lucrativo. O desafio é disseminar essas tecnologias para médias e pequenas propriedades rurais.

Evolução dos bioinsumos

O futuro da pesquisa agropecuária também passa pela biotecnologia. No Brasil, o mercado de insumos agrícolas de origem biológica cresceu a uma média anual de 22% nos últimos três anos, índice quatro vezes maior do que a média global.  Os dados são da Blink/CropLife Brasil. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, 49% dos agricultores brasileiros já utilizam algum tipo de bioinsumo, o maior índice no mundo.

“Os bioinsumos não são o futuro, eles são o presente da agricultura. Se não tivéssemos a inoculação da soja por meio de bactérias fixadoras de nitrogênio (rizóbio), por exemplo, não teríamos viabilidade na produção desta oleaginosa que é a principal cultura no Brasil e também em Santa Catarina”, afirma Leandro Ribeiro, pesquisador do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf), em Chapecó. O rizóbio é uma bactéria que capta o nitrogênio da atmosfera e oferece à soja, reduzindo consideravelmente o uso de nitrogênio sintético, muito mais caro e poluente.

Para o pesquisador Leandro do Prado Ribeiro, os bioinsumos já são indispensáveis para a agricultura – Foto: Karin Helena Antunes de Moraes/Epagri

Segundo Leandro Ribeiro, a utilização de bioinsumos atende uma demanda da sociedade por produções mais sustentáveis e com menor nível de resíduo de agrotóxicos. Do ponto de vista agronômico, eles também contribuem com os programas de manejo integrado de pragas e doenças, principalmente para contornar os casos de evolução de resistência e de surtos de pragas, tanto  nativas quanto exóticas, assim como reduzir os níveis de resíduos de agrotóxicos sintéticos em produtos agroalimentares.

Na Epagri, o desenvolvimento tecnológico de bioinsumos ainda é tímido, com grande parte das ações voltadas para a validação de produtos já registrados. Mas há avanços importantes, com grandes potencialidades. Uma pesquisa coordenada por Ribeiro isolou fungos entomopatogênicos nativos de Santa Catarina, constituindo um banco de isolados para avaliar o potencial desses agentes biológicos no manejo de pragas de pastagens.

Após uma série de coletas e de estudos laboratoriais, os pesquisadores constituíram um banco de isolados, obtidos de locais com diferentes tipos de solo e clima de Santa Catarina. “Conseguimos avaliar ou obter isolados multifuncionais, com ação biopesticida, promotora de crescimento e também indutora de resistência. Alguns desses isolados têm despertado o interesse da iniciativa privada. Já temos uma proposta de desenvolvimento conjunto por parte de uma empresa de produção de biológicos do sul do Brasil”, adianta Leandro.

Em relação ao mercado, o pesquisador aponta a legislação como principal desafio. Em dezembro de 2024, a União promulgou o marco regulatório de bioinsumos, mas os decretos reguladores ainda estão em discussão. “Acreditamos que essa questão seja contornada em breve, deixando clara as regras para pesquisa, registro, controle de qualidade, produção on farm (na propriedade) e utilização em escala industrial. Por sua grende biodiversidade, o Brasil tem potencial para conduzir estudos prospectivos de bioinsumos e a geração de produtos comerciais”, avalia Leandro.

Aprovação do produtor

Produtor rural e engenheiro agrônomo, Leonardo Zeni, utiliza bioinsumos desde 2020 na propriedade que administra junto com o pai, em Guatambu, no Oeste catarinense. Entre as culturas, destaque para o milho. “Nós estamos sempre buscando formas de melhorar a produtividade e foi assim que conhecemos os bioinsumos. Fizemos testes com diversos produtos que estavam disponíveis no mercado. Em um pedaço do talhão aplicamos os bioinsumos e no outro não. Na colheita, observamos melhorias na produção e passamos a utilizar em toda a propriedade”, conta Leonardo.

Produtor Leonardo Zeni utiliza bioinsumos há mais de cinco anos em sua propriedade, especialmente no controle de pragas e doenças nas plantações de milho – Foto: Divulgação

Na visão do agricultor, os bioinsumos não substituem os produtos químicos, mas melhoram a performance da estratégia de manejo e, consequentemente, o rendimento da cultura. “Nenhum deles vai resolver tudo sozinho, mas quando associados levam a melhores resultados, ampliando a produtividade”, avalia. Leonardo conta que a consultoria da Epagri foi fundamental para o processo de utilização de bioinsumos ao validá-los para aplicação em larga escala. “Esse trabalho dá mais confiança ao produtor rural em usar uma tecnologia que é um caminho sem volta”, afirma o agricultor.

O presidente da Epagri, Dirceu Leite, reforça que as tecnologias desenvolvidas pela Epagri têm como finalidade melhorar a vida das pessoas e fortalecer a produção sustentável de alimentos, como foi relatado pelos agricultores  Leonardo e Eduardo “A pesquisa pública tem esse papel de olhar para o futuro, antecipar desafios e entregar soluções que muitas vezes não nasceriam apenas da lógica de mercado. Investir em ciência, tecnologia e inovação na Epagri é investir em segurança alimentar, em renda no campo e em um modelo de desenvolvimento mais justo e resiliente para Santa Catarina e para o Brasil”.

Fonte: Assessoria Epagri
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